Retribution: Vingança em Família
2 A Decisão Ferrenha de Byakuya!
Notas iniciais
QFVDC — Crônicas — Head in the Clouds
No quartel do décimo primeiro esquadrão não havia muito movimento naquela tarde e isso era motivo de tédio para Zaraki Kenpachi que bocejava deitado no tatame enquanto tomava saquê e olhava para os céus tranquilos de Seireitei, até que ao longe ele sente uma reiatsu que o anima instantaneamente.
– Finalmente um pouco de diversão nessa tarde de merda! — Ele grita com sua voz rouca e aguçada.
– Ken-chan essa reiatsu é dá...! – A jovem tenente de Zaraki vem correndo de dentro do quartel, ela não era mais uma criancinha, seus cabelos haviam crescido e sua aparência era de uma adolescente cheia de energia, se bem que está parte não havia mudado em nada.
– Sim! Sim! Minha melhor diversão acabou de chegar! — Zaraki já estava de pé pronto para recepcionar sua visita com espada em mãos.
Hisana vinha pulando pelos tetos das casas usando shunpo, ela tinha o péssimo hábito de não usar portas quando visitava seus amigos, culpa de Ichigo e Rukia que não tinham ensinado a menina o significado de maçaneta.
Ela pula no pátio gramado do esquadrão e ao longe avista os dois e principalmente sua amiga, então com um sorriso ela vem caminhando até o seu encontro.
– Yo! Yachiru Ch... UoooaaaaHHh!!
Hisana vê uma besta ensandecida de cabelos espetinhos de churrasco e guizos nas pontas pulando em cima dela com uma lâmina serrilhada.
– Yaaaaahhhh! – Zaraki gritava e babava como um cão que não havia comido há dias e acabara de avistar um rosbife. Ele desfere um golpe vertical com toda sua força na direção da pobre adolescente que só tem tempo de reagir jogando-se para o lado e rolando desesperadamente para tentar fugir do impacto do golpe.
– Ai, mamãe! – Hisana berra desesperada quase não se esquivando do golpe repentino.
O golpe de Zaraki faz uma trilha de destruição por onde passa, quebra o muro do esquadrão e continua a correr muito além, levando tudo pelo caminho.
Dois shinigamis que patrulhavam naquele instante não tiveram um momento muito feliz.
– Ei, gordo, tá vendo aquele lance ali oh! – Diz um shinigami mais magro ao parceiro de patrulha, enquanto apontava na direção de uma poeira estranha que vinha em suas direções.
– Uhm... – O mais gordo franze o cenho para ver melhor. – Sei não magro parece uma...
O golpe de Zaraki se aproximava.
– Será um pássaro? – Pergunta o gordo.
– Pássaros voam seu idiota, se fosse um pássaro o viríamos no céu. –Responde o mais magro para o parceiro.
– Será um avião? – Sugere o gordo novamente roçando o queixo e ainda franzindo o cenho.
– O quê é um avião? – Pergunta o magro.
– Sei lá.
O golpe de Zaraki se aproxima ainda mais.
– Peraí, se isso não é nada do que imaginamos... – O mais magro se volta para o amigo
– Então só pode ser...! – O gordo suava desesperado diante de seu raciocínio.
Os dois ficam apavorados, mas já era tarde demais.
O golpe de Zaraki sai levando os dois como uma manada de pessoas entrando em um trem lotado.
– UUuUuuAAAAAhHh Capitããããããoooooo!
Uma densa poeira se levanta por todo o lugar por onde o golpe havia passado e dela Hisana sai tossindo.
– Cof! Cof! Cof! Mas que diabos foi isso!?
– Hisana! Lute comigo! – Zaraki desafiava a menina que lacrimejava por causa dos detritos que havia entrando em seus olhos.
– Mas eu! Mas eu!... – Hisana colocava as mãos na frente balançando-as desesperadamente em gesto negativo diante do louco capitão que desejava arrancar-lhe algum membro.
– Yaaaaahhh!!!! – Zaraki pula em cima da menina novamente cheio de vontade com a espada pronta para cortar qualquer coisa pelo caminho.
– Mas eu só queria conversar com a Yachiruuuuuuuuuu!!! – Gritava Hisana desesperada fugindo pelo buraco feito no muro enquanto o nome de sua amiga ecoava como um mugido no horizonte.
– Ai, ai... Eles saíram para brincar e de novo nem me chamaram... – Yachiru saltava graciosamente do tatame na grama e de lá usa um shunpo enquanto dava risadinhas divertidas. – Espera por mim Ken-chan, Hisa-chan!
Yumichika e Ikkaku saem neste instante desconfiados e ao confirmarem a ausência do capitão suspiram.
– Ainda bem que Hisa-chan veio aqui né Ikkaku?
– É... Porque do jeito que o capitão estava entediando era bem capaz de descontar o tédio dele de novo na gente.
–... Acha justo a gente deixar a pobrezinha da Hisa-chan sozinha com eles dois?
– Ela aguenta afinal ela é filha do Ichigo.
– É... – Yumichika olha na direção da reiatsu dos três que corriam pela Seireitei. – É tem razão Ikkaku.
– Vamos entrar e tomar saquê.
– Boa idéia Ikkaku!
_______________________________________________
Rukia e Ichigo guardavam suas coisas no quarto da mansão que sempre costumavam ficar ao visitarem Byakuya.
O ruivo pressente algo e direciona o olhar para o lado.
– Eu avisei para aquela menina ter cuidado com o Zaraki! – Olhava Ichigo com voz desgostosa na direção da reiatsu de sua filha.
– Deixa ela Ichigo, aquela menina nunca se machucou seriamente lutando com o Zaraki, e você acha que ela iria para o esquadrão se ela não soubesse ou gostasse dessas coisas? – Rukia guardava algumas roupas nas gavetas, afinal eles passariam um longo feriado na mansão.
– Eu sei, mas eu quero a minha filha de volta com os braços e pernas no lugar e de preferência com a cabeça ainda no pescoço.
Rukia ri.
– E depois sou eu que me preocupo demais com as crianças heim? – Rukia só olhava seu marido com a ponta dos olhos sorrindo para ele.
– Claro que eu me preocupo, aliás, você não se preocupa não? – Ichigo perguntava de braços cruzados.
– Eu já deixei de me preocupar faz tempo, na verdade, desde o dia em que li na revista que preocupação dá rugas.
– Hã? – Ichigo levanta uma sobrancelha.
– E também dizia que envelhece a gente antes do tempo. – Rukia se vira para ele e pega uma calça ao lado, então volta para guarda na gaveta.
– Rukia... Que tipos de revistas você anda lendo...? – Ele pergunta.
– Ichigo, ao invés de se preocupar com essas coisas me passa essas cuecas ai do teu lado, eu tenho mais o que fazer! – Resmunga Rukia.
– Ei! Deixe minhas cuecas fora dessa discussão! – Diz ele brincando com elas nas mãos e balançando acima da cabeça de Rukia que mesmo pulando não alcançava.
– Kurosaki Ichigo! – Ela lhe dá o ultimato pondo as mãos na cintura e batendo o pé no chão de modo impaciente.
– Sim senhora... – Ichigo passa as cuecas suando frio.
Rukia continuava a guardar as roupas.
– Ei Rukia?
– Uhm?
– Seu irmão está demorando você não acha?
Ela verifica as horas em um relógio na parede, realmente havia se passando algum tempo e já estava quase na hora do jantar.
– Tem razão, que estranho, meu Nii-sama não costumava demorar tanto assim, será que aconteceu alguma coisa? – Diz ela olhando para Ichigo.
– Quer que eu vá lá ver?
– Uhm... Melhor não, talvez ele esteja fazendo alguma coisa importante, além do mais ele nunca se atrasa para o jantar.
– Talvez, mas que foi estranho ele nem ter aparecido para nos recepcionar hoje isso foi, principalmente por que ele adora as crianças.
– É verdade. – Ela comenta pensativa e preocupada.
– Rukia?
– O quê?
– Cuidado com as rugas. – Ichigo diz brincando.
– Oras seu!...
Rukia pega uma calça jeans e bate em Ichigo, eles apenas riam e corriam pelo quarto.
_______________________________________________
Byakuya sentava na varanda do jardim naquele momento ainda tentando refletir sobre o acontecido, mas sabia que não poderia ficar muito mais tempo por ali, sua família sempre vinha passar um feriado humano específico que coincidentemente era na mesma semana da data em que sua esposa havia falecido, eles já haviam chegado à mansão há algum tempo e já estava quase na hora do jantar e Byakuya sendo o anfitrião jamais se atrasava.
– O que será que eu devo fazer? Será que eu devo contar isso à Rukia? Como ela reagirá? Existem muito mais coisas por trás disso, eu tenho certeza e também sei que muitas respostas podem estar “vivas” dentro do clã.
Byakuya leva a mão ao queixo e olha para a ameixeira, um botão havia acabado de desabrochar e inevitavelmente outra lembrança lhe vem à tona.
_______________________________________________
– Byakuya-sama, Byakuya-sama.
– Hisana, você não deveria estar aqui! Você está doente.
Hisana e Byakuya se encontravam no jardim da mansão, ele era florido e cheio de vida, mas naquele momento Hisana queria mostrar ao seu marido uma coisa diferente do que existia no jardim.
– Byakuya-sama olhe! Hisana tinha as mãos fechadas em forma de concha, ao abri-las um pequeno botão de ameixeira jazia na palma da mão.
– Isso é um botão de ameixeira? — Ele pergunta pegando o pequeno botão da mão da esposa.
Ela sorri.
– Sim e adivinha?
Byakuya olha para ela.
– Eu encontrei aqui no jardim perto de nosso quarto.
– É mesmo? Você sempre adorou essas...
Antes que Byakuya terminasse de falar, Hisana pega sua mão e começa a guiá-lo pelo jardim.
– Venha Byakuya-sama é por aqui! — Hisana sorria para ele e apressava os passos chegando a quase arrastar Byakuya pelo caminho.
Eles chegam ao dito lugar e uma pequena e jovem árvore da altura de Hisana começava a criar botões que logo floresceriam.
– É a primeira vez que vejo uma ameixeira aqui na mansão que floresça tão precocemente.
– Foi por isso que eu o chamei Byakuya-sama, ela é linda não é verdade?
– Eu não diria linda, diria... Peculiar.
Hisana levanta a sobrancelha.
Byakuya continua.
– Uma ameixeira floresce quando já é adulta e grande, mas esta é totalmente diferente. Uma característica peculiar nesta espécie. – Ele se vira para Hisana e pega suas delicadas mãos. – Porém quando sua primeira flor surge todas as outras não tardam a mostrar seu esplendor, assim como você Hisana. –Byakuya coloca o pequeno botão de ameixeira em suas mãos.
– Como eu Byakuya-sama?
– Sim, você era apenas um pequeno botão de ameixeira, porém quando floresceu tornou-se impossível para alguém como eu não notar sua presença. –Byakuya falava e Hisana corava ao mesmo tempo que não sabia se olhava para seu marido ou para o pequeno botão que se tornara metáfora sobre sua vida.
– Eu te amo Hisana. – Byakuya levanta o rosto de sua esposa e beija primeiro o seu fronte e em seguida seu rosto.
Hisana com as maçãs do rosto coradas toca no rosto de Byakuya e vagarosamente aproxima seus lábios ao dele.
Eles se beijam no jardim e o pequeno botão de ameixeira na mão de Hisana cai conforme o beijo se torna mais apaixonado, enquanto isso, ao lado dos dois, daquela pequena ameixeira, a primeira flor se preparava para abrir.
_______________________________________________
Byakuya volta a si.
– Eu devo isso a ela, não posso deixar que aqueles curtos anos ao seu lado tenham este fim.
Byakuya se levanta e olha para a árvore.
– Por você, para sempre o meu primeiro e único amor.
Byakuya vai de encontro aos outros em posse do diário de Hisana e Fukamatsu, ele estava decidido a compartilhar de suas descobertas e mais do que isso, ele iria descobrir os responsáveis por isso, estivessem eles vivos ou não.
_______________________________________________
Os irmãozinhos brincavam no jardim da mansão quando ouvem a voz de Rukia.
– Kai-kun, Maki-chan! Venham tomar banho para o jantar!
– Já estamos indo mamãe! – Os dois respondem em uníssono, eles levantam tirando o excesso de sujeira do chão que estava impregnado em suas roupas e saem correndo em direção a sua mãe.
– Tomem banho, troquem de roupa e esperem como crianças boazinhas pelo chamado para o jantar.
– Sim! – Os gêmeos fazem posição de sentido e saem correndo outra vez em direção ao banheiro tirando gracinhas um com o outro pelo caminho.
– Ai, ai... Esses dois... Aliás... Falta o número três, cadê essa Hisana? Ela vai acabar se atrasando para o jantar. – Rukia cruza os braços impaciente.
_______________________________________________
Hisana estava vestindo trapos quando adentrava a mansão pulando os muros, além disso, ela vinha mancando de um pé e se apoiava com um galho grosso de alguma árvore que ela tinha achado pelo caminho.
– Jovem mestra! – Alguns criados vinham correndo socorrer Hisana quando a veem entrando naquele estado.
Ela faz um sinal para não se preocuparem.
– Eu estou bem, depois de um banho quente e um prato de comida vou estar novinha em folha.
– Mas jovem mestra...! – Exclamavam os criados preocupados.
– Digam ao meu pai e minha mãe que eu já estou indo me trocar para o jantar.
– Não precisa, pois eu sei que é exatamente isso que você está indo fazer.
Era Ichigo com cara de poucos amigos.
Os servos da mansão se retiram.
– Papai olha... Eu só ia... – Hisana tenta formular uma desculpa coçando o queixo de maneira pensativa.
– Você venceu pelo menos? – Pergunta Ichigo.
– Ãhm? – Hisana olha sem entender a pergunta.
– Você venceu o Kenpachi pelo menos? – Pergunta Ichigo outra vez.
– Oh! Sim claro, foi fácil como sempre. – Ela ri sem graça.
– Estou vendo. – Ri Ichigo em deboche olhando-a dos pés à cabeça naquele estado.
– Olha, mas esse estado aqui é por que eu vacilei quando ele...
– Eu sei. – Ichigo se aproxima da filha mais velha. – Vamos entrar, uma moça bonita como você não pode ficar assim toda suja e vestindo remendos de mendigo. – Ichigo dá tapinhas nas costas de sua filha.
– UAAAAAAAAAHHHH!!! Hisana berra de dor e pega o galho pronto para bater no pai.
Ichigo não aguenta e ri.
– Caramba pai! Minhas costas estão ardendo demais, não faz isso não, por favor! – Hisana fazia careta.
– Tadinha... – Ichigo pega a filha nas costas e começa a andar, porém Hisana não via a cara do pai prestes a explodir na gargalhada. – A propósito, é melhor você fingir que está tudo bem quando for jantar, por que se a sua mãe perceber você nesse estado já sabe né?
– Até parece que eu não sei pai... –
Hisana suava fazendo uma cara de medo sombria. – Mas ai qualquer coisa eu digo que foi sua culpa e eu fico na boa. – Ela ri.
Ichigo faz menção de soltar a filha e ela se agarra feito um macaco com medo de cair do galho.
– Nem se atreva! – Ele diz com voz divertida e balançando ela nas costas.
– Ei eu estava brincando pai! Credo o senhor nem sabe brincar!
Ichigo ri e Hisana geme.
_______________________________________________
Zaraki estava deitado na grama de um extenso campo bem longe da cidade, seu estado era péssimo e ele estava não muito diferente de Hisana, porém tinha um largo sorriso estampado na face enquanto falava.
– Ah! Fazia tempo que não me divertia tanto assim... Ela fica cada dia mais forte e fez meu dia ficar mais divertido... – Zaraki fecha os olhos. – Amanhã eu consigo cortar ela. – Ele desmaia.
– Eu sei Ken-chan. – Yachiru sorria enquanto apoiava a cabeça de Kenpachi em seu colo fazendo carinho em sua cabeça, ela sempre se divertia e se alegrava quando Zaraki também se sentia feliz.
_______________________________________________
QFVDC — Crônicas — Life Without Remnants
Na sala de jantar Rukia e Ichigo já haviam sido chamados, ambos vestiam quimonos, coisa rara, mas que eles faziam questão de usar quando não estavam na terra, aliás, ambos ficavam muito elegantes de quimono.
Kaien e Masaki entram na sala de jantar, eles também vestiam quimonos coloridos, ela um cheio de cores e flores, ele um de listras verticais e cores mais escuras.
– Meus filhos vocês viram a irmã de vocês? – Rukia pergunta.
– Ela estava trocando de roupa e disse que já estava vindo. – Responde a menina.
– Entendo, espero que ela não se atrase.
Hisana ficava muito bonita de quimono, assim como sua família, essa era uma das raras ocasiões em que ela se vestia daquele jeito, então ela caprichava na roupa. Depois que termina de fazer a maquiagem ela sai do quarto indo em direção à sala de jantar, no caminho acaba avistando Byakuya.
– Boa noite tio, como o senhor está?
Byakuya estava distraído, mas se volta para Hisana, ele esboça um sorriso bem fraco.
– Estou bem. – Ele responde ficando em silêncio logo em seguida.
Hisana percebe de imediato que havia alguma coisa de errado com o seu tio.
– Tio, o senhor realmente está se sentindo bem? – Pergunta ela com um tom mais preocupado desta vez.
Byakuya pára de andar e Hisana também, ele a olha de uma maneira diferente que Hisana não sabia bem como descrever, era uma mistura de tristeza e impotência que ela nunca tinha visto antes, seu tio parecia cansado, na verdade, ele parecia doente.
– Hisana, ouça depois do jantar leve os seus irmãos para o quarto e faça-os dormir, em seguida se dirija para a sala de visitas da família, lá eu estarei com seus pais aguardando você.
– Por quê? Aconteceu alguma coisa?
– Apenas faça o que eu estou mandando. – Byakuya toca no ombro da sobrinha. – É importante.
– Tudo bem, mas agora o senhor acabou me deixando mais preocupada, é melhor o senhor ajeitar essa cara senão a mamãe vai ser a primeira a desconfiar e não vai deixar a gente jantar em paz e o senhor sabe muito bem como ela é. –Adverte a sobrinha.
– Tem razão. — Byakuya se recompõe após ouvir as palavras da jovem.
– Agora sim, o senhor parece um pouco mais com o senhor mesmo.
Byakuya e Hisana começam a andar novamente.
– Hisana?
– Senhor?
– Você está muito bonita. – Ele comenta olhando para ela com um sorriso.
Ela rebate também sorrindo.
– Obrigada, mas isso é de família tio.
– Menos pela parte de pai. – Ele acrescenta.
Hisana ri e seu tio apenas sorri.
_______________________________________________
– Atchim!
– Credo Ichigo seu mal-educado! – Rukia repreende o marido.
– Que feio papai. – Os gêmeos olhavam para Ichigo fazendo cara de nojo.
Os servos fingiam que nada viam.
– Desculpa, mas me deu vontade de espirrar de repente, foi sem querer. –Ichigo fica sem graça.
Hisana e Byakuya adentram o recinto, os servos abrem espaço após uma reverência.
– Nii-sama, que bom vê-lo finalmente. – Rukia se levanta e abraça o irmão.
– Perdão por não ter recepcionado vocês mais cedo, infelizmente eu estava resolvendo alguns problemas do qual não poderia me ausentar.
– Problemas? – Ichigo pergunta.
– Explicarei mais tarde. – Dizia Byakuya olhando para Hisana.
Ela apenas assente com a cabeça.
– Então, podemos comer? — Byakuya faz um gesto para Hisana e Rukia sentarem.
Elas sentam e ele logo em seguida ordena que os servos sirvam o jantar.
Tudo transcorre bem durante a refeição, ao contrário do que acontecia na casa de Ichigo, o jantar na mansão Kuchiki era bastante civilizado, Byakuya pergunta várias coisas sobre como ia a vida de todos na terra, mas no geral a família evitava tocar no assunto que dizia respeito ao falecimento de sua esposa, o mais impressionante, no entanto era como Ichigo jantava sem implicar com Byakuya, talvez pelo pedido que Rukia havia feito anteriormente, ou talvez por ser, junto de Hisana, o único que havia notado algo de estranho no cunhado.
O jantar termina e eles continuam a conversar mais um pouco, até que as crianças finalmente começam a coçar os olhos com sono.
– Hisana, leve seus irmão para dormir. – Byakuya pede.
– Oh, tudo bem. – Ela levanta e chama os dois. – Vamos vocês tem que escovar os dentes antes de dormir.
Os pequenos beijam o tio e seus pais e saem de mãos dadas com Hisana.
Byakuya olha para seus servos.
– Estaremos no salão particular da família, não deixem ninguém entrar exceto Hisana entenderam?
Os servos assentem com a cabeça e se retiram.
– Nii-sama? – Olha Rukia para ele sem entender.
– Me acompanhem. – Byakuya se levanta e sai primeiro do recinto, sendo logo acompanhado por Ichigo e Rukia.
Hisana ia com seus irmãos em direção ao banheiro para eles poderem escovar os dentes, quando Masaki chama sua atenção.
– Mana?
– Uhm?
– O tio estava esquisito né?
– Você acha? – Respondia Hisana sendo esquiva evitando que seus irmãos se preocupassem.
– É verdade maninha. – Kaien se intromete na conversa. – O papai e ele nem brincaram no jantar, tudo estava tão estranho, só a mamãe não percebeu.
– Vocês estão imaginando coisas o tio sempre foi daquele jeito, vocês estranharam por que nunca viram ele assim, mas a verdade é que antes de vocês nascerem, me lembro do tio ser muito parecido com aquilo que vocês viram.
Hisana era bem mais velha que os irmãozinhos e por isso dava ênfase ao passado, mas tudo não passava de mentiras para enganar os irmãos e fazê-los dormir logo, pois ela tinha sido convocada por seu tio e precisava estar lá o mais rápido possível independente do motivo.
– Uhm... Você deve ter razão, a mamãe disse que ele mudou bastante logo que a gente nasceu né? – Masaki perguntava para a irmã mais velha.
– Mudou bastante.
– Uáááá! – Kaien mal se aguentava em pé de tanto sono.
Hisana supervisiona a escovação dos irmãos e põe seus pijamas para dormir.
Eles nem precisam contar carneirinhos, pois ao sentirem o conforto do travesseiro automaticamente entram na terra dos sonhos.
Hisana ainda espera um pouco para certificar-se de que eles realmente dormiam e em fim se retira do quarto indo de encontro aos pais.
_______________________________________________
Ichigo e Rukia estavam em silêncio na sala, Byakuya dissera para esperar Hisana e assim iniciar a reunião, aliás, só agora Rukia sabia que aquilo era uma reunião, mas já estava se sentindo incomodada com o ambiente.
Ichigo estava de braços cruzados ao lado de Rukia e nada dizia, apenas olhava para alguns móveis na sala tentando se distrair, enquanto isso, Byakuya apenas sentava de olhos fechados e braços cruzados, ele rastreava a reiatsu de Hisana aguardando-a.
– Nii-sama...
A porta se abre, Hisana entra.
– Os gêmeos já estão dormindo, então tio. – Hisana olha para Byakuya. – Será que o senhor poderia nos contar do que se trata essa reunião?
Byakuya faz sinal para ela sentar, o clima não era dos melhores, Hisana e seus pais olham para ele.
– Por muitas décadas. – Byakuya pega dois diários de dentro de seu quimono e põe sobre a mesa – Eu vivi a minha vida tentando entender se todos os meus esforços para tentar fazer alguém feliz eram tão medíocres a ponto de não conseguir trazer o sorriso perfeito da mulher que eu mais amei. – Ele olha para Ichigo, Hisana e em seguida para Rukia. – Quando eu conheci a sua irmã eu era jovem, tinha um temperamento explosivo e não media a consequência de absolutamente nada do que eu fazia, sua irmã me moldou e me fez um homem diferente de tudo o que jamais imaginei que seria e na companhia dela tornei-me capitão e chefe desta família. – Byakuya olha para Rukia com olhar triste, ela fica sem entender, ele fecha os olhos, suspira e levanta, caminha até um pequeno móvel e fica de costas para os três.
– Nii-sama, o que aconteceu, eu não entendo aonde quer chegar... – Rukia nunca tinha visto seu irmão daquele jeito, ela já estava ficando nervosa.
Hisana e Ichigo se entreolham sem entender.
– Minha família, nunca viu minha união com Hisana com bons olhos, para eles, misturar o sangue da mais nobre e antiga família da Soul Society com uma plebeia traria desgraça ao nosso clã, porém, hoje eu descobri que não foi nossa união que poderia ter trazido ruína a nossa família, descobri que existem coisas além de minhas forças que mexem no núcleo desta casa e pesam as consequências como uma balança.
– Byakuya, o que está acontecendo, não está vendo que Rukia está preocupada com você? Ela está assim desde que chegamos e você sequer veio cumprimentá-la, o que diabos está acontecendo? Aonde quer chegar afinal? Diga logo de uma vez. – Ichigo estava impaciente.
Byakuya se vira para sua família e revela:
– Kuchiki Hisana, minha esposa, irmã de Rukia, foi assassinada por membros do meu clã e ela estava grávida naquela época.
Os três entram em choque, suas expressões completamente alteradas pela revelação.
– Assassinada? – Ichigo pergunta com a expressão de surpresa inalterada.
– Grávida? Nii-sama por que nunca me contou isso antes? – Rukia também tinha a mesma expressão do marido.
– Por que eu não sabia desse fato, para mim, Hisana tinha morrido acometida por uma doença que gradativamente havia alterado seu estado, levando-a a morte, porém... – Byakuya muda de expressão suas feições mais severas. – Não foi doença, não era uma patologia desconhecida pelos médicos, não era remédio o que lhe davam como tratamento! – Ele estava visivelmente alterado, inconformado e revoltado com o que falara.
Lágrimas silenciosas descem do rosto de Rukia e seu irmão.
Ichigo nunca em toda sua vida tinha visto cena igual, Byakuya, o homem sem expressão que nunca demonstrava sentimento algum por qualquer semelhante, estava derramando lágrimas diante de seus olhos, mesmo que tivesse mudado muito com o passar dos anos, era uma situação tão surreal que Ichigo simplesmente abaixa sua cabeça sem saber o que dizer.
Hisana, sua filha estava sem palavras, ela sempre soube que seu nome era em homenagem a uma tia que morreu há muito tempo, sua mãe não havia lhe contado muitas coisas sobre ela, até porque nem mesmo ela chegou a conhecê-la, porém, seu tio sempre lhe contava a respeito da mulher de expressão serena e dócil que havia mudado a sua vida e que a mesma estava tão arrependida de em meio à pobreza ter abandonado sua irmã que esse sentimento a fez adoecer levando-a à morte. Mas era mentira, era exatamente isso que seu tio estava dizendo agora, que na verdade era tudo mentira, ela foi assassinada, estava grávida de seu primo e pior, sua família foi a responsável por tudo isso.
– Desgraçados! Eu vou matar todos eles! – Ela grita sem querer, seu instinto falando mais alto, desperto principalmente ao ver as lágrimas de sua mãe e tio.
Byakuya e Rukia se assustam um pouco, suas lágrimas secam, a jovem estava com olhos explosivos.
– Hisana, silêncio! – A voz autoritária de Ichigo faz Hisana olhá-lo, mas ela ainda não tinha mudado de expressão.
– Mas pai, esses desgraçados mataram a...!
– Isso não lhe diz respeito menina, comporte-se e diminua essa reiatsu!
Hisana nem havia percebido que estava com sua reiatsu queimando, mas ela continua.
– Não nos diz respeito? Não nos diz respeito!!? Se isso fosse verdade o tio jamais teria contado isso para nós! Ele não gasta palavras à toa com a gente papai! Será que o senhor não se toca que aconteceu com eles a mesma coisa que com o senhor e a mamãe, só que de forma muito mais cruel?
– Silêncio Hisana! Respeite as lágrimas de sua mãe e de seu tio! – A voz de Ichigo oprime a reiatsu de Hisana e ela finalmente se acalma seu pai nunca a agredia, nem precisava, sua densa reiatsu era o suficiente para fazê-la entender que ela já estava passando dos limites.
– Tsc! – Ela senta novamente, de cabeça baixa e um pouco frustrada.
Ichigo olha para Rukia e seu irmão.
– Ouça Byakuya, eu nunca conheci a sua mulher, nem do que ela foi capaz de fazer para mudar a sua vida, por isso, seria hipocrisia da minha parte dizer que fiquei revoltado com sua história, ou que ela me abalou a ponto de querer destruir todos como a minha filha está querendo. – Byakuya olha atento para Ichigo e ele continua. – Porém, mesmo que eu não entenda o que está sentindo, existe uma coisa que eu entendo muito bem. – Ichigo olha mais seriamente para ele desta vez. – Que você sempre lutou pelo que achou certo, que ficou na nossa frente para defender o meu casamento com Rukia e não mediu esforços para isso, poderia dizer outras coisas que você fez por nós, e mesmo sem nunca dizer, eu sei que você fez, então é por isso e por muitas outras coisas que eu posso afirmar que, você pode contar comigo para o que você precisar, independente de eu ter que usar a espada outra vez, eu não me importo, se você acha que alguém deve pagar pelo que fez então eu também concordo com você, basta dizer quem.
Byakuya olha para Ichigo e percebe que ele estava decidido quanto ao que tinha acabado de dizer, ele sorri e diz:
– Se é assim, que seja.
– Ichigo... – Rukia sorri para ele que responde com um sorriso sem graça.
– Ei, ei, ei! E eu aqui oh!? – Hisana levanta os braços. – Essa Hisana aqui tá vivinha e doida pra arrebentar a cara de alguém, e ai? Quem se habilita para contratar os meus serviços?
– Hisana... – Ichigo olha para ela com a ponta dos olhos. – Isso não é um de seus programas de artes marciais...
– Foi mal... – Ela ri sem graça.
QFVDC — Memórias — Fight to the Death
Byakuya sorri.
– Então assim será, vejo que concordaram que algo deve ser feito, isso foi um crime que passaria impune se eu não tivesse lido o diário da antiga governanta responsável por cuidar de minha esposa naquela época, porém ainda preciso pesquisar mais a fundo em busca destes responsáveis, mas uma coisa é certa, independente de quem sejam eles pagarão caro pelo que ousaram fazer comigo, essa é a vingança para aqueles que tiraram a minha felicidade naquele dia.
– Eu tô dentro. – Hisana fala automaticamente levantando a mão.
– Hisana... Espere seu tio terminar de falar! – Rukia a repreende.
– Que nada mamãe, já é óbvio o que o tio Byakuya quer: Ele quer pessoas em quem possa confiar nessa luta sem envolver outros além daqueles que não estejam diretamente ligadas a nossa família, além do mais, essa luta é do tio, a gente só vai ajudar a achar o responsável, o resto é ele quem vai resolver certo tio? – Hisana olhava para ele com um sorriso maliciosamente jovial.
Byakuya não sabia a quem aquela menina tinha exatamente puxado, embora tivesse o nome de sua falecida esposa, em nada se pareciam, mas uma coisa era certa, Byakuya de certa forma se via naquela jovem cheia de energia.
– Tem razão, esse assunto não deve ser exposto de maneira alguma a outros que não sejam membros de nossa família, este é um problema interno que deve ser resolvido por nós.
– Tem razão Nii-sama, ter o Gotei 13 envolvido não seria muito útil nessa situação, além do mais, Hisana era minha irmã, eu também tenho todo o direito de me envolver nessa luta. – Rukia também estava decidida.
Byakuya concorda.
– Então o que faremos primeiro Byakuya? – Pergunta Ichigo.
Byakuya pensa por um instante e responde.
– Primeiro preciso pesquisar mais a fundo em documentos antigos da família pistas que me levem a diante na investigação, só assim posso garantir a vocês que passo dar.
– Certo, e o que a gente faz nesse meio tempo tio? – Hisana levanta a questão.
– Aproveitem o dia de amanhã para descansar, os gêmeos ficarão mais seguros se não forem envolvidos.
– Me pergunto se você encontrará alguma pista Nii-sama. – Rukia fala insegura.
– Existe uma coisa que aprendi com os anos vivendo nesta família, que nada é o que parece ser e principalmente: Se for necessário ocultar alguma coisa que comprometa o nome desta família, então será feito qualquer coisa para se alcançar este objetivo, não importa qual seja o preço.
Byakuya parecia frio quando falava, mas era a verdade nua e crua que ele tinha aprendido na prática.
Os três ficam em silêncio.
– Está é minha decisão: A partir de agora, terá início a busca por minha vingança, qualquer um que ameace está família é um inimigo a ser eliminado e não medirei esforços para isso, vocês estão preparados?
– Do que você está falando Nii-sama? – Rukia olha para seu irmão, ela já estava de pé ao seu lado.
– Byakuya nós estamos aqui para ajudar esqueceu? – Diz Ichigo se levantando sorrindo e com uma expressão calorosa.
Byakuya olha para ele.
– Exatamente, afinal... – Hisana também se levanta. – É pra isso que serve a família de verdade.
Byakuya sorri, ele sabia que podia contar com muitas poucas pessoas neste mundo, e como Hisana tinha acabado de dizer, aquela era sua família de verdade.
Estava na hora de mexer no passado tenebroso da família Kuchiki e ninguém fazia idéia dos segredos que ainda descobririam ocultos pelas ações sombrias daquela milenar família, tudo estava apenas começando.
_______________________________________________
Continua...
_______________________________________________
Fale com o autor