Notas iniciais
Vamos colocar 02 capítulos pelo menos antes do terremoto Sidle

Na calçada, vinha um homem distraído, imerso nos próprios pensamentos sobre o encontro marcado naquela praça. Já próximo do local, deparou-se com uma cena inusitada. Greg parou, surpreso, arregalando os olhos ao ver seu chefe brincando com um cachorro.

Greg Sanders:

— Peraí... desde quando o chefinho tem cachorro???

Enquanto observava a cena, Sara se aproximou silenciosamente por trás, como se estivesse chegando naquele instante.

Sara Sidle:

— Ei, Greg! O que faz por aqui? Todo arrumado, cheiroso... vai pra um encontro?

Greg:

— Sarinha, você por aqui? Pois é, tenho um encontro sim. Mas parei pra ver aquilo ali... Nunca imaginei, na minha vida, ver o Grissom brincando com um cachorro.

Sara (com um sorriso divertido):

— E qual o problema nisso? Ele sempre passeia com o cachorro por aqui.

Greg (ainda intrigado):

— Você sabia que ele tinha um cachorro??

Sara:

— Claro. Faço caminhadas por aqui direto, já o tinha visto algumas vezes. Agora deixa eu seguir, senão o corpo esfria. Tchau!

Greg:

— Tchau, Sara!

Grissom parou a brincadeira ao perceber que Sara já não estava mais sentada no banco. Assobiou chamando Hank e, enquanto caminhava em direção à calçada, notou um olhar curioso voltado para ele.

Gil Grissom:

— Greg, bom dia! Por que essa cara pra mim?

Greg Sanders:

— Oi, chefinho! É que... tô surpreso de ver o senhor com um cachorro. A Sara passou por aqui e disse que já sabia, mas eu não… então…

Grissom (com um meio sorriso):

— Então você acabou de descobrir uma novidade sobre minha vida. A Sara passou por aqui?

Greg:

— Sim, ela disse que estava fazendo caminhada. Mas antes de ir — e só por curiosidade — qual é o nome do seu cachorro?

Grissom fez uma pausa, ergueu uma sobrancelha e lançou um olhar maroto.

Grissom:

— Greg, acho que você vai acabar perdendo seu encontro… porque tem uma moça ali olhando direto pra você.

Greg virou-se rapidamente. Era a garota com quem tinha marcado o encontro. Seus olhos se arregalaram e ele saiu correndo na direção dela.

Nesse instante, Grissom ergueu a voz e gritou:

Grissom (rindo):

— Greg! O nome do meu cachorro é Hank!

Greg parou por um segundo, virou-se com expressão de surpresa, de boca aberta… e depois continuou correndo, sem acreditar no que ouvira.

Enquanto isso, Grissom seguia seu caminho, rindo sozinho ao lado de Hank.

Sara havia contornado a praça e parado discretamente do outro lado da rua. Estava de braços cruzados, encostada em uma árvore, assistindo à cena toda como se fosse um pequeno espetáculo particular. O sorriso que surgira no rosto só aumentava a cada fala de Greg.

Quando viu o colega arregalar os olhos ao saber que o cachorro se chamava Hank, precisou levar a mão à boca para conter a risada.

Sara (baixinho, para si mesma):

— Ai Greg... sempre você.

Ela observou Grissom voltando a caminhar tranquilo, com Hank trotando ao lado, e Greg correndo apressado em direção à moça do encontro — provavelmente tentando se recuperar do choque e ainda manter o charme.

Sara balançou a cabeça em leve negação, divertindo-se com o absurdo da situação.

Sara (murmurando com um sorriso):

— Eles merecem um reality show.

Atravessou a rua com passos calmos e foi ao encontro do namorado. Assim que Grissom a viu, sorriu como quem já sabia que ela tinha assistido a tudo.

Grissom:

— Você viu tudo, né?

Sara (com expressão fingida de inocência):

— Eu? Claro que não… só dei uma caminhada.

Grissom (arqueando a sobrancelha):

— Sei. E essa risada contida?

Sara: Vai dizer que não foi engraçado?

Grissom (suspirando, divertido):

— Foi. Mas agora o Greg vai passar o resto do mês perguntando se Hank sabe resolver crimes.

SS: Greg deve estar por ai e pode nos ver juntos. Que ir pra casa?

Grissom: Sim, deve estar, mas não me importo. Pelo menos aqui conseguimos conversar. Se o Greg voltar, não vai achar estranho.

Sara: Verdade. Quer tomar um suco antes de irmos pra casa?

Grissom: Vamos sim. Mas prefiro aquela lanchonete mais afastada... As mesas ficam do lado de fora, e podemos ficar com o Hank.

Concordando com a cabeça, Sara sorriu. Caminharam até a lanchonete, onde se sentaram em uma mesa de canto, sob a sombra de uma árvore. Hank se acomodou tranquilo aos pés de Grissom, enquanto os dois tomavam suco e trocavam poucas, mas significativas palavras — do jeito deles.

O tempo passou devagar, sem pressa. Em silêncio, os dois observavam o movimento da praça ao longe, com olhares atentos, mas relaxados.

Depois de um tempo ali, terminaram suas bebidas, pagaram a conta e voltaram para casa em uma caminhada tranquila, acompanhados do cão, da brisa leve da tarde... e da certeza de que, mesmo nos momentos simples, estavam exatamente onde queriam estar.

À noite, seguiram para o aeroporto encontrar Conrad, que viajaria com eles para Los Angeles. Ao chegarem, foram levados diretamente ao hotel e, em seguida, encaminhados para um jantar de boas-vindas — evento elegante, com a presença de alguns convidados ilustres, incluindo Eros, o guerreiro mexicano.

Sussurrando para Sara, Grissom comentou com uma pitada de sarcasmo:

Grissom: Não posso negar que o galã mexicano é persistente. Tenta vencer pelo cansaço.

Sara (arqueando a sobrancelha, em tom ácido):

— No meu caso vai se ferrar porq—

Antes que terminasse a frase, foram interrompidos pela chegada de um senhor elegante, com óculos finos e sorriso sincero.

Prof. John Wells: Sara Sidle! Que prazer revê-la. Minha melhor aluna! Por isso mesmo não tive dúvidas em indicar seu nome para essa palestra. Tenho certeza de que será um orgulho para mim.

Sara (com um sorriso verdadeiro):

— Professor John! Também é um prazer revê-lo. Já estou nervosa só de saber que estará me assistindo.

— Ah, deve se lembrar do Gilbert Grissom. Ele ministrou uma palestra na universidade anos atrás. Grissom, esse é o Professor John Wells.

Grissom (cumprimentando com um leve aperto de mão):

— Como vai? Lembro do senhor, sim.

Prof. John:

— Estou bem, obrigado. E lembro de você também. Tivemos uma reunião na época — você nos deu dicas valiosas.

— Soube que agora trabalham juntos, correto?

Grissom: Sim. Como o senhor disse, percebi em Sara um talento extraordinário. E quando tive a oportunidade, a convidei para integrar a equipe em Vegas. Desde então, só tivemos ganhos.

Nesse instante, Conrad se aproximou do grupo.

Conrad Ecklie (sorrindo):

— Cheguei na melhor parte: os elogios à Sidle.

Grissom (apontando para o professor):

— Conrad, esse é o Professor John Wells. Ele foi o responsável pelo convite à Sara...

Prof. John (interrompendo com gentileza):

— E a você também, Grissom. Como mencionei, acompanhei suas palestras em Berkeley e também em Nova York — foram excelentes.

— Fui encarregado de montar o grupo de palestrantes, e quando soube que trabalhavam juntos, tudo se encaixou.

— Conrad, seus peritos são um verdadeiro sucesso.

Conrad: Fico feliz em ouvir isso, professor. Agradeço em nome do laboratório.

Prof. John: Aliás, poderia me acompanhar um instante, Conrad? Quero lhe apresentar algumas pessoas.

Conrad assentiu e seguiu com o professor, enquanto Sara e Grissom permaneceram lado a lado, observando a movimentação do salão.

Com a saída de Conrad e do professor John, os peritos decidiram seguir em direção ao bar.

Sara:

— Estou me sentindo usada como propaganda ambulante. Uma hora é o professor John, outra é o Conrad…

Grissom (pegando os copos):

— Estou me sentindo igual. E, só para constar… você pediu a mesma bebida que eu: um Scotch.

Sara (erguendo a sobrancelha):

— Eu sei! É pra aguentar essa turma.

Os dois caíram na risada, brindando suavemente antes de beber. De longe, perceberam que Eros os observava, mas ainda não havia se aproximado.

Grissom (olhando de soslaio):

— Por que será que o galã mexicano ainda não veio até aqui?

Sara soltou uma risada contida, tomando mais um gole da bebida.

Grissom (curioso):

— Posso saber o motivo da risada?

Sara (com um sorrisinho debochado):

— Você o chama tanto de “galã mexicano” que vou acabar me referindo a ele assim, na frente dele, sem querer.

Grissom (arqueando uma sobrancelha):

— Eu não me importaria… talvez ele até goste.

Sara:

— E talvez você goste mais ainda se eu fizer isso.

Os dois trocaram um olhar cúmplice e divertido, como dois parceiros que se entendem perfeitamente no meio de um jogo social cheio de sutilezas.

A conversa entre Sara e Grissom foi interrompida pela chegada de Conrad, que se aproximou com um leve sorriso cansado.

Conrad: Se quiserem, estão liberados. O jantar já encerrou oficialmente. Podem ir para os quartos e descansar um pouco.

Os dois agradeceram e seguiram pelos corredores até o andar onde estavam hospedados. Quando chegaram à porta do quarto de Sara — e por sorte antes que qualquer gesto de carinho os denunciasse —, foram surpreendidos por uma voz atrás deles.

Eros (se aproximando com um sorriso forçado):

— Sara, Grissom… boa noite.

— Sara, poderia falar com você por um instante?

Sara (virando-se com postura firme):

— Eros, por favor… não quero ser indelicada, mas não desejo continuar um assunto que, pra mim, está encerrado.

Eros (rapidamente): Não é sobre a proposta de trabalho, juro. Tenho só uma dúvida.

Sara (sem paciência):

— Sinceramente? Se quiser mesmo tirar essa dúvida, tudo bem… Mas só aceito conversar se o Grissom participar.

Eros (surpreso): Mas… por quê? Não confia em mim?

Sara (direta, olhando nos olhos dele): Não.

Eros (tentando manter o tom): Sara…?

Sara (com firmeza, cruzando os braços):

— E aí? Vai aceitar ou não?

Grissom permaneceu calado ao lado dela, observando Eros com o olhar tranquilo, mas atento — como quem deixa claro, sem precisar dizer, que está pronto para qualquer resposta.

Eros aceitou a condição imposta por Sara, e os três entraram no quarto da perita.

Ele se sentou em uma das poltronas, visivelmente mais calmo, mas ainda com um certo nervosismo contido. Grissom permaneceu de pé, próximo à porta, com os braços cruzados. Sara, serena, esperava que ele dissesse o que precisava.

Eros:

— Eu queria te explicar uma coisa, Sara. Quando eu trabalhava como promotor em Vegas… eu me apaixonei por você.

— Fiz algumas loucuras tentando chamar sua atenção, eu sei. Não estou orgulhoso disso, mas foi o que aconteceu.

— Agora, aqui em Los Angeles, estou trabalhando com a empresa que organizou o evento. E, só pra deixar claro, desta vez a escolha dos palestrantes não foi minha — foi feita por um colegiado. Mas quando vi seu nome na lista, fiquei sinceramente orgulhoso.

Sara manteve o olhar fixo nele, atenta, enquanto Eros respirava fundo antes de fazer a pergunta que realmente queria fazer.

Eros:

— O que quero saber, Sara, é… se você está feliz no seu relacionamento.

— Eu gosto de você de verdade, e se você estiver bem com ele, então… fico feliz por você e sigo meu caminho.

Antes que ela pudesse responder, o celular de Grissom tocou. Ele atendeu de imediato.

Grissom (curto):

— Alô?... Sim, estamos no quarto da Sara… com o Eros.

— Claro, pode vir.

Desligou o aparelho e olhou para os dois.

Grissom: Era o Conrad. Está vindo pra cá.

Pouco depois, batidas suaves soaram na porta. Grissom abriu, e Conrad surgiu com uma expressão neutra, mas firme.

Conrad:

— Grissom, posso falar com você um minuto… lá fora?

Grissom assentiu e saiu com ele, fechando a porta atrás de si.

Sara voltou-se então para Eros com tranquilidade.

Sara:

— Respondendo sua pergunta…

— Eu devo dizer que nunca estive tão feliz como estou agora nesse relacionamento.

— E desejo de coração que você também seja feliz, Eros. De verdade.

Eros abaixou levemente a cabeça, como quem recebe uma resposta que já imaginava, mas precisava ouvir.

Eros (com um sorriso triste):

— Bom… já desconfiava. Mas acho que precisava mesmo escutar isso.

— Sabe… eu cheguei a pensar que você gostasse do Grissom. Você tem um brilho no olhar quando olha pra ele…

— Mas me enganei.

Grissom e Ecklie haviam conversado por um bom tempo no quarto do supervisor antes de se despedirem. Mais tarde, Grissom ligou para Sara, mas ao perceber que ela já tinha pegado no sono, preferiu deixá-la descansar. Combinaram de se encontrar pela manhã no restaurante para o café.

No dia seguinte, Sara foi a última a descer. Assim que entrou no restaurante, avistou Grissom e Ecklie já sentados à mesa, conversando e tomando café.

Sara (sorrindo ao se aproximar):

— Bom dia, rapazes!

— Que horas teremos que ir para o local do evento?

Grissom e Ecklie (em coro):

— Bom dia!

Ecklie:

— Sairemos às 09:00. Como o caminho até lá é rápido, chegaremos com tempo para a abertura, que está marcada para as 09:45.

— Farei minha apresentação e, ao final, retorno para Vegas.

— Amanhã é a sua vez, Sidle. Na quarta teremos recesso, e vocês dois retornam na quinta cedo com a palestra do Grissom.

— Sábado é o coquetel de encerramento.

Sara (tomando o cardápio e rindo de leve):

— Agenda cheia, então.

Grissom (sereno):

— Mas bem organizada… do jeito que você gosta.

Conrad terminou o café, consultou o relógio e se levantou.

Conrad:

— Vou me adiantar, preciso alinhar alguns detalhes antes da abertura. Nos vemos lá.

Grissom e Sara assentiram, e Ecklie se afastou, deixando os dois sozinhos à mesa.

Grissom não perdeu tempo.

Grissom (curioso, mas calmo):

— E então… como foi a conversa com Eros ontem, depois que eu saí?

Sara (tomando um gole de suco antes de responder):

— Falei com ele que estou muito feliz no meu relacionamento, e ele entendeu. Saiu tranquilo.

— Mas… antes de ir, disse que achava que eu gostasse de você, porque, segundo ele, quando eu te olho tenho um brilho diferente nos olhos.

Grissom (sorrindo, sem hesitar): Eu concordo.

Sara (revirando os olhos, divertida): Convencido…

Grissom (inclinando-se levemente):

— Só um pouco… mas quando se trata de você, tenho bons motivos.

Sara riu baixo, balançando a cabeça, e pegou um pedaço de pão da cesta no centro da mesa.

Sara: Se continuar assim, vou acabar virando motivo de boato entre os palestrantes.

Grissom (brincando):

— "A cientista que brilha quando olha para o entomologista"... Tem potencial.

Os dois riram juntos, aproveitando aquele raro momento de intimidade em meio à programação intensa do evento.

Após o café, Sara e Grissom se dirigiram ao local do evento, um auditório moderno e bem iluminado, onde os participantes já começavam a ocupar seus lugares. O clima era de expectativa e movimentação.

Conrad, como sempre impecável e pomposo, assumiu o palco assim que as luzes se ajustaram e o microfone foi liberado. Vestido com um terno escuro e a voz bem projetada, começou seu discurso com ar de importância.

Conrad:

— Senhoras e senhores, é uma honra dar início a mais uma edição do Congresso de Ciências Forenses e Investigação Criminal.

— Este ano, contamos com a presença de profissionais renomados, pesquisadores brilhantes e especialistas que fazem a diferença todos os dias em seus laboratórios e cenas de crime.

— Tenho orgulho de dizer que dois dos palestrantes deste ano fazem parte do nosso laboratório em Las Vegas, uma equipe de excelência que representa o que há de mais moderno e ético na perícia criminal.

Sara, sentada ao lado de Grissom na plateia, murmurou com um leve sorriso:

Sara (em tom baixo):

— Ele ensaiou isso umas dez vezes no quarto ontem, aposto.

Grissom (sem tirar os olhos do palco):

— Doze. Eu contei.

Ambos seguraram a risada enquanto Conrad continuava:

Conrad:

— Após minha apresentação, retorno a Las Vegas para dar continuidade aos trabalhos. Mas deixo vocês em excelente companhia.

— Aproveitem o evento, compartilhem conhecimento e mantenham viva a paixão pela ciência. Muito obrigado.

O público aplaudiu com respeito. Conrad acenou brevemente e, como prometido, desceu do palco, trocou algumas palavras rápidas com os organizadores e partiu para o aeroporto de volta a Vegas.

Grissom e Sara se entreolharam, agora oficialmente sozinhos naquele mar de especialistas e egos acadêmicos.

Grissom (discreto):

— Agora começa o verdadeiro campo minado.

Sara: Ainda bem que estou com o meu entomologista favorito como escudo.

Eles sorriram e se levantaram para cumprimentar alguns colegas que se aproximavam, prontos para enfrentar o restante do dia no ritmo de ciência, debates e olhares atentos.

Com a partida de Conrad, os dois aproveitaram a tranquilidade para dormirem no mesmo quarto. A noite foi calma, e pela manhã seguiram juntos para o local do evento — era o dia da palestra de Sara.

No caminho, ela parecia mais quieta do que o normal, com o olhar levemente perdido e as mãos entrelaçadas com força. Grissom, percebendo, manteve-se por perto em silêncio respeitoso, até que, ao chegarem, ela finalmente desabafou:

Sara: Gil, estou mega nervosa…

Grissom (parando e segurando levemente seus ombros):

— Ei, ei… calma.

— Vai dar tudo certo. Você sabe o que está fazendo.

— Vai lá e fala tudo o que sabe, como se estivesse defendendo seu ponto de vista num tribunal. Com clareza, com paixão. É só ser você.

Ela respirou fundo, olhou nos olhos dele e assentiu com um pequeno sorriso.

Sara: Ok. Respira… e vai.

Grissom (sussurrando):

— Você vai brilhar, Sara Sidle.

Com isso, ela seguiu para a coxia, onde aguardaria sua chamada ao palco. O som dos passos ecoando no corredor parecia amplificar cada batida do coração, mas ela estava determinada. Não estava sozinha — e isso fazia toda a diferença.

Enquanto isso, Grissom foi para a plateia, sentando-se entre os convidados e organizadores, com o crachá pendurado no pescoço e os olhos fixos no palco, pronto para vê-la em ação.

As luzes do auditório suavizaram-se, e uma música instrumental suave ecoou brevemente pelas caixas de som. O Professor John Wells subiu ao palco com passo firme, segurando uma ficha com informações e o olhar satisfeito de quem via uma aluna brilhar.

Prof. John:

— Senhoras e senhores, é com imenso prazer que apresento uma das palestrantes mais promissoras deste congresso.

— Brilhante, focada, e acima de tudo apaixonada pela ciência, tive o privilégio de tê-la como aluna e, mais tarde, acompanhar sua trajetória no Departamento de Criminalística de Las Vegas.

— Com vocês, a especialista Sara Sidle.

A plateia aplaudiu educadamente enquanto Sara surgia no palco, trajando calça social escura, blazer e o crachá pendurado no pescoço. Seus olhos rapidamente localizaram Grissom na plateia — ele sorriu com um leve aceno de cabeça, como quem dizia: Vai lá. Estou com você.

Sara ajeitou o microfone, respirou fundo e começou:

Sara Sidle:

— Bom dia a todos.

— A Física Forense é a parte da física aplicada diretamente à investigação criminal. Está presente em perícias forenses das mais diversas naturezas — desde a resolução de crimes até a análise de colisões de trânsito.

Fez uma pequena pausa, observando os rostos atentos na plateia antes de continuar.

— Este trabalho que apresento hoje tem também uma segunda proposta: usar a física forense como ferramenta pedagógica, despertando o interesse de alunos do ensino médio pela disciplina de Física.

— Isso porque a física, além de ser uma ciência exata, pode exercer um papel investigativo extremamente relevante.

Deslizou para o slide seguinte, onde havia uma imagem esquemática de uma cena de crime.

— Por exemplo, ao se analisar o impacto de um projétil em um corpo, é possível calcular a distância de onde o tiro foi disparado.

— Esse tipo de análise pode ajudar a definir se estamos diante de um suicídio ou de um homicídio.

A plateia demonstrava interesse crescente. Sara sentia-se mais segura a cada palavra. Continuou:

— Em situações corriqueiras, como o roubo de aparelhos celulares, também podemos usar a física. Ao analisar o deslocamento do suspeito por câmeras de segurança, medir distâncias, ângulos e tempos de movimento, conseguimos estimar com precisão seu trajeto e até identificar inconsistências em depoimentos.

Grissom a observava com atenção e um brilho visível no olhar — agora ele era quem se encantava ao vê-la ali, segura, dominando o assunto e conquistando a plateia com didática e clareza.

Sara desceu do palco sentindo o coração ainda acelerado, mas agora pelo alívio e pela emoção da missão cumprida. Um grupo de alunos se aproximou, seguido por alguns professores e profissionais da área, todos interessados em tirar dúvidas, elogiar ou simplesmente apertar a mão da perita de Las Vegas. Ela manteve a postura profissional, mas seu sorriso era genuíno — estava radiante.

Quando finalmente conseguiu se livrar das abordagens, encontrou Grissom encostado em uma das colunas do saguão, com os braços cruzados e um olhar que misturava admiração e ternura.

SS: — Então... como fui?

GG: — Pelo sucesso que você fez, nem preciso responder. Mas, se quiser ouvir: você foi brilhante.

Ele se aproximou e baixou um pouco o tom de voz.

— Eu me apaixonei de novo por você. Lá no palco.

Sara mordeu o lábio, tentando esconder o sorriso.

SS: — Ai Grissom, não fala isso aqui ou eu choro.

Antes que ele pudesse responder, o professor John apareceu, apertando a mão de ambos.

JW: — Sara, parabéns! Sabia que seria um sucesso. Sua forma de explicar, de conectar ciência com prática… é exatamente o que queremos mostrar neste congresso.

Aos dois:

— Aguardo vocês na quinta, e dessa vez com o Grissom no palco.

— Aproveitem a folga!

SS e GG (em uníssono): — Obrigado!

Enquanto o professor se afastava, Grissom fez um gesto sutil para os corredores do centro de convenções.

GG: — Sara, queria aproveitar e perguntar uma coisa...

Ele parou de andar e a olhou com carinho.

— Você aceita ir comigo a um lugar muito importante pra mim?

Sara franziu o cenho, mas o sorriso era curioso.

SS: — Lugar importante?

GG: — Sim... um lugar que me trouxe muitas respostas quando eu mais precisava. Queria te levar lá. Acho que chegou o momento.

Ela assentiu, ainda sem saber exatamente o que esperar, mas confiando nele como sempre.

SS: — Claro que aceito. Só espero que não envolva mais entomologia.

Grissom riu.

GG: — Não dessa vez. Mas pode envolver uma certa... contemplação silenciosa.

SS: — Ah… então é sério mesmo.

GG: — Muito.

Ela o encarou por um momento mais longo, tentando decifrar o que ele queria dizer além das palavras. E como sempre, ele deixava espaço para o mistério.

SS: — Então tá, professor. Me leve aonde for — só não vale me abandonar no caminho.

GG: — Isso nunca. Com você, eu fico.

Eles seguiram em direção à saída do centro de convenções, deixando para trás o burburinho acadêmico.

Notas finais
Próximo: saberemos que lugar é esse