Notas iniciais
O amor nunca faz reclamações; dá sempre. O amor tolera; jamais se irrita e nunca exerce vingança. Indira Gandhi

Grissom, ainda lutando para manter o foco, piscou várias vezes até que a silhueta diante dele se tornou nítida. O estômago revirou no mesmo instante.

GG: O que faz aqui, Heather? — a voz dele soou mais grave, surpresa e repulsa misturadas.

Ela sorriu, inclinando a cabeça com falsa inocência.

LH: Animando sua despedida de solteiro… E agora, é o momento do noivo. — deu um passo à frente, os olhos brilhando de intenção enquanto seus dedos iam ao colarinho da camisa dele.

Grissom deu um passo atrás, vacilante, mas firme no tom:

GG: Nem pensar. Pra mim, a festa acabou. Vou embora.

Heather soltou uma risadinha curta, quase zombeteira.

LH: Ah, Gil… é só uma festa, uma despedida… — o tom dela ficou mais baixo e carregado — me dê essa última vez. Eu sonho em poder relembrar este momento com você.

Antes que ele pudesse reagir, ela avançou, empurrando-o para trás até que as pernas dele cederam e ele caiu sentado na beira da cama. Num movimento rápido, ela se colocou sobre ele, impedindo-o de se levantar.

GG: Heather, sai de cima de mim — ele tentou afastá-la, mas a coordenação estava prejudicada pelo álcool.

Ela aproximou o rosto do dele e, sem dar espaço, o beijou de forma forçada, ignorando a resistência.

Grissom virou o rosto, sentindo o peso da armadilha. O coração acelerou, e um pensamento atravessou sua mente com clareza: Preciso sair daqui, agora.

A música alta e as risadas ecoavam pela sala principal. Brass olhou para o relógio, franzindo a testa.

JB: Gente, o Grissom foi ao banheiro já faz mais de dez minutos. Não é a cara dele sumir assim.

Nick deu de ombros, distraído com a conversa.

NS: Talvez esteja ligando para a Sara.

Brass não se convenceu. Caminhou até o corredor e bateu na porta do banheiro masculino. Nenhuma resposta. Empurrou levemente — vazio.

No canto da sala, Aaron, que observava o movimento, notou uma porta no corredor lateral levemente entreaberta. Um som abafado veio lá de dentro. Ela se aproximou devagar, curiosa, mas também desconfiada.

Assim que chegou perto, ouviu a voz de Grissom, arrastada e com dificuldade:

— Heather… o que está… fazendo…?

Aaron arregalou os olhos. Reconheceu o nome, mas não a situação exata. Pela fresta, viu o supervisor sentado na beira da cama, sendo beijado por uma mulher.

Por um instante, pensou: Foram os amigos dele que chamaram essa mulher? É parte da “surpresa” da despedida?

Aaron recuou lentamente, o coração acelerando, tentando decidir se deveria intervir ou chamar alguém primeiro.

No quarto

Grissom tentava recuperar o equilíbrio, a cabeça girando pela quantidade de bebida.

GG: Heather… sai de cima de mim, por favor… — pediu, a voz grave e arrastada.

Ela sorriu de canto.

LH: Eu sei que você também quer… E vai ser o nosso segredo. — aproximou-se novamente, roubando-lhe outro beijo antes que ele pudesse recuar.

Com um esforço repentino, o supervisor conseguiu virar o corpo, ficando por cima. Mas Heather, ágil, enlaçou as pernas na cintura dele, impedindo que ele se afastasse.

LH: Quer ser o dominante? — provocou, com um brilho desafiador no olhar. — Excitante… lembro bem como foi naquela vez. — Puxou-o contra si e tornou a beijá-lo, enquanto seus dedos rasgavam a camisa dele.

Grissom, mesmo vacilante, apoiou as mãos no colchão para manter distância.

GG: Heather… eu não… vou… transar com você. — disse, cada palavra exigindo toda a força que ainda lhe restava.

Jim subia as escadas rapidamente, a expressão já carregada de preocupação. No corredor, encontrou Aaron, que se aproximou em tom baixo, mas visivelmente inquieta.

Aaron: O seu amigo… está em um dos quartos com uma mulher — disse Aaron, lançando um olhar significativo para a porta fechada no final do corredor.

Jim arregalou os olhos.

JB: O Grissom? — respirou fundo, tentando conter a irritação. — Ele está mega bêbado… não tem nem noção do que está acontecendo.

Aaron balançou a cabeça, confirmando.

Aaron: E, pelo jeito, ela não está aqui por acaso. Foi um encontro arranjado para plena diversão do seu amigo.

Jim fechou a mão em punho e partiu determinado para a porta, já decidido a intervir.

Jim não perdeu tempo — girou a maçaneta e empurrou a porta com força.

O quarto estava em penumbra, mas a cena à frente dele não deixava dúvidas: Heather, sentada sobre Grissom, o mantinha preso com as pernas, enquanto ele, visivelmente tonto e ofegante, tentava afastá-la. A camisa dele estava rasgada, e seu olhar misturava confusão e frustração.

JB: Heather ??? O que esta acontecendo aqui?

LH: Estou tentando transar com ele sem vocês ficarem assistindo.

Heather! — a voz de Jim ecoou, carregada de autoridade. — Saia de cima dele agora!

Heather virou o rosto devagar, com um meio sorriso provocador.

LH: Olha só… o cavaleiro salvador chegou. Estamos apenas… nos divertindo Jim.

GG: Mas eu não quero!! Quero Sara!

JB: Heather por favor sem humilhação, solta ele e se vista ( a Dominatrix estava sem a parte de cima da roupa e havia conseguido estar por cima de novo)

LH: Jim isso é uma despedida de solteiro, qual o problema do seu amigo se divertir?

JB: Isso não é diversão, é abuso! — Jim avançou dois passos, com a mão já pronta para puxá-la. — Ele está bêbado, não tem como consentir!

LH: Jim, estamos tentando ter um momento de intimidade. Quer sair?

JB: Ele esta bêbado e mesmo assim esta te dizendo que não quer você. Fale com ele sóbrio!

Grissom, com esforço, murmurou: Jim… me tira daqui…

Brass, pega Heather pelo braço forçando-a a se levantar.

Ela resistiu, tentando manter o tom debochado.

LH: Você não sabe o que ele está deixando de ganhar!

JB: O que sei é que ele está ganhando a chance de ir embora dessa festa com a dignidade intacta — retrucou Jim.

Grissom, ainda zonzo, passou a mão pelo rosto.

GG: Essa… foi a pior despedida de solteiro da história…

Jim respirou fundo.

JB: Pode apostar que sim. Vamos tirar você daqui.

Jim sustentou o braço de Grissom para mantê-lo de pé enquanto o tirava do quarto. O corredor estava silencioso, exceto pelos passos lentos e cambaleantes do supervisor. No fundo, Heather os observava, frustrada, mordendo o lábio e cruzando os braços — o olhar dela deixava claro que não esperava ser interrompida.

GG: Jim, a Heather pirou! — Grissom balbuciava, tentando focar os olhos. — Me agarrou, me beijou, me arranhou… rasgou minha roupa… nunca vi ela assim… submissa.

JB: Você se assustou? — perguntou Brass, quase incrédulo.

GG: Sei lá… — ele respirou fundo, os passos mais pesados. — Só sei que quero dormir… tô muito bêbado… e quero dormir agarrado à minha mulher… minha Sara. — Parou por um segundo, olhando para Jim com um sorriso bobo. — Já te falei que amo a Sara?

Jim soltou uma risada curta, balançando a cabeça.

JB: Já, Gil… umas cinco vezes só no caminho até aqui.

GG: Ótimo… — murmurou Grissom, deixando a cabeça cair um pouco para frente. — Então me leva pra casa… antes que eu acabe casando com o sofá de vocês.

JB: Vamos, Romeu — disse Jim, guiando-o para a escada. — A festa acabou pra você.

Enquanto desciam, Heather, ainda parada à porta do quarto, os seguiu com o olhar, os planos dela completamente destruídos.

Brass respirou fundo e se aproximou de Paul e Aaron.

JB: Ouçam, o que viram aqui fica entre nós. Depois eu explico. — O tom dele era firme, quase paternal.

Eles assentiram em silêncio, respeitando o pedido.

Foi então que Warrick, curioso, notou os dois descendo com Grissom praticamente se apoiando em Brass.

WB: Ei… o que aconteceu com ele? — perguntou, olhando desconfiado.

Jim trocou um olhar rápido com Warrick, hesitando, mas acabou falando num tom mais baixo:

JB: Ele estava com a Heather num dos quartos. Não foi ideia dele… mas ela aproveitou que ele estava completamente alto.

Warrick suspirou, a expressão fechando.

WB: Certo… eu vou com vocês. — E seguiu até o carro.

Assim que abriram a porta, Grissom praticamente despencou no banco de trás, apagando de vez.

Vamos precisar dar um banho nele, — comentou Warrick, ligando o carro. — Se a Sara vê ele assim, vai ficar fula da vida… ainda mais sabendo com quem ele estava, mesmo sem querer.

Jim soltou um suspiro pesado.

JB: O pior vai ser explicar o arranhão nas costas… e o chupão.

— Eita! — Warrick arregalou os olhos. — Aí o caldo entorna. Não sei nem qual vai ser a reação da Sara… mas, ah, vou pegar o Nick e o Greg pelo pescoço por essa palhaçada.

— Somos dois — disse Brass, cruzando os braços, já planejando o sermão.

Chegam na casa do casal, mas o supervisor ainda esta apagado. Colocam ele na cama e o celular de Jim toca:

JB: Brass!!

SS: Jim, é Sara! Você esta com Gil? Estou ligando para ele e não me atende. Queria avisar que vou ficar aqui na Cath.

JB: Estou sim Sara, o trouxe para casa e acabei de coloca-lo na cama. Bebeu um pouquinho demais. Vou ficar com ele aqui.

SS: kkkkk Coitado! Obrigada pai! Até amanhã!

Jim desligou o celular e olhou para Warrick, balançando a cabeça.

JB: Então é isso… ele vai passar a noite apagado. Amanhã teremos que lidar com os estragos e descobrir o que ele lembra.

Warrick suspirou, sentando-se na beira da cama onde Grissom dormia profundamente.

WB: Coitado… nunca o vi assim. E com a Sara fora, imagina se ele lembra de alguma coisa amanhã cedo. Vai ser uma confusão.

Jim riu baixinho, mexendo na coberta para ajeitar o supervisor.

JB: Ele realmente precisa de um banho. Mas pelo menos ele está seguro e longe de problemas… por enquanto.

Grissom murmurou algo ininteligível, mexendo os braços e virando o corpo. Os dois trocaram um olhar, tentando não rir.

WB: Já vejo a cena amanhã… — disse Warrick, sorrindo de lado. — “Sara, você não vai acreditar no que aconteceu…”

Jim apenas concordou, olhando para o amigo adormecido.

JB: Por enquanto, vamos deixá-lo descansar. A missão “recuperar o supervisor” só começa amanhã de manhã.

O relógio da sala marcava o início de uma longa noite de vigília silenciosa, com os dois colegas atentos, prontos para qualquer surpresa que a manhã poderia trazer.

Lá fora, o sol entrava pelas janelas da sala, iluminando o ambiente e trazendo uma sensação de manhã tranquila, mas dentro da casa, a animação das meninas era contagiante.

Lilly se espreguiçou e bocejou: Bom dia, pessoal! Café pronto, né? Precisamos recarregar as energias antes de começar o dia.

Thiago piscou e riu: Só espero que o café seja forte… porque olha, ontem foi uma noite pesada!

Sara, ainda com um sorriso sonolento, pegou sua xícara: Menos mal que temos café e boa companhia.

Cath, já animada, bateu palmas: Então vamos, meninas e Thiago! Hoje a gente recarrega as baterias e planeja a próxima farra… e eu quero garantir que nada vá estragar o humor da noiva!

O grupo riu, o clima leve e divertido contrastando com a ressaca de Thiago, que se segurava na mesa para não tombar, enquanto Sara aproveitava o momento de tranquilidade antes da correria do casamento.

A conversa é interrompida pela campainha e Thiago atende recebendo um envelope endereçado a Sara.

SS: Ué gente, por que mandariam uma carta para casa da Cath endereçado a mim e sem remetente?

CW: Sara é melhor ter cuidado, se for algo perigoso?

SS: Não parece Cath, deixa eu abrir logo.

Thiago toma o envelope dela: Não senhora! Eu abro e vejo se esta tranquilo. Liberado, te entrego! Eu hein, titio protege sobrinho!

Ele abre e verifica que tem umas fotos e de cara já vê que é bomba. Tenta disfarçar o susto, mas Cath e Sara percebem:

SS: Oh Thiago o que foi? Me dá isso aqui?

Thiago: Sara acho melhor não... é ….

As duas tomam as fotos da mão dele e levam um choque:

Grissom na cama com Lady Heather.

CW: O que é isso?? Isso parece ter sido...

SS: Ontem, ele estava com essa calça!

Sara entrega as fotos para Cath e vai na cozinha terminar o café ao lado de Lilly em completo silêncio. Thiago e Cath também ficam em silencio sem saber o que falar.

O silêncio na cozinha era quase palpável. Sara, ainda segurando a xícara de café, tentava organizar os pensamentos, sentindo o choque e a mistura de raiva e confusão borbulhando dentro dela. Lilly mexia distraída na torradeira, evitando olhar diretamente para a amiga.

A loira resolve sair dali, ligar para o amigo e saber dele essa história. Como não atende, ela liga para Jim que atende meio dormindo ainda:

CW: Acorda homem de Deus que tenho uma bomba explodindo em minha casa.

JB: É o que Cath? Do que você esta falando?

CW: Jim eu não sei o que vocês fizeram na despedida ontem, mas levar Lady Heather para transar com Gil foi demais.

JB: Como você já sabe que Heather estava na festa?

CW: Então é verdade? Acabou de chegar aqui em casa um envelope com fotos de Gil e Heather no quarto seminus e veio para Sara que já as viu.

JB: JESUS! Cath o Gil esta inocente! Ele estava muito bêbado, acho que nem lembra. Vou te contar ….

JB: …Ele foi levado para um quarto por Heather, mas estava extremamente bêbado. Ela tentou se aproveitar, mas o Gil, mesmo tonto pela bebida, conseguiu se afastar e não aconteceu nada. Nós o tiramos de lá e o trouxemos pra casa para se recuperar.

CW: Você está dizendo que ele não fez nada? Nada mesmo?

JB: Absolutamente nada, Cath. Ele mal conseguia ficar de pé, quem viu de perto sabe. Não quero que vocês tirem conclusões precipitadas.

CW: Ok… mas e as fotos? Como vou explicar isso para Sara?

JB: As fotos mostram só o que queriam que ela vissem. A verdade é outra. Quando ele acordar, podemos esclarecer tudo com calma. A prioridade agora é proteger o casal e evitar que Sara se irrite ainda mais.

CW: Certo… então vou falar com Sara e acalmar ela. Obrigada por me atender, mesmo tão cedo.

JB: Sem problema, Cath. Só me mantenha informado do que ela fizer ou pensar. Isso precisa ser resolvido com cuidado.

Enquanto a loira conversava com o capitão, a morena recebia um chamado de Ecklie:

SS: Sidle

CE: Sidle é Ecklie, preciso de você em Henderson e já liguei para equipe toda e só você atendeu a ligação.

SS: Certo Conrad, me manda as coordenadas que vou lá!

CE: Vou mandar, Vartan é o detetive do caso.

Thiago olha Sara pegando suas coisas e se dirigindo para a porta:

“ Posso te acompanhar?”

SS: Thiago estou indo para o trabalho.

Thiago: Prometo ficar quietinho!

SS: Esta bem, vamos! Lilly avisa para Cath que precisei sair devido um chamado em Henderson. Obrigada pela noite, me diverti muito.

Lilly: Eu também me diverti muito e Thiago vamos marcar algo.

Thiago: Com certeza!

Sara partiu então para Henderson com Thiago a tira colo.

Enquanto isso Cath volta a sala para falar com a amiga e a mãe conta que ela foi atender um chamado. Partiu então para a casa de Gil.

Na casa, Jim conta para Warrick sobre a conversa com Cath:

WB: Você quer dizer que alguém mandou fotos daquele quarto para Sara? Jim, pelo jeito a coisa toda foi armada para separa-los. Será que foi Heather?

JB: Eu não confio nela, então acho que é possível.

A campainha da casa de Grissom soou. Uma Catherine agitada entrou sem esperar convite, já disparando contra Warrick e Brass:

CW: Como vocês deixam aqueles dois malucos colocarem a Heather num quarto com o Gil?!

WB: Cath, eu também quero matar esses caras, mas conversando aqui, entendemos que a coisa foi armada.

CW: Isso eu já sei. Mas o que eu não sabia era dos dois seminus. Eu vi as fotos… e trouxe para vocês. O envelope eu protegi para analisar digitais.

Warrick e Brass olharam as imagens, trocando expressões de choque.

WB: Cara… olhando essas fotos com eles assim… é difícil. Mas, Cath, eu ajudei o Brass quando ele desceu com o Griss. Ele não se aguentava em pé.

JB: Exato, Warrick. Ele mal conseguia ficar de pé, estava completamente bêbado. Não houve nada intencional da parte dele. Foi a Heather que tentou se aproveitar da situação.

WB: E essas fotos… alguém claramente quer provocar uma separação entre eles. Isso é armação pura.

CW: Concordo. Por isso trouxe o envelope. Vou encaminhar para análise de digitais. Quero descobrir quem está por trás disso.

JB: Certo. Agora precisamos proteger a Sara e esclarecer tudo.

WB: Pois é. E também pensar em como contar isso para o Gil sem deixá-lo ainda mais preocupado.

Em Henderson

SS: Bom dia, Vartan! Desculpa a demora… Ah, esse é meu amigo Thiago.

Vartan: Muito prazer, Thiago. Sem problemas, Sara. Recebemos um chamado de um rapaz que passava pelo local e ouviu dois tiros vindo da casa. Ele viu um homem fugindo. Temos um corpo no local. Já foi averiguado, tudo limpo.

Sara entrou, analisando cada detalhe do ambiente, que não era grande. Da porta, Thiago observava a amiga trabalhar. Na curiosidade de ver o corpo, seus olhos caíram sobre um porta-retrato — e ele levou um susto.

Thiago: Sarita… vem aqui, amiga!

SS: O que foi?

Thiago: Sara… o cara da foto foi quem deixou o envelope pra você hoje de manhã.

SS: Você tem certeza disso?

Thiago: Absoluta. Fisionomista eu sou. E ele estava de cara limpa… dava pra ver o rosto dele perfeitamente.

SS: Certo. Vamos levar essa foto. Quero dar uma olhada melhor e ver se encontro mais alguma coisa.

Sara continuou circulando pela sala, enquanto Thiago observava, inquieto. Ao se aproximar de uma mesinha lateral, ela percebeu um detalhe: havia uma marca recente de copo sobre a superfície envernizada, mas nenhum copo por perto. Ao lado, um cinzeiro com uma bituca parcialmente apagada.

SS: (anotando) Cigarro mentolado… não é comum por aqui.

Seguiu até a cozinha. No balcão, encontrou um pedaço de papel amassado. Colocou luvas, abriu devagar e leu o que parecia ser um rascunho de bilhete: "A entrega foi feita. Ela vai ver as fotos hoje."

Sara sentiu o estômago gelar. Guardou o bilhete num saco de evidências.

Thiago: Isso é sobre você, não é?

SS: É sobre todos nós, Thi. Isso prova que o cara que deixou o envelope está ligado a essa cena de crime… e que o corpo aqui pode ser de alguém que sabia demais.

Vartan entrou na cozinha.

Vartan: Sara, o perito balístico acabou de confirmar… os tiros foram de uma arma calibre .38. E adivinha? Encontramos um registro de uso dela em um crime anos atrás.

Sara arregalou os olhos.

SS: Não pode ser coincidência.

Ela respirou fundo, já imaginando a conversa que teria com Brass e Catherine quando voltasse para Las Vegas.

Na casa do casal

Grissom acordou sem entender muito bem o que havia acontecido, a cabeça latejando como se estivesse sendo martelada por dentro. Foi direto ao banheiro, tomou um banho demorado e engoliu um comprimido para enxaqueca.

Seguiu para a sala, com a intenção de encontrar Sara, mas parou no meio do caminho ao ver Brass, Warrick e Catherine sentados, todos com expressões sérias.

GG: Bom dia… Onde está a Sara?

JB: Bom dia, Gil. Ela está em Henderson, atendendo um chamado. Como você está?

GG: Com uma dor de cabeça enorme.

Catherine o encarou, avaliando sua reação antes de falar:

CW: Gil… você lembra de alguma coisa de ontem, da festa?

GG: Cath… me vêm uns flashes. Lembro bem até a hora da brincadeira que estavam fazendo comigo e… aí, com o excesso de bebida, tudo virou um borrão. Acredito ter visto a Heather me agarrando, mas não sei se é verdade.

O telefone de Catherine tocou, e ela se afastou para atender. Jim aproveitou o momento para se aproximar de Grissom.

JB: Gil… preciso te contar tudo.

Ele explicou o que havia acontecido na noite anterior e, em seguida, tirou do envelope as fotos que haviam chegado para Sara.

Grissom olhou, e seu rosto empalideceu.

GG: Não… não… isso não está acontecendo! Jim, a Sara não vai me perdoar de jeito nenhum. Como vou provar alguma coisa se nem lembro o que aconteceu? Um tempo atrás, durante um jantar com minha mãe, a Heather me deu uma cantada. Contei para a Sara e ela pediu que eu colocasse limites na amizade… e disse que uma segunda vez não perdoaria. Como… como que a Heather fez isso comigo?

Catherine voltou à sala, já falando com firmeza:

CW: Gente, temos que ir na casa da Heather e averiguar qual foi a participação dela nessa história. O caso que a Sara foi atender… na casa havia uma foto, e o Thiago reconheceu o homem como sendo quem entregou as fotos para ela. Foi a própria Sara que me ligou e contou. Ela sugeriu que a gente fosse falar com a Heather enquanto ela analisa as digitais que recolheu.

GG: Então… ela acredita que é armação?

CW: Pelo jeito, sim. Mas… desde que viu as fotos, a Sara não disse nada sobre o que pensa. Então, não sei.

CW (virando-se para Warrick): Warrick, acorde os dois bonitinhos e leve-os para o laboratório. Quero interrogá-los também.

JB: E você, Gil? Vai com a gente falar com a Heather?

GG: Óbvio que vou! Meu casamento está em risco e eu preciso saber, da boca dela, qual foi a participação nisso.

Chegaram à mansão, e logo a funcionária de Heather atendeu à porta.

JB: Bom dia, senhorita Laís. Poderíamos falar com a sua patroa?

Laís: Bom dia a todos. Podem entrar, vou avisá-la.

O trio entrou e foi conduzido até a sala. Poucos minutos depois, Heather apareceu, impecável como sempre.

LH: Bom dia. A que devo a honra da visita?

JB: Heather, não vou enrolar. Hoje pela manhã foi enviado para a Sara este envelope com essas fotos. [ele entrega] Gostaríamos de saber o que você sabe sobre isso.

LH: Sinceramente? Nada. Não fui eu quem enviou e nem sabia que tinham tirado fotos.

CW: E como você soube da despedida de solteiro do Gil?

LH: Faz uns três meses que eu pago um funcionário para me informar sobre os passos do Grissom. Foi assim que eu soube.

GG: Por quê?

LH: Grissom… não gostaria de falar na frente deles.

JB: Ah, faça-me o favor! Ontem você quase transou com o Gil na minha frente e agora vem com esse teatrinho?!

LH: Não sou obrigada a falar, principalmente na sua frente, Brass.

JB: Ótimo. Eu vou lá pra fora, porque a sua cara está me enjoando.

CW: Se acalmem, por favor! Heather, foi encontrado um corpo na casa da pessoa que levou as fotos. Então vou perguntar de novo: você tem participação nisso?

LH: Já que o Brass saiu, eu vou falar. Como disse, eu estava monitorando o Grissom. Depois de tudo o que aconteceu, percebi que sentia falta dele e acabei me vendo refém de um sentimento que sempre neguei: o amor. Passei a tentar descobrir se ainda tinha alguma chance. Então, quando contrataram as meninas para a despedida, pedi que, quando ele estivesse alterado pela bebida, o levassem para um quarto… assim eu teria minha “noite de amor” sonhada por tanto tempo.

GG: Heather, eu não acredito nisso! Você sabe o quanto eu amo a Sara. Isso não é amor, é egoísmo!

LH: Eu não tenho nada a ver com as fotos. A minha ideia era que ficasse tudo entre quatro paredes. Mas você… você está tão apaixonado pela Sara que, mesmo com todas as minhas carícias, não ficou excitado. E ainda falava o nome dela o tempo todo. Como o Brass disse na hora, eu me senti humilhada e percebi quão baixo eu fui por um homem.

(pausa, olhando para o chão) Entendi que amor não correspondido é como perder a casa no cassino. Todo amor deve ser valorizado, ainda que não seja correspondido. Pobre daquele que não respeita um amor verdadeiro. Difícil não é esquecer… é convencer o coração de que não tem mais volta. Espero que um dia você me perdoe. Nunca quis separar você da Sara… me contento com migalhas. Se precisar, estarei aqui.

GG: Preciso ver a Sara… Vamos embora, Cath.

CW: Vamos. E muito obrigada pelas informações. Qual o nome do funcionário, por favor?

LH: Está aqui, com o telefone dele.

CW: Ótimo. Se precisarmos de novas informações, voltaremos.

Ao saírem da mansão, Grissom e Catherine caminharam em silêncio até o carro. Grissom estava visivelmente perturbado, as mãos trêmulas e o olhar perdido.

Catherine liga para Sara e envia a identificação do funcionario contratado por Heather para monitorar Grissom.

O trio chega ao laboratório e logo encontram Sara.

CW: Oi Sara!

SS: Catherine, já terminei de periciar o que recolhi na cena. Mas tem mais — achei no bolso da vítima um cartão de visitas… do mesmo funcionário que a Heather pagou para monitorar o Gil.

GG: Então é ele.

SS: É cedo pra afirmar, mas isso coloca o homem no centro das duas situações: a festa e o crime em Henderson. Estou analisando as digitais que recolhi. Assim que confirmarmos, vamos ter um elo direto.

GG: Cath… se as digitais baterem, isso significa que a morte em Henderson pode ter sido queima de arquivo.

SS: Olha já identificamos o rapaz da foto. O nome é Ben Stuart e é irmão da rapaz morto que se chama Carl Stuart. As digitais do Ben encontrei tanto na casa quanto no envelope que você mandou para periciar Cath.

WB: Oi gente! Jim, Cath trouxe os bonitinhos para cá.

CW: Vamos falar com eles!

Os dois saem ficando Grissom e Sara na sala. Brass observava a conversa e pensava que a cada nova peça encaixada, o jogo ficava mais perigoso.

CW: Se o assassinato foi queima de arquivo, isso significa também que alguém queria que Sara visse aquelas fotos… custe o que custar.

JB: Com certeza!

Enquanto isso, na sala do laboratório…

GG: Sara… eu não sei nem por onde começar. Acredite em mim quando digo que não lembro de nada e…

SS: GRISSOM!

GG: O que foi, amor? É o bebê?

SS: Não… olha de quem é essa digital.

Ela girou o monitor para ele. Na tela, o laudo da análise aparecia bem claro:

MATCH CONFIRMADO –

Notas finais
E agora!!! Momento suspense, estou no momento novela mexicana.