Rocket Queen
39 Desabafando
Notas iniciais
No dia seguinte Sasuke não foi pra aula, eu sabia que isso era realmente culpa minha, tadinho, deveria estar super envergonhado.
Não parei, por um segundo sequer, de pensar nas palavras do Naruto. Pensei sobre eu ser uma marionete nas mãos das minhas amigas, sobre descontar minha raiva nos outros, no fundo eu temia que aqueles dias voltassem, atrás de uma máscara eu escondia a menina frágil que eu era. Mas, o que realmente não saía da minha cabeça eram aquelas palavras "Um cara que te ama ... " Naruto falou de forma tão natural e espontânea, ele e o Sasuke são amigos, não duvido que aquele loiro idiota saiba sobre os sentimentos dele, embora eu duvidasse um pouco.
Se Sasuke me amava, então poderia me perdoar, mas dificilmente as coisas voltariam a ser como antes, pra variar eu entreguei tudo...
Passei a aula toda olhando para a carteira vazia de Sasuke, como eu queria que ele estivesse lá, como eu queria abraça-lo e pedir desculpas, dizer o quanto estou arrependida. Mas ele não apareceu. Minhas amigas não falaram comigo desde o dia anterior, mas eu estava pouco me fudendo pra elas, sempre tive consciência de que nossa amizade era sustentada pela minha popularidade.
Na hora do intervalo, sentei-me sozinha no pátio da escola, aquele local foi cenário de uma discussão minha com o Sasuke, logo após sermos liberados de uma atividade de química que fizemos em dupla, ele tocou no nome do Sassori e eu fiquei com raiva, lógico.
Eu estava sozinha, perdida nos meus pensamentos quando vi se aproximar de mim uma mulher dos cabelos negros, vestindo uma calça pantalona preta com uma blusa rosa decotada, nos seus pés tinham saltos de bico fino e seus cabelos estavam presos por um rabo de cavalo alto. A elegância e beleza em forma de gente, só podia ser uma pessoa, Mikoto.
– Sakura — Disse assim que chegou perto de mim, ela parecia séria — Você pode me acompanhar até a minha sala ?
Eu apenas assenti e caminhei com Mikoto até a sala dela.
Chegando lá, a mulher sentou-se em sua cadeira e pediu para que eu me sentasse também. Sentei-me em uma das duas cadeiras que ficavam de frente para a mesa de Mikoto, lá eu vi alguns porta retratos. Em um deles tinha uma foto de dois garotinhos, um deles devia ter seus oito anos, enquanto que o outro devia ter três, não tive dúvidas de que aquelas crianças eram Sasuke e Itachi. No outro porta retrato tinha uma foto de Mikoto com um homem que se parecia um pouco com Itachi e quase nada com Sasuke (já que este era a cara da mãe), aquele homem devia ser marido dela e pai dos rapazes. Por último tinha uma foto da família inteira, parecia bem recente, acho que devia ser a formatura do nono ano de Sasuke, ele não havia mudado muita coisa.
– Bem Sakura ... — Mikoto me chamou e eu desviei minha atenção para ela — Eu te chamei aqui pois preciso ter uma conversa séria com você.
– E do que se trata ? — Indaguei, mas no fundo eu sabia sobre o que era.
– Eu soube o que aconteceu entre você e o meu filho -Mikoto foi bem direta e eu gelei — Acho que assuntos de adolescentes devem ser resolvidos entre adolescentes, eu já tive a idade de vocês, não se esqueça disso — Eu apenas assenti e ela continuou falando — mas o que vocês tiveram não foi uma simples discussão. Naruto veio falar comigo ontem, disse que o Sasuke estava passando mal e que por isso o pai dele viria busca-lo. Mas quando cheguei em casa, meu marido me contou que o Sasuke estava chorando muito e que estava sujo de suco, disse também que o que mais o machucou foi o fato de que quem fez aquilo foi uma garota de quem ele gosta muito, logo deduzi que era você.
– Mikoto, eu nem sei porque fiz aquilo, sério, tô muito arrependida.
– Bem, não é pra mim que você tem que dizer isso, é para o Sasuke — Ela soltou um suspiro alto — Você se colocou no lugar dele ? Você imagina como ele se sentiu ou como está se sentindo ? Eu não estou dizendo isso como mãe, mas como psicóloga, aqui o Sasuke não é meu filho, mas um aluno como qualquer outro e se ele fosse o errado da história eu não o defenderia, mas o caso não foi esse.
– Sei que a errada fui eu — Eu segurava minhas lágrimas, sentia uma vontade enorme de chorar — Sobre o que você disse antes, eu sei como ele se sente, já passei por isso, acredite...
– E você pode me contar o que houve com você ? — Mikoto indagou curiosa e meu sangue gelou, nunca gostei de falar sobre aquilo com ninguém, mas sei que as conversas com ela são sigilosas e achei que desabafar seria uma boa.
– Faz um tempo, eu tinha apenas doze anos — suspirei, tentava criar coragem — Eu sofria bulling, vir para a escola era quase uma tortura para mim, eu era alvo de deboche — as cenas daquela época passaram como um flash na minha cabeça e eu comecei a chorar — Até que um dia, conheci uma pessoa que fez de mim a pessoa que eu sou hoje — Respirei fundo — Sassori, meu ex namorado.
– E você começou a namorar com aquela idade ? — Mikoto ficou impressionada.
– Infelizmente sim — Respondi — Ele é cinco anos mais velho do que eu, está fazendo faculdade. Enfim, ele era um dos rapazes mais populares, namorar com ele fez de mim uma garota praticamente intocável. Ele era cobiçado e eu, invejada. Eu passei a ser popular e me tornei uma pessoa horrível, passei a descontar nos outros a raiva que eu tinha, passei a fazer com os outros o que faziam comigo.
– E o que aconteceu depois ? — Mikoto perguntou naturalmente, foi como se ela soubesse que tinha algo mais.
– Ele abusou de mim — Mikoto arregalou os olhos, estava horrorizada — Eu era ingênua demais, quando me dei conta já tinha acontecido — Envergonhada, abaixei a cabeça.
– Ele transou com você contra a sua vontade ? — Direta como sempre.
– Mais ou menos — Suspirei, mas não consegui encarar a mãe de Sasuke, continuei de cabeça baixa — Ele insistiu e eu disse que não queria ...
– E ele te pressionou ? — Eu apenas assenti — Sakura, você era uma criança.
– Eu tinha quase treze anos, ele jogou na minha cara que eu não o amava, eu disse que o amava muito, então ele quis uma prova — Chorei mais ainda — Não foi contra a minha vontade, mas de certa forma foi. Ele não me forçou, mas eu me senti forçada.
– Sakura, sexo não é prova de amor.
– Vai dizer isso pra uma garota de treze anos, apaixonada e que nunca ouviu conselhos da mãe ! — Gritei.
– Sua mãe nunca falou sobre isso com você ? — Mikoto ficou incrédula.
– Eu moro sozinha — Sequei minhas lágrimas — Meu pai vive viajando a trabalho, minha mãe sempre vai junto. Por isso eles não queriam filhos, eu fui um acidente. Quando eu era pequena ela ficava em casa, as vezes me deixava com a minha madrinha para viajar, mas depois que eu fiquei maior e pude me virar sozinha só nos vemos durante as férias.
– Você era realmente uma garota muito ingênua — Ela estava boquiaberta — Por isso se entregou tão fácil.
– Foi — Assenti — Mas o pior veio depois. Ele gravou tudo — Mikoto levou um susto com o que eu disse — Gravou e saiu espalhando o vídeo, não preciso nem falar o quanto fui humilhada nessa escola.
– Sakura, isso é crime!
– Por fim, ele só tirou o vídeo da Internet e ficou por isso mesmo — suspirei — Mas o que ele fez comigo não tem como ser deletado.
– Jamais imaginei que algo assim tivesse acontecido com você.
– Fiquei um tempo em casa, eu nem saía na rua. Mas não iria adiantar me esconder para sempre, foi quando voltei para a escola e reassumi meu posto de garota popular e intocável. Comecei a humilhar as pessoas, eu estava à cima de tudo e de todos — Comecei a chorar novamente — Mas isso é só pra esconder a verdadeira Sakura.
– No final, você é só uma máscara — Mikoto foi bem direta — Mas você humilhou o Sasuke exatamente como fizeram com você. Sakura, você se tornou aquilo que você mais odiava. O Sasuke tem culpa de alguma coisa ? — Eu neguei com a cabeça — Exatamente, ele não tem culpa de nada. Você precisa rever seus conceitos, pisar nas pessoas por status não é legal.
– Sei disso — Eu olhei nos olhos dela — Mikoto, eu tô arrependida, gosto muito do Sasuke e não queria machuca-lo, aquilo foi um ato inconsequente.
– Acredito em você, mas não sei se o Sasuke vai acreditar — Mikoto se levantou de sua cadeira e caminhou até mim, sentou-se na cadeira ao meu lado, ficando de frente para mim — Vou falar como mãe agora — suspirou — Sasuke ficou realmente triste, ele gosta muito de você. Falei com ele ontem, você magoou muito meu filho.
– Desculpa — Solucei.
– Itachi também conversou com ele e disse que realmente ele estava muito abalado... Sakura, eu conheço os filhos que tenho e consigo entender cada um deles, por mais difícil que seja. O Sasuke pode falar besteira as vezes, ou melhor, quase sempre, mas eu sei que ele jamais magoaria alguém de propósito, se ele já magoou alguém, tenho certeza de que foi inconscientemente.
Isso me fez lembrar de quando Sasuke me magoou falando da minha testa, mas estávamos discutindo mesmo e ele me pegou justo no ponto fraco, mas quando notou que havia me magoado, não pensou duas vezes antes de pedir desculpas.
– Sei disso, seu filho é um rapaz incrível — Sorri.
– Sim, ele é — Mikoto também sorriu — Eu converso tanto com ele quanto com Itachi, embora esse aí seja quase um caso perdido — ela revirou os olhos — Mas eu tento.
– Você acha que ele me perdoaria ?
– Acho que você deveria se desculpar, Sasuke é um pouco teimoso mas ele consegue entender, só espera a poeira abaixar um pouco, tudo bem ?
– Tudo bem Mikoto, obrigada — Sorri — Vou tentar falar com o Sasuke, mas não conta pra ele o que nós conversamos — implorei, eu morro de vergonha de tocar no assunto do vídeo, não queria que Sasuke soubesse.
– Fica tranquila, eu não exponho minhas conversas com os alunos, isso é anti ético — Ela respondeu — Agora vá pra sala.
Assenti e voltei para a minha sala. Lógico que fiquei voando o tempo todo, até porque, dessa vez a própria Mikoto disse que Sasuke gosta muito de mim, mas esse "gostar" pode ser só amizade, ou será que ele me amava mesmo ?
No outro dia ele também não foi para a aula, será que tinha adoecido ? Eu estava disposta a pedir desculpas, como ele some desse jeito ? Devia estar realmente chateado, isso partia meu coração.
– Ora essa, a Sakura vem estado tão tristinha desde o que aconteceu com o Sasuke — Disse Karin toda debochada.
– Acho que é porque ele faltou desde então — Completou Temari — O bebê ainda deve estar chorando em casa, tadinho.
– Me deixem em paz, eu quero ficar sozinha — Falei firme, desde o acontecido eu não estava mais andando com elas ou sentando perto delas, eu estava sozinha.
– Alguém tá com a consciência pesada — Debochou Ino.
– Não preciso negar que estou arrependida do que fiz com Sasuke — admiti.
– E você acha que ele irá te desculpar ? — Indagou Karui — Não seja idiota testa de marquise !
Meu sangue ferveu quando ouvi aquele apelido, com certeza Karui disse aquilo para me lembrar o que aconteceria caso eu me envolvesse com Sasuke, aquelas meninas sabiam ser bem más quando queriam.
– Não custa tentar — Retruquei — Sasuke não merecia aquilo.
– Então parece que alguém realmente se apaixonou — Disse Tenten.
– Isso não é da conta de vocês ! — Esbravejei — Agora me dêem licença.
Levantei-me para sair dali, mas elas taparam minha passagem.
– Sakura, isso é para o seu bem, somos suas amigas — Disse Ino — Sabe o que vão pensar se você começar a sair com aquele bebê chorão, não sabe ?! Sim, você sabe, e a escolha é sua.
– Tem razão Ino — Respondi — A escolha é minha, não de vocês -Dito isso, saí dali e as deixei falando sozinhas.
Quando cheguei em casa, Chikorita já estava me esperando, é ótimo ter alguém esperando por você em casa, mesmo que não seja da sua espécie.
– Hey garota, tudo bem ?! — Peguei minha cachorrinha no colo e entramos em casa.
Se não fosse pelo Sasuke eu jamais teria essa companhia maravilhosa, realmente os animais parecem sentir quando os donos não estão bem.
Eu me deitei na cama e a Chikorita estava ao meu lado, parece que o meu humor afetou até a alegria dela que agora também estava triste.
– O que eu faço Chikorita ? — Ela apenas ficou me encarando com aqueles olhinhos pretos — Minhas amigas podem acabar com a minha reputação, eu não quero voltar a ser humilhada — Chikorita deu um latidinho típico de cachorros quando ainda são filhotes — Eu sei, não deveria ter feito aquilo com o Sasuke, ele não merece nada disso, eu também não merecia, mas descontar nele foi errado — Eu comecei a chorar — E pra que ? Pra provar que eu não sinto nada por ele ! Mas eu sinto ! Eu amo aquele idiota !
Chikorita começou a lamber meu rosto e eu comecei a rir, aquela cachorrinha foi a melhor coisa que já me aconteceu desde muito tempo.
– Chikorita, vamos ouvir música pra relaxar ?
(...)
Já era o segundo dia que eu faltava, acho que no próximo eu iria, não aguentava mais ficar em casa.
Acordei quase meio dia, também pudera, fui dormir tarde pra caramba. Vesti uma bermuda e fui para o banheiro escovar os dentes, em seguida fui para a cozinha forrar o estômago enquanto não saía o almoço.
Chegando lá, me deparei com meu irmão só de cueca atacando a geladeira.
– Que visão medonha logo cedo ! — Falei e ele virou pra mim.
– Cedo o cacete, já é quase meio dia — Bufou enquanto fechava a geladeira após pegar uma vasilha de gelatina.
– Cara, ainda não consigo te encarar depois do que vi naquela noite — Falei enquanto pegava uma maçã na fruteira.
– Aquilo se chama sexo. S-E-X-O !! — Sentou-se numa cadeira para se acabar de comer a gelatina que eu tinha feito no dia anterior — Sei que você nunca fez, mas já deve pelo menos ter estudado a reprodução humana.
– Eu sei o que você estava fazendo — revirei os olhos — Mas ver você pelado já foi demais !
– E daí ? — Deu de ombros — O que eu tenho você também tem, só que o meu é bem maior.
– Já viu por acaso ? — Bufei.
– Não deve ter mudado muita coisa desde que você era criança — Falou com a boca cheia.
– Itachi, você é um idiota — sentei-me de frente para ele — Porque você não vai pra um motel ?
– Criatura, eu sou universitário, ou seja, eu vivo liso — Falou como se fosse óbvio — Minha mesada mal dá para os meus livros, minhas xerox, meu lanche na faculdade ...
– Os dvds de séries, animes e mangás que você pede pela Internet ... — Completei.
– Isso não vem ao caso ... Enfim, motel você paga por hora, em casa eu posso transar a noite toda que é de graça.
– Valha-me Deus — Suspirei — E se o papai e a mamãe descobrem ?
– É só não fazer uma coisa muito selvagem sabe ... — Porque eu tenho um irmão assim ? Não é justo — E o quarto dos nossos pais é longe do nosso.
– Pois é, mas o meu é de frente para o seu — Joguei na cara dele.
– Mas você geralmente dorme cedo. E eu pensei que, caso você ouvisse alguma coisa, fosse deduzir do que se tratava por isso mesmo, e não que você fosse simplesmente abrir a porta do meu quarto e me ver trepando !!! — Berrou.
– Como eu ia adivinhar ?
– Nossa, mas você é um animal mesmo ! Puta merda, troféu empata foda pra você Sasuke ! — Itachi não sabia se falava ou se comia gelatina — Na boa, mamãe não te pariu, ela te expeliu — E o Itachi foi cagado. Amor de irmãos é uma coisa realmente linda.
– Porque você não trancou a porta, heim ? — Geralmente é isso que as pessoas fazem durante o rala e rola.
– Porque eu pensei que você, como qualquer ser humano normal, fosse sacar o que estava acontecendo lá dentro sem precisar abrir a porra da porta ! — Brigou.
– Ah cara, foi mal.
– E jamais se esqueça : Quando ouvir sons estranhos vindo do meu quarto, NÃO ABRA A PORTA !!! — Falou lentamente a última parte.
– Olá amores !!! — Mamãe chegou em casa pondo fim na nossa briga, até porque se eu contasse que o Itachi estava transando em casa, ele iria arrancar meu amiguinho fora.
– Oi mãe — Falamos em uníssono.
– Itachi, para de andar semi nu pela casa — mamãe brigou.
– Ah mãe, o que é bonito é pra se mostrar — Isso mesmo meu irmão, o que é BONITO, não você, rascunho do capiroto !
– Mereço — Ela murmurou.
– Mãe, essas suas roupas são desnecessárias — Falei enquanto encarava o visual dela : Uma blusa azul de tecido fino e mangas compridas, porém com um decote medonhamante grande, uma saia preta na altura do joelho e sapatos pretos de salto.
– Queria que a mamãe fosse trabalhar pelada então ? — Indagou Itachi.
– Lógico que não ! -Berrei — Mas que pelo menos fosse com uma roupa decente. Olha esse decote !
– Ah Sasuke, nem é muito grande — Disse ela enquanto colocava o avental para preparar o almoço — E eu ainda posso usar roupas assim.
– Isso mesmo mãe, joga na cara dele — Disse o retardado do meu irmão — Mostra que a lipo e o silicone valeram a pena ! — Mamãe só lançou um olhar maligno para ele.
– Essa barriguinha linda e esses seios durinhos são meus, tá ?! — Itachi conseguiu irritar a dona Mikoto, as vezes era como se ele pedisse pra apanhar.
– Claro que são seus, a senhora pagou por eles, ou melhor, o papai pagou — Quando Itachi disse isso, uma colher de pau voou na cabeça dele — Aaaii mãe !!! Eu ainda tô dodói — E o remédio dele com certeza devia ser uma trepada com alguma peguete.
– Para de falar asneira e vem me ajudar — Ela ordenou. Tentei fugir de fininho, mas não teve jeito — Sasuke, você também.
– Ah mãe, só pega as sobras da geladeira, junta tudo numa frigideira, quebra um ovo por cima e tá pronto um manjar dos deuses — Disse Itachi, mas foi uma das poucas coisas que ele disse que realmente fez sentido, até porque, tem coisa melhor do que aquele mexido que você faz com tudo que sobra ?
– Itachi, isso é comida de preguiçoso — Respondeu nossa mãe enquanto me dava uma cebola pra eu cortar.
– Não mãe, miojo é comida de preguiçoso — Ele corrigiu.
– Ah moleque, cala a boca e vai amassar alho, vai — Mandou nossa mãe já irritada.
– Mãe, eu tô dodói — Itachi fez beicinho. Ele só não tá doente pra ficar trepando escondido e me fazendo ter pesadelos.
– Porra nenhuma ! — Ih, mamãe quando xinga é porque tá uma arara — Vai me ajudar sim !
Então, ajudamos a mamãe com o almoço, óbvio que ela fez 90% do serviço e Itachi demorou meia hora pra descascar e amassar o alho, mas no fim deu tudo certo, papai chegou e nós pudemos almoçar.
Depois do almoço voltei para o meu quarto e me joguei na cama, quando percebi já estava pensando na irritante novamente. Droga !!! Pensei em ouvir um pouco de música para animar um pouco, mas como meu celular conspirou contra mim na última vez que eu fui fazer isso, decidi colocar na rádio mesmo.
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