Rivais
9 É hora do show -Parte final.
Notas iniciais
Anteriormente
– Eu tenho uma ideia de como nós podemos vencer.
– "Nós"? — riu com desdém — Esse time não é e nunca será seu. Se me der licença, tenho um jogo a vencer.
...
– Se você perder, nunca mais venha aqui, nunca mais pratique ou ao menos ouse pensar em futebol. E você também, Lucas, caso percam, você sairá do time.
– E se eu vencer?
– Se vencer eu desistirei do meu posto de treinador e não te incomodarei mais.
– E? Irá se desculpar? Comigo e com meus amigos?
Ele pareceu relutante, mas concordou:
– Eu me desculparei com todos, até farei com que o Leo peça desculpaa ao Beto.
– Ei! — gritou Leo. — Não direi nada a ninguém, principalmente para um Veadinho de quinta como ele.
– Não se preocupe, não há como uma mulher vencer um jogo de futebol.
–-------------------X----------------------
Ok. Agora era tudo ou nada.
Depois da pequena discussão entre mim, o treinador e o Lucas -e também depois de um acordo quase que injusto-, eu acabei entrando em campo vestida com a camisa número 2, uma meio-campista, e o Lucas agora estava com a camisa 10. Se bem que, desde o início ele já deveria estar com ela, já que, além de capitão, ele era o atacante principal.
Admito. Pelo menos talento ele tinha de sobra.
Entramos em campo assim que expliquei a estratégia àqueles arrogantes insensíveis, o que foi uma tarefa bem difícil, já que a maioria deles se recusava a me ouvir. Bom, pelo menos deu tempo de repassar minhas táticas de jogo para todos os 10.
– Ora ora. Desistiram de vencer e colocaram uma menininha agora, foi? -um deles, o capitão -dava para perceber pela fita em seu braço esquerdo- comentou.
– Vocês vão ver quem vai sair perdendo. -rebateu o nosso capitão.
O apito soou indicando o início da partida. Por sorte a bola estava em nossa posse, então assim que o primeiro chute foi dado eles recuaram a bola -dava para ver os olhares de contragosto que me lançavam, mas nada me impediria agora- para mim e eu logo estava correndo em direção ao gol adversário.
Foi fácil passar pela defesa, já que eu era pequena e ágil. Lembrem-me de agradecer ao Lucas depois, se não fosse por aquele maldito treinamento eu não estaria dando o melhor de mim em campo. O negócio é que: os únicos que me acompanharam foram Lucas, Matheus e Leo, então acabou sendo uma roca de passes meio conturbada, já que eu não conseguia confiar nos dois que não eram o capitão.
O primeiro passe para o Leo fora perdido, o que direcionou os olhares de reprovação dos jogadores para minha pessoa, mas em pouco tempo todos se deixaram levar e já conseguiam me acompanhar, o que proporcionou uma reviravolta e acabamos por marcar dois gols.
– Você está indo muito bem para uma primeira vez. -Matheus sorriu para mim e eu retribuí com um leve aceno com a cabeça.
– Isso não pode estar acontecendo! -um jogador do time adversário se aproximou de mim enquanto eu recuava cautelosamente.
– o que quer? -desviei de sua palma, que vinha em direção ao meu rosto.
Em poucos segundos Davi e Logan se posicionaram ao meu lado e o adversário recuou alguns passos para trás.
– Wow. Calma. -estendeu as mãos para o alto- Só queria bater um papo com a gracinha aqui. -olhou para mim- Estou vendo que não sou muito bem vindo, então já vou. -saiu sorrindo.
–Ele fez alguma coisa? -eles me encararam.
– Não. Obrigada pela preocupação. -sorri timidamente para eles.
(...)
Quinze minutos. Era esse o tempo que faltava para o término da partida. Eu podia ver que estávamos todos exaustos, de ambos os times, mas pelo menos não tínhamos sofrido mais nenhum gol.
Não vi nada. Quando dei por mim já estava rolando pelo gramado verde e molhado, meus óculos saíram voando com o impacto repentino.
– Desculpa aí, gracinha. -o mesmo garoto de mais cedo se agachou perto de mim.
Eu ia responder, mas o garoto foi levantado à força e jogado para longe.
– Maldito! O que pensa que está fazendo!? -ouvi o grito do nosso capitão. Ele provavelmente fora o responsável pela brusca retirada daquele ser repugnante de perto de mim.
– Tudo bem? -Davi estendeu sua mão para mim.
– Posso dizer -arfei- que já estive melhor, bem melhor. -forcei um sorriso e me pus em pé novamente, com a ajuda do mesmo.
– Vamos matar aquele idiota! -vociferou Matheus.
– Deixe para lá -suspirei- Façam o Lucas parar, por favor.
Eles me encararam, incrédulos e, ainda hesitantes, correram para impedir que o moreno matasse o garoto.
– Aqui. Seus óculos. -um garoto que eu não lembrava o nome os estendeu em minha direção- Se bem que está um pouco trincado.
– Obrigada... É... -tentei pesquisar seu nome na minha mente.
– Gustavo. -sorriu e me encarou, paralisando assim que seus olhos encontraram os meus.
– O que foi? -sentia meu rosto esquentar consideravelmente.
– Seus olhos... -apontou para mim, espantado.
– O que tem eles? -uma súbita preocupação me invadiu. O que será que ele diria?
– São verdes...
– Jura? -revirei os olhos e coloquei os óculos tortos no lugar.
– São lindos. Nunca tinha visto ninguém com olhos dessa tonalidade. -saiu correndo e me deixou aqui, desconcertada com o que acabara de acontecer.
– Se acalma porra! -minha atenção fora atraída para a gritaria em um canto do campo.
– Quer receber um cartão? Imbecil!! Não vai adiantar porra nenhuma matar esse otário!
A confusão estava grande. O juiz se aproximava, atraído por tamanho alvoroço.
– Eu estou bem. Vê? -corri e fiquei de frente para o Lucas.
Seus olhos continham aquele mesmo brilho dourado irado, demonstrando toda sua fúria. Sua expressão foi suavizando aos poucos até que ele conseguiu se acalmar.
Agora faltavam menos de cinco minutos para que tudo acabasse. Eu estava suando muito e quase não conseguia mais correr. Pelo menos o placar estava de 3 a 1 para os Titãs.
Assim que o juiz apitou com o fim da partida, fui novamente derrubada com um chute na canela. Comparado ao outro, esse fora bem mais prejudicial para mim.
Que merda querem comigo?
– Puta que pariu. Querem morrer ou o quê!? -um Lucas descontrolado passou correndo por mim e acertou um soco no garoto.
– Lucas! -gritei- Ai. Ai. Ai. -observei minha panturrilha vermelha e com uma enorme marca de chuteira e meu tornozelo inchando.
– Catarine! -a rosada veio correndo com o loiro em seu enlaço.
– Estou bem. -grunhi de dor quando ela apertou meu tornozelo.
– É claro que não está! -ela parecia desesperada.
– Vamos a um hospital. Não! Delegacia! -Beto começou a surtar.
– Se seu pai vier e te ver assim ele te mata! Tu' e todos nós!
Droga. Já tinha até esquecido a droga da reunião de pais. Mas sendo assim também não tinha como eu voltar para casa agora, nesse estado, ele descobriria de qualquer forma!
– Meus Deus! Preciso ficar apresentável. -falei.
– Lucas! Ei seu corno! Vem cá!
Matheus veio e me pegou no colo.
– Gyaa. Me põe no chão!
– Não até cuidarmos de você. -ignorou o fato de eu estar me esperneando em seus braços.
– LUCAS! -Valentina gritou- Ajuda aqui caralho!
O garoto pareceu voltar a si e veio correndo até nós.
– Vamos para a enfermaria. -tentou me tirar do colo de Matheus.
– Não! Você não pode ir comigo. -esbravejei e agora todos me encaravam.
– Por que não? -adquiriu uma pose séria.
– Você tem que resolver umas coisas antes disso. -dei de ombros.
–Tipo o quê? -falou entre dentes.
O puxei pela gola do uniforme e aproximei nossos rostos. Ele pareceu surpreso com o ato, mas nada comentou.
– Acabe com aquele treinador. Ah. e traga o Leo para mim, de preferência com uma coleira. -o soltei- Agora. -me virei para meu "transporte"- Me leve à enfermaria.
Todos suavizaram suas expressões e acabaram rindo.
– Ela vai ficar se achando agora... -Valentina balançava a cabeça de um lado para o outro.
– Deixa ela. Ela pode. -o loiro beijou minha testa.
– Vou assim que terminar. -o capitão esboçou um micro sorriso e saiu dali.
– Melhor não acostumar. -Matheus me ergueu mais um pouco antes de começar a andar.
– Para a enfermaria! -falei desanimadamente animada e todos os três riram da minha performance.
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