Notas iniciais
Esse capítulo foi escrito em um impulso, por isso é bem pequeno. Eu acho que vocês vão entender porque eu coloquei ele ai.

As gárgulas negras que repousavam sobre as muralhas envelhecidas de Pedra do Dragão observavam fria e orgulhosamente os tripulantes do Maegor gerando comentários, risadas e orações entre eles; mas Valerion Targaryen não se importava, ele não poderia se importar. Aquela era a sua casa- antes de Lys, Volantis ou o Mar de Jade-, Valerion não deveria ter medo daquelas malditas estátuas, ele era do sangue do dragão.

Imóvel sobre a proa do navio, Valerion sentia o vento e a areia vindos da ilha contarem-lhe o rosto, mas não esquivava-se ou cobria-se. Ele merecia cada um daqueles açoites. Ele não tinha honra, não tinha esposa, sua amante o odiava e seu reino ruira.

—Valerion?- Uma voz rouca chamou-o, mas ele não se virou. Seus olhos violetas não conseguiam desviar-se da fortaleza ancestral de sua família.- Você tem certeza de que essa é a melhor hora para retornar?

—Por que não seria?- Questionou Valerion, sentindo seu almirante Lyohan Drahar, postar-se a seu lado. O tataravô de Lyohan fora um grande comandante da frota de Myr, mas atualmente sua família havia caído em desgraça, e tudo que restara a Lyohan era ser empregado no navio pirata de um Targaryen esquecido.

—Sua família.- Explicou Drahar.- Ela pode não reagir bem.

—Minha família nunca reagiria bem a minha volta.

—Tenho certeza que eles sentem sua falta.

—Não precisa ser doce, Drahar.- Murmurou Valerion, quando Maegor parou em frente aos enormes portões de Pedra do Dragão.- Não é nenhuma princesa.

Quem vem lá?- Gritou um guarda, parado sobre a proa de outro navio, cuja vela ostentava um dragão de três cabeças.

—Príncipe Valerion Targaryen, sor.- Respondeu Valerion.- Príncipe do Mar Estreito.

—Agora vejo seu estandarte, traidor.-Disse o guarda. Valerion não se importou em corrigi-lo.- Aporte se quiser, mas não há estalagens disponíveis.

—Pretendo ficar em casa.- Estavam perto o suficiente do barco para que o príncipe distinguisse as feições do guarda.- Mande alguém ao castelo. Diga que o príncipe está devolta.

—Também não garanto que sua família vá abriga-lo.- Cuspiu o guarda, voltando ao convés de seu navio.

É óbvio que minha família vai me abrigar, tentou convencer-se. Eles eram sua família.

Além disso, tinha quase certeza que sua mãe estava em Porto Real, supunha que ela seria a única que negaria-lhe abrigo. Saera iria deixá-lo entrar, Aenna também. Ele tinha algumas dúvidas sobre Daeron e Baelon. Mas você tem mais uma irmã.

Janny., lembrou, Uma das razões pelas quais você fugiu.

—Acha que ela ainda se lembra de mim?- Questionou, quase em um sussurro.

—Quem?- A voz de Drahar soava confusa.- Mysaria?

—Não.- Respondeu Valerion.

—Existem muitas “ela” em sua vida, Targaryen.- Suspirou Lyohan.- E não do jeito bom.

—Queria que isso não fosse verdade.

Observou o porto se aproximar rapidamente, mas não o suficiente. Libélulas se reviravam em seu estômago, ele pensava seriamente em dar meia-volta e correr de volta para Essos. Não, Valerion, você vai até o fim dessa vez, disse, para si mesmo. Além disso, um navio não dava a volta assim tão facilmente. Suspirou, tentando manter a calma.

O navio aportou suavemente; velas foram recolhidas; âncoras atiradas ao fundo arenoso do mar.

—Meu senhor?- Drahar parecia sentir seu medo.- Está na hora de sair.

Porém, seus pés tocaram- mesmo que através das botas-, a praia de pequenas pedras de Pedra do Dragão, ele nunca se sentira tão completo. Fora como expirar depois de anos trancando a respiração. Alívio. Ele jamais pensara que sentiria aquilo em terras westerosis.

Caminhou firmemente em direção aos portões da fortaleza, os quais se abriram lentamente. Enfim em casa.

Todavia, ele não poderia esquecer o motivo de sua repentina peregrinação. O nervosismo subitamente voltou, juntamente com sua vontade de se esconder dentro de seu navio. Sabia que o chamariam de louco e o expulsariam de Westeros novamente; que pensariam que era apenas uma desculpa, que ele era crente demais em rumores. Os Deuses sabiam, no entanto, que não era nada disso.

Ele os vira, com seus próprios olhos, tinha certeza que não o haviam enganado. Um dragão sabia reconhecer outro quando o via.

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A besta negra balançou suas asas enormes levantando fuligem e poeira, seu rugido quase ensurdecendo a pequena e pálida criatura sobre ele. Agora ela estava sobre ela, observando as centenas de pessoas que guinchavam, aterrorizadas, ao seu redor; porém, uma delas se destacava: uma outra mulher, muito parecida com a montadora, que a encarava, não com terror ou surpresa, mas sim ódio e fogo nos olhos. Esta grunhiu, e correu em direção a algo.

Apenas então a princesa percebeu a outra criatura, idêntica a qual estava sobre, que agora subia em direção aos céus. Porém, esta era prateada, e parecia reluzir a luz solar. Ela não controlava mais suas ações, era como se fosse apenas uma espectadora dentro de seu próprio corpo.

Valahd!- Ouviu-se dizendo. A besta negra ergueu-se, guinchando, e foi de encontro a prateada.

—Valaena!- Era a voz de sua septã.- Estava dormindo?

—Não, senhora!- Disse, ainda grogue de sono.

—Continuando- A septão parecia desconfiada.- Então Baela foi de encontro a Sunfyre e…

Deve ter sido isso, pensou, tentando se acalmar do sonho turbulento. Moelle estava falando sobre dragões, então sonhei com eles, apenas isso. Porém, não importava o quanto dizia isso para si mesma, ela sabia que não havia sido culpa da septã Moelle. Aqueles sonhos vinham a assombrando faziam semanas, e ela sabia que significavam algo ruim.

Notas finais
Como devem ter percebido, eu não vou deixar de escrever Rightful; essa semana o capítulo foi ~bem~ pequeno, e isso, se deve, além dele ter sido escrito em um impulso, ao bloqueio que ainda está aqui. Mas eu garanto que o próximo capítulo vai ser maior e melhor! Beijos!