Rise of the Brave Tangled Frozen Dragons
9 Capítulo 8: Arendelle
Notas iniciais
Finalmente, reunido com Merida, Rapunzel e Hiccup, Jack chegou à sua última parada prevista, o reino de Arendelle. Era um pouco maior e mais movimentado que Corona, bem mais organizado que Berk e aparentemente mais próspero que Highland. A rainha dali deveria fazer um trabalho excelente, o que, apesar de ser bom para os cidadãos que ali viviam, em nada contribuía para o animo dos quatro, afinal, tratava-se da rainha e da princesa a viagem até ali. Definitivamente, não seria fácil convencer nenhuma das duas a deixar seu reino, por mais que Rapunzel fosse prima de ambas e Hiccup e Merida viessem de reinos que eram seus bons parceiros de negócios.
Andando pelas ruas, Jack percebeu, em choque, que as pessoas conseguiam vê-lo. Todas pareciam bastante habituadas à magia, o que obviamente tinha relação com o fato de que a rainha tinha poderes sobre o gelo e a neve, algo que encantava o espírito do inverno desde que ouvira sobre ela. E, se todos o viam, seria mais fácil de obter alguma conversa com a realeza de Arendelle no intuito de convencê-las a ajuda-los.
Os quatro pararam de frente para os imensos portões, agora abertos, do majestoso castelo. Rapunzel, durante a viagem até ali, lhes contara que há cerca de quatorze anos, os portões haviam sido fechados e abertos apenas quase um ano atrás, no dia da desastrosa coroação da rainha Elsa, que resultara em um inverno eterno, desfeito pela mesma ao finalmente obter o controle de seus poderes, e em a princesa ter seu coração congelado, algo também desfeito por um ato de verdadeiro amor por parte das irmãs. Hiccup, Merida, Jack e Rapunzel foram impedidos de prosseguir por dois guardas, postados de frente para a entrada do castelo e que os olhavam dura e desconfiadamente.
– Identifiquem-se. – Um deles ordenou com rigidez, segurando com força a lança em sua mão, claramente pronto para defender a morada de sua rainha e sua princesa com sua vida, se preciso.
– Princesa Rapunzel de Corona, princesa Merida de Highland, chefe Hiccup de Berk e Jackson Overland Frost, um amigo nosso. – Rapunzel apresentou a todos eles, deixando ambos os guardas perplexos com os nomes apresentados.
O guarda que falara anteriormente examinou a morena com os olhos atentos. Certamente, ela tinha uma semelhança inegável com sua rainha e sua princesa, de modo que não havia dúvidas sobre sua identidade. Ele olhou para seu companheiro, que parecia ter chegado à mesma conclusão que ele, e então se virou para os recém-chegados, assentindo e abrindo caminho para que passassem, embora mantivesse um olhar desconfiado sobre todos os quatro.
Rapunzel, Merida, Hiccup e Jack seguiram pelo pátio do castelo, observando com admiração a estrutura graciosa e também as duas fontes com água cristalina posicionadas no centro, uma de cada lado da porta central do palácio. Por fim, adentraram na construção real, percebendo que era ainda mais belo do que o que haviam visto no pátio. E, com certeza, bem mais movimentado. Empregados passavam de um lado para o outro, sem parecer nota-los e sem dar-lhes qualquer fração de sua atenção, todos muito ocupados para notar quatro estranhos que haviam acabado de entrar no castelo. Rapunzel, porém, parou um deles, segurando-o pelo ombro, reconhecendo-o como conselheiro da rainha, Kai, afinal o havia visto durante a coroação de Elsa, a qual ela havia comparecido em companhia de seu marido Eugene.
– Princesa Rapunzel? – Ele perguntou confuso, claramente sem esperar vê-la ali. Ela sorriu para ele, o que o levou a real percepção de que era realmente a prima de sua rainha e sua princesa que estava diante de si. – O que faz aqui, alteza? – Questionou educadamente, embora ainda surpreso pela presença dela ali.
– Vim ver Elsa e Anna. – Rapunzel respondeu com um sorriso quase eufórico, ansiosa para realmente falar com suas primas pela primeira vez, afinal não tivera exatamente uma chance de fazê-lo na coroação de Elsa, quando teve de ir embora antes do previsto por obra do inverno eterno.
– Pois bem. – Kai concordou sorrindo, olhando de esguelha para os acompanhantes da princesa de Corona, mas sem parecer muito preocupado, afinal confiava no julgamento da morena. – Acompanhem-me. – Pediu, começando a andar pelos corredores com os outros quatro em seu encalço.
Quanto mais andavam pelo castelo, mais percebiam o quanto toda sua organização, mesmo nos mínimos detalhes, era bela. Vários quadros tinham lugar nas paredes, todos com algum tipo de mensagem oculta, empregando vida àqueles corredores por vezes tão vazios. Havia algumas armaduras fazendo a decoração, aparecendo em intervalos regulares, todas muito bem polidas e em posição. O tapete no qual pisavam, a qual cobria quase todo o chão de madeira clara, era impecavelmente limpo apesar das dezenas de pessoas que caminhavam por ele todos os dias. Certamente, a governanta do castelo devia ficar muito orgulhosa de seu trabalho a cada dia.
Kai os liderou até um porta em particular, completamente de madeira, sem qualquer ornamento, diferente de uma que haviam visto durante sua caminhada, que era branca e enfeitada com flocos de neve azuis. Eram grandes e de mogno, imponentes até. De frente para elas, o conselheiro se virou para seus acompanhantes.
– Este é o escritório da rainha. – Ele apresentou formalmente. – A princesa Anna certamente estará aqui fazendo companhia à rainha Elsa. – Era quase palpável o tom de respeito que o homem usava para se referir às suas governantes. Certamente ambas as irmãs eram uma dádiva pela qual Arendelle era grata, como haviam percebido também pelos guardas no portão. – Como querem que eu os apresente? – Questionou, arqueando uma sobrancelha curiosa à espera de uma resposta.
– Diga apenas que elas têm convidados. – Merida respondeu antes que Rapunzel tivesse a chance de fazê-lo, atraindo a atenção do conselheiro para si.
Kai assentiu e novamente se virou para as belas portas de mogno, batendo educadamente algumas vezes, recebendo um “Entre” monótono e cansado vindo de dentro do cômodo. O homem adentrou no escritório e, depois de alguns curtos minutos, deixou o local, informando aos quatro recém-chegados ao reino que eles tinham a permissão da rainha e da princesa para entrar. Mais do que rapidamente, os quatro estavam dentro do cômodo, ansiosos para ver as pessoas pelas quais os cidadãos de Arendelle pareciam ter tanto respeito.
De início, viram duas garotas, não velhas o suficiente para serem tratadas com o respeito quase exagerado com o qual eram tratadas, como Rapunzel bem sabia. Uma delas, a princesa, estava sentada numa poltrona de cor cobre, inquieta enquanto despejava palavras sem qualquer pausa. Tinha cabelos ruivos presos em duas tranças que caiam por seus ombros. Tinha olhos azul-água animados, eufóricos até, e um rosto cheio de sardas. Usava um vestido aparentemente casual, verde-musgo de mangas dobradas até os cotovelos e um corpete preto por cima.
A segunda era diferente e ao mesmo tempo semelhante à ruiva. Seus rostos eram próximos a serem idênticos, embora o desta trouxesse mais graça e beleza, e a evidente falta de sardas, ou, ao menos, a falta de sardas visíveis de onde estavam. Seu cabelo loiro muito claro, platinado, estava penteado numa trança que estava presa ao redor de sua cabeça num penteado recatado e a franja caía repicada por sua testa, parecendo agregar uma aparência mais angelical á rainha de Arendelle e combinando perfeitamente com a coroa dourada em sua cabeça. Seus olhos azuis, mais escuros que os de sua irmã, como gelo, não davam atenção aos recém-chegados ou à princesa ruiva tagarela, mas sim a um papel colocado em sua mesa, a qual ela lia com interesse e concentração. Trajava um vestido azul escuro. A cor se estendia até o corpete, embora o pescoço e as mangas fossem em cor preta, e uma capa roxa caía por trás de si, espalhando-se pelo chão ao redor da cadeira em que ela sentava. Bastante semelhante ao vestido que usara na coroação, embora aquele fosse azul-escuro e o antigo fosse azul-esverdeado. Mesmo sem indícios aparentes, não havia dúvidas. Eles estavam de frente para a rainha de Arendelle, mais conhecida pelo mundo como a legendária Rainha da Neve.
– Elsa, Anna. – Rapunzel chamou a atenção de ambas, visto que elas ainda não pareciam ter notado sua entrada, por mais que Kai as houvesse avisado de recém-chegados aguardando para vê-las.
– Rapunzel? – Anna subitamente cessou seu fluxo contínuo de palavras e se levantou da poltrona, abrindo um sorriso de orelha a orelha ao receber uma confirmação silenciosa por parte da prima. Não perdeu tempo em correr para abraça-la. – Finalmente nos conhecemos. – Disse em meio ao abraço, que foi rapidamente retribuído pela princesa de Corona.
– Finalmente. – A morena concordou com um riso baixo, também contente por, depois de todos os anos sem jamais obter notícias das filhas da irmã de sua mãe, conhecer a rainha e a princesa de Arendelle, por mais que apenas a ruiva houvesse lhe dado alguma atenção, visto que Elsa continuava concentrada no que lia.
– Elsa, nossa prima Rapunzel está aqui. – Anna disse ao se soltar do abraço, embora mantivesse um braço enganchado com o da morena, como costumeiramente fazia com sua irmã enquanto ambas andavam pelo castelo.
Elsa meneou com a cabeça em concordância, mas parecia absorta demais no contrato de negócios que tinha à sua frente para dar sequer uma fração de sua atenção aos recém-chegados, por mais que um destes se tratasse de ninguém menos que sua prima, filha única da irmã de sua falecida mãe. Rapunzel pareceu surpresa com a atitude da loira. Hiccup a olhou de modo que parecia lhe entender, afinal ele também tinha obrigações em Berk, como seu chefe. Merida e Jack ficaram ultrajados com o comportamento da rainha, mas não manifestaram sua opinião a respeito.
– Não se incomodem. – Anna pediu, sem graça, ao desistir de ver qualquer sinal de que sua irmã iria cumprimentar sua prima e os amigos que vieram com ela. – Quando ela incorpora a rainha de Arendelle, nada além de contratos tem a atenção dela por mais de dois minutos. – Riu de sua própria piada sem graça, nervosa, recebendo gestos em concordância dos outros quatro. – Se puderem esperar um pouco, acho que este é o último contrato que ela tem que ler hoje. – Indicou as demais poltronas e cadeiras presentes na sala.
Merida e Rapunzel sentaram-se em um sofá de dois lugares de cor vermelha com toques dourados, observando a rainha enquanto ela trabalhava. Hiccup sentara-se numa cadeira próxima à mesa da loira, mantendo sua atenção no pouco que podia ver do contrato de negociações que ela lia, aparentemente com as Ilhas do Norte. Jack empoleirou-se em seu cajado, sem se importar em ser discreto, claramente entediado. Anna voltou para sua poltrona de cor cobre, um pouco nervosa com a indiferença de sua irmã para com os convidados.
Depois de poucos minutos, todos, por olharem fixamente para ela, notaram que Elsa começara a escrever algo sobre o papel que lia, obviamente assinando-o. Ao termina-lo, juntou a uma das duas pilhas gigantescas que apenas naquele momento Rapunzel, Hiccup, Merida e Jack notaram haver próximas à mesa da rainha, e se levantou de sua cadeira, erguendo o olhar pela primeira vez.
Só então todos notaram as manchas escuras sob os olhos azul-gelo da governante de Arendelle. Aqueles olhos certamente pertenciam a alguém que não dormia há dias, ou tivera poucas horas de sono em suas escassas oportunidades de descansar. Seus deveres como rainha devem tê-la afastado de qualquer tentativa de dormir, de modo que, subitamente, todos ali se sentiram compassivos com a loira. Ela, por fim, abafou um mínimo bocejo com a mão, fechando os olhos por alguns curtos segundos antes de abri-los novamente e, pela primeira vez, centrar sua atenção nas pessoas que, quando começara seu trabalho, não estavam ali.
– Lamento pela minha atitude, mas eu devia finalizar este contrato ainda hoje. – Ela abriu um sorriso tímido, juntando as mãos frente ao corpo enquanto sentava-se novamente em sua cadeira. Seus olhos azuis brilharam em curiosidade contida ao ver um castanho, uma ruiva, um albino e uma morena que ela não conhecia, embora rapidamente ligasse sua semelhança com Rapunzel às palavras que vagamente ouvira de Anna anteriormente, percebendo que se tratava de sua prima. – Rapunzel. – Cumprimentou cordialmente, inclinando ligeiramente a cabeça para frente em sinal de respeito antes de olhar para os demais que vieram com sua prima. – Acredito que não fomos apresentados. – Seu sorriso se alargou um pouco, desta vez com uma gentileza que qualquer um deles jamais pensara ter lugar na figura rígida de um governante, principalmente de um governante de um reino como aquele em que estavam. – Sou a rainha de Elsa de Arendelle. – Apresentou-se, embora tivesse consciência de que todos ali sabiam quem ela era. Aguardou pacientemente que os outros três que não reconhecia se apresentassem.
– Hiccup de Berk. – O castanho mais próximo a ela foi o primeiro a tomar a palavra, atraindo sua atenção. Ela assentiu com a cabeça em concordância, tão educada quanto uma pessoa poderia ser.
– Chefe dos vikings, estou correta? – Ela perguntou com um resquício de curiosidade presente em sua postura régia e recatada. Ele assentiu, surpreso por ela saber quem ele era na realidade. – Meu pai já me falou de alguns acordos comerciais feitos com seu pai, chefe Stoico. Aliás, minhas condolências. – Declarou pesarosa, afinal sabia por experiência própria o que significava perder um ente querido, principalmente um pai.
– Obrigado. – Hiccup agradeceu um pouco cabisbaixo pela memória de seu pai, mas contente que não fosse um completo estranho para a rainha e mais ainda por ela reconhecer seu luto, algo que a maioria dos estrangeiros não conseguia fazer.
– E vocês? – A atenção da loira se voltou para os dois que até então haviam permanecido incomumente quietos, a ruiva de cabelos esvoaçantes e o albino estranhamente empoleirado em um cajado de madeira. Devido à sua experiência com magia, não ficou surpresa com a visão ou sequer o encheu de perguntas. Obteria suas respostas no tempo certo e ela sabia ser uma pessoa bastante paciente.
– Merida de Highland. – A ruiva respondeu de imediato, pouco a vontade para se apresentar usando algum título real, por mais que quem estava à sua frente se tratasse de ninguém menos que uma rainha.
– Merida, Merida, Merida... – Elsa repetiu algumas vezes de cenho franzido, obviamente na tentativa de associar o nome a alguma memória em sua mente. Alguns poucos segundos depois, seu rosto se iluminou e ela abriu um pequeno sorriso para a garota. – Princesa de Highland, filha da rainha Elinor e do rei Fergus? – Perguntou, recebendo uma afirmativa surpresa e silenciosa da ruiva. – Arendelle e Highland são bons parceiros de negócios, mas não deve ser uma notícia recente para a princesa, eu suponho. – Disse de bom humor, recebendo um gesto em concordância de Merida, por mais que, internamente, a ruiva soubesse bem que não sabia de nada relativo à Arendelle, uma vez que os estudos reais não eram suas atividades preferidas.
– Pelo Homem da Lua, essa rainha conhece todo mundo. – Jack murmurou para Rapunzel, tendo se movido pelo cômodo até estar atrás do sofá onde a morena estava sentada e se aproximado o suficiente para que apenas ela pudesse ouvir. A princesa de Corona soltou uma baixa risada, mas não fez nada a respeito.
– E eu acredito que ainda não fomos apresentados. – Elsa se virou para o espírito do inverno, examinando-o com os olhos azuis gentis, porém atentos. De alguma forma, ele lhe parecia bastante familiar, embora ela tivesse total certeza de que jamais o havia visto em seus quase vinte e dois anos.
– Jack Frost. – Ele respondeu com um sorriso facilmente considerado descarado, ansioso para saber se a rainha com poderes sobre o inverno conheceria a lenda do espírito do inverno.
Elsa pareceu pensar por um período de tempo relativamente grande, durante o qual o silêncio perdurou e apenas o som das respirações das pessoas presentes no cômodo eram ouvidas. No entanto, não fora a rainha a quebrar a falta de ruído no escritório, mas a princesa até então silenciosa.
– Elsa, você não lembra? – Anna se levantou abruptamente se seu lugar, atraindo a atenção de todos os presentes, e caminhando rapidamente até onde estava sua irmã, entusiasmada. – Mamãe costumava ler sobre ele para nós dormirmos antes de... – Ela pareceu pensar por um segundo antes de continuar. – Bem, você sabe. – Disse sem graça, percebendo que uma onde de dor e culpa se instalara nos olhos azuis de Elsa à menção dos treze anos que passara isolada em seu quarto. Na tentativa de distraí-la, a princesa logo tratou de prosseguir. – Você o adorava por ele ter os mesmos poderes que você e eu o adorava por causa dos dias de neve que ele trazia, as guerras de bolas de neve e os bonecos. – Ela parecia eufórica a qualquer menção de algo relacionado à neve. Certamente a garota de dezoito anos adorava o inverno. – Ela lia sobre ele todas as noites, sobre como ele se tornou um guardião, sobre como derrotou o bicho-papão, e, aliás, eu odeio aquele Breu. Não é possível que alguém fique tão feliz em destruir a felicidade dos outros e se eu o visse eu iria fazer com que ele se arrependesse de levar pesadelos às crianças, afinal isso não é uma coisa muito bonita para se fazer, especialmente com seres tão inocentes quanto... – Claramente ela continuaria a falar se não fosse interrompida por sua irmã, que abafava risos com as mãos.
– Anna, você está divagando. – A rainha declarou em meio a risos educados e contidos, olhando rapidamente em volta apenas para ver Rapunzel e Hiccup realizando exatamente as mesmas ações que ela enquanto Merida e Jack não faziam qualquer esforço para disfarçar suas sonoras gargalhadas. – Novamente. – Citou de brincadeira, bem humorada como geralmente estava desde descongelar o reino.
– Ah, desculpe. – A princesa se desculpou, corando envergonhada até que seu rosto se tornasse da cor dos cabelos da princesa de Highland, que continuava a rir com vontade. – Eu devia... – Não havia necessidade de terminar a frase, de modo que ela se calou e tomou seu assento novamente na poltrona cobre.
Com sua irmã mais uma vez silenciosa, Elsa voltou sua atenção para Jack Frost, como ele havia se apresentado. Anna, porém, tivera razão. A antiga rainha, mãe da loira e da ruiva, realmente lia histórias sobre o espírito do inverno no intuito de fazer com que sua primogênita não se sentisse tão sozinha e deslocada no mundo, com o objetivo de apresentar-lhe alguém que compartilhava de suas características mais especiais e únicas.
– Espírito do inverno? – Ela repetiu o termo usualmente utilizado para descrever o albino à sua frente, recebendo um aceno com a cabeça indicando concordância por parte dele. – Eu não deveria me surpreender. – Recostou-se ao encosto de sua cadeira, levantando a mão e olhando distraidamente a palma, lembrando-se dos poderes gélidos que poderiam facilmente se apresentar a partir dali. – Mas, finalmente, o que os traz aqui? – Olhou para os quatro enquanto continuava sua pequena observação.
– Rainha Elsa... – Hiccup se levantou e começou a falar, mas foi interrompido pela loira antes que pudesse prosseguir.
– Eu gostaria que dispensássemos títulos. – Ela disse com um sorriso gentil, abaixando sua mão e inclinando-se para frente, apoiando os cotovelos em sua mesa e entrelaçando os dedos frente ao rosto, dando-a um ar mais sério. – Apenas Elsa. – Finalizou.
– Elsa... – Hiccup repetiu um pouco constrangido, mas logo respirou fundo e continuou o que pretendia falar antes de ser interrompido. – Precisamos da sua ajuda. – Falou por fim, um pouco nervoso para saber qual seria a resposta da rainha e da princesa ao que teriam de lhes contar.
Elsa arqueou uma sobrancelha e trocou um olhar rápido com Anna antes de observar com atenção seus convidados recém-chegados. Um viking, duas princesas e um guardião, certamente uma combinação curiosa. De olhos semicerrados e assumindo novamente a postura da rainha de Arendelle, ela finalmente tomou a palavra:
– Por favor, sintam-se à vontade para explicar. – Seu sorriso gentil que parecia combinar tão bem com ela não sumira, mas Hiccup, Merida, Rapunzel e Jack se entreolharam nervosamente. Aquilo não poderia ser tão fácil quanto estava parecendo, e eles sabiam disso.
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