Ribelle Amato

12 Capítulo 10 - Descoberta


Notas iniciais
Sem mto o que falar, só que não sei quando postar de novo. Alguns probleminhas, só isso. Ah, sobre o capítulo: vai aparecer algumas coisas que dizem que eles conversaram na noite anterior, mas é pq o bônus veio depois de metade desse capítulo.

Capítulo 10 – Descoberta

ALGUMAS HORAS DEPOIS E ESTÁVAMOS treinando no salão de jogos. Não sabia como poderia me desviar da quantidade de perguntas que Peg me fazia; e sabia ainda menos o porque de eu não querer dar detalhes sobre a noite passada. Sei lá, eu sentia que era algo mais particular. Algo que pudesse ser compartilhado apenas por nós dois. Não sei porque, por mais que eu tentasse descobrir. Queria que aquele momento — o momento em que nos perdoamos — fosse algo especial em que um dia, quando fosse comentado por terceiros, trocaríamos olhares cúmplices e sorrisos marotos, deixando todos confusos com nossa piada interna. Era assim que eu queria que esse momento fosse guardado.

Mas, por algum motivo — que talvez seja os cachos angelicais, olhos bondosos e voz suave -, Peg conseguiu arrancar isso de mim. Juro, não sei o que aquela Alma faz no corpo de uma garotinha de dezoito anos! Parece um poder manipulador e demoníaco que ela consegue tudo o que quer apenas em alterar o tom de voz e arregalar os olhos cinzentos, imitando a tão comum carinha de cachorro que caiu da mudança. É sério, eu ainda vou descobrir como que ela faz isso e tentar usar com Jamie para ele me deixar ir na próxima incursão. Por mais que tenhamos feito as pazes, ele ainda muda de assunto toda vez que eu comento algo assim. Hoje no almoço, por exemplo, eu havia finalmente sentado junto a ele.

Foi um almoço e tanto, já que assim que sentamos lado a lado, todos, inclusive Peg — que já sabia que nos resolvemos, mas parecia não acreditar -, encararam nós dois confusos. Eu e Jamie só trocamos o olhar cúmplice e sorriso maroto que eu tanto queria e rimos da caretas que os adultos fizeram. Sério que era assim tão impossível eles acharem que um dia íamos voltar a nos dar bem?! Peg, Mel e Lily foram as que mais insistiram em detalhes comigo, enquanto Ian e Jared insistiam em dar uma de menininhas e tentar arrancar alguma coisa de Jamie. Acho que Jeb só não perguntou nada aquela hora, pois imaginava um modo completamente torturante de conseguir isso de nós. Brandt adorou constranger a gente dizendo aos quatro ventos que chegou no quarto e nos encontrou abraçados.

Eu e Jamie só olhamos um para o outro e desviamos do assunto rapidamente, ambos com as bochechas coradas. Não sei o motivo dele, mas senti meu coração palpitar ao me lembrar da cena. E, finalmente, quando Jeb mencionou a próxima incursão e eu comentei que queria ir, Jamie mudou rapidamente de assunto. Queria discutir, como fizera da última vez, mas eu sabia que ele estava fazendo seu melhor para que não entrássemos em confronto; então simplesmente segui a deixa e continuei com o próximo assunto.

Uma bolada bem forte no estômago me fez acordar dos devaneios.

— Ai, Rocker, me desculpe! — implorou Peg, correndo até mim enquanto eu envolvia meu abdómen com os braços e me agachava.

Ela envolveu meus ombros, mas como estava difícil para respirar, rapidamente a afastei. Respirei fundo várias vezes, com a cabeça entre os joelhos, enquanto recuperava o fôlego. Já estava acostumada com isso, então não demorou muito.

— Me desculpe! — pediu Peg mais uma vez, me ajudando a levantar.

— Sem problemas, estava distraída. — respondi, pegando a bola mais uma vez e colocando em suas mãos.

— Parar por hoje? — ela perguntou, segurando a bola meio receosa.

— Nem pensar! — respondi rapidamente. — Você está ficando cada vez melhor, não podemos parar agora. Além disso, paramos muito cedo ontem, e por bobagem.

— Bobagem nada! — ela insistiu. — Você tinha se machucado e pelo estado não foi até o Doc.

— Não tinha porquê, eu estou bem. Agora vamos voltar pro exercício.

— Ok, você venceu! — ela levou as mãos pro alto, enquanto voltava à posição inicial e chutava a bola. Quando a peguei com as duas mãos antes que acertasse meu rosto, ela perguntou. — O mais que vocês conversaram depois do seu pesadelo?

Eu ainda não havia contado a mais ninguém sobre o que eram os pesadelos. Apenas Jamie sabia e eu não estava muito animada em contar a mais alguém. Peg entendeu perfeitamente e tenta de tudo para me animar sempre que sabe que eu penso neles. Mesmo que todos naquelas cavernas sabem que eu tenho pesadelos, Peg e Jamie parecem ter se juntado em um time para me socorrer toda vez que alguém faz um comentário irritante sobre eles.

— Conversamos sobre nosso passado. — respondi, enquanto jogava a bola para ela novamente. — Eu disse tudo o que eu fazia, desde a rotina, até as coisas mais ridículas que eu fiz e gostos antigos. E ele disse o mesmo.

— Conversaram sobre o tempo dele nas cavernas? — ela perguntou, posicionando a bola na marca.

— Sim. — respondi, desviando os olhos dos dela. — Aqui, você sabe que tem esse poder nos olhos que fazem os outros contarem tudo?! — perguntei, mudando repentinamente de assunto. Não queria ter de dizer o quanto Jamie se sentira sozinho quando perdeu a irmã, mas acho que ela já deve saber.

Peg riu, mas não respondeu. Chutou a bola mais uma vez e eu só não a segurei por questões de milésimos de segundos. — Posso fazer mais uma pergunta? Uma pergunta mais pessoal?

Franzi o cenho, um pouco receosa. Como eu estava meio desconfortável com a situação, fui até um canto e peguei uma garrafa d'água. — Sobre o que?

— Sobre... Sentimentos. — ela disse e eu fiquei meio inquieta e desconfortável. — Eu sei que você não é de falar o que sente e que a única vez que fez isso foi ontem a noite com o Jamie, mas eu quero saber... — arqueei a sobrancelha, insentivando-a a continuar. — O que você sente pelo Jamie?

Essa me pegou tão de surpresa que acabei cuspindo toda a água que coloquei na boca e ainda engasguei com o que já tinha descido. Tossi algumas vezes antes de me recompor.

— Como é que é?!

— É... Tipo, você sente o que por ele?

— Anh... Bem... Sei lá, eu me sinto segura com ele. Confortável.

— O que mais?

Suspirei, sabendo o que ela queria dizer. — Tudo bem! Meu coração acelera e para ao mesmo tempo.

— Você gosta dele?

— Olha Peg, eu não sei! Sei o que você quer dizer, já que sou a única adolescente de companhia a ele aqui, mas é muito cedo para sentir alguma coisa! — eu sabia que era mentira, mas era o que eu podia dizer para mudar a minha situação?!

— Quatro semanas?

— E a maior parte delas estávamos sem olhar na cara do outro. Quem sabe daqui uns meses você não volta a me perguntar? — insinuei em meu melhor tom de desculpas. Não havia porque ser grossa com ela. — Vamos trocar agora. Você no gol. — eu disse.

Trocamos rapidamente de lugar e posicionei a bola no lugar certo. Respirei fundo, tentando controlar a quantidade de adrenalina que corria em minha veias, mesmo isso sendo impossível. Dei alguns passos atrás e corri.

— Descobri o que as duas aprontam! — ouvimos uma voz masculina no portal da sala de jogos. Uma voz que fez meu coração acelerar e, mesmo sem olhar, sabia que era de Jamie.

Apenas por essa, insignificante na minha opinião, reação do meu corpo, chutei a bola em direção a ele com toda a força. Sua sorte foi ser rápido o suficiente para desviar a tempo.

— Epa, isso é tentativa de assassinato! — ele reclamou, rindo.

— O que você está fazendo aqui?! — eu perguntei, tentando esconder a minha raiva.

— O que parece que estou fazendo? — ele revidou, sem realmente responder minha pergunta. O que me deixava bastante irritada.

— Parece que você está vigiando a gente e esperando a hora certa para aparecer! — eu gritei.

— Ok, é exatamente o que parece. — ele disse, levantando as mãos em forma de rendição e desculpas. — Peg, você até que melhorou bastante. — virou-se para ela, como se quisesse mudar de assunto.

Olhamos confusas para ele. — Você tem três minutos para se explicar antes que eu me enfureça.

— Bem... Eu vigio vocês desde que começaram a treinar e...

— Pausa. — pediu Peg. — Como soube?

— Vocês sumiram e eu vim procurar. Acabei encontrando vocês aqui. Queria denunciar aos garotos ou aparecer de repente, mas como eu e Rocker não estávamos nos falando, preferi não.

— E por que não? — quis saber.

— Eu tinha certeza que você ia me bater.

Respirei fundo e abri os olhos. — Então corre, que é exatamente o que vou fazer. E sou bem rápida.

Corri atrás dele, mas ele cometeu o primeiro erro correndo para dentro do salão de jogos.