Resumption
4 Os segredos que matam.
Notas iniciais
Capitulo 3
Cazã, 2007.
Já era quase 19:00. Ele iria chegar a qualquer momento e Maia mais apreensiva ficava com o passar dos minutos. Tudo tinha que estar perfeito, ele não poderia se irritar, não hoje. Já estava tudo certo. O sonífero já tinha sido colocado no vinho – em pouca dosagem é claro – para que assim que ele bebesse sentisse sono. Ela o colocaria na cama, tiraria suas roupas e as dela também, para que na manhã seguinte quando ele acordasse, a primeira coisa que ele ia pensar é que eles tinham feito amor.
Amor. Isso era a ultima coisa que Marx fazia com ela.
A fechadura se move, a porta abre e ele entra como qualquer marido esperando por sua esposa em casa.
Marx se senta no sofá sala e olha para sua mulher. Ela está com o olhar que ele tanto gosta. Está com medo. Submissão absoluta.
– Venha para mim Maia. – ele a chama.
Ela se move devagar, como uma presa que não faz movimentos bruscos perto do predador. Quando ela fica em frente a Marx, ele a olha e da pequenas batidas em sua coxa direita indicando o que ele quer que ela faça.
Maia imediatamente obedece sentando no colo do marido.
– Estava voltando para casa e vi esse colar na vitrine. – diz ele no ouvido de Maia – me lembrou você querida.
Era um colar de bronze, com uma corrente grossa, o pingente era um losango feito com o mesmo material que a corrente.
– Seu pescoço tão branquinho vai ficar perfeito com ele. – Marx sussurra.
Maia estremece de medo. Alguma coisa está errada. A rotina da noite não está sendo seguida. Marx fala tão calmo como um leão fazendo silencio absoluto para que a presa não fuja.
– O que temos pro jantar?
– Fiz Pelmeni* marido, para acompanhar escolhi um bordô safra de 1999.
– Vinho?
– Sim marido.
– Sabe maia – ele alisa o colar. – às vezes acho que você me acha burro.
– O que? Não...
As mãos de Marx seguravam com força o colar, apertando ao Maximo o pescoço de Maia.
– Acha que não percebo você me dopando todas as noites? – ele grita. – Pensa mesmo que eu sou tão estúpido!
– Não – a voz de Maia sai sufocada. O ar lhe falta, vai morrer ali.
– Acorda! – ela ouve. – ACORDA!
Os olhos de Mai se abrem, ela estava chorando. Os olhos molhados lhe comprovam isso.
– Foi só um sonho – ela sussurra.
– Sim, mas você me assustou pra caramba!
Mike.
Maia sentiu falta dele.
– Você conseguiu me achar.
– Obvio que eu consegui. – ele diz – sete anos te protegendo e eu não sei mais o que fazer pra você ouvir o que eu falo.
– Me desculpe. – ela diz. – Eu tive um sonho ruim, precisava sair.
– Agora você pode ter seus sonhos ruins aqui no hospital. Só vai sair daqui quando aquele médico intrometido te liberar.
– Doutor Wilson?- ela pergunta.
– Sim. Tivemos problemas com ele. Está muito curioso em relação a você.
– Sim. – ela confirma. – queria saber meu nome, mas eu não sabia qual vocês tinham dado ao hospital.
– Não se preocupe já nos resolvemos com ele.
– O que vocês fizeram? – pergunta preocupada.
– Nada que irá mata-lo.
Escritório do chefe de cirurgia.
– Como assim fora do caso? Ela é minha paciente!
– Hayden calma! – Barcker diz – Por que toda essa raiva? Nunca se apegou tanto a um paciente.
– Não é questão de apego Barcker! Ela é minha paciente!
– Não é não! Você é um cirurgião de trauma! A senhorita Keller, não está mais em estado crítico.
– Qual é o seu problema comigo Barcker? Faz um bom tempo que você anda empatando minha vida.
– Não estou empatando nada Hayden! Se comporte como um adulto e entenda que a senhorita Keller não é mais sua paciente! – ele exclama. – Já falei que é pra você ir pra casa. Há quanto tempo está no hospital?
– Isso não...Três dias! Três malditos dias sem dormir numa cama normal.
– Me deixe em paz Barcker! Para de tentar tomar conta da minha vida como se eu estivesse sem rumo!
– Mas você está sem rumo! – Barcker suspira. – Não pode continuar assim Hayden. Se continuar assim vou ter que te afastar.
– Você não está falando sério.
– Paga pra ver. – diz sério. – vai pra casa. Se te ver aqui antes da sete da manhã já sabe o que vai te acontecer.
Hayden sai do escritório de Barcker soltando fogo pelas ventas de tanta raiva. Ele sabia quem tinha sido responsável por tudo isso. Aquele “oficial” tinha lhe ameaçado e cumpriu. Mas por quê? O que tinha de tão secreto que eles estavam escondendo?
Hayden decidiu ir tomar um banho antes de ir pra casa. A água quente caia sobre seu corpo e os sinais de três noites sem dormir direito. Os músculos doíam tanto, e seus olhos pesavam. Todo aquele estresse da chegada da possível senhorita Keller o tinha mantido aceso nos últimos dias, mas agora ele percebia o quão cansado ele estava.
Pegando suas coisas ele tomou uma decisão perigosa. Resolveu passar no quarto dela para se despedir.
As batidas na porta assustaram Maia. Estava quase dormindo quando a porta se abriu e ela viu o médico de mais cedo, e puxa como ele parecia cansado.
– Oi. – ela disse.
– Oi, vim te ver antes de ir embora.
– Ah. – disse surpresa. – Não precisava se preocupar você parece muito cansado.
– Vai ser a minha ultima vez aqui então eu precisava vir hoje.
– Como assim?
– Me tiraram do seu caso.
Mike. Pensou Maia.
– Sinto muito.
– Tudo bem, dizem que eu não sou uma boa companhia pra qualquer um agora.
– Bom tirando o fato de ser o médico mais curioso que eu já conheci você é muito simpático.
Hayden sorri e puxa! Que sorriso. Maia tinha esquecido como é admirar isso nos outros.
– Me desculpe, mas a sua historia me deixou intrigado. Na verdade você me deixou intrigado.
Maia se envergonha. Era isso mesmo? Ele estava tentando flertar com ela?
– Bom, dizem que eu causo esse efeito nas pessoas.
Ela não acredita que correspondeu ao flerte. Estava ali, numa cama de hospital, depois de ser atacada por sabe lá quem da Máfia Russa, flertando com o médico que salvou sua vida.
– Eu saio do seu caso clinico, mas se precisar de algo, por favor, me ligue.
Hayden entrega o seu cartão pessoal na mão de Maia e ele estremece com o contato.
– Obrigado doutor.
– Pode me chamar de Hayden.
– Hayden. – ela consente.
Ele já estava na porta para ir embora quando se lembro de uma pergunta que estava na sua boca a mais de horas.
– Mas e você senhorita Keller. Qual o seu nome?
– Ária.
Aquela sensação ruim se apoderou de Maia. Queria dizer seu verdadeiro nome pra ele. Queria falar tudo o que ele perguntasse. Mas não podia. Nunca poderia. Morreria com seus segredos. Simplesmente morreria por conta deles.
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