Revenge is everything
3 Betrayal - Parte I
Notas iniciais
“Existe um ditado que diz ‘aqueles que não se lembram do passado estão condenados a repeti-lo. Mas aqueles que se recusam a esquecer o passado estão condenados a revivê-lo’. O passado é algo traiçoeiro de forma que às vezes penso que ele é gravado em uma pedra. E outras vezes, se representa em memórias agradáveis. Mas, se você se intromete muito em coisas misteriosas, quem sabe quais monstros despertará?” – Santana.
Traição: uma palavra de apenas sete letras que é capaz de destruir milhares de corações. Seja a partir de um evento pontual até mesmo uma cascata de acontecimentos que nos faz sentir como se o mundo estivesse ao avesso. Lei de Murphy? Não exatamente. Os vieses que este substantivo pode gerar divergem entre diversos significados e incógnitas, desde até o famigerado ‘dedo duro’ até mesmo casos sérios onde a vida foi prejudicada. Infelizmente (ou felizmente, depende da óptica que se observa), Santana se enquadra em um desses últimos casos. Sua vida foi devastada por pessoas sem o mínimo de piedade, não houve momentos de paz ou até mesmo perdão. Tudo girava em torno de uma hipócrita família perfeita, cujo rei e rainha faziam questão de exibir seus status com ar de superioridade. Mal sabiam eles que aos poucos seu castelo estava começando a ser destruído.
Era manhã de sábado quando Quinn e Santana resolveram velejar nos mares calmos de Huntington. O sol raiava desperto sobre a praia e o vento proporcionava um bom deslize sobre as águas salinas. A loira exibia um grande sorriso, seus óculos escuros em contraste com sua pele clara fazia daquela visão praticamente uma miragem para a latina. Será que realmente existia? Fazia apenas uma semana desde o primeiro beijo, o momento que seus lábios se tocaram e Santana não pensou em mais nada além da maciez do toque de Quinn. Seus mártires, suas dores e cicatrizes pareciam ter anestesiado com aquele beijo. No entanto, no momento em que se separaram Santana sentiu-se vazia mais uma vez. Aquela mulher a sua frente não era mais seu porto de entrega, e sim uma Fabray. Tornou-se indigesto lembrar aquele momento que compartilharam suas respirações, e durante quatro noites Santana sonhou com cada momento daquele encontro, seu coração batia descompassado sem saber o que poderia estar acontecendo. Durante aquela semana elas não compartilharam mais aquele tipo de carinho, Santana apenas fez uma visita rápida à mansão dos Fabray no meio da semana, mas devido ao ar pesado e o momento delicado que Victoria fez questão de proporcionar, Quinn e Santana estagnaram no pequeno avanço que haviam feito.
A latina estava concentrada em apenas observar os movimentos do mar, como sempre estava afogada em seus próprios pensamentos, e Quinn percebendo isso decidiu que ela tomaria partido da situação: – Daria a volta no mundo só pra saber o que você esta pensando agora.. – falou a loira fazendo alguns movimentos nas cordas do velejo.
– Nada demais! O mar me acalma, algo do tipo! Mas, se quiser já pode começar a acelerar, certamente uma volta ao mundo não vai ser tão rápida assim.. – Santana respondeu com um sorriso.
– Bobinha! – disse a loira devolvendo o sorriso, mas que não durou muito tempo, de fato havia um clima estranho entre elas e o desejo de Quinn era resolver aquela situação imediatamente. – Olha, eu quero apenas me desculpar mais uma vez pelo o que rolou entre você e a minha mãe, às vezes ela pode ser bem louca. Não queria que ficasse um clima chato entre nós, San.. ela disse coisas que eu não consigo nem processar de tão horríveis – disse se referindo ao encontro das três mulheres há apenas três dias.
– Tudo bem, Quinn! Eu sei bem como são essas coisas, sua mãe apenas estava preocupada com você, na sua felicidade.. juro como não fiquei chateada! Você é tudo o que importa – Santana deu um pequeno sorriso e não pode deixar de se lembrar daquele acontecimento. Por pouco seu plano não foi por água a baixo, mentalmente ela agradeceu a Noah por ter salvado sua pele mais uma vez.
Três dias atrás...
Victoria estava como sempre sentada na grande varanda que havia em seu quarto, ali ela podia ter uma visão privilegiada da praia e principalmente estava conseguindo vigiar todos os passos de Santana de perto. Victoria não conseguia negar que havia algo estranho naquela mulher, seus olhos pareciam perceber que ela escondia algum segredo ou coisa do tipo. Seus instintos maternos diziam cada vez mais que ela deveria proteger Quinn, aparentemente seus alarmes soavam que ali existia algum tipo de arma de destruição em massa, se fosse possível, obviamente. Não demorou muito até que o seu celular começou a tocar indicando que suas perguntas estavam prestes a serem respondidas:
(Victoria): Conseguiu alguma informação?
(Homem): Não foi tão fácil como pensei, mas consegui!
(Victoria): Ótimo! Pode começar a falar, não tenho muito tempo.
(Homem): Em relação à parte financeira, ela possui algumas ONG’s em alguns países, tudo registrado dentro da lei. Não possui nenhum débito ou registro de fraude.
(Victoria): Ok, mas em relação aos outros aspectos?
(Homem): Foi aí aonde veio a grande sacada! Em todos os registros que procurei Santana Rivera simplesmente não existiu entre os 18 e os 20 anos de idade. Tudo desaparece nesse período. Além disso, a partir dos 15 ela viveu em uma detenção juvenil próxima à Nova Iorque. Resumidamente é tudo o que encontrei, estarei enviando imediatamente essas informações por e-mail, ok? Precisa de mais alguma coisa?
(Victoria): Por enquanto não.. é o suficiente. Obrigado.
(Homem): Espero que em breve você possa me recompensar por esse trabalhinho..
(Victoria): Certamente. Preciso desligar, até breve.
Victoria encerrou a ligação com a certeza de que Santana era culpada de alguma coisa, não tinha cabimento sua vida ser ‘apagada’ por quase dois anos em diversos registros. Certamente a latina havia feito algo de errado, sem falar nos anos que ficou presa em uma detenção juvenil. Na cabeça de Victoria algo de bom é que não poderia ser. Por um acaso do destino, mais cedo Quinn havia a informado que Santana iria passar na mansão para tomar um chá e conversarem. “Ela mal pode esperar!” – pensou a mulher consigo mesma. Estava certa de que aquela tarde seria uma oportunidade perfeita para colocar a latina contra a parede.
Ao entardecer Santana caminhou alguns poucos passos até chegar a casa de Quinn, elas haviam combinado de tomar um chá e conversar um pouco sobre alguns projetos que a morena havia comentado. A loira não era muito fã dessa estória de entidades beneficentes, mas viu naquela oportunidade uma ótima estratégia para estreitar seus laços com Santana. Definitivamente Quinn não conseguia esquecer-se do beijo que trocaram e do sabor da língua da morena em sua boca. Porém, a loira precisava de mais, ela não estava satisfeita apenas com um beijo, queria conhecer tudo o que aquela mulher poderia lhe desfrutar. Seus olhos castanhos simplesmente a encantava havia um magnetismo que ela não conseguia explicar, apenas sentia que era o certo.
Quinn recebeu a morena com um singelo abraço, apenas como forma de cumprimento. Ao entrar na mansão, Santana sentia-se estranha, obervava aquelas grandes paredes brancas decoradas com telas de famosos artistas, esculturas espalhadas por vários móveis que davam o requinte necessário àquela família. Ao passo que inexplicavelmente sentia-se segura naquele ambiente, perdeu as contas de quantas vezes imaginou entrar naquele lugar e poder se vingar dos Fabray por tudo. Seu plano até então corria bem, ela havia se aproximado de Quinn e estava ganhando sua confiança aos poucos. Contudo, nenhuma instituição se faz por completa seu o seu líder, e dessa forma Santana fez uma comemoração interna ao ver Victoria descendo as escadas.
– Que surpresa ter você aqui, Santana! A Quinn às vezes consegue ser tão mal educada, nem me avisou da sua presença! – disse Victoria com um sorriso falso dando um pequeno puxão nas bochechas da loira.
– Como vai, Sra Fabray? – perguntou a morena devolvendo a falsidade.
– Ohh não, por favor! Me chame de Victoria! Mas, eu vou bem e você? Muito trabalho? – falou a mulher.
– Tudo bem sim! A semana esta um pouco agitada, mas consegui arrumar um tempinho para vir aqui e mostrar meus projetos a Quinn! – falou Santana.
– Filha, por que você não vai até a cozinha e pede para a Maria trazer logo o chá? – falou Victoria na intenção de ter um momento a sós com Santana.
– Ela certamente irá trazer, mamãe! Apenas tenha calma.. – falou Quinn emburrada e apenas recebeu um olhar de reprovação de sua mãe, ela sabia que a mulher não iria descansar tão cedo enquanto não fizesse suas vontades. – Tudo bem.. volto logo!
– Então Santana, poderia me dizer os reais motivos de você estar aqui? – disse Victoria já indo direto ao assunto.
– Bom, eu já disse! Estou aqui porque a Quinn se interessou por uma de minhas ONGs, vou explicar como funciona o projeto, essas coisas.. – explicou calmamente.
– Pode parar com o seu teatrinho, Santana! Eu sei que você é uma golpista! Você é mais uma entre as milhares de pessoas interesseiras que sonham em entrar para essa família! A Quinn é idiota, mas eu não sou! – Victoria praticamente despejou as palavras sem perceber que Quinn já havia voltado para sala com uma pequena bandeja nas mãos. A expressão da loira não poderia ser diferente: apavorada! Ela não conseguia acreditar que mais uma vez sua mãe estava se metendo em sua vida, dessa vez ela não iria deixar barato. Quando Santana — em sua mais perfeita falsa pose de horrorizada, pensou em responder alguma coisa, Quinn foi mais rápida em dizer algumas verdades para a rainha Fabray.
– Escuta aqui, mãe: você não tem o direito de falar assim com a Santana! É incrível a facilidade com que você julga as pessoas, não é mesmo? Mas, nunca parou pra pensar o quanto você é hipócrita? – falou Quinn irritada.
– Que modos são esses, Quinn? – Victoria tentou repreender a loira.
– Cale a boca! – gritou mais alto e apenas recebeu os olhares surpresos das duas mulheres e os empregados que se amontoavam nos cantos da sala para ouvir a briga.
– Você irá se arrepender disso, Quinn Fabray! Eu tenho provas e vou mostrá-las, Santana não passa de uma fraude que viveu toda a adolescência presa em uma detenção juvenil! – disse a mulher pegando seu iPad e acessando seus e-mails. Victoria, assim como seu nome de batismo, sentia seu peito encher diante da futura vitória, ela mostraria todas as provas enviadas e daria um ponto final naquela história. Mas, ao acessar sua caixa de entrada percebeu que havia algo de errado. Abriu o último e-mail e percebeu que aquele perfil tratava-se de uma tal de Santana Consuelo, totalmente diferente das características da latina.
– Como pode.. estava aqui.. e.. – Victoria não conseguia encontrar nenhuma explicação clara para o que estava acontecendo.
– Esta vendo como você se precipita mãe? Exijo que você peça desculpas a Santana! Agora mesmo! – falou Quinn por um lado decepcionada pelas atitudes de Victoria, mas por outro ela estava feliz por aquela história absurda não ser verdade.
– Não precisa disso, Quinn.. foi um mal entendido, eu compreendo.. – falou Santana se fazendo de vítima. A verdade é que seu sangue congelou quando Victoria falou todas aquelas palavras. Naquele instante fez uma busca mental rápida e tinha certeza que realmente poderia haver alguma brecha em sua vida, de fato Victoria encontrou algo, mas que por sorte não pode salvar as informações a tempo. Santana não tinha dúvidas de quem poderia ter lhe ajudado naquele momento, suspirou devagar e se esforçou para não transparecer nada, ela estava totalmente aliviada.
– Ela precisa entender que as pessoas não são fantoches, San! – falou Quinn.
– Me desculpa, Santana. Houve um mal entendido por aqui, talvez eu tenha procurado nos lugares errados. Tenho certeza que farei de tudo para reconquistar sua confiança a partir de agora. Por favor, me perdoe por isso.. – falou Victoria um pouco cabisbaixa, mas que se esforçava em um tímido sorriso falso, ela tinha absoluta certeza de que Santana não era uma pessoa confiável, e por isso iria se certificar da próxima vez de redobrar sua atenção.
Atualmente...
Quinn ainda continuava a encarar os olhares de Santana no velejo, ela não conseguia se perdoar pelo vexame que passou anteriormente. Na sua cabeça era totalmente absurdo sua mãe estar acusando Santana daquele jeito, simplesmente inadmissível. Logo a morena, sempre tão gentil, solícita e dona de um sorriso que abalava as estruturas da loira, parecia fantasioso demais imaginar que ela poderia ser uma espécie de golpista.
– San.. eu.. eu gosto muito de você, realmente não quero me afastar por uma burrada da minha mãe, eu não sei o que dizer.. – falou Quinn totalmente entregue às emoções ali presentes.
– Não precisa dizer nada, vem cá! – Santana puxou a loira para um abraço reconfortante. Seus braços envolviam o corpo daquela mulher de um jeito que ela apenas tinha a certeza que era o que deveria fazer naquele momento. Sentir a pele quente da loira contra a sua era praticamente um porto seguro capaz de escapar todos os seus conflitos, apenas restava ela e Quinn. Ao se desprender do abraço, Quinn ficou mais uma vez encarando os olhos castanhos, não se cansava de ficar perdida neles. Olhou rapidamente para os lábios de Santana, tão convidativos, mas que ela não poderia arriscar de tomar a iniciativa e estragar tudo. Porém, sem esperar Quinn foi surpreendida pelo avanço da morena sobre seus lábios, se beijavam lentamente como quem precisasse parar o mundo e eternizar aquele toque. Santana abriu passagem para que pudessem trocar carícias com suas línguas, sedentas de uma maior entrega aquele momento.
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