Ricordare è Vivere
17 O ATAQUE DA AVE “LOIRA” DE RAPINA
Notas iniciais
Enquanto se aprontava para sair, Sara pegava a bolsa e olhava para Grissom, que ajeitava a camisa com seu jeito meticuloso.
SS: Promete que não vai me deixar sozinha enfrentando Nick e Greg sozinha hoje?
GG: Posso tentar, mas não posso prometer.
No carro, eles conversavam sobre casos antigos e pequenas bobagens do dia a dia, rindo de piadas internas.
GG: Sabia que se você me desafiar para corrida até o escritório, eu ganho fácil?
SS: Hahaha… duvido! Aposto que você só quer impressionar a turma!
GG: Talvez… ou só quero que você me admire correndo.
SS: Hahaha! Tá bem, você me conquistou… de novo.
Chegaram ao trabalho ainda rindo, trocando olhares cúmplices.
Assim que chegaram ao estacionamento, tiveram uma surpresa. Sofia estava ali, com o sorriso característico. Ela explica que havia voltado para Las Vegas e estava na equipe de Brass.
GG: Que bom, Sofia! Fico feliz que esteja fazendo o que realmente gosta!
SC: Estou mais feliz ainda por ter voltado para cá, onde me sinto bem… e completa.
Ela deu um olhar rápido para o supervisor que chamava a atenção de alguém que vinha chegando.
SS: Bem-vinda de volta, Sofia! Vou entrando, nos vemos por aí.
Grissom percebeu na hora o olhar que Sofia lançou — meio nostálgico, meio provocador — e a forma como ela destacou que se sentia “completa” estando de volta a Vegas. Um sinal amarelo acendeu em sua mente… e um vermelhão, em forma de alerta “Sara”, disparou em seu coração.
GG (rápido, quase tropeçando nas palavras):
— Eu vou com você! Tchau Sofia, e novamente… seja bem-vinda.
Sofia manteve o sorriso, mas ficou visivelmente surpresa com a pressa de Grissom em se afastar. Ela conhecia bem aquele jeito dele e também sabia como a relação dele com Sara podia ser delicada. Só observou, sem comentar nada, enquanto os dois se afastavam.
Já os dois:
SS (com um tom leve, mas direto):
— É impressão minha ou a detetive Curtis ficou feliz demais em te ver?
GG: Ela sempre foi efusiva... E olha, nem pensa em ficar brava. Só queria sair logo dali antes que você decidisse voltar e me deixar no estacionamento como castigo.
SS (rindo): Uau, você aprendeu a se antecipar. Isso é evolução.
GG (sério, mas com um sorriso no canto da boca):
— Quando se namora uma mulher inteligente, bonita e um tantinho ciumenta... a gente aprende.
Os dois se separaram no corredor e Sara entrou na sala de descanso, porém…
GS: Ohhhhh!! Chegou a nossa garota comprometida!!! Sarinha está com médico particular!
CW: O quê?? Quer dizer que o lance com o médico ficou sério?? Parabéns, amiga, ele é um gato!
NS: Estou chocado até agora de saber disso. Fiquei sem ação quando o vi na casa dela.
WB: Gente, gente! Vocês dispararam falando e nem deixaram a Sara abrir a boca!
Neste momento, Sofia chegou na sala:
SC: Cheguei só para dar um oi… mas vejo que temos um assunto importante. Queria dizer que voltei só para trabalhar com o Brass!
CW: Que bom, Sofia! Seja bem-vinda de volta! E o assunto é o namorado da Sara!!
SC: Ohhhhh… então você está namorando, Sara?
Sara, sentindo todos os olhares sobre si, respirou fundo, tentando equilibrar surpresa, timidez e aquele toque de orgulho.
GG (chegando discretamente na porta, com um leve sorriso): “Quem está namorando?”
GS: A Sara e você nem imagina com quem Grissom?! O médico do Nick.
SS: Será que iriei em algum momento poder falar ou vão continuar a discutir minha vida? Bom eu e o Mario não estamos namorando e mais explicações na hora certa falo.
GG: Desculpa interromper este momento de discussão amorosa, mas temos muito trabalho então é melhor deixarem a Sara em paz e partirem.
SS (rindo, cruzando os braços):
— Na verdade chefe, você salvou minha sanidade. Estavam todos me interrogando como se eu tivesse virado celebridade de tabloide.
Todos saem depois das tarefas divididas restando Grissom e Sofia:
SC: Grissom, será que algum dia a gente não poderia sair para jantar de novo? Gostei muito daquela noite…
GG: Sofia, o jantar foi realmente agradável, mas estou em outro momento da minha vida… então não vai dar. Bom, preciso trabalhar. Vejo você por aí.
Sofia observou o supervisor se afastar, um sorriso travesso se formando em seu rosto.
SC (pensando alto): “Ah, você vai ver… não vou desistir de te conquistar, Grissom. Nem que eu tenha que ser irresistível de todos os jeitos possíveis.”
Ela deu uma piscadela imaginária na direção dele antes de se virar, já traçando mentalmente seu próximo passo.
Os dias vão passando e os casos cada vez mais intensos. Num desses períodos corridos, ao final do plantão, chega ao laboratório um caso difícil, portanto nada de casa. Uma família inteira foi morta, faltando uma integrante, no caso uma criança. O caso ocorreu ao Norte de Vegas então a equipe iria precisar pernoitar no local. Foram Nick, Warrick, Greg, Grissom, Jim e Sara, deixando para ex técnico de laboratório a função de reservar os quartos de hotel para os 6 enquanto o restante iria se ambientar sobre o caso. Revistaram a casa na procura de pistas e Nick ficou impactado com o caso, crendo que a garotinha ainda poderia estar viva, mas Sara fica na dúvida, achando que a recente experiência que Nick passou de quase morrer estava afetando seu julgamento. Com o avançar das horas decidiram parar para descansar:
GG: Bom gente é melhor irmos descansar, estamos num turno duplo com possibilidade para triplo. Amanhã continuamos o trabalho e Greg espero que tenha reservado direitinho nossos quartos!?
GS: Claro chefinho!! Tudo certo ✔
NS: Por que será que não acredito nisso??
GS: Tá desconfiando das minhas habilidades??? Sarinha, por exemplo, vai amar.
SS: Posso saber o motivo??
GS: Vocês falam de mais, vamos!
Quando chegaram ao local eles descobriram o que Greg fez. Com a intenção de dividir um dos quartos com Sara, acabou por reservar 3 quartos.
GG: Greg Sanders você esqueceu de reservar um quarto e agora o hotel está lotado devido a um encontro de motoqueiros e não tem outro por perto.
GS: Chefinho está tudo certo. O Nick fica em um quarto com o Rick, o Brass com você e euzinho com Sarinha. (Dá um sorrisinho)
WB: Eu acho que nosso galã aí fez a coisa de propósito.
JB: Ahhh fez mesmo!!! Bonitão, você não vai dormir no mesmo quarto que a Sara. Você vai dormir comigo.
GS: QUE????
NS: Galã a casa caiu Kkkkk
SS: Greg não acredito até agora que você aprontou isso (caiu na gargalhada)
GG: ok, ok já chega de brincadeira. Vamos fazer assim: Nick com Warrick, Jim e Greg, Sara ficará num quarto sozinha e eu durmo no carro.
WB: Griss você vai ficar cansado dormindo no carro. Vamos nos organizar!!
SS: Grissom o Warrick tem razão!
NS: Por que você não divide o quarto com a Sara? Se organizem, vai ser melhor.
Jim aproveitou a deixa para cutucar o amigo:
JB: É Gil, fique com a Sara e mate o Greg de inveja.
GS: hehehe!!! Palhaço, muito engraçado. Óbvio que Sarinha prefere a minha pessoa do que o Grissom. Por que ele pode e eu não??
SS: Por que não foi ele que armou isso tudo com segundas intenções e do jeito que estou cansada prefiro dormir, então bjs pra vocês. Grissom eu não mordo, portanto vamos dormir no mesmo quarto sem problemas.
Falou e saiu deixando um supervisor vermelho e movimentando todos a fazer o mesmo que ela. Quando o supervisor chegou na porta do quarto, Jim aproveitou e cutucou de novo: “espero que aproveite bem a noite” … Grissom ficou sem graça e entrou rápido no quarto que estava um silêncio, sendo que o único barulho vinha do chuveiro. Se despiu na velocidade da luz e se juntou a Sara no banho.
SS: UOUUU!! Cadê o homem tímido que estava sem graça de dividir um quarto??
GG: Ficou lá fora. Devo agradecer ao Greg pela ousadia que me ajudou muito.
Agarrou a namorada e a encheu de beijos. Depois foram para cama tentando se controlar mas estava difícil. Em diversos momentos os gemidos eram altos demais, tinham a sorte de que os quartos, apesar de serem no mesmo corredor, eram espaçados.
Pela manhã se encontraram no hall do hotel e Jim logo disparou:
JB: E ai Gil dormiu bem? Sara conseguiu dormir com os roncos dele?
Antes que respondessem Greg disparou:
GS: Quem não dormiu foi eu com uma moto serra no mesmo recinto que meu querido ouvidinho. Tá louco!!!
Todos riram e foram comer algo pois tinham que voltar logo ao trabalho.
Depois de uma intensa procura, finalmente acharam a garotinha ainda viva para alegria de todos, principalmente Nick.
Retornando para Vegas pararam na estrada para comerem algo e Brass fala algo baixo para só Grissom ouvir:
JB: Pensei que você ficaria quieto e não faria nada. Aproveitou bem a traquinagem do Greg, noite agitada!!
Grissom fica de boca e olhos abertos com cara de assustado:
JB: Fique tranquilo que seu segredo está seguro comigo, mas só espero que a coisa não tenha parado naquele quarto. Torço por vocês!
Grissom não respondeu e continuaram a refeição. Terminaram e voltaram para o laboratório.
Como prometido, Sofia não perdia oportunidade de tentar conquistar Grissom. Sempre que podia, mandava indiretas… e às vezes diretas demais.
Sara começava a ficar incomodada; nem sempre a loira era discreta. As duas trabalhavam bem juntas quando necessário, mas a cada encontro sempre havia troca de farpas, olhares desafiadores e comentários afiados. Era como se cada dia fosse uma partida silenciosa de gato e rato — ou melhor, cão e gato.
A equipe está reunida para revisar os avanços de um caso. Grissom está de pé junto à lousa, marcando conexões entre evidências. Sofia, como de costume, está bem perto dele. Sara observa, com a prancheta nas mãos e um semblante sério.
GG: As impressões digitais no corrimão foram comprometidas. Alguém sem luvas pode ter contaminado a cena antes da nossa chegada.
SC (interrompendo):
— Eu posso refazer a coleta. Você sabe que sou cuidadosa com detalhes, Gil.
Ela enfatiza o “Gil”, fazendo contato visual direto e sorrindo. Grissom, alheio às intenções, apenas acena.
GG: Ótimo. Pode cuidar disso, Sofia.
Sara abaixa os olhos para a prancheta, respira fundo.
CW (tentando quebrar a tensão):
— Vamos manter o foco. Sara, você conseguiu extrair algo da amostra da camisa da vítima?
SS (fria, sem tirar os olhos do relatório):
— Sim. Havia vestígios de sangue misturado a um composto orgânico, que já está sendo analisado. Se der sorte, consigo te dar uma resposta antes que certas pessoas terminem de flertar com o supervisor.
Sofia levanta uma sobrancelha e vira para Sara.
SC (sorrindo): Só estou sendo gentil, Sidle. Você deveria tentar de vez em quando. Ajuda nas relações humanas.
SS (seca): Eu sou ótima com relações humanas. Eu só estou tentando fazer meu trabalho, diferente de alguns que usam charme como ferramenta de distração.
Todos ficam em silêncio por alguns segundos. Nick disfarça limpando a garganta. Catherine e Greg trocam olhares. Grissom finge não perceber e continua a reunião.
GG: Muito bem. Vamos seguir com as divisões. Sofia, você vai com Greg até o endereço da testemunha. Sara, preciso de você no laboratório comigo. Temos que revisar os registros do DNA.
Sara apenas assente e recolhe seus papéis. Ao sair da sala, ela ouve Sofia sussurrar para Greg:
SC: Será que ela está sempre de mau humor, ou é só quando estou por perto?
Sara não responde. Apenas fecha a porta com um pouco mais de força do que o necessário.
Mais caso com a loira no circuito. Alguns policiais, entre eles Brass e Sofia, se envolveram em um intenso tiroteio no subúrbio de Vegas que culminou com diversas mortes, dentre das quais a do policial Bell. As suspeitas era de que o mesmo foi morto por fogo amigo, então os envolvidos estavam afastados administrativamente até o fim das investigações.
Sofia estava visivelmente nervosa, seu coração acelerado com o peso da possibilidade de ter causado a morte do policial Bell durante o intenso tiroteio no subúrbio de Vegas. As investigações ainda não haviam concluído se a morte fora acidental ou causada por fogo amigo.
Tentou falar com Grissom por telefone, mas sem sucesso. Decidida, foi atrás dele no laboratório. Assim que entrou em sua sala, Grissom se assustou ao vê-la ali:
SC: Oi! Eu te deixei algumas mensagens…
Grissom permaneceu parado, surpreso, mas tentando manter a calma profissional:
GG: Sim… eu ainda não li elas. Sofia, você está em suspensão administrativa, não deveria estar aqui. O ideal é que vá para casa.
Sofia respirou fundo, o pânico evidente em seus olhos:
SC: Grissom… eu não consigo parar de pensar no Bell sendo atingido. Não consigo… e se foi por minhas mãos que ele morreu?
GG: Sofia, pare. Ninguém tem respostas agora. Se ficarmos presos aos “e se”, só vamos nos destruir. Você fez o que qualquer policial treinado faria naquele momento.
Sofia abaixou a cabeça, tentando controlar o tremor das mãos.
SC: Eu… eu não consigo tirar da cabeça… o som do disparo, os corpos caindo…
Grissom respirou fundo, aproximando-se levemente dela, mantendo o espaço profissional, mas transmitindo firmeza e segurança.
Grissom percebeu a seriedade do estado emocional dela e deu um passo à frente, com voz firme, mas acolhedora:
GG: Sofia… você precisa se acalmar. Eu sei que está assustada, mas ainda não sabemos exatamente o que aconteceu.
Sofia estava cada vez mais próxima de Grissom, a voz baixa, quase implorando atenção.
GG: Sofia, por favor… não podemos conversar.
SC: Grissom, se eu não falar com alguém, eu vou explodir. E você é importante pra mim, por isso vim aqui. O Bell estava na minha frente… na hora do disparo… eu não consigo esquecer.
Grissom respirou fundo, tentando manter a postura firme, mas percebeu o quanto ela estava abalada. Estava prestes a responder quando a porta se abriu.
Sara entrou com uma pasta nas mãos, pronta para tirar uma dúvida com o supervisor. Parou de repente ao ver Sofia na sala, perto demais de Grissom.
O olhar de Sara foi direto e calmo, mas havia firmeza em sua voz:
SS: Sofia… você não deveria estar aqui. Está afastada, lembra?
Sofia se endireitou, ajeitando os cabelos, como se nada estivesse fora do lugar.
SC: Eu só precisava conversar com um amigo. Eu não tenho ninguém fora do trabalho.
SS: Sofia, talvez seja melhor você conversar com um psicólogo… alguém neutro que possa ajudá-la a lidar com isso.
Sofia percebeu que nem Grissom se alterava, nem Sara arredava o pé, e suspirou resignada.
SC: Tá… então… vou embora.
A loira se virou e saiu da sala, ainda lançando um último olhar provocador e calculado para Grissom.
Sara também decidiu sair, percebendo que não havia mais nada a acrescentar.
GG: Sara, espera! Você entrou querendo tirar uma dúvida… qual é?
SS: Deixa pra lá! Você estava ocupado e eu só atrapalhei. Peço desculpas! Vou falar com o Nick e Warrick.
GG: Sara, por favor, volta aqui!
O pedido ficou no ar. A perita realmente saiu, deixando Grissom sozinho na sala, o silêncio preenchendo o espaço e o peso da tensão da investigação pairando no ar.
Grissom permanece sozinho, com a sala em silêncio após a saída abrupta das duas mulheres. Passa a mão no rosto, claramente frustrado com a situação.
GG (baixinho para si mesmo):
— Ótimo, agora tenho dois incêndios pra apagar...
Ele pega o telefone, disca para o ramal do laboratório, tentando localizar Sara. Catherine atende.
CW: Catherine Willows.
GG: Cath, Sara tá aí com você?
CW: Não. Passou por aqui há pouco parecendo uma tempestade ambulante. Foi para a cena do crime a pedido do Xerife. O que aconteceu?
GG: Longa história... Eu dou um jeito. Obrigado.
Grissom desligou, pegou a jaqueta e saiu da sala com determinação.
Ele foi direto para o local do crime, encontrando Sara sentada em um carro analisando algo com atenção meticulosa.
GG: Pode me ajudar com um experimento, Sara?
SS: Eu pensei que a prioridade era seguir as ordens do Xerife?!
GG: Sim, mas essa experiência é importante. Prometo ser rápido.
Ela concordou e o seguiu até um beco próximo. Enquanto esperavam Hodges trazer o material solicitado, Sara decidiu sentar numa pedra com a pasta no colo, mas sem prestar atenção real a ela.
Grissom se aproximou devagar, cauteloso.
GG: Sara… posso falar com você um minuto sobre o que aconteceu na minha sala?
Ela respirou fundo, mas evitou encará-lo.
SS: Agora você quer falar comigo?
GG: Eu não queria que você visse aquilo. Não era o lugar dela… nem o momento.
Sara manteve o silêncio, absorvendo cada palavra, enquanto Grissom permanecia ali, esperando que ela se sentisse segura o suficiente para se abrir.
SS (ainda sem olhar para ele):
— Mas ela estava. Na sua sala. Nervosa, vulnerável… e você ali, ouvindo, sendo o porto seguro.
GG: Eu não fiz nada de errado. Ela apareceu de surpresa. Está abalada e sem ninguém.
SS (olhando agora):
— E eu sou o quê, Grissom? Porque parece que sou a última a saber de tudo, a última a ser considerada. Estou cansada de fingir que não sinto nada quando ela te olha daquele jeito, quando se insinua. Eu sou sua namorada, não uma colega qualquer.
GG (mais suave): Você não é qualquer uma. E eu não quero que duvide disso.
Sara desvia o olhar, tentando controlar a mistura de ciúme e insegurança que borbulhava dentro dela.
SS (em voz baixa):
— Olha… desculpa… deixa pra lá. Estamos cansados, esse caso está tenso. Vamos esquecer, tá bem?
Grissom permanece em silêncio, prestes a responder, quando Hodges e Brass aparecem, interrompendo o momento delicado.
Muitas horas depois, o resultado da investigação finalmente saiu: quem havia atingido Bell não fora Sofia. Na verdade, o disparo partira da arma de Brass, mas a situação se configurava como erro em cadeia — o novato da equipe, desorientado no meio do tiroteio, havia se levantado na linha de tiro justo no momento em que Brass reagia contra um dos suspeitos.
A notícia caiu como um peso enorme. Grissom foi até o amigo. Encontrou-o sentado sozinho em uma das salas, os cotovelos apoiados nos joelhos, a cabeça baixa.
GG (com cautela): Jim… saiu o resultado da perícia.
JB (erguendo os olhos, cansados): Não precisa dizer, eu já sei pelo jeito que tá me olhando.
GG: Foi um acidente. O novato subiu na linha de tiro, você não tinha como prever.
JB (amargo): Fácil falar quando não é você que puxa o gatilho…
Grissom não retrucou. Apenas colocou uma mão firme no ombro do amigo, em silêncio, deixando-o respirar aquela dor.
Pouco depois, o supervisor teve de deixar Brass sozinho com seus fantasmas. Havia uma reunião com a comunidade do bairro — moradores exigiam respostas sobre as mortes decorrentes do confronto.
Na pequena escola local, o clima era tenso. Pais, vizinhos e líderes comunitários lotavam o espaço, olhares pesados de desconfiança e indignação. Quando Grissom subiu para falar, sentiu o peso do dever: explicar sem expor, acolher sem perder a firmeza.
GG: Estamos diante de uma tragédia. Pessoas inocentes perderam suas vidas, e a polícia também perdeu um dos seus. Eu sei que nada que eu disser vai aliviar essa dor, mas quero garantir que cada detalhe está sendo investigado com seriedade. Vocês merecem transparência e respostas — e vão tê-las.
O burburinho foi imediato, perguntas disparadas de todos os lados. Grissom respirou fundo, pronto para enfrentar não apenas a ciência, mas também a humanidade ferida diante dele.
Sara foi para a casa de Brass e o encontrou saindo:
SS: Oi!!! Pelo jeito que está arrumado entendo que vá ao velório do Bell?
JB: Oi Sarinha!!! Vou sim, preciso fazer isso.
SS: Vou com você e não aceito não como resposta. Fico no carro te esperando.
Jim aceitou a companhia de Sara e foram ao velório. Brass fica em silêncio por alguns segundos, apoiando a mão no teto do carro antes de entrar. Seus olhos, ainda marejados, evitam encarar os dela.
JB (voz baixa): Você sabe… quando essas coisas acontecem, a gente tenta vestir a farda como se fosse uma armadura. Mas no fim do dia… só sobra a culpa.
SS (tocando suavemente o braço dele): Jim, não foi sua culpa. Eu vi casos assim, já estive em cenas assim. O Bell sabia dos riscos… e você fez o que achava certo pra proteger todo mundo.
Ele finalmente olha para ela, cansado, mas agradecido.
JB: Você tem esse dom, Sarinha… de ver através da bagunça, de achar as palavras certas.
SS (sorri de leve): Talvez porque eu também já precisei de alguém que dissesse isso pra mim.
Brass respira fundo, entra no carro e fecha a porta. Por alguns instantes, só o barulho distante do trânsito e o canto de um pássaro quebram o silêncio.
JB (tentando aliviar): Se eu soubesse que iria ganhar uma “babá” assim… teria chorado mais cedo.
SS (rindo de leve, ligando o carro): Pois é, mas eu não troco fralda.
Os dois caem numa risada curta, quase tímida, mas necessária. O peso do dia não desaparece, mas fica um pouco mais leve com aquela cumplicidade.
JB: Obrigado por me acompanhar. Sei que não era sua obrigação.
SS (olhando pra ele com carinho):
— Você me chamou de “filhota”... então é sim. Quando alguém da família precisa, a gente aparece. Sempre.
Jim sorri de canto, emocionado.
JB: E esse irmão aí... quero conhecer quando voltar. Médico, hein? Espero que não seja parecido com você nas teimosias.
SS (rindo):
— Ah, ele é pior! Mas é um bom sujeito. Me acolheu como se sempre estivéssemos próximos... sabe, Jim, pela primeira vez em muito tempo eu me sinto... completa.
JB: Você merece isso, Sarinha.
SS: Brass eu nunca falei pra você toda a história sobre meu passado, só Grissom sabe. Vou contar assim que voltar de Los Angeles já que preciso ir com Vartam lá. Hoje estamos cansados e precisamos descansar.
JB: Sim meu anjo, vá descansar e boa viagem!!
Se despediram e Sara foi para casa. Chegou, mas Grissom ainda não estava. Como iria viajar cedo, tomou banho, comeu algo e foi dormir.
O supervisor chegou um caco e fez o mesmo que a perita caindo na cama quase desmaiado. A morena acordou na hora certa, mas estava com muito sono ainda. Arrumou suas coisas, deixou um bilhete para o namorado, já que ele dormia profundamente. Deu um beijo em sua testa e saiu.
Horas mais tarde Grissom acordou a procura da amada (esqueceu da viagem). Procurou pela casa toda e quando foi pegar o celular achou o bilhete:
Amor, sei que deve ter chego tão cansado que nem se lembre que hoje é o dia que eu e Vartam vamos para Los Angeles. Todo dia, quando acordo, sempre me lembro do quanto é bom ter você ao meu lado e nesses dois dias longe de você minhas noites se transformarão em prolongados vazios de silêncio. Até a volta, com amor SaraGrissom saiu um pouco com Hank, voltou e após um banho resolveu que iria comer na rua. Tentou falar com Sara, mas o telefone estava fora de área. Ligou para Mario e combinou de almoçar num restaurante antes de ambos irem para seus plantões. Enquanto esperava o cunhado, Sofia entrou no local e ao vê-lo sozinho na mesa não pensou duas vezes e foi até ele:
SC: Sorte a minha encontrar você aqui. Esperando alguém?
GG: Oi Sofia, sim estou!!
SC: Ohh então Gil Grissom tem um encontro? Não quero atrapalhar.
GG: Sofia estou esperando um amigo. Vejo que está melhor?
SC: Sim, estou bem. Temos que seguir em frente e tentar alcançar os nossos objetivos
Sofia apoia a mão sobre a dele, passando o polegar devagar, em um gesto nitidamente íntimo. Grissom fica visivelmente tenso e Mario chega bem na hora.
MS: Boa tarde Gil!!
GG (retirando a mão rapidamente, um tanto constrangido): Mario! Que bom que chegou.
SC (com um sorriso, como se nada tivesse acontecido): Ah, então é esse o amigo misterioso… prazer, Sofia Curtis.
MS (aperta a mão dela, firme, olhando diretamente nos olhos): Mario Salvatore.
SC: Prazer em conhece-lo Mario!! Você é o amigo de Sara né, pena que ela não está com você?
MS: Prazer é todo meu e com certeza é uma pena mesmo ela não estar aqui.
(Olha sério para Grissom que engole seco).
GG: Mario, vamos nos sentar. Sofia, obrigado pela companhia, mas agora preciso conversar com ele.
SC (se levantando devagar, encarando Grissom): Claro. Nos vemos no laboratório, então.
Ela sai do restaurante, mas não sem antes lançar um último olhar a Grissom, como se estivesse marcando território.
Mario espera que ela se afastar completamente antes de se sentar.
MS (cruzando os braços): Ela tem “cara” de educada, mas os olhos dizem outra coisa. Você precisa se cuidar, Gil.
GG (desviando o olhar, ajeitando os talheres): Sofia está… fragilizada. Passou por muita coisa, perdeu um colega. Eu estava apenas ouvindo.
MS (arqueando a sobrancelha): Ouvindo? Gil, eu não sou cego. Aquilo não era só conversa. Ela está dando em cima de você na cara dura.
GG: Eu sei disso, mas Sofia não me interessa. Sara é muito importante para mim e não faria nada para perde-la.
MS (mais firme, inclinando-se para frente): Eu não vou ficar dando sermão, mas vou te dizer só uma vez: a Sara é minha irmã. Ela já sofreu o bastante. Se você deixar essa loira meter uma sombra de dúvida no coração dela, vai se ver comigo.
Grissom finalmente o encara, sério, mas sem hostilidade.
GG: Eu sei, Mario. A última coisa que quero é magoar a Sara.
O garçom chega, quebrando a tensão, mas o clima entre eles ainda fica carregado.
Conversaram e depois foram para os seus respectivos trabalhos.
Nestes dois dias longe um do outro, Sara e Grissom conseguiram se falar 2 x e muito rápido já que a morena estava na correria na cidade. O supervisor ficou de busca-la no aeroporto e no dia do retorno foi o que fez.
A encontrou no estacionamento do local e o entomologista quando a viu se aproximar não resistiu, agarrou ali mesmo e deu um beijo típico de novela.
SS: Gente o que aconteceu?? Isso tudo é saudade?
GG: Sara estou morrendo de saudades. Tem uma semana que não consigo nem falar com você direito devido ao trabalho.
(A beija de novo a apoiando no carro)
SS: Gil pelo amor de Deus vamos para casa ou não vou responder por mim e esse carro vai ser palco de uma loucura.
No carro, já a caminho de casa, o silêncio entre eles é confortável. As mãos se encontram no câmbio, os dedos entrelaçados.)
GG (olhando de relance, com um meio sorriso): Você não imagina o quanto eu contei os minutos pra te ver, Sara.
SS (suspirando, encostada no banco): Acho que imagino, porque eu senti o mesmo. Em Los Angeles parecia que tudo me lembrava de você. Até quando eu queria esquecer, você aparecia nos meus pensamentos.
GG (com voz baixa, sincera): Então não esquece, nunca.
Ela o encara com aquele olhar intenso, um sorriso cúmplice no canto da boca. Ele leva a mão dela aos lábios e beija de leve, sem tirar os olhos da estrada.
SS (brincando, para quebrar a emoção): Se continuar assim, vai ter que parar o carro no acostamento.
GG (rindo, mas com aquele brilho apaixonado):
Se você insistir, eu paro.
O supervisor assim que fechou a porta já agarrou a namorada a apoiando contra a porta. Não queria perder nem um minuto mais. Depois de toda a loucura é que finalmente foram para o quarto. Algum tempo depois Grissom levantou deixando a amada dormindo mais um pouco enquanto cuidava do cachorro e da casa. A acordou só na hora de irem trabalhar e com isso não contou do almoço com Mario.
Sara, ainda sonolenta, desperta com o toque suave de Grissom no ombro.
GG (carinhoso): Hora de levantar, amor. O plantão nos espera.
SS (abrindo os olhos devagar, sorrindo): Se depender de mim, eu ficava aqui pra sempre.
GG (beijando a testa dela): Eu também... mas infelizmente não dá.
Ela se espreguiça, observa o quarto em meia-luz e o vê já pronto, arrumado, vendo que ele havia cuidado de tudo enquanto ela dormia.
SS (com ternura): Você pensou em tudo, não é?
GG (disfarçando): Só quis te deixar descansar.
Sofia, alheia ao relacionamento secreto do seu alvo, continuava se insinuando para o supervisor e em um determinado momento em que a equipe estava na sala de descanso, a investigadora entrou e comentou sobre o almoço:
SC: Grissom espero que tenha tido um bom almoço naquele dia e que sua companhia não tenha pensado errado ao nos ver juntos.
Grissom fechou o semblante, pois sabia que a bomba havia sido ativada: “Sofia não havia nada de mais acontecendo para se ter qualquer interpretação equivocada”.
SC: Verdade!!! Bom preciso só resolver um assunto, falo com você daqui a pouco.
Sara levanta os olhos do café que mexia, encarando Grissom. O silêncio da sala pesa, cada um tentando disfarçar, mas a tensão é evidente, o que é quebrado por Cath:
“Ok Grissom, quer dizer que você anda arrasando corações por ai?
Todos caiem na gargalhada, menos uma certa morena que está bem séria, levanta alegando que vai ao banheiro e antes que ela saia:
GG: Sara quando voltar poderia ir na minha sala por favor?!
Ela só balança a cabeça e saí.
NS: Que bicho mordeu a Sara?? Não riu da nossa brincadeira.
GG: Deve ser por que a brincadeira foi sem graça.
CW: Pode parar Gil que você não conta pois é o tema da nossa brincadeira. Diga lá, com quem almoçou e o que estava acontecendo entre você e Sofia para chamar a atenção de sua companhia??
GG: Apesar de não ser da conta de vocês, eu almocei foi com o Mario, médico de Nick, e Sofia apareceu do nada no local. Agora se me dão licença tenho relatórios para preencher e vocês estão liberados.
O clima de descontração morre junto com a resposta seca de Grissom. Catherine levanta as mãos em rendição, mas sorri de canto.
CW: Ok, ok… era só brincadeira, chefe.
Nick e Warrick trocam olhares, percebendo que passaram do limite, e logo voltam a mexer em papéis e canecas, tentando disfarçar.
Grissom recolhe algumas pastas, claramente irritado, e segue para sua sala.
Sara ao sair do banheiro um pouco mais calma, foi ao encontro dele na sala. Bate na porta:
GG: Entre !!
SS: Oi!! Queria falar comigo?
GG: Sara entra, vem, sim, preciso falar com você.
SS: Grissom sei que aqui não é o local, mas vou ser bem direta. Esse interesse da Sofia em você está me incomodando, não estou aturando o jeito atirado dela. Você precisar dar o corte e outra coisa: Que história é essa de almoço?
GG: Almocei com o Mario, Sofia apareceu de surpresa lá e amor ela até pode estar interessada, mas eu não estou, já falei para ela. Você poderia deixar isso pra lá, está vendo coisas onde não tem.
SS: Grissom se bem me lembro você não ficou nada feliz quando fui tomar café com o Mario antes de sabermos que ele era meu irmão, então porque eu tenho que relevar as cantadas da loira armada???
GG: Uma coisa não tem nada a ver com a outra Sara. O ciúme está fazendo você ver coisas demais. Sofia é só uma amiga. Esta chato isso de se incomodar com quem fala comigo. Você está vendo chifre na cabeça de cavalo.
SS (respirando fundo, cruzando os braços): Tá vendo, Gil? É exatamente isso que me irrita… você acha que tudo é exagero meu. Mas eu conheço a Sofia, sei o tipo de mulher que ela é, e não quero que me empurrem para segundo plano. Veja bem, acho que do jeito que sua amiga esta, daqui a pouco vou ver chifre, mas não será no cavalo e olha só…
Adivinha quem os interrompeu????
SC (sorrindo, entrando na sala): Opa, desculpa interromper a conversa de vocês, mas Grissom queria saber se você aceita relembrar os velhos tempos e sair para tomar um café?
Antes que Grissom pudesse responder, Mario aparece na porta:
MS (animado): Bom dia para todos! Sara, Grissom… podemos tomar aquele café? Estou faminto!
Sara aproveita o momento para alfinetar o namorado:
SS (sorrindo, olhando para Grissom): Mario, vamos eu e você somente porque Grissom vai relembrar os velhos tempos com Sofia.
SC (levemente surpresa, mas mantendo o charme): Prazer em revê-lo, Mario. Hoje você tem a companhia da Sara.
MS (olhando para Grissom, divertido): Sim, Sofia, e cheguei na hora certa para levar a Sara para o café. Aproveitem o de vocês!
SC (com um sorriso contido, um pouco sem graça): Com certeza vamos…
O supervisor finalmente abre a boca: “Sara e Mário me esperem que vou com vocês...”
SS: Desculpe-me Grissom, mas estamos atrasados e o pessoal já deve estar esperando.
GG: Sara por favor você pode me esperar!? (Fala bem sério)
Os irmãos saem sem esperar Grissom, que corre para terminar o serviço e ir atrás deles.
Grissom olhou espantado enquanto Sofia, sem pedir permissão, sentava-se em sua mesa.
SC (sorrindo provocativamente): Grissom, por que não pedimos um café e tomamos aqui mesmo?
GG (firmemente): Sofia, quero terminar esses relatórios o mais rápido possível e depois sair daqui. Não quero ser indelicado, mas preciso ficar sozinho.
SC (inclinando-se levemente): Tudo bem… depois tomamos esse café…
Antes que ele pudesse reagir, Sofia abaixou-se de repente e fez um gesto que, para qualquer observador, poderia parecer um beijo. O contato foi próximo, demorado, deixando Grissom sem ação, completamente desconcertado.
GG (reagindo com firmeza, afastando-se): Sofia! Isso já é demais. Não existe motivo para esse tipo de comportamento.
Sofia levantou a cabeça, mantendo o sorriso provocador, como se desafiasse:
SC: Só um gesto… nada sério.
O problema é que alguém mais viu a cena.
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