Ribelle Amato

15 Capítulo 13 – Confusa


Notas iniciais
Próximo cap bem esperado, então quero bastante comentário, ok?? Boa leitura!!

Capítulo 13 – Confusa

DEPOIS DE JOGAR E DE TOMAR UM bom banho, eu e Peg fomos diretamente até a cozinha. Jogar todo esse tempo não é fácil e eu sabia que por mais que Peg fosse uma Alma corajosa, o corpo em que ela hospeda não é tão forte.

– Vamos, Rocker, eu tô com fome! — ela me puxava pelos túneis em direção à cozinha e eu me perguntava como ela conseguia.

– Calma, Peg, eu tô tentando! — eu quase tinha que carregar meu cadáver para conseguir alcançá-la.

Ela me arrastou mais um pouco até entrarmos pelo portal da cozinha e dar de cara com todos os moradores das cavernas espelhados entre as mesas, mas nos encarando desde que ouviram nossos resmungos para chegar até lá. Eu sei que corei, pois sentia minhas bochechas queimando mais que o normal e rezei para que eles parassem de me encarar, mas, como eu sempre tenho sorte com tudo, eles nos encararam ainda mais. Nós duas fomos em direção á mesa que sempre costumávamos ficar, mas era claro que hoje estava diferente. Enquanto uma metade comemorava e batia palmas à medida que avançávamos, a outra fazia uma careta e se apoiava na mesa fingindo tédio.

– É isso aí, vocês arrasaram! — disse Jamie quando me sentei ao seu lado e Peg à sua frente, entre Ian e Melanie.

– Eu não disse?! — Peg disse convencidamente a Ian e conseguiu arrancar risadas de todos na mesa, mesmo daqueles que perderam.

– Devo concordar que a Peg conseguiu se virar bem depois que saiu de mim. — Melanie brincou, mandando uma piscadela para mim.

Eu sorri, me inclinando sobre a mesa para pegar um pão fresquinho do pote.

– E quando será o próximo jogo? — eu perguntei, tentando não demostrar a minha animação.

– Percebi que gostou, hein! — disse Jared, rindo.

– Eu AMO futebol! — eu concordei.

– Jura?! Até cinco minutos antes de começar o jogo você estava quase se escondendo embaixo da mesa! — Jamie brincou e depois levou um tapa no braço.

– Na próxima partida quero a Rocker e a Peg no meu time! — disse Jared, fazendo todos rirem.

E então começou uma discussão louca para saber quem ia ter nós duas no time e a única coisa que podíamos fazer naquele momeno era rir. Até que Jeb entrou pela porta em direção à nossa mesa, mas mesmo com seu costumeiro sorriso, dava-se para perceber as rugas de preocupação em sua expressão.

– O que foi, Jebediah? — eu perguntei, e todos pararam de discutir e rir e se viraram para Jeb.

– Little Rocker, acho que precisamos de sua ajuda. — ele disse e todos, digo todos o olharam confusos. Incluindo a mim.

– O que houve, tio Jeb? — perguntou Melanie.

– Nosso depósito já está esvaziando e os intervalos entre as incursões estão sendo muito curtos. — ele analisou o rosto de todos na mesa e depois passou o olhar pelas outras mesas. — Vamos precisar de uma nova incursão para amanhã e acho que você deverá ir nessa.

Eu sorri abertamente. Não cabia dentro de mim. Queria pular de felicidade, mas isso seria estranho até mesmo para mim!

– DE JEITO NENHUM! — Jamie gritou furioso, levantando-se num pulo e assustando todos os presentes. Exceto, claro, a mim, que já esperava, e a Jeb, que nunca ninguém o surpreende.

– E por quê não, Jamie? — perguntou Ian, lançando-lhe um olhar malicioso.

Jamie pareceu atônito por um minuto, mas logo voltou a dizer em um tom mais baixo. — Porque... Porque não, oras! É perigoso!

– Entenda, garoto. — disse Jeb. — Sunny e Peg não aguentarão enganar eles sozinhos. Podem conviver conosco, mas são Almas como eles e não são de sua natureza mentir. E Rocker será de grande ajuda, pois além de ter aprendido com o melhor sobre os segredos da mentira — eu sabia que ele se referia ao meu irmão -, ela foi a que viveu mais tempo entre eles, está mais informada que todos nós juntos. Ela tem as lentes para se infiltrar e ninguém saberá que ela é uma humana. E se ela quiser ir, ela irá.

– Co-como você sabe das lentes?! — Jamie perguntou, surpreso.

– Ele que me deu as lentes, junto com as informações da localização das cavernas. — eu disse e me levantei. — E eu vou à incursão, nem que eu tenha que fugir para isso.

E saí dali direto para meu quarto.

Jamie podia ser fofo com sua proteção.

Mas isso já era passar dos limites.

~*~

Eu não conseguia dormir. E não sabia exatamente o porquê. Ou melhor, eu até sabia, só não queria muito acreditar. Jamie apenas não saía da minha cabeça e isso não era de hoje. Há muito, na verdade, que ele invadia meus pensamentos e isso me deixava assustada. Eu não sabia o que era, porque ele foi o segundo menino próximo à minha idade com o qual eu convivi que não fosse meu irmão — que nesse momento poderia estar sucumbido na própria mente. A única vez que cheguei a ter uma conversa sobre sentimentos, foi com Peg, que desconfiava que eu gostava dele ou vice-versa. Faz um mês, não vou me esquecer disso nunca mais!

Bem, o ponto era: EU NÃO CONSEGUIA DORMIR! E isso estava me irritando bastante, porque além de eu não pregar o olho, pensamentos sobre Jamie vinha a minha mente e eu era obrigada a olhar as estrelas através dos buracos do teto como fazia toda noite, sem nem ao menos ver as constelações completas! Isso dava raiva, cara. Muita. Além disso, os pesadelos estavam ficando cada vez mais extensos. A vantagem de se dormir em um esconderijo mais aberto, como eu e Matt fazíamos, era que eu começava a contar estrelas depois de um pesadelo e quando dormia, era um sono calmo.

– Rocker? Está acordada? — ouvi a voz de Jamie me chamando não muito longe.

– Sim, por quê? — perguntei, tentando não gaguejar.

Olhei para ele discretamente e percebi que ele estava na mesma posição que eu: de costas no colchão, um braço apoiando a cabeça e olhando para as poucas estrelas possíveis de se ver.

– Você ainda não gritou, nem nada... — ele começou, mas parou, claramente receoso.

– É que não consegui dormir. — assumi.

– Ótimo. — ele se levantou e veio até mim, estendendo a mão para me ajudar a levantar. Arqueei a sobrancelha, claramente confusa com aqui. — Vem, quero te mostrar uma coisa. — depois de pensar um pouco, acabei topando. — Me entrega sua arma, vamos precisar.

Tentei perguntar o porque, mas ele simplesmente me ignorou e verificou se Brandt ainda estava dormindo. E estava — feito uma pedra enorme que era. Depois disso, me agachei sobre minha mochila, peguei a arma em seu bolso especial e, com muita dor no coração, entreguei-a a Jamie. Jamie a colocou sobre o cinto e segurou minha mão para me guiar pelos vários túneis que alguns eu irreconhecia. Estávamos indo em direção ao depósito, mas antes disso, ele me levou a uma bifurcação que eu nunca tinha reparado antes. E então, depois de algum tempo andando pelo que me pareceu um túnel extremamente familiar, mas ao mesmo tempo novo, chegamos a um lugar que eu podia reconhecer.

Estávamos do lado de fora das cavernas.