Ribelle Amato

35 Capítulo 32 – Arrasada


Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês!! Posso dizer que muitos de vcs vão querer me matar, mas LEMBREM-SE, sem autora sem final, então nada de homicídio qualificado u.u Ou qualquer coisa que me impossibilite de escrever hahaha' É, vou pegar pesado nesse capítulo, então preparem o emocional de vcs! Antes de qualquer coisa, eu amo vcs

Capítulo 32 – Arrasada

EU RESPIREI BEM FUNDO ANTES DE me virar para Matt.

– Fique preparado, Matt. — avisei simplesmente, antes de sair pela porta da van com Peg e Jamie atrás de mim.

Allie estava bem mais diferente do que antes. Ela era uns três anos mais nova do que eu e vê-la em seu corpo de treze anos era impressionante para mim. Eu sabia que possivelmente os pais dela estariam ali, mesmo que muitas Almas preferissem se virar sozinhas. Mas antes da invasão ela tinha uma ligação forte com a família e, pelo que Peg me disse, isso passava para a Alma que seria hospedada. Então era de se imaginar que meus tios estariam dentro da casa azul e branca. Mas sabíamos que talvez apenas Allie pudesse resistir. Na verdade, damos bastante sorte que ela estava nos jardins.

– Olá. — Peg a cumprimentei amigavelmente quando nos aproximamos.

– Oi. — ela sorriu e eu vi o quanto a Alma que refletia em seus olhos castanhos havia mudado o modo como Allie era. — Posso ajudar em alguma coisa?

Outro sinal talvez não tão bom para nós.

Allie era como eu: durona e não muito simpática. Ao menos não espontaneamente.

– Estávamos em uma viagem entre amigos e acabou que nosso trailler deu um problema no motor e nenhum de nós sabe muito sobre mecânica. — eu disse, sabendo que talvez Peg e Jamie não soubessem bem o que fazer na frente da minha "família". Digamos que não somos muito normais. — Queria saber se tem alguém por aqui que pode nos ajudar.

A Alma fez uma careta e essa foi o primeiro sinal de que talvez Allie ainda resistisse. Ela sempre foi forte, então eu imaginava que talvez desse certo. Sorri mais amigavelmente, rezando para que a Alma não tivesse mais dúvidas sobre nos ajudar. E parece que deu certo.

– Tudo bem. Minha hospedeira sabia um pouco isso, então acho que posso dar uma ajudinha. — ela disse e vi Jamie e Peg sorrindo.

Eu sorri em agradecimento, enquanto seguia ao lado da Alma e de Peg, com Jamie atrás de nós, como parte do plano. Garantia nunca era demais.

– Onde que é o problema? — Allie perguntou.

– É ali no motor. — eu respondi, enquanto Peg entrava na van para chamar Matt.

Allie se aproximou da frente do trailler e eu vi Matt saindo silenciosamente pela porta. Ela estava prestes a abrir o capô quando Matt chega por trás dela e coloca um pano com clorofórmio. Eu abri enquanto ele a levava para dentro. Eu estava prestes a subir também quando percebi finalmente que tinha alguma coisa errada.

Jamie.

Olhei para trás à sua procura, com o coração na mão, e o vi na porta da casa de Allie. Ele estava desacordado e havia uma mulher o carregando para dentro da casa. Mas não era uma mulher qualquer e isso fez meu corpo todo se paralisar. Não era nem mesmo minha tia. Era minha mãe, usando as roupas típicas de uma Buscadora.

– JAMIE! — gritei com toda a força de meus pulmões, rezando para que ele estivesse acordado.

Mas foi em vão. Meu corpo desparalisou no momento em que minha mãe me olhou com um olhar cínico que não era próprio de uma Alma. E ela estava prestes a fechar a porta, com Jamie já lá dentro. Minhas pernas foram instintivamente para frente, como se soubessem que eu estava com meu mundo desabando e acreditando que ainda havia uma chance de salvá-lo. As lágrimas já embaçavam minha visão e eu tive certeza que eu chegaria até Jamie, se eu não tivesse sentido um par de braços me puxando para o trailler e fechando a porta rapidamente, impedindo-me de ver o garoto que eu amo sendo pego pelas Almas.

Era uma sensação horrível. Quase tão ruim quanto eu ver Matt sendo pego. Mas agora era diferente, porque era Jamie. E não havia nada que me impedisse de fazer alguma coisa. A não ser o idiota que me puxou para o trailler e já o dirigia para longe. A única coisa que eu conseguia pensar era que eu iria sofrer novamente. Aquele sentimento horrível de depressão e inutilidade, multiplicado por mil desta vez. Eu só conseguia lembrar de como eu fiquei quando Matt foi pego. Mas era diferente dessa vez. Porque era Jamie e o peso de chumbo em meu peito estava sendo pior do que antes. Eu sentia uma falta de ar inigualável e que quase me fazia desmaiar.

Virei-me para Matt, que já estava dirigindo o trailler para fora de Tucson.

– Por quê?! — eu gritei para ele. — Por que você não me deixou ir ajudá-lo?!

Matt me olhou pelo retrovisor e eu pude perceber a dor em seus olhos. Provavelmente de me ver nesse estado deplorável.

– Ela estava com uma arma. — ele disse simplesmente, voltando sua atenção para a estrada.

Eu queria dizer alguma coisa que o fizesse se sentir mal ou me fizesse me sentir melhor, mas não havia nada. Nada me faria me sentir melhor quando minha mãe Buscadora havia pego meu namorado. Então eu fiz a coisa mais sensata que eu tinha a fazer e última que qualquer um deles imaginaria. Me joguei nos braços de Peg, que estava meio paralisada no lugar, e chorei. Ela sentou na cama vazia que não era ocupada pelo corpo inconsciente de Allie e me fez deitar sobre suas pernas, enquanto eu chorava como se não houvesse mais mundos. O que para mim realmente não havia.

O sono foi tomando conta de mim à medida que minhas lágrimas secavam, mas antes de apagar, eu ainda pude ouvir Matt dizendo a Peg, mas sua voz soou muito longínqua para mim.

– Imagino que ela não vai aguentar passar isso uma segunda vez. Agora vejo que ela realmente o ama.

~*~

Parada. A única coisa que eu podia fazer era permanecer parada em frente ao mercado enquanto via dois brutamontes arrastando meu irmão para longe de mim. Esse era nosso código para caso ele fosse pego. Ninguém poderia ver que os reflexos desbotados em meus olhos castanhos eram lentes feitas sob medida para nos infiltrarmos.

Acontece que só conseguimos um único par de lentes e Matthew insistia sempre que eu que deveria usá-la, pois eu era menina e mais jovem, tinha mais prioridade e toda aquela palestra de duas horas que, na moral, você não entende uma única palavra?

Pois foi na única vez que resolvi ouvir os sermões de Matt que me ferrei por causa disso. Eu que deveria estar sendo arrastada dali, não ele. Eu que deveria ter sido fraca e pega, para que me implantasse uma Alma nojenta e sanguinária que eu faria de tudo para nunca descobrir a existência dele. Eu que deveria estar lá para morrer, não ele; afinal ele sempre foi melhor em tudo, tinha certeza que seria melhor para sobreviver sem mim do que eu sem ele. Eu que deveria estar no lugar dele, para que parasse todo aquele aperto e dor que eu sentia no coração por vê-lo sendo levado de mim e não poder fazer nada.

Levantei minha cabeça e assim que encontrei o olhar implorante de Matt, soube que só havia uma coisa que poderia fazer: ficar... E depois fugir. Fugir para um lugar onde a Alma que seria inserida em seu corpo não descobrisse. Um lugar que nem mesmo ele conhecesse.

E então nunca mais nos veríamos.

– JAMIE! — gritei com toda a força de meus pulmões, rezando para que ele estivesse acordado.

Mas foi em vão. Meu corpo desparalisou no momento em que minha mãe me olhou com um olhar cínico que não era próprio de uma Alma. E ela estava prestes a fechar a porta, com Jamie já lá dentro. Minhas pernas foram instintivamente para frente, como se soubessem que eu estava com meu mundo desabando e acreditando que ainda havia uma chance de salvá-lo. As lágrimas já embaçavam minha visão e eu tive certeza que eu chegaria até Jamie, se eu não tivesse sentido um par de braços me puxando para o trailler e fechando a porta rapidamente, impedindo-me de ver o garoto que eu amo sendo pego pelas Almas.

Era uma sensação horrível. Quase tão ruim quanto eu ver Matt sendo pego. Mas agora era diferente, porque era Jamie. E não havia nada que me impedisse de fazer alguma coisa. A não ser o idiota que me puxou para o trailler e já o dirigia para longe. A única coisa que eu consiguia pensar era que eu iria sofrer novamente. Aquele sentimento horrível de depressão e inutilidade, multiplicado por mil desta vez. Eu só conseguia lembrar de como eu fiquei quando Matt foi pego. Mas era diferente dessa vez. Porque era Jamie e o peso de chumbo em meu peso estava sendo pior do que antes. Eu sentia uma falta de ar inigualável e que quase me fazia desmaiar.

– Ei, ruiva, acorda. — ouvi uma voz me chamando e eu quase me senti aliviada, pensando que era Jamie ali para me consolar.

Mas também não me decepcionei quando vi que era Matt. Apenas senti a tristeza me assolando quando me lembrei de que Jamie fora pego. Quando chegamos nas cavernas, Matt levou Allie até Doc para que a Alma fosse retirada e Peg me levou para meu quarto. Eu não aguentaria ver a retirada, então eu simplesmente me joguei novamente nos braços de Peg até pegar no sono e ter o pior dos piores pesadelos. Mas eu realmente não aguentaria ficar ali parada enquanto Jamie estivesse sendo suprimido em algum lugar próximo a Tuscon. Ou não, o importante era que toda vez que eu pensava nessa possibilidade meu estômago revirava e eu quase vomitava.

Me levantei, sem nem mesmo olhar para Matt e procurei a minha mochila. Peguei minha arma e a coloquei no cinto do short. Quando fui colocar as lentes, senti que minha visão se embaçava. Passei a mão sobre minha bochecha e percebi que estava chorando silenciosamente. As sequei rapidamente e me virei para a porta.

– O que está fazendo, Rachel? — Matt perguntou, se levantando com uma expressão preocupada no rosto.

– Não fiz nenhuma promessa como fiz para você. — eu disse, ainda sem olhar em seus olhos. — Não vou ficar parada enquanto vejo o garoto que amo sendo suprimido por uma lacraia. Eu não aguentaria.

Matt suspirou audivelmente. — Irei com você.

Eu levantei meus olhos e finalmente olhei nos seus. Eu ofeguei — pela vigésima centésima vez — quando vi que seus olhos verdes não tinham mais os reflexos. Esperava que os de Jamie ainda não tivesse quando o encontrássemos. Eu não pararia até consegui-lo de volta.