Rigorosamente proibido, ligeiramente permitido
36 Viagem Escolar
Adore – Miley Cyrus
Stiles acordou mais uma vez gritando e se remexendo, a queimação na garganta, as lágrimas, o desespero por estar sozinho em casa, era tudo demais para o garoto. De repente, Stiles se viu sem dormir por semanas, de novo. Isso deixava John preocupado, ele não via seu filho tão devastado desde a morte de Claudia e isso era preocupante. Derek parecia saber o que estava acontecendo, mas John não tinha certeza se deveria atravessar essa linha.
– Você precisa de ajuda. — Derek fazia círculos reconfortantes nas costas de Stiles enquanto o garoto recuperava o fôlego.
– Você não podia esperar lá fora? Ver seu namorado vomitar não é muito romântico. — Stiles se encostou na parede de ladrilhos e suspirou, Derek ofereceu um copo d'água.
– Eu não me importo, já vi você vomitar antes. — o garoto revirou os olhos e bebeu devagar o líquido fresco que parecia dar conforto ao seu estômago.
– Você já matou alguém? — Stiles perguntou depois de um longo silêncio, Derek o encarou por um momento antes de suspirar e responder.
– Algumas vezes. No exército, no meu trabalho. — ele deu de ombros, por mais que o lobo se esforçasse, Stiles sabia que era um assunto desconfortável.
– Eu não consigo parar de reviver essas coisas. — Stiles encolheu os ombros e Derek se agachou ao seu lado tocando sua bochecha, a pele fria contrastava com o calor do lobo.
– Quando eu voltei da guerra... — uma pausa longa e pesada fazia Stiles se perguntar se era bom ter aquela conversa. — tudo era difícil sabe? Comer, ver as pessoas tendo uma vida normal, dormir. Eu não dormi por meses, tinha ataques de pânico, surtos de violência, eu quase sufoquei Laura uma vez. Eu não tinha controle sobre os meus poderes e eu não podia falar com ninguém sobre isso. Eu não conseguia confiar em ninguém, porque... — Derek deu um longo suspiro e sentou ao lado de Stiles. — meu comandante deu a ordem de matarmos pessoas inocentes e eu não pude lidar com isso. Eu não suportei ver crianças prestes a perder a vida, eu vi muitas morrerem, não consegui salvar todas e ainda saí como uma desonra para o meu país. — Stiles entrelaçou os dedos com os de Derek. — As vezes, eu ainda escuto os tiros se eu fechar os olhos, as vezes eu posso sentir o cheiro de morte e a tensão no ar, mas Laura me obrigou a conversar com alguém. Me receitaram remédio, mas não fariam efeito então eu procurei uma terapia alternativa. Conheci Ethan e ele me indicou um centro infantil, eu comecei a ver crianças e doar meu tempo, ouvir suas histórias. Orfanatos são lugares tristes, mas cheio de crianças maravilhosas e foram elas que me salvaram. — Stiles sorriu quando Derek o encarou.
– Você teve oportunidade de salvar outras crianças. Isso é lindo. — o garoto alisou levemente a mão do namorado.
– O que eu quero dizer, é que eu pude me reconstruir, ainda dói falar sobre tudo o que eu passei e eu não consigo dividir isso com ninguém, mas sem dúvida Laura estava certa. Eu precisava de ajuda Stiles e você também precisa. — o garoto franziu o cenho e mordeu o canto da boca.
– Eu já fui a psicólogos antes e é tão frio e impessoal. — Stiles se deixou cair no ombro de Derek que o puxou para seu colo e o embalou.
– Você sempre pode falar comigo ou tentar qualquer coisa que possa ajudar, só procure ajuda. — Derek insistiu.
– Eu vou. — o garoto inspirou o cheiro da camisa de Derek e se permitiu relaxar.
Stiles estava em frente da Dr. Morrell uma semana depois. Ele não contou a ninguém, mas achou que valia a tentativa de conversar com a psicóloga que o tratou desde a morte da sua mãe. Ele puxou o ar algumas vezes antes de entrar na sala pequena e clara para a consulta.
– Boa tarde Stiles. — o garoto sorriu tímido e cumprimentou com um aperto de mão a mulher jovem e bonita a sua frente. — Fiquei surpresa quando Greenberg me avisou que você viria. — ela apontou para o divã, Stiles nunca achou aquela coisa confortável.
– Eu achei que valia a tentativa. — ele foi sincero quando se acomodou desconfortável no assento.
– Sobre o que vamos falar hoje? — ela sentou atrás da mesa e tocou o pequeno cronômetro que ela escondia atrás de um vaso de flores artificiais.
– Eu sofri dois sequestros e quase perdi pessoas importantes, esse cara, ele tentou me estuprar e eu o matei. — soava tão frio contar aquilo para Marin que Stiles retesou a coluna e esfregou as mãos nos joelhos. — Eu estou tendo pesadelos, todos estão preocupados e eu só... não consigo lidar. — ele encarou a mulher que continuava com a mesma expressão lívida no rosto.
– Você já contou para alguém sobre as coisas que você passou, sobre esses pesadelos? — Stiles bufou.
– Isso não vai funcionar. — ele levantou, andando de um lado ao outro do consultório, passando as mãos freneticamente pelos cabelos, os fios bagunçados aumentando a aparência cansada em seu rosto.
– Isso é um não? — Stiles fechou os olhos e então se virou para a mulher.
– Mande a conta para o xerife, eu não consigo fazer isso. — ele encolheu os ombros e saiu de lá apressado.
Greenberg o chamou na recepção, mas isso não funcionou, assim como Morrell tentando falar com ele na porta do elevador que ele desistiu de pegar e tomou o caminho para as escadas, ele só se deu conta que estava fora do prédio quando sentiu as gotas geladas de chuva. Ele precisava sair dali, agora.
Em casa o xerife não disse nada sobre o comportamento estranho do filho durante o jantar, ou o silêncio escruciante que Stiles mantinha o tempo todo, acompanhado das mãos histéricas sempre em movimento. A noite John foi obrigado a acordar seis vezes, Stiles estava tendo pesadelos repetidos, ele não aguentava mais ver seu filho se destruindo pouco a pouco, por sua culpa.
– Derek? — Stiles encarou o maior assustado. — O que você está fazendo aqui? — o filho do xerife estava enrolado na toalha, tinha vomitado todo o banheiro e tinha acabado de sair do banho.
– John me ligou, ele teve uma chamada e você estava se sentindo mal. — Derek deu de ombros.
– Vocês conversaram. — Stiles vestiu uma cueca e uma camisa e se jogou na cama, Derek o acompanhou.
– Ele está preocupado e sem alternativas. — o lobo acariciou os fios molhados de cabelo do menino.
– Eu fui a psicóloga e foi tão... frio. — o garoto se virou para o lobo. — Eu também estou sem alternativas. — as bolsas escuras sob os olhos âmbar sempre machucavam Derek.
– Eu tenho uma ideia, mas não sei até onde você está disposto a tentar. — Derek começou.
– Eu não estou em posição de recusar nada. — Stiles abraçou a cintura de Derek.
– Amanhã veremos isso então, agora dorme, nada vai te fazer mal comigo aqui. — Stiles sempre acreditava nisso.
Stiles gostou de faltar aula e acordar quase na hora do almoço, sentindo o cheiro de algo delicioso preparado por Derek. Chegar a cozinha e encontrar alguém diferente em sua casa era estranho, mas Derek parecia se divertir, então ele relaxou e tentou não se envergonhar de estar de moletom e com o cabelo tão bagunçado.
– Esse é Stiles? — a mulher morena de olhos escuros e ameaçadores.
– Sim. Stiles, essa é Kali. Ela é uma amiga de longa data. — o lobo deu de ombros e Stiles pegou a mão da mulher em um cumprimento educado.
– Você cheia a Derek. — a mulher riu e Stiles fez careta, não sabia o que isso significava.
– Ela também é uma loba Stiles, uma alpha. — o garoto engoliu em seco, lembrava de Laura e seus olhos vermelhos furiosos, suspirou.
– O que exatamente ela faz aqui no meu lugar? — Stiles não foi indelicado, apenas curioso quanto a presença da loba.
– Ela é a alternativa que eu fiquei de te mostrar. Kali é psicóloga na minha empresa, ela cuida para que as crianças e adolescentes estejam mentalmente seguras. — Stiles encolheu mais ainda os ombros.
– Eu trato minhas crianças de forma alternativa. — ela incluiu como se isso ajudasse o garoto a parar de lembrar de tudo o que ele odiava em uma consulta.
– Sem cronômetros, divãs e reações frívolas? — ele não conseguiu impedir a pergunta de escapar.
– Se você estiver disposto a tentar, podemos fazer isso de infinitas formas confortáveis. — ela deu de ombros.
– Derek confia em você, posso fazer isso, uma tentativa. — Derek e Kali sorriram.
– Ótimo, agora sirva alguma coisa para comer Derek, estou faminta. — Stiles riu e ajudou a colocar a mesa.
Kali não era uma pessoa desagradável, tinha uma postura um pouco agressiva e se assemelhava a algum tipo de super-heroína invencível do que uma psicóloga. Eles passaram a tarde conversando, se conhecendo como amigos. Stiles não perguntou muito, ele queria, mas alguma coisa o fazia evitar perguntas sobre como Derek e ela se conheceram. Ele não sabia o que o fazia travar, mas não se importava. Quando John chegou, Stiles estava dormindo no sofá e Kali estava dividindo uma cerveja com Derek.
– Derek? — o xerife o chamou.
– John, essa aqui é Kali. — eles se cumprimentaram.
– Stiles, onde está? — Derek apontou para o sofá. — Algum pesadelo? — John estava tenso.
– Não desde que o coloquei para dormir há quatro horas atrás. — o xerife sorriu. — Eu encontrei uma alternativa. — eles sentaram na cozinha e começaram a conversar sobre o trabalho de Kali.
Stiles teve um pesadelo perto da hora de ir para escola, mas acordou suado e chorando, era um progresso que ele tenha dormido tanto e não estar vomitando para todos os lados. Derek não estava mais ali, mas ele estava na cama e tinha um bilhete na cabeceira.
“Seu pai chegou e eu fui acomodar Kali no apartamento, depois da escola, no meu lugar, ela estará te esperando. Estou orgulhoso de você.”
O garoto sorriu, a caligrafia arrastada de Derek o aquecia, assim como aquelas últimas palavras que pareciam lhe dar o gás necessário para levantar e seguir em frente. As aulas foram boas até, ele não teve nenhum ataque de pânico e o treino de lacrosse não foi tão exaustivo. Saiu do colégio e deixou Scott em casa, ele e o amigo andavam um pouco afastado, Stiles não conseguia se abrir com ninguém, mas ele tentaria, porque odiava ver as pessoas tristes e decepcionadas com ele.
– Você veio. — Kali abriu a porta e deixou o adolescente entrar.
– Quanta fé em mim. — Stiles debochou. — Como isso vai funcionar? — ele perguntou depois de largar sua mochila no sofá.
– Você vai vestir um moletom e vamos correr. — o garoto franziu o cenho.
– Sério? — ela sorriu.
– Sim, no seu ritmo, enquanto conversamos. — ele suspirou e repetiu para si mesmo que ia tentar.
Conversar sobre coisas banais não era bem o que ele tinha em mente, mas foi legal conversar com alguém que tinha interesse em ouvir sobre sua infância e nas coisas que ele adorava relembrar sobre Derek e sua mãe. Stiles não tinha muita oportunidade de falar da mãe, sempre ficavam condolentes com ele e isso era um saco. Derek não se importava e Kali tinha a mesma postura, como se sua mãe morrer não fosse motivo para tristeza e sim algo tão natural quanto beber água. Stiles se assustou em como Kali o deixou confortável.
Naquela noite ele teve um ataque de pânico, sonhou com a partida de Derek e isso foi uma coisa nova, ele nunca tinha sonhado com aquilo antes, não desde as duas primeiras semanas em que Derek partiu e ele só tinha oito anos. Acordou suando e chorando, estava sozinho, seu pai em mais um plantão e ele precisava tanto de Derek. Suspirou e tentou se acalmar, pegou o celular.
Stiles: Acordado?
Derek: Tudo bem?
Stiles: Não quero te perder.
Meio minuto depois o celular de Stiles estava tocando e ele se assustou, atendeu no quarto toque e suspirou, a voz de Derek era grossa como se ele estivesse despertando e ele se arrependeu por acordar o namorado, o lobo já dormia tão pouco.
– Você nunca vai me perder. — foi a primeira coisa que Derek disse, o coração de Stiles saltou.
– Sonhei com você indo embora, como há dez anos atrás. — Stiles se encolheu nas cobertas, o suor pegajoso no corpo estava secando.
– Eu não vou a lugar nenhum Sti. — o garoto suspirou.
– Kali e eu falamos sobre a minha mãe hoje, foi bom. — Derek pareceu se remexer na cama. — Nós corremos e não foi frio. — Derek sorriu com o que ouviu.
– Kali foi do exército, ela estava lá quando eu acordei do meu primeiro surto violento. — Derek comentou. — Ela me ajudou a ficar melhor e eu a ajudei a superar as coisas terríveis que ela viu e ouviu. — Stiles se enroscou em um travesseiro.
– Você está me salvando. — Stiles bocejou e Derek sorriu, o garoto dormiu.
Derek ouviu Stiles por mais alguns minutos, até que ele desligou e também dormiu. No dia seguinte o lobo acordou com o garoto em cima dele, não fazia ideia de quando isso aconteceu, mas Stiles estava bem ali o beijando no pescoço e murmurando palavras doces para acordá-lo.
– Como você entrou? — Derek perguntou bocejando.
– Kali me chamou para tomar café e eu corri com ela, quando voltamos você ainda estava dormindo, eu tomei um banho aqui e vim te acordar, estamos saindo para almoçar. — Derek deu um salto da cama.
– Como eu dormi isso tudo? — ele esfregou as mãos no rosto.
– Você zelou pelo meu sono vários dias, normal que você precise recuperar o seu próprio. — o garoto deu de ombros.
– Vou tomar um banho e podemos almoçar. Você não deveria estar na escola? — Derek parou por um momento.
– No sábado? — Stiles ria.
– Meu Deus! Eu estou ficando louco. — o garoto gargalhou e se espalhou na cama bagunçada de Derek.
Um mês depois Stiles chega em casa irritado, ele vinha tendo muitos progressos com Kali, seus pesadelos diminuíram, seus ataques de pânico, mas ele ainda não tinha chegado ao ponto de tratar efetivamente o que o levou ao estágio perigoso de perder sua mente, então aquele trabalho de escola estava o deixando apreensivo. Uma viagem para uma floresta, uma floresta no meio do nada, Stiles estava em pânico.
John se recusou a pedir que ele fosse liberado da tarefa e Kali deixou claro que ele precisava pelo menos tentar, que viver com medo era terrível e deu todos os exemplos que pôde para convencê-lo, não funcionou. Ele voltou a chorar como um bebê todas as noites, idas ao cemitério conversar com sua mãe dobraram, de duas ao ano, ele já tinha ido seis vezes nos últimos quatro dias e ele não conseguia comer, dormir e quando fazia passava mal, tinha pesadelos. Três ataques de pânico em meio ao jogo de lacrosse. John estava começando a ficar sem saída de novo.
– Eu posso ir com ele. — Derek ofereceu ao ser chamado na delegacia naquela tarde. — Como segurança. — ele sugeriu.
– Vocês teriam que ser profissionais, isso daria uma tremenda dor de cabeça no conselho se desse errado Derek. — John pontuou.
– Eu fui profissional a minha vida inteira, inclusive com Stiles. — John não podia negar.
– Eu vou pedir autorização. — o lobo saiu da delegacia e encontrou o namorado chorando no colo de Kali
Stiles não falou sobre aquela sessão ou qualquer outra nas semanas que seguiram até a viagem, ele tinha o direito a privacidade, mas Stiles nunca gostava de manter as coisas para si, ele sempre dividia tudo com Derek e isso o incomodou um pouco, o deixou meio paranoico. No dia da viagem Stiles sabia que precisava ficar longe de Derek romanticamente e o fez mesmo que fosse difícil.
– Nós vamos mesmo ficar aqui? — Stiles perguntou vendo o motel em que eles pararam para descansar por uma noite, um dos adolescentes passou mal.
– É só por uma noite Sti. — Derek queria pegar sua mão, o colocar em um abraço apertado, mas não podia.
Dividir o quarto com Scott seria legal, mas deram o azar de dividi-lo com Jackson e isso fazia Stiles e Derek serem obrigados a ficarem distantes a maior parte do tempo. Derek não ia com a cara do garoto e Stiles muito menos, mas boa parte da noite correu bem. O loiro estava ouvindo música em seu fone de ouvido enquanto Stiles se arrastava para a cama de Derek, mesmo que a sua estivesse em perfeito estado.
– Você sabe que não pode ficar aqui. — Derek sussurrou enquanto Stiles sentava ao lado dele.
– Eu não quero ficar longe de você, não gosto desse lugar. — o garoto se encolheu.
– É só uma noite, estou bem aqui. — Stiles bufou e voltou para a própria cama.
Derek e Jackson não demoraram a dormir, ele rolou de um lado ao outro sem conseguir pregar o olho, levantou, comeu biscoito, bebeu água, foi ao banheiro, tomou um segundo banho, reorganizou as coisas em sua mochila, jogou no celular, nada o fazia se sentir bem ou com sono, até que Derek acordou.
– Pare de se remexer pelo quarto. — Derek exigiu sentando na cama.
– Estou sem sono. — o garoto foi para a cama do lobo.
– Vem, vamos dar uma volta. — ele levantou e coçou os olhos, estava sonolento.
– Não, você pode voltar a dormir. — Stiles tentou.
– Ande logo. — Derek calçou o tênis.
Eles ficaram um pouco do lado de fora e Stiles começou a sentir frio. Olhou o ônibus da escola parado e teve uma ideia, Derek estava com sono, não reclamou quando Stiles o levou para dentro do veículo, estava quente ali dentro.
– Hey. — Derek se assustou ao ser jogado contra a porta fechada. — Oh! — ele riu ao sentir o desespero de Stiles de tocá-lo em todos os lugares possíveis enquanto o beijava.
– Estou com saudades. — Stiles grudou seu corpo no do maior e raspou os dentes em seu queixo.
– Acho que estou ciente. — Derek riu e se deixou levar pelas carícias afoitas de Stiles.
– Quero te foder. — Stiles soltou enquanto lambia a veia do pescoço de Derek que estremeceu e soltou um rosnado baixo.
– Porra Stiles, eu... — Derek gemeu quando o garoto ondulou os quadris contra ele, seus membros se esfregando, as mãos de Stiles invadindo sua camisa, ele perdendo o pouco do autocontrole que ele possuía. — Podem nos pegar. — ele conseguiu dizer.
– Eu sei, por isso, você precisa ficar bem quietinho big wolf. — Stiles escorregou, até estar de joelhos e puxou o moletom de Derek.
– Stiles. — Derek advertiu quando o garoto abocanhou seu membro, o lobo mordeu o lábio com força excessiva, até sangrar na tentativa de conter um gemido alto demais.
O garoto não deu ouvidos a Derek e continuou a provocá-lo com a língua e o lobo quase não conseguia se conter, as garras estavam arranhando a nuca de Stiles, assim como os olhos brilhavam em um tom de azul gélido.
– Stiles, eu preciso de você. Quero você agora. Por favor.- Derek implorou e o garoto se afastou do namorado.
Stiles não conseguia dizer nada, ele mal podia confiar em sua voz nesse momento. Derek implorando por ele era uma coisa única e ele não percebeu o quanto queria isso, até se ver guiando Derek aos bancos do fundo do ônibus, o fazendo deitar e livrando-se da sua calça, afastando as perna e buscando a entrada do mais velho com a língua, provocando, estimulando, fazendo o maior se contorcer embaixo dele.
– Por favor Stiles, eu estou pronto. — Derek insistiu enquanto Stiles massageava sua próstata sensível com a ponta dos três dedos.
– Calma big wolf, você vai ter exatamente o que quer. — o garoto depositou um beijo na base da coluna do lobo antes de se encaixar na entrada do mais velho.
No início o incômodo era esperado, a queimação, os músculos se acostumando e abrindo espaço para abrigar a ereção de Stiles, o desconforto das primeiras estocadas e a busca de Stiles pelo ângulo certo, quando o lobo soltou um urro de prazer e se contorceu embaixo de Stiles querendo mais daquela sensação. Derek sentia falta de olhar para o namorado, mesmo que estivesse em prazer absoluto, em um ritmo frenético que ele não esperava conseguir naquele espaço limitado, ainda assim, Derek precisava ver Stiles, tocá-lo, ter certeza de que estavam na mesma página, juntos.
– Stiles, eu... porra! — ele ronronou ao sentir as estocadas mudarem de ritmo.
– O quê? — Stiles estava ofegante, as mãos apertavam qualquer pedaço de pele exposta de Derek.
– Preciso te ver. — Derek confessou estremecendo com a proximidade de seu próprio orgasmo.
Stiles saiu de dentro de Derek e ajudou a mudar de posição, as pernas sobre os ombros do garoto davam um novo ângulo de penetração e poder ver o rosto do namorado aumentava consideravelmente o prazer dos dois. Derek começou a se masturbar no mesmo ritmo que Stiles o penetrava, era quente, o ar pesado e a mente dos dois estava nublando em sensações quentes e pegajosas. Eles eram uma bagunça, gemidos, movimentos, suor e então o orgasmo. Era a primeira vez que Derek se sentia completamente entregue, sem medo de deixar seus olhos azuis assustarem o garoto, ou suas garras enquanto o frisson do gozo o abandonava.
– Eu te amo e eu quero ficar repetindo isso para sempre, é tão estranho. — Stiles estava rindo enquanto limpava o vir de Derek com sua camisa.
– Você sabe que eu também faço, mesmo que eu não diga muito. — Derek sorriu tentando se vestir e controlar a fadiga em seus músculos.
– Estou cansado. — Stiles resmungou vestindo o moletom e amassando a camisa suja nas mãos.
– Vamos, vou te colocar na cama. — Derek o puxou para fora do ônibus.
Uma noite sem sonhos, era tudo o que Stiles precisava e Derek tinha dado isso a ele. Os dois nunca dormiram tão bem, mesmo que aquele hotel ainda incomodasse Stiles, mesmo que Derek ainda temesse a viagem que enfrentariam. Nada importava enquanto eles ressonavam, Stiles roncando, boca aberta, baba escorrendo pelos cantos, Derek respirando tranquilo, os lábios semiabertos, as mãos jogadas atrás da cabeça. Relaxados, era assim que eles se sentiam.
Fale com o autor