Return of Dangan Ronpa: Our Eternal Doom
1 Prólogo: Se Nossas Esperanças Colidirem
A Academia Topo da Esperança é um símbolo para o mundo. Reunindo os mais talentosos, ela foi capaz de reunir esperança e, mais importante, se tornar esperança. Qualquer família se orgulharia de ter um membro nessa escola, sucesso e prestígio são garantidos a todos que se graduam aqui.
Mesmo nos dias atuais, depois de certos eventos que a abalaram, a fama continua forte.
Mas, para mim, fama não importa. Vir para essa escola nunca foi uma escolha minha. Talento é tudo. Tudo o que sou e tudo o que alguém poderia ser.
Eu comemorava enquanto encarava o prédio onde estudaria pelos próximos anos.
Agora me parece impossível saber o que aconteceu depois. Acordando num salão desconhecido, essa era minha última memória. Havia um palco na minha frente, um candelabro enorme no teto, mesas ao redor e algumas outras pessoas no chão. Nenhuma dessas pessoas parecia estar consciente.
Então eu simplesmente tentei pensar.
Meu nome é Katsuo Nishimura, eu tenho 16 anos e sou o melhor violinista adolescente do país. Hoje devia ser meu primeiro dia de aula na Academia Topo da Esperança, mas, ao entrar na escola, eu simplesmente apaguei. E agora estou num salão estranho.
Enquanto eu pensava, duas pessoas acordaram. A primeira era uma garota estranha de cabelo vermelho amarrado na lateral da cabeça, a outra era um garoto enorme com músculos assustadores.
— Eu... dormi? — o garoto disse.
— Ahn? Mas eu estava indo para a escola e... — a garota começou, mas mudou de rumo ao me notar — Quem é você?
Decidi não responder, então caminhei até a grande porta que ficava do outro lado do salão. Trancada.
— Ei! Responda! — a garota voltou a falar — Foi você que me trouxe aqui?
Não dava mais para ignorá-la.
— Não, meu nome é Katsuo e eu também não sei como cheguei nesse lugar.
Enquanto eu respondia, outros começaram a acordar. Um menino que parecia não tomar sol há anos e duas meninas, uma com um chapéu fedora e outra com canetas no cabelo.
— Meu nome é Aki — a ruiva respondeu — Aki Hisakawa.
Pouco a pouco, os outros iam acordando e o salão ficou cheio de murmúrios e até alguns gritos, quase todos já estavam de pé. Ninguém parecia entender o que estava acontecendo. O garoto pálido que tinha despertado recentemente caminhou até a porta onde eu estava. Ele usava uma blusa de frio com o zíper até a metade e era relativamente baixo, mais parecia um estereótipo de adolescente recluso.
— Não adianta, está trancada — avisei.
— Talvez eu consiga fazer algo — o garoto começou a tirar algumas coisas do casaco — Eu tenho certa experiência com explosivos... Na verdade, esse talento me rendeu até certa fama.
— Talento?
— Sim, hoje era até mesmo meu primeiro dia numa escola especial para desenvolver isso — ele explicava — Ah, meu nome é Shinzo Ohara.
— Então você também é da Topo da Esperança — olhei em volta — Talvez todos nós sejamos. Eu sou Katsuo Nishimura, Violinista de Nível Super Acadêmico.
— Químico Industrial de Nível Super Acadêmico — Shinzo conferiu no casaco de novo — Estou sem algumas coisas, talvez demore.
Resolvo deixar o garoto trabalhar e descobrir quem são aquelas pessoas.
O grupo mais próximo da porta era composto por três garotas. Antes mesmo de eu me aproximar, uma delas chama a minha atenção.
— Se você acha que tem chance de conseguir alguma coisa aqui, vá embora — a garota de boné falou — Estamos muito ocupadas.
— A única coisa que você parece estar fazendo é inflando o seu ego — respondi — Tenho uma pergunta: vocês todas são da Academia Topo da Esperança?
— Sim — uma garota com o cabelo amarrado por um lenço interveio — Meu nome é Inari Sakamoto, sou a Crítica Culinária de Nível Super Acadêmico. Essas são Kimiko Oomuri, a Golfista de Nível Super Acadêmico, e Mayu Yoshida, a Radialista de Nível Super Acadêmico.
Inari tinha um cabelo verde-escuro amarrado por um lenço atrás da cabeça, seus olhos eram da mesma cor, mas um deles não podia ser visto por causa da franja, ela também usava uma roupa que mais parecia um uniforme de trabalho. Contrastando, Mayu usava saias com suspensório, uma camisa de manga curta e uma gravata-borboleta rosa, além do chapéu fedora em cima de seu cabelo roxo. Já Kimiko tinha o cabelo laranja amarrado num rabo de cavalo e um boné, sua roupa consistia numa regata branca, calça cinza frouxa e sapatos brancos.
— Eu posso me apresentar sozinha — Kimiko disse para Inari e se virou para mim — Não ouvi o seu nome ainda.
— Katsuo Nishimura, o Violinista de Nível Super Acadêmico — encarei Kimiko — Não que você mereça saber.
— O que você... — Kimiko começou a responder.
— Parem, por favor, os seus arquétipos de personagem são nada apelativos — Mayu interrompeu.
Ao ouvirem isso, Inari e Kimiko ficaram zangadas com Mayu e começaram a brigar. No final das contas, foi inútil tentar conversar com essas três, mas pelo menos confirmei minha teoria.
— Com licença? — atrás de mim, um homem de suéter apareceu — O que você e aquele garoto estavam fazendo na porta?
— Ela está trancada — expliquei — Shinzo, o garoto, está tentando explodi-la.
— Estudantes não devem usar explosivos em circunstância alguma! — Claramente exaltado, ele começou a gritar.
— Reclame com ele, não comigo — retruquei —, mas ele está fazendo alguma coisa pelo menos. Aliás, qual é o seu nome?
— Haruto Komatsu — ele se apresentou — Professor em meio-período e calouro na Academia Topo da Esperança.
—Professor de Nível Super Acadêmico, huh? — falei — Sou Katsuo Nishimura, o Violinista...
Antes que eu pudesse terminar, Haruto me ignorou e foi até a porta onde Shinzo trabalhava.
— A porta parece ser a única maneira de sairmos daqui — uma garota de boina surgiu. Ela tinha a voz macia e transparecia calma. Embaixo da boina, havia o seu cabelo azul escuro e as suas roupas a deixariam mais confortável num café europeu do que numa escola japonesa.
— Se pelo menos pudéssemos abri-la — respondi e ela riu.
— Sou Emma Jacques, senhor Nishimura — ela se apresentou —, a Diplomata de Nível Super Acadêmico, espero que possamos nos dar bem.
— Então você ouviu o meu nome?
— É importante para o meu trabalho estar sempre atenta ao que as pessoas falam — ela riu de novo — Você devia conhecer os outros, talvez alguém possa te ajudar a encontrar o que você quer.
— Eu só quero sair daqui — e me despedi.
Andando um pouco, encontrei um garoto e uma garota. O garoto tinha uma expressão assustada e usava uma camisa social azul amarrotada, com calça e sapatos sociais. Ele parecia bem formal, mas se ele pretendia ir a uma escola, talvez faça sentido. A garota tinha um jeito radicalmente diferente, usando uma camisa de uma só manga que mostrava uma alça do sutiã e ainda a barriga. Com o visual intimidador, ela prendia o cabelo em um coque com algumas canetas e lápis e ainda usava óculos. Ela parecia ao mesmo tempo extremamente bonita e extremamente inteligente.
Quando eu ia me apresentar, porém, outro garoto apareceu.
— Prazer em conhecê-la, meu nome é Masaharu Kawakami, o incrível Astrônomo de Nível Super Acadêmico — Ele olhou pra garota — E você?
— Hum? Meu nome é Hitomi Sekine — ela parecia um pouco irritada — Então você também é da Topo da Esperança? Sou a Publicitária de Nível Super Acadêmico.
— Ah, e eu sou Yukimura Miyake — o garoto disse — Criptógrafo de Nível Super Acadêmico.
Masaharu não pareceu ouvi-lo, ele olhava diretamente para Hitomi que parecia estar ficando irritada.
— E você? — Ela olhou para mim — Como se chama?
Eu me apresentei e ela deu um sorriso
— É bom te conhecer — comentou — Algum de vocês sabe onde estamos?
— Não, também não consigo me lembrar de como cheguei aqui, hoje devia ser meu primeiro dia de aula — expliquei para Hitomi.
— É estranho... — Yukimura finalmente falou — É a mesma coisa conosco.
Diante do silêncio que se seguiu, Masaharu ficou claramente desconfortável enquanto Hitomi e Yukimura pensavam. O silêncio só foi quebrado por uma discussão começada ali perto.
— Quem você pensa que é para falar desse jeito comigo? — uma garota de cabelo vermelho falou.
— Ayaka, por favor, fica calma — Aki disse para a garota.
— Não, Aki, ele não pode sair me ofendendo assim — a outra garota estava visivelmente irritada.
— Que exagero, não era sério, poxa — o musculoso de mais cedo falou — Tá, você gosta de mexer com plantinhas, muito bonitinho.
— Você ainda zomba... — a garota chamada Ayaka começou, mas não finalizou a frase.
— Ok, vocês estão muito animados, que bom, mas brigar não vai ajudar ninguém — um garoto de cabelo longo puxou o mais forte.
Enquanto o garoto musculoso saía com dois meninos, Aki e Ayaka se aproximaram de mim.
— Ah, Ayaka, você ainda não conhece o Katsuo, né? — Aki parecia estar tentando distrair a garota do que tinha acabado de acontecer.
— Sobre o que foi essa briga? — resolvi não ajudar, o que deixou Aki bem zangada.
— Não existe chance de eu aceitar qualquer tipo de humilhação, não importa de quem seja — Ayaka tinha muita convicção na voz — Meu nome é Ayaka Uchida, sou a Florista de Nível Super Acadêmico.
— Acho que estamos todos um pouco nervosos por causa dessa situação estranha — Aki tentou acalmá-la — Mas tenho certeza que tudo vai se resolver.
— Ou não — eu disse e saí, não era preciso olhar para saber a expressão delas.
Decidi ir atrás do grupo dos três garotos, eram os únicos que eu ainda não sabia os nomes e eu ainda queria entender essa briga.
— Ei, você aí — gritei — Então você gosta de brigar com jardineiras?
— A culpa não é minha se ela se estressa por qualquer coisa — o musculoso respondeu.
— Daiki, você devia tomar mais cuidado com o que fala — O garoto de cabelo longo disse e então olhou para mim — Acho que nós não nos conhecemos ainda.
Já cansado, eu me apresentei de novo. O garoto tinha um olhar despreocupado e usava uma camisa rosa por cima de uma camiseta clara, ele parecia extremamente irritante. O garoto ao lado dele chamava mais atenção, porém, ele era muito alto e forte, com uma pequena barba e aparentemente maquiagem no olho; em volta da cintura, tinha um casaco amarrado.
— Eu sou Kohaku Sakai, Arquiteto de Nível Super Acadêmico — o de cabelo longo falou — e esse é Daiki Sasaki, o Dublê de Nível Super Acadêmico. O garoto estranho se chama Riku Ono e é o Colecionador de Nível Super Acadêmico.
Colecionar coisas podia mesmo ser considerado um talento? Riku mais parecia um adolescente revoltado do que um dos mais talentosos do país.
Quando ia falar alguma coisa, eu me lembrei de Shinzo na porta. Já faz um tempo que eu o havia deixado preparando o explosivo. Chegando à porta, lá estavam Shinzo, Haruto, Emma e uma garota que eu não sabia o nome estavam encarando a fechadura.
— Acho que isso serve — Shinzo disse — Mas, droga, estou sem fogo.
— Se o problema é fogo, isso é fácil para mim — a garota falou — Eu sou Suzume Ishihara, a Incendiária de Nível Super Acadêmico.
— Você só pode estar brincando — Haruto falou — Isso é perigoso demais.
— Ninguém que conhece o fogo tem medo dele — apesar de Suzume dizer isso, ela carregava uma certa quantidade de curativos e queimaduras pelo corpo que era muito suspeita — Olha.
De repente, porém, ela foi interrompida por um barulho estridente de microfone caindo e todos taparam os ouvidos. Demorou um tempo até o barulho parar e nós tirarmos as mãos das orelhas. Uma voz que parecia irreal demais para ser humana começou a falar logo depois.
— Teste! 1, 2, 3! Estão me ouvindo? Já acordaram todos?
— Ei, que voz é essa? — Daiki falou.
— Oh? Devo me apresentar então? Upupupu! — a voz respondeu.
Fumaça começou a sair do palco, que também foi se iluminando cada vez mais. Uma música começou a tocar e nós todos encarávamos a silhueta que se ergueu por trás das cortinas.
Quando essas cortinas se abriram, gritos de surpresa ecoaram no lugar.
— Upupupu! Olá, alunos da Academia Topo da Esperança, eu sou seu diretor e rockstar favorito.
Essa frase por si só seria estranha sem ser dita por um brinquedo, mas lá estava ele, parecendo um cosplay de Elvis Presley. Um urso de pelúcia preto-e-branco.
— Um urso? — Haruto falou.
— Brinquedos falantes... De novo não! — Mayu quase desmaiou enquanto dizia isso.
— Alunos devem mostrar respeito ao diretor! De hoje até o último dia de suas vidas, vocês devem me obedecer — o urso respondeu — Meu nome é Monokuma e eu espero termos momentos agradáveis e felizes aqui.
— Eu não vou seguir ordens suas de jeito algum — Inari retrucou — Você trate de me tirar daqui agora mesmo.
— Como é? Upupu, mas vocês não podem sair, estão presos aqui para sempre — ele ria.
— Para sempre? — Aki argumentou — Você está brincando, certo?
— Por que estaria? A vida aqui seria tão harmoniosa — Monokuma começou a gargalhar — A não ser que você esteja disposta a destruir essa harmonia só para sair daqui, é claro.
— O que você quer dizer? — Aki continuou.
— Não fique surpresa assim, eu posso entender perfeitamente por que alguém acharia a harmonia algo tedioso. Ah, sim, realmente não existe algo pior do que passar o resto das suas vidas em paz e amizade.
— Que seja, você vai nos deixar sair então? — Hitomi exigiu.
— Oh, é claro, você pode sair então, basta destruir a nossa harmonia — Monokuma respondeu.
— Seja mais direto — reclamei.
— Ah? Claro, claro, upupupu! — entre uma frase e outra, Monokuma riu — Se algum aluno dessa classe deseja sair da escola, basta perturbar a nossa harmonia matando alguém. Se um estudante for capaz de matar alguém sem ser descoberto pelos seus colegas, ele poderá ter sua “graduação” e sair daqui livre e feliz.
— Isso é brincadeira, né? — Shinzo falou.
— Não, não mesmo. E acho que isso já serve como cerimônia de abertura — prestes a sair, Monokuma pareceu se lembrar de algo — Ah, um momento, vocês também precisam disso aqui. São IDs eletrônicos, com seus nomes e as regras e todas essas coisas. Não os percam ou vai ficar realmente difícil viver sua vida escolar. E, óbvio, não quebrem as regras, seus idiotas.
Rapidamente todos nós procuramos os aparelhos para ler as regras. Enquanto pegava um deles, Kimiko se dirigiu até Monokuma, irritada.
— Se você continuar com essas baboseiras, quem vai morrer aqui é você.
— Upupupu, tão assustador — as cortinas começaram a se fechar — Estejam aqui amanhã! Os anúncios ainda não acabaram.
Ao clicar no meu ID, a primeira coisa que vi foi meu nome.
“Katsuo Nishimura
Regras:
1: todos os estudantes estão presos dentro da escola, sem direito a sair, fugir é estritamente proibido.
2: todo ato de violência contra o diretor ou as câmeras de vigilância está proibido.
3: a única maneira de sair da escola é matar alguém sem ser descoberto pelos outros estudantes.
4: é proibido matar mais de duas pessoas.
5: caso alguém morra, um julgamento escolar acontecerá, é obrigatório participar do julgamento, durante o qual todos discutirão quem acreditam ser o assassino.
6: se o assassino for encontrado, ele será punido. Se ele escapar, todos os estudantes menos o assassino serão punidos.
7: regras podem ser adicionadas a critério do diretor.”
Quando terminamos de ler as regras, as expressões de todos mostravam terror e desconfiança. Kimiko parecia ter perdido toda a coragem, Mayu, Yukimura e Shinzo estavam praticamente chorando e Inari e Riku estavam próximos de desmaiar. Alguns olhares eram mais sérios, Emma e Hitomi encaravam cada um com suspeita e só pareceram parar quando uma viu a outra.
Ninguém entendia o que estava acontecendo, mas todos sabíamos que não era bom.
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