Notas iniciais
Kunrei e Byakuya se enfrentam em um campo de batalha que parecia ter sido feito apenas para ambos e verdades são expostas de maneira afiada confundindo o nobre capitão que caindo na armadilha de Kunrei é obrigado a sentir-se em um abismo de emoções.

QFVDC — Ascensão — Warlords of Draenor

A Soul Society era consumida pelas chamas da guerra, só se ouviam os gritos desesperados de dor espalhados por toda Seireitei, no meio de todo este calor ocasionado pelas intensas batalhas Ichigo jazia no chão desmaiado, sua reiatsu diminuindo perigosamente enquanto seu corpo espiritual perdia partículas de reishi a cada minuto indicando que sua vida se esvaia.

Um soldado da rebelião se aproxima com um bando de revoltos seguido pela intensidade da explosão e curiosidade do momento, eles avistam Ichigo no chão e imediatamente o reconhecem.

– Veja é Kurosaki Ichigo! Se levarmos a cabeça dele com certeza seremos recompensados por Kunrei-sama! – Um deles comenta.

– Depressa antes que alguém chegue antes de nós! – Outro do bando diz com pressa.

– Corrigindo: Já chegamos antes de vocês!

Os homens olham em direção à voz que vinha do telhado de uma das casas que ainda tinha algumas colunas intactas que a mantinham de pé e avistam Hisana e Kaien nem um pouco felizes com o conteúdo da conversa, os irmãos já chegam retaliando não querendo arguir, os mais desesperados fogem e como um touro Kaien fica bufando jogando pedras nos soldados e dando cobertura para Hisana.

– Cai fora seu bando de idiotas, fujam enquanto podem! – Ele berrava revoltado.

Sua irmã mais velha corre se ajoelhando perto do pai e fica nervosa com a situação que vê.

– Papai?! Papai?! Ei não faz uma desfeita dessas com a gente, ei pai, por favor, abre esses olhos! – Ela o sacudia, mas o ruivo nem se mexia e estava bastante pálido.

Kaien se preocupa com o tom de voz da irmã e quando se vira vendo a situação do pai fica tão desesperado quanto.

– Mana nós temos que fazer alguma coisa, vamos levar o papai para a tia Unohana ela sabe como ajudar.

– Eu sei vamos depressa maninho! – Hisana levanta o pai do chão e com a ajuda do irmãozinho leva Ichigo às pressas dali.

Mas enquanto correm pela Seireitei eles sentem um choque espiritual intenso e uma explosão de poder que os deixa preocupados.

– Mana esse é...?

– Tsc! Vamos depressa Kaien, não estou gostando nem um pouco do rumo dessa batalha!

– Ha... Hai! – O pequeno assente suando frio.

Os dois continuam sua missão de salvar o pai.

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Byakuya estava calado olhando a grama da colina onde lutavam secar, a densa névoa que mais parecia uma cortina vermelha de veneno cobria o corpo de Kunrei sem deixar que o capitão o visse, mas de dentro dela o ex-nobre Kuchiki anda a passos decididos, com um movimento rápido de lâmina toda a densa névoa se dissipa e Byakuya pula com um shunpo para desviar a tempo do ataque, assim que recobra a compostura ele ergue o semblante com seriedade em direção ao seu adversário que estava vestido “a caráter para matar”.

A bankai de Kuchiki Kunrei tornava seus cabelos vermelhos e olhos verdes, sua espada continuava semelhante à shikai em tom totalmente rubro e cabo moldado à espinhos, a roupa do nobre lembrava a bankai de Ichigo em alguns aspectos, um haori ágil em um tom verde escuro quase se confundindo com o negro, aquela aparência dava a Byakuya a idéia de velocidade que ele deveria ter e isso o preocupava, pois Kunrei já era rápido, então quão “mais rápido” ele deveria estar agora?

– Bankai: Sen Mari no joō – (Rainha de Mil Verdades).

Byakuya analisava Kunrei da maneira que podia, a reiatsu do nobre era imensamente perigosa e proporcionalmente assustadora, como se não bastasse o capitão estava preocupado com sua família, pois mesmo em meio ao turbilhão de energias que circundava a Seireitei ele sentia unicamente a situação da reiatsu dos seus e a cada minuto que passava não gostava cada vez mais do que sua preocupação o obrigava a sentir.

– Preocupado? – Kunrei corta seus pensamentos.

–...

O nobre sorri olhando para sua zanpakutou.

– Não precisa ficar acanhado, sua aflição está estampada na face, é perfeitamente natural este sentimento e eu entendo afinal eu já tive família.

– Sua revolução não levará a nada Kunrei e eu volto a repetir: Todos os seus esforços serão em vão não importa o objetivo real que tenta esconder de todos nós.

Kunrei fica sério, mas logo dá uma baixa risada fitando o capitão.

– Então você percebeu, não esperava menos de um Kuchiki discipulado por Ginrei.

– Revolta, assassinato, espionagem, mentiras... Você é inteligente demais para se limitar a artifícios tão primitivos em busca de uma mudança que será esquecida pelo tempo... Qual é o seu verdadeiro objetivo?

– Assim como minha bankai eu tenho mil verdades e todas elas capazes de mudar este mundo em diferentes pontos de vista.

–...

Kunrei olha atentamente para seu sobrinho e começa a caminhar flanqueando-o com interesse.

– Vingança é uma palavra que possui um único significado, mas diferentes faces, você sempre buscará vingança por algo que perdeu, amigos, família, honra, mas por que se vingar do mundo se um dia suas memórias se apagam consumidos pelo tempo? – Ele pergunta.

Byakuya franze o cenho.

–... Você quer provar algo...

– Exatamente! – Ele estala os dedos.

– Como pretende fazer isso?

– Uma verdadeira vingança jamais morre com o seu executor, ela se instala na memória daqueles que testemunharam sua forma de viver até alcançá-la, assim como você faz pela sua esposa após conhecer a verdade por trás de sua morte e assim como sua família continuará a fazer por você, mas se conseguisse sua vingança onde ela terminaria? Isso impediria que outras Kuchikis Hisanas morressem? Você como uma nobre de respeito permitiria que tal atrocidade continuasse a acontecer apenas por que sua vingança já foi alcançada e a morte dos outros não lhe diz respeito?

– E por que eu me importaria com as decisões que os outros tomariam? Vingança é algo pessoal, ninguém tem o direito de interferir.

Kunrei sorri.

– Então por que permitiu que sua família interferisse em sua busca?

A expressão de Byakuya treme.

– Rukia é a irmã de minha esposa, Ichigo seu marido e seus filhos descendentes de sua causa, seu interesse é justo.

– Mas não caberá a eles decidirem a que ponto se fará justiça em sua empreitada, então eu te pergunto Kuchiki Byakuya: O que é justiça?

– A justiça é feita com leis, coisa que você ignora fazendo os inocentes sofrerem em uma guerra que não lhes pertence.

– Mas eles fazem parte deste mundo Kuchiki Byakuya, se a justiça é feita de leis por que ela não existe para eles?

– As Leis existem para serem aplicadas a todos, sejam eles de Rukongai ou não.

– Então por que elas não puniram aqueles que mataram sua esposa?

– Você matou minha esposa! Justiça e lei são princípios que precisam tomar forma nas mãos dos homens que buscam o que é certo!

– Mas eu não matei a sua esposa, Oranai era a assassina que a envenenava e a mesma já está morta, se a justiça morre com o culpado tal qual acontece com a vingança, então qualquer um é capaz de praticar a justiça que você disse... Basta ter autoridade e influência para tal.

– Você ordenou que matassem minha esposa, você é o verdadeiro assassino!

– Então onde está a justiça agora? – Kunrei sorri com expressão sombria.

Byakuya sua frio.

– Eu vou busca-la com minhas próprias mãos!

– Mas o que você buscava com suas próprias mãos não era vingança? – Kunrei sorri cinicamente.

A expressão do capitão treme.

– O q...!?

Kunrei gargalha alto.

– Consegue entender agora? Vingança e justiça são duas faces da mesma moeda, tão profundas e intensas que se confundem, será que não são de fato iguais? Justiça é a donzela da Vingança, uma forma linda e poética de realizar o desejo de alguém.

Byakuya havia caído na lábia de Kunrei e isso o irrita.

– Você é doente!

– Todos somos meu caro sobrinho, mas a diferença primordial que existe entre nós é que eu não me deixo cegar por princípios “embelezados” por uma minoria magnata que usufrui das próprias leis e regras que cria para se manter no poder, suas amadas leis não se aplicam a todos, elas são lindas no papel e na boca das pessoas certas até chega a enganar, mas para quem olha do topo da montanha para a multidão que existe logo abaixo, nós não passamos de formigas e formigas são difíceis de enxergar e desviar e ninguém se importa em contar quantas pisam enquanto andam.

– As leis foram criadas para os pobres! – Byakuya grita.

– As leis foram criadas para os nobres. – Kunrei responde friamente.

– Tsc!

– Ponha uma coisa em sua cabeça meu nobre capitão: Existem leis e reis. A lei foi criada como um objeto de ordem e paz e os reis nasceram para usufruir destes direitos, quem inventou as leis? O pobre ou o nobre?

– Maldito... Aonde quer chegar!?

Kunrei fecha os olhos sorrindo.

– Quando tudo isso acabar você entenderá, mas para que realmente entenda o meu verdadeiro objetivo primeiro você precisa se tornar como eu e abrir os olhos para todas as verdades deste mundo.

Byakuya estava mudo e pela primeira vez desde o seu embate com Kunrei, ele sente seu coração hesitar, ele balança a cabeça voltando a focar em seu objetivo e encara seu inimigo.

– Não vou deixar que me convença com sua conversa fiada, quando tudo isso acabar você será um homem morto e a Seireitei poderá se recuperar.

– Isso é verdade, até por que dei uma ordem aos meus subordinados.

– Ordem?

– Sim ordem. – Kunrei aponta para a cidade em chamas. – A Seireitei é imensa e esta cidade é apenas um terço da verdadeira extensão que existe além dos muros, por isso, mesmo que os shinigamis resistam por dias, a numerosidade de Rukongai cedo ou tarde irá sobrepuja-los e com a determinação que eles carregam em pôr um fim a tudo o que Seireitei lhes tem feito apenas agravará a situação dos shinigamis, aliás, não devemos esquecer que existem alguns entre vocês que nasceram nos becos de Rukongai e que provavelmente já se juntaram à nossa causa para proteger suas famílias. Meus guerreiros não precisam mais temer a morte, pois eles já enxergam seus sacrifícios como uma forma de alcançar um objetivo maior que é inevitável.

Byakuya olha surpreso e Kunrei vendo sua surpresa balança a cabeça.

– Por isso eu sou o marco de suas ambições, enquanto eu estiver vivo sua determinação continuará a se espelhar em minha imagem, em contrapartida os ordenei abandonar a Seireitei caso eu perecesse nesta batalha.

– Como?! – Byakuya parecia não ter ouvido muito bem.

– Se eles perderem o marco que seguem, então não haverá mais necessidade que arrisquem suas vidas por alguém que não existe mais... Porém, mesmo que tal pessoa não mais exista a imagem que por anos seguiram continuará viva em suas memórias tal qual sua vontade, mas continuar a luta é uma decisão coletiva.

– Em outras palavras... Derrotando-o existe uma chance de 50% em eles obedecerem a suas ordens e recuarem de volta a Rukongai sem a direção de seu líder.

– Exatamente, da mesma forma como existe os outros 50% de chance de cegos pelo ódio da perda de seu líder sua revolta explodir dando-lhes mais impulso para terminar o que começaram o que apenas adiaria ainda mais a destruição da Seireitei, afinal eu sou apenas o líder, a escolha de continuar a lutar é inteiramente deles. – Ele responde.

– Feh... Desgraçado você pensou em tudo, morrendo ou vivendo você se tornará um mártir dando voz à sua causa. – Byakuya estava com raiva, mas não deixava de admirar sua perspicácia.

– Do que está falando meu caro sobrinho, eu estou apenas relatando o que eu acho que pode acontecer. – Kunrei parecia cínico.

– Mas isso apenas me deu mais um motivo para vencê-lo, mesmo que exista uma possibilidade meio a meio, fazer com que os moradores de Rukongai recuem evitaria mais mortes. – Byakuya fica em posição de combate.

Kunrei balança a cabeça decepcionado.

– Você ainda pensa como uma criança ingênua, mas não importa, eu irei mudar sua determinação e o transformarei em um verdadeiro exemplo de nobreza.

– Tal realidade é impossível!

– Engana-se, eu disse que abriria os seus olhos, mas para isso você precisaria se tornar como eu.... – Kunrei fita Byakuya e sorri de forma sombria. – E para ser como eu primeiro terei que tirar tudo o que você tem...

Byakuya aperta firme o cabo da zanpakutou.

– Isso eu não vou permitir!

– Tio!

Byakuya sua frio e olha para trás.

– Hisana se afaste!

– EH?!

Kunrei desaparece em um passo rápido e surge diante de Hisana que congela.

– HISANA!!! – Byakuya grita com todas as forças.

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Algum Tempo Atrás...

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Battle in the Forgotten City

Kaien chega correndo a toda velocidade no quartel do quarto esquadrão, ele saia praticamente atropelando vários shinigamis enfermeiros e feridos até chegar onde desejava, ele arromba a porta sem bater:

– Tia Unohana! – Grita quase sem fôlego.

Unohana que cuidava de Rukia e Masaki se vira um pouco surpresa.

– Se acalme Kaien-kun, respire devagar e então fale.

Ele apoia as mãos nos joelhos respirando devagar e levanta a cabeça.

– Tia Unohana a senhora tem que ajudar o papai, ele está muito mal!

– Unohana-taichou! – Hisana adentra a sala com a mesma expressão de urgência e falta de fôlego que Kaien.

Unohana olha preocupada e anda apressadamente até Ichigo, quando percebe as partículas de reishi deixando o corpo do ruivo ela entende o prognóstico automaticamente e sua voz se torna outra.

– Coloque-o na maca. – Ela olha para Kaien enquanto Hisana a obedecia. – Kaien-kun, chame Yamada Hanatarou e Kotetsu Isane para a sala de emergência, mas assim que o fizer venha até a sala onde está escrito EPI junto com sua irmã que fica logo ao lado, terá alguém lá para orientá-lo.

– Sim senhora... O que é EPI...? – Ele parecia confuso, mas sai correndo.

– Unohana-taichou. – Hisana a chama. – O que vai acontecer com o papai?!

– Seu pai está morrendo, por estar na Soul Society e ter gasto toda sua reiatsu em uma situação que não deveria usar Mugetsu seu organismo está instável e perdendo as partículas de reishi que compõe seu corpo espiritual, vamos leva-lo para a emergência e tentar estabilizar seu corpo, porém isso não será suficiente...

– Como assim? – A jovem pergunta.

– Por que isso não mudará o fato que ele sacrificou novamente seus poderes espirituais e cedo ou tarde ele não poderá estar mais aqui, sem poderes espirituais somente o seu corpo mortal continuará estável, será perigoso mantê-lo na Soul Society.

– Não! Tem que haver uma maneira de evitar que meu pai perca seus poderes! – Hisana bate o pé.

– Hisana-san a única maneira de recuperar os poderes de seu pai é através de transferência de reiatsu.

– Então eu entrego o meu poder para a senhora poder salvá-lo!

Unohana sorri para a jovem.

– Infelizmente não é assim que funciona, seu pai tem um nível muito diferente do nosso, mesmo que você doasse todos os seus poderes ainda não seria suficiente, a última vez que fizemos isso foi necessário os poderes de todos os capitães e alguns tenentes e no momento eles não podem ajudar devido os ataques.

– A senhora está me dizendo para que eu fique aqui parada sem tentar fazer nada para salvar o meu próprio pai!? – Hisana se irrita. – Tente pelo menos usar minha reiatsu para ajudar em alguma coisa taichou!

Unohana pensa por um instante.

– Talvez... Talvez haja uma maneira, mas preciso da ajuda de sua mãe e ela não está em condições de...

– Eu estou sim... – Rukia se levanta ao ouvir a situação do marido. – Unohana-taichou faça o que for necessário para salvar o Ichigo... – A morena ofegava.

– Mamãe! – Hisana corre até ela para apoiá-la enquanto ela se levantava.

Unohana vê a determinação das duas e com expressão séria assente.

– Vamos salvar Kurosaki-san custe o que custar.

Hisana e Rukia sorriem esperançosas.

O procedimento parecia simples, mas era muito arriscado, Unohana cria um laço espiritual entre Ichigo, Rukia e Hisana para tentar ao menos estabilizar seu corpo e ambas ficam a beira de perder os próprios poderes permanentemente. A reiatsu de Rukia é completamente sugada da mesma maneira que Ichigo fizera inconscientemente na primeira vez que se conheceram, Unohana vendo o estado deplorável que ficara Rukia rompe o vínculo espiritual de Hisana antes que a jovem caísse em coma tal qual a mãe.

– Estabilizem o corpo de Hisana-san e Kurosaki Rukia-san. – Unohana ordena.

– Sim senhora! – Seus auxiliares respondem iniciando uma cirurgia espiritual para reatar os pontos de reishi no corpo de Rukia e Hisana.

Momentos depois a duas estão ao lado de Masaki na sala de observação, com Kaien ao lado sem tirar os olhos.

– Como a mamãe está tia Unohana?! – Kaien se aproxima da mãe que dormia.

– Não se preocupe, ela ficará bem Kaien-kun, só precisa de descanso, porém, temo que sua reiatsu demore meses para se recuperar por completo. – Ela toca na cabeça do infante

– E a mana?

– Masaki-chan só precisa descansar.

– A Hisa-nee também?

– Descansar uma ova! – Hisana estalava o pescoço colocando as sandálias e ajeitando as roupas.

– Hisana-san! – Unohana se surpreende ao vê-la de pé. – Você não deveria estar de pé!

– Deveria sim capitã. – Hisana olha para ela. – A senhora está sentindo? – Ela chama a atenção da capitã.

Unohana pisca e ao se concentrar nas palavras de Hisana entende o que ela tentava dizer, uma reiatsu perigosamente concentrada estava bem próxima a Byakuya.

– Unohana-taichou isso é poder do nível de uma bankai, o tio Byakuya está lutando direto sem descansar e já usou bankai mais de uma vez hoje, ele está em completa desvantagem, eu preciso ajuda-lo.

– Mas Hisana-san, você pode estar de pé... Mas é só isso que consegue fazer...

– Kaien!

– Sim!? – Seu irmão se assusta com a voz alta da irmã mais velha.

– Preciso dos seus poderes emprestados!

– O quê?!

Unohana olha surpresa, mas ela realmente havia se esquecido deste detalhe, Hisana, Kaien e Masaki possuíam o mesmo núcleo espiritual por serem os filhos de Ichigo e Rukia e por isso tinham uma sensibilidade espiritual incomum, transferência de reiatsu não era algo impossível, não era a toa que mesmo suas zanpakutous tinham tantas semelhanças.

– Mas se eu te emprestar meus poderes vou ficar igual uma gelatina! – Kaien não gostava da idéia por que já tinha visto as consequências antes.

– Eu viro sua “serva” por um mês! – Hisana faz a proposta.

– Pode pegar maninha querida do meu coração, não se esqueça de usar com moderação e escovar os dentes antes de dormir. – Kaien já estava transferindo os poderes sem pensar duas vezes enquanto segurava as mãos da irmã.

– Sua zanpakutou escova os dentes?! – Hisana pergunta surpresa.

– E passa fio dental e dorme de pijamas.

Unohana sorria enquanto via os dois conversando.

Como previsto Kaien cai no chão sentindo o corpo igual uma gelatina, mas sua irmã o pega no colo e põe na cama onde estava deitada minutos antes.

– Maninha... Um mês né... – Kaien queria confirmar o contrato.

– Um mês pivete.

– Então minha primeira ordem como seu mestre é: Volta com o tio em segurança tá? – Kaien estava preocupado.

Hisana sorri e beija a testa do irmão.

– Pode deixar “mestre” não irei desobedecê-lo.

– Hisana-san?

A jovem se vira para a capitã.

– Mesmo que Kaien tenha transferido os poderes dele para você...

– Eu sei... Mas vou tentar pelo menos não atrapalhá-lo... – Ela olha séria. – Cuide deles, por favor, taichou.

Unohana assente e a jovem parte correndo pelo quartel do quarto esquadrão.

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Tempo Atual

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Black Water

A jovem chegava correndo suada, quando ouve o grito do tio e enxerga Kunrei sumindo de sua posição aparecendo diante de si em um piscar de olhos, ela não enxerga absolutamente nada e tenta socá-lo, mas ele desaparece novamente, Hisana sente um frio na espinha e fica paralisada quando a mão gélida de Kunrei acaricia seu rosto por trás enquanto ele sussurrava em seus ouvidos.

– Por que esse desespero todo? Até parece que eu faria algo com esse rosto lindo.

Hisana olha com a ponta dos olhos para ele.

(- Tá de brincadeira, esse cara é muito mais rápido que o meu pai!) – Gritava em pensamentos.

– HISANA! – Byakuya grita e dá um passo, mas hesita temendo qualquer ação de Kunrei.

O Shinigami ri.

– Não se preocupe Byakuya, eu só estava brincando querendo ver sua reação, mas me surpreende toda a vez que você derruba sua máscara de nobreza e exprime essa feição de desespero.

Kunrei toca na cabeça de Hisana que estava com alguns problemas para disfarçar as pernas trêmulas pela presença da pressão espiritual do homem.

– Eu não sei como você conseguiu chegar até aqui depois de transferir seus poderes a Kurosaki Ichigo, mesmo assim o poder que lhe sobrou é muito pequeno, tanto que mal consegue ficar em pé diante da pressão do meu poder, então tente não atrapalhar tudo bem?

Kunrei se afasta de Hisana e vai em direção a Byakuya, a jovem cai de joelhos suando e o tremor de seu corpo se manifesta.

(- Que...! Que merda é essa? O poder dele é monstruoso, de onde vem tanta pressão espiritual!? Mesmo com os poderes de Kaien mal consigo me manter em pé... E ele já sabia sobre a condição do papai e o que eu faria para tentar salvá-lo!... Maldição até isso estava nos planos dele!) – Hisana levanta o semblante para o homem e ela se assusta ao ver que ele a fitava com olhos penetrantes. – (-... Ele...! Ele é um monstro!).

– Esta será uma excelente oportunidade meu caro sobrinho, vamos aproveitar que temos uma testemunha e dar o melhor de nós para provar que através de nossas lâminas apenas uma única verdade prevalecerá!

– Hisana, não importa o que aconteça não saia dai entendeu? – Byakuya ordena à sobrinha.

– Como se eu pudesse...! – Hisana resmunga desgostosa, mas ainda tremia e estava envergonhada por não conseguir fazer nada.

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Zaraki jogava o cadáver de seu adversário no chão e já olhava com particular interesse na direção em que se encontrava outro pelotão inimigo.

– Tsk! Será que não existe um inimigo decente nessa merda? – Resmunga começando a andar.

– Ken-chan!!!

Yachiru pula nas costas de Kenpachi.

– Agh! Yachiru não me enforca! – Reclama dos braços fortes ao redor do pescoço.

– Ken-chan eu já terminei com o pelotão inimigo que estava na frente do nosso esquadrão.

– E tinha alguém que prestava para matar pelo menos?

– Nada... Mas e se a gente for naquela direção? – Aponta na mesma direção que Zaraki ia.

– Idiota era para lá que estava indo.

– Então vamos!

– Ho! – Ele sai correndo com a garota pendurada em suas costas.

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Um pouco mais distante dali Yamamoto comandava os shinigamis no portão norte de Seireitei onde o ataque era mais intenso.

– Comandante já perdemos muitos homens, se continuarmos seremos aniquilados! – Um subalterno alerta.

– Maldição... Como fomos deixar isso acontecer... – O velho shinigami diz preocupado.

Hitsugaya e Matsumoto também tinham problemas em manter seus homens vivos a Leste.

– Taichou, devemos recuar! – Matsumoto grita no meio da batalha.

– E recuar para onde?! Não existe mais lugar seguro na Seireitei, só nos resta lutar até o fim! – Seu capitão responde.

– Mas não vamos resistir!

– Nós devemos! É nosso dever detê-los custe o que custar! – Ele grita de volta criando colunas espinhosas de gelo pelo caminho.

A Oeste Kyoraku e Ukitake lutavam sem deixar de conversar sobre a situação.

– Como fomos deixar isso acontecer? – O Albino lamenta.

–... Por mais que eu encontre inúmeras respostas para sua pergunta nada me tira da cabeça o pensamento que estamos pagando pelos erros que cometemos ao longo dos séculos e que... Merecemos o que estamos recebendo agora...

Ukitake fica em silêncio.

– Kyoraku...

–... É eu sei... Tudo irá mudar depois de hoje... Se sobrevivermos...

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J-E-N-O-V-A (FFVII AC Version)

Byakuya e Kunrei trocavam golpes velozes e precisos, Hisana só conseguia assistir a luta sem deixar de notar a elegância dos ataques, dois nobres lutando por causas distintas, mas que no final não passavam da mesma coisa: Vingança.

– Tio...

Em uma investida rápida pelos flancos Byakuya defende, mas é arrastado pelo homem que começa a leva-lo até a encosta, vendo que iria cair ele força o corpo para frente e mesmo na ponta do penhasco os dois continuam medindo forças.

– Desista meu caro sobrinho sua vingança patética não se compara a minha ambição, mesmo que se esforce nunca conseguirá me vencer, não importa o resultado da batalha de hoje, no final eu serei o único vencedor.

– Só por cima do meu cadáver! – Byakuya olha afiado. – Bakudou nº 81, Danku!

O golpe serve unicamente para repelir Kunrei e dar a chance de Byakuya usar shunpo e se afastar do precipício.

O Bakudou causa um corte cauterizado no braço de Kunrei de observa o sobrinho se posicionar distante do penhasco.

– Diga-me Byakuya, se você tivesse que escolher entre salvar uma pessoa e várias, qual opção escolheria?

– Pergunta estúpida que não merece resposta.

– Não seja assim tão centrado, é uma pergunta simples, só gostaria de entender a sinceridade de seu coração.

– Você não pode me analisar em uma hora como essas, o que tínhamos para conversar e dizer um para o outro já foi dito, eu estou aqui apenas para eliminá-lo e acabar de uma vez por todas com essa loucura. – Byakuya fica em posição de ataque. – Já cansei dos seus joguetes, Bankai!

Kunrei sorri vendo as colunas de lâminas gigantes criarem uma arena afiada ao seu redor, Byakuya invoca duas espadas e parte para cima de Kunrei que defende das investidas dando passos para trás.

– Uma coisa que me chamou a atenção durante os dias que pude lhe conhecer melhor é que você primeiro não falava outra coisa que não fosse vingança, depois mudou o discurso e queria justiça, mas agora quer assumir a missão de salvador, mas salvar quem Kuchiki Byakuya? Sua família? Amigos? Subalternos? Pessoas que nem conhece? Pelo que vale a pena lutar? Pelo que vale a pena morrer?

– Lembro-me de já ter falado, eu luto pelo que é certo, pelo que eu considero justiça e por aquilo que acredito e nesse momento eu acredito que o mundo será muito melhor sem você! – Byakuya acelera seus golpes e Kunrei fica mais sério ao perceber que o capitão parecia estar se adaptando ao combate.

– Você é como eu caro sobrinho, no final das contas somos todos iguais e temos os mesmo ideais, você acha que pode mudar o mundo através de suas ações e usa um vilão: Eu, para justificar suas intenções colocando-a em um patamar de nobreza que mais a frente você considerará plausível e compatível com suas escolhas. – Kunrei ri. – Bom... Muito bom você está quase para entender meu ponto de vista.

– Cale-se! – A fúria do golpe de Byakuya é tão intensa que uma explosão acontece quando as suas lâminas chocam-se com a de Kunrei.

O capitão voa machucado para um lado e Kunrei é arrastado pelo chão em direção oposta, mas ele não deixava de sorrir.

– Estou orgulhoso caro sobrinho, você está exatamente onde preciso que fique, porém, para ser como eu, só falta uma coisa, um último detalhe que será capaz de trazer-lhe a profunda compreensão da realidade que busco.

Byakuya se levantava olhando afiado para ele.

– Você é um agente do caos assim como eu, alguém capaz de sacrificar tudo por uma causa maior, mesmo que tenha tentado mudar durante as décadas pelo bem de sua nova família, no fundo as raízes que fazem de você um nobre Kuchiki permaneceram intactas e são estas raízes que fazem de você alguém especial e acima dos outros.

– O quê? – A expressão do capitão era rígida.

– Compartilhar um sentimento doentio como vingança, confundi-la com justiça e exemplifica-la para crianças é bastante cruel não acha?

–... Aonde quer chegar?

– Sempre haverá alguém para olhar o exemplo que os outros deixam para trás e aqueles que mais absorvem tais atos são as crianças.

– Ridículo, não sou de deixar meus sobrinhos absorverem uma realidade que não faz parte do mundo deles e nunca...

– Não seja tolo... Seus sobrinhos não são inocentes e muito menos passíveis de absolvição.

– O q...

Kunrei olha para Hisana e se vira olhando com expressão fria, ele começa a levantar o dedo indicador na direção da jovem, Byakuya olha assustado e corre a toda velocidade em sua direção.

– KUNREI!

– Ransu Ketsu (Lança de Sangue).

A jovem Hisana que já estava paralisada pela pressão espiritual de Kunrei não consegue sequer reagir quando enxerga a lança rubra e ardente de reiatsu vindo em sua direção, ela só tem como última reação o espanto de ter o peito transpassado pelo reiatsu densa do golpe do nobre Kuchiki, ela ainda ouve seu tio gritando e correndo, mas ao ver o que lhe acontecera ele pára e fica sem reação.

Hisana cai no chão sem entender direito o que tinha acontecido, mas ela sabia que doía bastante, então a última coisa que vê é o céu azul começando a nublar sua visão.

– Nããããão!!!

Kunrei volta sua atenção ao seu sobrinho que não conseguia mais falar e provavelmente nem respirar pelo choque recebido.

– Consegue entender agora Byakuya? Não é o que você deseja que faz a diferença ou muda este mundo, para algo grandioso acontecer basta ter poder.

A expressão de Byakuya tremia e Kunrei ri com cinismo.

– Sabe o que é mais irônico nisso tudo? – Kunrei olha para o corpo da jovem inerte. – É que está é a segunda Hisana que você não consegue salvar.

Era gota d’agua, mas também o que Kunrei esperava.

Byakuya grita ensandecido na direção do revolucionário sem pensar no que fazia e pelo caminho invoca duas novas lâminas jogando contra ele, os ataques se repetem enquanto Kunrei desvia, mas em um ato inesperado Byakuya faz com que as grandes lâminas cerquem Kunrei dentro de uma jaula afiada que ele faz explodir.

A poeira baixa e o revolucionário surge desta vez bastante ferido e surpreso se não, feliz, pelo resultado.

– Agora sim... Parece que conseguiremos conversar de igual para igual.

Byakuya havia caído em um abismo de emoções e perdido a razão, aquele seria o último embate entre os nobres onde somente uma única verdade absoluta sobreviveria ao final...

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Continua...

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Notas finais
Voltei =X... Não adianta fazer macumba pra me castigar que de mandinga minha vida já tá cheia kkkkk. Desculpa moçada pelo big atraso, mas acabou minha vida normal e agora é só trabalho e dar trabalho >_>.