Rin é Um Gênio!
4 Capítulo 4 - Se conhecendo – parte 2
Notas iniciais
"Destino não é uma questão de sorte, mas uma questão de escolha; não é uma coisa que se espera, mas que se busca."
(William Jennings Bryan)
RIN É UM GÊNIO!
Cap. IV – Se conhecendo – parte 2
Flashback
- Então deixe-me ver se eu entendi. Você está me dizendo que é um gênio? – questionou-a de forma incrédula.
- Hai.
- E que tenho direito a 3 pedidos?
- Hai!
- Hum...sei...
- O que foi?
- Sem querer ofender, mas, não consigo acreditar no que disse a este Sesshoumaru. – disse o youkai já na sua habitual voz indiferente e com seu rosto sem expressão.
...Sesshoumaru...então será este o nome de meu amo? Perae, como assim ele não acredita em mim? – pensou a garota ao ouvi-lo.
- Nani? Por que não? – questionou ela completamente indignada e um pouco surpresa.
- Bem...vejamos: pra começar, sua pele é tão branca quanto um floco de neve enquanto deveria ser num tom bronzeado já que, teoricamente, os gênios são oriundos das Arábias, sem dizer que para uma suposta árabe, você fala o japonês com uma fluência que se poderia confundir com uma cidadã nascida e criada aqui neste país, sem dizer que seu nome e seu físico lembram muito a origem japonesa. Se analisarmos bem verá que os dados não se encaixam. – disse como se tudo aquilo que ele apontara fosse muito óbvio.
- Mas, mas...- Rin havia ficado realmente impressionada e ao mesmo tempo irritada com as observações dele — ...isso não quer dizer nada! E além do mais, o que meu amo sabe sobre gênios?
- Como disse, sei que são originários das Arábias...- Rin gesticulou para que ele observasse as roupas que trajava — ...que vivem dentro de lâmpadas... – Rin lhe mostra sua garrafa o que faz Sesshoumaru arquear-lhe uma sobrancelha -...eu disse lâmpadas e não garrafas...- enfatizou as duas palavras demonstrando a diferença entre elas, o que fez a moça bufar de raiva e cruzar os braços frente ao corpo tal qual uma criança emburrada e estreitou-lhe o olhar – e que podem realizar qualquer desejo de seu amo.
- Muito bem caro amo, tudo o que disse está certo...- viu o youkai esboçar um sorriso de satisfação ante o comentário dela -...mas devo dizer que está deveras incompleto. – finalizou Rin demonstrando certa autoridade no assunto, o que fez o sorriso de Sesshoumaru murchar.
- Como assim? – questionou o jovem youkai levemente confuso.
- É isso mesmo. 1º: os gênios realmente são originários das Arábias, no entanto, somente os gênios natos, ou seja, aqueles que já nasceram gênios, é que são, fisicamente falando, árabes e se encaixam na descrição que fez, o que não é o meu caso. 2º: somente gênios de classe inferior habitam lâmpadas, isto é, aqueles que só podem realizar 1 desejo, já nós os nobres, habitamos garrafas. 3º: sim, realizamos os desejos de nossos amos, mas desde que o desejo não se encontre na lista de proibidos do MCG e 4º: quanto à língua que falamos, sempre falamos e entendemos o idioma de nosso amo, seja o idioma qual for; é um tipo de "privilégio" que temos para assim não haver qualquer prejuízo na compreensão do desejo de nossos amos e só para esclarecer: meu nome é japonês e falo este idioma como uma nativa deste país porque nasci e fui criada aqui no Japão! Mais alguma dúvida? – finalizou completamente satisfeita.
Sesshoumaru estava pasmo ante as informações que recebera da garota e ficou mais ainda ao saber que ela era sua conterrânea. Mas, como podia aquilo? Será que ele havia ouvido direito? Ou melhor, será que isso era mais uma prova de que ele havia enlouquecido?
Enquanto o youkai estava perdido em seus pensamentos, Rin se deu conta de um detalhe que fora dito naquela conversa e que por ela estar irritada com seu amo não havia prestado a devida atenção.
- Espere um momento... – começou a moça num sussurro — ...estou no Japão? É isso mesmo? Ouvi direito? – questionou ela um pouco cética, o que chamou a atenção do youkai.
- Sim, você está no Japão...- o comentário do youkai foi interrompido pela moça.
- Não pode ser! Já faz tanto tempo...- comentou ela num tom triste, o que não passou despercebido por Sesshoumaru -...Em que ano estamos?
- O quê?
- Em que ano estamos?- perguntou ela quase eufórica.
- 2010. – respondeu ele sem entender o que estava acontecendo.
- 2010! — disse com a voz um pouco elevada -...Kami-sama, não sabia que havia hibernado por tanto tempo... – disse ela enquanto se punha a andar de um lado ao outro.
Hibernado, como assim hibernado? Do quê ela está falando? – este era o pensamento de Sesshoumaru enquanto a moça continuava com seus "devaneios".
-...nunca pensei que a humanidade chegaria tão longe...- ela andava e continuava pensando em voz alta -...nossa, nunca pensei que eu viveria tanto tempo, que viveria o suficiente para um dia "voltar pra casa"...- disse essa última parte num sussurro, o que foi ouvido pelo jovem youkai que apenas a observava.
- Grrr... — Sesshoumaru fez como se limpasse a garganta para chamar a atenção da jovem para si.
- Espere um momento, estamos mesmo em 2010? – perguntou ela o observando pensativa.
- Sim, por quê?
- Nossa, pensei que à essa altura youkais não mais existissem...- viu-o olhá-la confuso e decidiu continuar -...É um youkai não é? –questionou-o e obteve a confirmação que esperava quando ele assentiu-lhe com a cabeça -...lembro-me de quando eram caçados pelos humanos, depois de um tempo acreditou-se que haviam sido dizimados, mas pelo visto, os humanos estavam enganados...- Rin começou a andar em volta de Sesshoumaru como se o analisasse -...Nunca pensei que um dia ficaria cara-a-cara com um youkai e permaneceria viva, mas vejo que muitas coisas mudaram desde àquele tempo...
- O que...- Sesshoumaru se calou ao notar que Rin apontava-lhe a mão com o dedo indicador levantado como se pedisse para ficar quieto por um minuto e então a viu fechar os olhos e baixar a cabeça. Depois de um tempo vê a moça abrir os olhos e voltar a andar pensativa pelo quarto.
- Nossa, quanta coisa mudou e quanta coisa aconteceu nesse tempo em que hibernei... – pensava alto novamente enquanto as palavras saíam de sua boca de forma sussurrada.
- Como sabe tudo o que aconteceu e o que quer dizer com: hibernei?- questionou-a curioso, o que chamou a atenção da moça para si.
- Bem...deixe-me ver como posso explicar... Nós gênios, depois de ficarmos 50 anos em nossa lâmpada ou garrafa sem sermos "libertos" por um amo, entramos em estado de hibernação só despertando quando um amo, ao encontrar a lâmpada ou garrafa, nos invoque. Então, depois de despertos podemos nos atualizar dos fatos que ocorreram enquanto hibernávamos. Não sei se consegui ser clara, perdoe-me.
- Explique-me como fazem essa "atualização".
- É só fecharmos os olhos e nos concentrar em algum dado que possa informar o ano atual em que estamos e o "upgrade" é realizado!
- Upgrade?
- Sim! Não é essa a expressão utilizada nos dias de hoje?
- Ahã...Hum...sobre a hibernação, deixe-me ver se eu compreendi: segundo o que você disse, você estava hibernando dentro da garrafa e acordou quando eu a abri...
- Isso.
- Então se estava hibernando é porque há 50 anos ninguém abriu a garrafa.
- Pode-se dizer que sim.
- Quer dizer que a última vez que saiu desta garrafa foi há 50 anos atrás?
- Na verdade não... – a moça o viu ficar confuso -...a última vez que saí da garrafa foi no ano de 1754, se não me engano, e foi na Inglaterra...- dizia ela de forma pensativa como se tentasse lembrar com exatidão daquele fato.
- 1754?- Sesshoumaru não conseguiu manter sua voz uniforme diante daquela informação e acabou falando quase que num grito, mas, percebendo como agira, recuperou sua compostura e pôs-se a falar mais controladamente -...isso quer dizer que faz ... – foi interrompido pela moça.
- Duzentos e cinqüenta e seis anos desde que saí da garrafa pela última vez.
- Kami-sama, quantos anos tem?
- Fisicamente falando, 21 anos; temporalmente falando... – parou para "fazer as contas" -...se me tornei gênio em 1183 então...- ela sussurrava e utilizava os dedos para fazer os cálculos -...tenho 848 anos... mas existem gênios bem mais "velhos" que eu! – disse com um singelo sorriso no rosto que demonstrava seu desconcerto.
Sesshoumaru estava boquiaberto e mantinha uma expressão indecifrável no rosto. Não conseguia ter um pensamento coerente em sua mente, parecia ter entrado em estado de choque. Como conseguiu permanecer tanto tempo dentro da garrafa? 256 anos! Kami-sama, isso é muito tempo! 848 anos...848 anos! Meu Kami! – o youkai não conseguia parar de pensar naqueles fatos, sem dizer que em sua mente havia mais de mil perguntas martelando a respeito daquela bela jovem, estava deveras interessando em desvendar os seus segredos. Estava tão aturdido com seus pensamentos que nem ouviu o telefone tocar.
- Amo, que barulho é esse?- perguntou Rin assustando-se com aquele som peculiar que vinha de algum canto da casa.
- Hã? – foi tirado de seu transe – Deve ser o telefone. – disse já se dirigindo à porta de seu quarto, mas ao abri-la o telefone pára de tocar.
- Ahh! – Rin se assusta com um som que começa a tocar invadindo aquele ambiente. Era o celular de Sesshoumaru.
- Acalme-se, é só meu celular. – disse o youkai enquanto mostrava o objeto à jovem.
- Moshi, moshi.
- Graças à Kami você atendeu, eu já estava ficando preocupada!
- O que foi Izayoi, aconteceu alguma coisa? – Rin andava em volta de Sesshoumaru observando o tal celular até que encostou seu ouvido para tentar ouvir o que quer que ele estava ouvindo. Este ato dela não passou despercebido por Sesshoumaru que parou de andar para que ficasse mais fácil pra ela permanecer em pé a seu lado.
- Não querido, quero dizer, não é nada de importante, só estava preocupada contigo, você não me parecia bem quando saiu daqui de casa...
- Entendo...mas não se preocupe, estou bem.
- Desculpe tê-lo acordado querido, sei que já é madrugada...
- Tudo bem Izayoi. – instintivamente ao ouvir a jovem senhora dizer que já era madrugada, resolveu olhar as horas no relógio digital que jazia em seu criado e constatou que já era 1:15 da madrugada.
- Então durma bem querido. Ja ne!
- Ja ne. – e desligou o aparelho colocando-o em cima da escrivaninha que tinha em seu quarto. Rin ficou analisando aquele objeto.
- Pelo visto o seu "upgrade" não é tão bom quanto me fez acreditar que fosse... – comentou por vê-la tão curiosa sobre seu celular, o que acabou irritando um pouco a moça.
- Ter a informação sobre determinada coisa não é o mesmo que vê-la ao vivo. Tenho informações do que seja um telefone e um celular, sei até mesmo quando foram inventados e como funcionam, mas nunca vi ou toquei em um para saber como são ou como se "comportam" na realidade.
– Muito bem então... – Sesshoumaru pareceu ter compreendido o ponto de vista da garota.
- Tenho muitas perguntas para lhe fazer, mas no momento já é muito tarde e preciso dormir para descansar já que terei que acordar bem cedo para ir trabalhar. – disse enquanto puxava o lençol de sua cama arrumando o lugar para se deitar.
- Mas, não quer fazer seus pedidos? – questionou Rin curiosa com aquela atitude do youkai.
- Tenho que fazê-los agora?
- Na...na verdade não. Meu amo tem 30 dias para fazê-los a contar do momento em que fui desperta de minha hibernação.
- Então muito bem. Acho que agora é melhor você voltar à garrafa e dormir também. – disse enquanto já se deitava e levava a mão até o abajur para apagá-lo.
- Me..meu amo? ... – chamou-o um pouco hesitante.
- Sim? – estancou sua mão no interruptor do abajur e olhou para a jovem que se encontrava em pé aos pés de sua cama.
- Esta Rin dormiu por 256 anos...será que ela poderia ficar acordada mais um pouco? Pro...prometo não fazer barulho.- ela parecia um pouco envergonhada em pedir-lhe aquilo, o que a deixou encantadora aos olhos do youkai.
- Cla...claro. – Como pude ser tão idiota e pedir-lhe pra ir dormir? É claro que ela iria querer ficar acordada depois de dormir por mais 200 anos...baka! – pensou ele.
- Apenas deixe a garrafa aberta, assim se eu quiser voltar eu poderei.
- Entendi. Então, boa noite.
- Tenha uma ótima noite de sono meu amo! – disse-lhe com um lindo sorriso nos lábios, o que mais uma vez encantou o youkai, em seguida ele apagou a luz do abajur e o quarto se manteve iluminado apenas pelo brilho da lua.
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