Angel – Sarah McLachlan

Laura tinha sido bem específica quando explicou o que ocorreria naquela audiência de esclarecimento. A audiência em si não era muito comum, testemunhas e um juiz, o escrivão e um advogado. Não era um julgamento, Tom estava morto, ninguém estava acusando Stiles, mas o judiciário precisava do aval psiquiátrico e de um bom esclarecimento para liberar o filho do xerife e garantir que ele não estava traumatizado e pronto para cometer algum crime por negligência estatal.

Stiles não estava animado em falar sobre o caso, Cora e Derek também não, mas eles pareciam incrivelmente calmos, algo nessa coisa de lobo os deixavam assim. O garoto por sua vez estava retraído, afastado e não andava bem nem nas sessões com Kali. Os pesadelos ainda não tinham retornado, mas ele lembra de hiperventilar e ter um ou dois ataques de pânico naquela semana.

– Você está pronto? — Laura perguntou vendo o garoto remexer as mãos e dar pequenas lufadas de ar.

– Não. — ele foi sincero.

– Precisamos entrar, você sabe, são só algumas perguntas. — Stiles assentiu e levantou, seus joelhos tremiam. — Procure respirar fundo e manter a calma, você consegue. — os ombros do menino se encolheram quando ele viu Derek, Cora, John, Kali e Melissa na sala.

– Derek, você pode me ouvir? — Stiles sibilou, a cabeça baixa. — Desculpe, por qualquer coisa que eu vá dizer, eu só... não é culpa minha. — o garoto mordeu o lábio inferior e Derek levantou o puxando para um abraço, mesmo sabendo que aquilo não era a coisa certa a fazer.

– Stiles, olhe para mim. — ele murmurou contra o pescoço do menor. — Não é sua culpa ok? Nada disso é, respire e seja você mesmo, diga a verdade. Estou orgulhoso de você, sempre vou ser orgulhoso de você. — o lobo acariciou as bochechas do namorado que assentiu tentando conter as lágrimas que queimavam seus olhos e garganta.

A audiência começou, existia uma tensão inicial enorme, Laura estava entre fúria e estresse pela cena que Derek fez, fora que o escrivão, juiz e avaliador psicológico do Estado não pareciam muito receptivos depois daquilo, Stiles demonstrava fragilidade, instabilidade e medo demais para alguém apto a seguir em frente.

Stiles respirou fundo e tentou manter a calma, muita coisa dependia dele, sua vida depois daquela audiência poderia ser incrivelmente boa ou se tornar um pesadelo real. Olhou para todos ali e viu um homem gordo, alto, sério demais e com um óculos redondo que não combinava com seu rosto se aproximar, suspirou, começaria com o mais difícil, o psicólogo.

– Senhor Stilinski, pode nos contar como aconteceu seu primeiro sequestro? — o garoto assentiu e tomou um tempo para a coragem de formar palavras.

– Eu e Scott estávamos ouvindo sobre esse serial killer há semanas, ele estava há anos cometendo crimes sem ser pego uma única vez e quando esteve bem perto, conseguiu fugir violentando e matando uma policial. — o garoto encarou o psicólogo e engoliu em seco. — Meu pai é o xerife e eu o ouvi comentar sobre o caso num dia em que fui esperá-lo para irmos jantar, eu sempre fui muito curioso e comentei com Scott, começamos a seguir as pistas depois do terceiro corpo a aparecer em Beacon Hills. — um arrepio percorreu a coluna de Stiles.

– O senhor abordou seu amigo, o levando a investigar um caso de um serial killer, estuprador e canibal? — era um tom um pouco indignado, isso incomodou Stiles.

– Protesto. — Laura se pegou dizendo.

– Não é um julgamento doutora Hale. — a mulher assentiu.

– Creio que o doutor Jake esteja exprimindo opinião. — ela pontuou.

– Deferido. — o juiz lhe deu a razão.

– Continue Stiles. — o psicólogo incentivou.

– Nós acabamos por ter colega de classe sob a posse de Tom e eu simplesmente não consegui não fazer nada e Scott me seguiu, ele disse que não poderia deixar seu irmão sozinho, eu não sabia que Tom estava nos espreitando e quando nos demos conta ele nos tinha sequestrado. Eu não lembro direito o que aconteceu antes de chegarmos aos túneis, mas eu lembro que Tom estuprou um dos cadáveres femininos na nossa frente e eu vomitei. — Stiles tinha as mãos trêmulas, não conseguia olhar para nenhum outro lugar que não suas próprias mãos.

– Ele a estuprou na sua frente? — Stiles arfou enjoado.

– Ela estava morta e Tom tinha aberto uma ferida profunda em seu pescoço, ele... — o estômago de Stiles revirou. — ele lambia a carne enquanto investia contra ela, era tão... — ele não conseguiu terminar, era demais.

– Tudo bem, que tal falar sobre o que aconteceu depois disso? — o garoto levou um tempo antes de se recuperar e prosseguir.

– Eu tentei impedir o estupro, Scott tentava acordar Callie e então tudo escureceu de novo, minha nuca doía e eu ouvia os gritos de longe. Quando eu tomei consciência mínima de tudo novamente, Callie não estava mais lá e Tom estava rasgando a artéria femoral do meu melhor amigo, eu tentei afastá-lo e consegui uma perna quebrada com isso, ele nos largou lá e foi cuidar da Callie, ele a matou, porque nós não o deixamos estuprá-la e eu tinha que tirar Scott dali, ele estava morrendo. — Stiles estava chorando, a histeria em suas mãos era visível e seu coração batia tão forte que Derek estava se segurando para não correr para o menino.

– Certo, eu sei o quanto isso é difícil. — Stiles encarou o psicólogo com um olhar enojado.

– Eu agarrei Scott do jeito que pude e o arrastei para fora, minha perna doía de jeitos insuportáveis, mas eu precisava aguentar, por ele. Quando conseguimos sair, Parrish estava com uma viatura há alguns metros e chamou uma ambulância, tudo o que eu me lembro depois é de ter acordado no hospital. — o psicólogo assentiu.

– Sem mais perguntas, por enquanto. — o garoto suspirou, ele precisava de uma pausa.

– Excelência podemos ter uma pausa? — Laura pediu.

– Claro. A côrte está em recesso, retornamos em uma hora. — Stiles estava tremendo quando Derek se aproximou e o ajudou a sair dali.

Tudo o que aconteceu naquela hora foi um borrão. Stiles lembra de beber água e de ter Derek por perto todo o tempo. Seu pai veio falar com ele, Laura tentou discutir alguma coisa processual, mas ele não conseguia se concentrar, apenas se aconchegar mais no peito do namorado e respirar fundo.

Stiles foi chamado de volta e ele não fazia ideia do que ia acontecer, ele não podia se concentrar, ele não sabia como entrar lá e não entrar em pânico, ele só não sabia mais como fazer nada, ele se sentia como se não fosse capaz de se mexer, qualquer coisa para livrar a si mesmo de um tempo internado parecia irreal, isso o apavorou mais ainda.

– Me dê um minuto. — Derek pediu e Laura concordou, ele estava arrastando o namorado para o banheiro. — Olhe para mim. — Derek exigiu segurando Stiles possessivamente, mas o garoto estava hiperventilando.

Derek não sabia o que fazer, então colou seus lábios nos do maior e iniciou um beijo afoito, profundo e apaixonado. Ele esperava que seus sentimentos, seu desejo de proteger, sua força de vontade de manter Stiles bem e seguro fosse passado naquele pequeno gesto. Stiles se afastou em busca de ar, era como se ele estivesse se afogando por muito tempo, sem pretensão de se salvar, ele estava começando a entender porquê diziam que ele não tinha nenhum instinto de autopreservação.

– Desculpe. — Derek tentou se afastar, mas Stiles o puxou para um novo beijo.

– Eu fiz isso com você há meses atrás, agora eu entendo porque funciona. — ele sorriu e Derek se afastou.

– Precisamos voltar, você está indo bem, só lembre de respirar e se precisar de conforto, eu estou com você, bem ali, te olhando. — Stiles assentiu.

– Vamos. — ele se encolheu e voltaram para a sala de audiências.

Eram mais de quatro da tarde quando as perguntas sobre o primeiro sequestro e recuperação acabaram, então Stiles se via precisando de mais uma pausa, que ele não teria já que o juiz queria terminar tudo antes das seis. Suas mãos estavam tremendo quando Laura foi chamada para questionar sobre o segundo sequestro. Kali tinha sido questionada um pouco antes e deixou bem claro que ainda existia um longo caminho, mas Stiles estava bem o suficiente agora, Derek contou sua versão, era breve e angustiante e fez Stiles arrepiar com os detalhes visto de outra perspectiva e as mentiras para encobrir seus poderes lupinos. Cora foi incapaz de explicar muita coisa, ela estava tão nervosa que precisou sair, isso assustou Stiles. O xerife tinha apenas detalhes técnicos a oferecer, não era muito Stiles pensou, mas foi bem utilizado para ajudar em tudo.

– Stiles, você pode nos contar sobre o que aconteceu antes de Tom sequestrá-lo pela segunda vez? — o garoto gelou.

– Teve esse dia na escola, tinha um corpo no pátio e meu nome na parede escrito a sangue, foi macabro. Desde então eu fiquei muito mais protegido por Derek e então ele não estava mais lá. Um dia eu tava na floresta, fui dar uma volta, Tom tinha sido capturado em outro lugar do país, mas em algum momento eu sofri uma pancada na cabeça enquanto retornava ao meu jipe e quando acordei, estava em um lugar frio e feito de metal, sabia que era ele e eu estava com medo. — ele admitiu e encarou Derek, o lobo tinha dor nos olhos, isso machucou Stiles de um jeito que ele não pôde conter. — Eu... eu afrontei Tom, muitas vezes e então fui jogado depois de muito tempo em outra caixa de metal, Cora estava lá e ela estava machucada. Eu estava com frio e nós nos esquentamos juntos, quando Tom voltou e a pegou. — ele fez uma pausa, não sabia se Tom tinha feito algo mais com a loba, ela nunca falava sobre isso.

– Você precisa de uma pausa? — Laura estava sendo atenciosa, Stiles quase cedeu, mas ele também queria que acabasse logo.

– Não. — ele foi sucinto. — Tom machucou Cora, ela voltou ferida e abalada, eu não sei o que ele fez, nós nunca... nós nunca falamos sobre isso e então ela tentava me reconfortar, dizendo que estava tudo bem, mas não estava e ficou pior. — ele fez uma pausa quase dramática, precisou se concentrar para puxar o ar e continuar. — Ele me levou para uma outra sala, tinham corpos lá, pedaços alheios e sangue, ele tirou minhas roupas e me espancou, foi doloroso, mas eu estava com medo e não conseguia parar de implorar, ele ameaçou me estuprar e chegou próximo a isso, mas ele ouviu um barulho e se apressou em me jogar de qualquer jeito no lugar de antes. Eu estava nu, ferido e humilhado e eu não sabia o que pensar ou fazer. — ele mordeu o lábio inferior com força, um misto de raiva e vergonha o atormentava.

– Tudo bem Stiles, vamos com calma. O que aconteceu depois disso? — Laura mantinha o tom ameno, mas Stiles odiava os olhares de todos, seu pai com pena, o juiz e o escrivão chocados e o psicólogo claramente com desdém. Stiles não teve coragem de verificar Derek.

– Derek apareceu depois do que eu acho que foram horas, talvez... eu não sei, não dava para ter certeza. — ele deu de ombros e encarou Derek. — Eu nunca me senti tão sujo em toda minha vida, era nojento e pegajoso em todos os lugares e Derek podia me vez daquele jeito, isso me quebrou. — Stiles desviou o olhar, não conseguia suportar aquilo. — Ele tentou nos ajudar, Cora estava ferida e eu exigi que ele a levasse primeiro, ele conseguiu salvá-la e quando voltou Tom nos trancou. — o garoto fez uma nova pausa e deu algumas lufadas de ar. — Ele atacou primeiro verbalmente e então partiu para cima de mim, Derek tentou me defender e eles entraram em uma luta corpo a corpo, mas Tom o feriu com um bisturi, Derek perdeu as forças e eu pensei que ele ia morrer, agi por impulso e vi a corrente, eu só... só me dei conta de que estava estrangulando o corpo morto de Tom quando Derek me puxou e eu desmaiei. — Stiles piscou algumas vezes afastando as lágrimas, era tão triste relembrar de tudo, tão vergonhoso falar sobre isso com Derek ali, com todos ali.

– Tudo bem Stiles, tudo bem. — Laura o reconfortou. — É só isso Excelência. — ela se virou e voltou para o seu lugar.

– Um recesso de meia hora e então teremos um resultado. — a advogada assentiu, mas Stiles não se moveu.

Todos estavam fora, mas o garoto não se deixou guiar por ninguém, seguiu para o banheiro e se viu vomitando. Ele não podia acreditar que estava revivendo aquilo tudo, ele mal conseguia acreditar que estava ali. O choro veio com violência absurda, seu peito doía, sua garganta ferida pelo refluxo, ele se sentia imundo.

– Hey baby, tudo bem. — Derek estava sentado ao seu lado, o puxando contra o peito e ele se debatia. — Não me afaste, por favor. — o lobo implorou enquanto fazia círculos reconfortantes nas costas do namorado.

– Eu sou sujo, não Derek, por favor. — ele soluçou.

– Você não é sujo. Shh! — Derek continuou a embalá-lo, não sabiam quanto tempo tinha passado até Laura entrar no banheiro.

– Ele está bem? — ela pareceu assustada ao ver o garoto inerte nos braços do irmão.

– Abalado. — Derek também estava destruído.

– Ele precisa voltar. — ela tinha uma expressão triste no rosto.

– Nós já vamos. — a loba saiu.

Derek convenceu Stiles a lavar o rosto e entrar, ele estava em piloto automático e isso era ruim para todos. Stiles não conseguiu ouvir o que ficou acordado, não conseguiu comemorar quando decretaram que ele fez tudo por legítima defesa e que estava apto para continuar seu tratamento alternativo e seguir em frente. A verdade é que Stiles não acreditava que estava apto a seguir em frente, nem hoje, nem nunca. Ele se sentia arruinado para a vida.

– Ele precisa de um tempo. — Kali segurou o ombro do xerife e o braço de Derek quando ambos caminharam para a escada da casa de Stiles.

– Eu só quero ver se está tudo bem. — John foi rápido em dizer.

– Não está, ele precisa de um tempo. — a loba insistiu paciente.

Três semanas se passaram e Derek não acreditava que dar um tempo a Stiles estava funcionando. O garoto não comia direito, dormia o mínimo possível e quando conseguia algumas horas de sono, eram sempre turbulentas, muitos pesadelos e o pior, seus ataques de pânico estavam de volta.

– Ele precisa de um lugar novo, viajar pode ser bom. — Kali comentou com o xerife naquela noite, o jantar solitário do mais velho na delegacia agora estava tomado de preocupações com o filho.

– O que você sugere? Eu não posso mandá-lo para qualquer lugar, ele vê Tom em tudo. — John estava frustrado.

– Derek não pode levá-lo a algum lugar? Eu não sei a que passo anda sua relação com os Hale, mas eles tem sido muito importantes para Stiles.

– Eu sei, estou bem com isso agora, mas não sei se é certo jogar a responsabilidade da saúde do meu filho no namorado dele. — era a primeira vez que John enxergar Derek como tal.

– Eu posso falar com Derek, ele está pirando com o que Stiles tem passado, não acho que ele se incomodaria. — John apertou os candos dos olhos com os dedos e bufou.

– Olha, faça o que for preciso. Eu só quero meu Stiles de volta. — Kali podia entender aquele apelo.

Stiles estava sentado no jipe há três horas. Ele tinha dispensado Scott na hora da saída e ficou lá, ele podia se lembrar de tudo claramente, vinha fazendo isso muitas vezes e dessa vez ele só não conseguia reagir. Derek andava distante, não por causa disso, porque ele estava afastando o lobo e isso o machucava, ele precisava de contato, mas se sentia tão sujo. Tom estava o degradando e isso era demais para ele.

– Derek. — Stiles soou trêmulo ao telefone. — Derek, eu... — ele suspirou, onde suas palavras tinham parado? — você pode... — como pedir alguma coisa ao lobo? Ele andava o tratando tão mal.

– Stiles está tudo bem? O que você precisa? — Derek estava alerta e preocupado, o menino soava muito mal.

– Estou no estacionamento da escola. — ele disse finalmente. — Não consigo dirigir, eu... por favor Derek, você pode... — Stiles estava chorando, a frustração, o medo da rejeição, a vergonha por ser tão fraco.

– Estou chegando tudo bem? Continue falando comigo. — para a sorte de Derek, ele estava perto e poderia chegar com o próprio carro em menos de dois minutos.

– Desculpe por ser tão fraco, desculpe por ser horrível. — Derek fez um barulho de desaprovação.

– Você não é nada disso Stiles, pelo amor de Deus! — Derek não conseguia lidar com isso, doía.

O silêncio se manteve até que o lobo estava estacionado ao lado do jipe, Stiles ainda não se mexia, ou reagia de qualquer forma, mas ele respirava ofegante, ele queria gritar, machucar a si mesmo, machucar alguém e então chorar, era o que ele queria, era o que ele poderia fazer, mas agora Derek estava ali e ele era apenas um garoto estúpido e arruinado, sujo e usado de forma que todos sabiam da sua humilhação, da sua dor.

– Eu já sabia o que Tom tinha feito antes, eu pude cheirar você quando cheguei, eu tive medo, mas você foi corajoso e forte. Você está inteiro Stiles e você não precisa de Tom para nada. — Derek repetiu enquanto destravava o cinto de segurança e puxava o garoto para o seu colo.

– Mas... — Derek o interrompeu.

– Eu te amo e nós vamos sobreviver a isso, nós sempre podemos conversar ou ficar em silêncio juntos. Você é perfeito para mim Stiles, não importa o que Tom fez. Se ele tivesse te estuprado, se ele tivesse te machucado de outras milhões de maneiras, eu ainda te amaria, porque Tom não importa, você sim. — Stiles desabou em um choro entrecortado.

– Eu me sinto tão errado, tão... — Derek o calou com os dedos.

– Vamos para casa, um banho, chocolate quente e cama, é o que você precisa. Eu busco seu jipe depois. — Stiles concordou.

O silêncio se manteve durante o caminho, mas o contato físico com Derek era importante, as mãos entrelaçadas, a mão em seu joelho, os olhares doces, Derek sabia como deixar Stiles melhor e ele realmente estava precisando disso.

Chocolate foi uma ótima ideia, filme infantil também. Stiles estava rindo, rindo de verdade, como não fazia há meses. Ele nem conseguia lembrar a última vez que riu tanto na vida como agora. Derek estava satisfeito de tê-lo feito comer, vestir roupas suas bem quentes e se divertir um pouco, até que o menino adormeceu em sua coxa na metade do terceiro filme. Laura chegou e ele levou o garoto para o quarto, o cobriu e resolveu ligar para o xerife, John ficou feliz por seu filho estar seguro e no fundo satisfeito por estar mais receptivo, por ter chamado Derek.

Derek adormeceu ao lado do garoto depois de jantar com a irmã, Stiles não estava tendo um pesadelo e ele estava cansado, mas foi acordado com o garoto resmungando, chamando pela mãe. Ele levantou e acendeu o abajur, Stiles estava chorando enquanto dormindo e resmungando um chamado estranho pela mãe morta, ele puxou o menino contra seu peito e alisou seus cabelos, isso pareceu acalmá-lo e então estavam dormindo de novo.

No dia seguinte Stiles acordou dolorido, ele não lembrava de ter vindo para cama, mas tinha certeza que há muito tempo ele não dormia uma noite inteira. Derek estava ronronando baixinho ao seu lado e ele sorriu, sentiu tanta saudade do calor do outro que não se conteve e se enroscou no corpo do maior, o acordando sem querer. As bochechas coradas do menino ao ver o namorado acordar e um sorriso brotar em seus lábios eram um presente para Derek que o apertou mais contra seu corpo e beijou sua testa.

– Bom dia. — ele recitou baixinho, a voz rouca pelo sono, a vista embaçada.

– Bom dia. Você me ajudou a dormir melhor e me fez rir. — Stiles alisou a barba por fazer de Derek.

– Vou ficar com você, não importa o que aconteça. — Derek sorria e gostou do sorriso tímido que Stiles esbanjou nos lábios. — Tenho uma proposta para você. — o lobo correu os dedos pela coluna de Stiles enquanto o menino afundava o rosto na curva de seu pescoço.

– Boa? — Stiles estremeceu com as unhas do lobo raspando em sua coluna.

– Sim, uma viagem, para o Alasca. Se você quiser, é claro. — o garoto se afastou, estava tão surpreso e de repente tão animado.

– Isso é incrível! Mas e se meu pai não deixar? — ele teve uma súbita crise de realidade.

– Eu já falei com ele, depende apenas de você agora. — Stiles se jogou em cima de Derek, seria incrível.