Notas iniciais
Oi gente, desculpa. Eu andei e ainda estou um pouco em meio há um bloqueio criativo. Está difícil escrever, mesmo que eu tenha todas as peças quase encaixadas na cabeça. Vou tentar dar um jeito nisso. Por enquanto é só. Beijos :*

Home – Michael Bublé

– Sera que você não consegue enxergar o tamanho da sua irresponsabilidade Derek? Eu pensei que você fosse adulto o suficiente para saber que Stiles não passa de uma criança! E o que você faz? Você resolve transar com ele na sua casa, depois da porra de um sequestro onde o xerife pode usar tudo isso contra você! Você tem noção do que é para um lobo ficar preso? Ou para qualquer pessoa? Pelo amor de Deus Derek, não me faça tratá-lo como um idiota! — Laura bateu a mão na mesa de madeira da sala e Derek que até então tinha a cabeça baixa a encarou com os olhos brilhando em azul.

– Você já amou alguém Laura? Já se sentiu sufocado só de ver uma pessoa? Já sentiu a porra do teu coração martelar tão forte que chegava a doer? Você por um acaso já sentiu qualquer coisa por alguém? Porque eu posso jurar que não! Onde está aquela garota que sonhava com filhos e relacionamentos duradouros? Que se apaixonava e fazia questão de me empurrar para as garotas? Eu não sei qual o seu problema Laura, mas você não vai me dizer o que eu posso ou não fazer com o Stiles, não vai me fazer sentir mal quanto ao que fiz aqui com ele e nem de longe vai conseguir me afastar dele também. — a loba rosnou.

– Você quer destruir nossa família de novo? Quer cometer os mesmos erros de antes não é? Então vai lá, deixa ele entrar na sua vida! Conhecer seu segredos! Deixa ele te trair e destruir a porra da família que te sobrou e depois Derek, não espere que eu esteja lá para dizer que não foi sua culpa, porque eu não vou fazer isso! — Derek rosnou alto, ambos transformados e em posição de ataque se encaravam.

– Nunca mais compare Stiles com Kate! Nunca mais entendeu? E não tire a porra da sua responsabilidade da merda que aconteceu! Ela era sua melhor amiga! Não minha! Sua! Você me empurrou para ela! Você Laura! — O rosnado de Laura ecoou pelo apartamento e Derek se encolheu, os olhos da loba brilhavam em vermelho escarlate e ele não conseguia não se curvar e se submeter a sua alfa.

Ela se afastou ao ver o irmão completamente humano e encolhido e engoliu em seco muitas vezes até ver o olhar tomado por mágoa de Derek. O lobo não disse nada, se levantou e saiu do apartamento batendo a porta, ela escorregou até o chão e deixou as lágrimas fluírem. Derek não sabia para onde estava indo, só sabia que em casa ele não conseguiria ficar. Laura o obrigou a se submeter e isso nunca tinha acontecido antes, ela nunca o tinha obrigado a fazer qualquer coisa e ele não estava preparado para ser feito de marionete por causa da própria felicidade.

Stiles chegou na casa de Scott com um sorriso de orelha a orelha e o melhor amigo suspeitou que ele tivesse passado um dia muito bem ao lado de Derek, resolvido a questão de se sentir abandonado e sozinho e toda a merda que Stiles fosse capaz de supor quando se tratava do próprio relacionamento. Stiles estava tão animado que decidiram jogar videogame e só se deram conta da hora quando já tinha anoitecido há horas.

– Vou nessa cara. — Stiles pegou sua mochila.

– Tem certeza que não quer ficar? Amanhã de manhã você pode voltar. — Scott deu de ombros, ele queria que o melhor amigo ficasse para não precisar andar por ai tão tarde e sozinho.

– Não tem problema cara, estou com o jeep, relaxa. — Stiles seguiu para a porta. — Obrigado por tudo cara. — eles se abraçaram, Scott sabia que não era agradecimento pelo jogo ou por acobertá-lo essa tarde, era por tudo desde o início, todos os anos.

– Me avisa quando chegar pelo menos? — Stiles riu.

– Parece minha mãe Scott. — os dois riram. — Eu mando uma mensagem. — assim ele entrou no jeep e partiu.

Chegar em casa não foi tão difícil quanto encontrar seu pai abrindo uma garrafa de uísque na cozinha. Stiles não esperava encontrar o xerife em casa e muito menos prestes a encher a cara. Aquela cena o fez repassar muitas coisas que aconteceram desde a descoberta da doença de sua mãe e ele sentiu um grande aperto no peito e suspirou, invadindo a cozinha e tomando a garra das mãos do pai, a abrindo e despejando o líquido de cheiro forte dentro da pia.

– Stiles! — John estava surpreso e ao ver o que o filho fazia quase que automaticamente, sentiu-se envergonhado. — Eu... — apesar de querer acreditar no pai, Stiles não conseguia conter a enxurrada de palavras que despejou.

– Você não tem o mínimo de consideração por mim, não é? Porra pai! Você não é mais criança, está morrendo a cada dia! Todos nós estamos, eu sei e não me venha com aquele discurso ridículo de “eu sou seu pai, você tem que me respeitar”! O caralho que eu tenho que respeitá-lo! Você não vai encher a cara dentro da nossa casa! Não vai ficar manchando a memória da mamãe e machucando as pessoas que o consideram importante... — Stiles soluçou. — eu não vou deixar você machucar mais ninguém. — John se aproximou e tomou a garrafa das mãos do garoto, a deixando dentro da pia e o menino o encarou. — Eu não vou permitir que você me machuque de novo, que você se mate desse jeito. — Stiles tremia e John não sabia o que dizer, com isso o puxou contra o peito e o apertou em um abraço. — Não! — Stiles se debateu até se afastar. — Nós não estamos bem. — John o encarou com os olhos brilhando em frustração, confusão e lágrimas.

– Stiles... — o garoto caminhou para a sala, não aguentava mais aquele cheiro de álcool. — Stiles, me desculpe. — o menor encarou o xerife.

– Você se desculpa hoje e depois volta a encher a cara! — Stiles era duro em suas palavras e John sabia que merecia.

– Me perdoe filho, eu só não consigo... é difícil para mim também! Sua mãe faz falta, você está tão distante que mau nos olhamos e todo esse sequestro, aquela confusão com o Derek, o que você passou... — John desviou o olhar e Stiles bufou.

– Por que não pergunta de uma vez o que quer saber? — John hesitou, ele nem conseguia cogitar a ideia de falar sobre o que o filho passou, ele nem conseguia lidar com o fato do garoto gostar de Derek.

– Você sabe que isso não é importante, sabe que o que está em questão é que não somos mais como antes e eu sinto falta disso. Eu não consigo ver o menor sentido nessa vida, vendo os casos se amontoarem sem respostas, você afastado, sua mãe morta. Acha que é fácil para mim? Acha mesmo que tudo isso é mais fácil por eu ser mais velho? — Stiles franziu o cenho.

– Em primeiro lugar, eu nunca pensei que perder a mamãe fosse fácil para qualquer um de nós, nunca sequer cogitei a possibilidade do seu trabalho ser fácil ou toda essa merda pela qual eu tenho passado não o afetasse. Você é meu pai, eu espero que ao me ver sofrer, sofra também. Acha mesmo que eu não sei o quanto você gostaria de tirar os laudos do exame de corpo de delito. Quando você leu lá que encontraram sêmen do Tom? Acha que eu não tenho a menor ideia de que você colocou nessa sua cabeça que ele me estuprou como fez com centenas de garotas? — aquele excesso de sinceridade de Stiles deixava John atordoado.

– Eu não quero falar sobre isso. — foi o que o xerife conseguiu dizer.

– Não quer? Que droga pai! Você nunca quer falar sobre as coisas difíceis e nunca me escuta! A mamãe me escutaria, a mamãe não viraria as costas para mim como você está fazendo agora! — Stiles estava começando a ficar com raiva.

– E o que você espera que eu faça? — John o encarou em meio aos berros. — Você quer falar sobre como ele te estuprou? Vá em frente! Eu vou ouvir cada detalhe Stiles e isso não vai fazer bem a nenhum dos dois, porque eu não vou conseguir te encarar de manhã e vou precisar de muito mais garrafas para não pensar que tudo isso é culpa minha! — Stiles engoliu em seco, a proximidade do pai, o tom violento, ele não queria sentir medo, mas sentia.

– Ele não me estuprou. — foi o que o garoto conseguiu dizer. — Ele nunca sequer tentou e a culpa não foi sua. — Stiles estava cansado demais. — Não precisa olhar para mim de manhã. — John encarou o garoto ainda surpreso por aquela revelação e viu o filho subir as escadas em disparada, com o choque da porta do quarto, teve certeza de que não deveria procurar Stiles naquele momento e que seria bom aprender a lidar com o mais novo e seus próprios receios mentais.

Stiles estava furioso e histérico. Ele queria socar e chutar qualquer coisa, ao mesmo tempo que se esconder e chorar eram seus desejos mais profundos. Entrou no quarto batendo a porta com força demais e se deparou com Derek sentado na sua cama, não quis saber como o lobo entrou ali, há quanto tempo estava parado naquele quarto ou qualquer coisa, ele só conseguiu correr e se jogar na cama, encolhido nas cobertas e sentindo Derek o abraçar, acolhê-lo no momento em que ele mais precisava.

Derek ouviu a maior parte da conversa e precisou se controlar para não descer e enfiar a sanidade de volta na cabeça do xerife e quando seu namorado entrou no quarto exalando tristeza e fúria, ele só conseguiu esperar por um reação e então o abraçar. Os soluços eram altos e ele sentia a dor do menino quase palpável entre seus dedos, manteve o silêncio, ele queria confortá-lo, mesmo que achasse isso um pouco improvável nesse momento.

Stiles parou de chorar em algum momento, ele nem sabia como ou por quê se sentia tão seguro ao lado de Derek, tão completo, se virou de frente para o lobo, seus olhos inchados e vermelhos, seu rosto corado e molhado e sua pele arrepiando com o carinho ingênuo que recebia nas costas por cima da camisa que vestia, os olhos de Derek expressavam sua dor em vê-lo assim, triste e isso o tocava de maneiras inimagináveis. Stiles queria poder fazer o mundo sumir e sobrar apenas eles dois, apenas aquela sensação de que a vida poderia ser boa, quando estavam juntos, mas a realidade não funcionava assim e isso o trouxe de volta em um suspiro longo e pesaroso.

– Eu não quero falar sobre isso. — ele começou levando os dedos longos ao contorno da barba de Derek.

– Tudo bem. — Derek já sabia o que tinha acontecido, mas não achou que fosse um bom momento de falar sobre a sua superaudição.

– Como você entrou aqui? — o menino perguntou sem deixar de alisar o rosto do maior.

– Pela janela. — Stiles desceu a mão pela mandíbula de Derek, fazendo a curva do pescoço e alisando um pouco o ombro, o lobo resmungou.

– Você trocou os curativos? — o menino sentou na cama encarando a careta de dor de Derek.

– Não, eu meio que... — a pausa não foi longa, mas Stiles se apressou em levantar. — não voltei para casa desde que você saiu. — o lobo observou o menino pegar uma maleta de dentro do armário e obrigá-lo a sentar.

– Tire a camisa. — ele pediu. — Você é tão inconsequente. — Stiles desfez o curativo ouvindo o lobo reclamar da dor. — Não resmungue, é culpa sua. — ele limpou o local com água oxigenada.

– Você é tipo aquelas enfermeiras velhas e ranzinzas Stiles. — Derek zombou e recebeu um beliscão. — Ai! Idiota. — o lobo xingou ai sentir o menino cobrir as feridas com gaze.

– Você está quase sem infecção. — o menino beijou a nuca de Derek que se arrepiou. — Agora me diz, o que te trouxe ao meu quarto grandão? — Stiles estava tentando deixar porta a fora suas preocupações com o xerife.

– Eu briguei com a Laura. — Stiles congelou.

– Por minha causa? — Derek sentiu a culpa do menino e o puxou para a cama.

– Por causa dela. — ele suspirou.

– Quer falar sobre isso? — Derek fez que não e afundou o nariz na curva do pescoço de Stiles que se encolheu. — Isso faz cócegas. — o lobo provocou mais algumas risadas até que Stiles roubou um beijo quase casto dos lábios dele. — Porque os olhos dela são vermelhos e os seus azuis? — o silêncio confortável foi quebrado por uma pergunta que Derek esperava já há algum tempo.

– Ela é uma alfa e eu um beta. — Derek tentou não se estender nas explicações, tinha medo de assustar o garoto.

– Cora é o quê? Porque os olhos dela são dourados, então... — Derek apertou mais o abraço em volta de Stiles.

– É tudo muito complicado, você quer mesmo falar sobre isso agora? — Stiles se desvencilhou e encarou Derek.

– Eu acho que mereço algumas respostas. — o menino estava sério e Derek suspirou se deitando de costas na cama, mesmo que isso o incomodasse um pouco.

– Minha família vem de uma linhagem de lobos nascidos, ou seja, não somos transformados e sim nascemos metade humanos e metade lobos. Podemos nos transformar em lobos gigantes algumas vezes e em lobisomens na maior parte do tempo. — Stiles ainda estava sentado e olhando para o lobo que encarava o teto enquanto falava. — Somos divididos em três grupos, os alfas que comandam o bando, como em uma matilha de animais, eles tem o poder de tomar decisões e o dever de controlar e ajudar seu bando a ficar em segurança, os olhos vermelhos são sua marca, como os de Laura, os betas, como eu e a Cora, que somos ligados a nossa alfa e temos obrigação de protegê-la, mantê-la segura e confiar cegamente em seu julgamento, nossos olhos variam de azul para dourado. Dourado é a cor normal dos olhos de um beta, nossos olhos se tornam azuis quando provocamos a morte de alguém inocente. — Derek fez uma pausa, esperava alguma reação de Stiles que não veio, o garoto tinha percebido a deixa para ele falar, mas se manteve quieto. — E tem os ômegas, eles podem ter olhos azuis ou dourados, isso não importa para eles, são independentes e alvos dos caçadores. Andam por ai desprotegidos e não devem lealdade a ninguém. — Derek suspirou e apertou os olhos.

– São livres. — Stiles comentou olhando para o homem deitado na sua cama. — Cora, me contou a história da sua primeira namorada, foi confuso e eu não me lembro direito, estava tão frio... — o garoto estremeceu e desviou o olhar. — Paige morreu e por isso seus olhos são azuis, você a matou. — Stiles não queria que aquilo soasse como uma acusação, mas tinha a impressão de ter falhado.

– Paige sabia que eu era um lobisomem e nunca me contou, achava que algum dia eu revelaria, Peter me convenceu de que ela sendo humana era perigoso, para a nossa família e para ela mesma, então ele pediu por mim, pediu para que um dos alfas a transformasse e... ela não resistiu a transformação, ela estava sofrendo e tudo era minha culpa. Eu só consegui libertá-la daquela dor. — os olhos de Derek brilhavam em azul, sua dor completamente explícita ali e Stiles só teve a reação de deitar ao lado do lobo e se aninhar em seu peito.

– Desculpe por fazê-lo lembrar. — o menino pediu em um tom baixo, sua mente transbordava em questões não resolvidas. — O que mais vocês sabem fazer, além de morder? — seria uma longa noite para aqueles dois. Stiles estava sedento por informações e Derek não se negaria a explicar nenhuma.