Ribelle Amato
30 Capítulo 27 – Acolhedora
Notas iniciais
Capítulo 27 – Acolhedora
EU POSSO JURAR QUE SE TIVER OUTRA seção de horrores daquela, eu morreria. É horrível, ok?! Ter que ver Doc abrindo a nuca de alguém e recolocar uma espécie de centopéia prateada ali dentro. Tudo bem que Peg é minha melhor amiga e que Cristal é um amor de pessoa, mas ainda assim é muito para mim. Não é algo que eu estou acostumada e muito menos algo que eu quero me acostumar.
– Rachel, você está bem? — ouvi a voz de Jamie próxima ao meu ouvido no momento em que a Alma de Cristal escorregou para dentro do corpo quase morto de Lindsay.
Eu virei para Jamie e vi um brilho preocupado se formando em seu olhar azulado. Eu diria que eu estava verde, e prestes a vomitar.
– Rocker, você está verde! — ouvi a voz de Larkin exclamando ao meu lado.
Eu fechei os olhos, evitando ficar virando o rosto de uma ao outro e acabar pegando apenas flashes do que acontecia no catre que Lindsay/Cristal estava. Ou eu assistia tudo, segurando-me para não desmaiar ou vomitar, ou eu não assistia a nada, o que me parecia a melhor opção até agora.
– Ruiva, você não prefere esperar lá no corredor não? — senti uma mão segurando meu ombro e eu tive certeza de que era Matt.
Eu abri somente olho esquerdo e evitei olhar em direção ao catre.
– É, acho que sim. — eu disse, com um nó na boca do meu estômago.
– Eu vou com você. — Jamie disse, segurando-me pela cintura enquanto íamos para fora.
Quando chegamos no túnel escuro, nos afastamos um pouco mais para longe da luz das lanternas do hospital. Jamie não soltou minha cintura nem quando nos sentamos no chão, encostados à parede.
– O que houve, Rach? — ele perguntou, sussurrando ao meu ouvido.
Ele simplesmente pegara a mania de me chamar de Rach, como um segundo apelido fora Rocker, que era como todos me chamavam. Não que eu estivesse reclamando, adorava todos os jeitos que Jamie me chamava.
– Eu não sei. — respondi sinceramente. — Só acho que não aguentei ver uma Alma sendo reimplantada num humano.
Ele apertou-me um pouco mais contra si.
– Acho que sei como é. Mas quando Cristal te chamar, tente se lembrar de que Lindsay foi suprimida e Cristal era a única esperança para aquele corpo.
Eu assenti, concordando, e deitei minha cabeça sobre seu ombro.
– Quer voltar para lá agora? — ele perguntou, mas eu não respondi de imediato.
– Será que eu vou aguentar? — perguntei-lhe, receosa.
Jamie segurou meu queixo e levantou meu rosto, obrigando-me a olhar diretamente em seus olhos. Eu poderia ficar facilmente hipnotizada pelo seu brilho azul se eu já não estivesse acostumada a ter um maior autocontrole.
– Vai aguentar sim. Não se esqueça que eu estou com você. — Jamie disse.
Eu sorri.
Jamie se levantou e me estendeu a mão para me ajudar a levantar. Aceitei a ajuda, mas não soltei sua mão quando entramos no hospital novamente e encontramos Cristal já acordada, olhando atordoada para todos os lados; o reflexo em seus olhos brilhando fortemente à luz do cômodo.
– Rocker? — ela perguntou, extremamente confusa.
Me aproximei calmamente de seu catre. — Como se sente, Cris? — perguntei calmamente, evitando assustá-la.
– O que aconteceu? — ela perguntou, e eu senti um nó forte se formando na minha garganta.
– Bem... — e agora? Como eu ia explicar tudo a ela? — Quando você foi retirada do corpo da Lindsay...
E de repente eu travei. Eu simplesmente não conseguia arrancar qualquer palavra que fosse e fiquei imaginando o que eles estavam vendo. Provavelmente uma baixinha que tinha os cachos ruivos em contraste com a pele branca ou verde e prestes a desmaiar. Ok, minha situação com certeza não era das melhores e por mais que eu tentasse abrir a boca para dizer qualquer coisa que fosse, minha voz simplesmente insistia em não sair. Senti alguém se aproximar-se de mim e tomar minha mão, entrelaçando nossos dedos. Assim que senti o encaixe perfeito, nem precisei girar o rosto para saber que era Jamie ao meu lado.
– O que ela está tentando dizer é que já fazem duas semanas e Lindsay não acordou. — Jamie tomou a dianteira e eu apertei sua mão em agradecimento. — E o único jeito seria te colocar de volta, porque o corpo estava morrendo aos poucos.
Eu olhei para Cristal, extremamente receosa sobre sua reação.
– Desculpe. — pedi, fazendo uma careta de culpada.
– Por quê está pedindo desculpas? — ela perguntou e eu a olhei confusa, enquanto ela se sentava sorrindo. — Eu não queria ficar aqui porque não queria ser uma parasita, mas agora que tem espaço para mim no corpo da Lindsay, eu posso ficar onde me sinto bem.
Eu sorri, ainda meio tímida, e ela se jogou em meus abraços, me abraçando forte.
– Obrigada. — ela disse e eu senti um peso saindo das minhas costas.
~*~
Eu estava deitada de costas no meu colchão, sem um pingo de vontade de dormir.
– Sem sono? — senti a lateral do meu colchão se abaixando quando Jamie se deitou ao meu lado.
– Um pouco. — respondi, enquanto ele me puxava para mais perto e me fazia deitar sobre seu peitoral. — Tem certeza que meu irmão está dormindo?
– Absoluta. — ele disse, acariciando a base da minha coluna. — Senão eu com certeza não estaria aqui.
Eu sorri, sem conseguir impedir. Ficamos algum tempo em silêncio; eu fazendo cículos em seu peitoral coberto pela camisa azul com o polegar e ele acariciando meu quadril. Até que o silêncio se tornou perturbador demais e eu precisei cantar. Não que eu fosse acostumada a isso, mas eu simplesmente comecei a cantarolar baixinho.
– He woke up from dreaming and put on his shoes
Started making his way past
Two in the morning
He hasn't been sober for days
Leaning now into the breeze
Remembering Sunday, he falls to his knees
They had breakfast together
But two eggs don't last like the feeling of what he needs
– O que está cantando? — Jamie perguntou ao meu ouvido.
– Uma música que eu adorava ouvir antes da invasão.
– Qual o nome, se lembra? — ele perguntou.
– Remembering Sunday. — eu disse. — Mas não me lembro de quem era.
– Ela é linda. E você tem uma voz ainda melhor.
Agradeci infinitamente por não ele não poder ver meu rosto corando.
– Anh... Obrigada... — agradeci, ainda meio envergonhada.
Jamie segurou meu queixo, obrigando-me a olhar em seus olhos azuis. Ele aproximou o rosto do meu e depositou um selinho em meus lábios. E eu senti meu estômago revirando completamente.
– Canta pra mim. — ele pediu e eu fechei os olhos, fazendo uma careta. — Vai, por favor.
Suspirei, derrotada. Eu nunca conseguia resistir a ele.
He woke up from dreaming and put on his shoes
Started making his way past
Two in the morning
He hasn't been sober for days
Leaning now into the breeze
Remembering Sunday, he falls to his knees
They had breakfast together
But two eggs don't last like the feeling of what he needs
Now this place seems familiar to him
She pulled on his hand with a devilish grin
She led him upstairs
She led him upstairs
Left him dying to get in
Forgive me, I'm trying to find my calling
I'm calling at night
I don't mean to be a bother, but have you seen this girl?
She's been running through my dreams
And it's driving me crazy, it seems
I'm gonna ask her to marry me
Even though she doesn't believe in love
He's determined to call her bluff
Who could deny these butterflies?
They're filling his gut
Waking the neighbors, unfamiliar faces
He pleads though he tries
But he's only denied
Now he's dying to get inside
Forgive me, I'm trying to find my calling
I'm calling at night
I don't mean to be a bother, but have you seen this girl?
She's been running through my dreams
And it's driving me crazy, it seems
I'm gonna ask her to marry me
The neighbor said she moved away
Funny how it rained all day
I didn't think much of it then
But it's starting to all make sense
Oh, I can see now
That all of these clouds are following me
In my desperate endeavor
To find my whoever, wherever she may be
I'm not coming back
I've done something so terrible
I'm terrified to speak
But you'd expect that from me
I'm mixed up, I'll be blunt
Now the rain is just washing you out of my hair
And out of my mind
Keeping an eye on the world
So many thousands of feet off the ground
I'm over you now
I'm at home in the clouds, towering over your head
I guess I'll go home now
I guess I'll go home now
I guess I'll go home now
I guess I'll go home
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