Roar
1 Sexta Feira 13 POV Sarah
Notas iniciais
Meu nome é Sarah Alesky e eu não sou normal. Eu tenho uma genealogia estranha e de certo modo absurda..
Eu não sabia disso. Até ontem.
Era Sexta Feira. Sexta Feira 13. A Sexta onde todo mundo faz supertiçoes absurdas e pensam que se um gato preto passar na sua frente, vai ter azar pro resto do ano.
Eu particularmente acho isso uma pura besteira. Eu nunca fui de acreditar em coisas do tipo. Mas minha mãe era outra história..
– Sarah! Vem cá me ajudar com as decorações filha! – Minha mãe gritou. Eu resmunguei um ''droga'' e fui até a sala onde encontrei minha mãe em uma escada colocando aboboras em cima da lareira. Havia caixas por todos os lados, cheias de decorações idiotas de vampiros e monstros e caveiras.
–Sério mãe? Você vai gastar seu tempo com isso?- Ela desceu da escada e me olhou com cara feia.
– Sim – ela pegou uma caixa e me entregou – Agora me ajuda a decorar a casa.
Peguei a caixa sabendo que não haveria jeito de fugir daquilo. Depois de mais ou menos 1 hora. Terminamos.
– Agora vá tomar um banho que vamos sair pra almoçar com seu pai. – ela disse alegre.
–Ele não é meu pai – disse brava.
Subi as escadas e entrei no meu quarto. Fechando a porta e caindo em cima da cama. Porque será que a minha família não podia ser pelo menos um pouquinho normal? Fui até o banheiro e tomei um longo banho. Quando terminei voltei ao meu quarto e olhei minhas roupas, em duvida no que eu poderia escolher. Acabei pegando uma jeans surrada, uma blusa preta escrito ''Are You Crazy'' com um macaco, meu all star laranja e uma jaqueta preta.
Desci as escadas e vi minha mãe assistindo a televisão com um olhar preocupado. Olhei e vi que era uma reportagem.
– Raios por toda parte esta manha – Ouço o repórter dizer – Parece que até os céus quiseram dar uma boas vindas á Sexta Feira 13.
Minha mãe me vê e desliga a televisão rapidamente logo me olhando com cara feia.
– Não podia colocar um vestido só desta vez? – ela disse olhando pra minha blusa e minha calça jeans.
– Eu não gosto de vestidos. – murmuro.
Ela me olha tristemente e pega sua bolsa.
– Vamos. – Ela diz abrindo a porta.
Chegamos em um restaurante chamado ''Le Vinha'' com uma taçinha de vinho ao lado e minha mãe estaciona o carro. Entramos e vemos Claudios, meu quase padastro conversando alegremente com um garçom. Quando ele nos vê ele abre um enorme sorriso.
– Minhas Donzelas – ele diz olhando pra mim e minha mãe – Com estão? Alguma novidade de Sexta feira 13?
– Por enquanto só tivemos sorte. Não vimos nenhum gato preto na rua não é mesmo Sarah? – Minha mãe me olha sorrindo.
Já disse que odeio As Sextas Feiras 13? Pois então. Eu odeio.
– Não. – respondi séria, fazendo o sorriso de Claudios desmanchar.
Comemos silenciosamente a comida, quando vejo um homem pequeno de blusa de listras me olhando. Ele está com uma taça de água. Uma coisa estranha de se ver em um restaurante como aquele. Ele bebe um um pouco e de repente, não sei se foi uma alucinação, o copo desaparece em suas mãos.
Olho pro lado espantada e volto a olhar pro mesmo lugar de antes. Mas o homem havia sumido.
– O que tanto olha minha filha? – minha mãe pergunta.
– Nada. Acho que só vi um vulto – respondo calmamente.
Minha mãe de repente fica nervosa e começa a olhar para os lados quando para os olhos fixos em um ponto. Seu olhar me dizia que havia algo errado. E resolvi olhar pra ver o que era. O homem que á pouco tempo avistei, estava apoiando-se na janela do restaurante olhando pra minha mãe. Quando ia perguntar quem ele era..
–É Melhor irmos andando.. – minha disse pegando o dinheiro da conta colocando em cima da mesa e se levantando. Havia algo muito errado ali. Ela conhecia aquele homem. E ele parecia perigoso.
–Concordo- disse rapidamente.
Saimos tão rápido com Claudios que ele mal perguntou nada. Percebi minha mãe trocando olhares com ele, como se ouvessem ensaiado isso antes, e ele foi até o carro dele partindo logo que saímos também. O caminho todo em silencio, minha mãe olhava pra todos os cantos possíveis da rua e aumentando a velocidade aos poucos. Quando chegamos em casa ela me olhou preocupada.
–Eu sabia que esse dia chegaria.. – ela repetia pra si mesma.
–O que foi mãe? – perguntei fazendo com que ela me olhasse nos olhos;
Minha mãe e eu pulamos ao som do telefone tocando. Minha mãe fez um sinal para que eu atendesse.
– Alô? – disse cautelosa.
– Srta Alesky? – A voz de meu professor de filosofia soou grave no telefone.
– Professor Ramires? – perguntei receosa.
– Sim, — ele disse hesitando – Você poderia vir até a escola nesse momento? Precisava conversar com você sobre o trabalho que me entregou esta manha.
– Claro Professor. Mas tem que ser nesse momento? – perguntei depois de respirar fundo.
– Sim, — ele disse nervoso – Preciso que venha agora.
O tom de sua voz me deixou preocupada. De modo que pensei melhor aceitar o convite logo de uma vez.
– Já estou á caminho. – disse desligando o telefone em seguida.
Olhei pra minha mãe e disse a ela que iria á escola conversar com meu professor de filosofia e ela ficou menos preocupada. Disse que estava tudo bem e entrou no quarto. Aquele dia estava muito estranho. Quando pensei que não conseguiria ficar pior. Vejo Enzo entrando no meu colégio.
Fiquei nervosa. Enzo era um dos meninos mas irritantes do colégio. Ele estudava comigo e tal, mas não deveria estar entrando na escola. Não sei se já tinha avisado mas meu colégio não dava aulas nas datas do ano que parassem em sexta feira 13, a diretora tinha altas supertições.
Entrei na escola e caminhei até a sala dos professores. Ao chegar lá vi Enzo e o Professor Ramires conversando com voz baixa. Entrei na sala e os dois olharam pra mim frustrados.
–Obrigado por ter vindo Srta Alesky, — O Professor Ramires falou com um pequeno sorriso.
–O que ele faz aqui? – Perguntei olhando pro Enzo brava.
–Eu estou aqui por que fui encarregado de te manter viva gatinha – ele diz despreocupado com um sorriso safado.
–Calma Enzo, Não vamos apressa-la – Oque realmente me incomodou naquela frase não foi o modo sinistro com que falou a frase, mas sim o fato dele chamar o Enzo pelo primeiro nome, ele não tinha nenhuma intimidade com os outros alunos o que sugeria que eles já fossem próximos.
– Alguem me explique o que está acontecendo? – Pedi nervosa.
Eles me ignoraram.
– Mas presisamos apressá-la , — Enzo disse –Você sabe mais que qualquer um que ela é diferente..
– Eu sei.. – Ramires disse suando.
– Eu não tenho o dia todo pra ficar aqui vendo o teatro de vocês dois – reclamei
– Sarah – Enzo falou chamando minha atenção – Você precisa vir conosco pra um lugar onde ficará segura.
–Calma, você realmente quer que eu acredite numa idiotice dessas?
– Você não é uma mortal comum Sarah, — ele disse –Você é diferente.. Você tem que confiar em nós.
Fiquei abismada.
– Ah e muito que isso vai acontecer.
– Srta Alesky, Ele está certo, — Ramires falou calmamente – Se você não nos acompanhar eles vão lhe matar.
– QUEM? – Levante a voz irritada.
– Acalme-se, — ele disse.
Antes que eu pudesse falar alguma coisa ouvi o vidro da sala se despedaçar.
Minha visão foi tomada por fumaça. E eu não conseguia enxergar nada.
Minhas narinas foram invadidas pelo perfume de rosas.
Rosas.. e Sangue..
E a ultima coisa que pude sentir foi mãos fortes me envolverem e me carregarem pra algum lugar distante..
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