Rocket Queen

32 Aproximação


Notas iniciais
Bem, esse capítulo foi bem difícil de escrever, até porque o foco não é a comédia. Escrevi o capítulo, aí depois mudei umas coisas, depois mudei de novo, depois troquei algumas coisas de lugar kkkkk escrever comédia é tão mais fácil, mas eu queria uma pitada de emoção nesse capítulo heheh... Espero que gostem, esse capítulo foi realmente difícil de fazer. Boa leitura.

Saí desesperado para procurar pela irritante, rezava para que ela não tivesse se metido em encrenca. Fui de fininho para os arredores da fazenda, pulei a cerca (no bom sentido) que por sorte não tinha arame farpado e fui para a fazenda vizinha.

Estava bastante escuro e frio, lá não tinha muito mato, parecia ser limpa com frequência, tinham várias árvores e eu ouvia o coaxar dos sapos. Tropecei em algo que parecia ser uma garrafa de bebida, por sorte não caí, iluminei o chão com a lanterna e pude concluir que a história contada pela minha mãe era verdade, tinha gente bebendo e se drogando ali, isso me deixou ainda mais aflito. Avistei uma casa ali perto, bem pertinho mesmo, era pequena mas bem bonitinha.

– Sakura ? — Berrei enquanto me aproximava da casinha — Sakura ?

Mas ela nada respondia.

Notei que a porta dos fundos estava um pouco aberta e a luz da cozinha acesa. Quando cheguei lá percebi que ela havia sido arrombada, será que tinha alguém lá dentro ? Provavelmente teria.

Eu sequer pensei nos drogados que deviam estar ali, só consegui pensar em Sakura. Entrei bem devagar, a cozinha estava bem arrumada, embora parecesse que ninguém ia lá a bastante tempo.

– Sakura ? — Falei normalmente, não parecia ter ninguém ali — Sakura ! — Gritei.

Ninguém respondia, mas se a porta estava aberta e as luzes acesas naquele horário, então alguém estaria ali.

Fui caminhando em direção ao corredor, ele estava escuro mas tinha um quarto com a porta aberta e a luz acesa. Escutei um choro baixo, tinha alguém ali, e estava dentro daquele quarto.

– Sakura, é o Sasuke ! Você tá aí ? — Ninguém me respondeu.

À medida que eu me aproximava do cômodo o choro ficava mais claro, me vi obrigado a apressar meus passos até lá. Entrei nesse quarto fiquei chocando com o que vi. Sakura estava sentada num cantinho no chão, estava encolhida, só de calcinha e tapava os seios com as mãos, sem falar nas grossas lágrimas que escorriam pelo seu rosto.

Ela me olhou mas continuou com a mesma expressão que era de pânico, estava em estado de choque. Joguei a lanterna numa cama de casal que tinha ali, fui correndo para perto dela e me abaixei. Sakura parecia receosa, nem o barata descascada a deixou tão mal, tão triste, pra baixo, murcha... Eu a abracei forte, muito forte.

– Graças a Deus — Murmurei.

Sua respiração era acelerada, ela estava gelada e tremendo, permaneceu na mesma posição, ela estava com o rosto em meu peito e eu sentia suas lágrimas.

– Sakura ? — Passei a mão pelo seu rosto para enxugar suas lágrimas — O que aconteceu ? Tá tudo bem ?

Ela continuou do mesmo jeito, não dizia nada, estava muito assustada, tadinha.

– Sakura ... — Ela ainda estava assustada, trêmula.

Acariciei seus cabelos róseos, força-la a falar agora não era legal, Sakura estava apavorada e por isso esperei que ela se acalmasse.

Eu queria saber o que tinham feito com ela, onde estaria o vestido branco que ela estava usando ? Pensei logo que alguém teria tentado abusar dela, meu coração levou uma facada.

– Calma, você tá bem, tá segura — Passei a mão pelos seus cabelos, ela continuava do mesmo jeito — O que aconteceu ? Diz pra mim.

Ela inclinou a cabeça e me olhou receosa, parece que estava começando a assimilar as coisas, eu finalmente a tinha encontrado e ela estava começando a ficar mais tranquila.

– Tinham três caras, três ... — Ela soluçava muito — Eles deviam ter um dezenove ou vinte anos, estavam bebendo e se drogando...

– Eles tocaram em você ? — Eu continuava abraçado com ela, Sakura tremia muito.

– Eles rasgaram meu vestido, me arrastaram para cá, um deles arrombou a porta da casa — Ela suspirou — me trouxeram para cá e eu pensei que eles fossem abusar de mim, mas eles disseram ter ouvido algo do lado de fora e fugiram. Eu fiquei com medo...

– Não devia ser nada, eles estavam drogados — Falei.

Ela continuou chorando, escorou novamente a cabeça em meu ombro e respirou fundo, aliviada.

– Eu fiquei preocupado e também não queria que você se metesse em encrenca — Dei um beijo em sua cabeça e a abracei mais forte — Eu não conseguiria dormir com você perdida por aí — Ouvi um riso vindo dela.

– Obrigada, muito obrigada, se não fosse por você eu não sei o que seria de mim, obrigada — Sua voz ainda estava chorosa.

Aquilo fez meu coração acelerar, embora ela estivesse desesperada e em estado de choque, eu sabia que eram palavras sinceras e ditas não somente pelo contexto dos acontecimentos.

– Cadê seu vestido ? — Indaguei.

– Não sei, eles rasgaram e jogaram em algum lugar lá fora — Que ótimo, eu estava com a rosada semi nua em meus braços e se já não bastasse isso, o vestido tinha ido pro beleléu, não dava nem para pegar os restos e tapar pelo menos os seios expostos dela.

Levantei e caminhei até um guarda roupa de madeira que ficava ao lado da cama, abri e peguei um lençol grosso e limpo, aquela casa estava vazia mas devia ter gente que ia lá para arruma-la e limpa-la de vez em quando. Voltei para onde Sakura estava, ela sequer havia mudado de posição, continuava encolhida e tapando os seios com as mãos, mas parecia mais calma.

– Aqui, você deve estar com frio né ?! — Abaixei-me novamente e a ajudei a se enrolar naquele lençol.

Vi os seios dela, não vou mentir, sinto muito mas não consegui evitar, só que não era uma boa hora para reparar nessas coisas. Merda !!! Tirei minha jaqueta e dei para que ela cobrisse os braços nus.

– Obrigada — Ela sorriu e corou levemente, que fofa !

Peguei minha lanterna e dei para ela.

– Você vai iluminar meu caminho, ok ? — Ela assentiu — Segura em mim.

A peguei em meus braços para poder voltar, apagamos todas as luzes que estavam acesas na casa e saímos de lá.

Fui caminhando com ela em meus braços, eu estava batendo os dentes de frio e Sakura também. Pular a cerca (no bom sentido) com ela nos braços foi o mais difícil, ela estava descalça e eu não iria coloca-la no chão.

– Ai que ótimo — Ironizei.

– Essa cerca nem é tão alta — Ela falou.

– Tá bom — Suspirei — Você fica lá em cima um pouquinho ?

– Aham — Ela assentiu.

Então a coloquei sentada na cerca enquanto eu pulava para o outro lado. Peguei a rosada novamente nos braços para voltarmos ao alojamento. Ainda bem que todos já estavam dormindo, não era muito tarde mas no dia seguinte todos teríamos que acordar cedo para ir embora.

– Mais uma vez, obrigada — Disse ela assim que entramos no quarto.

– Ora, de nada — Respondi enquanto fechava a porta.

– Eu pensei que ninguém fosse atrás de mim — Falou enquanto sentava-se na minha cama.

Fui até o frigobar, peguei uma garrafa de água e coloquei o líquido transparente num copo descartável.

– Não diga isso — Levei a água pra ela — Tá mais calma ?

Ela assentiu enquanto pegava o objeto e bebia seu conteúdo.

– Pensei que não fossem sentir a minha falta — Ela deu um sorriso meio forçado.

– Acha mesmo que ninguém notaria que uma criatura chata sumiu ? — Indaguei e ela riu.

– Toma sua jaqueta — Ela retirou minha jaqueta e me entregou.

Fui até a mala dela e peguei a maldita camisola que adorava me torturar.

– Se veste — Entreguei a roupa para ela e virei de costas para que ela se vestisse.

Fiquei apenas olhando para a parede branca enquanto Sakura se vestia, a vontade de espiar era enorme mas eu me contive.

– Já pode olhar — Disse ela.

Virei para ela e a vi deitada na minha cama, abraçada com o meu travesseiro e vestida com aquela camisola sexy ... Porque meu Deus, porque ???

– Que pessoa abusada ... — Falei num tom de brincadeira — Vai pra tua cama.

– Posso dormir aqui com você ? — Pediu com a voz fofa.

– O que ? — Corei.

– Sem segundas intenções, juro — Ela deu um sorrisinho — Eu ... eu ... — Sakura respirou fundo — Eu não quero dormir sozinha.

– Olha, se quando nós nos conhecemos alguém me dissesse que um dia você estaria me pedindo pra dormir comigo, eu com certeza diria que essa pessoa estaria ficando doida.

– Eu posso ? — Ela perguntou novamente.

E eu consigo negar alguma coisa pra essa rosada ? Principalmente quando ela me olha e fala de um jeitinho meigo e fofo, não tem quem consiga resistir.

– Claro que pode — Sorri e fui apagar a luz.

Deitei ao lado dela e puxei a coberta para ambos. Sakura foi se aproximando de pouquinho e logo já estava me usando como travesseiro, ela ainda estava muito assustada e parecia uma criança com medo do monstro do armário, ela me abraçava cada vez mais forte e aquela sensação estava muito boa, eu também a abracei, assim ambos adormecemos.

(...)

No dia seguinte fomos acordados ainda bem cedo, e adivinha por quem .... Mamãe !!!

– Bom dia amores, vamos levantar ! — Obviamente que ela levou um susto ao nos ver daquele jeito, lógico que nós também nos assustamos.

– Mikoto ? — Sakura ficou vermelha como um tomate, ah como eu amo tomates !

– Mas o que vocês ... — Mamãe estava com os olhos arregalados, parecia que ia ficar brava.

– Mãe, não é nada disso que a senhora está pensando — Tentei me defender, eu tremia feito vara verde.

– Olha aqui vocês dois — Ela soltou um suspiro alto e eu previa uma bronca — Eu só espero que tenham tomado cuidado, vocês estão muito novos para serem pais e eu sou muito nova para ter netos — Ok, talvez a mamãe não tenha ficado tão brava assim.

Eu e a rosada nos encaramos e ficamos completamente sem jeito.

– Mãe ...

– Muito bem — Ela me interrompeu — Vão se arrumar para poderem tomar café, o ônibus sai daqui a mais ou menos duas horas — Dito isso ela saiu do quarto.

Mamãe devia estar dando pulinhos de alegria, pensando que sua operação cupido deu certo.

– A sua mãe tá achando que a gente transou — Sakura me olhava incrédula — e ainda reage assim de boa ?! Meu Deus !

– Pois é — Falei enquanto me levantava — essa é a dona Mikoto.

– Sasuke, sua mãe é uma figura, sabia ?!

– Sei, e como sei — Fui caminhando até o banheiro, eu estava super apertado.

– Eu queria que a minha mãe fosse assim também.

– A sua mãe é chata ? — Eu aumentei o tom de voz para que ela me ouvisse do quarto.

– Minha mãe quase não fica comigo — A voz dela estava meio triste — Mas mesmo quando fica, ela não é legal como a sua mãe.

– Se muda lá pra casa então — Brinquei.

– Ah claro, me mudo amanhã mesmo — Falou irônica.

– Ok, só não fica no quarto do Itachi porque ele é meio tarado, fica no meu que é mais seguro.

– Bobo — Ela riu.

– Ei Sakura — Fui até o quarto para falar com ela — Posso tomar banho primeiro ?

– Pode sim — a preguiçosa ainda estava deitada — vai lá.

Aquele banho foi relaxante, eu estava precisando daquilo, o acontecimento da noite anterior me sobrecarregou, imagine como Sakura, que quase foi abusada, estaria.

Saí do banheiro enrolado na toalha para me vestir.

– Poupe-me dessa visão — Disse a rosada, mas não era num tom de deboche e sim de brincadeira.

– Nossa, desculpe se meu físico não lhe agrada — Falei rindo.

– Olha, você até que dá pro gasto — Nossas conversas estavam ficando mais espontâneas, divertidas.

– Me sinto honrado de ouvir isso de você — Abri a mala para pegar uma roupa — Vai ficar olhando eu me trocar é ?

– E se eu ficar, algum problema ? — Falou divertida.

– Quer um strip tease também ? — Arqueei a sobrancelha — Olha que eu faço heim !

– Bobo — Ela me deu um tapinha no braço — Deixa eu tomar banho que eu ganho mais.

Senti que estávamos criando intimidade, uma semana foi tempo mais que suficiente para nos aproximar e nos fazer virar amigos, eu sentia que Sakura podia ser uma grande amiga.

Vesti uma calça jeans e uma camisa dos Guns'n Roses. Sakura saiu do banho enrolada na toalha, como ela ficava linda, e ainda bem que tomei banho primeiro, ela lavou os cabelos e eu não queria ficar com os pés cor de rosa.

Enquanto ela se trocava no quarto eu fui escovar os dentes, quando saí do banheiro ela estava usando uma calça de couro bem justinha e uma camisa dos Guns'n Roses.

– Recalcada — Fingi indignação.

– Como ousa usar uma camisa igual a minha ? — Ela colocou as mãos na cintura e também fingiu estar indignada — Explique-se Sasuke Uchiha !

– O que eu posso fazer se você é super estilosa ?

– Que bom que você reconhece isso... — Ela jogou o cabelo para o lado e eu ri.

A tentativa de arrumar as coisas para ir embora foi um desastre ! Tive que sentar na minha mala para tentar fecha-la. Isso sempre acontece, na ida as roupas estão todas dobradas, na volta as roupas sujas estão todas emboladas e ocupam mais espaço. Mas se couberam na hora de ir também tem que caber na hora de vir. Com Sakura foi pior, ela tinha muito cacareco, muitos cremes, maquiagens e muitas roupas, ela não usou nem a metade do que levou.

Depois que finalmente conseguimos arrumar as coisas e de olhar cada canto do quarto e do banheiro umas duzentas vezes para ver se não estávamos esquecendo de nada, pudemos ir para o refeitório tomar café da manhã para voltarmos.

Notas finais
Bem, minha intenção era fazer um capítulo bem emocionante e intenso, mas não sou muito boa nisso, nem com ajuda ficou muito bom. Sim, a Hitari-Chan me deu algumas idéias, embora eu não tenha seguido muito ao pé da letra rsrsrs, mas ela me ajudou muito ♡♡♡ Mesmo com os acontecimentos eu não pude deixar de colocar um pouquinho de comédia, mas espero que tenham gostado. Beijos :*