Notas iniciais
Algumas surpresas

Havia se passado um mês desde o nascimento de Arthur Grissom.

Foram dias difíceis no início — 10 longos dias na incubadora, monitorado, frágil, lutando pela vida como a mãe. Mas ele venceu.

Recebeu alta com um pequeno sorriso no rosto do pai babão que não conseguia — nem queria — esconder a emoção.

(Grissom, agora de barba levemente por fazer, olheiras discretas e roupas simples, entra no prédio do laboratório. Uma credencial pendurada no pescoço, um leve sorriso no rosto, mas o olhar ainda distante.)

Ele havia pedido alguns dias de folga assim que o filho nasceu. Precisava estar presente. E, mais do que isso, ele precisava tempo para olhar para aquele bebê e tentar ser melhor. Ser o homem que Arthur e Sara mereciam.

Grissom bate na porta, é convidado a entrar. Além de Ecklei, o Xerife também está presente. Ambos o cumprimentam com surpresa.

Ecklei: Grissom! Esperávamos você só na semana que vem. Está tudo bem?

Grissom (assente, firme, mas com suavidade):

Sim. Quer dizer… melhorando. Por isso vim. Queria compartilhar algo pessoal antes de oficializar meu retorno.

O Xerife ergue as sobrancelhas, curioso.

Xerife: Claro. O que houve?

Grissom (respira fundo, com um brilho discreto nos olhos): Eu me casei... com a Sara. E… nosso filho nasceu. Arthur. Ele chegou um pouco antes do tempo, ficou na UTI neonatal… mas está em casa agora. Forte. Lindo. Tem os olhos dela.

Xerife: Eu sinceramente queria brigar com você por este romance, mas o brilho nos seus olhos ao falar do nascimento do seu filho me quebrou. Vamos ter que ver como ficarão as coisas...

CE: Só que queremos saber o mais importante... como está Sara??

O sorriso de Grissom desaparece. Ele se recosta na cadeira, os olhos perdendo o foco por um instante antes de responder.

Grissom (voz baixa, contida): Sara… está em coma.

Silêncio absoluto. O Xerife e Ecklei se entreolham, chocados.

Grissom: Ela teve uma complicação logo depois da cesárea. A hemorragia foi forte… o corpo dela lutou, mas o trauma foi demais. Está viva… está estável. Mas... ainda não acordou.

O Xerife fala com respeito e pesar.

Xerife: Sinto muito. De verdade.

Grissom (assente, quase sussurrando): Eu vou ao hospital todos os dias. Falo do Arthur. Fico ao lado dela… conto como ele é agitado, como se mexe o tempo todo, como dorme encolhido como ela fazia. Leio pra ela.

(Ele força um sorriso triste.)

Grissom: Acreditam que ela pode ouvir. Que pode sentir a presença. Então… eu me recuso a deixá-la sozinha.

(Pausa. Ele encara os dois com firmeza.)

Grissom: Ela vai voltar. Eu acredito nisso. Não posso pensar em outra possibilidade. Arthur precisa da mãe dele. E eu... preciso da mulher da minha vida.

Luz suave atravessa a janela. O quarto está silencioso, exceto pelos sons rítmicos dos monitores cardíacos. Grissom entra devagar, com uma mochila pendurada no ombro. Traz nas mãos uma foto impressa de Arthur, enrolado em uma manta azul, com os olhos semicerrados e o punho fechado como quem já quer brigar com o mundo.

Ele se aproxima do leito, encara Sara por alguns instantes. Ela está pálida, os cabelos levemente bagunçados no travesseiro. Tão quieta. Tão ausente. Mas, para ele, ainda incrivelmente viva.

Grissom (sentando-se ao lado dela, sorrindo com doçura): Oi, amor...

(Ele pega a mão dela com delicadeza.)

O Fabrizio ainda não liberou trazer o Arthur... Mas assim que ele disser que podemos, eu trago. Prometo.

(Ele ri sozinho, baixinho.)

Hoje eu fui trocar a fralda dele...

E você acredita que levei um belo jato de xixi na cara?

(Ele faz uma careta divertida, como se falasse com ela num momento cotidiano.)

É, amor. O nosso menininho é espertinho. Já sabe se defender. Tem seu sorriso... aquele sorriso torto quando tá com sono. Seu nariz. Os olhos são meus, acho. Mas tudo nele tem um pouco de você. Até o jeito de franzir a testa quando não gosta de algo. Igualzinho.

(Ele mostra a foto, mesmo sabendo que ela talvez não veja — ou talvez veja.)

Mamãe está toda boba, sabia? Tá babando como você falou que ela faria. Vive grudada nele.

E toda vez que ela olha pra mim... eu vejo você.

Você em mim. Em tudo que ficou.

(Grissom se aproxima mais, acaricia o rosto dela, os olhos marejando.)

Querida... eu vou precisar ir agora.

(Ele encosta a testa na dela por um breve momento.)

Mas saiba que eu não vejo a hora de te ver acordada. De ouvir sua voz. De te ver sorrir pro nosso filho. Eu te amo. Muito. Profundamente. Pra sempre.

(Ele beija o rosto dela uma, duas, várias vezes — a testa, as bochechas, o canto da boca. Como se quisesse despertá-la com o toque.)

Grissom (em sussurro):

Volta pra mim, Sara...

Ele se levanta, caminha devagar até a porta, olha pra trás mais uma vez antes de sair. Ele não nota o monitor cardíaco pulsando regular, estável… e um leve, quase imperceptível, movimento no dedo de Sara.

Quando saiu do quarto, acabou encontrando Diana no corredor.

DT: Desculpa Grissom, mas vim lhe chamar porque estamos atrasados para a primeira consulta.

GG: Sara é minha prioridade!

DT: Grissom sinceramente... vamos para o exame e depois discutimos. Já falei que não fiz esse filho sozinha .

GG: E já falei que não tenho certeza de que sou o pai dessa criança. Vamos para a consulta!!

Fabrizio ajeita os papéis sobre a mesa. O som do monitor fetal ao fundo acompanha os batimentos fortes do bebê. Diana, com pouco mais de dois meses de gestação, está sentada, elegante como sempre, mas com um brilho vago nos olhos.

Fabrizio (profissional, mas cordial):

Tudo está indo bem, Diana. O bebê se desenvolve dentro dos parâmetros esperados. Nenhum sinal de complicação.

Diana (com um leve sorriso): Que bom ouvir isso. Porque daqui a pouco vou voltar pra Boston. Depois do terceiro mês completo, quero continuar o pré-natal com meu médico de confiança por lá.

Fabrizio (assente): Tudo bem. Quando estiver perto da mudança, me avise para transferirmos os exames e laudos.

Diana olha para Grissom que até então está calado.

Diana : Não se preocupe. Não ficarei em Vegas por muito tempo.

Grissom (calmo, mas distante): Faça o que achar melhor. Só espero que cuide bem dessa criança.

Depois da saída de Diana. Grissom e Fabrizio ficam conversando. O supervisor está com os ombros tensos, mas o olhar fixo e sereno.

Fabrizio (com empatia): Ela vai mudar pra Boston. Tudo bem para você?

Grissom (assente): Sinceramente, não me afetou. Tem alguma coisa… que não bate. Eu sei que pode parecer fuga, negação... mas dentro de mim, algo grita que essa criança não é minha.

Fabrizio observa por um instante. Cruza os braços.

Fabrizio: Você é um homem de ciência. Mas às vezes, a intuição acerta onde os testes demoram a chegar.

(Grissom solta um leve sorriso triste.)

Grissom: Se eu estiver certo… tudo bem. Mas se eu estiver errado... então eu falhei. Porque prometi pra Sara que não abandonaria essa criança. Que tentaria ser justo, mesmo no caos que eu criei.

Fabrizio o encara por alguns segundos, depois fala com honestidade e ternura.

Fabrizio: Quando vejo você com a Sara… e agora com o Arthur… eu vejo amor. Amor de verdade. Com Diana… vejo um homem tentando cumprir uma obrigação. E dói assistir isso.

(Grissom abaixa o olhar, com pesar.)

Grissom: Eu fiz escolhas erradas, Fabrizio. E agora… só quero fazer o que é certo.

O médico coloca a mão no ombro dele com firmeza.

Fabrizio: Continue amando a Sara como você ama. Continue sendo o pai que já está sendo pro Arthur. O resto… a verdade... vai aparecer.

E a dupla do mal?? Enrico estava adorando suas férias e Teddy circulava triste por ter causado o coma de Sara, mas não se arrependia por ter enviado o vídeo. Queria visita-la no hospital, mas o quarto estava sempre vigiado.

Ao voltar para casa após a consulta de Diana, o sorriso do supervisor retornou ao encontrar seu filho.

GG: Oi amigão!! Papai foi visitar a mamãe hoje e ela continua linda. Tenho certeza que quando ela acordar ficará emocionada ao te conhecer. Vocês são os maiores tesouros da minha vida e vou viver para reparar meus erros com vocês.

Sua mãe acompanhava tudo da porta e sentia pena do sofrimento do filho pelo estado de saúde do amor de sua vida.

BG: Filho tenho certeza que logo, logo Sara vai estar conosco. Ela é uma mulher forte e sabe que tem uma criança esperando por ela aqui.

Grissom está sentado ao lado de Diana. O rosto dele está tranquilo, mas distante. Ele segura uma foto do Arthur recebida da avó por mensagem, sorri levemente. Diana observa cada gesto dele como se procurasse uma brecha, um sinal.

Diana (quebrando o silêncio):

Obrigada por vir hoje. Eu... sei que não era sua obrigação.

Grissom (sem olhar diretamente para ela):

Não é uma obrigação. É uma promessa.

Ela assente, depois o observa por mais um momento e arrisca.

Diana: Gil... eu sei que você está cansado. Sei como é difícil lidar com tudo isso sozinho. Um bebê pequeno, trabalho, Sara...

Ela coloca levemente a mão no braço dele. Ele a olha de imediato, sério.

Diana (tom mais baixo, quase sedutor): Eu só queria te lembrar que... você também é homem. Intenso. Quente. E você está há semanas sem tocar em alguém, sem se deixar aliviar, descarregar tudo isso...

Ela se aproxima um pouco mais, mas antes que possa continuar, Grissom se afasta, levantando-se. A expressão dele muda de calma para firmeza absoluta.

Grissom (duro, mas sem elevar o tom): A única mulher com quem desejo ter intimidades... é a Sara.

Diana, visivelmente irritada, se levanta também.

Diana: A Sara está em coma! Você nem sabe quando — ou se — ela vai sair disso. Vai ficar se punindo, se consumindo por algo que talvez nunca volte?

Grissom respira fundo, mas mantém o controle. O olhar é afiado.

Grissom: Sim. Porque o que temos... é maior do que o agora. Se for preciso, eu aguardarei o tempo que for.

Ele dá um passo na direção de Diana, deixando claro que não há espaço para mais.

Grissom: E quando eu “descarregar minhas energias”, como você disse... será com ela. Com a mulher que amo. Com a mãe do meu filho. Com a minha esposa.

Diana se cala. A expressão dela é uma mistura de frustração, surpresa e raiva contida. Grissom pega as chaves do carro e caminha em direção à saída, encerrando o assunto.

Grissom (sem olhar para trás):

Cuide-se.

Por esse bebê... se ele for mesmo meu.

A iluminação é baixa. O som constante do monitor cardíaco cria um ritmo silencioso. Grissom está ali, como sempre, ao lado dela, após mais um dia de trabalho.

Grissom (falando baixinho, com um leve sorriso):

Mais um plantão cumprido, amor...

Hoje Greg caiu numa poça de decomposição. Você precisava ver a cara dele… foi cômico e trágico ao mesmo tempo.

Ele ainda tem uma certa raiva de mim... por causa de você, eu acho. Mas acabamos rindo juntos. Foi bom.

(Ele ajeita o corpo na cadeira, soltando um suspiro cansado.)

Ah, e conheci a filhinha da Heather com o Mark. Fofa demais. Fizemos o teste de DNA… e sim, Estela é mesmo dele.

Sabe, querida… eu fiquei genuinamente feliz por ela.

Heather finalmente está amando e sendo amada. Construiu uma família.

(Ele faz uma pausa, o olhar distante.)

Apesar de tudo… eu tenho carinho por ela. E desejo que seja feliz. De verdade.

Ele segura com mais firmeza a mão de Sara e, vencido pelo cansaço, encosta a cabeça devagar sobre a coxa dela. O silêncio toma o quarto. Os segundos passam… e Grissom adormece ali, exausto, entregue, vulnerável.

Imagens borradas. Sons abafados. Uma luz tênue. Sara lentamente desperta.

Ela tenta entender onde está. Os olhos piscam pesados. A mão direita parece presa. Ela tenta mexer e estranha o peso.

Com esforço, vira levemente o rosto e vê algo — ou alguém — deitado sobre sua perna. A visão começa a se ajustar… e o coração acelera.

Sara (sussurro fraco): Gil...?

Ela vê que é mesmo ele. Grissom, adormecido, com a cabeça sobre sua coxa, segurando firme sua mão. A respiração dele é tranquila.

Sara sente uma onda de emoção. Lentamente, com a mão livre, leva os dedos ao rosto dele. Acaricia sua barba com delicadeza. Os olhos marejam.

Grissom se remexe, resmunga baixinho… até abrir os olhos lentamente. A primeira coisa que vê são os olhos dela abertos, vivos, doces.

Grissom (assustado, em choque): Sara...?

(Ela sorri fraco, os olhos cheios de lágrimas.)

Sara (voz baixa, rouca):

Oi, furacão...

Grissom levanta a cabeça devagar, como se temesse estar sonhando. Solta a mão dela para tocar seu rosto com as duas mãos. Os olhos dele se enchem de lágrimas no mesmo instante.

Grissom (emocionado, sem conseguir conter o choro): Você voltou... meu Deus... você voltou...

Ele beija sua testa, seu rosto, segura o rosto dela entre as mãos como um tesouro reencontrado. Ela acaricia seus cabelos, fraca, mas consciente.

Sara: Arthur... ele está bem?

Grissom (sorrindo entre lágrimas):

Lindo. Forte. Igual a você. Mas agora… ele tem a mãe de volta.

Grissom ainda segura a mão de Sara, enxugando as lágrimas teimosas que caem. Ele mal consegue parar de sorrir. Sara, ainda fraca, tenta manter os olhos abertos.

Sara (sussurrando): Você chorando... isso eu precisava ver...

Grissom (rindo baixo): Pois é... não se acostuma, tá?

Neste momento, a porta se abre rapidamente. Fabrizio entra, com a prancheta na mão, já no modo médico de plantão. Ele olha distraído para os monitores.

Fabrizio (murmurando): Bom, tudo estável, frequência cardíaca boa, pressão normal...

Ele levanta os olhos — e congela. Vê Sara acordada, olhando direto pra ele.

Fabrizio (estático): Não... espera aí...

Sara (com um leve sorriso): Oi, doutor italiano...

Fabrizio (largando a prancheta na cadeira):

Santa madre di Dio! Você acordou!!!

Ele se aproxima rapidamente, com um misto de incredulidade e emoção. Grissom se levanta um pouco para dar espaço, mas continua colado à cabeceira da cama.

Fabrizio: Você tem noção de que acabou de ganhar um fã-clube de enfermeiros surtando lá fora? Eles vão invadir isso aqui em dois minutos!

(Sorri, então respira fundo e volta ao tom sério, profissional.)

Você me deu um baita susto, mocinha...

Sara (fraca, mas bem-humorada):

Imagino!!

Ele examina os olhos dela com uma lanterna, checa os reflexos, ouve o coração. Vai anotando mentalmente, claramente aliviado.

Fabrizio: Você ainda está muito fraca, Sara. Vamos fazer novos exames, mas sua melhora é um verdadeiro milagre. E olha… você vai ter que ouvir esse cara aqui falando do Arthur sem parar.

Sara (fecha os olhos, emocionada): Eu quero ver ele...

Grissom (segurando sua mão):

E você vai, amor. Prometo que vai.

Fabrizio: Vamos dar um passo de cada vez. Mas... já vou providenciar que preparem você para ver seu filho assim que possível. E parabéns, Grissom. Pela força. Pela fé. Pela paciência.

Grissom apenas assente, os olhos marejados de novo. Saiu por um momento.

Fabrizio termina de anotar algo na prancheta e se aproxima novamente da cama.

Fabrizio (olhando sério para Sara):

Imagino que a mocinha acordou ainda querendo estar separada do seu marido... e com razão, considerando tudo o que aconteceu.

(Ele pausa, suspira e continua com um tom mais pessoal.)

Mas quero que saiba de uma coisa, e sem exageros: nesses anos todos como médico, raramente vi um homem tão dedicado quanto ele. Ele veio todos os dias, Sara. Às vezes duas vezes. Passava horas aqui. Falava com você mesmo sem resposta, contava tudo sobre o Arthur. Me perguntava quase todo dia se já podia trazer o bebê para você conhecer... Esse homem te ama. E ama muito. Pense nisso, mesmo que ainda doa.

Sara o encara em silêncio. Seu olhar não é frio — é triste, carregado de mágoas e contradições. Ela não responde. Apenas desvia os olhos para a janela, visivelmente emocionada. Fabrizio entende o recado e respeita o tempo dela. Coloca a prancheta sob o braço e se afasta.

Fabrizio (mais leve, ao sair):

Vou preparar tudo para que veja o seu filhinho em breve. E só entre nós… ele tem seu olhar, viu?

Logo o marido ou ex para ela, entrou.

GG: Oiii querida!! Eu estou muito feliz em te ver acordada. Eu avisei a equipe que você acordou e...

A conversa foi interrompida pela chegada da animada equipe que já estavam vindo para o hospital na hora em que ele ligou. Grissom avisou que iria aproveitar para buscar o filho.

GS: Sara não estou dando mole pra ele, mas tenho que dar o braço a torcer na questão do quanto ele te ama. No dia do parto, na hora que você entrou em coma ele ficou desesperado, foi uma luta para acalma-lo.

CW: Verdade, parecia um garoto assustado.

SS: Queria muito saber por que todos resolveram vir dar depoimentos em favor dele?

NS: Porque queremos ver vocês felizes!

JB: Aproveitando, você é oficialmente a senhora Grissom para todos no laboratório.

SS: Ele contou para o Ecklei?

WB: Ele queria se dedicar a você e ao Arthur, não queria mais segredos. O Xerife disse que vai te manter na equipe, claro que se reportando a Cath.

CW: Sou sua chefe agora!! Tenho que te dizer que Diana está por aqui fazendo pré natal, mas Grissom tem ido nas consultas como se fosse pra uma tortura.

SS: Eu falei que o bebê não tem culpa e querida chefe não serei a senhora Grissom por muito tempo pois vou pedir o divorcio.

GS: Sarinha ele acredita não ser o pai do bebê. Ele e Horatio lembraram que ela estava andando com o ex na mesma semana.

CW: Pense bem antes de tomar qualquer decisão.

Conversaram mais um pouco e aos poucos eles foram se despedindo.

O quarto está mais iluminado, há flores novas na mesinha lateral, provavelmente trazidas por Catherine. Uma enfermeira entra primeiro, checando se está tudo certo para a visita especial.)

Enfermeira (sorrindo): Pronta pra receber alguém muito ansioso pra te conhecer?

Sara, ainda pálida, respira fundo. Não responde, apenas assente com um aceno leve de cabeça. Seus olhos já brilham.

A porta se abre devagar. Grissom entra, com o pequeno Arthur cuidadosamente embalado nos braços. O bebê dorme, bochechas coradas, touquinha azul clara e uma manta delicada cobrindo-o. O pai está visivelmente nervoso e emocionado.

Grissom (baixinho): Olha quem veio conhecer a mamãe dele...

Sara prende a respiração. Seu olhar se fixa no bebê como se o mundo inteiro desaparecesse ao redor. A enfermeira posiciona melhor a cama para deixá-la quase sentada.

Grissom se aproxima devagar, sem forçar nada. Observa a expressão dela com respeito e afeto.

Grissom: Ele tá calminho... talvez sinta que está com você.

Sara estende os braços trêmulos. Grissom a ajuda a segurar o bebê, com todo o cuidado do mundo. O pequeno Arthur se acomoda em seus braços finalmente estando em seu lugar. Os olhos de Sara se enchem de lágrimas.

Sara (sussurrando): Oi, meu amor... mamãe tá aqui...

Ela beija delicadamente a testa dele. Uma lágrima escorre pelo seu rosto e cai sobre a manta do bebê. Ela não tenta esconder. Arthur se mexe um pouco e faz um som suave, quase um suspiro. Grissom segura o choro ao lado.

Sara (olhando para o bebê): Você é tão... perfeito. Tão... meu.

Ela passa o dedo bem devagar pelo nariz do bebê.

Sara: Tem o nariz do pai. Mas os cílios... são meus.

Silêncio. Só o som do monitor cardíaco e da respiração suave de Arthur. Por um instante, Grissom pensa em dizer algo, mas prefere apenas observar aquele momento único. Sara olha de relance para ele, depois volta os olhos para o filho.

Sara (sem olhá-lo):

Obrigada... por me deixar viver isso.

Grissom (emocionado):

Não fiz nada. Foi você... e ele... que me ensinaram a lutar até o fim.

Sara ainda com Arthur nos braços, rindo, o rosto corado pela primeira vez desde que acordou. Grissom se aproxima, provocando-a com o olhar.

SS: O bumbum é seu!! Kkkkk

GG (com um sorrisinho malicioso):

Posso saber por que o bumbum dele é igual ao meu?

SS (arqueando uma sobrancelha, divertida):

Porque o do Arthur é ótimo pra apertar… assim como o seu.

Os dois riem. Grissom se rende ao momento e a beija com amor, saudade, intensidade. Sara corresponde, talvez até esquecendo por um instante de tudo o que os machucou. O bebê faz um barulhinho entre eles, e os dois ainda riem entre beijos.

...Até que uma voz corta o momento como uma lâmina.

Diana (da porta, firme e seca):

Desculpa… achei que já tinha acabado a visita.

Grissom congela. Sara também. O clima muda completamente.

GG (virando-se, com expressão surpresa e tensa):

Diana? O que você tá fazendo aqui?

Diana (cruzando os braços, fria):

Você não esta atendendo o telefone. Achei que devia trazer pessoalmente os resultados da ultrassonografia para podermos levar na consulta...

Ela para ao perceber que a perita está acordada. Seu olhar está fixo em Sara, avaliando-a de cima a baixo. Sara, por sua vez, está visivelmente incomodada, mas mantém o olhar firme.

Diana: Sara?? Você Acordou??

SS: Sim, acordei!!

DT: Grissom você está atrasado, podemos ir?

GG: O que você quer Diana?

DT: A consulta esqueceu?

GG: Eu não vou. Estou muito bem aqui...

DT: Grissom não me provoca...

SS: Grissom e Diana será que vocês poderiam discutir lá fora? Meu filho está dormindo!!

Diana encara Grissom mais uma vez, então sai, batendo a porta com força moderada.

Silêncio no quarto. Grissom ainda está de pé, visivelmente desconfortável. Sara continua olhando para o bebê, depois ergue os olhos para ele.

SS (baixa, mas firme): Vai lá… ela não parece do tipo que desiste fácil.

GG: Amor eu vou voltar rapidinho! ( ele a beijou novamente)

Diana caminha a passos firmes pelo corredor, os saltos ecoando. Sua expressão é uma mistura de raiva, orgulho ferido e algo que beira o descontrole. Quando vira um dos corredores laterais e vê que não tem ninguém por perto, ela para.)

Respira fundo, tentando manter a compostura… mas a raiva transborda. Ela joga a bolsa contra a parede com força.

Diana (sussurrando para si mesma, amarga):

Idiota…

Hipócrita…

Ela ri, mas é um riso seco, quase insano. Fica de costas para a parede, fecha os olhos e murmura entre dentes.

Diana: "É com ela que vou descarregar minhas energias." Você ainda vai implorar por mim, Grissom. Você vai se arrepender de ter me tratado como descartável.

Grissom levanta da cadeira, pega a ficha médica e caminha até a porta. Diana o observa com os braços cruzados, o olhar carregado de fúria e frustração.

GG (calmo, porém firme): Está tudo bem com o bebê, então não vejo por que continuar te acompanhando nas consultas.

DT (ofendida, elevando o tom): Você está dizendo que farei meu pré-natal sozinha?! Eu não fiz esse filho sozinha!

(Grissom para, gira o corpo devagar e encara Diana, agora com um olhar gélido e controlado.)

GG: Se contarmos que você se aproveitou de mim quando eu estava dopado... sim, você fez esse filho sozinha.

Diana empalidece, mas não desiste. Grissom abre a porta calmamente.

GG (com firmeza): Com licença. Minha esposa e meu filho me esperam.

Ele sai sem olhar para trás. A porta fecha. Diana permanece parada por um momento, em silêncio. O médico passa por ela, mas ela nem percebe.

Segundos depois, ela dá um tapa violento na bancada do consultório e começa a falar sozinha, rosnando de ódio.

DT (sussurrando, venenosa):

Você vai se arrepender disso, Grissom...

Você vai assumir esse filho...

Vai casar comigo. Por bem...

Ela olha para a própria barriga com uma expressão dura, depois encara seu reflexo no espelho da sala.

DT (fria, quase psicótica):

Ou por mal... E se for preciso, eu mesma faço os ajustes.

Alguns dias se passaram e Sara recebeu alta.

Sara entra pela porta com Arthur nos braços e Grissom ao lado, ajudando com as bolsas. Tudo parece calmo, até que...

TODOS (em coro):

SURPRESAAAAA!!

Sara se assusta por um segundo, depois começa a rir emocionada. A casa está enfeitada com balões em tons pastéis, uma faixa “Bem-vinda de volta, mamãe Sara!”, e a equipe toda do laboratório reunida. Beth aparece segurando uma bandeja com cupcakes personalizados.

SS (rindo e emocionada): Gente!! Vocês são demais!! Eu... eu tô tão feliz de voltar à vida, de verdade. E mais ainda por estar com meu filho nos braços.

Catherine se aproxima, analisando Sara com olhos de amiga e supervisora experiente.

CW (sorrindo): Você está ótima. Fiquei emocionada de ver.

SS: Ainda preciso fazer alguns exames de acompanhamento… mas sim, estou bem. Muito melhor do que imaginei que estaria depois de tudo.

Greg chega fazendo graça, segurando um presente mal embrulhado.

GS: Estamos com saudade de você, amiga! Não tem a menor graça trabalhar sem ouvir seus resmungos inteligentes e seus olhares cortantes!

SS (rindo): Ah, Greg... Eu também senti saudade. Mas por enquanto vou curtir essa licença ao máximo. Quero aproveitar cada segundo com meu filhote antes de voltar pro batente.

Nick e Warrick aparecem com pratos de docinhos e refrigerantes. Grissom observa tudo de longe, com Arthur no colo, sorrindo orgulhoso e emocionado. Sara, que fecha os olhos por um segundo, respirando fundo, absorvendo o amor ao redor. Ela abre os olhos e olha para Arthur, beijando sua testa.

SS (baixinho, para o filho):

Mamãe tá aqui. E vai proteger você de tudo. Sempre.

A recepção havia sido calorosa, mas agora o silêncio da casa trazia de volta as questões mal resolvidas. Após colocar Arthur no berço, Sara ajeita a coberta com carinho e deposita um beijo suave em sua testa. Grissom a observa com ternura e culpa misturados.

SS: Boa noite, meu amor. Dorme com os anjinhos.

(Ela se vira e começa a se preparar para ir ao banheiro.)

SS: Grissom, eu vou usar o banheiro rapidinho e já volto.

GG : Você vai dormir aqui?

SS (séria): Sim. Essa cama é ótima e eu fico perto do Arthur.

GG (tentando suavizar): Sara, não precisa... Eu comprei uma babá eletrônica. Se o Arthur acordar, nós vamos ouvir. Pode dormir no outro quarto com mais conforto...

SS (cortando): Grissom, eu não vou dormir no mesmo quarto que você. Esqueceu que estamos separados?

(Grissom se cala por um momento, depois se aproxima lentamente.)

GG: Sara, por favor... me perdoa. A gente está se dando bem, você me deixou ficar ao seu lado, confiar em mim de novo... Não desiste da gente.

SS (engolindo a dor): E a Diana? Ela sempre aparece. Em momentos felizes, em momentos íntimos... Ela faz questão de se exibir. De te lembrar — e de me lembrar — que existe na sua vida. Eu não vou viver com essa traição sendo esfregada na minha cara.

(Grissom suspira, passa a mão nos cabelos e senta-se na beirada da cama.)

GG: Desculpa, Sara. Eu sei que a situação é insuportável. Mas escuta, eu juro por tudo que há em mim... Eu só quero você. Diana não me interessa. Nem a criança...

(ele para, se corrige rapidamente)

Quer dizer, é horrível dizer isso, eu sei. Mas não sinto entusiasmo algum com essa gravidez. Não como senti com o Arthur. Nada se compara ao que temos... ao que vivemos.

SS (com olhar severo): Grissom... Ele é tão seu filho quanto o Arthur.

(Silêncio. Grissom olha para o chão e então fala, com hesitação.)

GG: Será mesmo? Será que ele é meu? O Horatio comentou... Ela estava com o ex durante aquele congresso. Eles estavam juntos várias vezes.

E se aquele bebê nem for meu?

(Sara se surpreende, franze a testa, mas se mantém firme.)

SS: Griss... Eu não estava lá. Então não posso opinar.

(pausa, firme)

Se me der licença, vou tomar um banho.

Ela entra no banheiro sem esperar resposta. Grissom observa a porta fechada e depois olha para o berço. Aproxima-se de Arthur e acaricia suavemente sua barriguinha enquanto sussurra.

GG (sussurrando): Pelo menos você, meu pequeno, é o pedaço mais puro de nós dois. Vou fazer de tudo para merecer estar com você... e com ela.

Sara estava no chuveiro, a água quente escorria por seu corpo, ajudando a relaxar a tensão, mas não a dor que persistia em seu peito. Do outro lado da porta, sentando-se no chão frio, Grissom encostava-se à parede, falando com o coração na boca, mesmo sem saber se ela o ouvia.

GG (voz baixa, carregada de arrependimento):

Eu já conhecia a Diana de vista... Eu e o Brass a vimos anos atrás em Chicago. A gente até apostou quem conseguiria sair com ela. Mas não rolou nada.

Quando a vi aqui, tudo voltou à memória... E sim, assumo que por um segundo a vontade de cumprir aquela aposta antiga surgiu.

Mas logo percebi que o meu momento já tinha passado.

Eu já tinha você, Sara... uma peça rara. A mulher que eu jamais imaginei amar tanto, confiar tanto... e decepcionar tanto.

(Ele respira fundo, a voz embargando.)

GG: Deixei a coisa rolar, não impus limites. Me acomodei. E agora? Agora estou aqui, implorando silenciosamente que você ainda consiga me olhar... Eu vou passar cada minuto da minha vida te pedindo perdão, Sara. Mas te aviso... eu não vou desistir. Não vou ficar longe. Eu amo você demais. Amo nosso filho. Bom descanso, eu estarei no quarto... se precisar.

Ele se levanta lentamente e sai do banheiro, deixando a porta entreaberta. Ao fundo, o som da água cessando. Sara havia escutado cada palavra. Sentia o coração apertado, dividido entre a mágoa e o amor que ainda carregava. Enrolada na toalha, vai até o quarto de Arthur. O pequeno dormia tranquilo. Ela o observa por longos segundos antes de se deitar ao lado do berço, como um escudo silencioso.

Grissom esta sentado na cama do quarto ao lado. Ele olha o celular por um instante, depois coloca-o de lado. Encara o teto escuro. A distância entre os dois parece doer mais do que qualquer ferida física. Em silêncio, ambos pensam um no outro — cada um em seu canto.

O dia começa com o som leve do choro de Arthur. Grissom se levanta rápido do quarto dele, ajeitando a camisa de qualquer jeito, e segue até o quarto do bebê. Ao abrir a porta, se surpreende ao encontrar Sara já com o pequeno no colo, ninando-o calmamente.

GG (sussurrando): Bom dia… eu achei que ele tinha te acordado.

SS (calma, sem olhá-lo): Ele estava agitado. Acho que teve cólica. Dei o peito, mas ainda está meio manhoso.

Grissom se aproxima devagar e toca levemente as costas do filho, ajudando no movimento de embalar. Um silêncio denso paira entre eles. Ele observa a forma como ela olha para Arthur, com doçura e proteção.

GG: Você parece mais forte hoje… e ainda mais linda.

SS: Grissom... Quer colocá-lo pra arrotar?

GG (com um leve sorriso): Claro…

Sara o entrega com cuidado, e observa Grissom colocar Arthur no ombro com jeitinho. O bebê logo solta um arrotinho sonoro que arranca um sorriso dos dois.

SS (quase sorrindo): Ele sempre solta uns barulhinhos engraçados com você.

GG: Puxou o humor da mãe… e o charme do pai.

Dessa vez, ela não contesta. Nem sorri abertamente. Mas seus olhos suavizam, e antes de sair do quarto, ela diz algo que fica martelando na cabeça dele.

SS: Você poderia me ajudar a dar o banho dele mais tarde... se quiser.

Grissom não responde de imediato. Apenas a observa sair devagar do quarto, enquanto seu coração parece querer saltar do peito. Era pouco... mas era o começo.

Grissom está em uma pausa rápida. Acabou de receber no celular uma foto enviada por Catherine: Sara e Arthur rindo juntos no parque. Ele sorri, visivelmente emocionado. Nesse momento, Diana aparece com uma sacola de papel e uma postura doce… demais.

DT (fingindo simpatia): Grissom! Ainda bem que te encontrei. Trouxe uns cookies… do lugar que você adora. Achei que precisava de um mimo depois de tantos plantões.

GG (sem entusiasmo): Obrigado, Diana… mas eu estou de saída.

Ele se levanta, pega a jaqueta e vai em direção à porta. Diana o segue, apressada.

DT (mais incisiva): Você tem um momento? Precisamos conversar sobre o pré-natal… e sobre nós.

GG (suspira): Diana… não existe um “nós”. Já conversamos sobre isso.

DT (com sorriso venenoso): Ah é? Pois saiba que estou pensando em alugar um apartamento e estou vendo coisas para montar o quartinho do bebê. Do jeitinho que você me descreveu uma vez… com tema de insetos. Achei que você gostaria de participar, já que é o pai.

(Grissom franze o cenho. Aquilo parecia um teatrinho.)

GG: A gente ainda vai fazer o teste de DNA, Diana. E mesmo que seja meu, você sabe que eu me responsabilizarei como pai. Mas não alimente esperanças sobre nós dois. Meu coração… já tem dona.

DT (tom mais frio): Ah, o amor eterno por Sara. Que bonito. Mas você tem certeza que ela vai querer mesmo você? Acha que ela vai te perdoar completamente? Porque... digamos que ela descubra detalhes que você omitiu sobre nossa noite juntos?

(Grissom a encara. A tensão entre eles cresce.)

GG (sério): Você está me ameaçando?

DT (com falsa inocência): De forma alguma. Só estou preocupada… com a sua família perfeita. Seria uma pena se mais verdades viessem à tona, não?

(Ela se afasta, deixando o supervisor inquieto. Na saída, joga por cima do ombro:)

DT: Pense com carinho. Às vezes... uma recaída é só questão de tempo.

O advogado de Grissom o chama um dia no escritório e entrega uns papéis para o supervisor assinar. Ele lê os documentos com o semblante fechado ao ver que era o pedido de divorcio. O nome de Sara impresso ali parece perfurar seu peito. Depois de alguns segundos em silêncio, ele empurra os papéis de volta.

GG (voz firme): Eu não vou assinar. Ela pode estar magoada, com razão, mas eu… eu ainda sou o marido dela e quero continuar sendo. Vou lutar por ela até o fim.

Sara termina de dar mamada ao Arthur. Está cansada, mas tranquila. Grissom aparece na porta com uma manta nas mãos.

GG (calmo): Esfriou um pouco... trouxe isso pra você.

(ele estende a manta e ela pega com um aceno de cabeça)

Meu advogado me avisou que você entrou com o pedido de divórcio.

SS (seca): Achei que seria o melhor para todos.

GG (com os olhos marejados): Talvez para você agora... Mas não para mim, nem para o Arthur. Você é a mulher da minha vida, Sara. E eu vou provar isso. Mesmo que você me odeie por enquanto.

Ela baixa os olhos. A firmeza dele mexe com ela, mas ela engole seco e se levanta.

SS: Grissom… eu não odeio você. Eu só não sei lidar com tudo isso. Você me traiu. Mesmo que tenha sido sob efeito de alguma droga, você… não me escolheu naquele momento.

Silêncio. Grissom apenas a observa, sem se defender. Ela sai do quarto com Arthur nos braços. Ao passar por ele, o olhar dela suaviza um pouco… como se algo dentro começasse a ceder.

Diana estaciona o carro e vê Sara saindo com Arthur no carrinho, indo caminhar pela rua. A perita está tranquila. Diana, amarga, desce do carro com a barriga à mostra e anda até ela com um sorriso forçado.

DT: Que lindo ver você por aqui, Sara. Deve ser difícil sair pra caminhar e voltar pra uma casa onde seu marido dorme… com outra mulher grávida.

SS (fria): Você pode estar grávida, Diana. Mas não está nos meus sapatos, então não tente entender o que eu passo.

DT (sorriso venenoso): Só espero que esteja emocionalmente estável para criar o Arthur. Já pensou se uma guarda compartilhada for necessária? Afinal... seu comportamento pode ser questionado.

Sara a encara, o sangue começa a ferver. Mas ela respira fundo e se afasta, empurrando o carrinho. Só responde de forma cortante e contida.

SS: Você é previsível, Diana. E muito mais desesperada do que parece.

Diana morde o lábio de raiva enquanto Sara se afasta. A guerra estava longe de acabar.

Com intuito de infernizar mais ainda a vida de Sara, Diana resolveu aparecer na casa da família Grissom alegando querer conhecer a avó do seu filho. Sara tomou um susto ao abrir a porta e dar de cara com a mulher.

GG: Quem é amor?? (o supervisor ficou em choque ao vê-la) O que você está fazendo aqui Diana?

DT: Vim conhecer a avó do meu neto!!

Sara deu passagem para ela, que passou afrontosa alisando a barriga de quase 03 meses. Grissom estava extremamente nervoso com a situação e Beth foi até a sala ao receber o aviso da morena que a visita era para ela. Diana se apresentou e o supervisor foi traduzindo os cumprimentos. Não demorou muito para perceberem que Sara estava saindo com Arthur.

GG: Sara, espera... aonde você vai?

SS: Vou dar uma volta enquanto vocês estão com visitas.

GG: Sara por favor fica, não faz isso!!

SS: Grissom eu disse que não vou afastar o Arthur de você e vou cumprir, mas pedir pra ficar aqui e sentar na mesma mesa que sua amante não dá, isso foi a gota d`água. Eu vou até a imobiliária ver um apartamento pra mim. Desculpa, mas não tenho estômago pra aturar as visitas dela, que pelo jeito se tornarão frequentes, então vou mudar daqui.

GG: Não, não Sara, faz isso não!! Eu não posso ficar longe de vocês.

SS: Você vai poder ver seu filho e...

Diana começou a chamá-lo alegando estar com fome. Ele a olhou furioso e quando retornou para Sara ela já estava na calçada entrando num táxi.

Grissom caminha até o portão, mas o táxi já dobrava a esquina. Ele ficou imóvel, com os ombros pesados, e os olhos marejados. Quando volta para dentro, bate a porta com força, fazendo Diana se assustar.

GG (raivoso): Você ficou louca? O que você quer, Diana?! Não basta tudo o que causou?

DT (fingindo inocência): Eu só vim conhecer a avó do meu filho, é natural, não é?

Beth (secamente): Natural? Você apareceu sem avisar, claramente pra provocar. Aqui vai um aviso meu: você pode ser mãe do meu neto, mas não será bem-vinda se o seu único objetivo for humilhar a minha nora.

DT (fria): Ex-nora. Ela mesma disse que vai se mudar.

(Beth encara Diana com olhos duros.)

Beth: Sara é a mãe do Arthur e minha filha de coração. Você pode carregar o que quiser na barriga, mas respeito não se carrega — se conquista. E você não tem nenhum por essa casa.

Sara saiu da imobiliária com uma visita marcada para o dia seguinte. Era um imóvel de apenas 01 quarto, mas já vinha mobiliado e era próximo da casa que morava com Grissom. Aproveitou que estava na rua para dar uma volta no shopping e lá encontrou Heather e Mark. Para surpresa do homem, dessa vez a conversa entre as duas foi muito boa, girando em torno dos bebês que já estavam com dois meses. Heather ouviu tudo sobre a mulher com qual Grissom se envolveu e então deu conselhos sobre a questão Diana.

HK: Sara eu te garanto que Grissom te ama muito. Creio que essa mulher fez tudo de caso pensado e acredito nele quando diz que o filho não é dele porque em relação a mim ele sempre teve essa certeza. Conheço esse tipo de mulher e acho melhor você ficar atenta porque ela pode fazer de tudo para ficar com ele. Não dê o braço a torcer, não se separe dele, lute por seu homem.

SS: Será que ela pode fazer mal ao meu filho?

HK: Não sei, mas não pagaria para ver. Ficaria atenta, mas ao lado do meu marido, ou seja, não largue Grissom porque é isso que ela quer.

Sara não falou nada, mas ficou pensando nas palavras da Dominatrix. A ideia de sair da casa de Grissom parecia uma boa para proteção de Arthur e a questão separação ficou martelando também.

No dia seguinte...

Sara está com Arthur no colo, cansada, olhos inchados. Fabrizio examina o bebê e depois se senta diante dela com expressão compreensiva.

Fabrizio: Você tem dormido?

SS: Quase nada. Minha cabeça não para. Fiquei com medo de não aguentar, mas eu... tô firme. Por ele.

Fabrizio: Quer um conselho como seu médico e como alguém que viu de perto o que o Grissom fez enquanto você estava em coma?

SS (encara-o com atenção): Fala...

Fabrizio: Não faça mudanças no calor da dor. Você pode sair da casa — mas não saia da vida dele sem ter certeza que seu coração está de acordo com isso.

Sara desvia o olhar, respira fundo, tentando conter as emoções. Arthur emite um som e ela o embala. Silenciosa. Mas os olhos dela... vacilam.

Já Diana saiu da casa de Grissom e foi encontrar uma pessoa. Ela se senta à mesa com um leve sorriso manipulador. O homem à sua frente segura um copo de uísque. Seus olhos são frios, estrategicamente calculistas.

DT: Fiquei sabendo da sua pequena obsessão. Sara é uma mulher interessante, mas difícil. Ela e Grissom formam um casal... sólido demais, não acha?

— Por enquanto. Tudo que é sólido pode ser rachado com a ferramenta certa. Você quer o Grissom... eu só quero ver a Sara longe dele. Se possível, comigo.

DT: Do jeito que lhe vi atuando no passado, digamos que... você tem talento pra criar rachaduras. Vamos apenas fazer com que eles nunca mais consigam confiar um no outro.

(sorrindo de lado) — Já tenho algumas ideias. Você tem acesso... eu tenho as estratégias.

DT: Perfeito. Mas lembre-se, se você quiser brincar com fogo, não me atrapalhe. Grissom será meu — e você pode fazer o que quiser com a Sara. Desde que ela esteja longe.

Eles brindam em silêncio.

Notas finais
Novas parcerias e momentos de recaídas.