Rocket Queen
65 Conhecendo os sogros
Notas iniciais
Após ficar uma semana na praia, eu já estava novamente na minha casa, vermelho como um camarão, sentado na minha cama enquanto tocava Heart-sharped box no violão.
Estava tudo muito bom, tudo muito bem, até que Itachi apareceu do além, me dando um leve susto. Ele ficou lá parado no vão da porta, com os braços cruzados, com cara de besta e me olhando com um ar de riso.
— Preparado pra ser castrado ? — Ele perguntou com uma sobrancelha arqueada, eu apenas revirei os olhos por causa da pergunta ridícula e larguei o violão.
— Itachi, eu só vou conhecer os pais da Sakura — Eu jamais admitiria, mas estava nervoso com isso.
— Mano — Itachi colocou a mão sobre a boca, abafando um riso — Eu queria ser uma mosquinha só pra ver isso.
— Deixa de ser besta — Peguei novamente o violão, ignorando completamente a presença daquele ser inconveniente que se diz meu irmão, e comecei a tocar Stairway to heaven.
— Sasuke — Ainda rindo da minha cara, Itachi caminhou para perto de mim e sentou nos pés da minha cama — Acho que a música correta seria Highway to hell.
— Posso tocar em paz ? — Indaguei irritado.
— Não tô com suas mãos e nem com o seu violão — Ele deu de ombros — Mas, sério, como você está ao saber que vai conhecer seu sogro daqui a pouco ?
— Normal — Respondi indiferente enquanto fitava as cordas do violão.
— Sasuke Uchiha, eu te conheço e não é de hoje ! — Itachi começou a rir — Eu sei que você tá nervoso.
Porra, estava tão na cara assim ? E eu que imaginava estar conseguindo camuflar minha insegurança direitinho. Droga, porque eu tinha que conhecer os pais da Sakura mesmo ? Juro que cheguei a ter pesadelos com o pai dela me recepcionando com uma faca na mão.
— A Sakura falou que os pais dela são de boa — Respondi, tentando me convencer disso, afinal, nenhuma menina vai dizer que os pais são bravos, que o pai dela pretende castrar você ou algo do tipo.
— Sasuke, meu querido irmão caçula — Itachi respirou fundo — Entenda uma coisa : Seu sogro te odeia, ele deseja o seu mal, ele quer que você tenha cancro mole.
— Pra que tanta crueldade ?
— É muito simples — Ele falou como se fosse óbvio — Você está passando a rola na menininha dele, você está comendo a única princesinha dele. O fato de a Sakura ser filha única só fode mais a sua situação.
— Itachi, ele não sabe que eu e Sakura já transamos — Não vou mentir, estava começando a me apavorar. Eu devia inventar uma dor de barriga ou algo do tipo ? Não, era o meu dever enfrentar a fera de frente.
— Realmente, quando ele ver a sua cara de tapado vai pensar algo tipo " Ah, esse aí não deve ter tentado nada, vou ficar sussa " — Porque o Itachi tinha prazer em pisar na minha auto estima ? — Mas pode ter certeza de que ele vai ficar te encarando com uma cara de " Se eu souber que você andou metendo o pau na minha filha, pode ter certeza de que eu vou arrancá-lo da maneira mais dolorosa possível ".
— Itachi... — Arregalei os olhos — Você está me assustando.
— Não, eu estou te preparando psicologicamente para conhecer o pai da sua namorada — Quem o via daquele jeito podia até pensar que Itachi sabe falar alguma coisa seriamente — Pense duas vezes antes de falar, não fica muito grudado com a Sakura, se você der algum deslize o pai dela vai querer te castrar como se você fosse um gato.
— E como é que se castra gato ? — Não sei pra que diabos eu fui perguntar aquilo, com certeza iria me arrepender amargamente disso.
— Coloca os ovos na porta e fecha — Ele até fez o gesto de algo sendo colocado e de uma porta sendo fechada — Sabe, que nem quebra castanha.
— Ai que horror ! — Fiz uma careta medonha acompanhada de uma expressão de dor, uma vez que imaginei aquilo — Vem cá, de onde você tirou que castram gatos assim ?
— Sei lá, eu só imaginei que deve ser uma forma fácil, rápida e prática de uma pessoa castrar um gato sem precisar levar no Pet Shop e pagar por isso — Itachi deu de ombros. Sinceramente, meu irmão tem uma imaginação muito fértil. Tá certo que ele não gosta de gatos, na verdade é alérgico, mas precisa imaginar tamanha crueldade com os bichinhos ? Não sei pra que alguns donos fazem questão de acabar com a vida sexual dos animais. Porque não pode deixar o bichinho ser feliz ?
— Itachi, não fala isso. Eu gosto de gatos.
— Eu odeio — Ele retrucou — Bichos asquerosos. Gatos são falsos, cruéis e não amam o dono. Pra eles os donos não são nada além de uma fonte inesgotável de alimento e carinho; o Garfield é o maior exemplo disso — Nível de maturidade : Comparar gatos de verdade com um gato comedor de lasanha que só existe em filmes e desenho animado.
— Não fala assim, gatos são animais fofos. Sem falar que eu amo o Garfield.
— Bem... Tenho que admitir que são bonitinhos. Mas gatos são bichos que se acham, sério, eles pensam que mandam nos o outros, que mandam na casa. Se acham verdadeiros soberanos.
— Nossa — Revirei os olhos — Traduzindo : Você é um gato.
— Ai, para com isso — Itachi fingiu vergonha — Assim eu fico sem jeito — Na moral, aquilo foi muito gay da parte dele — Sei que sou um gato, não precisa ficar me lembrando disso.
Bem, já que ele é um gato, estou doado, alguém quer ? Já está crescido, vacinado, só não é muito manso. Ah, também precisa ser alimentado três vezes ao dia, fora os lanchinhos.
— Como pode ser tão idiota ? — Bufei — Ah, danem-se os gatos. Eu nunca pude ter a alegria de criar um por causa da sua maldita alergia ! — Esbravejei. Nunca superei esse trauma de infância, eu morria de vontade de ter um bichinho, chorava e implorava por um gato ou um cachorro, mas o máximo que pude criar foram peixes e eu acabava deixando eles morrerem de fome.
— Ei, a mamãe também é alérgica — Itachi soltou um suspiro alto — Por falar nisso, imagina seu sogro como um gato e você como um rato encurralado por ele.
Eu já estava me esquecendo disso por ter desviado do assunto, aí o meu querido irmão simplesmente faz questão de me lembrar só pra me deixar mais nervoso. Quem precisa de inimigo quando tem Itachi Uchiha como irmão ?
— Itachi, com a Sayori foi assim ? — Indaguei.
— Não — Ele respondeu naturalmente. Ok, o indivíduo dizia que eu estava praticamente no corredor da morte por ir conhecer os pais da Sakura, sendo que com ele não foi assim.
— Então porque você disse todas essas coisas ?
— Porque você não é como eu — Eu devia ter desconfiado que aquilo tinha uma pitada de narcisismo da parte dele — Eu sou fabuloso, não tem como não gostar de mim. Com você já é outra história.
— Ah, se um traste como você conseguiu conquistar os pais da Sayori, então eu não preciso me preocupar com os pais da Sakura — Sorri aliviado enquanto escorava as costas na parede.
— Sasuke, do jeito que você é, é capaz de sair de lá baleado — Aquele animal estava adorando me ver apavorado — Você é todo nervoso, aí vai chegar lá exalando insegurança, o pai dela vai te olhar e vai pensar " Hum... Andou comendo a minha filha, né ?! ".
— Itachi, para de falar isso. Tá me deixando com medo — Comecei a chutá-lo para fora da cama, sinal claro de que eu estava expulsando aquele traste do meu quarto — Sai daqui ! Vaza !
— Tá bom seu grosso — Ele se levantou e foi caminhando em direção à porta, mas antes de sair do quarto e me deixar em paz, Itachi se virou para fazer mais um dos seus comentários ridículos e inúteis — Quando você estiver frente a frente com o pai da sua namorada, lembra do que eu disse. Ah, e se certifica de que não tenha nenhum objeto pontiagudo por perto.
— SAI !!! — Berrei e joguei um travesseiro que acabou batendo na porta, uma vez que Itachi saiu do quarto antes de ser atingido por ele. Merda !
Respirei fundo e olhei novamente paga o meu violão, de repente até perdi a vontade de tocá-lo. Olhei para a minha guitarra vermelha perto do guarda roupa e também não senti vontade de tocá-la; por um momento o nervosismo tomou conta de mim de uma maneira terrível.
É claro que eu não estava pensando que as asneiras do meu irmão tinham alguma importância, se bem que os conselhos que Itachi me deu antes da minha primeira vez estavam certos, embora não tenham ajudado em nada, uma vez que não me lembrei deles na hora h. E por falar na minha primeira vez, fiquei imaginando o que iria acontecer comigo e com o Sasuke júnior caso a Sakura tivesse contado para os pais dela que nós transamos. Provavelmente eu iria perder meu amiguinho e, ainda por cima, seria proibido de ver a Sakura.
Mas era bobagem pensar nisso, só iria piorar a situação e me deixar mais nervoso. Respirei fundo umas duzentas vezes, contei até dez e mentalizei apenas coisas boas antes de levantar da minha cama para me arrumar.
Eu já tinha tomado banho e estava usando apenas uma bermuda bege, já que minhas costas estavam ardendo um pouco por causa da praia. Sem falar que eu estava com cheiro de morango porque pedi para a minha mãe me passar um hidratante e, de quebra, ainda levei uma bronca por não ter passado protetor direito. Aquilo ia descascar e ficar igual couro de cobra, que horror, eu estava praticamente trocando de pele.
Troquei de bermuda, colocando uma jeans, o relógio marcava 14:30, não havia necessidade de colocar uma calça; peguei minha camisa do Nirvana, mas pensei que os pais dela pudessem não gostar. Passei a mão pelos cabides, olhando todas as minhas camisas; Metallica, Pink Floyd, The Doors, U2, Iron Maiden... Bem, acho que os pais da Sakura não iriam gostar muito do Eddie, embora ela também usasse camisas assim.
Passadas as minhas camisas de banda, comecei a olhar minhas camisas normais, como diz a minha mãe. Sim, minhas camisas são todas meticulosamente organizadas, as de bandas ficavam juntas, seguidas pelas listradas, as lisas, depois vinham as de gola pólo, também tinham as camisetas... Sempre das mais escuras para as mais claras. Enfim, sou uma pessoa metódica e organizada até com as minhas cuecas.
Por fim, me decidi por uma camisa branca que tinha a frase " Keep calm and carry on " escrita com as letras pretas. Calcei um par de tênis pretos e arrumei meus cabelos da maneira desarrumada de sempre. Pode parecer contraditório, mas eu costumo arrumá-los para que eles fiquem daquele jeito meio desarrumado, uma vez que eu tenho os cabelos muito lisos e mesmo que eu não os penteie e deixe secar naturalmente eles não ficam do jeito que eu gosto (só quando eu acordo de manhã, aí fica do jeitinho que eu gosto, mas na hora que lava a minha alegria acaba).
Consegui me arrumar bem rápido, então sentei na cama e fiquei esperando mais um pouquinho para poder ir. Mais uma vez cogitei a idéia de ligar para a Sakura e dizer que eu estava com uma dor de barriga daquelas de não poder nem rir com muita força, os pais delas iriam ficar pouco tempo, dali a três dias já iriam embora, era o tempo perfeito para a "dor de barriga" passar. Só que isso seria uma grande sacanagem da minha parte, já estávamos juntos a alguns meses, era hora de conhecer sua família e eu tinha esperança de que os pais dela gostassem de mim tanto quanto os meus gostam dela.
— Atrapalho ? — A voz de Sakura me tirou dos meus pensamentos.
A rosada estava parada na porta do meu quarto, ela usava uma blusa preta com uma caveira branca e brilhosa, um short jeans e sapatilhas amarelo mostarda. Ela estava com os cabelos soltos e partidos de lado com uma presilha de lacinho que era da mesma cor de suas sapatilhas; minha namorada estava realmente linda.
— Você nunca atrapalha — Sorri e ela foi até mim, se sentando no meu colo e depositando um beijo doce na minha boca. E quando eu digo que era doce é porque definitivamente era doce, Sakura gostava de usar aqueles batons com sabor. Aquilo até me lembrava um pouco da infância, quando eu comia os batons da mamãe.
— Antes que você me pergunte o que eu estou fazendo aqui, vim te buscar para irmos juntos.
— Tenho mesmo que ir ? — Indaguei meio receoso — Sabe, eu acho que a minha barriga tá doendo.
— Sasuke, não seja bobo — Ela riu — Pode ficar tranquilo, meus pais não mordem, tá ?!
— Eu tento ficar tranquilo — Soltei um suspiro alto e apoiei minha cabeça no ombro dela — Sakura, posso te fazer uma pergunta ? Por favor, seja sincera comigo.
— Nossa, o que foi ? — Ela perguntou preocupada e passou a mão pela minha bochecha até chegar no meu queixo, levantando meu rosto e me fazendo olhar em seus olhos.
— É que... — Minhas bochechas deviam estar mais vermelhas do que já estavam, uma vez que eu tinha virado um camarão na praia — Bem, você contou para os seus pais sobre o que rolou entre a gente lá na praia ?
— Você quer saber se eu contei para os meus pais que a gente transou ? — Nossa, que direta !
— É.
— Só contei para a minha mãe — Ela falou naturalmente, fazendo com que meu coração quase saísse pela boca de tanto desespero.
— O que ? — Franzi a testa e uni as sobrancelhas, agora sim eu sabia que precisava ter medo.
— Sasuke, ela me perguntou e eu não iria mentir.
Embora eu tivesse ficado desesperado, tinha que admitir que também não mentiria para a minha mãe numa situação dessas, até porque ela viu a calcinha jogada na sala e deu aquela merda toda, mas, caso a dona Mikoto não tivesse descoberto e me perguntasse sobre o assunto, eu não iria mentir pra ela. Mas, saber que a mãe da Sakura estava ciente do que aconteceu só me deixava mais nervoso.
— Sakura, sua mãe vai me matar, arrancar meu pinto e colocá-lo exposto em praça pública numa lança só para servir de exemplo pra qualquer cara que se aproximar de você.
— Não é pra tanto — Sakura começou a rir da minha cara — Estamos no século XXI, ok ? Ninguém vai se esquartejar ou expor em praça pública, que idéia ridícula ! — Ela me deu um beijinho na ponta do nariz — Não precisa ficar preocupado.
— Não ? — Berrei — Eles vão ficar me olhando como se eu fosse o vilão da história, o responsável por tirar a inocência da bebêzinha deles.
— Acho que o responsável por isso foi o Sassori, não você.
— Seus pais sabem sobre o Sassori ? — Indaguei com uma sobrancelha levemente arqueada.
— Só a minha mãe — Sakura suspirou pesadamente — Resolvi criar coragem e abri o jogo com ela ontem, contei tudo. Mas só a minha mãe sabe, tanto do Sassori quanto do que aconteceu lá na praia
— Que bom que você conseguiu se abrir — Sorri verdadeiramente contente por ela, mesmo que não tenha conseguido contar para seu pai, mas eu até entendo que certos assuntos são mais fáceis de se tratar com a mãe. E ainda bem que ela não contou para o pai, se isso tivesse acontecido, aí sim eu teria que começar a rezar pelo meu companheiro de guerra que provavelmente seria arrancado de mim da maneira mais cruel possível.
— Está na hora — A rosada se levantou do meu colo e me puxou pela mão — Vamos logo, meus pais estão nos esperando.
— Jura ? — Choraminguei — Ai, eu acho que a minha barriga tá doendo...
— Não seja criança, Sasuke — Sakura continuou me puxando pela mão, ela não iria desistir tão facilmente — Vamos logo, se você ficar aí frescando, o que os meus pais vão pensar ?
— Que eu tenho amor ao meu companheiro — Respondi e ela revirou os olhos.
— Não deixarei ninguém tocar nele — Sakura sorriu de forma maliciosa e eu senti minhas bochechas formigarem, acho que minha namorada é uma pervertida.
— Tô com medo de você.
— Anda logo ! — Temendo que Sakura ficasse histérica, resolvi me levantar e acompanhá-la até sua casa. Tenho a ligeira impressão de que a rosada foi me buscar para que eu não fugisse de alguma maneira.
Não sei porque, mas nesse momento me lembrei de um dos meus sonhos de infância, eu queria ser um x-man e isso seria muito útil, afinal eu poderia simplesmente me teletransportar para outro planeta até os pais dela irem embora, ou sair atravessando paredes e me refugiar em algum lugar que a Sakura não tivesse acesso, ou simplesmente mexer na mente dela pra fazê-la desistir disso, fazer chover granizo por uns três dias também seria uma boa.
Enfim, minhas fantasias foram interrompidas assim que chegamos na casa de Sakura e ela abriu o portão. Telepatia seria um poder ótimo nesse momento para saber o que meus sogros estariam pensando. Se bem que os poderes do Wolverine ajudariam mais, ninguém quebraria meus ossos e eu ainda ia poder me regenerar.
Mas que merda eu estava pensando ? Aquele nervosismo estava acabando comigo. À medida que caminhávamos pelo jardim e nos aproximávamos da porta da frente minhas pernas pareciam querer travar de tão bambas que estavam. Que droga, eu sou um homem ou um rato ?
Paramos em frente à porta de madeira, Sakura girou lentamente a maçaneta, eu segurei em sua mão livre e ela apertou a minha mão na tentativa de me acalmar quando percebeu que eu suava frio. Devia estar pensando " Eu tenho um namorado com a idade mental de cinco anos ", eu estava tão nervoso quanto uma criança que está sendo levada para tomar uma injeção. Isso é tenso.
Fui recepcionado pela Chikorita; a cachorrinha branca com grandes pintas pretas já tinha crescido bastante, acho que ela me reconheceu.
— Ei garota, senti saudades, sabia ?! — Me abaixei e comecei a brincar com a cachorrinha que só estava ali porque sou um louco e resolvi sequestrá-la da fazenda dentro da minha jaqueta. Bem, não me arrependo disso.
— Acho que ela lembra de você — Disse a rosada.
Chikorita pulava em mim e me cheirava, acho que realmente estava me reconhecendo. Nossa, como eu amo bichos, queria tanto criar um... Um cachorro bem grande e bonito, como o pastor alemão ou labrador, são cachorros realmente fodas.
— Então você é o famoso Sasuke ?! — Ouvi uma voz feminina e me levantei rapidamente, ignorando a pobre Chikorita que pulava em mim feito doida.
— O-oi... — Sorri para a mulher loira que me encarava — Muito prazer.
— Igualmente — Disse a loira — Sou Mebuki, mãe da Sakura — É, eu tinha percebido isso por causa das semelhanças físicas. A mãe da rosada era bem bonita e se parecia bastante com ela.
Eu estava até mais tranquilo, a mulher me cumprimentou e pareceu gostar de mim (mesmo sabendo que eu transei com a única filha dela). Ao contrário do que imaginei, a mãe de Sakura não me lançava um olhar assassino e nem segurava uma faca ou uma arma de choque na mão, na verdade ela foi bem simpática.
— Esse bobo estava morrendo de medo de vir aqui — Porra Sakura, porque você teve que me entregar ? Eu estava conseguindo disfarçar o medo, pelo menos, na minha opinião, meu pânico estava bem camuflado.
— Também não é assim — Falei todo desconcertado, minhas bochechas deviam estar extremamente vermelhas, mas, por eu já estar um tanto quanto vermelho por completo, Mebuki devia pensar que era por causa do sol e não por vergonha.
— Ora essa, pra que isso ?! — A mulher riu — Estávamos ansiosos para te conhecer, Sasuke. Vi algumas fotos suas e, sinceramente, você é mais bonito pessoalmente.
— Mamãe ! — Sakura ficou roxa de vergonha e eu não pude deixar de rir. Não vou mentir, gostei do elogio.
— Obrigado — Agradeci com um sorriso no rosto e fiquei imaginando qual foi a foto que Sakura mostrou para a mãe dela. Sinceramente, eu não sou o ser mais fotogênico do mundo, e Sakura já tirou fotos minhas até dormindo porque ela diz que eu fico fofinho quando tô dormindo. Enfim, espero que ela não tenha mostrado nada constrangedor. Se bem que, o que podia ser mais constrangedor do que estar ciente que a mãe da sua namorada sabe que você transou com ela ?
— Finalmente conheci o namorado da minha princesinha — Uma voz masculina me fez estremecer, senti meu sangue gelar quando vi o pai da Sakura e não pude deixar de me lembrar da frase " Você está passando a rola na princesinha dele ". Maldito Itachi !
— Ah, oi — Eu estava tão sem graça que mal consegui encarar o pai da Sakura. Porque essas coisas tem que ser tão difíceis ? Eu sentia que meu coração ia parar a qualquer momento.
— O namorado da nossa filha é um amor, querido — Senti-me aliviado por saber que Mebuki tinha gostado de mim, mas eu também tinha que conquistar o pai da rosada e isso seria difícil, uma vez que as palavras do meu irmão ecoavam na minha mente e eu procurava discretamente por algum objeto pontiagudo escondido por ali.
O pai da Sakura me encarava com uma sobrancelha arqueada, como se estivesse me analisando e pensando " Que parte do corpo eu arranco primeiro ? ". Ai meu amiguinho...
— Bem... — O homem levou a mão até o queixo e sorriu discretamente — Você é um rapaz bem simpático, devo admitir.
O que, ele chegou à tal conclusão só de me olhar ? Chupa Itachi !
— Vocês querem criar raízes ou o que ? — Indagou Mebuki, ela parecia ter um ótimo senso de humor — Vamos nos sentar.
Assenti e me sentei no sofá de couro marrom, Sakura sentou ao meu lado e os pais dela se sentaram no outro sofá, de frente para nós.
Não foi um interrogatório ou uma sessão de tortura como eu pensei que seria, na verdade, os pais dela eram muito legais e eu me senti super tranquilo e à vontade. Mal podia esperar para esfregar isso tudo na cara do Itachi !
Ficamos algumas horas conversando até que minha mãe me ligou para saber meu paradeiro, eu até esqueci de falar que eu ia para a casa da rosada e com certeza ouviria poucas e boas quando chegasse em casa. Ótimo !
Sakura me acompanhou até a minha casa, claro que fomos conversando tranquilamente pelo caminho.
— Nossa, você está vivo — Ela brincou — Foi muito doloroso conhecer meus pais ?
— Um pouquinho — Respondi no mesmo tom de brincadeira enquanto entrelaçava nossos dedos — Na verdade, foi melhor do que eu imaginava.
— E como você imaginava ? — Sakura indagou curiosa.
— Sei lá, algum tipo de tortura.
— Ah, como é bobo — Ela bateu na própria testa — Meus pais são legais.
— Realmente são — Concordei.
Ela ainda ficou um tempinho na minha casa antes de ir embora, claro que após me despedir da minha namorada fiz questão de esfregar na cara do meu irmão a excelente impressão que passei à família dela, mas, como nada nessa vida é um mar de rosas, levei uma linda bronca da dona Mikoto por ter saído sem falar com ela. Eu fui praticamente arrastado pela Sakura, nem tive tempo de falar com minha mãe.
Enfim, mesmo com a bronca, a tarde foi ótima e eu já tinha conquistado os pais da Sakura, o que era ótimo, uma vez que eu tinha planos de passar o resto da minha vida ao lado da rosada.
Fale com o autor