Revenge is everything
6 Charade
Notas iniciais
“Como Hamlet disse à Ofélia: ‘Deus te deu uma face e você se dá outra’. A batalha entre duas metades de sua identidade. Quem somos e quem queremos ser, o impasse é inevitável Assim como existem dois lados de cada história, existem dois lados de cada pessoa. Um lado que revelamos ao mundo, e outro que mantemos escondido, uma dualidade influenciada pelo equilíbrio de luz e escuridão. Dentro de cada um de nós esta a capacidade para o bem e o mal. Mas, há aqueles que são capazes de ofuscar a linha moral retêm o verdadeiro poder.” – Santana.
Grande parte dos acontecimentos da vida não ocorrem por acaso, há sempre uma explicação, mesmo que praticamente ilógica. Sem dúvida, muitas vezes buscamos explicações distante de nós, procurando por respostas que possam ser convenientes. Contudo, rotineiramente tudo permeia o simples e o utilizável, ou seja, os motivos mais óbvios sempre justificam os meios, não há como negar algo que esta praticamente escrito na testa: ‘eu sou culpado’. Como se por mais que você se esforce para negar, é quase possível saber disfarçar bem e se esconder por trás de um personagem. Vale a pena ressaltar: nada acontece por acaso. E assim Santana, de uma forma inesperada, se envolveu com Quinn, o que era para ser somente uma aproximação tornou-se um namoro. Ela não sabia explicar o porquê, sua cabeça rodopiava e parecia dar uma volta de 360º, já que não conseguia pensar em nada lógico o suficiente. E assim permaneceu dia após dia, noite após noite que Quinn dormia em sua cama apenas envolvendo seu corpo com os braços. Passou-se um mês desde o pedido de namoro, tudo mudou completamente e ao mesmo tempo parecia não ter saído do lugar.
Cada vez mais Santana se apaixonava por alguma peculiaridade de Quinn, o jeito que ela passava a mão nos cabelos quando estava nervosa, a maneira a qual ela fazia charme meio a um café da manhã preparado por ela, seu carinho, a forma com que protegia a morena, o inebriante aroma do perfume que usava, seu beijo, seus lábios, sua respiração, praticamente tudo era capaz de despertar um sentimento em Santana, exceto por um pequeno detalhe: Quinn era uma Fabray. E todas as vezes que a morena se lembrava disso era como se o mundo despencasse diante de seus pés, não existia mais chão que pudesse ampará-la, infelizmente Quinn era uma ótima pessoa, mas que sua família possuía o mérito de sempre estragar tudo.
Decepção era a palavra de escolha para o momento, não por Quinn ser uma péssima namorada, do contrário: nesse mês que passou sempre preparava surpresas para a morena, lhe mandava flores, jantares românticos e estava sendo muito carinhosa. Contudo, Santana parecia se decepcionar cada vez mais com suas próprias atitudes, deixava se influenciar por todas as ações da loira, não conseguia deixar de dar um sorriso todas as vezes que Quinn lhe enviava um sms antes de dormir, isso quando não estavam juntas, obviamente. Santana se perguntava todos os dias como é que a sua namorada conseguia ser tão meiga? Calma, namorada? Será que a latina estava levando aquilo sério demais? Talvez.
Era manhã de domingo quando Quinn como de costume acordou mais cedo para preparar o café da manhã. Dormir junto a Santana nos finais de semana estava sendo praticamente um ritual seguido à risca nesse começo de namoro. A loira enchia a namorada de paparicados, geralmente lhe acordava com beijos e carinho. Após preparar a mesa repleta de pães, queijos, sucos variados e bolo, Quinn subiu até o quarto da morena para acordá-la:
– San.. acorda! Já preparei o café! – disse Quinn se aproximando da cama depositando um beijo nas costas morenas. Santana apenas soltou uma espécie de gemido em protesto, às vezes ela podia ser bem difícil de levantar pela manhã, talvez isso fosse reflexo das inúmeras noites de insônia que teve durante a adolescência. Normalmente perdia o sono pensando em tudo que havia sofrido, os crimes que seu pai era acusado e as lembranças de uma infância destruída. Quinn se ajoelhou na cama e sentou em cima de suas próprias pernas, com os dedos sutilmente afastava os fios castanhos do rosto de Santana fazendo um carinho bastante agradável.
– Minha linda.. acorda! Vem, vamos tomar café e aproveitar o dia.. – falou Quinn deixando seus lábios tocar o rosto da namorada. Lentamente a morena abriu os olhos e se deparou com a visão perfeita de Quinn: ela vestia apenas uma calcinha short branca com uma camiseta de algodão amarela, tão sexy e ao mesmo tempo extremamente inocente. Santana não pode deixar de sorrir, se aproximou devagar e deu um selinho rápido na loira, sentou na cama e começou a se espreguiçar, quase como um alongamento.
– Sabia que você fica muito fofa quando acorda? – disse Quinn admirando a mulher a sua frente e Santana apenas sorriu em resposta. – Não demora pra descer não, ta? – a loira depositou um beijo no topo da cabeça da morena e saiu do quarto.
Após realizar a sua higiene matinal, Santana desceu as escadas e foi até a cozinha somente de camisola, aparentemente os domingos eram ótimos dias para ficar com roupa de dormir. Quinn lhe recebeu com uma tulipa branca e a mesa do café da manhã estava bem decorada. Fazia um bom tempo que Santana não se sentia tão acolhida, estar com Quinn agora fazia parte dos seus melhores momentos do dia. O namoro parecia estar evoluindo, aos poucos o sentimento brotado crescia lentamente, as carícias trocadas eram cada vez mais cúmplices e até agora a loira não havia a pressionado para transar, embora pudesse perceber os olhares nada discretos da namorada todas as vezes que trocava de roupa. Este assunto em particular deixava Santana um pouco insegura já que ela nunca havia namorado nenhuma mulher antes, tudo era novidade e por isso ela precisava agir com naturalidade.
– Hmmm esse bolo esta uma delícia, Q! E ainda esta quentinho! Você comprou onde? – perguntou Santana enquanto saboreava seu café da manhã.
– E de onde você tirou que eu comprei, San? – Quinn deu uma risada. – É claro que fui eu que fiz! Bolo de baunilha é a minha especialidade!
– Já disse que você se acha demais? – falou Santana com um sorriso bobo nos lábios.
– Hoje não! – disse Quinn se levantando para ir beijar a namorada. A loira puxou Santana para que pudesse ficar em pé e colaram seus corpos. O que era apenas um leve roçar de lábios, logo passou para troca de carícias com suas línguas. Quinn envolvia o corpo moreno pela cintura com uma de suas mãos espalmadas nas costas, enquanto Santana afundava seus dedos nos cabelos loiros fazendo carinho. Quinn sentia seu corpo inteiro esquentar, ter Santana em seus braços e sentir o sabor de sua boca era o combustível suficiente para lhe deixar fora de campo.
A loira conduziu Santana para que pudesse encostar-se a parece do balcão da cozinha, começou a beijar o pescoço moreno, passando sua língua indo até o ombro. Santana lutava internamente com aqueles toques de Quinn, sentir o corpo dela pressionado ao seu e a língua em sua pele fazia arrepiar todos os pelos do seu corpo. Fechava seus olhos e não conseguia se concentrar em nada que não fosse as atitudes da mulher a sua frente, arranhava suas costas de leve e de forma inesperada soltou um pequeno gemido ao sentir a língua de Quinn em seu ouvido. As duas continuavam a se beijar, mas Quinn sentia que precisava de mais, seu corpo necessitava de um maior contato. Separou-se da morena e tirou sua camiseta, dessa forma ficando apenas de calcinha short e sutiã, deixando Santana completamente boquiaberta com aquela visão quase que paradisíaca.
– Você é tão linda Q.. – falou Santana quase sussurrando.
– Tenho certeza que você é mais – disse Quinn voltando a beijar a morena.
Enquanto Quinn introduzia sua habilidosa língua na boca de Santana, buscou afastar com a ponta dos dedos a alça da camisola e aos poucos a pele morena ia sendo descoberta. O ar nos pulmões da loira ficou pesado de expirar no momento em que avistou os primeiros centímetros dos seios da namorada, abaixou um pouco mais o tecido, sendo agora não mais uma barreira. Seus olhos claros brilhavam, suas pupilas dilatadas e os lábios entreabertos denunciavam tudo que se passava em sua mente: ela precisava ter Santana. A latina por sua vez, sentia-se livre de qualquer impedimento, não em relação à roupa, mas ali ela dispensava qualquer tipo de armadura, estava entregue a um momento verdadeiro e sincero. No entanto, Santana não podia deixar de estar nervosa, ela não conseguia sequer passar mais a mão no corpo de Quinn sem que estivesse tremendo.
– Posso? – Quinn perguntou com sua mão em direção aos seios morenos.
Santana apenas fez sinal positivo com a cabeça e a loira aproximou sua mão no seio direito, apalpava devagar, passava sutilmente a ponta dos dedos ao redor do mamilo e um verdadeiro turbilhão de se sensações permeavam as duas mulheres. De forma lenta a loira começou a beijar aquele seio direito, enquanto sua mão cuidava da atenção do esquerdo, passava sua língua com cuidado e já podia sentir a umidade em seu sexo começar. Como diz um famigerado adágio “tudo que é bom acaba rápido”, e contra todas as expectativas, inesperadamente a campainha da casa começou a tocar. Os beijos e carinhos foram quebrados, Santana apenas se endireitou, colocou a camisola no lugar e entregou a camiseta para Quinn vestir.
– Desculpa Q, esqueci completamente! Marquei com o Noah para hoje de manhã verificar umas pendências da ONG de Los Angeles! Tenho que atendê-lo.. – disse Santana um pouco decepcionada e aliviada ao mesmo tempo, por mais que ela estivesse com certo medo, ela também estava gostando dos carinhos trocados com a namorada.
– Tudo bem, minha linda! Já que você vai resolver isso com ele, vou aproveitar e ir treinar, tudo bem? – falou Quinn visivelmente chateada, embora se esforçasse para que isso não pudesse transparecer.
– Ok! – Santana deu um selinho na namorada e se dirigiu até a porta da sala para atender o rapaz.
– Droga! – Quinn disse aborrecida ao ver que Santana não poderia mais ouvi-la àquela distância. Percebendo que realmente iria precisar mais paciência para aguardar por momentos íntimos com a namorada, subiu para o quarto para tomar um banho frio e se aprontar para o treino de hipismo. Já devidamente pronta para sair, Quinn ao descer as escadas encontrou Santana e Noah trabalhando no escritório da casa, iria passar rapidamente para se despedir da namorada, mas ela pediu para que a loira pudesse fazer companhia ao rapaz enquanto iria trocar de roupa no quarto, afinal de contas quando Noah chegou ela estava vestida apenas de camisola, pelo menos teoricamente.
– E aí.. muito trabalho? – falou Noah tentando quebrar o silêncio no escritório.
– Não muito! Vejo que vocês estão mais ocupados que eu, domingo definitivamente não é dia para trabalhar! – disse Quinn de forma calma, mas que internamente havia uma acidez em suas palavras.
– Infelizmente o prazo para registro das ações é somente até amanhã! Precisamos ajustar alguns detalhes! Mas, prometo que no almoço sua namorada já vai estar liberada! – falou o rapaz tentando ser simpático. Não demorou muito e a morena retornou para o escritório e Quinn pode se despedir para seguir para o treino. Obviamente que Noah e Santana não iriam fazer nenhum trabalho relacionado à ONG, e sim iriam reunir todas as informações sobre as fraudes que estavam acontecendo na Fabray Global, certamente aquela manhã seria exclusivamente sobre os planejamentos da vingança de Santana.
Quinn chegou até ao campo de hipismo sem muita vontade, estava ali apenas pelo fato da sua namorada ter que trabalhar em pleno domingo de manhã. Ela estava se preparando para dar início à série de saltos quando sentiu alguém se aproximar por trás lhe dando um tremendo susto: – Acorda Quinn Fabray! – gritou um rapaz bem afeiçoado.
– Que susto, seu idiota! – disse Quinn de forma ríspida.
– Finalmente alguém veio treinar, hein? Qual o milagre do dia? – perguntou Blaine Anderson, um amigo de infância da loira.
– Melhor nem lembrar isso, vai por mim! – respondeu Quinn ao se lembrar dos momentos de carinho que teve com a namorada mais cedo.
– A namoradinha não quis vir hoje com você? – disse Blaine.
– Ela precisou ficar trabalhando! – explicou a loira enquanto arrumava as rédeas de seu cavalo.
– Pelo menos alguém faz alguma coisa por aqui! Já você... não posso dizer o mesmo! Como vão as coisas na empresa? – falou o rapaz parecendo estar bastante interessado naquela última pergunta.
– Não faço a menor ideia! Eu apenas sou útil quando meu pai não esta por lá, fico só assinando uns papéis e pronto! Você sabe muito bem que não é isso que planejo para a minha vida.. – disse Quinn já querendo encerrar aquele assunto, já que por mais esforço que houvesse, sempre as pessoas associavam seu nome aos negócios que a família Fabray possuía.
– Por falar em planejamento.. olha só quem esta chegando aí – indicou Blaine para que Quinn olhasse para trás.
Através de sua visão periférica, a loira percebeu que se tratava de Ryder, um rapaz de 28 anos que ela se envolveu na sua rápida passagem pela faculdade. Enquanto Quinn fazia a graduação, Ryder estava fazendo estágio à docência do mestrado, por coincidência este estágio era na turma de Quinn, e por isso ele foi seu professor por um semestre. De mestre logo passou para apenas um ficante, os encontros casuais aconteciam todas as semanas e o rapaz parecia estar se apaixonando, totalmente ao contrário de Quinn que agia de forma imatura. A cada dia Ryder parecia ter a certeza de que a loira era a mulher certa, apesar de não concordar com sua vida de festas e álcool. Dessa forma, após alguns meses nessa situação, o rapaz a pediu em namoro, mas que recebeu uma recusa como resposta, Quinn até então não era mulher de se prender a ninguém, seja homem ou mulher.
Mais algumas poucas palavras com Blaine e a loira percebeu que Ryder começou a se aproximar deles, por mais que hoje em dia ela possuía a consciência que de deu falsas esperanças ao rapaz, talvez tivesse sido a melhor decisão a ser tomada naquela época: definitivamente Quinn não estava preparada para um relacionamento sério.
– Oiii Quinnie, há quanto tempo! – falou Ryder sorridente, ele não conseguia esconder a felicidade que sentia em somente ver a mulher que amou antes.
– Oi Ryder, como vai? – disse Quinn tentando ser educada, ela sentia-se desconfortável na presença do rapaz.
– Tudo bem e você? Soube que esta fazendo um estágio na empresa do seu pai. É na sua área? – perguntou Ryder interessado.
– Não exatamente! – respondeu a loira dando um sorriso amarelo. Um sinal sonoro ecoou pelo gramado indicando que os saltos dos atletas iriam começar. Quinn foi salva pelo gongo, certamente aquela conversa com Ryder não iria acabar bem, pois provavelmente eles iriam chegar a falar sobre os problemas do passado. A loira se recordava bem das inúmeras vezes em que ele ligou, mandou mensagens e recados, sempre dizendo que eles dois deveriam ter outra chance.
Durante a manhã o treino foi bastante tranquilo, Quinn realizou os saltos com o cavalo sem dificuldades, mostrou destreza com o animal e sincronia em seus movimentos. A manhã passou de forma rápida e tudo o que a loira pensava era voltar rapidamente para casa e passar à tarde com a latina. Enquanto isso, não muito distante dali, a solitária Victoria tomava seu champanhe apreciando o silêncio de sua mansão. Quinn estava com a namorada e Conrad provavelmente deveria estar em algum final de semana de luxúria com garotas de programa, aos poucos a família Fabray estava ficando desestruturada. Quase próximo ao horário do almoço um número privado ligava para o celular de Victoria, ela se afastou da sala de estar e foi para o jardim atender a ligação:
(Victoria): Algo importante?
(Homem): Sim e não.
(Victoria): Fale logo, sabe que não tenho paciência para esses seus mistérios bobos..
(Homem): Hoje encontrei com a sua filha!
(Victoria): Você não acha que esta arriscando demais?
(Homem): Não! Aproveitei a oportunidade e tentei saber algo sobre seu trabalho na empresa, mas ela não quis falar muita coisa. Preciso saber até onde ela tem consciência do seu ‘papel’ na Fabray Global..
(Victoria): Entendo. Bom, continue tentando arrancar alguma informação, mas acho difícil que ela saiba que eu estou usando seu nome para desviar verbas da empresa.
(Homem): Ok, qualquer novidade te aviso.
Notas finais
P.S. Quem ta morrendo de pena do Charlie levanta a mão ae o/
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