Notas iniciais
Ia ser uma one de uma música só, mas gostei tanto dessa brincadeira que resolvi criar mais algumas. Então aqui vai mais uma. Espero que gostem =)

Baseada na música Home de Michale Bublé ( http://www.youtube.com/watch?v=lbSOLBMUvIE )

Capítulo dedicado para dona Roberta que é surtadamente apaixonada por essa música =) Espero que goste Robs ♥

Ótima leitura!

Sentada em um banco de um parque depois de uma exaustiva reunião, Jane olhava as folhas da árvore que tinha a poucos metros de sua frente caírem. Era outono na França, lugar pelo qual coincidentemente fazia um ano que ela estava morando.

A ex-detetive, depois de um longo caso que envolveu a policia de Boston, o FBI e a Interpol, foi convidada para se juntar a Interpol. Sempre pensou que podia fazer mais e quando tinha esse pensamento era que podia fazer mais pela criminalidade do país, sabia que tinha seus problemas com o FBI então dificilmente seria convidada para trabalhar com eles, mas quando recebeu a proposta da Interpol ficou surpresa, por que pode expandir seus pensamentos, não estaria fazendo mais só pela criminalidade do país e sim pela do mundo.

Não acreditava que foi precipitada quando decidiu aceitar o emprego, pelo contrário, se sentiu muito animada e lisonjeada pela proposta de emprego. Só que agora, depois de um ano, ela queria voltar para casa.


Outro dia de verão

Veio e foi embora

Em Paris e em Roma

Mas eu quero ir para casa


O emprego não era ruim, pelo contrário, nunca foi lhe dito pessoalmente, mas sempre ouvia que desde que ela tinha se juntado a equipe tinham conseguido pegar mais criminosos como fazia tempo que não pegavam, mas não era para menos a equipe era bem preparada e todos tinham o único intuito de ajudar o mundo a ser um lugar melhor.

Era cercada de pessoas que realmente admiravam seu trabalho, que queriam uma proximidade, por que também não eram robôs, trabalhavam, mais tinham happy hour como qualquer pessoa comum, mas não entendiam por que ela não dava abertura para que se aproximassem, podiam contar no dedo quantas foram ás vezes que Jane tinha aceitado sair para beber com eles, mas não tinha ficado nem duas horas, pensavam que era só o tempo dela se adaptar, por que realmente não é fácil para ninguém deixar um país, uma cidade, onde trabalhou por muitos anos e ir para um país novo, com novas pessoas, novos desafios, mas com o tempo perceberam que estavam enganados e não sabiam explicar o problema com Jane.

A verdade era que do trabalho ela gostava, ela se esforçava, mas se sentia sozinha, não sabia explicar direito o que realmente se passava, mas quando ela olhava para aquelas pessoas, todas dedicadas, todas querendo fazer amizade, mas não se sentia em casa nesse caso, não era como se eles fossem Korsak, Frost e Frankie.

Não era como se alguém ali fosse a Maura.

Sentada no banco do parque ela se lembrava da loira. Desde que tinha se mudado não tinha um dia sequer que não pensava em Maura e em como elas eram felizes juntas.


– Há estudos que comprovam que 40% dos casais passam a ter uma relação extraconjugal devido a monotonia do casamento.


Estavam na casa de Maura, enquanto ela tinha dito que ia cozinhar alguma coisa para as duas, Jane se esparramou no sofá da casa dela com uma garrafa de cerveja e foi assistir ao noticiário com o resumo dos jogos. Praticamente a morena já morava na casa da loira, mas ainda mantinha seu apartamento com a desculpa de que se elas brigassem ela teria um lugar para ir, sendo que elas nunca brigavam ou se brigavam se resolviam cinco minutos depois. Encarou Maura sem entender por que ela tinha tocado naquele assunto, não eram casadas.


– Tudo bem. – Foi a única coisa que ela conseguiu responder. Ainda tentava buscar dados para entender o que Maura queria dizer. – Não somos casadas e eu não tenho um caso com ninguém e nem pretendo.

– É que eu tenho medo de casarmos e você se cansar de mim...

– Ei... – Jane fez sinal para que Maura sentasse ao lado dela do sofá. A legista estava com uma expressão de cachorro que foi deixado do lado de fora de casa que Jane só estava com vontade de lhe encher de beijos. Parecia que ela estava realmente preocupada com essa história de Jane cansar dela. Sentou ao lado da namorada. – Eu te aguento há cinco anos e desses cinco anos tem só um ano e meio que somos namoradas, se não me cansei de você agora, por que me cansaria depois que nos cassássemos?

– Seu pai cansou da sua mãe.

– Isso não foi um ótimo exemplo.


Maura fez um positivo com a cabeça concordando que esse não era realmente um ótimo exemplo e as duas riram.


– Desculpe.

– Se sua preocupação sou eu me enjoar de você quando casarmos é simples... Nós não casamos.

– E você vai poder devolver a aliança de noivado que comprou?


Jane encarou Maura perplexa com por alguns segundos. Não fazia ideia de como a loira tinha descoberto sobre a aliança e Maura percebendo que deveria ter ficado de boca fechada levou a mão a boca, mas sabia que já era tarde demais.


– Que aliança de noivado, Maura? – Resolveu se fazer de desentendida.

– Aliança? – Resolveu também que ia se fazer de desentendida, por que provavelmente tinha estragado a surpresa. Levantou do sofá, mas foi puxada pela mão por Jane que a fez sentar em seu colo. – Sua mãe me contou que você comprou uma aliança e que ia me pedir em casamento. Desculpa.

– Eu vou matar minha mãe!

– Não vai, por que senão você vai ser acusada de homicídio e eu não gosto de prisões para ter que te visitar toda semana. – Jane soltou um riso e deu um beijo em Maura. – Desculpa se estraguei a surpresa.

– Não estragou. Você sabe que eu tenho uma aliança, mas não sabe quando vou te pedir em casamento. – Disse com um sorriso vitorioso. Mesmo chateada por sua mãe ter estrago a surpresa procurou uma saída para Maura não se sentir culpada por ter entregado que sabia. – E não se preocupe, nosso casamento não vai entrar na monotonia, eu vou garantir que isso nunca aconteça.

– Promete?

– Prometo. – Disse com um sorriso e em seguida beijou Maura.


Talvez essa fosse a resposta que Jane procurava desde que se mudou para França. Não conseguia se conectar com ninguém, nem para uma simples amizade por que sentia falta de Maura, por que depois de tanto tempo ela foi sua melhor amiga e ninguém seria como ela. Só que ainda não conseguia admitir para si mesma que esse era o motivo, então continuava carregando contigo um imenso buraco no coração, uma angustia, uma tristeza, um imenso buraco em sua vida que não seria preenchido por ninguém que não fosse a legista.

Viu mais algumas folhas caírem da árvore e resolveu levantar para ir embora. Estava quase escurecendo. Enquanto com o fim da reunião todos tinham saído para beber e depois jantarem juntos ela só queria tomar um banho, tomar sua cerveja e descansar.

A verdade era que ela sentia falta da Maura e queria ir para casa.


Talvez cercado por

Um milhão de pessoas, eu

Ainda me sinto totalmente sozinho

Eu só quero ir para casa

Eu sinto sua falta, sabe?


Com seu banho tomado e sua cerveja em mãos, sentou no banco em frente a bancada da cozinha e pegou um bloco de papel. Era ali que passava a maior parte de seu tempo quando chegava em seu apartamento, escrevendo cartas que nunca enviaria para Maura. Tentava expressar seus sentimentos, pedir desculpas, dizer que sentia falta dela, que sempre pensava nela, mas tudo que saia era uma tremenda mentira: “Estou bem querida, como você está?”, não podia mandar nenhuma carta com esses dizeres e não se achava também no direito de mandar alguma carta dizendo que sentia falta dela, por que foi ela que resolveu ir, foi ela que resolveu deixá-la, tinha que deixar com que seu grande amor seguisse em frente. Essa era um dos grandes motivos também que não ligava, não mandava sms, esse era o grande motivo por não ter noticias de Maura durante esse um ano. Sua mãe tentou dizer alguma coisa algumas vezes, mas ela sempre a cortava, não queria saber, na realidade queria, mas não podia saber, por que se desse abertura para a mãe contar tudo uma hora teria a confirmação que Maura seguiu em frente e isso não iria lhe fazer bem, mesmo sabendo que a ex-namorada merecia toda felicidade do mundo.

Então, mais uma vez escreveu todos seus sentimentos em uma carta que não enviaria e com o fim da escrita a colocou na caixa junto com as demais. Mesmo se alguma coisa naquelas cartas fosse importante, sabia que Maura merecia mais que aquilo.


Eu continuo guardando todas as cartas que te escrevi

Em cada uma delas, uma ou duas linhas

"Estou bem querida, como você está?"

Bem, eu as enviaria, mas sei que isto não é o bastante

Minhas palavras eram frias e vazias

E você merece mais do que isto


Não conseguiu pregar o olho naquela noite. Pensou em assistir alguma coisa na televisão até pegar no sono, mas nada lhe agradava, pensou em ligar para sua mãe e conversar um pouco, mas tinha quase certeza de que Angela descobriria que tinha alguma cosia de errada com ela. Então escreveu mais algumas cartas destinadas a Maura que nunca seriam entregues e quando cansou de expor parte de seus sentimentos foi até um banco acolchoado que ficava na parede da janela de seu apartamento e deitou lá. Ficou com o celular passeando em sua mão passando por diversas vezes pelo número de Maura, por muitas vezes foi por pouco que não apertou o botão de chamada, mas não era justo com a loira, cada uma tinha feito sua escolha e essa escolha definiu que as duas teriam que ficar separadas, então deixou o celular de canto.

Ficou pensando em como era sua vida em Boston antes de aceitar o emprego e quando se deu conta já tinha o sol invadindo as janelas de seu apartamento. Ficou de joelhos no banco e olhou mais um dia lindo de outono que mostrava que ia fazer. Viu um avião passando e só se imaginou nele... Indo para casa.


Outro avião

Outro lugar ensolarado

Eu tenho sorte, eu sei

Mas eu quero ir para casa

Tenho que ir para casa


Resolveu se levantar, mesmo quando todos seus sentimentos brigando dentro de si, ela tinha mais um dia de trabalho.

Debaixo do chuveiro ela insistia em continuar lembrando momentos seus com Maura, tudo bem, Jane tentava não lembrar, mas parecia que nesses últimos dias estava sendo impossíveis e com isso a saudade só aumentava.


Tinha deixado um buquê de flores em cima da mesa do escritório de Maura com um simples bilhete fazia duas horas e ainda não tinha recebido nenhuma mensagem da legista falando que tinha recebido. Estava inquieta, não se importava se viria uma resposta positiva ou negativa sobre o que tinha escrito no bilhete, só queria saber a resposta. Imaginava que talvez Maura tivesse rindo da cara dela, por que nunca, em todo o universo alguém poderia imaginar que Jane Rizzoli mandaria flores para alguém, ainda mais pedindo em namoro. Então, cansada de esperar desceu até o necrotério onde encontrou Maura estática segurando o bilhete. Só tinha certeza que ela ainda estava viva por que percebeu que ela respirava, senão não teria tanta certeza assim.


– Maur...?


Mesmo tendo certeza que Maura estava viva a detetive resolveu chamá-la para se certificar de que estava tudo bem. Não pensou que um simples bilhete deixaria a loira sem reação.

Ao ouvir a voz rouca de Jane a chamando Maura despertou, soltou o bilhete em cima da mesa e encarou Jane com um olhar de confusão. Tinha uma semana que as duas não se falavam por que ela em um momento de ilusão enquanto as duas estavam no Dirty Robber pensou que era correspondida e resolveu expor seus sentimentos, beijando Jane, mas ao ver a cara de espanto da amiga que não tinha dito nenhuma palavra depois do beijo resolveu deixar o bar para o constrangimento ser menor caso Jane resolvesse falar algo. Fugiu da morena a semana inteira. Não respondia suas mensagens, não atendia seus telefonemas, arrumava qualquer ocupação quando Jane ia até o necrotério e não atendia a porta quando a detetive ia em sua casa, sabia o nível de infantilidade daquilo, mas quanto mais adiasse o sermão que ia levar de Jane por tê-la beijado era melhor. Só que então ela recebeu um buquê de flores com um bilhete que dizia:


Se você me beijou significa que o que eu sinto por você é recíproco, certo?

Você quer namorar comigo então?

Jane.


Óbvio que tinha ficado sem reação e ficou olhando para aquele bilhete por não sabia quanto tempo. Pensou que sua amizade estava prestes a acabar e é surpreendida com a proposta de um começo de um novo relacionamento?


– Eu sei que não conversamos... – Jane resolveu falar por que parecia que por enquanto não ia conseguir arrancar nada de Maura. – E também sei que vindo de mim é meio estranho um pedido de namoro com um buquê de flores, mas seu beijo me deu coragem para um passo e eu estou dando...

– Esse tempo todo você era apaixonada por mim e não disse nada?

– Não. Sou apaixonada por você desde aquele beijo que você me deu no Robber, mas parece que você é apaixonada por mim esse tempo todo e não me disse nada.

– Jane... – Parecia que Maura estava recuperada já do susto do bilhete e tinha suas forças de volta então conseguiu levantar da poltrona e se encaminhar até a morena. – Jane...

– Tudo bem... – Jane soltou um suspiro vencida como se Maura tivesse insistido para que ela falasse algo. — Acho que sou apaixonada por você desde a primeira vez que te vi e de começo não aceitava muito bem isso e resolvi por ser sua amiga e você nunca descobrir sobre meus sentimentos.

Maura abriu um sorriso envergonhado e também que demonstrava o tamanho de sua felicidade ao ouvir aquilo vindo de Jane. Por anos pensou que não fosse correspondida, por anos pensou que teria que aguentar Jane o resto de sua vida como sua amiga, mas por sorte há uma semana tinha resolvido beijar a morena e assim descobriu que seus sentimentos eram correspondidos.


– Sim.


Ela respondeu e logo em seguida levou seus braços envoltos do pescoço de Jane e a beijou, dessa vez sem medo nenhum, por que sabia que a partir daquele momento beijaria Jane sempre que quisesse.

Jane se lembrava daquele beijo com uma clareza de como se tivesse acabado de acontecer. Lembrava de como nunca tinha sido beijada daquele jeito, como era diferente o beijo de Maura, dificilmente encontraria alguém que lhe beijasse da mesma forma, mesmo por que nem estava a procura, tinha quase certeza que não existia, que só Maura podia beijá-la assim. Só que agora ela estava longe de onde Maura estava, provavelmente nunca mais iria beijá-la novamente.

Ela só queria ir para casa.


Deixe-me ir para casa

Estou tão longe

De onde você está

Eu quero ir para casa


– Bom dia Rizzoli.


Era assim sempre que chegava à sede da Interpol no qual trabalhava. Cada corredor alguém lhe cumprimentando com um sorriso e ela sendo a mais simpática possível retribuindo o “bom dia” e o sorriso, mesmo que nesses últimos dias ela não estivesse com o mínimo de vontade de sorrir.

Se sentia como se estivesse na vida de outra pessoa. Que era para alguém estar no lugar dela dando o devido valor para o emprego, que estaria feliz em poder ajudar o mundo em que vive, que conviveria e seria simpático com outras pessoas. Nesse momento, com seu desejo de voltar para Boston sentia que tinha roubado o lugar de outra pessoa, de alguém que ficaria imensamente feliz em receber a proposta de emprego e que permaneceria feliz por saber que estava fazendo algo bom. Ela tentava, mas nesses últimos dias estava sendo impossível.

Chegava em sua sala onde dividia com “seu time” e via todos tomando café, rindo e dizendo para que não se acostumassem muito, não era todo dia que eles tinham algum tempo livre de manhã, então era aproveitar enquanto dava, mas não se sentia parte desse “time”, mesmo com todas as tentativas de incluí-la.


– Ei Rizzoli... – Jane que estava pegando um pouco de café virou-se para ver o que Charles queria. – Sei que você não gosta de falar da sua vida pessoal, mas... – Fez uma pausa e passou o olhar para todos que estavam naquela sala, tinham combinado de se meterem na vida de Jane juntos, mas aparentemente tinha sobrado para ele. – Está tudo bem com você? – Ela só mandou um meio sorriso e fez um positivo com a cabeça. – Tem certeza? Por que não é o que parece.

– Você sente falta dela, não sente? – Sarah perguntou e Jane a encarou curiosa. – Sabemos das coisas, sabemos que você namorava a doutora Isles antes de vir para cá.

– Foi feia a briga quando você aceitou o emprego? – Perguntou Frederico. — Por isso que vocês não conversam mais?

– Na realidade não.


Suas malas estavam no táxi e ela só tinha uma parada antes de seguir para o aeroporto: A casa de Maura. Estava animada. As duas em um novo país, mas ainda assim trabalhando juntas.

Entrou na casa com a chave que tinha e encontrou Maura sentada no sofá da sala, olhou ao redor e não encontrou nenhuma mala.


– Não me diga que você não vai levar nada? – Perguntou ainda tentando entender por que não tinha nenhuma mala sequer de Maura na sala. – Pretende ir fazer compras assim que chegarmos a França?

– Me desculpe Jane. – Maura que até então olhava para o chão sem coragem de encarar Jane finalmente voltou sua atenção para a morena. – Eu não vou.

– Como assim você não vai?


Estava realmente sem entender, por que até então, desde que tinha recebido a proposta elas tinham passado semanas planejando essa viagem.


– Eu falei com os meus contatos na França, mas não tem lugar para mim na Interpol e as cidades onde posso trabalhar são distantes. Você vai ter muito trabalho e se eu trabalhar em uma cidade distante quase não vamos nos ver.

– Maura era nesse momento que você deveria dizer a probabilidade de um namoro a distancia dar certo.

– Só que eu não quero namorar a distancia Jane. – Sua voz começava a embargar. — Eu estou acostumada a te ver todo dia.

– E você prefere não me ver nunca mais é isso?


Pensou que receberia alguma resposta de Maura, mas a legista nada disse, só viu os olhos delas começarem a encher de lágrimas e ela levantar do sofá e se jogar em seus braços em um abraço.


– Eu te amo Jane. – Ela disse ainda abraça com a namorada. – Mas morar em outro país nunca foi meu sonho e se eu for me mudar para ficar longe de você prefiro ficar por aqui mesmo.

– Maur... – Jane se separou do abraço. – Eu não vou te deixar aqui, eu não posso ir sem você.

– Você pode e você vai. – Maura mandou um meio sorriso para Jane. – Sempre foi seu sonho fazer algo maior e essa é sua oportunidade Jane, você não vai desistir dela logo por mim que sempre acreditei em você.

– Você tem certeza? – Maura fez um afirmativo com a cabeça.

– Passei as últimas duas horas sentada nesse sofá pensando sobre isso.

– Se mudar de ideia... – Jane tirou de seu casaco uma aliança e entregou para Maura. – Sabe onde me encontrar.

– Jane, não... – Ela tentou devolver a aliança para a detetive, mas Jane fez um negativo com a cabeça recusando a devolução da aliança.

– Se não for usá-la para me encontrar... Você me espera voltar?

– Você não vai voltar.


Agora eram os olhos de Jane que se encheram de lágrimas e dessa vez ela puxou Maura para um abraço. Não acreditava que estava tendo aquela conversa, que elas estavam terminando poucas horas antes da detive embarcar para o seu sonho.


– Eu te amo.


Jane disse antes de dar um beijo em Maura. O último beijo que daria na namorada que segundos depois se tornou ex-namorada. Nunca tinha sofrido tanto na vida com uma despedida e nunca se imaginou se despedindo de Maura e aquilo foi a pior coisa que fez em toda sua vida.


– Você a deixou lá e nunca entrou em contato com ela?


Perguntou Charles perplexo com a história. Jane só vez um afirmativo com a cabeça, foi realmente o que ela tinha feito.



Sinto como se estivesse vivendo a vida de outra pessoa

É como se eu acabasse de sair

Quando estava indo tudo bem

E eu sei exatamente porque você não poderia

Vir junto comigo

Isto não era o seu sonho

Mas você sempre acreditou em mim


Não tinha conseguido dormir mais uma noite. Ficava pensando em tudo que seus colegas de trabalho tinham lhe dito, os conselhos que tinha recebido e as opções que tinha e uma delas era voltar para casa, mas como poderia cogitar voltar para Boston devido a sentir falta de Maura sem saber que ela a aceitaria de volta? Alias, tinha quase certeza que a legista não a aceitaria e possivelmente não queria nem vê-la, por que assim que pisou em solo francês fez questão de cortar todo tipo de comunicação com Maura. Não atendia seus telefonemas, não respondia suas mensagens, não respondia seus emails e não teve nem coragem de abrir uma carta que ela havia lhe mandado. Não tinha feito isso por raiva porque a loira não quis ir junto com ela, mas sim porque se mantivesse uma relação com Maura não duraria nem um mês quanto mais um ano longe dela, então para ela essa decisão de ignorá-la foi a melhor.

Precisava levar em consideração um dos conselhos que seus colegas deram, então resolveu que iria acabar com a dor de uma vez ou possivelmente aumentá-la. Foi até seu computador e pesquisou por Doutora Maura Isles no Google. Tinha medo demais de ligar para a ex-namorada e perguntar como ela estava e se ainda tinha uma segunda chance, foi então que resolveu ir pelo meio de comunicação mais simples e que possivelmente lhe passaria a ficha completa de Maura e assim ela poderia deduzir se tinha uma segunda chance ou não. Se não estivesse tão atordoada em seus pensamentos e sentimentos poderia ter lembrado que dava para ter usado os recursos da Interpol para descobrir como Maura estava, mas como não lembrou o Google era sua melhor saída.

Maura ainda trabalhava no Departamento de Homicídios de Boston junto com Korsak, Frost e Frankie que tinha se tornado detetive, pelo menos disso ela sabia, por que sua mãe passou horas falando em como estava orgulhosa do filho e Jane também não deixou de sentir orgulho do irmão. Continuava sendo a Legista Chefe de Massachusetts. A ex-namorada também tinha posado para várias fotos junto com sua mãe em alguns eventos de caridade, ficou por muito tempo observando suas fotos, ela continuava absurdamente linda, os cabelos mantinham a mesma cor de loiro só que agora estavam maiores do que há um ano, mesmo não tendo levado nenhuma foto da ex-namorada consigo ainda conseguia lembrar de cada detalhe da feição de Maura como se nunca tivesse deixado de vê-la, mas era tão bom ver pelo menos uma foto dela que não fosse da imagem que tinha na sua memória. Descobriu também que Maura tinha acabado de postar um artigo que foi tão elogiado que estava concorrendo a premiações. E Maura também estava usando a aliança de noivado que Jane tinha lhe dado quando foi embora. Pelo menos a ex-namorada estava muito bem, não precisava dela de volta em sua vi... Espera! Ela usava a aliança de noivado que Jane tinha lhe dado quando foi embora e ela percebeu isso ao ver uma das fotos. Procurou a data das fotos, precisava saber quando ela foi tirada, quase caiu para trás quando viu que a foto era de dois dias atrás. Talvez pudesse não significar nada, mas também poderia significar muita coisa.


Outro dia de inverno veio

E já foi embora

E mesmo em Paris ou Roma

E eu quero ir para casa

Deixe-me ir para casa


– Jane Rizzoli... – Disse Pierre Bernard ao ver Jane entrando em sua sala. – Por favor, sente-se. – Fez sinal para que ela se sentasse na cadeira logo a frente de sua mesa. – O que você gostaria de falar comigo?

– Senhor eu agradeço imensamente pela oportunidade de emprego. – Jane começou. – Foi uma honra trabalhar para vocês durante esse um ano, depois de trabalhar para a Homicídios de Boston essa foi a melhor chance que eu tive na minha vida. Eu pensava que estava aproveitando cada segundo dessa oportunidade, mas percebi que não, percebi que estou acabada e não tem nada a ver com esse emprego. – Bernard ouvia cada palavra que Jane dizia, sem esboçar nenhuma expressão, queria saber até onde ela iria. – Eu achava as aulas de literatura uma idiotice quando estudava, mas acho que em alguma coisa minha professora estava certa... Não podemos ter tudo que queremos e que não somos nada sem amor. – Soltou um riso de nervoso, nunca tinha se imaginado dizendo esse tipo de coisas. – E eu realmente não sou nada sem amor. Esse emprego é maravilhoso e eu tive que escolher entre ele e a pessoa que eu mais amo e há um ano eu fiz a escolha errada, mas agora eu estou tentando consertar isso. – Fez uma pausa. — Eu só quero ir para casa.

– Quando não demos o emprego para a doutora Isles eu imaginei que íamos te perder eventualmente. – Bernard se levantou e estendeu sua mão para Jane. – Foi um prazer trabalhar com você Rizzoli.


Jane ficou sem reação por alguns segundos. Pensou que ia levar o maior sermão da sua vida por trocar uma grande oportunidade de emprego por um amor que nem sabia se tinha mais, mas foi pega completamente de surpresa. Recuperada dos seus segundos de paralisia levantou-se da cadeira e apertou a mão do chefe.


– O prazer foi todo meu. – Respondeu com um sorriso.

– Doutora Isles é uma mulher de sorte.

– Não... – Fez um negativo com a cabeça. – Eu que sou. Obrigada por tudo senhor.


Bernard assentiu com a cabeça e viu Jane deixando sua sala. Ela estava finalmente indo para casa.


Me deixa ir para casa

Eu tive minha chance

Baby, estou acabado

Estou indo para casa


Já no avião não conseguia classificar seus sentimentos nesse momento, mas uma coisa ela tinha certeza, estava se sentindo livre e tinha um pouco de felicidade habitando seu peito. Sabia que poderia durar só segundos, que talvez pudesse ter feito a maior besteira de sua vida trocando o certo pelo duvido, mas não se importava, em sua cabeça no momento só se passava um único pensamento: “Estou voltando para casa” e esse pensamento vinha junto com um imenso sorriso que ela não dava há um ano.


Me deixa ir para casa

Ficará tudo bem

Estarei em casa hoje a noite

Estou voltando para casa


Já se passava das três horas da manhã e Jane tocava a campainha da casa de Maura como louca. Sabia que estava adepta a levar um xingo ou até mesmo ter a policia parando na frente da casa daqui a algum tempo por que Maura poderia ter juízo e não atender a porta uma hora dessas. Só que para sua surpresa viu a luz de fora acendendo e segundos depois a porta sendo aberta.

Jane pode ver a expressão de surpresa quando Maura abriu a porta e deu de cara com ela. Parecia que tinha acabado de ver um fantasma.


– Eu nunca te ensinei que não se deve abrir a porta quando se tem alguém tocando feito louco sua campainha às três horas da manhã?


Resolveu por dizer alguma coisa, mesmo se fosse a mais idiota depois desse um ano sem se verem para ver se assim Maura ganhava alguma reação.


– O que você está fazendo aqui?


Finalmente conseguiu fazer uma pergunta, mas ainda estava completamente surpresa por ver a ex-namorada em sua frente.

Jane em resposta pegou a mão esquerda de Maura que carregava a aliança que ela havia lhe dado e alisou a aliança.


– Você disse que não ia me esperar.


Aquela frase saiu em um fio de voz mais rouco do que o habitual. Nossa! Como Maura sentia falta de ouvir a voz de Jane, como essa voz rouca a enlouquecia e como ela tinha sonhado em ouvi-la mais uma vez, até parecia que estava vivendo mais um de seus sonhos.


– Não... Eu disse que você não ia voltar.

– Estou em casa agora e não vou mais para lugar nenhum, não sem você.


Poderia parecer pensamento de alguém que ainda não tinha superado um término, mas Maura sempre sonhara com esse dia e ao ouvir as palavras de Jane não deixou de abrir um sorriso emocionado que fez com que a morena sorrisse também e sem nem ao menos pensar se jogou no colo de Jane e a beijou.

Talvez Jane nunca tivesse dado tanta importância para literatura como deu por esses últimos dias e também mesmo dando a devida importância para sua casa, Boston, o lugar que sempre morou, parecia que não tinha dado tanta importância assim, mas depois da recepção de Maura, de ter seus lábios colados novamente no da legista passaria a dar mais importância para onde vivia e também para o amor, por que finalmente ela estava em casa e estava muito feliz.