Rise of the Brave Tangled Frozen Dragons
8 Capítulo 7: Magic Golden Flower
Notas iniciais
Rapunzel guiou Hiccup e Merida pelos corredores do castelo até chegarem ao escritório do rei, que se encontrava vazio àquela hora. A única luz no cômodo provinha da luz da lua brilhante que entrava pela janela. A princesa de Corona logo acendeu os candelabros que havia ali, permitindo mais luz à sala e, por fim, se virou para o chefe de Berk e a princesa de Highland, aguardando explicações.
– Então? – A morena deu a deixa para que os outros dois começassem a falar. Eles deveriam ter um excelente motivo para acordá-la no meio da noite, no entanto, ela não conseguia pensar em qualquer resposta para isso.
– Devido às circunstâncias, seria melhor que permanecesse sentada. – Hiccup aconselhou, recebendo um olhar desconfiado de Rapunzel em resposta. Porém, a princesa de Corona atendeu a seu pedido e se sentou na poltrona mais próxima, fitando o castanho e a ruiva com uma sobrancelha arqueada, esperando explicações. – Como começar? – O chefe de Berk se perguntou em voz alta, nervoso sobre como abordar o assunto, principalmente por ter acordado uma pessoa em pleno sono para fazê-lo.
O castanho foi salvo de seu nervosismo quando a janela do escritório se abriu repentinamente com ventos fortes, por onde Jack entrou com rapidez. No entanto, antes que tivesse a chance de pôr seus pés no chão, o albino foi acertado na cabeça por algo duro, que o levou a cair de joelhos segurando o local onde fora atingido com uma expressão de dor no rosto.
Os olhos de Merida e Hiccup se voltaram para Rapunzel, que agora estava empoleirada e encolhida em sua poltrona com uma frigideira em mãos. Eles realmente não haviam notado que a princesa saíra com ela de seu quarto e a carregara até ali, embora ela o houvesse feito sem qualquer tentativa de esconder o gesto. E, com aquilo, a princesa de Highland e o chefe de Berk estavam começando a se perguntar qual seria a relação entre o reino de Corona e as frigideiras, uma vez que avistaram guardas empunhando algumas pela manhã.
– Ei! – Jack resmungou ainda no chão enquanto uma careta de dor se instalou em seu rosto. A morena realmente o havia acertado com uma força que o albino não esperava que ela tivesse. – Por que fez isso?! – Ele ainda estava atordoado demais para se lembrar de manter o tom de voz baixo, mas, com sorte, ninguém no castelo adormecido haveria lhe ouvido, principalmente por aquele escritório ser bastante distante de onde ficavam a maioria dos quartos.
– Você... Você... Você estava voando! – Rapunzel exclamou com a voz trêmula, apontando sua frigideira para o albino, que se encolheu em seu lugar ao enfrentar a perspectiva de um novo golpe em sua cabeça já dolorida. Embora sem baixar a guarda para o espírito do inverno, a princesa de Corona voltou sua atenção para Merida, que se segurava para não rir, e Hiccup, que ainda aparentava estar incrédulo pelo que acabara de presenciar. – Vocês, sem dúvidas, me devem algumas explicações. – Ela declarou ainda abalada pelo que vira e fizera. Certamente, ela tinha experiência com magia, mas não tanta ao ponto de julgar ao como o que presenciara normal.
– E, se você puder se acalmar e largar essa frigideira, nós iremos dá-las. – Hiccup assegurou, erguendo as mãos em sinal de rendição, sinalizando que não faria qualquer atitude repentina que a morena pudesse julgar como perigosa ou agressiva.
Rapunzel alternou olhares entre o castanho, a ruiva e o albino, decidindo se deveria ou não lhes conceder o benefício da dúvida. Por fim, ela se sentou em sua poltrona, embora ainda em posição rígida, e largou a frigideira em seu colo, onde ela poderia pegá-la a qualquer sinal de perigo que qualquer um daqueles três pudesse representar.
– Para começar, acho que deveríamos reapresentar nosso amigo. – Hiccup gesticulou para Jack, que ainda segurava sua cabeça machucada, mas já havia se levantado e seguido para onde os companheiros estavam de pé. – Este é Jack Frost. – Introduziu-o pelo nome que o albino vinha usando desde que se tornara espírito, o nome pelo qual ele era mais conhecido.
– Jack Frost? – Rapunzel repetiu surpresa e confusa. Lembrava-se de, em um livro qualquer que encontrara na biblioteca depois de seu retorno a Corona, ter encontrado histórias sobre espíritos, incluindo o espírito do inverno e guardião da diversão e como ele e outras figuras lendárias derrotaram o bicho-papão. Na época, ela tivera dificuldades em acreditar, por mais que soubesse da existência de magia, mas naquele momento, tendo visto o albino aparecer voando, começava a ter suas dúvidas sobre a história que lera ser apenas mais um conto.
– Sim, e, bom, nós três estamos aqui em Corona porque precisamos da sua ajuda. – Hiccup concordou e acertou Jack nas costelas levemente com o cotovelo para lhe chamar a atenção, estendendo a mão para o albino quando este lhe dirigiu o olhar. Levou alguns segundos para o guardião da diversão entender o que ele queria, mas, finalmente, ele lhe estendeu o pergaminho que continha a profecia do Homem da Lua e, por sua vez, o chefe de Berk o entregou a Rapunzel.
A morena leu o conteúdo do pergaminho completamente em silêncio, mas foi possível ver a forma como seus olhos se arregalaram em surpresa com as palavras escritas diante de seus olhos. Ao terminar, ela o devolveu ao treinador de dragões, que entregou a Jack para que o albino pudesse guarda-lo mais uma vez.
– O que isso quer dizer? – A princesa de Corona quis saber, ainda atordoada por sua leitura mais recente. Eram palavras confusas, mas ela reconhecera características dela e de seu reino em um dos parágrafos, bem como uma referência oculta a Gothel. Eles haviam conhecido sua história naquele mesmo dia, não era possível que qualquer um dos três houvesse fabricado aquilo, o que a levava a pensar que não era forjado. Mas, então, qual seria a explicação para aquelas palavras?
Hiccup, Merida e Jack se entreolharam, mas começaram a contar o que sabiam daquela história, desde a primeira vez em que Breu fora derrotado até o momento em que chegaram a Corona. Cada um deles adicionou seus próprios detalhes, algo que apenas eles tinham conhecimento ou sabiam melhor sobre, complementando os contos uns dos outros. Foram pouquíssimas as vezes que Rapunzel os interrompera e ela parecia estar dando uma atenção genuína ao que eles diziam.
– Então, se eu entendi bem, vocês precisam da minha ajuda para derrotar um Rei dos Pesadelos. – Ela falou sem qualquer julgamento, mas acabou soando desconfiada até para si mesma, por mais que ela ponderasse sobre o quanto daquela história poderia ser verdade. Magia existia, ela sabia disso, então por que uma situação como a que lhe fora relatada não seria possível? Ela realmente já acreditava naqueles três, mas precisava de uma garantia de que não era mentira o que eles disseram.
– Eu sei que soa absurdo... – Merida começou a falar, afinal ela, por experiência própria, sabia o quanto aquela situação poderia ser fantasiosa, mas foi interrompida pela princesa de Corona antes de ter a chance de terminar sua frase.
– Não, não soa absurdo. – Rapunzel negou, notando que os outros arquearam a sobrancelha em resposta, confusos. Certamente, não era isso que eles esperavam que ela dissesse. – Acredite em mim, já vi várias coisas estranhas na vida, a começar por meu cabelo, e, apesar de isso tudo me surpreender, eu não me sinto no direito de duvidar de vocês depois de tudo o que eu passei por causa de magia. – Suspirou, lembrando-se de seus tempos na torre com Gothel, sobre seu cabelo mágico e sobre como suas lágrimas ainda tinham poderes de cura. Ela realmente não estava na posição de alguém que poderia simplesmente negar o que acabara de lhe ser dito. – Mas isso é verdade mesmo? – Ela sentia que devia perguntar, apesar de não duvidar das palavras do espírito do inverno, do chefe de Berk e da princesa de Highland.
– É! – Jack, Merida e Hiccup acabaram dizendo ao mesmo tempo, passando tanta sinceridade quanto eram capazes de expressar, principalmente porque tudo o que haviam contado à morena era verdade.
Por um momento, aquela cena lembrou a Rapunzel quando Eugene a encontrou naquela torre no meio da floresta. Depois que ele lhe contara que não sabia que havia alguém vivendo ali e que estava apenas fugindo, afinal na época ela pensava que ele viera ali por causa de seu cabelo mágico, ela fez a ele exatamente a pergunta que havia feito ao castanho, o albino e a ruiva. “Isso é verdade mesmo?” E obterá exatamente a mesma resposta que aqueles três haviam acabado de lhe dar. “É!” Não, ela não conseguia duvidar daquelas três pessoas em frente a ela. Talvez isso se devesse à sua natureza um pouco ingênua demais até para ela, mas a morena simplesmente confiava em Hiccup, Jack e Merida. Por fim, ela sorriu para os três.
– Então, pelo que eu li, o próximo lugar para onde vocês têm que ir é Arendelle, para encontrar minhas primas. – Ela falou com animação presente em seu tom de voz. Depois de tanto tempo, ela sairia em uma aventura. E não apenas isso, ela iria finalmente conhecer suas primas, pois não tivera exatamente uma chance de fazê-lo na desastrosa coroação de Elsa para a qual ela e o marido haviam comparecido. – Ficarei realmente feliz em visitar Elsa e Anna. – Disse por fim, alargando um pouco mais o sorriso com a perspectiva de conhecer mais pessoas de sua família.
– Espere, você realmente vai nos ajudar? – Jack perguntou descrente e surpreso. Havia sido mais fácil do que ele pensara, mas a julgar pela personalidade aparentemente inocente e ingênua da princesa de Corona, ele sabia que não deveria se surpreender tanto. O albino estava realmente começando a ter esperanças de que aquilo iria funcionar. Faltavam apenas mais duas pessoas para serem encontradas antes de poderem voltar para a fábrica de brinquedos e se preparar para a luta contra Breu, sendo que eles já sabiam onde essas pessoas estavam e quem eram. No final das contas, parecia que ele iria conseguir realizar a missão que lhe fora dada.
– É claro. – Rapunzel respondeu com um sorriso animado ao se levantar de sua poltrona, segurando em sua mão direita a frigideira com a qual acertara Jack assim que o albino aparecera subitamente ali. – Quando partimos? – Quis saber, já fazendo seus próprios planos mentais para se esgueirar do castelo sem o conhecimento de seus pais. Desde que ela retornara ao castelo depois de dezoito anos, eles não eram realmente empolgados com a ideia de deixa-la longe de Corona, principalmente por um período de tempo grande. Já lhe fora muito custo convencê-los a deixa-la ir a Arendelle para a coroação de Elsa, de modo que ela não poderia arriscar que eles sequer sonhassem sobre o que ela planejava fazer. Ela iria fugir? Sim, mas não era a primeira vez que ela fazia isso.
– Acho que seria melhor pela manhã. – Hiccup falou um pouco nervoso, lembrando-se da relutância de Merida acerca de Toothless e como o dragão não poderia levar três pessoas para Arendelle, principalmente por o castanho não fazer a mínima ideia de qual seria a distância entre Corona e o reino de origem da Rainha da Neve. – Sabe se há algum modo de irmos para lá? Algum navio? – Questionou com insegurança. Eles precisavam sair dali rapidamente e, como uma viagem de barco era demorada, quanto antes partissem seria melhor.
– Há um navio que partirá para Arendelle amanhã pela manhã. – Rapunzel disse, recordando-se vagamente sobre as aulas que recebera acerca do comercio marítimo mantido entre o reino do sol e o reino do inverno. Não seria exatamente como a embarcação que a transportara para a coroação de Elsa, mas deveria ser o suficiente para leva-los até seu objetivo. – Me encontrem no porto bem cedo para que possamos partir. – Ela pediu e começou a caminhar em direção às portas do escritório. Abriu-as, porém, antes de sair, virou-se para seus mais novos companheiros com um sorriso. – Boa noite. – Disse antes de deixar o local, fechando a porta ao passar, provavelmente retornado ao seus aposentos.
– É, eu acho que dormir é algo que todos nós precisamos. – Hiccup disse em meio a um bocejo. A ideia de ter uma reunião tão tarde da noite fora dele, mas o castanho não podia negar o quanto estava cansado, principalmente por conta das viagens constantes que vinha fazendo desde que Jack o encontrara em Berk. Tudo o que o treinador de dragões desejava naquele momento era uma boa noite de sono. – Jack, a rainha pediu um quarto para você. – Gesticulou para as portas do cômodo onde ainda se encontravam.
O albino assentiu com a cabeça e, sonolento, não conseguiu evitar um bocejo. Por fim, os três seguiram de volta para os quartos que lhe foram designadas pela rainha Primrose de Corona, sendo os aposentos um ao lado do outro. Merida e Hiccup retornaram aos seus, apontando para Jack qual era o que havia sido destinado para ele. O albino rapidamente entrou no cômodo e, sem se incomodar em trocar de roupa, deitou-se na enorme cama de casal que preenchia grande parte do espaço do quarto.
Ele já havia conseguido encontrar três dos escolhidos pelo Homem da Lua. Ainda faltavam duas, é claro, ele se lembrava bem disso. Já haviam se passado cinco dias desde que deixara a oficina. Ele ainda tinha nove para encontrar as outras duas novas guardiãs, sendo que já sabia quem era. Seus pensamentos se voltaram para a misteriosa rainha que tinha os mesmos poderes que ele. Ao que parecia, ela era poderosa o bastante para convocar um rigoroso inverno em pleno verão. Suas habilidades deveriam ser magníficas. Mas, ele sabia, ela era uma rainha e não podia simplesmente abandonar seu povo e suas obrigações. Talvez aquela fosse a maior dificuldade em sua viagem, afinal Rapunzel e Hiccup não haviam sido problemas e, com Merida, ele recebera uma pequena ajuda bastante útil dos Whisps de Highland.
Mas, finalmente, eles iriam partir para Arendelle na manhã seguinte. Faltava pouco para que os guardiões obtivessem força suficiente para derrotar Breu de uma vez por todas. Porém, isso levantou novamente aquela velha questão na mente no espírito do inverno. Como o bicho-papão conseguira se reerguer depois de sua última derrota? Ele teria um novo poder? Um novo aliado? Mas quem iria ajudar alguém como o Rei dos Pesadelos? Estas eram perguntas ainda sem resposta. Talvez ele chegasse a obter algumas durante sua jornada, que só podia esperar que não durasse muito. Ele estava ansioso para rever seus amigos guardiões. North, Fada, Sandman e até mesmo Coelhão faziam falta. Com sorte, ele teria mais alguma companhia quando retornasse à fábrica e, ao que parecia, companhia eterna. Os novos guardiões eram humanos, mas, ainda assim guardiões. Provavelmente, quando morressem, se converteriam em espíritos, assim como o albino, e protegeriam as crianças para sempre. Poderia parecer um fardo pesado, proteger todas as crianças do mundo, mas valia à pena. E isso levava Jack Frost de volta à sua questão inicial. O que justamente aquelas cinco pessoas que ele iria reunir tinham de tão especial? Não conseguiu encontrar qualquer resposta antes de sua consciência ser nublada pelo sono.
...
Na manhã seguinte, Hiccup, Jack e Merida estavam esperando no porto de Corona tal qual Rapunzel lhes havia pedido. O navio com o qual haviam vindo de Highland já havia partido de volta para o porto que ficava no território do clã Dunbroch, de modo que retornar ao reino natal da princesa ruiva estava completamente fora de questão. Porém, para seu alívio, descobriram que um dos navios ali ancorados estava prestes a partir em direção a Arendelle. Hiccup avisara que, mesmo se Merida não protestasse contra, Toothless seria incapaz de carregar três pessoas, de modo que a embarcação era a única opção que lhes restara. O Fúria da Noite, que ficara escondido na floresta ao redor do reino, novamente voaria acima das nuvens para evitar ser visto e acompanharia o navio até seu destino.
Não demorara muito para que a princesa de Corona aparecesse ali, não mais usando sua coroa e com um vestido mais simples, de cor lilás, que ia apenas até seus tornozelos. Seu cabelo castanho curto e repicado era o único detalhe em sua aparência que permanecia intocado. Ela olhava para todos os lados, parecendo preocupada em ver alguém ali.
– Vamos logo, não temos tempo. – Ela avisou, guiando-os rapidamente em direção ao navio que os levaria para Arendelle, embora percebesse a confusão deles para com sua pressa repentina.
– Por que a pressa? – Jack perguntou confuso, mas não fazia qualquer menção de impedir a morena de leva-lo até o navio para onde precisava ir. Apenas não entendia o porquê da preocupação dela. Ela era a princesa, afinal de contas.
– Eu fui sequestrada quando eu era um bebê e meus pais passaram dezoito anos procurando por mim, então não é como se eles fossem simplesmente me deixar partir numa aventura com estranhos. – Rapunzel deu de ombros, continuando a puxar os três novos amigos em direção à embarcação.
Merida, Hiccup e Jack se entreolharam, finalmente percebendo o que acontecia ali. A princesa de Corona estava saindo sem o conhecimento de seus pais, ela estava fugindo. Eles, porém, não tinham realmente tempo para contestar as ações da morena, de modo que apenas apressaram o passo e embarcaram no navio. O capitão os designou uma cabine assim que notou a presença da princesa de seu reino e os quatro seguiram para lá, encontrando um espaço realmente amplo com dois beliches, onde eles poderiam dormir durante suas noites na embarcação.
– São quantos dias de Corona a Arendelle? – Jack quis saber, inquieto pela possibilidade de perder muito tempo apenas na viagem. Ele ainda tinha um prazo a cumprir e esse prazo estava acabando.
– Seis dias. – A morena respondeu, percebendo o albino engasgar em choque e começar a tossir violentamente. Eles iriam ficar naquele barco por seis dias! Só iriam lhes restar três para convencer a rainha e a princesa de Arendelle a acompanha-los à fábrica. Era certo que nenhum de seus companheiros atuais havia dado um trabalho grande para ser convencido, mas eles iam falar com uma rainha!
Porém, Jack sabia que não havia nada que ele pudesse fazer além de tolerar os seis dias naquela embarcação. Era seu único meio de transporte, no final das contas, e ele não podia simplesmente abandonar seus amigos ali e seguir na frente. Com um suspiro cansado, ele decidiu que teria que esperar. Apenas pedia ao Homem da Lua que o tempo restante fosse o suficiente para convencer a princesa de Arendelle e a legendária Rainha da Neve.
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