Rigor mortis

5 Livrai-nos do fogo do Inferno


Eustáquio respirou fundo e fez o sinal da cruz sobre o peito. A queimadura lhe ardeu como brasa sob a camisa, mas ele travou os dentes e tentou ignorar a dor.

Tinha de fazer aquilo enquanto ainda dispunha de tempo. Göhr lhe mostrara a ampulheta quando deixaram o carro de aluguel, e a quantidade de areia que restava não era animadora. Já está feito.

Padre Jonas o recebeu com um sorriso de velhaco, o fez entrar no confessionário abafado e pigarreou três vezes – como previra. Eustáquio contou-lhe pecados inventados e ouviu as penitências. Seus punhos estavam cerrados sobre as pernas, um reflexo para tentar controlar a dor.

Eustáquio estava já na Salve Rainha quando a porta do confessionário se abriu. Ele estremeceu, mas não abriu os olhos. Venha, seu ordinário, interrompeu a oração para uma anátema.

O padre Jonas aproximou-se e levantou a batina. Venha.

Quando ele estava próximo o bastante para que Eustáquio pudesse sentir seu calor, Göhr cumpriu sua parte do acordo. Houve um estalo e o padre ardeu sob chamas negras.

Eustáquio deleitou-se com a expressão horrenda e os gritos por misericórdia.

Pouco lhe importava que não teria mais uma alma depois disso. Estava livrando-se do mal.

Notas finais
E é isto! "Rigor mortis" foi minha primeira experiência escrevendo terror. Eu já tinha alguns rascunhos há um tempo, e o NaNo me fez dar forma a eles, haha. Espero que você tenha gostado. Obrigada por ter lido até aqui. ♥ Lollallyn.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!