Ribelle Amato

7 Capítulo 6 - Surpreendida


Notas iniciais
Bom, não sei se esse capítulo está muito bom, mas fiz o meu melhor! O Jamie não aparece nesse, mas prometo que os outros serão bem... Eh melhor eu nao soltar nenhum spoiler >.< Enfim, nesse eu quis mostrar mais sobre as amizades que a Rocker fez, pois os outros estavam muito centrados no Jamie, mas ele nao era o unico amg dela. Espero que gostem e deixem bastante reviews! Fiquei feliz em ver que ja tenho 50 reviews e 3 recomendações em tão pouco tempo! Tudo bem, são dois meses, mas poucos caps, e isso pra mim foi o suficiente! Dedico esse cap a Rachel Price, obg por mais uma recomendação fofa *-----*

Capítulo 6 – Surpreendida

— EU MESMO. – RESPONDEU. – Perdida?

— Um pouco... – respondi meio receosa.

— Quer ajuda?

— Anh... Cozinha, por favor? – pedi, ainda sem saber como agir perto dele. Com Jamie parecia tudo tão mais fácil.

Mas aí eu me lembrei de como me senti quando ele disse que eu não podia sair e a raiva voltou. E para não descontar em Ian, engoli-a secamente e forcei um sorriso. Podia não ser como Jamie, mas ele era legal e estava me oferecendo ajuda. Então ele simplesmente assentiu, segurou meu braço e me levou pelos túneis em direção à cozinha, provavelmente.

— Pode me dizer por que quer ir até a cozinha? – perguntou ele durante o caminho.

— Bem... Jeb já me colocou para trabalhar com Peg e eu quero começar o mais rápido possível. – e me afastar de Jamie, acrescentei mentalmente.

Ele me olhou de soslaio e reparei no brilho que apareceu de repente em seu olhar e me questionei se tinha dito algo errado. Chequei nossa pequena conversa umas mil vezes procurando por alguma besteira que eu falo geralmente. Mas não achei nada, então resolvi ter cara de pau o suficiente para perguntar.

— Eu disse algo de errado? – perguntei.

Ele riu descontraidamente.

— Não, não disse nada de errado!

— Mas então... Por que você ficou estranho quando eu disse que ia trabalhar com a... Peg! – exclamei surpresa comigo mesma por não ter reparado nisso assim que vi o brilho diferente em seus olhos. – Você está com ela, não está? – soltei antes mesmo que pudesse passar pelo filtro inexistente na minha mente do que posso ou não posso falar diretamente.

Ele riu novamente, deixando aliviada por não ter dado mancada.

— Como você repara numa coisa dessas? – perguntou-me, enquanto já atravessávamos a Praça Principal.

Algumas pessoas acenavam ou sorriam para Ian, e como eu estava com ele, também me cumprimentavam e eu retribuía. Fiquei calada enquanto ainda estávamos aos olhos atentos dos curiosos e isso me fez perguntar se todos já não sabiam que havia mais uma humana ali. Quando entramos em outro túnel, voltei a falar.

— Não faço a menor ideia, só sei que veio à mente e eu soltei. – respondi, e ele balançou a cabeça como se reprovasse o que eu disse, fazendo-me rir.

— Você é a cópia feminina do Jamie, isso não parece possível! – ele disse e mesmo que me lembrar dele me doesse algo no peito, eu ri.

Fomos conversando até chegar à cozinha. Como eu sabia que era só ir seguindo a voz dele, soltei meu braço de sua mão e como ele não fez menção de segurá-lo novamente, agradeci-o mentalmente. Percebi que ele não era difícil de lidar. Era simpático e divertido e rapidamente percebi o que Peg teria visto nele. Tinha um papo leve e sabia como fazer você rir e isso eu não demorei nada para descobrir. Chegamos à cozinha rindo e quando olhei ao redor vi Peg e outras duas mulheres nos olhando. Centrei minha atenção em Peg, com receio de fazer o estilo namorada ciumenta que eu particularmente odeio com todas as forças do meu ser. Mas ela simplesmente se aproximou de nós dois com um sorriso no rosto.

— Vejo que já fizeram amizade. – comentou, enquanto me abraçava rapidamente e dava um selinho em Ian logo em seguida.

— Acredita que eu a encontrei perdida nos túneis perto do depósito de mantimentos? – brincou Ian, enquanto abraçava a cintura dela e cutucava meu braço.

— Ei! – reclamei, dando um soco de leve em seu braço como resposta. – A culpa não foi minha!

— Claro que não. – ironizou ele, revirando os olhos e fazendo Peg soltar uma risada de alívio.

— Você não tem que ir trabalhar, seu brutamontes?! – perguntei sadicamente. Não queria que ele fosse, pois gostava de conversar com ele, mas sabia que se eu não fosse trabalhar agora, não ia nunca.

— Tenho sim, então já vou indo, obrigado pro me expulsar. – respondeu rindo. Deu um beijo na testa de Peg e quando passou por mim bagunçou meus cabelos rapidamente. Quando estava perto da entrada, gritou por sobre o ombro. – Se me acha brutamontes, espere até conhecer meu irmão!

Quando ele se foi, virei-me para Peg e perguntei.

— Ele está brincando, não é?!

Ela balançou a cabeça.

— Kyle consegue ser... Violento e arrogante. – respondeu depois de fazer uma pausa para, possivelmente, pensar em adjetivos não muito ofensivos para Almas.

— Peg, sinto muito dizer, mas já amo seu namorado! Se ele é assim, não quero nem ver o irmão dele na minha frente! – brinquei.

Ela riu e acrescentou.

— Acredite, ele não é lá flor que se cheire. Já tentou me matar umas três vezes, que eu me lembre, mas depois foi melhorando aos poucos depois que Sunny chegou.

— Ele já tentou te matar?! – perguntei, exaltada.

— Já, mas agora só tenta matar quando muitíssimo irritado. – comentou, dando de ombros, como se esse fato não tivesse a mínima importância. Ah, claro, porque um doido varrido te matar se você o irritar não tem nada de importante!

— E se, sem querer, eu acabar o deixando muito irritado? – perguntei inocentemente. Eu conhecia a mim mesma e ao meu gênio difícil, poucas pessoas conseguem lidar com ele, imagina o que um troglodita faria.

Ela parou um minuto para pensar, mas logo me deu uma resposta que fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem.

— Nesse caso ele fingiria que você não é uma garota. – e então ela sorriu e disse. – Vem, vamos conhecer as outras meninas.

Ela me puxou pelo pulso até as duas mulheres que estavam perto do que pareciam ser fogões. Elas ainda nos olhavam curiosamente e isso me deixou um pouco desconfortável. Ambas pareciam se mais velhas. Paramos em frente delas e Peg nos apresentou.

— Rocker, essas são Trudy – apontou para a primeira – e Heidi. – e logo depois para a segunda.

Estendi a mão e cumprimentei-as. Pareciam ser simpáticas, mas já confirmei muitas vezes que as aparências enganam. Mas resolvi não julgar afinal, porque iriam fazer algo a mim se sou mais uma humana sobrevivente?

— Pelo visto os boatos são verdadeiros... – comentou Trudy.

— Que boatos? – perguntei curiosa.

— Disseram ontem depois do jogo de futebol que Jamie havia finalmente achado uma amiguinha da idade dele. – respondeu Heidi.

Revirei os olhos e forcei um sorriso, que passou despercebido por Trudy e Heidi, mas não por Peg. Podia apostar que quando tivesse oportunidade, ela iria me perguntar se acontecera alguma coisa, direta ou indiretamente.

— Sem querer ofender, mas só tem ele de adolescente por aqui? – perguntei.

— Tem a Peg! – respondeu Trudy rindo.

Arregalei os olhos, surpresa, e Peg se adiantou em se explicar.

— Bem, minha hospedeira tem uns dezoito anos, mas fiz todos pensarem que tenho uns vinte e um, mais ou menos. Essas duas acabaram descobrindo a idade verdadeira, não sei como!

Olhei-a maliciosamente e ela devolveu meu olhar com confusão, então me expliquei.

— Não acredito que existe uma Alma neste mundo que mente! – exclamei, fingindo surpresa e Peg revirou os olhos enquanto Trudy e Heidi riam.

— Mas não sou tão nova assim! – Peg apressou-se para arranjar alguns argumentos. – Tenho mais de mil anos!

Eu já estava me preparando para rir, achando que ela falaria algo que eu geralmente poderia distorcer cinicamente para se tornar engraçado, mas ao invés disso acabei engasgando com minha própria saliva. Não me pergunte como, só posso dizer que esse tipo de coisa sinistra às vezes acontece comigo. Sentei-me em uma das cadeiras que havia junto às mesas e Heidi me ofereceu um copo d’água. Aceitei e depois de beber um grande e gostoso gole de água geladinha, voltei a respirar normalmente.

Logo depois ela e Trudy voltaram ao trabalho, deixando apenas eu e Peg conversando sobre esse assunto delicado.

— Como é que é? – questionei Peg. Ela pareceu desconfortável por ter me causado isso e a cara de anjo dela me fez pensar rapidamente em algo que a tirasse dessa situação. Então forcei uma animação que por fim tornou-se verdadeira. Afinal, imagina o que uma Alma experiente como ela teria de histórias que eu me sentia ansiosa por ouvir. – Isso é muito legal! Quantos planetas já visitou?!

Eu havia perguntado ansiosamente, mas já sabia que como a resposta me surpreenderia me preparei para não engasgar, nem com a saliva, nem com a água, nem com a língua grande. Ainda bem que já estava preparada, pois a resposta que recebi foi muito acima do que eu poderia imaginar.

— Nove planetas e estou agora na minha décima vida. – respondeu calmamente, receosa pela minha reação.

Calculei um pouco e vi que havia algo errado. Dez vidas para nove planetas. Ela deveria ter vivido mais de uma vez em um planeta e eu fiquei curiosa para saber em qual.

— Em qual planeta você teve duas vidas?

— Neste. – ela respondeu, sorrindo. – A Terra foi o único planeta por qual eu decidi lutar para ficar.

Sorri também. Queria saber como foi sua primeira vida, mas por alguma razão eu achei que não deveria pressioná-la tanto. Sabia que havia uma possibilidade dela me dizer como foi.

— Um dia você me contaria como foi sua primeira vida aqui? – perguntei.

Ela pensou por alguns instantes e me respondeu com uma expressão pensativa. – Acho que talvez seria dever de Jamie lhe dizer.

Olhei-a confusa, mas ela apenas piscou maliciosamente para e eu resolvi deixar para lá. Aliás, o que mais sabia de humanidade para já saber fazer expressões maliciosas. Se não fosse pelos reflexos brilhantes nos olhos eu poderia jurar que era uma humana.

— Obrigada! – agradeceu com um brilho satisfeito no olhar e foi assim que percebi que estava pensando alto demais. Então simplesmente respondi com um “não há de que”. Ela olhou em volta e quando percebeu que Trudy e Heidi estavam muito entretidas na própria conversa sobre a incursão atual, sentou-se no banco ao meu lado com uma expressão preocupada e perguntou. – Agora você pode me dizer por que fez aquela cara quando a Heidi comentou sobre o Jamie?

Bufei, mas no fundo sabia que podia confiar nela para dizer sobre isso. Então simplesmente tirei a caixinha do bolso do short jeans e entreguei a ela. Depois de olhar e garantir mais uma vez que as duas mulheres estavam alheias a nós duas, abriu a caixinha e segurou um arquejo de surpresa. Depois que percebi que ela já entendeu ao menos o porquê de eu ter aquilo, tomei a caixinha e a guardei novamente.

Suspirei e contei o que aconteceu desde a conversa de hoje de manhã. Claro, não contei sobre o pesadelo e nem sobre Jamie ter dormido no colchão comigo para me acalmar, pois por mais que eu confiasse em Peg eu me sentia envergonhada demais em relação a isso para contar. Além de que senti que isso deveria ser um segredo só nosso.

— Por mais que ele tenha sido extremista demais, ele só queria protegê-la! – argumentou assim que eu terminei na parte em que eu e Ian entramos na cozinha.

— Mas me proteger do quê? Vivi assim desde meus nove anos assim, me infiltrando para sobreviver!

— Eu sei disso. Eu e você sabemos que as Almas são gentis com os da própria espécie e olha que com essas lentes você com certeza se infiltra! Mas os humanos daqui sempre viram as Almas como os inimigos. Jamie pode ter o coração melhor e mais puro das cavernas, mas se preocupa.

— Mas por que se preocupa justo comigo, que já mostrei que sei como me cuidar?! – questionei, quase perdendo a paciência, mas sabia que Peg não merecia isso.

— Olha, só dê uma chance para ele. Sei que ele só quer o seu melhor.

Suspirei, derrotada.

— Mas não quero falar com ele agora. Você pode me ajudar com isso? Não estou pronta ainda para conversar diretamente com ele sem que eu acabe explodindo.

Ela me analisou receosamente, mas por fim assentiu.

— Ajudo. Mas agora temos que ajudar Trudy e Heidi antes que elas levem todo o crédito pelo almoço de hoje! – ela disse essa última frase alto o suficiente para que as duas se virassem rindo para nós.

— Levaremos do mesmo jeito, Peg! – disse Heidi.

— Mas nem pensar! – disse Peg, levantando as mangas da blusa de manga cumprida que vestia. – Rocker, me ajude aqui!

Levantamos e nos juntamos às duas.

— Preparadas para me verem queimar a cozinha?! – brinquei.

— Você não pode ser tão ruim assim, não é?! – perguntou Trudy animadamente.

— Acredite, não sei nem esquentar água! – disse rindo e comecei a botar a mão na massa.

Literalmente.

Notas finais
Não esqueçam dos reviews! Avisando que o próximo capítulo terá um salto no tempo!