Ricordare è Vivere
11 La sospensione e la vendetta di Sara
Notas iniciais
Sara não aceita que o possível agressor iria sair impune. Deseja que um policial fique vigiando o cara, mas Catherine diz que não há nada que eles possam fazer até que eles construam um base consistente de provas contra Andrew pelo assassinato de Svetlana.
Catherine se aproxima de Sara, que está visivelmente abalada ao saber que Andrew — principal suspeito do assassinato de Svetlana — ainda está em liberdade.
Catherine:
Sara, não podemos colocar uma viatura vigiando o cara sem uma base sólida de provas. Você sabe disso.
Sara (seca):
Então vamos esperar até ele matar outra mulher?
Catherine (tentando manter a calma):
Não é isso. Mas a lei funciona assim. A gente precisa construir um caso, não agir por impulso.
Sara (voz elevando):
Engraçado, você só se acalma quando o agressor veste terno e finge ser um bom moço!
Catherine (ferida e firme):
Você passa do limite toda vez que o caso envolve violência doméstica. Não dá pra trabalhar assim, Sara.
Sara (sem hesitar):
E você julga qualquer homem que não se curva pra você — a começar pelo Grissom... ou o Ecklie.
Nesse momento, Ecklie entra na sala ao ouvir a discussão.
Ecklie: Chega! Sara, comigo. Agora.
[Sala de Ecklie – minutos depois]
Sara permanece de pé. Braços cruzados. Olhar desafiador. Ecklie respira fundo antes de começar.
Ecklie: Você é uma representante do laboratório e da cidade. Esse comportamento — explosivo, desrespeitoso — é inaceitável.
Sara (fria, amarga): Poupe seus discursos de fachada, Ecklie. Você só está sentado nessa cadeira porque sabe agradar quem precisa. Grissom pode não ser político, mas pelo menos é honesto.
Ecklie (jogando um dossiê sobre a mesa):
Quer que eu leia em voz alta? “Repreende testemunhas, desacata colegas, desrespeita a cadeia de comando... e ainda saiu impune de um DUI.” Isso é o que você quer que Vegas veja?
Sara (cravando os olhos nele):
Você nunca foi líder. Só sabe jogar o jogo e puxar saco de quem está acima. E quer saber? Eu prefiro dormir com a consciência limpa do que com um cargo comprado.
Ecklie (gritando): SIDLE, CHEGA!! Está suspensa. Uma semana. Sem pagamento. E sem aparecer por aqui. Mais uma cena dessas e eu não hesito em demitir você.
Sara sai, batendo a porta sem olhar para trás.
Vai até uma loja de conveniência. Sara caminha até o refrigerador, pega um engradado de cerveja sem hesitar. Na fila, o atendente a reconhece.
Atendente (tentando sorrir): Longo dia?
Sara (seca): Semana.
Na saída, passa na pizzaria da esquina. Uma pizza grande de pepperoni. Sem conversa. Só silêncio.
Casa de Sara
A porta se fecha com força atrás dela. A mochila de trabalho cai no chão da sala sem cerimônia. As chaves são arremessadas sobre o aparador. Os olhos de Sara estão vermelhos — mas não de choro. De raiva. De frustração. De uma exaustão que não tem cura com sono.
Ela se joga no sofá e encara o teto por alguns segundos.
A luz está baixa. O som alto — clássico rock alternativo dos anos 90. Talvez The Smashing Pumpkins, ou Alanis Morissette. Guitarras ecoando pela casa quase vazia.
A caixa de pizza está aberta sobre a mesa de centro. A primeira garrafa de cerveja já foi. A segunda está na mão. Sara está descalça, camiseta preta larga e moletom. As mechas soltas do cabelo caem sobre o rosto. Ela observa o vazio com olhos pesados.
[Residência de Grissom – fim da noite]
Grissom está em sua sala, descalço, lendo um livro antigo sobre insetos tropicais. A luz da luminária é suave. O som do telefone quebra o silêncio.
Grissom (atendendo com a voz calma): Grissom!
Greg (do outro lado, apressado):
Griss, desculpa ligar, mas... deu merda. A Sara teve uma discussão pesada com a Catherine, o Ecklie entrou no meio e suspendeu ela.
Grissom (sentando ereto, sério):
Suspendeu? Como assim?
Greg: Ela saiu do laboratório fora de si. Não respondeu ninguém. Me falaram que foi direto pra casa. Eu… não sei, cara. Ela estava tremendo de raiva.
Grissom se levanta já pegando as chaves e os sapatos. A calma vira tensão concentrada.
Grissom: Obrigado por me avisar. Vou até lá agora.
No caminho fala com Cath para saber do ocorrido.
As ruas de Vegas passam iluminadas pela janela. Grissom dirige com foco, os dedos apertando o volante. Liga o viva-voz e chama Catherine.
Catherine (atendendo): Gil?
Grissom: O que aconteceu hoje com a Sara?
Catherine (suspiro): Ela perdeu o controle, Grissom. Extremamente desrespeitosa. Queria colocar viatura em cima do suspeito do caso Svetlana sem respaldo. Quando eu tentei conter, ela me atacou pessoalmente. Ecklie ouviu, chamou ela, e a coisa saiu do controle.
Grissom (voz baixa e tensa): Ela te ofendeu?
Catherine: Ela me provocou, mas estava transtornada. Ecklie tentou me ajudar, mas ela o desrespeitou também e lhe deu duas semanas de suspensão. Sem pagamento.
A caminhonete de Grissom para em frente. Ele desce rápido. A casa está com as luzes acesas. A música ainda alta — agora toca "Uninvited" de Alanis Morissette. Ele bate. Nada. Toca a campainha.
Sara ouve a campainha e vai atender. A porta se abre lentamente.
SS (voz seca, sem esconder o sarcasmo):
Bem… se você está aqui, não posso considerar isso um bom sinal.
GG (calmo, gentil): Será que eu posso entrar de verdade? Ou só fisicamente?
SS: Você veio ver se estou bêbada?
GG: Nós dois sabemos que esse não é o seu problema.
(pausa)
Eu falei com a Catherine.
SS (olha para o nada): E com Ecklie também?
GG: Ainda não.
(pausa longa)
Eu quero entender por que você perdeu a paciência desse jeito. Isso vem acontecendo com frequência, Sara. Eu tenho percebido.
Sara passa a mão no rosto, respirando fundo. A voz mais contida, mas trêmula.
SS: Eu tenho problemas com autoridade. Sempre tive.
(pausa)
E quando misturam poder com covardia, me tira do sério. Eu sei… eu fui aviltante com a Cath. Insubordinada, intratável com o Ecklie.
GG (sereno, porém firme):
Mas por quê? Não me diz só o superficial. Me diz o real motivo. O que está te deixando tão brava?
SS (tentando se fechar):
Me deixa em paz, Grissom.
GG (aproximando um pouco mais, olhos fixos nos dela): Não, Sara.
(pausa)
Você não é essa pessoa agressiva. Você é amorosa. Gentil. Intensa, sim, mas boa. Me diz o que está acontecendo. Por favor.
Ela o encara por longos segundos. Finalmente se move, devagar, apontando para o sofá.
SS: Ok. Mas... é melhor a gente sentar.
Ambos sentam. Ela abaixa o olhar, brinca com o rótulo da garrafa.
SS (quebrando o silêncio):
Eu tenho um padrão…
(pausa)
Autoridade me fere. Me revolta. E eu me atraio por homens emocionalmente indisponíveis, como se estivesse tentando provar algo. E... eu tenho esse lado autodestrutivo que surge quando estou à beira do que eu mais temo: abandono.
Ela ri sem humor, as lágrimas começando a se formar.
SS (voz embargada):
Mas você não vai aceitar que eu jogue isso como desculpa, vai?
GG (balança a cabeça devagar):
Não. Porque você não é só o que te feriu. Você é muito mais.
Ela enfim solta um suspiro longo. E as palavras saem. Lentamente, com dor.
SS (chorando):
Minha mãe matou meu pai, Grissom.
(pausa longa)
Ela o esfaqueou… até ele parar de gritar. Até ele parar de bater nela. E eu vi.
Grissom fica em silêncio. Nenhum julgamento. Apenas escuta. O olhar marejado.
SS: Eu me lembro dos olhares. Da escola. Da vizinhança. Eu me tornei “a filha da mulher que matou o marido”. A filha do pai agredido até a morte.
Ela limpa o rosto com raiva, mas as lágrimas continuam caindo.
SS: Às vezes eu me pergunto… será que tem um gene assassino em nós? Será que eu sou uma bomba-relógio?
GG (suave, firme):
Eu não acredito que a violência seja genética. Eu acredito em experiências. Em feridas. E em como a gente lida com elas.
SS (voz rasgada):
Você não sabe como era a minha casa. As brigas. Os gritos. As visitas ao hospital que eu achava normais!
(grita, soluçando)
Quando ela o matou, eu percebi que aquilo não era normal!
(pausa)
E virei a coitadinha. A órfã. A criança traumatizada que ninguém queria carregar por muito tempo.
Grissom se aproxima e pega sua mão, com delicadeza. Sara chora mais intensamente, finalmente permitindo-se quebrar.
Ele não diz mais nada. Apenas a segura. Como alguém que entende o peso mesmo sem tê-lo vivido.
Sara está colapsada emocionalmente, entregue ao choro. Seu corpo treme, como se cada lágrima derramasse anos de dor reprimida. Grissom ainda segura sua mão, até não suportar mais vê-la daquele jeito.
Ele se ajoelha em frente a ela, com um cuidado reverente. Suavemente, desce suas pernas do sofá, e a envolve em um abraço apertado, protetor. Ela se agarra a ele, como se finalmente pudesse se apoiar em algo que não fosse dor.
O rosto de Sara se esconde no ombro de Grissom, suas lágrimas escorrem livres, molhando a camisa dele. O corpo dela sacode, os soluços vêm fortes, profundos, como se fossem tirando aos poucos tudo que ela carregava desde a infância.
Grissom a embala, acariciando suas costas, passando os dedos com delicadeza por seus cabelos, como se cada gesto dissesse “eu estou aqui”.
GG (voz baixa, firme, quase sussurrada):
Sara… vai ficar tudo bem. Eu estou aqui.
(pausa, ele beija sua testa)
Você não está sozinha. Eu estou com você… e vou sempre estar.
Aos poucos, os soluços diminuem. A respiração dela começa a acalmar, mas os dois continuam ali. Grissom não a solta. Sara também não.
O silêncio que se forma entre eles é denso, íntimo. Ele sente o cheiro do cabelo dela, aquele perfume leve e familiar que sempre o desestabilizou. Sente o calor de seu corpo junto ao seu, e, mais do que isso, sente a fragilidade dela se aninhando em sua proteção.
Ele fecha os olhos por um momento. Quando os abre, já não consegue mais conter o impulso.
Grissom começa a beijar com cuidado o pescoço dela, bem de leve, como se pedisse permissão em cada toque. Sobe até a mandíbula, e então para, hesitando. Ela ainda está ali, com os olhos fechados, o rosto perto do dele.
Sara desfaz o abraço e o encara. Seu rosto está marcado pelas lágrimas, mas há algo diferente em seu olhar agora: não é mais só dor. É entrega.
SS (voz quase um sussurro):
Grissom…?
GG (olhos nos dela, mão acariciando seu rosto):
Shhh… não fala nada…
Ele limpa uma última lágrima que escorre, depois segura o rosto dela com as duas mãos e a beija.
É um beijo calmo no início. Terno. Como se dissesse tudo que ele nunca teve coragem de dizer em palavras. Mas logo a dor vira desejo, e o desejo vira algo mais profundo.
O beijo cresce em intensidade. As mãos de Sara agora seguram os ombros dele. O corpo dela se aproxima mais, como se quisesse fundir os dois em um só. Não havia mais distância. Nem passado. Nem regras.
Apenas os dois. No meio do caos, um refúgio.
As mãos de Grissom sobem pela cintura de Sara, deslizando por dentro da blusa, sentindo a pele quente, o arrepio. Os beijos descem do rosto para o pescoço, lentos, intensos. Ela se agarra ao cabelo dele, os dedos apertando, puxando com desejo. Os corpos colados, corações acelerados.
De repente, o telefone de Grissom começa a tocar, vibrando em algum lugar no bolso da calça.
Ele ignora completamente.
SS (respirando entrecortada):
Grissom... é melhor você atender…
Ele responde com mais um beijo, agora nos lábios, tentando calá-la com desejo.
SS (sorrindo, ofegante):
Meu Deus… espera, homem... atende esse telefone!
Outro beijo. Mais profundo. Mas o toque continua insistente.
Sara, rindo e frustrada, consegue se soltar um pouco. Ele, contrariado, pega o celular do bolso e atende com a voz ainda alterada.
GG (tentando soar normal):
Grissom…
(pausa)
GG:
Já sei, Ecklie… o que aconteceu?
(pausa, olhos fechados com raiva contida)
Tudo bem. Daqui a pouco estarei aí.
Ele desliga e encara Sara, ainda tentando controlar a respiração.
SS (irônica, tentando disfarçar o turbilhão interno):
Bom... pelo visto você precisa ir.
GG (se aproximando de novo):
Sara, eu vou... mas eu volto.
(pausa, segurando suas mãos)
Preciso resolver isso com Ecklie. Mas a gente precisa conversar. Sério.
Antes que ela possa responder qualquer coisa, Grissom a puxa de volta para um último beijo. Um que diz tudo o que ele ainda não teve tempo de dizer.
GG (beijando sua testa):
Até mais tarde.
Ele sai. A porta se fecha. Silêncio.
Sara fica parada por um segundo. Encara o vazio da sala. A camisa ainda meio aberta. O corpo ainda quente.
SS (sozinha, falando baixo para si):
O que foi que aconteceu aqui…?
(pausa, passa as mãos no rosto, atordoada)
Meu Deus… que loucura.
Laboratório Criminalístico de Las Vegas – Sala de reuniões
Catherine e Ecklie estão à espera. Grissom entra, calmo, seguro de si. Fecha a porta atrás de si com suavidade, mas o olhar firme denuncia que ele veio decidido.
GG:
Você queria falar comigo sobre minha perita, Ecklie?
CE (irritado):
Sim. Eu ainda não recebi a papelada da ação disciplinar. Qual o motivo da demora?
GG: Porque eu já tomei minha decisão.
CW (cruzando os braços):
E qual seria essa decisão?
GG (direto): Eu me recuso a demitir Sara.
Ecklie ergue as sobrancelhas, surpreso.
GG: O comportamento dela é resultado direto da minha gestão. Se houve uma falha, é minha também.
CE (gélido):
Então talvez eu deva te demitir.
GG (com leve sorriso):
Mas você não vai.
(pausa, encara Ecklie com firmeza)
Conrad, a Sara é uma das melhores criminalistas que esse laboratório já teve. Atenta, meticulosa, ética. E apesar da forma — que foi errada — o conteúdo estava certo.
(olha para Catherine)
Ou não estava, Cath?
Catherine abaixa o olhar, sem dizer uma palavra. O silêncio fala por si.
GG: Eu preciso dela na minha equipe.
Ecklie joga as mãos pro alto, bufando.
CE:
Quer saber? Ela é um canhão solto com uma arma… e é toda sua.
(faz um gesto de rendição)
Aceito sua decisão. Mas o erro é seu.
E sai da sala batendo a porta, irritado.
O diretor saiu da sala bufando.
Catherine encara Grissom, surpresa com sua firmeza.
CW:
Você sabe que o Ecklie quer ver você fracassar, né? Separou as equipes justamente pra isso. Ele tá esperando a Sara implodir nas suas mãos — e que, com isso, o laboratório inteiro desacredite você.
GG (calmo):
Nada disso vai acontecer.
(pausa)
GG:
A Sara continua sendo a pessoa em quem mais confio aqui. Confiei nela sete anos atrás. Confiei cinco anos atrás. Confio agora.
CW (tentando argumentar):
Mas ela errou…
GG (interrompendo):
Sim. E você também.
(pausa, mais firme)
Você duvidou dela. Desdenhou do trabalho que ela estava conduzindo. E quase permitiu que um criminoso escapasse porque seu ego foi ferido.
Catherine o encara, impactada. Grissom continua, agora mais didático do que ríspido.
GG:
Você sempre foi uma líder forte, Cath. Mas o cargo de chefia não te dá o direito de se achar melhor que ninguém. Trabalhamos em equipe.
(pausa)
E um bom líder precisa fazer mais do que mandar. Precisa ouvir. Aprender. Comunicar com clareza. Fazer o seu melhor.
(olha fundo nos olhos dela)
E, acima de tudo: extrair o melhor dos seus e ter humildade. E respeito.
Silêncio. Catherine absorve cada palavra, engolindo seco.
GG (pegando a jaqueta): Preciso ir. Até mais tarde.
Grissom sai, deixando Catherine sozinha, pensativa, e pela primeira vez em muito tempo — sem palavras.
Grissom caminha pela calçada, agora visivelmente mais leve do que ao entrar no laboratório. Seus passos são decididos, mas há um sorrisinho discreto no canto da boca. Ele entra em uma padaria charmosa e escolhe com cuidado: duas porções de pão fresco, frutas, café e algumas guloseimas.
Ele paga, agradece e volta para o carro. No banco do passageiro, o pacote bem arrumado. Um gesto simples, mas carregado de afeto.
Prédio de Sara | Alguns minutos depois]
Grissom estaciona. Ao entrar no saguão, é recebido pelo porteiro, Sr. Luis, que o conhece de vista.
Porteiro:
Bom dia, senhor Grissom. A senhorita Sidle não está.
GG (levemente surpreso): Não? Saiu cedo?
Porteiro:
Na verdade, acompanhou o casal do 201. O senhor Amandio passou mal e ela foi com eles para o hospital Sunrise.
Grissom imediatamente pega o celular e liga para ela.
Sara atende sentada em uma poltrona de espera. Está com uma expressão serena, mas cansada. Usa um casaco leve sobre a roupa simples de casa.
SS (atendendo com voz suave):
Grissom?
GG (do outro lado):
Ei… o porteiro me contou. O Amandio está bem?
SS: Sim. Foi uma queda de pressão. Ele ficou tonto, desmaiou por alguns segundos. Já está estável. Eu vim com eles, a May estava muito nervosa.
GG: Quer que eu vá até aí?
SS: Se quiser passar pra dar um oi… mas não se preocupe. Vou ficar aqui um pouco até ela se acalmar. Eles já estão no quarto em observação.
GG (olhando para o saco de papel ao lado):
Bem… eu passei numa padaria. Acho que comprei café da manhã para alguém que não está em casa.
SS (rindo, aliviada):
Você é louco… mas um louco fofo.
GG (sorrindo):
Vou deixar isso aí. Não vou ficar muito, tenho que descansar antes do próximo turno.
Grissom aparece na ala de espera. Sara está em pé, encostada na parede. Quando o vê, sorri com ternura. Ele se aproxima e estende a sacolinha de papel.
GG:
Nada como carboidrato e cafeína para dias caóticos.
SS (pegando a sacola): Obrigada… por tudo.
Ele a olha por um momento mais longo, querendo dizer algo, mas respeita o espaço.
GG: Eu volto mais tarde… pra gente conversar com calma. Como prometido.
SS: Tudo bem.
Ele se aproxima, beija sua bochecha suavemente. Depois sorri de leve e vai saindo.
GG (antes de se afastar totalmente):
Cuida bem deles. E de você.
Sara o observa ir embora. Aperta a sacolinha contra o peito, como se fosse algo precioso. Ao fundo, a porta do quarto de Amandio se abre, e ela volta para dentro.
A suspensão de Sara passou mais rápido do que ela esperava. Não porque os dias voaram, mas porque ela mal teve tempo de parar para respirar.
Grissom e ela não conseguiram conversar sobre o que aconteceu na casa dela. O beijo. O momento de vulnerabilidade. A conexão visceral.
Os dias seguintes foram preenchidos por obrigações. Sara se dividiu entre visitas ao hospital, apoio a May — que estava abalada — e longos turnos tentando não pensar em tudo o que ficou no ar.
Já Grissom, atolado com relatórios, decisões administrativas e novos casos, evitou confrontar os próprios sentimentos. Ou talvez estivesse apenas dando espaço.
O Sr. Amandio recebeu alta. Estava melhor, sorridente, mesmo ainda um pouco fraco. Sara os ajudou a arrumar as malas, chamou um táxi e fez questão de acompanhá-los até a entrada do terminal de ônibus.
May (segurando as mãos da perita):
Você foi um anjo na nossa vida, minha filha. Eu nunca vou esquecer o que fez por nós.
Amandio (com a voz rouca, mas firme):
Essa menina tem um coração maior que o deserto todo. Merece o mundo.
Sara sorriu, emocionada.
SS: Só fiz o que qualquer um faria. Vocês são minha família aqui.
O casal partiu rumo a Petroglyph Wall, para a casa do filho, onde Amandio passaria o período de recuperação cercado de cuidados. Sara ficou observando o ônibus partir, sentindo uma pontada de vazio.
Sara retornou ao trabalho. Ninguém comentou o episódio da suspensão — ao menos, não na frente dela. Catherine foi cordial, ainda meio contida. Greg a recebeu com um abraço discreto e um “bom te ver de volta”. E Grissom... Grissom manteve-se distante. Profissional. Atencioso. Mas não disse uma palavra sobre o que haviam vivido na casa dela.
Nem um olhar mais demorado. Nem uma referência. Só o silêncio.
Sara já estava no caso assim que voltou ao trabalho. O recomeço foi direto, sem tempo para adaptação emocional.
Ela precisava encontrar Grissom para alinhar algumas informações do relatório inicial. Seguiu o corredor com uma pasta na mão quando, ao se aproximar da sala do supervisor, ouviu vozes. Risos.
Reconheceu na hora: Grissom e Sofia. Conversavam de forma descontraída, como quem compartilha alguma piada interna. O som do riso dele com o dela ecoou em sua cabeça por um segundo a mais do que gostaria.
Ela respirou fundo.
SS (para si mesma):
Foco, Sidle. Caso. Nada além disso.
Bateu na porta uma única vez e entrou, interrompendo a conversa imediatamente. Os dois se calaram, mas ainda havia um sorriso no rosto de Sofia... e outro meio torto no de Grissom.
SS (séria, com a prancheta em mãos):
Temos progresso no caso do assalto à residência. As impressões digitais encontradas na janela lateral coincidem com um suspeito reincidente: Marcus Kell. Está no sistema desde 2011 por arrombamentos semelhantes.
Ela falava sem titubear, voz firme, postura ereta, olhos fixos na prancheta — tudo milimetricamente controlado.
SS: Eu vou buscar as imagens da câmera do quarteirão, consigo preparar a linha temporal antes do meio-dia. E também vou precisar que revisar a coleta feita pela equipe de campo. Houve contaminação em uma das cenas.
Quando ergueu os olhos, encontrou o rosto de Grissom. O sorriso sumido, olhar fixo nela.
Ele não disse nada por um segundo. Só observou. A postura dela. O tom. A frieza cirúrgica com que havia desmontado qualquer resquício de intimidade.
GG (quase num sussurro): Eita... deu ruim de novo.
Sofia (confusa): O quê?
GG (disfarçando): Nada. Vamos trabalhar.
Sara já estava de saída, sem se virar.
[Final do turno – Estacionamento lateral do laboratório]
Grissom estava encostado no batente da porta lateral esperando Sara. Ela vinha descendo os degraus com o celular na mão, parecendo distraída, mas ele sabia que era só fachada.
GG (aproximando-se):
— Sara, oi... tem um minuto? Preciso saber se você poderia conversar comigo?
Antes que ela pudesse responder, uma voz interrompe a tentativa.
SC (Sofia Curtis, sorridente):
— Gil, terminei! Podemos ir agora?
Grissom congelou. Olhou para Sara, que ergueu uma sobrancelha como quem tentava não rir. Era a segunda vez que ele marcava café com a loira e se esquecia completamente.
SS (irônica):
— Agenda cheia, supervisor?
Antes que ele conseguisse se explicar, Greg apareceu como um furacão.
GS (Greg Sanders, animado):
— Saraaaa! Café? Tenho aquele brownie com seu nome escrito!
SS (com um sorriso aliviado):
— Claro, Greguinho. Vamos! Tchau, gente!
Ela virou as costas, pronta para fugir da cena embaraçosa. Mas Grissom não deixaria barato.
GG (avançando dois passos):
— Ei, esperem! Nós vamos com vocês!
SC (surpresa):
— Nós vamos?
GG (racionalizando na pressa):
— Sim, não íamos tomar café? Então vamos junto com Greg e Sara...
Greg vira, parando de andar, com um sorrisinho malicioso no rosto.
GS:
— Chefinho... e se eu quiser tomar um café a sós com a Sara?
Sara disfarça o riso com um pigarro, mas está claramente se divertindo.
GG (tentando rir também):
— Hehehe! Claro que não. Vamos, estou com fome.
Sem esperar resposta, pega o pulso de Sara e começa a puxá-la na direção da saída.
SS (olhando para a mão dele):
— Grissom, eu sei andar sozinha... pode me soltar?
GG (sem parar):
— Não. Você pode querer mudar de ideia.
SS (irônica):
— Mas é claro que quero mudar de ideia. Minha ideia de café da manhã não incluía você e a Sofia... juntos.
GG (parando, encara de lado):
— Quer dizer que incluía só o Greg?
SS (sorrindo):
— Claro! Não nasci pra segurar vela de casal.
GG (tentando se defender):
— Sara, escuta, não tem nenh...
GS (gritando ao longe, impaciente):
— Ouuu, cadê a pessoa que estava com fome? Let’s go, baby!
Sara dá um leve tapinha no peito de Grissom, como se dissesse "tchau por enquanto", e sai andando animada com Greg. Grissom fica parado, olhos fixos nos dois.
SC (se aproximando):
— Grissom, está tudo bem? Você parece nervoso.
GG (frio e seco):
— Estou bem, Sofia. Vamos logo tomar esse café...
Cafeteria – Após o café com Greg e Sofia]
Os quatro estavam de saída quando Grissom se aproxima de Sara, tentando uma nova chance.
GG (em tom mais baixo, quase suplicante):
— Sara, será que você pode ficar um minuto? Preciso muito conversar com você...
Ela olha para ele por um instante, respirando fundo. Havia ternura nos olhos, mas também cansaço.
SS:
— Não posso, Grissom. Tenho uma consulta médica agora.
GG (impaciente, quase frustrado):
— Sara... me parece que você está fugindo de mim. Toda vez que tento conversar, você tem algo pra fazer.
Ela para, segura sua bolsa mais firme e solta com a voz firme, mas contida:
SS: Na verdade, quem sempre tem é você, Grissom. Cada vez que você me chama, Sofia aparece. E deixa bem claro que você chamou ela primeiro.
Silêncio. Ele engole seco, surpreso. Não consegue responder. Ela dá um meio sorriso triste.
SS (continuando): Se me der licença, eu realmente preciso ir.
Sara se afasta, deixando Grissom parado no meio do salão, ainda segurando a xícara de café quase fria.
GG (murmurando para si, desolado):
— Droga... está difícil falar com ela. E eu só meto os pés pelas mãos.
Ele passa a mão no rosto, exausto, e senta-se novamente por alguns segundos, como se o mundo tivesse ficado mais pesado.
Resolveu ir na casa de Jim:
Brass abre a porta já com um café na mão. Grissom está com cara de quem não dormiu direito.
JB (surpreso):
— Gil? Bom dia... Aconteceu alguma coisa?
GG (suspira):
— Preciso desabafar. Posso entrar?
Jim faz sinal com a cabeça e os dois seguem para a cozinha. Grissom senta, olha em volta como se buscando coragem, e dispara:
GG:
— No dia da suspensão da Sara, eu fui até a casa dela. A gente conversou muito... ela bebeu, chorou, desabafou. E... a gente se beijou, Jim.
JB (levanta a sobrancelha): Ah é? E parou por quê?
GG: Ela insistiu pra que eu atendesse o telefone. Era o Ecklie, claro. O empata foda de sempre.
JB (tentando não rir): Clássico.
GG (continua):
— Desde então tento falar com ela sobre isso. Tentar entender o que ela sentiu. Mas nunca dá certo. E pra piorar, a Sofia parece ter radar. Sempre aparece nas piores horas. Sempre dá a entender que tem alguma coisa entre nós.
JB (sério): E não tem?
GG (veemente): Claro que não, Jim!
Brass cruza os braços e encara o amigo com firmeza:
JB: Olha, você pode até dizer que não tem. Mas também não faz absolutamente nada pra mostrar o contrário. Sofia tem uma intimidade com você que nem a Catherine tem. E muito menos a Sara. Você toma café com ela depois do turno, aceita todos os convites, e quer que todo mundo acredite que não tem nada rolando?
GG (irritado consigo mesmo):
— Eu sei. Fui burro. Aceitei todos os convites da Sofia e recusei os da Sara. Mas essa coisa de “intimidade”... o que é que ela tem que as outras não têm?
JB (direto):
— Ela senta na sua mesa como se fosse dona do lugar. Fica de risinhos, cochichos. Parece um casal, Gil. Você pode não estar pegando, mas tá deixando ela plantar a ideia. E mais — já te falei: se não quer nada com a Sara, deixa ela em paz.
GG (dolorosamente):
— Mas eu quero. É justamente por isso que tá doendo tanto. Estou tentando, Jim. Só que parece que eu estraguei tudo. Uma vez, a Sara me disse que quando eu soubesse o que fazer... seria tarde demais.
Brass fica em silêncio por um momento. Depois se aproxima, encosta a caneca no balcão e diz com calma, mas firmeza:
JB: E talvez seja mesmo. Mas você só vai saber tentando de verdade — não escondendo atrás de conveniências. Se quer a Sara, prova pra ela. Porque do jeito que tá, você parece mais indeciso do que envolvido.
GG (baixa o olhar): Eu não vou desistir dela. Nem quero.
JB: Então começa a agir como quem quer. Porque, amigo... a Sara merece mais do que um homem que não sabe se vai ou se fica.
Passaram-se alguns dias e o supervisor do noturno precisou ficar ausente por 02 dias. Tinha ido à uma cidade no interior de Vegas, mas fazia 1 hora que tinha retornado.
Sara estava com Hodges revisando amostras quando ouviu risos vindos do corredor. Instintivamente virou o rosto ao identificar uma das vozes. Era Sofia. A outra, Mandy. As duas não perceberam que a porta estava entreaberta.
SC (empolgada, sem notar a presença de ninguém):
— Menina, fiz o que você sugeriu. Conversei com Grissom, falei tudo o que estava sentindo... e adivinha? Ele me convidou pra jantar hoje à noite!
Mandy (sorrindo):
— Olha só! Então vai rolar mesmo?
SC (segura o riso, cheia de expectativa):
— Pelo jeito, dessa vez vai dar certo.
Do outro lado da sala, Sara ficou paralisada. Não ouviu mais nada do que Hodges disse. Seu coração simplesmente... afundou.
Grissom havia voltado há uma hora. E a primeira coisa que fez foi marcar um jantar com Sofia?
Ela apertou o maxilar, como se aquilo fosse capaz de conter o que sentia. Pisou fundo no chão para lembrar que ainda estava ali, trabalhando. Mas por dentro...
O que já estava rachado, agora havia quebrado de vez.
Hodges (notando o silêncio):
— Sara? Está tudo bem?
SS (forçando uma calma que doía):
— Estou sim, David. Vamos continuar.
Depois foi procurar Catherine pois as duas iriam para o Tribunal, tinham audiência. Soube que ela estava na sala do entomologista:
Sara entra com passos firmes, ainda digerindo o que ouvira sobre Grissom e Sofia.
SS:
— Oi. Bom dia para os dois. Estou pronta, Cath!
CW (erguendo-se):
— Bom dia! Só vou pegar minha bolsa, me espera no corredor?
Sara assente. Catherine sai, deixando um silêncio desconfortável entre ela e Grissom. Ele se adianta, tentando aproveitar a oportunidade.
GG (com a voz baixa):
— Sara, já que está aqui… preciso muito falar com você. É importante…
SS (cortante):
— Grissom, é sobre trabalho?
GG (hesitando):
— Não exatamente. É sobre nós, é sobre…
SS (fria e direta):
— Então nem continue. Se não for profissional, não quero ouvir uma palavra.
Grissom engole seco, surpreso com a dureza do tom. Dá um passo à frente, mas Sara ergue a mão num gesto de limite.
SS: Fica onde está. Se quiser falar sobre trabalho, fale. Se não for isso, fica em silêncio. Cansei de ser um joguete nas suas mãos. Aliás, amanhã — porque hoje você vai estar ocupado, certo? — preciso conversar com você. Mas será sobre trabalho: estou pedindo minha saída do laboratório. Quero me libertar dessa palhaçada.
Grissom empalidece. O chão parece sumir debaixo dele. Aquilo foi um soco no estômago — e ele não tem nem reação.
GG (quase sem voz):
— Sara… pelo amor de Deus, o que é isso? Sair? Por quê? Eu não… eu não fiz nada dessa vez!
Sara apenas o encara por um segundo, os olhos úmidos de decepção contida, mas a postura inabalável.
Grissom se apoia na mesa, atordoado. Pela primeira vez, a ficha começa a cair: ele pode estar perdendo Sara para sempre.
Grissom ainda digeria o golpe das palavras de Sara quando Catherine voltou apressada, parando na porta da sala.
CW: Vamos, Sara? O juiz não vai esperar a gente.
Nesse instante, um homem elegante, terno alinhado e sorriso confiante aparece na porta.
EROS: Oiii, Sara, Catherine… Grissom.
O tom de Eros é leve, mas cheio de intenção. Seus olhos vão direto a Sara, ignorando sutilmente a presença do supervisor.
EROS: Meninas, vim buscar vocês para o tribunal. Achei que um pouco de cavalheirismo cairia bem hoje.
CW (arqueando a sobrancelha com humor):
— Nossa, nunca tive carona especial pra ir ao tribunal. E tenho certeza que não é por mim que você veio, né?
EROS (dando uma piscadinha):
— Que isso, Cath… por você também, claro. Mas confesso que vim especialmente por Sara.
Sara deixa escapar um sorrisinho, olhando de relance para Grissom, que agora está com o maxilar travado.
SS (decidida): Vamos sim! Obrigada, Eros.
GG (tentando intervir):
— Sara, por favor… nós não terminamos aquela conversa…
SS (virando-se, mas mantendo a compostura):
— Grissom, agora eu realmente tenho que ir para o tribunal. A gente conversa... depois.
Mas o "depois" soa mais como "nunca". Ela passa por ele com postura firme, sem nem olhar para trás. Grissom permanece parado, com o silêncio pesando mais que qualquer resposta. Catherine lança um olhar breve e significativo para o supervisor antes de sair com Eros e Sara.
Assim que Sara cruza a porta com Eros e Catherine, o silêncio toma a sala. Grissom, de pé, encara a porta fechada por alguns segundos até que explode. Um soco seco na mesa ecoa pelo local.
GG (gritando): Maldição!!!
Papéis tremem. Um copo tomba. Ele começa a andar em círculos, soltando uma sequência de palavrões que raramente alguém o escutaria dizer.
Como se atraído pela fúria, Jim Brass entra, sem bater, apenas observando o caos.
JB (arqueando a sobrancelha):
— Eita, que bicho te mordeu agora?
GG (com a voz irritada e frustrada):
— Sara disse que vai embora do laboratório. Que cansei de brincar com ela, que a trato como um fantoche… e ainda por cima saiu animada com aquele promotorzinho de merda! Aquele tal de Eros!
JB (cruzando os braços, firme):
— Calma, Gil. É muita coisa de uma vez só. O que você fez de tão grave? Pra ela estar nesse nível, o caldo entornou bonito.
GG (confuso, jogando as mãos pro alto):
— Esse é o ponto, Jim! Eu não sei. Juro por Deus que não sei! Eu estava fora dois dias, cheguei faz uma hora! E quando a vi, ela já estava furiosa, falando que cansou de ser tratada como qualquer coisa. E aquele cara apareceu justo agora, como se estivesse pronto pra aproveitar o momento.
JB (direto, sem rodeios):
— Então escuta: ou aconteceu algo muito ruim enquanto você esteve fora... ou finalmente tudo o que ela vinha engolindo explodiu de vez. E, honestamente? Ela segurou firme por muito tempo.
GG (mais calmo, porém abatido):
— Você acha que ela tá mesmo começando algo com esse Eros?
JB: Sei lá, Gil. Mas se ela estiver, e você quiser impedir, vai ter que fazer mais do que dar soco na mesa e reclamar da vida. Vai ter que agir. Do contrário, esse cara pode sim ser o novo capítulo dela.
Grissom respira fundo, tentando se recompor. Brass dá um tapinha no ombro dele e muda o tom.
JB: Agora vamos embora, preciso de você num caso. E ela, pelo menos por hoje, está em um lugar seguro: o tribunal. Mais tarde a gente tenta entender o resto.
Grissom apenas assente com a cabeça, ainda em choque, e sai com o detetive
O dia passou rápido e Grissom sem se tocar que era a questão jantar com Sofia o problema, até porque a ideia dele era ser discreto. Queria neste jantar deixar claro para a investigadora que o interesse que tinha nela era profissional para assim ver se acabava com os problemas para seu lado.
O laboratório estava mais tranquilo naquela hora da tarde. Catherine caminha pelos corredores retornando do tribunal. Ao passar perto da sala de análise onde Hodges trabalha, escuta um trecho da conversa entre ele e Mandy.
Hodges (em tom fofoqueiro):
— Eu disse! Grissom e Sofia têm um jantar marcado hoje. O cara some dois dias e quando volta já agenda jantarzinho particular? E o pior é que Sara escutou tudo!
Catherine (interrompendo, surpresa):
— O quê?!
Mandy (tentando conter o estrago):
— Cath… não é nada demais, só um jantar...
Catherine (encarando Hodges):
— Repete o que você falou.
Hodges (sem graça):
— Ele vai jantar com a Sofia hoje. Ela contou pra Mandy. E Sara escutou também, tava perto na hora…
Catherine franze a testa, absorvendo a informação. Sem dizer mais nada, vira e segue decidida até a sala de Grissom. Ela entra na sala sem bater e para por um segundo, observando Grissom arrumado, usando uma camisa social limpa, sem jaleco, barba feita e — surpresa — perfume.
GG (sorrindo ao vê-la):
— Hei, como foi no tribunal?
CW (de braços cruzados, olhando-o de cima a baixo):
— Tudo certo. E você? Está bonito, cheiroso… Suponho que o motivo não seja o turno da noite.
(pausa dramática)
Soube que tem um encontro com a Sofia. Ficou sério o negócio? Tirou os olhos do microscópio finalmente?
Grissom franze o cenho, surpreso.
GG: Como você sabe do jantar?
CW (sarcástica):
— Ah, soube pelo nosso estimado repórter da Rádio Corredor — Hodges. E, detalhe: ele não estava sozinho. Disse que Sara também ouviu a conversa. Imagino que tenha sido um bom jeito de começar o dia, né?
Grissom empalidece ligeiramente, mas Catherine não para.
CW (fingindo leveza, mas firme):
— E por falar nela, parece que também resolveu se movimentar. Ouvi agora há pouco que ela marcou um jantar com o promotorzinho Eros. Amanhã à noite.
(sorri com ironia)
O amor está no ar, querido. Parece que você e ela finalmente estão seguindo em frente… só não juntos.
Grissom engole seco, claramente atingido. O tom de sarcasmo da amiga estava deixando tudo ainda mais real. Ele hesita por um momento, como se pensasse em cancelar tudo — mas não consegue.
GG (baixando os olhos): Cath... preciso ir.
Catherine apenas assente com um meio sorriso que não disfarça a decepção.
CW: Vai lá, Romeu. Só não esquece que enquanto você está tentando resolver sua vida com jantares discretos, a Sara está desabando por dentro. Mas tudo bem, né? Depois você corre atrás. Como sempre.
Sem dizer mais nada, Grissom sai apressado. Catherine o observa sair com um olhar que mistura pena e exasperação.
No restaurante
GG: Boa noite Sofia!!!
SC: Oi Grissom!! Espero que não se incomode, pedi uma garrafa de vinho para nós!
GG: Sem problemas Sofia, depois das noticias de hoje preciso beber algo.
SC: Algo grave? Posso Ajudar??
GG: Não, na verdade pode, Uhumm, então...
O garçom chega com o vinho e a entrada: "volto já com o jantar para o casal."
GG: Agradeço amigo mas não somos um casal!
Sofia e o garçom se assustaram com a fala de Grissom. A loira tinha dito que aguardava o namorado então a mentira caiu rápido por terra.
GG: Por que estão me olhando com essas caras??
Garçom : Com licença senhor e senhorita!
SC: Grissom eu recebi um convite hoje para voltar a ser investigadora na policia e estou tentada a aceitar, mas uma coisa me segura no laboratório e essa é você. Gostaria muito que evoluíssemos o que esta rolando entre a gente e....
GG: Sofia não esta rolando nada. Desculpa se ter lhe dado atenção, aceitado seus convites te deu a impressão de que estava interessado em você como mulher, na verdade me interesso pela profissional. Sofia você é uma investigadora, é isso que de melhor você faz. Aceite a proposta, vamos continuar colegas só que em setores diferentes. Gosto de você, mas como amiga.
SC: É... acho que confundi as coisas!!! Sim, amo ser investigadora e vou seguir seu conselho, vou aceitar!
GG: Fico feliz por você!
SC: Bom posso ser só sua amiga, mas algo me diz que seu coração tem uma dona e você esta meio enrolado na situação. Posso ter contribuído??
GG: Não, na verdade o enrolado sou eu e nem sei como vou desenrolar, acho que a perdi.
SC: Perdeu só se você quiser. Lute, siga seu coração.
GG: Obrigado, bom vamos então aproveitar o jantar para comemorarmos sua mudança. Um brinde!
SC: Saúde!
O jantar transcorreu bem, conversaram bastante só que a cena dos dois jantando era observada por Hodges que estava no mesmo restaurante com a mãe.
Resultado:
Mais noticias para o repórter..
Enquanto Sofia e Grissom brindavam, Hodges, três mesas atrás, tentava esconder sua cara de espanto atrás do cardápio. Estava ali com a mãe, que não parava de perguntar sobre os colegas de laboratório, mas ele mal ouvia.
Sra. Hodges:
— David, querido, aquele é o Dr. Grissom? Ele está com uma moça bonita, hein!
DH (sussurrando para si mesmo):
— "Essa história ainda vai pegar fogo..."
Discretamente pegou o celular e mandou uma mensagem curta para Mandy:
"URGENTE. Grissom e Sofia realmente estão jantando juntos. Te conto depois."Na manhã seguinte, a notícia já circulava. Mandy, que não guardava nada, já havia repassado os detalhes.
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