Ribelle Amato

34 Capítulo 31 – Planejada


Notas iniciais
Estamos em reta final, gente :/ É, devem faltar apenas mais uns dez capítulo mais ou menos, mas garanto que ainda vem muita emoção pela frente!! hahaha' Outra coisa: se quer passar seu tempo lendo uma fic que é realmente boa, que vai valer a pena cada segundo, cada capítulo, sugiro que pegue o link nas finais ;)

Capítulo 31 – Planejada

UM PLANO COMO ESSE NÃO ERA NADA fácil, mas eu faria o meu melhor. Não só eu, mas Jamie, Matt e Peg também. O plano em si não era difícil, mas a parte em que devíamos estar atentos a tudo, a até mesmo o fato de que a Alma que estava em Allison podia me reconhecer. Mas era o melhor que conseguimos em menos de uma semana. Tínhamos medo de que a Alma se deslocasse e aí a perderíamos definitivamente.

O plano era eu e Jamie, com as lentes, e Peg iríamos tocar a campainha em sua casa e pedir ajuda com o trailler. Diríamos que deu alguma coisa no motor e perguntaríamos se ela conhecia algum mecânico por perto. Eu e Matt sabíamos que ela mesma iria ajudar, pois Allie era ajudante de mecânico antes da invasão. Levaríamos ela até a van e aí Matt faria sua parte, deixando-a desacordada e a levando para dentro.

– Não faz isso, não, Rach! — insistiu Jamie, parando no pequeno portal do banheiro do trailler e cruzando os braços sobre o peito.

– Eu preciso, Jamie, senão ela me reconhece! — eu disse, girando a tesoura na mão. — Allie sabe sobre as lentes!

– Como ela sabe se foi o tio Jeb que te entregou?! — ele perguntou, arqueando a sobrancelha.

– Jebediah — eu ainda o chamava assim — me entregou a primeira lente algum tempo antes da invasão, junto com algumas dicas de como chegar às cavernas. Nesse tempo Allie ainda morava conosco, então é claro que ela saberia.

Jamie revirou os olhos. — Só acho que não precisa cortar seu cabelo.

– É claro que precisa! Ele está grande demais! — eu disse, mexendo no maior cacho, que já chegava quase à cintura. — É difícil de cuidar, Jamie.

– Mas eu adoro seu cabelo assim. — ele disse, se aproximando de mim e colocando uma mecha ruiva atrás da minha orelha.

Ele estava próximo demais, fazendo meu coração saltar. Menos de uma semana que namoramos e eu ainda não me acostumei com isso.

– Mas eu preciso, Jamie. — ele fez uma careta, se afastando um pouco. O trailler estremeceu um pouco quando fez uma curva e a tesoura quase voou da minha mão. Ok, seria mais difícil do que eu pensava. — Prometo que não vou cortar muito.

– Tudo bem. — ele disse, meio derrotado, e me deu um selinho rápido.

Mas não tão rápido assim.

– Eu estou aqui! — ouvimos a voz de Matt gritando do banco do motorista.

Revirei os olhos, já irritada com a situação. Foi meio complicado quando eu e Jamie dissemos a ele que estávamos namorando. Jamie teve toda a razão de não ter gostado de ele estar junto comigo. Digamos que Matt não é bem o exemplo de paciência. Então assim que eu disse as palavras Jamie e namorado na mesma frase, Matt jogou-o pelo colarinho da camisa contra a parede mais próxima, fazendo todos os tipos de ameaça e xingando até a última geração dos Stryder.

Quando Jamie estava prestes a desmaiar, Matt o soltou e depois rimos do desespero de Jamie. Era meio que uma aposta que eu e Matt havíamos feito há muito tempo. Quando eu arranjasse meu primeiro namorado, Matt daria um bom surto de irmão ciumento e superprotetor, apenas para ver a reação e rirmos um pouco. E funcionou bem, até a hora em que Matt assumiu uma postura séria e deu uma série de recomendações a Jamie, que assentia, enquanto eu revirava os olhos. Como se eu fosse um bebezinho. E a principal delas era: nada de nos beijarmos na frente dele!

– Quer uma ajuda, Rocker? — Peg perguntou, me fazendo voltar à realidade.

– Claro. — sorri para ela, enquanto entrávamos no minúsculo banheiro.

– Por que tem que ser aí dentro? — perguntou Matt. — Eu e Jamie queremos ver também!

– Outro chato. — eu revirei os olhos para Peg, que riu, antes de gritar para Matt. — Preste atenção na estrada!

– Ah, vai, Rach! — insistiu Jamie, mas ele logo se sentou em sua cama no trailler. Como havia três, Matt disse que eu e Jamie dormiríamos cada uma na sua. Ataque de irmão, então deixei quieto. — Temos o direito de ver!

Eu revirei os olhos novamente. Cara, às vezes eu imagino que meus olhos vão sair de órbita de tantas vezes que eu reviro!

– Nem pensar! Fiquem na curiosidade! — e fechei a porta do banheiro sobre o protesto dos garotos e da risada de Peg.

– Pronta? — ela perguntou enquanto eu me abaixava para ela me alcançar com a tesoura.

Suspirei derrotadamente, e fechei os olhos. — Acho que sim.

~*~

Um pouco mais de meia hora depois, eu saí do banheiro com os cachos repicados na altura um pouco abaixo do seio. Eu já estava com as lentes.

– O que acharam?! — Peg perguntou, passando à minha frente e apontando para mim teatralmente.

Matt sorriu do banco do motorista e Jamie olhou para mim parecendo encantando. Ele se levantou de sua cama e veio até mim, enquanto Peg piscava para mim antes de ir até o banco do carona. Jamie parou à minha frente, envolvendo minhas cintura com os braços e eu coloco minhas mãos sobre seus ombros.

– Minha namorada está linda. — ele disse e se aproximou para me beijar.

E dessa vez ignoramos qualquer coisa que Matt pudesse dizer. Mas antes mesmo de eu sentir a famosa explosão em meu estômago, eu entendi porque Peg piscou para mim logo antes de ir até Matt. Ela iria distraí-lo do mesmo modo que ela e Rick distraíram-no três semanas atrás. Mas dessa vez, diferente da ocasião onde resgatamos Matt, esse foi um beijo urgente, pois sabíamos que havia o risco de Matt nos ver pelo retrovisor. Sempre dizem que o perigo é o alimento da adrenalina. E não nego. Foi como se o fogo que eu sentira daquela vez fora multiplicado por cem, deixando-me ainda mais consciente dos braços de Jamie ao meu redor, de seus fios macios sobre meus dedos e de seus lábios movimentando-se sobre os meus.

Mas tudo que é bom dura pouco. Principalmente se existe uma palavrinha que deveria ser desnecessária chamada ar.

– Melhor já colocar sua lente. — eu disse a ele.

Jamie sorriu antes de me dar mais um selinho demorado e ir até o banheiro, retirando a caixinha das lentes do bolso da sua melhor calça. Pouco tempo depois e ele já estava com o reflexo destruindo seus inigualáveis olhos azuis. Por um momento, um mísero segundo, imaginei que ali havia realmente uma Alma.

– Essas lentes são bem realistas. — ele comentou com um ar triste e eu percebi que ofegara alto demais.

– É, acho que um pouco demais. — eu assumi, cruzando os braços.

Jamie se aproximou de mim e me abraçou forte. Não resisti em envolver meus braços em seu pescoço, praticamente fundindo seu corpo ao meu. Eu senti o conforto que precisava naquele abraço, como se fosse uma promessa de que ele jamais me deixaria.

De repente o trailler parou em um solavanco, obrigando-me a soltar de seu abraço.

– Espero que estejam prontos... — Matt disse, virando-se para nós no banco. — Porque chegamos.

Me aproximei da lateral do trailler e olhei pela janela. Uma casa não muito grande e típicas da região de Tucson. Eu ainda dava graças a Deus pela Alma que hospeda em Allison não ter ido para longe. E então a vi. Parada em frente a um jardim. Era nossa vez de agir.

Notas finais
http://fanfiction.com.br/historia/499972/Pelo_escuro/