Perfect – Simple Plan
John chegou em casa no dia seguinte sem saber exatamente o que tinha acontecido e viu o filho deitado na cama que Derek costumava dormir com Scott ao lado, os dois pareciam tensos e com o sono leve demais, se perguntou onde Derek estaria e ao dar uma volta na casa, percebeu que algo estava muito errado. Melissa não tinha dito nada além de, você veio para o hospital depois de deixar uma garrafa cair no pé do Stiles e ele mesmo viu o curativo no pé do garoto e agora com o filho de lado, uma gaze manchada de sangue na nuca, sentiu o estômago embrulhar, nunca tinha levantado a mão para o menino, seja lá o que tenha feito, já lhe causava culpa.
– Você acordou. — John comentou quando o menino entrou na cozinha.
– O que você está fazendo aqui? — Stiles estava na defensiva, não queria ver o pai, não queria lembrar das coisas que ouviu, das coisas que sentiu pela irresponsabilidade do homem que deveria protegê-lo.
– Eu sei que errei, me desculpe. Eu nunca deveria ter deixado a garrafa te machucar, não é como se meus sentidos funcionasse muito bem quando eu estou bêbado. — John não imaginava que Stiles estaria tão, estranho.
– Você não lembra de nada, não é? — Stiles estava com raiva, muita raiva. — Isso é tão típico de você. — ele deu as costas para o pai e saiu da cozinha.
– O que aconteceu ontem Stiles? — John segurou o filho pelo cotovelo e o garoto se afastou bruscamente.
– O que você fez? — Scott desceu ouvindo a voz alterada do amigo. — Você bebeu até se tornar a porra de um monstro e entrar aqui fazendo todas as merdas possíveis! Você mandou prender o Derek! Mandou prendê-lo porque sua bebedeira não o deixou enxergar que ele só estava fazendo o seu papel! Ele estava comigo quando eu tive um ataque de pânico bem no dia que minha mãe morreu! Ele estava aqui do mesmo jeito que esteve quando ela morreu! Ele e não você! Você mandou prendê-lo por pedofilia porque ele estava cuidando de mim! E depois ainda me bateu! Você! — ele apontava histericamente com as mãos em direção a John que sentia a cabeça rodar com tantas acusações, ele mal se lembrava de chegar em casa.
– Filho eu... — Stiles não permitiu que ele continuasse.
– Filho? Eu pensei que minha função fosse rebolar no pau do Derek, xerife! — as veias do pescoço de Stiles pulavam, ele estava vermelho e nervoso.
– Stiles, eu não lembro de nada! — o garoto bufou, não queria chorar, não podia ser tão fraco na frente do pai e não queria em hipótese alguma deixar aquilo passar.
– Bebe mais um pouco xerife, vai que assim você lembra. — Stiles saiu pela porta de casa a batendo.
Scott seguiu o amigo, mas não o encontrou como gostaria, o jipe ainda estava ali, tentou achá-lo, não deveria ter ido muito longe. Stiles começou a caminhar pelas ruas lentamente, estava cansado de tudo e não fazia ideia de onde Derek poderia estar, mas ele precisava tanto do moreno ali. Scott começou a caminhar do seu lado.
– Você não pode ficar andando tanto, seu pé. — o melhor amigo tentou alertar.
– Me empresta seu celular? — Stiles pediu parando.
– Claro. — Scott entregou o aparelho e Stiles discou.
Derek foi acordado com o barulho histérico do celular, se assustou e pulou da cama. Cora não estava mais com ele, na verdade ele estava sozinho e isso doía. Pegou o aparelho e viu o nome de Scott no visor, ficou preocupado e atendeu.
– Eu preciso de você. — Stiles falou assim que foi atendido.
– Onde você está? — Derek sentiu o coração apertar.
– Stiles, volte para casa. Nós precisamos conversar! — John gritou.
– Eu preciso de você. — ele repetiu antes de desligar.
Ele voltou para casa e dispensou Scott, não adiantava fugir do pai, ele precisava resolver tudo aquilo e queria Derek de volta, então precisava fazer mais do que gritar e fugir como uma criança birrenta e magoada. Entrou em casa e sentou no sofá, John sentou em frente a ele e esperou.
– Eu não lembro de ter feito nada disso, mas Derek estava na sua cama, disso eu lembro. — John se esforçava para lembrar de tudo.
– Eu tive um pesadelo e acordei em pânico. Não tinha ninguém em casa e eu não queria ficar sozinho, você esperava o quê? Que ele me deixasse lá com falta de ar? — John se encolheu.
– Foi tudo um mau entendido Stiles. — John tentou amenizar.
– Ele passou a noite sendo interrogado! Você apontou uma arma para ele! Pai! — Stiles bufou. — Mau entendido é quando a gente se engana, comete um erro bobo, isso foi negligência, abuso de autoridade, loucura! — John merecia aquilo, mas não esperava sentir tanta dor ao ver o filho daquela forma.
– Você gosta mesmo dele não é? — Stiles o encarou carrancudo.
– Ele estava fazendo o seu papel, já que se limitar ao que você paga ele para fazer não é suficiente para me manter seguro. — a rispidez de Stiles feria John de formas inimagináveis.
– E ele só faz isso? Você está gostando dele Stiles! Está na cara que você está envolvido com Derek Hale e isso na minha concepção é errado! — Stiles se levantou.
– Errado? Gostar de alguém é errado? Me explique, como? — John não sabia explicar direito porque tudo era tão errado.
– Você gosta de garotas Stiles, Derek está te usando. — o garoto deu uma risada sarcástica.
– E lá vem o xerife com essa porra de preconceito de novo! Eu gosto de pessoas tá bom? Não quero saber o que elas tem nas calças! O Derek me faz bem, mas nós não temos nada demais. — era mentira, mas Stiles via que John queria dar fim naquilo tudo.
– Eu vou retirar as acusações de Derek, ele não estava te aliciando, se estivesse você estaria gritando com ele como está fazendo comigo, mas eu não quero ele na minha casa e nem você andando por ai com ele. Estamos entendidos Stiles? Eu não quero esse rapaz perto de você e se eu vê-lo com você, vou colocá-lo atrás das grades para sempre. — Stiles bufou.
– Como você quiser xerife Stilinski. — Stiles subiu para o próprio quarto e se assustou ao ver Derek sentado na sua cama. — Que porra você está fazendo aqui? — Stiles trancou a porta e se encostou na mesma quando Derek se aproximou dele e o encurralou.
– Você disse que precisava de mim. — Derek tinha um olhar triste, provavelmente tinha ouvido tudo.
– Como você entrou? — a voz de Stiles estava calma e baixa, Derek estava próximo demais e isso o desconcertava.
– Janela, eu tenho treinamento militar lembra? — o garoto assentiu, mesmo que achasse impossível que o homem subisse e não quebrasse alguma coisa.
– Ele vai te prender se te ver aqui. — Stiles desviou o olhar. — É melhor a gente parar de se ver, sabe? Não quero destruir sua vida. — Derek levantou o queixo de Stiles com o indicador.
– Se você repetir isso de novo eu vou te socar até você implorar que eu pare. — o menino riu.
– Suas ameaças já foram mais eficazes. — Derek sorriu e o beijou. — Obrigado por vir, mas você precisa ir embora. — o menino não queria, mas era mais seguro.
– Eu vou te ligar. — Derek comentou já no telhado.
– Vou esperar. — Stiles fechou a janela, Derek saltou e foi embora.
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