Notas iniciais
Finalmente um novo capítulo! Espero que gostem

Observou seu reflexo no espelho a sua frente, passando os olhos verdes minuciosamente por cada centímetro de sua figura, em busca de qualquer erro.

Seus cabelos estavam impecáveis: presos para cima, no clássico estilo de Porto Real, espalhando seu brilho alaranjado em contraste com a pele branca. Seu vestido havia sido cuidadosamente desamassado, os bordados feitos com fios de renda de Myr e ouro das Terras Ocidentais. Era das cores de sua casa- azul e vermelho-, com o recorte parecido com os que a princesa Saera usava. Perfeito. Focou, então, em seu rosto. Tentara a todo o custo dormir o suficiente, para que nenhum bolsão azul-arroxeado se formasse abaixo de seus olhos. Perfeito.

Não havia falha alguma. Erro algum. Era uma perfeita dama; talvez uma perfeita princesa. Mas tinha certeza que a princesa megera acharia um motivo para criticá-la. Por que eles me odeiam?

Deuses, ela fazia de tudo. Era gentil, amigável, levava-lhes presentes e fazia tudo o que lhe pediam. Mas continuavam a dizer, em sua frente, que uma garota Lannister na qual Gaemon nem mesmo chegara a por os olhos era uma opção melhor para uma próxima rainha.

—Senhora Alysanne?- Chamou sua aia, terminando de juntar os restos de seu desjejum da bandeja prateada.- Senhora Sylene de Bravos..

—Aly!- A voz conhecida disse, antes mesmo que a pobre aia pudesse terminar de anunciá-la.- Oh, filha, está tão linda! Nem mesmo se parece filha de Holsten!

—Obrigada, senhora mãe.- Respondeu, educadamente, enquanto a escandalosa senhora tomava-lhe as mãos. -Me é permitido saber o motivo de tal ilustre visita?

—Claro, filha!- Sylene sorriu, ainda analisando a aparência de Aly.- Venho por ordens de seu tio.

—Lorde Edmyn?- Surpreendeu-se. Geralmente Edmyn não se importava com a filha do irmão mais novo, fruto de um casamento não consentido.

—Edmyn pede que eu tome conta de seus filhos, que em breve chegarão a corte.- Explicou Celia, tomando as mãos de Aly nas suas.- Querida, seja gentil com eles.

—Eu sempre sou, senhora mãe.- Garantiu.

—Não.- Ela franziu o cenho.- Eles nunca viveram na corte, Alysanne. Não sabem o quão perigoso pode ser. Proteja-os.

—Sim, senhora.- A mais nova sorriu.

—Ótimo.- Senhora Sylene deu as costas para ela, arrumando sua echarpe em seus braços.-Havia outra coisa…

—Senhora Alysanne?- Chamou a aia novamente, interrompendo Sylene. A aia avançou, estendendo um bilhete para Aly.- Da princesa Celia.

Aly pegou-o, desenrolando o pequeno papel e lendo seu conteúdo, enquanto sua mãe a observava com os olhos brilhantes de curiosidade. Era um olhar costumeiro da mãe: Sylene Regys de Bravos gostava de saber de tudo, principalmente se envolvia sua única filha.

“Alysanne,

Sobrinha, percebi que, mesmo que vivamos no mesmo castelo, não conversamos á sós faz algum tempo. Com isso em mente, convido-a para vir a meus aposentos, na Fortaleza de Maegor. Peço, apenas, que venha sozinha, afinal, como poderemos conversas livremente com outras pessoas nos cercando.

Sua tia, Celia”

Após ler o bilhete em voz alta, o brilho de curiosidade da mãe se transformou em raiva. Alysanne sabia que a bravosi odiava quando Celia a excluia de encontros,

—Ela pensa que pode roubar minha filha de mim?- Quando estava brava, seu sotaque ficava ainda mais aparente. Sylene parecia furiosa, franzindo o cenho e falando rapidamente em uma língua de Aly supunha ser valiriano.

—Mãe, eu tenho certeza que ela não pretende isso!- Disse a mais nova, segurando o braço da mãe delicadamente. Sylene continuava a falar expressões que ela não conhecia.- Mamãe, eu não iria deixar que ela fizesse isso! Mamãe!



*******

Fitou o quadro a sua frente, seguindo, com os olhos, cada uma das linhas encravadas na moldura deste. Dentro dele, a pintura de um rosto que ela não conhecia, mas supunha saber de que família fora: em que outra família westerosi os cabelos prateados e olhos violetas eram algo comum? Seria uma mentira dizer que não estava nem um pouco intimidada por aquele quadro em seus aposentos, mesmo que dormisse ao lado de alguém que possuía as mesmas características. Mas ele já não dorme na sua cama faz um mês.

Suspirou, sentindo sua cabeça latejar ainda mais; tomou um gole de vinho e tocou o pingente em seu pescoço, sua mente sendo invadidas pela memória de quando era mais jovem, quando seu marido realmente a amava. Não exagere, Celia, você sabe que ele nunca te amou. Não como amou à ela.

Mas nenhum deus poderia acusá-la de não ter tentado. Quando era jovem e bela, ela tentara a todo o custo fazer com que Baelon a amasse; porém, o coração dele já pertencia a outra. E não importava o quão bela e gentil fosse e quantos cavaleiros se jogassem a seus pés: ela nunca seria tão bela quanto ela, pelo menos para ele. Mesmo que ela estivesse casada com o irmão dele.

De repente, seu vinho doce da Campina tinha o gosto mais amargo que limões. Atirou o que ainda havia em sua taça na lareira acesa no canto da sala, erguendo-se. Não conseguia manter-se parada. Sentia a raiva tomar conta de cada um dos músculos de seu corpo, e a vontade de enfiar uma faca no estômago de Baelon múltiplas vezes aumentando. Mas ninguém perguntaria porque dela ter feito aquilo, apenas sussurrariam que a louca garota-truta havia apunhalado a Mão do Rei, o justo e forte e perfeito príncipe Baelon Targaryen. Não; não era necessário que suas mãos fossem sujas de sangue para que sua vingança se concretizasse. Daeron iria se vingar, no momento em que descobrisse sobre seu precioso filho. Paciência, Celia, você vai ter seu sangue.

—Tia Celia?- A voz delicada de sua sobrinha, Alysanne, a fez despertar de seus devaneios.- A senhora chamou por mim?

—Claro, querida Alysanne.- Sorriu, controlando-se.- Sente-se, por favor. Gostaria de uma taça de vinho?

—Eu não bebo tão cedo.- Alysanne manteve-se de pé.- O que a senhora gostaria de falar comigo, para me chamar tão cedo, tia?

—Gostaria de conversar com a amante do herdeiro.- Os lábios de Celia tornaram-se uma linha fina.- O que me diz disso? É uma afirmação correta?

—Eu não dormi com Gaemon.- Alysanne parecia chocada, mas a esposa da Mão do Rei não.- E jamais dormiria antes do casamento.

—Não é isso que as empregadas sussurram nos corredores. Ou que os guardas do príncipe contam nas tabernas.

—São apenas rumores.

—Rumores descartaram a primeira noiva de Baelon. Rumores mataram metade das esposas de Maegor.- A Tully mais velha manteve a voz calma.- Não são apenas rumores. Se pretende se manter como uma das pretendes de Gaemon, mantenha-se longe de qualquer rumor.- Celia caminhou em direção a enorme janela da sala.- Há um torneio acontecendo. Dezenas de garotas se atirando aos pés do príncipe. Acha mesmo que ele vai se manter fiel a você depois que colher seu fruto?

—Eu não dormi com ele.- Disse Alysanne, ainda calma.

—Não me importa. Apenas não me decepcione, e não seja passada para trás pelas filhas de Aenna.

—Alexandria e Verona? Elas não são nem mesmo ameaças, tia.

—Todos são, querida, todos são.

Notas finais
Espero que tenham gostado, comentários, críticas, elogios e sugestões serão sempre bem-vindos! Beijão ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.