Ribelle Amato
41 Capítulo 38 – Agressiva
Notas iniciais
Capítulo 38 – Agressiva
– TOPA VER?! — JAMIE ME PERGUNTOU, SE levantando do seu lugar à mesa.
Bem, eu topo lutar, mas eu não diria isso a ele agora. Mesmo que Matt e Allie me olhassem com expectativa, sabendo bem que eu adorava esse tipo de disputa. Principalmente quando eu adorava usar meu pouco tamanho e minha força acumulada a meu favor.
Dei de ombros. — O que tenho a perder?
Jamie sorriu e puxou pela mão em direção à entrada da cozinha, antes mesmo que mais alguém falasse alguma coisa. Não foi um modo muito agressivo, mas ele parecia realmente com pressa e isso se mostrou ainda mais quando começou a correr pelos túneis, como se não quisesse que ninguém nos alcançasse. Eu estranhei, claro, não era um comportamento muito típico de Jamie ficar ansioso e apressado assim. E eu estava prestes a perguntar o que havia com ele quando percebi que adentramos o salão de jogos e ele me jogava, mesmo de maneira gentil, contra a parede logo ao lado da entrada.
– O que foi isso?! — eu consegui achar minha voz no fundo da garganta, mas ela ainda assim saiu mesmo distorcida. Talvez fosse a aproximação de Jamie, que ficou há apenas milímetros de distância, com as mãos em meus quadris.
Tudo bem, eu já tinha provado daquela aproximação zilhares de vezes, mas ainda assim eu sentia os efeitos como da primeira vez. Chegava a ser estranho, na verdade, o quanto eu já tinha aquela intimidade com Jamie depois de algum tempo, mas ainda assim me sentir tão frágil e vulnerável. Só ele conseguia destruir todas as minhas defesas e eu ainda iria descobrir como ele conseguia com apenas um toque. E então eu me lembrei de algo realmente engraçado. No dia em que mostrei que havia uma segunda lente, e quando Jamie a colocou para finalmente sair um pouco do trailler com a gente. Eu conseguira manter-me concentrada pensando em foco, que na ocasião confundi com focas. Então era tudo o que eu precisava fazer para não surtar completamente: pensar em focas, aquelas bem grandinhas, gordinhas e cheia de gordura de sobra, que ficam em cima de trampolins e com uma bola colorida equilibrada no nariz.
– Eu arranjando um tempo a sós com minha namorada. — Jamie disse com um sorriso brincalhão, arrancando-me das minhas fantasias infantis, mas infalíveis.
E então seus lábios atacaram os meus e a sensação de explosão me tomou novamente — junto com o de alerta. Tudo bem, eu simplesmente adorava ser beijada por Jamie, mas tínhamos que tomar cuidado com ataques de desejo e adrenalina, como quando saímos pelo túnel que ligava à garagem. Principalmente quando tínhamos os segundos contados para que os outros chegassem até ali. Mas nem esse alerta me fez deixar de aproveitar a sensação explosiva dos lábios de Jamie sobre os meus, enquanto suas mãos permaneciam apenas na minha cintura, me respeitando e sabendo os limites da situação. E nem mesmo o alerta em que nos deixamos nos preparou para a voz que veio dos fundos da sala de jogos.
– Vocês podiam procurar um local menos público.
Eu rapidamente empurrei Jamie, já que não tinha como pular para trás por causa da parede, mas eu o teria feito se não tivesse nada me impedindo. Foi um susto e tanto, principalmente quando eu estava alerta para passos no corredor, e não para vozes já dentro da sala de jogos. Olhei rapidamente em volta, e encontrei Cristal no exato centro do que seria delimitado o rinque das lutas. E ela estava rindo do nosso desconforto, o que era pior.
– O que está fazendo... aqui? — Jamie perguntou, meio ofegante, o que causou uma gargalhada alta vinda de Cristal.
– Bem, Jeb pediu para que eu contornasse uma área para as lutas bárbaras de vocês — ela apontou para o quadrado grande e espaçoso, demarcado com giz branco, provavelmente de Sharon — enquanto ele chamava todo mundo. Mas ele não me avisou que correria o risco de encontrar dois adolescentes se agarrando aqui.
Ela dizia isso como se não fosse da nossa idade. Bem, ela podia ser mais velha, mas sua hospedeira pelo menos era. Rapidamente senti minhas bochechas corando com o comentário dela. Queria muito ter uma resposta na ponta da língua para esse comentário, mas fui poupada disso quando as primeiras pessoas começaram a chegar e a se acomodar em volta da linha delimitada. Me sentei rapidamente, e Jamie estava prestes a me seguir, mas Kyle o chamou para se sentar do outro lado com ele e os outros garotos. Ele olhou questionador para mim, mas eu apenas sorri para ele e ele logo se afastou.
Pensei que me livraria cedo das perguntas envergonhantes de Cristal, mas eu estava redondamente enganada. Ela logo se sentou ao meu lado, com Sunny, Heidi, Peg, Allie, Lily, Mel e Trudy. E fez questão de dar todos os detalhes do que acontecera há pouco, deixando-me ainda mais vermelha e envergonhada.
– Ah, meu Deus, Rocker! — disse Allie. — Vocês tem que parar de agarrar tanto o Jamie.
– Ei! — me defendi rapidamente. — Nem é tanto assim!
– Não?! — ela sorriu cinicamente para mim, enquanto eu via claramente que as outras tinham dificuldades de segurar a risada. — Então existe outra explicação para as bocas dos dois estarem vermelhas e inchadas?!
Nem perdi meu tempo de responder. Eu abracei meus joelhos e enterrei minha cabeça nos braços, completamente envergonhada; e ouvindo claramente a risada delas. Até que uma voz irritante as corta.
– Pensei que você a espancaria como faz com todos os outros que te envergonham.
Cara, isso já estava cansando, pensei, levantando meu olhar para Sharon, que parou bem à minha frente, com as mãos na cintura e um olhar superior. E então eu sorri cinicamente para ela, com o olhar mais frio que eu conseguia naquele momento.
– Não mesmo, podemos dizer que vocês que são os privilegiados. — respondi-lhe, com um tom delicadamente divertido.
– Aposto que está adorando essa história de luta livre, agressiva como é. — Sharon continuou, como se fosse lerda demais para perceber que não era bem-vinda ali.
– E estou. — respondi-lhe secamente. — Seria uma honra ser eu a quebrar seu nariz, já que não tenho essa permissão no dia-a-dia.
Ela fez uma careta de desgosto, antes de ir se sentar com a mãe, finalmente se tocando de que o desgosto ali era ela.
– Cara, que prima irritante você tem! — eu disse a Melanie, que deu de ombros.
– Não se pode escolher a família. — ela disse, fazendo todas rirem.
– Ela é sempre assim? — Allie perguntou.
– Ela e a mãe. — respondeu Heidi, passando a mão pelos cabelos de Allison.
– E então, estão prontos?!– ouvimos a voz de Jeb logo à nossa frente e isso era sinal para que todos se calassem, o que não demorou muito, mesmo sendo dezenas de humanos. Dava também para perceber a impaciência de algumas pessoas que pretendiam lutar, e eu não excluía a minha dessa lista. — Acho que sim. Não é bem o que costumamos fazer, mas eu ouvi essa sugestão outro dia e gostei da ideia. Quem sugerem que sejam os primeiros participantes?
E começou a algazarra, mas dentre todas as sugestões, a que mais chamou a atenção — tanto de Jeb, tanto minha, quanto de tantos outros — foi uma luta entre os gêmeos. E seria realmente uma luta interessante, pensei, enquanto via Ian e Kyle se levantando de seus lugares e se encontrando no meio do quadrado demarcado de giz. Jeb se sentou próximo a nós.
– Essa será realmente uma luta e tanto. — ele comentou, enquanto os O'Shea davam os primeiros golpes.
– Aposto que está ansioso pra vê-los apanhar feio. — eu disse a ele, sorrindo.
– O melhor jeito de castigá-los pelo que aprontavam aqui. — Jeb mandou-me uma piscadela e eu ri, voltando minha atenção finalmente para a luta.
Depois de várias lutas, eu finalmente levantei minha mão quando Jeb perguntou se havia mais alguém a fim de lutar. Todos se viraram meio transtornados e confusos para mim, pois as únicas mulheres que lutaram foram Melanie, Lily e uma chamada Emily, que eu mal a conhecia, apenas cumprimentava cordialmente como fazia com tantos outros.
– Tem certeza, little Rocker? — perguntou Jeb, me analisando de cima à baixo. Eu era pequena. Bem pequena. E sabia que futebol era algo extremamente diferente de luta livre. Mas eu já havia aprendido o suficiente durante os anos que eu era boa em socar e chutar, principalmente quando era preciso que saíssemos em alguma perseguição com Almas que nos descobriam. Então sim, eu tinha certeza. Mesmo com o olhar reprovador de Jamie em cima de mim. — Tudo bem então, qual seu oponente?
– Jared. — respondi quase sem pensar. Seria um grande desafio poder lutar contra ele.
– Nem pensar. — ele disse rapidamente, me decepcionando quase completamente. — Eu lutaria contra você se fosse há dois meses. Hoje de jeito nenhum.
Eu revirei, mesmo sabendo que havia algum sentido. Mesmo eu querendo lutar com ele, sabia que seria meio... Estranho. Eu sou do tipo que se tiver algum tipo de adrenalina correndo pelas veias, eu poderia perder o controle facilmente. Principalmente se envolvesse algum luta física. Ah, isso sim eu era muito boa. E eu não conseguia me ver socando o nariz de Jared, mesmo que ele fosse um grande desafio. Então eu analisei bem minhas opções. Existia algumas pessoas ali que eu realmente socar pra valer, como Sharon e Maggie, mas ela jamais aceitariam lutar comigo, sabendo que não havia a menor chance de me vencer. Mas havia ali uma pessoa que eu queria socar já há algum tempo.
– Marelyn. — eu disse, olhando diretamente para a mulher que eu quis tanto socar quando voltei da minha primeira incursão.
Eu ouvi um arquejo múltiplo, da surpresa que atingiu muitos ali. Eu pensei que ela fosse pestanejar, mas ela simplesmente se levantou e veio até mim, no centro do rinque improvisado. Ela provavelmente queria bater em mim tanto quanto eu queria bater nela. E eu sentia que todos ali souberam do ocorrido quando Cristal chegou e provavelmente esperavam para saber quem sairia mais machucada dessa luta. E eu esperava sinceramente que fosse ela.
Eu estava tensa no meu lugar, apenas esperando seu primeiro movimento, assim como Matt havia me ensinado. Olhei pelo canto do olho, para onde ele estava sentado ao lado de Kyle e Jamie, e percebi o quanto ele estava confiante, apesar de ter perdido para Brandt — bem, Brandt era quase bem mais musculoso, mas Matt foi bem. Kyle parecia ansioso e Jamie nervoso — ele havia sido derrotado por Geoffrey. Eu estava prestes a abrir um sorriso acolhedor para Jamie, quando vi Marelyn pulando com tudo em cima de mim.
Eu aprendi bem como ser baixinha tinha suas vantagens. E uma delas era usar o tamanho e o peso do oponente contra ele mesmo. Então eu simplesmente me agachei, usando meu braço como alavanca em seu tórax, e Marelyn passou voando por cima de mim e caindo há centímetros de distância. Ela se levantou rapidamente e conseguiu acertar um soco em minha costela, mesmo que eu tenha me desviado. Doeu, mas não o suficiente para que eu me rendesse. Fechei minha mão direta em punho e consegui acertar um soco em seu olho. Marelyn logo me acertou outro no queixo e eu tinha senti gosto de sangue em minha boca, mas eu me preocuparia com isso somente mais tarde.
Eu me afastei um pouco e dei um chute na barriga dela, que saiu cambaleando. Eu podia correr e dar um soco nela, mas preferi limpar o sangue que escorreu da minha boca enquanto ela se equilibrava. Eu me apressei e lhe dei uma rasteira, mas não esperava que ela me derrubasse e subisse em cima de mim. Marelyn me segurou firme, mas eu não iria perder essa luta. Com certa dificuldade, consegui lhe dar uma cotovelada no rosto e ela ficou atordoada o suficiente para que eu invertesse nossas posições. E então eu usei meu peso sobre suas pernas, prendi seus pulsos com uma das mãos e prendia seu pescoço contra o chão com a outra.
– Acabou. — ouvi a voz de Jeb, enquanto sentia sua mão segurando meu ombro e me incentivando a sair de cima de Marelyn.
– Agora aprenda a respeitar os outros. Se tocar na Cris outra vez, eu vou acabar com você. — eu vociferei contra o rosto de Marelyn, para que apenas ela ouvisse.
E sai de cima dela.
Mesmo que minha vontade fosse acabar com a raça dela.
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