O Sol nasceu e como de costume,Roberto levantou-se para cumprir com suas obrigações.Eduardo havia lhe dado poucas tarefas hoje,o que resultaria em uma tarde livre para relaxar.

A ave sobrevoou o ninho da Tia Mimi e decidiu lhe fazer uma visita...

–Oi,Tia Mimi?-Chamou

–Ela não esta.-A voz de Leah lhe chamou a atenção.

Beto se virou para vê-la e a jovem estava tomando café.

–Castanha?-A mesma lhe perguntou .

–Não,obrigado...Bom dia Leah.-Ele se aproximou sorrindo

–Bom dia Roberto.-Ao ouvir sua resposta,a ave macho franziu o cenho

–Sabe,eu já disse que pode me chamar de Beto.-Ficaram frente a frente.

–Eu sei,mas não me agrada chamar você de Beto,sem ofensas...mas...acho que Robb é legal.

Roberto riu:

–Então será Robb ,mas só se você me deixar te chamar de LeLe (Lili).

–LeLe?-Leah arqueou uma sobrancelha e Beto lhe devolveu na mesma moeda- Certo,mas apenas você pode me chamar assim.

–Feito.-O azulado sorriu.

–Ah Bom dia crianças.-A voz de Tia Mimi chamou a atenção do casal.-Vejo que estão se divertindo juntos.Leah querida,pode pegar minha mascará de pepino?-A mias jovem assentiu e foi até o outro lado da toca em busca da mistura verde- Ah Beto,veio tomar café?- Mimi questionou.

–Dessa vez não tia,eu só...-Ele olhou para Leah que estava recolhendo as coisas-Vim fazer uma visita.

Mimi,nada boba,deu uma risadinha:

–Sei,sei...

–Prontinho Tia Mimi-A ciana trouxe a cesta com os pepinos no bico e entregou a mais velha que agradeceu.

–Bom,eu já vou indo,Eduardo quer que eu fique no pomar.Felipe anda muito perto do nosso lado.-Roberto se dirigiu a saída.

–Eu não entendo aquela ave vermelha.-Leah comentou

–E quem entende?-Beto devolveu

–Talvez eu devesse ir lá e ver o que passa naquela cabeça esquetadinha-Com essa frase,Beto engasgou.

–LeLe,me escuta.-Se aproximou dela- Existe uma regra,ninguém deve ultrapassar o seu lado do pomar.O Felipe é um encrenqueiro que ainda vai se dar muito mal com isso.Então relaxa e esquece aquela Arara vermelha irritante.-Roberto pegou uma flor e colocou nela igual ao dia anterior.As penas dela formaram um rabo de cavalo.-Até mais tarde.-E se foi.

–Ai ai...-Mimi começou-Beto o galanteador.

–Se esta dizendo.-A jovem olhou para fora da toca-Tia ,espero que não se importe de eu sair um pouco..

–Oh não não,divirta-se -A mais velha colocou os pepinos sobre os olhos.

Leah voo.Passou por Eduardo e lhe deu um ``Bom dia´´,depois seguiu por ai.Só parou quando avistou uma caverna com um lago,era bem bonita.Decidiu fazer uma parada e lavar a face.

–Ora,ora...-Uma voz conhecida veio.-Quem eu vejo agora...em meu lado.

–Felipe.-Não era uma pergunta.

–Sabe passarinha, você esta do nosso lado.-Felipe olhou ameaçador.

Leah não ficou com medo dele.Ela só passou a se amedrontar,quando viu dentes enormes atrás dele.

–Felipe,cuidado!!!-Gritou em alerta.

A Arara-vermelha se virou imediatamente para ver a boca de um enorme jacaré vindo em sua direção. Ele conseguiu se esquivar da dentada,ma suma das presa passou rascando parte de sua asa deixando-o incapaz de voar.O jacaré veio novamente.Felipe segurava a asa machucada apavorado.

–Ai,bicho feio!-Leah apareceu no galho de arvore acima dos dois -Pega alguém do seu tamanho!-Ela largou o galho,que antes estava sendo puxado pela mesma e,este bateu contra os olhos do predador.Depois,ela puxou Felipe para o alto.

Segundos depois,as duas aves estavam em uma toca encontrada pela fêmea:

–Deixa eu ver sua asa-A mesma pediu.

Relutante,o outro obedeceu.Leah tocou na ferida de leve:

–Acho que sei o que precisa,me de um minuto.-Ela foi e voltou com uma planta-Isso ajuda na dor e na cicatrização e já que é flexível,amarramos ela na sua asa.

–Eu não preciso da sua ajuda.-O orgulho do outro era muito.

–Não estou oferecendo,estou dando-a a você ,agora um obrigado seria apreciativo.-Amarrou a erva nas penas avermelhadas.-Pronto.Agora,eu vou voltar para o ``meu lado´´,se é que me entende...-Foi na direção da saída.

–Obrigado.-O outro disse de costas para ela.

Sorrindo,Leah partiu.

A viagem de volta,foi meio cansativa ,então a azulada parou no pomar para comer castanhas.

–A onde você estava?-Ela saltou quando Roberto apareceu

–Roberto,não me assuste assim.

–Não mude de assunto LeLe,te procurei por toda a região da Tribo Spix e nada.Não me diga que foi para o lado da Tribo Scarlet ?

Ela riu:

–Quantas hostilidade.Eu não fui pra lá.-Mentiu

Roberto pareceu relaxar:

–Desculpe...é que...eu não quero que você se machuque.

Leah queria gargalhar, havia lutado contra um jacaré e ele pensa que ela é frágil .

–Obrigado pela preocupação,Robb.-Pegou uma castanha com o bico.-Quer uma?

–Quero.-Eles dividiram a comida.

Quando sobrou apenas uma,ambos foram dar o bote e os bicos se roçaram.Imediatamente,Leah se afastou.

–Desculpe,desculpe...-Falou sem parar

–Não,não,ta tudo bem...-Ele se aproximou dela tentando acalmá-la

O silencio prevaleceu e era desconfortante.

–Bem eu...-Leah começou-Eu acho que eu deveria ir.-E se foi deixando uma arara macho sem reação lá trás.

Pela primeira vez,Roberto não tinha ideia de como reagir a uma garota.Ao menos,a essa garota.