Retratos da família Inuzuka Aburame.

3 Capítulo 3 - Dívida de Sangue


Notas iniciais
Desafio de Novembro. Tema: Akamaru (Livre Interpretação.) Este capítulo é inspirado na imagem que o ilustra. Ela feita pela talentosíssima Rasqueria, para os íntimos, Tara. Essa é uma das fanarts que a Tara fez que eu mais amo, pois ela desenhou a minha OC, Himeko, nela. E minha princesinha ficou igualzinha como eu a imagino. Então quero agradecer a Tarinha por esse lindo presente. Espero que gostem.

Enquanto Himeko, deitada de bruços no tapete da sala, folheava o livro que segurava nas suas mãos, Kiba narrava a história por trás de cada imagem estampada nele. Assim como as memórias dos seus ancestrais, aquele livro havia passado por gerações até chegar às mãos da menina.

— Uau! — Himeko exclamou. Os seus olhinhos brilhavam em expectativa. A pequena beta não conseguia acreditar que o seu grande e bondoso amigo, Akamaru, poderia ser uma poderosa arma de guerra como dizia o livro do seu tousan. — Os Marus eram grandes guerreiros mesmo, Kiba-tousan?

Antes de responder à filha, Kiba olhou com carinho para a enorme bola de pelo branca, deitada aos pés do sofá. Akamaru estava prestes a completar vinte e cinco, não teria vivido tanto caso fosse um cachorro normal. O seu amigo de quatro patas estava cada dia mais cansado e passava boa parte dos seus dias cochilando num canto ou outro da casa. Em todas as suas memórias, sendo elas boas ou más a contar do momento em que o ninken chegou na sua vida, não tinha uma lembrança onde o cão não estivesse. Akamaru sempre esteve ao seu lado.

— Sim, pequerrucha. Os ancestrais de Akamaru eram grandes guerreiros assim como ele. — O Ômega confirmou.

Envergonhado, Akamaru cobriu o focinho com as patas dianteiras, fazendo Kiba e menina rirem do seu gesto.

Kiba havia notado desde muito cedo que Himeko havia herdado inúmeras das peculiaridades do clã Inuzuka, diferente de Sora, que mesmo sendo um Ômega e ainda não demonstrando sinais da característica simbiose dos Aburames, tinha uma afinidade ímpar com os Kikaichūs de Shino, inclusive, no momento pai e filho estavam brincando no jardim. Algo que o seu marido vinha fazendo com frequência, e o Inuzuka nem desconfiava o porquê…

Só que não.

Kiba riu, pois, sabia bem que o seu marido e o seu sogro, embora não ousassem dizer para não magoá-lo, estavam radiantes com a possibilidade de ter Ômega controlando insetos no clã Aburame, algo que raramente acontecia devido a predominância Alpha entre eles.

Kiba se sentou no chão ao lado da filha e apontou para uma pintura feita à mão presente no livro, nela estava desenhada a bela e imponente imagem de um ninken. O Ômega começou a narrar a história e Akamaru tirou a pata do rosto, além de esticar as orelhas na direção dos dois, afinal, ele também adorava aquela história.

— A amizade entre os Marus e os Inuzukas nasceu há muito tempo. Na época em que o primeiro Maru chegou à Konohagakure. O cão, proveniente da região montanhosa da Vila da Pedra, chegou a Konoha à beira da morte e teve a sua vida salva por um membro do nosso clã, pequerrucha. — O Adulto mostrou a figura de um ancião à criança. Kiba continuou: — Hokamaru, o primeiro cão ninja que chegou à Vila Oculta, jurou fidelidade àquele Inuzuka e toda a sua descendência. Nascia ali, através daquela dívida de sangue, uma conexão incorruptível, uma aliança que atravessaria os séculos e se manteria viva até hoje.

— Nossa! — Himeko estava encantada.

— Aconteceu com o bisavô dele, com o seu avô, com o seu pai… com todos os nascidos machos da linhagem do Akamaru, antes dele.

Ver a felicidade da filhote ao conhecer a história do seu clã e os seus fiéis companheiros caninos, não tinha preço. O fazia recordar de quando foi a sua vez de conhecê-la. Na época, o Ômega não fazia ideia de que a sua mãe, ao apresentar-lhe as memórias dos Inuzukas, estava o preparando para receber com muito respeito e gratidão aquele que, no futuro, viria a ser seu primeiro e melhor amigo.

Kiba jamais esqueceria a primeira vez que viu o seu fiel escudeiro. Embora o danado tenha urinado no seu rosto e lhe causado uma péssima primeira impressão, os dois desenvolveram com o passar do tempo uma amizade única. Um vínculo forte pautado na fidelidade, na confiança e no companheirismo. Com a crescente intimidade, o Inuzuka descobriu os motivos do ninken ter mijado nele ao serem apresentados. O cão estava com raiva e muito medo, pois, além de ter sido retirado do convívio da sua mãe e dos seus irmãos, foi confiado a um estranho que ficaria responsável por dar-lhe um nome. Akamaru temia não receber de Kiba o amor que tinha no seio da sua amada família.

No entanto, o tempo mostrou que nem sempre a primeira impressão é a que fica, e que ambos estavam errados em seus prévios julgamentos. Hoje Kiba seria capaz de dar a vida pelo amigo, e sabia que Akamaru seria capaz de fazer o mesmo por ele caso fosse necessário.

— Os Inuzukas e os Marus ganharam inúmeras batalhas nas quatro guerras ninjas… — Kiba parou e ponderou se deveria ou não continuar falando sobre as guerras com uma menina tão nova. Há quase um século Konoha vivia em paz, mas nas escolas, por precaução, ainda era ensinado técnicas ninjas para os shifters, além disto, os clãs individualmente também estimulavam os pequenos a desenvolver as suas técnicas hereditárias para esse mesmo fim. — Mas isso foi há muito tempo. Hoje vivemos em tempos pacíficos. Né amigão? — Kiba encostou as costas no sofá e fez um carinho na cabeça do seu Ninken.

Akamaru latiu em resposta ao gostoso cafuné. Ele melhor do que ninguém conhecia todas aquelas histórias, contudo agradecia por não ter lutado em nenhuma grande guerra como ocorreu com a sua ascendência. Guerras só causavam dor e destruição por onde passavam.

— E quando eu irei conhecer o meu Ninken, tousan? — Himeko estava ansiosa para que chegasse logo o dia, queria conhecer o mais novo integrante da família Inuzuka Aburame o quanto antes.

O Ômega poderia explodir de tanta felicidade diante daquela pergunta. O Ninken da menina estava sendo preparado por Tsume e por Hana, a sua irmã. No tempo oportuno seria confiado a Himeko. A preparação não era exclusividade do humano que recebia o animal. Era uma via de mão dupla. Tinha que ser feita em paralelo, com delicadeza, do contrário não seria eficaz. Uma vez consumado, o elo entre o Inuzuka e o Maru se tornava indelével, por isso tamanho cuidado.

— No tempo certo princesa. — Kiba estava tão ansioso quanto a garota, mas confiava na sabedoria das duas mulheres, afinal foram elas que lhe apresentaram a Akamaru.

— E quando é que é o tempo certo, tousan? — Himeko estava curiosa.

— Você saberá pequerrucha. Agora está na hora de chamar o seu irmão e o seu touchan para o jantar. — Kiba fugiu do assunto.

Himeko fez beicinho, mas não discutiu. Ela sentou no tapete e após fechar o livro e entregá-lo nas mãos de Kiba, foi até Akamaru e envolveu o enorme cachorro nos seus braços infantis. O Ninken fechou os olhos aproveitando o moroso carinho.

— Te amo Akamaru. — Himeko deixou um beijo demorado na cabeça do ninken.

No coração da menina só havia um desejo. Que o seu companheiro de quatro patas fosse tão especial quanto Akamaru era!

Notas finais
Lembrando que essa história não esta sendo betada. É Isso, espero que tenham gostado.