Ribelle Amato
13 Capítulo 11 – Enfurecida
Notas iniciais
Capítulo 11 – Enfurecida
A PRIMEIRA COISA QUE FIZ FOI PEGAR IMPULSO E, como eu sou mais esperta — modéstia à parte, eu corri mais tempo de Buscadores do que ele — calculei exatamente onde ele iria em seu próximo ato. Ou seja, eu me lancei até lá, caindo em cima dele com um grito enfurecido, fazendo-o cair de costas no chão de terra. Eu podia ouvir a risada de Peg, mas parecia algo mais longe do que realmente era.
Ele conseguiu se virar embaixo de mim e eu olhei bem dentro de seus olhos azuis e ao ver sua diversão sobre tudo isso, a raiva foi crescendo em mim e fiz a primeira coisa que meu jeito impulsivo pedia: comecei a socá-lo. Claro, não com muita força já que eu não pretendia assassiná-lo. Podia ser uma ideia, mas aí quem ia ser minha companhia mais próxima da minha idade? Tinha a Peg, mas não era a mesma coisa. Nunca seria; e eu não sabia como explicar isso.
— Rocker, chega, está machucando! — ele reclamava, mas eu não parava. Eu nem colocava tanta força assim.
— Deixa de ser mulherzinha e aguenta o que mereceu! — eu disse já no auge da minha raiva.
Mas ele conseguiu segurar meus pulsos antes que eu conseguisse dar mais um soco e acabasse acertando seu rosto. No segundo seguinte, um mísero segundo em que olhei em seus olhos, senti-me hipnotizada. E após isso eu não conseguia mais desviar meu olhar. Era simplesmente impossível olhar para aqueles olhos azuis em tom celeste que me puxavam profundamente para dentro de um sonho e aos menos tentar desviar.
— O que é isso?!
E de repente eu pude ver seus olhos tomando um tom mais acizentado e eu não sabia o que isso significava. Até que segui seu olhar e vi que ele estava parado no meus ferimentos no braço. Minha primeira: aquela cara típica de fudeu.
— Rachel, é sério, o que é isso? — ele perguntou mais uma vez, sua expressão séria até mesmo me dava medo, como se caso ele ficasse irritado, nada de bom aconteceria. Apesar de que eu ainda acho que ele não faria. Ele se levantou do chão, me levantando junto, mas sem nunca soltar meu braço e tentando ao máximo não apertar perto dos machucados.
— É q-que eu me machuquei ontem. — eu disse com a voz rouca. Engoli em seco rapidamente.
— E posso saber por que não procurou o Doc?!
— Porque naquela hora eu fui te procurar. — respondi, tentando deixar minha voz o mais neutra que eu podia.
— Mas agora você não tem desculpa. — Peg disse, se aproximando de nós. Apenas revirei os olhos, já sabendo que dificilmente ia me livrar das babás.
— Eu não preciso de nada, eu estou bem! — teimei, puxando meu braço que Jamie ainda insistia em segurar.
— Ah, você vai. — insistiu Peg, segurando meu braço como se tivesse intenção de me arrastar. — Nem que eu tenha que te arrastar!
— Você e que exército?! — debochei.
— O meu. — ouvi Jamie dizendo e segundos depois eu estava jogada em seu ombro, como se fosse um saco de batatas.
— Jamie. Stryder. Me. Coloque. Agora. No chão. — eu disse entredentes, sentindo algo fervendo dentro de mim.
Eu simplesmente odiava ser tratada como capacho e não seria agora que eu ia ser. Nem mesmo Matt me tratava assim. Ok, ele tratava sim, mas mesmo assim poxa! Se eu quisesse ir no Doc era porque os machucados não estavam em nível tão extremo assim não!
— Sem chance. — ele disse, enquanto Peg ria atrás de nós.
Ele me levou calmamente pelos túneis e eu simplesmente não aguentava. Comecei a socar as costas dele, mas ele simplesmente reclamava que doía, e eu, claro, como uma boa amiga — sente a ironia -, continuava a socá-lo. Até que ele acabou me colocando no chão. E eu estava prestes a festejar quando vi onde ele me colocou no chão.
No hospital.
Com Doc aqui.
E nos olhando interrogativamente.
Valeu mesmo, Jamie!
— O que houve? — ele levantou-se de sua cadeira e se aproximou de nós.
— Não houve nada, Doc, não se preocupe. — eu disse, olhando para Jamie com uma olhar claro de "você abre a boca e eu arranco todos os seus dentes."
— A Rocker se machucou ontem, mas não quis vir aqui para você dar uma olhadinha. — ouvi a voz suave de Peg falando atrás de nós.
— Peg, minha fofa, eu só não te bato porque você é uma Alma e isso pode te deixar traumatizada. — eu disse e ouvi todos ali rindo, o que me fez fechar ainda mais a cara e cruzar os braços.
— Não tem a menor graça! — eu disse, mas quem disse que eles me ouviram?!
— Venha, Rocker, vamos ver como está.
Bufei, mas fiz o que ele me pediu, sentando-me sobre a mesa mesmo. Ele olhou meu cotovelo e a panturrilha esquerda, analisando atentamente para, provavelmente, achar alguma coisa que com certeza não havia ali. Depois de um tempo, ele foi até um pequeno armário improvisado que havia ali e pegou um pequeno frasco de spray. Quando retornou, apertou-o sobre os ferimentos e segundos depois de eu sentir um líquido frio, a pele cicatrizou.
— Não era nada demais, apenas um arranhão comum, mas deve tomar cuidado, Rocker. — Doc sorriu, ajudando-me a pular de cima da mesa.
— Está vendo? Não era nada demais.— reforcei a parte em que repeti o que Doc disse, enquanto via Jamie e Peg revirando os olhos.
— Vamos, já deve estar na hora do jantar. — disse Peg.
Ela e Jamie saíram, mas antes de acompanhá-los, virei-me par Doc.
— Você vem?
— Daqui a pouco. — ele disse, sorrindo sem graça para mim, enquanto juntava alguns papeis sobre a mesa.
— Não espere por Sharon. — eu disse. — Ela provavelmente já estará lá para infernizar nossa vida.
Virei-me novamente e andei até a porta, onde os dois ainda me esperavam. Jamie riu, mas Peg revirou os olhos, mesmo sabendo que a prima de Mel e Jamie simplesmente odiava todo mundo. Dei um tapa na cabeça de Jamie, antes de sair correndo, com ele atrás de mim, tentando me pegar e Peg atrás dele, rindo e pedindo para esperá-la.
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