Riot Girl

4 Capítulo 4


Marina

Após o horário do almoço fui com Marina para a área das piscinas. Hoje seria a seleção para a capitã, segundo o que Marina me disse ela tentaria, mas sabia que iria perder para Nina. Eu queria saber por qual motivo ela endeusa tanto essa garota e se desmerece tanto em relação a ela. Até agora pelo pouco que conheci ela só é uma idiota arrogante.

— Que nervosismo. – Marina estava sentada já com o maiô do colégio esperando a hora que a treinadora iria chamar. Como eu não pretendia ser capitã, não precisei me trocar e colocar o maiô. A maioria das meninas assim como eu estavam só com a jaqueta da natação, para competir só haviam cinco meninas e Marina.

— Quer uma massagem? – perguntei já me levantando para ir pra trás dela.

— Tu não consegue ficar um minuto sem me tocar não? – perguntou rindo e afastando o cabelo para eu massagear seu ombro.

— Imagine se eu realmente te tocasse. – falei sussurrando no ouvido dela. Senti ela estremecendo e sorri comigo mesma.

Quando Nina entrou no vestiário todas ficaram em silêncio. Ela estava com uma calça de moletom e a jaqueta do time como todas as outras, mas não sabíamos se ela iria competir ou como as outras só iria observar.

— Não vai competir, Nina? – uma garota do primeiro ano perguntou.

— Não. – disse simplesmente e senti Nina ficando tensa mesmo com a massagem. Ela se levantou abruptamente e foi em direção ao fundo do vestiário, quis segui-la, mas percebi que Nina estava indo para lá com ela. Ninguém estava por perto delas. Elas cochichavam, pareciam discutir, mas não estavam emitindo nenhum som para quem estivesse fora da conversa delas. Até que Marina chutou o banco que estava ao lado dela e saiu repentinamente do vestiário. Fui atrás dela e percebi que ela havia ido para o banheiro mais próximo.

— O que foi, Marina? – perguntei quando vi ela lavando seu rosto. Ela parecia estar com muita raiva até eu estava com medo.

— Nada. – ela disse tentando se acalmar. Respirava fundo de olhos fechados e porra! Que mulher linda. Até mesmo zangada ela continuava fofa. – Dá de voltar? Eu to bem.

— Não vou te deixar até tu falar o que aquela menina disse pra ti. – falei séria, mas ela não parecia disposta a falar. – Eu to com nojo daquela menina e mal falei com ela como que pode isso?

— Não fica. – ela disse. – Ela não é tao ruim.

— Por que tu sempre defende essa idiota? Até agora tudo que me falam dela foi ruim.

— Não é essa a questão. Ninguém merece ser julgado. Ainda mais depois de tudo que ela passou. Eu queria ta irritada com ela, mas to mais comigo mesma. Ela desistiu de competir pra ser capitã pra me dar. Eu to irritada por ser uma pessoa digna de pena que só consigo as coisas se as pessoas desistirem delas. – falou irritada.

— Para né? – falei com minha mão em seu ombro. – Para de se achar inferior a essa garota. Só o fato dela ter falado pra ti que desistiu pra ti dar a liderança só mostra o quão medíocre ela é. Meu pai sempre fala que quem quer fazer o bem, faz calado. Quem alardeia o bem que faz só queria mesmo mostrar e ganhar “admiração”. Ela pode ser boa em muita coisa, mas é uma pessoa de caráter bem duvidoso. – falei tentando consolá-la.

— Eu que fui confrontar ela sobre o motivo de não participar.

— Ainda assim ela podia ter se esquivado da pergunta. – falei irritada. – Olha. Não fica assim não, por favor. – falei a abraçando meio de lado.

— Você não consegue mesmo ficar sem me tocar né? – ela perguntou rindo me olhando pelo espelho.

— Olha, eu vou tentar, não prometo nada. – falei rindo. Ela repentinamente virou pra mim. Ela ainda estava irritada, mas vi algo diferente em seu olhar. Ela não parava de olhar para minha boca e eu quis tanto naquele momento que ela me beijasse. Porém com a mesma rapidez que virou para mim, ela saiu pela porta do banheiro e eu novamente a segui até o vestiário. A treinadora já havia chegado, me apresentei para ela e fui à arquibancada assistir as meninas que queriam ser capitãs. Nina estava no canto, afastada, mas, ao contrário da maioria das vezes que eu havia reparado nela, agora ela não estava distraída, ela prestava bastante atenção em Marina e por um momento imaginei até que ela parecia triste ou arrependida pelo que fez.

Marina já estava na borda da piscina se aquecendo. Ela era tão linda, parecia um anjo. Todas as outras meninas sumiram pra mim quando ela surgiu só de maiô. Ela aparentemente percebeu que tinha alguém olhando como se quisesse tirar a roupa dela e virou para mim dando um sorrisinho lindo e piscou um olho. Eu deveria ta ficando louca, nunca tive esses desejos por alguém que mal conheço. Muito menos por alguém que não me quer.

Quando a treinadora autorizou a largada, vi Marina ganhar com uma diferença enorme em relação às outras competidoras. Ela foi aceita como capitã e pelo pouco que eu tinha visto ela era bastante querida entre as meninas do time.

— Parabéns! – desejei a abraçando mesmo ela estando molhada.

— Eu tô molhada, sua doida. – falou rindo. – Eu vi você olhando meu cor...

— Má, que saudade eu tava. Parabéns, amor. – uma garota falou atrás dela fazendo Marina se virar praticamente se jogando nos braços dela, dando um selinho logo em seguida. Eu assisti aquilo sem nem acreditar. Marina respondeu algo pra ela continuando de costa para mim. Ela parecia bem entretida com a menina e por isso resolvi deixa-las a sós pedindo permissão para a treinadora para sair.

Senti que era seguida por alguém, mas não dei muita importância. Provavelmente as meninas estavam saindo do vestiário assim como eu, era comum fazer o mesmo caminho. Andei até um canto escondido perto de um parque muito bonito cheio de arvores. Peguei um baseado que tinha bolado antes de sair de casa e acendi. A pessoa que me seguia era Marina como eu já deveria imaginar.

— Oi. – falei forçando um sorriso.

— O que é isso? Faz mal. – falou inocentemente me fazendo rir dela.

— Não é por ser minha capitã que tu vai me dizer o que fazer fora das piscinas. – falei ainda rindo.

— As meninas vão para um bar comemorar o retorno a noite. Vamos. – ela disse.

— Retorno de que? Não vou. Não conheço ninguém. – falei.

— Me conhece. Vai sim. – falou e se sentou ao meu lado. – Você está perdendo a aula de culinária. A Nina saiu apressada indo pra lá. – que droga. Eu não acredito que vou ter que ver essa garota em duas das minhas atividades extra classe.

— Não vou. Você vai de novo virar a costa pra mim e ficar conversando com as outras. Quanto a aula eu também não vou. – falei.

— O que? Vanessa? Eu me virei pra cumprimentar ela quando virei de novo você já tinha sumido, sorte que eu vi uns cabelos loiros saindo aí vim atrás.

— Aquela é a Vanessa? – perguntei. Era pior do que eu pensava, não era uma qualquer, era a ex. – Queria uma ex namorada que me beijasse. – falei sorrindo irônica.

— Pessoas que com raiva sorriem me dão medo, mas você eu só to conseguindo achar fofa. – ela disse tbm sorrindo.

— Bom pra você. Boa comemoração hoje. – falei. – Vou para a sala de descanso matar aula.

— Você vai comigo. Eu sei onde você mora. Olhei na tua agenda vou estar lá na frente oito e meia. – falou me dando um beijo na bochecha. – Até a hora da saída no estacionamento.

Assim que Marina foi embora fiquei pensando como eu pude sonhar que essa garota era sem atitude. Fiquei até as seis horas na sala de descanso mexendo no meu celular e pensando nesse primeiro dia de aula totalmente diferente do que eu imaginei. Pensei em Marina e Vanessa mais do que eu gostaria de ter pensado. Eu não conhecia a história delas, mas tava bem óbvio que não tinha terminado ainda.

Na hora da saída, Maria, Marina e Guilherme já estavam no estacionamento quando eu cheguei. Luan e Bruno haviam sumido, Maria apenas disse que era normal eles fazerem isso. Meus pais haviam me informado que estavam quase chegando e eles iriam esperar eles chegarem para poderem ir, já que as duas davam carona para Guilherme que morava no caminho da casa delas.

— Impressão minha ou vocês duas estão estranhas? – Guilherme perguntou para mim e Marina.

— Impressão. – falei desviando o olhar de Marina que apenas revirou os olhos como de costume.

— Olha, criancice não né? Vou ter que colocar as duas criancinhas uma na frente da outra pra falarem sobre o que ta incomodando vocês? – Maria perguntou.

— Não, Maria. Deixa. Não é nada mesmo. Dia difícil na natação. – Marina disse e eu não sabia se ela tava falando sobre o que aconteceu com Nina ou se ela sabia que eu havia ficado pensativa com o selinho e a forma que Vanessa tratou ela. Enquanto eu pensava sobre meus pais chegaram.

— Eu já vou. – falei acenando para eles.

— 8:30 passo na tua casa. – Marina gritou assim que estava na porta do carro.

— Já temos um date marcado é isso? – ouvi Maria perguntando gargalhando.