Notas iniciais
Olá! Bem, esse capítulo demorou um monte pra sair, até porque eu mudei de ideia sobre ele umas mil vezes. Tem mais coisa que eu gostaria de dizer, mas acho que faz mais sentido comentar no final do capítulo, então LEIAM AS NOTAS FINAIS

Caminhou lentamente pelo chão frio e cor de sangue da casa de gelo, sentindo seu corpo estremecer embaixo das peles. Tocou o próprio braço, sentindo a mão fria, apenas aí percebendo que suas peles macias e quentes haviam desaparecido. De repente, o vento congelante entrou pelas janelas, agora abertas; ergueu os olhos para encará-las, mas tudo o que via era gelo. Gelo e olhos azuis como este. Viu uma mão estender-se pelas janelas, e recuou para o lado contrário.

Nesse momento, sentiu garras geladas agarrarem seu braço. Virou-se para fitar uma criatura feita de gelo, com a pele azulada e fina e olhos brilhantes como estrelas. Uma criatura assustadora e bela ao mesmo tempo. Esta sorriu, e subitamente a garota se viu em outro lugar.

Ela conhecia aquele lugar. As paredes cinzentas, as pedras envelhecidas, as trepadeiras sem flores. A torre quebrada.

Prendeu a respiração; ela também sabia o que aconteceria em seguida. Virou-se para encarar seu ex-amante. Lembrava-se de sorrir todas as vezes que ele se aproximava, também sorrira naquela noite- pelo menos na primeira vez que a vivera; porém, ver o rosto de Fergus naquele momento lhe dava ânsia de vômito. Ela tentou se afastar, mas ele continuava se aproximando, um olhar felino em seu rosto. Seus pés pareciam cravados no chão, sua boca incapaz de emitir qualquer som.

Dara, ele disse, pegando-a pelos ombros. Dara, repetiu, jogando-a no chão, o cheiro de bebida exalava dele, seus companheiros riam do desespero da garota. Ela apenas os percebera ali naquele momento. Dara, ele levantou seu vestido, aparentemente alheio às súplicas e lágrimas da loba de Winterfell. Dara, ele se aproximou mais e…

—Dara?- A voz não era mais a de Fergus, não eram mais as risadas de seus amigos, não era mais a Torre Quebrada de Winterfell.- Querida, está tudo bem?

—Mãe?- Eddara Stark suspirou aliviada, segurando a mão de Lysara Umber firmemente.- Graças aos Deuses.

—O que aconteceu, Dara?- A mais velha questionou, retribuindo o aperto da filha.

—Apenas um sonho ruim.- Forçou-se a sorrir.

—Você anda tendo muitos destes. Principalmente desde que avançamos para o sul.- A mãe parecia preocupada, apesar disso.- Talvez seja o estresse. Você não é acostumada com mudança

—Tem razão, mãe.- Eddara concordou. Talvez a mãe estivesse certa. Dara odiava mudanças, era provável que a repentina viagem para Porto Real e sua distância da neve e calma estivesse afetando sua mente.- Onde estamos?

—Em Porto Real, meu amor.- Respondeu, como se fosse óbvio.- Chegamos faz alguns minutos, por isso tentei te acordar.

—Claro.- Dara estendeu a mão para observar as ruas da capital dos Sete Reinos.

Uma sombra inquietante pairava sobre a cidade; como asas negras encobrindo o geralmente abundante sol de Porto Real, lembrando à todos das guerras, pestes e da fome marcados nas memórias até daqueles que eram jovens demais para entender seus motivos.

As nuvens cinzentas que cobriam o céu porto realense, predizendo a iminente tempestade que se aproximava, apenas ajudavam a firmar a aura melancólica e tensa que dominava a cidade. Porém, elas eram um bom presságio: chuva significava, além do aguardado término da seca que já havia durado dois anos, o ínicio da primavera e, consequentemente, o fim de um inverno que já durava treze anos.

Eles estavam dentro da cidade, e diversos curiosos se aglomeravam pelas ruas para ver a comitiva dos Stark passar. Sua grande maioria miseráveis, cadavéricos e vestidos em farrapos. Serão estes que lutarão pelos Targaryen quando a guerra chegar?, fez uma careta.

Ouviu um portão se abrindo, e a carruagem avançou mais rapidamente. Os murmúrios ao seu redor aumentaram, até que a carruagem parou por completo. Sentiu uma batida leve na porta, e viu-a ser aberta lentamente, revelando um guarda Stark, vestido de cinza. Este ajudou Dara a sair, em seguida da senhora Lysara. Do outro lado do pátio, seu pai e irmão desmontavam de seus cavalos.

—Vossa Majestade, o rei…- Começou o arauto, sendo interrompido por um homem de manto branco.- … a rainha Elaena da Casa Targaryen, rainha consorte dos Sete

Reinos- e Matadora de Dorneses, e Queimadora de Sacerdotes, e Elaena Sangrenta, completou mentalmente, tomando seu lugar entre o irmão Clavius e Lyanna. Seus outro irmão, Brandon havia ficado em Winterfell, afinal, sempre deveria haver um Stark em Winterfell.-, a Mão do Rei, príncipe Baelon Targaryen; a princesa de Pedra do Dragão, Saera Targaryen; e a princesa Rhaenys Targaryen.

—Majestade.- Eddara se ajoelhou imediatamente, quando a rainha e os principes passaram pela abertura em arco do pátio, observando-a com cuidado.- Altezas.

—Lorde Stark- a rainha Elaena disse, dirigindo-se apenas a lorde Beren.- Vejo que deixou o luto por sua mãe no norte.

—Não se deve sofrer pelos mortos.- Respondeu Beren, friamente.

—Claro que não.-A rainha fez uma careta, indo em direção a mãe de Dara, que refez sua reverência.- Senhora Lysara.

—Majestade.- Disse Lysara.- Ainda sofremos muito pela perda de nossa querida mãe, a princesa Daena. Gostaria de, mesmo que tanto tempo tenha se passado, oferecer-lhe meus pêsames.

—É educada, senhora Lysara.- Elaena sorriu, indo em direção aos três Starks mais jovens.- Deveria ensinar boas maneiras para seu marido.

—Vossa Graça.- Murmuraram os três em uníssono.

Eddara observou a rainha atentamente, alerta a cada um de seus passos. Ela era graciosa e fria, e parecia-se com uma deusa com seu vestido negro e cabelos de prata; sua coroa, de ouro vermelho, incrustada de ametistas negras e rubis, aninhada em seus cachos de prata, apenas complementavam a imponência que parecia irradiar dela.

Imponência essa que fora, sem dúvida, transmitida para os filhos.

Imóveis como estátuas, os três que haviam vindo recepcionar os Stark eram como as mais belas estátuas. Baelon era, de longe, o mais parecido com a mãe; magro, com o rosto anguloso e os olhos púrpuras escuros. Assim como os da irmã Saera, que apenas mantinha um rosto levemente arredondado e os cabelos um tom mais escuro. A mais diferente de todas era Rhaenys, e não só por ser a mais nova. Seu rosto era mais delicado, seu cabelo mais claro e seus olhos de um lilás claro.

—E vocês, são?- A voz da rainha despertou Eddara de seus pensamentos.

—Clavius Stark, Vossa Graça- disse o irmão mais velho, fitando o chão.-, herdeiro de Winterfell.

—Lyanna Stark.- A mais velha falou, rudemente.

—Eddara, Vossa Majestade.- Dara se curvou perante a Targaryen mais velha.

—Lorde Beren, siga-me.- A rainha deu as costas para eles, indo em direção a abertura em arco.- Rhaenys, mostre-lhes o castelo.

A princesa mais jovem finalmente saiu de sua posição de estátua e foi em direção aos Stark, sorrindo. Eddara sorriu de volta, sentindo borboletas voarem em seu estômago.

**********

—Não é hora de ser misericordioso!- Gritou Sor Mareon, batendo as mãos com força contra a mesa de madeira.

—Acalme-se!- Guinchou Rodwell, imitando o outro.-Ele deve decidir, não você!

—Nem você, Rodwell!- Sor Mareon deu a volta na mesa, exasperado.- Se não o matarmos, seremos vistos como traidores da coroa!

—Se o matarmos, teremos os Bolton e os Ryswell contra nós.- Rodwell deu as costas para ele.

—É melhor do que ter Sete Reinos!

Brandon assistiu a cena calmamente, enquanto via os cavaleiros se degladiarem. Às vezes, pensava que Winterfell seria bem melhor se os expulsasse de lá. Já faziam duas horas que tentavam convencê-lo a matar- ou não- três homens que haviam sido pegos discursando a favor dos Blackfyre em uma taverna próxima a sede da casa Stark.

Falar a favor dos dragões negros era traição; e, deveria ser punida com morte, para que a paz do rei não fosse afetada. Porém, os três homens eram respectivamente, o herdeiro Ryswell, um soldado Bolton e o filho mais novo de lorde Bolton. Executar estes homens, por mais que fosse necessário, seria perder o apoio destas casas; e era de conhecimento geral o descontentamento dos nortenhos em relação ao governo do pai de Bran, Beren. Todavia, deixá-los viver, era ganhar a inimizade do rei Jaehaerys e da rainha Elaena- que não era conhecida como Elaena Sangrenta a toa.

A primeira coisa que pensara fora mandar uma carta ao pai, questionando o que deveria fazer. Mas aquilo havia deixado de ser uma opção no momento em que se tornara uma. Amava seu pai, mas até mesmo ele admitiria que ele não era o melhor governante dos Sete Reinos- nem mesmo do norte. Então, pensara em Clavius. Clavius era seu irmão mais velho, herdeiro de Winterfell e um grande amigo. Porém, este estava mais interessado em sua garota dragão do que em governar Winterfell de longe.

Não. Não iria pedir ajuda. Iria resolver as coisas sozinho, porque era capaz e seria um grande lorde um dia. Se algo acontecer com Clavius…Bem, não importava. Ele se casaria com uma senhora bem-nascida e herdeira de algum lugar, ou seria um governante e filho tão bom que seu pai lhe presentearia com castelo- com fora feito tantas vezes antes.

Ele não era uma sombra do irmão, afinal. Não era mais uma criança ou o “irmão mais novo de Clavius”. Era Brandon, o garoto que conseguira domar um lobo.

—E então, lorde Brandon, o que devemos fazer?- Questionou sor Mareon.

Um silêncio tenso se instalou na sala e Brandon fitou a lareira no canto oposto desta, ainda absorto em seus pensamentos.

—Pegue Gelo, sor Mareon, nos aposentos de meu pai.- Disse, por fim.- Estarão todos condenados por traição, cuja sentença, pela lei real, é a morte. Como todos os homens são iguais perante a lei, soldado e herdeiro serão executados no mesmo dia, no mesmo lugar.

—Meu senhor me honraria deixando-se aplicar a sentença?- Questionou Rodwell Stark, tio de Brandon.

—Não.- Levantou-se.- O homem que dita a sentença deve manejar a espada.

Notas finais
Vamos por partes: —Tem uma cena, logo no início do capítulo, em que fica bem claro que ocorre, mesmo que eu não tenha dito a palavra ou mostrado a cena em si, um estupro. Foi uma cena que eu fiquei bastante pesarosa em escrever, mas eu quero deixar claro que EU NÃO ESTOU MOSTRANDO PORQUE APROVO. Na verdade, eu resolvi mostrar a Dara se lembrando dele justamente para mostrar as marcas que isso pode deixar em uma pessoa. Eu, graças a Deus, nunca passei por uma situação assim, então se acharem que eu não estou escrevendo as emoções de uma pessoa que passa por isso de uma maneira "correta", por favor, me digam. É muito importante para mim que eu mostre isso da maneira mais realista e menor romantizada possível; —Àqueles que não enviaram o máximo de três fichas: por favor, eu gostaria de pedir, se não for incomodo, que mandassem pelo menos mais uma, já que eu só tenho três casas( mais ou menos) completas, e preciso de mais personagens para continuar a história, ou vou precisar dar uma pausa( coisa que não quero, estou amando escrever Rightful); —Comentários, criticas construtivas e sugestões são sempre bem-vindos! Depois desse textão, espero que tenham gostado do capítulo! Beijos ♥