Rigorosamente proibido, ligeiramente permitido
14 Desentendimento
Notas iniciais
Human – Christina Perri
Derek não imaginava encontrar com Jennifer na cidade e muito menos de receber um convite para jantar naquele dia em que nada estava dando certo. Ele deveria estar cuidando de Stiles, ou melhor, ele deveria conversar com o menino e deixar de ser tão estúpido ao ficar remoendo algo que ele mesmo causou. Se Stiles acreditava que o que eles tinham era uma consequência da insistência do mais novo, era obrigação dele o pilar que deveria ser responsável, quem detinha mais experiência provar que as coisas não funcionam dessa forma, mas Derek não era tão aberto sentimentalmente para isso, seu medo de se magoar, de revelar seu lado animal e de ferir o menino sobrepunham qualquer desejo e isso tinha consequências, ele só não sabia se podia conviver com elas.
– Você parece tenso. — a morena tocou seus dedos enquanto esperavam pela comida, ele se retraiu.
– Eu deveria estar trabalhando, não tenho certeza de que Stiles está seguro na casa do amigo. — Derek estava falando a verdade, queria estar perto do menino, mas não queria forçar nada.
– Ele é bem grandinho e aquele psicopata maluco nem está em Beacon, está em São Francisco, preso. — ela voltou a acariciar os dedos de Derek.
– Você já foi apaixonada por alguém? Alguém que te deixasse sem rumo e fizesse sua respiração sumir todas as vezes em que sorri? — Jennifer suspirou, conseguia se lembrar do ex-marido que a deixou por outra, ela era tão apaixonada.
– Claro que sim. — ela deu um sorriso triste. — Mas estar apaixonado não faz tudo mais fácil, só se for correspondido. — Derek quem sorriu dessa vez.
– O que você faria se estivesse em uma saia justa e precisasse provar que gosta de alguém, mas faltam palavras. — Derek não fazia ideia do por que perguntava aquelas coisas para a professora.
– Dificilmente me faltam palavras, mas eu saberia o que fazer. Faria exatamente como agora, correria atrás do que desejo. — ela estava levemente inclinada para frente, quase seus lábios tocaram o do lobo que desviou olhando através da vitrine do restaurante, Stiles o estava encarando com Scott, o olhar magoado e a sensação de ter ferido quem ele amava, mais uma vez.
– Com licença. — ele pediu se levantando e indo embora, Stiles não estava mais lá, mas seu cheiro estava vívido.
O garoto corria, Scott tentava acompanhar o amigo, mas sua asma começou a atrapalhá-lo e ele deu uma pausa tentando se recuperar com a ajuda da bombinha. Stiles não parou e quando se deu o luxo de olhar para trás e ver se Scott o seguia, viu-se sozinho em meio a reserva de mata fechada de Beacon Hills, estava escurecendo e ele não fazia ideia de como sair dali. Scott tentou achar o amigo, mas não conseguia, ele conhecia melhor aquela reserva por causa de Allison, adoravam matar aula para passearem por ali, mas Stiles quase nunca entrava por aquelas bandas e o menino certamente estaria desesperado e perdido. Derek continuou a seguir o rastro dos garotos, semi transformado e completamente transtornado ele viu o cheiro se espalhar por vários pontos e uma chuva fina começar a cair, limpando parte dos rastros conforme engrossava.
Sem sinal e no escuro, Stiles acabou tropeçando em uma pedra e caindo feio no chão, tudo ficou escuro e ele apagou. Scott achou o melhor amigo sangrando e desmaiado, ficou desesperado e pegou o celular, não sabia para quem ligar e se assustou ao ver Derek ao seu lado com uma expressão culpada e em pânico. Era responsabilidade de Derek manter o menino seguro e ele não conseguiu, com isso se desesperou. Tocou Stiles e viu que ele tinha pulso, estava forte e só desmaiara, mas tinha muito sangue saindo de seu supercílio.
– Vamos levar ele para a clínica veterinária. — Scott sugeriu.
– Vou levá-lo para um hospital, ele precisa de pontos. — Derek pegou o menino no colo com tanta facilidade que Scott se assustou.
– Assim minha mãe vai ligar para o xerife e você vai ser responsável por isso, Stiles ia odiar tirar o seu emprego. — Scott insistiu enquanto Derek caminhava para fora da mata.
– Eu não me importo, ele precisa ver isso, pode ter uma concussão. — Derek colocou o menino dentro do camaro e Scott entrou no carro ao lado do amigo, segurando sua cabeça nas coxas.
– Pare de ser cabeça dura, Deaton sabe cuidar muito bem de animais, não vai ser difícil dar alguns pontos em Stiles e passar analgésicos. Não vai ser a primeira vez. — Derek encarou Scott, recorrer ao veterinário era algo comum para aqueles adolescentes.
– Me diz o caminho. — ele deu partida.
Stiles acordou com um toque quente em seu rosto, manteve a respiração calma e tentou não alertar ninguém ao seu redor. Ouviu um lamurio baixo e percebeu que era Derek quem choramingava palavras de afeto e lhe acariciava o rosto. Ouviu atentamente o que o maior dizia, só para então sentir seu coração inchar com tanta felicidade.
– Eu deveria ter dito para Laura que estou apaixonado por você, criança. Deveria ter aberto o jogo desde o início. Eu tenho muito o que compartilhar com você, mas tenho medo. Você não entenderia minha natureza, não entenderia nada do que sou capaz, sentiria medo de mim, eu não quero te machucar Stiles, só quero que fique seguro, só quero que seja feliz. — Stiles agarrou o lobo pelo pescoço e o beijou.
Foi um movimento inesperado para Derek Hale, mas ele aceitou o carinho de bom grado, mesmo quando o beijo do menino ficou mais afoito e desesperado, mesmo que seus dentes se chocassem as vezes, o garoto risse entrebeijo e eles voltassem a se curtir com os lábios, Derek sabia que ele tinha ouvido tudo, mas não imaginava que ele fosse perdoá-lo e aceitá-lo, não imaginava que ainda tivesse alguma chance depois do que aconteceu.
– Você nunca mais chega perto daquela professora de literatura erótica. — Derek riu.
– Ela não é profes... — Stiles o beijou de novo.
– Cale a boca Derek, eu não quero ouvir você defendê-la. — Derek sorriu e se separou do menino.
– Alguém pode entrar. — garoto voltou a deitar na maca de metal frio.
– Quero ir para casa. — ele pediu sentindo a mão do maior entrelaçada a sua.
– Você vai, Deaton só está analisando sua radiografia. — ele assentiu e voltou a fechar os olhos.
– Estou com sono. — ele reclamou.
– É o anestésico. — o menino já estava dormindo.
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