Notas iniciais
Genteeee, graças a um milagre divino, meu tio conseguiu consertar meu computador e agora eu estou de voltaaaaaaa.

POV. Esther Collins

Depois de falar com o Kevin na loja, nós estávamos cada dia mais próximos, ele era um bom amigo e me ajudava no trabalho, isso era o suficiente.

Fizemos um trabalho de Biologia juntos, mas na hora de apresentar ele não apareceu, com certeza ele teve problemas com o pai dele, tentei dar uma desculpa pra professora, mas acho que não colou.

O Pai do Kevin era um senhor simpático de uns 40 anos, aparentemente preocupado com o filho, mas de acordo com o Kevin ele só é assim quando está sóbrio. Kevin tem esperanças do pai se tratar, também pensa na possibilidade de isso nunca acontecer.

Foi com esse pensamento que eu cheguei na escola, e ele ainda não tinha chego. Sentei-me perto de uma árvore que tem no pátio e tirei um livro da mochila, era mais um do Rick Riordan, e comecei a ler sobre as aventuras de Percy Jackson.

— Ei, nerd! — gritou aquela voz que eu já conhecia — Não acredito que você ainda tá lendo esse livro, vou te contar o que acontece no final...

— Você não faria isso, Kevin! — semicerrei os olhos — Sabe que eu não me interessava por mitologia, agora que eu estou gostando você não vai fazer isso.

— Relaxa, você sabe que eu não faria isso, estou brincando! — disse ajeitando a touca que escondia os seus cabelos loiros — Tem algum compromisso no sábado?

— Creio que não, acho que vou colocar minhas séries em dia, por quê? — perguntei curiosa — Nós vamos fazer algo interessante?

— Minha tia, a irmã do meu pai, ela vai fazer aniversário e ela queria que eu fosse, sabe. — disse olhando para o chão — Ela é minha madrinha, e tem algum tempo que eu não a visito.

— Vou falar com a minha tia, e te falo amanhã. — disse um pouco nervosa — Vai ser que tipo de evento? Não sei se tenho roupa!

— Vá de salto, vai ter muitas pessoas importantes lá. — disse rindo — Mas você vai estar linda, eu tenho certeza.

— Preciso de uma dose de autoestima — disse tentando não rir — Acha que pode me dar aulas ?

— Eu sou um leonino nato, eu posso fazer qualquer coisa, querida! — disse se levantando — Depois da aula de Literatura eu te ensino alguma coisa.

— Metido! — disse enquanto ele me ajudava a levantar — E eu achando que você estava aprendendo a ser humilde...

Caminhamos até a entrada da escola e depois nos separamos, essa era uma das aulas que não tínhamos juntos. Fui para minha aula de artes e fiquei pensando no que diria para Tia Lia, e optei por tentar falar a verdade.

O dia passou lentamente, e acho que por isso foi tão cansativo. Quando cheguei em casa Rachel estava sentada na porta, e não parecia estar muito bem.

— Hey, Chel! Tudo bem? — perguntei — tia Lia já chegou?

Rachel era filha da Tia Lia, minha prima. Ela era a ''massinha de modelar'' da mãe, não tinha muita vontade própria,e nem opinião. Ela era boa na maioria do tempo, mas conseguia ser malvada igualmente.

— Não, ela ainda não chegou. — respondeu- me cabisbaixa — Esther, posso lhe fazer uma pergunta?

— Claro, só não sei se saberei responder, mas pode perguntar.

— Você largaria tudo por amor? Desistiria dos seus sonhos, das suas obrigações, das suas convicções por amar outra pessoa? — indagou — Mesmo se alguém muito importante fosse contra?

— Acho que sim. — respondi — Não há nada mais importante que o amor, e se a pessoa demonstrasse que era merecedora de todo o meu sacrifício, eu largaria tudo sem pensar duas vezes.

— Foi uma boa resposta, obrigado! — disse levantando- se e entrando em casa — E não conte nada para mamãe, ela fará um sermão daqueles.

Tomei um logo banho e quando desci Rachel já tinha preparado o jantar. Ela tinha feito macarrão com queijo e bacon, e então eu percebi que estava morrendo de fome.

— Boa noite, meninas! — Disse tia Lia entrando na cozinha — Isso parece estar com um cheiro muito bom, quem fez?

— Foi a Rachel, tia — respondi — Ela faz o melhor macarrão com queijo.

— Essa é a minha garota — disse beijando a testa de Rachel — Estou morrendo de fome, céus!

Não achei que fosse a hora, mas eu tinha que perguntar se eu poderia ir à festa, eu tinha que me dar essa chance.

— Tia, amanhã tem uma festa na casa da madrinha do meu melhor amigo Kevin, e ele queria que eu fosse, pois ele não fala muito bem com os parentes e...

— Quem é esse tal Kevin? Eu não o conheço! — disse indiferente — Ele é seu namorado?

— Não! Ele é apenas meu amigo, estuda na mesma escola que eu. O nome dele é Kevin Parker... Armstrong. — completei sabendo que o sobrenome da família dele iria ajudar — É só uma festa, tia.

— Pera! Armstrong? — disse pensativa — Igual as industrias Armstrong, as lojas Armstrong, os tecidos Armstrong...

— Sim, o pai dele é filho de Arnold Armstrong, e irmão de Debbie Armstrong. — disse sem esperanças — É aniversário da Debbie, e ele quer que eu vá junto.

— Mas o que um garoto com ele está fazendo andando com uma garota como você? — perguntou com cara de poucos amigos — Essa história está muito mal contada, você não vai!

— Mamãe! — chamou Rachel — Acho que a Esther deveria ir, ela só trabalha e estuda, e nunca se diverte. Esse Kevin vem busca-la e nós o conhecemos.

— Isso! — concordei com minha prima — Acho um ótima ideia!

— Ok! Mas você terá hora para chegar, e não faltará no coral, afinal domingo é o dia em que vamos à igreja.

Subi rapidamente e mandei uma mensagem para o Kevin confirmando que iria, e logo ele me mandou a resposta dizendo que iria me buscar as 19.

Comecei a procurar alguma roupa que eu pudesse usar no dia seguinte e não encontrei nada de espetacular, então eu me lembrei de um vestido que minha mãe me deu.

Flashback on

Mamãe tinha chego com uma caixa muito bonita e estava fazendo suspense sobre o que tinha naquela caixa.

— Minha pequena estrela, lembra daquela foto que eu te mostrei, a foto do meu baile de formatura?

— É claro que eu lembro, a senhora estava linda!

— Então eu procurei em vários lugares um vestido parecido, mas eu não encontrei. Então eu pedi a costureira da sua madrinha fizesse um igual, só que um pouquinho mais curto e mais moderno.

Então ela abriu a caixa e me mostrou um vestido parecido com o que ela vestiu no seu baile de formatura, só o comprimento que era diferente.

— É lindo, mamãe! Eu amei! — disse me sentindo emocionada — É o melhor presente do mundo.

— Eu usei um vestido parecido quando encontrei o amor da minha vida, espero que aconteça coisas boas quando você usar o seu, meu amor. — disse sorrindo — Eu te amo nessa vida e em todas as outras.

Flashback off

Senti as lágrimas pesarem em meus olhos, e então me permiti duvidar se aquela era uma ocasião especial o suficiente para usar aquele vestido.

Decidi que não iria usar aquele vestido, e que iria no shopping comprar um vestido novo. Vi alguns sites de moda na internet e já tinha em mente o que eu escolheria.

Deitei e comecei a pensar em coisas aleatórias, e até passou pela minha cabeça como seria um filho meu e do Kevin, mas espantei esses pensamentos. E antes de pegar no sono eu fiz um pedido:

— Deus, o senhor sabe de todas as coisas, e vê o que todos os outros não veem, eu não quero mais sofrer, por favor. Eu só quero ter o que todos querem, eu só quero ser amada.

Notas finais
Esther é gente como a gente, não pode conhecer ninguém que já imagina os filhos e a decoração do casamento, mas é claro sem criar expectativas kkk