Ricordare è Vivere
28 A Carta
Notas iniciais
Sara se ajeita na cama, estica o braço para pegar o controle remoto, mas algo chama sua atenção. Um livro antigo, um dos muitos de entomologia, está fora do lugar. Saindo dele, à mostra, uma carta dobrada com seu nome escrito à mão.
Curiosa, ela puxa o papel e reconhece a caligrafia imediatamente. É de Grissom. O coração bate mais forte. Ela hesita por um segundo, mas afinal, a carta é endereçada a ela.
Com cuidado, desdobra o papel e começa a ler.
Voz de Grissom em off, enquanto Sara lê em silêncio:
Sara,
Nossa despedida foi estranha. A razão por que a despedida nos dói tanto é que nossas almas estão ligadas.
Não sei por que acho tão difícil expressar meus sentimentos para você. Embora estejamos longe, posso ver você tão vividamente como se estivesse aqui. Eu disse que sentiria sua falta — e sinto.
Como Shakespeare escreveu meus sentimentos no soneto 47:
"Então, seja por tua imagem ou pelo meu amor, Estás, mesmo distante, sempre comigo; Pois não corres mais do que meus pensamentos, E estou sempre com eles, e eles, contigo; Ou, se adormecem, a tua imagem à minha frente Desperta meu amor para a alegria dos olhos e do coração."
As mãos de Sara tremem levemente. Os olhos marejam. Ela se levanta com a carta em mãos e caminha em silêncio até o escritório.
Grissom está sentado à mesa, concentrado na montagem da miniatura do seu escritório. Ao ouvir a porta se abrir devagar, levanta os olhos. Ao ver Sara com a carta, a expressão dele suaviza, surpreso e um pouco envergonhado.
GG: Quer falar algo comigo, querida?
Sara não responde de imediato. Apenas ergue a carta, olhando nos olhos dele. Grissom respira fundo.
GG (com voz baixa):
— Eu escrevi isso quando estava fora... Mas fiquei sem jeito de te mandar. Você estava chateada comigo. Achei que... talvez não quisesse ouvir.
Sara então se aproxima. Seus olhos brilham de emoção. Ela começa a recitar calmamente a continuação do soneto, sem tirar os olhos dele:
Sara:
"E assim, pelos teus olhos, o meu amor desperta; E, por teu amor, os meus olhos têm visão; E em ti, e por ti, amor e visão se completam... Como se tu fosses, para mim, luz e coração."
Grissom se levanta devagar, tocado pelas palavras de Sara e pelo olhar profundo que ela lhe dirige. Ele se aproxima e, com uma ternura intensa, a beija — primeiro suave, depois com mais paixão.
Os corpos se encaixam com familiaridade e desejo. Ele desliza os lábios até o pescoço dela, explorando com beijos lentos e quentes, subindo até sua orelha.
GG (sussurrando):
— Gostou da carta?
SS (com a respiração acelerada):
— Eu amei a carta. Poderia ter me mandado junto com o casulo... Abri aquele pacote cheia de esperança por algo seu... uma palavra, uma frase...
(ela o encara com doçura)
— Mas não tinha nada.
Grissom fecha os olhos por um instante, como se absorvesse a dor implícita nas palavras dela.
GG: Desculpa…
Mas antes que ele pudesse continuar, Sara o puxa com firmeza pela camisa, e com um movimento ágil, entrelaça as pernas ao redor da cintura dele. Grissom a segura instintivamente, sem desviar os olhos dela. O ar entre eles esquenta.
Eles se beijam novamente — com urgência. Roupas são removidas e lançadas às pressas pelo cômodo, a mesa do escritório se torna palco da intensidade do reencontro.
Na ânsia e cumplicidade do momento, mais uma fantasia se realiza. Não há palavras. Apenas os sons abafados de desejo, o calor dos corpos e o eco de um amor que encontrou, mesmo depois de tantos desencontros, um espaço de reconexão profunda.
Ali, entre livros e cartas, o amor dos dois mais uma vez se prova real — imperfeito, mas eterno.
Depois do descanso voltaram ao laboratório. Com todas as evidências processadas, laudos emitidos e depoimentos cruzados, o caso finalmente foi encerrado. O clima na equipe era de alívio. Nick até sugeriu uma pizza para comemorar, mas o casal tinha outros planos.
De volta para casa:
Sara mexe no cabelo em frente ao espelho, ajeitando os últimos detalhes antes de sair. Grissom está sentado na poltrona, lendo um livro com óculos na ponta do nariz.
SS: Amor, vou sair com o Mário, quer ir junto?
GG: Não, querida. Se não se importar, prefiro ficar em casa. Estou um pouco cansado.
SS (rindo): Cansado ou empenhado em terminar sua maquete? A propósito… te atrapalhei ontem?
Grissom baixa o livro e a observa por cima dos óculos com um meio sorriso. Levanta-se e se aproxima devagar, a puxa pela cintura.
GG: Se toda vez que você for me atrapalhar por aquele motivo... a maquete nunca vai sair.
(olhando nos olhos dela)
— Porque eu vou sempre adorar essa interrupção.
SS (sorrindo maliciosa):
— ÉÉÉ??
Eles se beijam de forma leve, mas a intensidade aumenta rapidamente. Ainda rindo, vão andando juntos em direção ao corredor. Sara começa a desabotoar a blusa de Gil quando o celular dela toca, interrompendo o clima.
Grissom finge não ouvir, começa a beijar o pescoço dela, e depois desce um pouco mais ousado.
SS (ofegante, atendendo): Sidle...
MS (voz animada):
— Oi irmã! Tá pronta? Chego em 20 minutos...
SS (tampando o celular, rindo e tentando manter o foco):
— Pode ser 30 minutos? É o tempo de...
MS (desconfiado): O tempo de quê?
SS (olhando para Gil que continua a provocá-la):
— De terminar o que estou fazendo. Até daqui a pouco.
Ela desliga e encara Grissom, que se endireita com um sorrisinho vitorioso.
GG: Temos 30 minutos? É suficiente.
SS (rindo alto): Você tá impossível!
Sala – 30 minutos depois
A campainha toca. Grissom, já recomposto e com cara de satisfeito, vai até a porta.
GG: Oi, Mário. Como está?
MS: Tudo bem, Grissom! Achei que você fosse com a gente.
GG (com um sorrisinho discreto):
— Não... estou cansado. Vou ficar por aqui. Deixa pra próxima.
Sara entra na sala ajeitando o cabelo e a bolsa. Dá um beijo rápido em Grissom.
SS: Até mais tarde.
GG: Até! Aproveitem.
MS (saindo com ela): Tchau, Grissom! Bom te ver!
Grissom fecha a porta, dá uma última olhada para a maquete abandonada no canto da sala... e sorri.
GG (pensando alto): Quem sabe amanhã.
O céu está tingido de tons alaranjados. Sara e Mário caminham lado a lado enquanto tomam sorvete de casquinha. O clima é leve, os dois riem de lembranças de infância e trocam provocações fraternas.
MS: Ok, preciso perguntar... você tá mesmo feliz com o Grissom?
SS (sorrindo): Nunca pensei que estaria tão em paz com alguém. Ele é meio esquisito, mas é o meu esquisito.
(olha para o irmão)
— Você aprova, né?
MS: Se ele te fizer feliz e continuar te tratando bem, tem minha bênção.
(dá de ombros)
— Mas ainda assim... não posso deixar de ser irmão. Se ele pisar na bola, vai me ver.
Sara ri, dá um empurrão leve no irmão. Quando estão cruzando a rua em direção a uma livraria, um rosto familiar chama a atenção da morena. Ela desacelera o passo, franzindo o cenho.
SS (quase num sussurro): Hank?
Do outro lado da rua, um homem loiro, de porte atlético e uniforme de paramédico, ajuda uma senhora a subir em uma ambulância estacionada. Quando ele se vira, cruza olhares com Sara. Por um segundo, ele congela, surpreso. Depois, sorri com certo desconforto.
MS (curioso): Conhece?
SS (desviando o olhar):
Conheço. Hank... foi meu namorado.
MS: Ahhh... o famoso ex. Quer evitar ou quer dizer oi?
SS: Melhor evitar. A história não terminou muito bem.
MS (interessado): Agora você vai ter que me contar. É contrato de irmão.
Os dois param num banco da praça. Sara respira fundo, olhando para o céu escurecendo.
SS: Ele é paramédico. Conheci durante um caso em que ele prestou atendimento a uma vítima. Era gentil, engraçado... e me tratava como se fosse a única pessoa no mundo. A gente saiu por alguns meses, foi tudo rápido, intenso.
MS: Até aí parece bom...
SS (muito séria agora):
Só que um dia, em outro caso, atendemos uma ocorrência dupla. Um carro invadiu um restaurante deixando alguns feridos. Quando chegamos na cena... Hank estava ajudando as pessoas e preocupado com uma das vitimas... sua noiva.
Mário arregala os olhos.
MS: O quê?? Ele tinha uma noiva e ainda estava com você?
SS: Exatamente. Eu descobri ali, em serviço, no meio de uma investigação.
MS (indignado): Que canalha.
SS (dando de ombros):
Aprendi a lição. Foi doloroso, mas não me abalou tanto porque ele não era o homem que eu amava.
(olha para Mário com carinho)
— O Grissom nunca me enganaria. Nem conseguiria se tentasse.
MS (tentando quebrar o clima):
— O Grissom tem cara de que mente mal até no jogo da verdade.
Eles riem.
MS: Vamos pra livraria? Ou quer ir direto pra casa?
SS: Vamos pra livraria. Mas se você me fizer comprar mais um livro de Star Wars, vou contar pro Grissom que você ainda dorme com camiseta do Chewbacca.
MS: Isso é golpe baixo, Sidle.
SS (sorrindo): Eu aprendi com os melhores.
Sara e Mário levantam lentamente com intensão de irem para a livraria. Ela está relaxada, embora um pouco reflexiva. Mário, atento, percebe quando alguém se aproxima por trás.
MS (baixo):
— Atenção: o passado está vindo na sua direção.
Sara vira discretamente e vê Hank, com as mãos nos bolsos e uma expressão tensa, mas amigável. Ele para a poucos passos deles.
HANK: Oi, Sara.
Ela se levanta devagar. Mário também, e cruza os braços ao lado da irmã.
SS: Oi, Hank. Que coincidência... você ainda trabalha com resgate?
HANK: Sim. Agora estou no plantão da região norte. Vi você e... bom, achei que devia dizer algo.
MS (intervindo, seco): Vai depender do quê.
Sara dá um leve toque no braço do irmão, sinalizando que está tudo sob controle.
HANK (olha para Mário e depois para ela):
— Só queria pedir desculpas. De verdade. Você merecia ter ouvido isso... muito antes.
Sara o encara por um instante. Não há raiva em seus olhos, apenas maturidade.
SS: A vida continua, Hank. Eu segui em frente.
(pausa)
Mas obrigada por dizer isso. Foi importante ouvir.
HANK:
— Eu estraguei tudo. E não teve um dia desde então em que eu não me arrependesse. Você foi a melhor coisa que me aconteceu, e eu fui um covarde.
MS (mais ríspido): Sim, foi mesmo.
SS (tranquila): Mário...
HANK (sorrindo sem humor):
Tá tudo bem. Você tem razão em me odiar.
SS: Eu não te odeio.
(suspira)
Só espero que tenha sido sincero com a Elaine?!
HANK: Ela me deixou quando soube da verdade. Foi justo. Mas desde então, tenho tentado ser melhor.
MS: E agora que fez sua boa ação do dia, pode ir?
Sara dá um passo à frente, tentando encerrar a conversa de forma digna.
SS: Hank... cuide-se. E boa sorte.
HANK (com um olhar nostálgico):
— Você também, Sara. Você merece tudo de bom.
Ele começa a se afastar. Mário observa até que ele suma da vista.
MS: Cara de pau. Mas confesso... você foi elegante.
SS (respira fundo): Eu precisava ouvir isso. Não por ele... por mim. Fechar esse ciclo.
MS (sorrindo):
— Isso quer dizer que posso parar de planejar um ataque com sabão no ambulatório dele?
SS (rindo):
Pode, Chewbacca. Agora vamos comprar livros.
Grissom está no sofá, trabalhando na maquete. Usa uma lupa e um palito para encaixar minuciosamente uma peça.
Sara entra com um pote de sorvete e duas colheres.
SS: Trouxe reforços. Pra maquete ou pra você decidir se vai dormir hoje.
GG (sem levantar o olhar): Sorvete é sempre bem-vindo.
Ela se senta ao lado dele, encostando os pés nos dele, e oferece uma colherada. Ele aceita e depois devolve com um sorriso.
GG: E então? Como foi o passeio com Mário?
SS (com ar casual):
— Interessante. Passeamos, rimos... e encontrei o Hank.
A lupa quase cai da mão dele.
GG: O Hank...?
(pausa dramática)
O paramédico Hank?
SS (com um sorrisinho maroto):
— Sim, esse mesmo. Aquele com braços de jogador de futebol americano e cara de bom moço, mas com um noivado secreto no armário.
GG (fingindo indignação):
— Ah, ótimo. Que reconfortante saber que ele ainda está por aí salvando vidas e destruindo relacionamentos.
SS (rindo): Calma, entomólogo ciumento. Ele só veio pedir desculpas.
GG: Ele pediu desculpas? Usava o jaleco da sedução ou estava à paisana?
SS (fingindo pensar): Jaleco da sedução. Mas com aquela barba por fazer... sabe...
GG (fingindo ofensa): A dele com certeza é barba de propaganda. Devo fazer um boletim de ocorrência por tentativa de reconquista?
SS (encostando nele e provocando):
— Engraçado... não me lembro de você me perguntar se eu quis ser reconquistada.
GG: Não preciso. Sei que sou irresistível com cola de maquete nas mãos e cheiro de café velho na camisa.
SS: Sem dúvida. Um charme explosivo.
(pausa)
Mas pra te deixar tranquilo... quando ele foi embora, quem eu quis beijar foi você. E olha só, estou aqui. Com você. E com sorvete.
GG (fingindo um suspiro aliviado):
— Menos mal. Mas se ele aparecer de novo, avisa. Prometi ao Nick que um dia ia usar aquele spray de pimenta que ele carrega. Vai que é útil...
SS (dando risada e se aproximando mais):
— Você é um bobo. Sabe que é meu único vício, né?
GG (beijando o ombro dela):
— E você é meu inseto favorito. Mesmo quando provoca meu lado possessivo.
SS: Uau, essa declaração foi... incrivelmente romântica, no idioma dos Grissoms.
GG: Estou evoluindo.
Passado alguns dias....
Eckley está sentado em sua mesa, com um sorriso político no rosto, ajustando a gravata enquanto segura um convite elegante nas mãos. Do outro lado da mesa, uma câmera do setor de comunicação do laboratório está posicionada para uma pequena gravação institucional para o gabinete do Prefeito.
Assistente de Comunicação:
— Está gravando, senhor Eckley. Quando quiser.
CE (olhando para a câmera, formal):
— É com muito orgulho que informo que dois dos nossos peritos foram convidados para representar o Laboratório Criminal de Las Vegas no Congresso Nacional de Ciências Forenses, que acontecerá em Los Angeles na próxima semana.
(Ele levanta ligeiramente os convites como se fossem troféus.)
CE: O Supervisor Gilbert Grissom, referência em Entomologia Forense no país — que dispensa apresentações — fará uma palestra sobre a aplicação da biologia na resolução de crimes.
(Pausa, vira o papel com certa teatralidade.)
CE: E a nossa perita Sara Sidle, uma das mais dedicadas profissionais da equipe noturna, foi selecionada para falar sobre a aplicação da Física na cena do crime. Este é o segundo congresso consecutivo no qual a perita Sidle é convidada, o que demonstra o prestígio crescente do nosso laboratório.
(Ao fundo, alguém solta um leve “Uau!” irônico. A câmera treme por um segundo.)
CE (ignorando): Já informei o gabinete do Prefeito e do Xerife. Considero essa participação um marco de excelência do nosso time e mais uma prova de que o investimento em nossa equipe retorna em forma de reconhecimento nacional.
(A gravação é encerrada. Eckley se recosta satisfeito.)
Assistente (sorrindo):
— Quer que eu envie direto ao gabinete do Prefeito?
CE: Imediatamente. E mande uma cópia para os canais internos... discretamente. Mas bem discretamente... só o suficiente para o resto da equipe não saber que eu elogiei a Sidle. Isso deve render comentários por dias.
Nick (passando pelo corredor, ouvindo de relance):
— Espera, o quê?! Eckley elogiou a Sara?
(puxa o celular)
— Isso precisa ser documentado. É tipo ver um cometa raro
Depois de sua propaganda em prol de seu ego como diretor, enfim vai comunicar aos dois sobre o convite. Deixou recado com Juddy para que assim que ambos chegassem fossem a sua sala.
Assim que entram no laboratório, Sara e Grissom são interceptados por Juddy, a recepcionista, com seu habitual sorriso diplomático.
Juddy:
— Oi, vocês dois. O diretor pediu que, assim que chegassem, fossem direto à sala dele.
SS (olha para Grissom, desconfiada):
— Você acha que ele…?
GG (olhos arregalados):
— Descobriu sobre a gente?
SS:
— Bom… de qualquer forma, vamos encarar. Com postura profissional.
Os dois trocam um olhar cúmplice e batem à porta da sala do diretor.
CE (do outro lado):
— Entrem!
Grissom abre a porta. Sara entra com ele.
GG:
— Bom, aqui estamos. O que aconteceu de tão importante?
CE (satisfeito, quase inflado de orgulho):
— O Prefeito, o Xerife… e eu, é claro, estamos muito contentes em informar que vocês dois foram convidados para palestrar em um Congresso Nacional de Ciências Forenses em Los Angeles. Público seleto: agentes do FBI, peritos renomados de outros estados, universidades. Vocês viajam daqui a dois dias.
Sara e Grissom se entreolham, surpresos. Ela quebra o silêncio:
SS:
— O Grissom é sempre chamado por ser palestrante, mas não é o meu caso. Quem nos convidou?
CE (pigarreando):
— O professor John Wells. Antigo mentor da senhorita Sidle na Universidade de Berkeley. Ele fez questão de incluir você.
SS (sorri, nostálgica):
— Sim, eu sei quem é. Foi meu orientador no mestrado.
(pausa)
— Bom… fico lisonjeada. E… nervosa. Palestrar para esse público é responsabilidade.
CE:
— Eles sabem do seu trabalho, Sidle. A apresentação será sobre aplicações práticas da Física em perícias de campo. Já Grissom, bom… entomologia, como sempre.
GG (sério):
— Ainda tentando convencer o mundo de que larvas também são ótimas testemunhas.
CE (ignora a ironia):
— Aqui está o cronograma, com os horários das apresentações e detalhes do evento. Ah, e para mostrar apoio institucional — e reforçar nossa presença política — eu irei com vocês no primeiro dia.
SS (arquear de sobrancelha):
— Vai com a gente?
GG (sussurrando para ela, sarcástico):
— Lá se vai a chance de transformar isso em uma mini-lua de mel científica.
CE (ergue uma sobrancelha):
— Algum comentário, Grissom?
GG (inocente): Só pensando nas malas.
CE: Era só isso. Estão dispensados. Ah, e... parabéns.
Ao saírem da sala e fecharem a porta:
SS: Ufa! Pensei mesmo que ele tinha descoberto.
GG: Eu estava quase pronto para fingir que você estava me interrogando sob disfarce.
SS (rindo): E eu estava prestes a culpar o Hodges.
Caíram na risada...
SS: Que coisa louca!! Meu antigo professor me convidando para palestrar!? Eu nunca me imaginei fazendo isso.
GG: Você domina sua área e tenho certeza que vai ser um sucesso sua palestra.
Antes que Sara respondesse, Cath veio ao encontro deles:
CW: Oi , aí estão vocês! Soube que Ecklie os chamou?? Qual è o problema?
GG: Vamos para sala de convivência que explico.
Com todos reunidos na sala faltando só o supervisor:
Sara está pegando um café quando Nick e Greg entram já rindo entre si. Eles trocam um olhar e vão direto na direção dela.
Nick (com um sorrisinho):
— Então, Dra. Sidle, autógrafos só depois da palestra em Los Angeles?
Greg (segurando uma caneca):
— Avisa quando for subir no palco, porque eu vou precisar filmar pro arquivo histórico do laboratório.
SS (erguendo as sobrancelhas):
— Vocês dois estão impossíveis hoje.
Nick: A gente só tá impressionado. FBI, outros laboratórios, palco gigante...
— Sidle: A Física em Pessoa. Tem até nome de TED Talk!
Greg (faz voz de narrador dramático):
— “E agora, direto de Las Vegas, a mulher que calcula o ângulo de impacto de uma bala mais rápido que uma impressora 3D... SAAAAARA SIDLEEE!”
SS (segurando o riso):
— Posso usar vocês dois como voluntários na demonstração prática de vetores de impacto?
(pausa dramática)
— Sem colete.
Greg (escondendo-se atrás de Nick):
— Nick primeiro.
Nick (fingindo medo):
— A vingança da palestrante. Tô vendo que vai virar estrela e esquecer da gente.
Nesse momento, Catherine entra na brincadeira com Warrick só observando, rindo de tudo.
Catherine: O que está acontecendo aqui?
Greg: Só reverenciando a nova celebridade do laboratório. A senhorita “Palestra Convidada da Física Forense.”
Catherine (rindo): Ahhh... então agora teremos dois palestrantes nerds. Vão dividir o palco? Poderiam aproveitar e dividir o quarto de hotel?
SS (rindo, sem jeito): Catherine!!
Catherine (tomando seu café tranquilamente):
— O quê? Congresso de três dias, hotel com vista pro mar, calor da Califórnia... um homem e uma mulher solteiros, livres, desimpedidos...
Nick (cutuca Greg):
— Tô achando que o tema da palestra do Grissom vai mudar de Entomologia pra "A reprodução das mariposas em clima quente."
Greg: Com demonstração prática!
SS (agora já vermelha, mas se divertindo):
— Vocês são insuportáveis.
Catherine (sorrindo maliciosamente):
— Mas vai passar protetor, tá? Que palestra de físico queimado não pega bem.
Greg: Compra um chapéu pro Grissom!
Nesse exato momento, a porta se abre e quem entra? Grissom.
GG (arqueando uma sobrancelha):
— Comprar o quê pra mim?
Silêncio. Total.
Todos se entreolham. Greg congela com a xícara no ar, Sara arregala os olhos, Catherine disfarça um sorriso, e Nick abaixa a cabeça segurando o riso.
Greg (tentando disfarçar):
— É... é que... sabe, sol forte em Los Angeles... proteção UV... pele sensível...
GG : Qual o problema do meu chapéu? Não combina?
Warrick: Claro que não. Eu sugiro um boné. Muito mais estiloso.
Todos caem na risada.
Warrick: Só pra deixar claro, o que o Greg quis dizer é que a Sara não pode esquecer de comprar as lembrancinhas pra gente. A gente aceita até chaveiro escrito “FBI me ama”.
SS (de braços cruzados):
— Não se preocupem. Vou trazer um pouco de areia da praia pra cada um. Pra vocês lembrarem que eu estava de férias enquanto estavam aqui, trabalhando.
Greg (fingindo drama):
— Crueldade tem nome: Sidle!
Catherine:
— E sobrenome: agora palestrante oficial.
GG (calmo): Eu havia chamado vocês aqui para oficialmente informar que, em dois dias, eu e Sara embarcaremos para Los Angeles. Fomos convidados para participar de um Congresso. E além de mim, Sara também fará uma palestra.
Nick (levantando as mãos): Aeeee, Sarinha palestrante!!
Greg (teatral): Muito orgulho de você, Sarinha! Grissom... não posso ir junto?
GG (arqueando uma sobrancelha):
— Posso saber por quê?
GS (encarando Sara com cara de dramático):
— Porque com certeza gaviões ficarão rondando minha Sarinha.
SS (com aquele olhar de desafio e humor):
— Greg... e desde quando sou sua?
GS (sorrindo e piscando):
— Só você dizer que sim... e a gente marca a data de início.
Todos riem. Catherine já começa a balançar a cabeça, divertida.
GG (sem perder o tom sério, mas com um brilho nos olhos): Greg Sanders... você definitivamente não vai nessa viagem. E acho melhor voltarmos ao trabalho. Aliás, aproveita e vai com a “Sarinha” nesse novo caso. Vê se protege ela dos gaviões de Las Vegas, já que tá tão preocupado.
Greg encara os colegas, como se tivesse levado uma rasteira.
GS (resmungando):
— Tá vendo? É ciúmes profissional isso aí...
Nick (dando tapinha nas costas dele):
— Vai lá, Romeu. Mostra serviço.
SS (rindo): E vê se não atrasa, Sanders. Os gaviões são mais rápidos que você.
GS: Mas nenhum mais encantador, vai...
GG (se virando de costas, soltando baixinho):
— Já tô me arrependendo de não ter te mandado sozinho...
Catherine (rindo alto):
— O congresso nem começou e já virou show!
Todos caem na risada novamente. Grissom só balança a cabeça, fingindo não estar se divertindo. Mas no fundo, está.
Casos divididos e todos na rua.
Após um dia de casos fáceis e rápidos, a equipe é chamada à delegacia. Grissom, Greg, Nick, Brass e outros quatro policiais estão reunidos, todos confusos.
Brass (de braços cruzados):
— Alguém pode me explicar o que estamos fazendo aqui?
Detetive da chefia:
— Uma mulher, acompanhada de seu advogado, veio fazer uma notificação oficial. Ela está solicitando exame de DNA de todos vocês.
Greg (arregalando os olhos):
— O quê?! Mas eu nem cheguei perto dessa mulher!
Nick (já de pé):
— Já viram a criança? Tem olho azul. Podemos reduzir os suspeitos. Tô fora!
Catherine (sorrindo com ar provocador):
— Reduzimos pra quantos? Além do Grissom, claro?
Grissom (virando na cadeira, indignado):
— Ouuuuu! Eu não tive nada com ela!
Catherine (segurando o riso):
— A criança tem olhinho azul... (olhando direto pra ele)
Grissom (tentando manter a postura):
— Sim, mas o azul dos olhos dele não veio de mim!
Sara (entrando na conversa, com um sorriso irônico):
— Tem certeza?
Grissom (encarando as duas com os braços cruzados):
— Vocês duas estão bem engraçadinhas hoje, né?
(Antes que ele pudesse continuar, uma gritaria estoura no corredor)
Sandra Daves (gritando com um dos policiais):
— É você! Eu lembrei! Foi você! Você é o pai do meu filho!
(Todos correm até a porta. O policial apontado tem olhos azuis e fica branco feito papel)
Brass (olhando pra ele):
— Amigo... é melhor ir fazer o exame. Ela tem ordem judicial.
Policial (resmungando):
— Isso só pode ser uma pegadinha...
(No fim, todos acabam fazendo o exame, por ordem da chefia. Ao saírem da sala)
Grissom (olhando para Sara e Catherine):
— Viram, engraçadinhas? Ele também tem olhos azuis!
Sara (sorrindo):
— Mas o garotinho tem um jeitinho muito parecido com o seu...
Catherine (segurando o riso):
— Verdade, Sara! Gil, será que ele gosta de insetos?
(As duas caem na risada, enquanto Grissom as encara com os braços cruzados e expressão fechada)
Grissom (sério):
— Vocês estão se divertindo, né?
— Chega por hoje. Vamos todos pra casa. Estamos oficialmente liberados.
Greg (ao fundo, ainda confuso):
— Mas sério... eu nem entrei naquela casa! Será que vão pedir pensão mesmo assim?
(Todos saem rindo da delegacia, menos Greg, que segue resmungando e olhando os olhos dos colegas, um por um)
A casa está silenciosa. Hank dorme em seu canto. Sara sai do banho com os cabelos ainda úmidos e senta-se ao lado de Grissom no sofá. Ele estava folheando um livro de entomologia, mas ao vê-la, fecha o livro e a observa com carinho.
GG (com a voz suave):
— Querida... posso te fazer uma pergunta?
SS (olhando desconfiada, mas sorrindo):
— Claro... lá vem.
GG: Você pensa em ter filhos?
(Sara fica em silêncio por alguns segundos, pensativa. Respira fundo antes de responder.)
SS: Sinceramente? Nunca foi minha ideia de vida... pelo meu histórico familiar, por tudo que vivi. Mas uns anos atrás, eu encontrei um certo homem de olhos azuis que me fez repensar essa ideia.
GG (sorrindo, olhos brilhando):
— Esse homem teve esse poder, é?
SS (brincando):
— É. Apesar da coleção de insetos e da habilidade de sumir por semanas.
(Eles riem juntos. Grissom então segura a mão dela com delicadeza.)
GG: Então... esse homem pode sonhar com um menininho? Ou uma menininha?
SS (arqueando a sobrancelha):
— Você está falando sério? Quer mesmo termos filhos?
GG (com sinceridade nos olhos):
— Não digo agora, hoje... mas sim.
— Eu quero. Eu te vejo como mãe. Mas se você não quiser... eu vou entender. De verdade.
SS (com um sorriso sincero e emocionado):
— Eu quero.
GG (surpreso): Sério?
SS (segurando o rosto dele com as duas mãos):
— Uhum. Uhum! Com você... sim.
(Grissom sorri como um garoto, e a abraça com força, emocionado. O abraço se prolonga, terno, cheio de significados.)
GG (falando baixinho no ouvido dela):
— Imagina uma menininha com seus olhos... ou um garotinho curioso querendo sair por aí pegando formigas...
SS (rindo): Desde que não colecione baratas, está tudo bem.
GG: E se tiver seu gênio?
SS: Aí a gente muda de país. Mas eu topo.
(Eles riem e ficam ali, aninhados no sofá, conversando sobre o futuro, sobre nomes, sobre como seria montar um quartinho. Não estão com pressa. Mas o sonho, agora, existe — e é compartilhado.
No outro dia pela manhã resolvem fazer uma caminhada pela praça com Hank. Grissom aproveita a praça e vai jogar frisbee com o cachorro e Sara fica sentada em um dos bancos.
Em determinado momento a perita percebe que o namorado está sendo observado por alguém conhecido, levanta devagar e sem que a pessoa perceba, saí de perto indo para a rua.
Grissom estava se divertindo com Hank que parava o frisbee ainda no ar, alheio a toda observação para eles.
Quem esta observando Grissom?
Fale com o autor