Resumption

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Oi gente. Aqui está mais um capitulo. Espero que gostem.

Pov – Clarie

─Você é bem-vinda entre nós Clarie, não devia ter ido embora! Fugir? – Carol tinha um braço por meu ombro enquanto me conduzia para a casa que vivíamos no momento. Maggie caminhava do meu outro lado, segurando minha mão.

Talvez porque estivesse com uma péssima aparência, ou porque souberam que de algum modo fui maltratada, não sei a razão, mas as duas demonstravam sua generosidade e isso me enchia o coração de esperança.

─Não estava fugindo. – Aviso olhando para trás. Daryl ficou lá e acabou de brigar, será que está bem? Olho mais uma vez, ele está de pé conversando com Glenn. – Será que Daryl não se machucou?

─Ele só bateu Clarie, agora é você que precisa de cuidados. – Maggie sorri e recebe um sorrido de Carol.

Entramos na casa, recebo alguns olhares e me sinto ridícula. Detesto ser o centro das atenções, queria ser discreta e acabei trazendo todos os olhares para mim.

─O que foi fazer lá fora se não estava indo embora? – Carol me pergunta parando na beira da escada. Baixo a cabeça me sentindo cada segundo mais ridícula.

─Achei que podia provar minha força, que se conseguisse vencer sozinha lá fora Daryl me levaria com ele.

Mais um olhar condescendente entre as duas, mais um olhar perdido meu.

─Isso foi bem tolo, deixou todos preocupados e quase matou o homem de susto. – Maggie comenta e afirmo.

─Desculpem, não esperava causar tanto transtorno.

─Não se desculpe, provou ser forte, sobreviveu umas horas. – Carol diz apertando minha mão. – Agora tome um banho quente, vou levar um chá para se acalmar, e ainda vamos falar sobre Aiden, aquilo sim foi inadmissível, não pode deixar que se repita.

O tom de Carol é bem duro, me faz pensar que de algum modo ela compreende o que passei, mas ela não continua, nos dá as costas seguindo para a cozinha. Maggie e eu subimos as escadas.

─Tome, vista isso. – Maggie remexe armários e me entrega um vestido, olho desanimada, para alguém que quer parecer forte aquele vestido vai me deixar com cara de idiota, isso sim.

─Maggie...

─Não vai sair por ai toda molhada e suja de sangue, use apenas até suas roupas estarem secas. Prometo conseguir mais jeans e camisetas para você.

Pego a roupa, uma toalha e me tranco no banheiro, sentir a agua quente caindo por meu corpo alivia a tensão, não a ponto de esquecer os momentos lá fora, o encontro com Daryl e muito menos a imagem dele trocando socos com Aiden.

Depois do banho me seco, escovo os cabelos, coloco o vestido e encaro o espelho, o braço fica muito á mostra e não queria que aquela porcaria de marca ficasse tão exposta, só vai irritar Daryl e me fazer parecer ainda mais inútil.

Carol e Maggie conversam do lado de fora do quarto.

─O chá está aqui Clarie. – A voz de Carol chega abafada através da porta.

─Já vou. – Encaro mais uma vez o espelho e a marca da mão de Aiden, faço uma careta de raiva. Tento baixar um pouco a manga do vestido. Impossível, suspiro me resignando.

─Daryl. – Escuto a voz de Maggie e meu coração dispara, ele estava lá?

─Só vim saber se está tudo bem.

─Não devia tê-lo deixado vivo. – Carol diz num tom lacônico, toco a maçaneta da porta, em dúvida se devo sair ou definhar até morrer dentro daquele banheiro.

─Não quis ser eu a começar nada. – Daryl se defende. – Vão ficar de olho em... Nas coisas quando eu estiver fora?

─Sim. Não se preocupe com ela. – Maggie responde.

─Certo. Sabem onde ela está? Quero ter certeza que não se feriu, andou lutando com zumbis. – Seu tom é um misto de crítica e preocupação, minha mão ainda na maçaneta e a ideia de definhar cada vez mais agradável.

─Atrás dessa porta, diga para tomar o chá e ficar quieta um pouco. Ainda nem está na hora do almoço e já passamos por um alvoroço. – Carol comenta.

─Vamos Carol, e eu que acha as ruas agitadas. – Maggie comenta e então se faz silencio. Porque ele não pode mudar de ideia e me esquecer atrás dessa porta? Mordo o lábio inferior, ajeito o cabelo e sei que definhar aqui dentro não será possível, melhor não fazê-lo esperar mais. Droga de vestido! Abro a porta.

Ele não me vê a princípio, está de costas olhando pela janela, fico parada procurando qualquer coisa que pudesse chamar sua atenção, como que me pressentindo ele se vira.

Seu olhar percorre meu corpo, é devastador, nem sei se ele se dá conta que faz isso, não sei se por trás daquele olhar tem algum interesse ou se está apenas surpreso por mais uma vez me ver usando um vestido.

Aliso a saia procurando algo para fazer com as mãos, os dois sem muita reação, apenas ali de pé, trocando olhares sem nada dizer.

─Tem certeza que está tudo bem? – Ele quebra o silencio.

─Tenho, não me feri.

─Tome o chá. – Ele me aponta uma xicara sobre um móvel, seu tom imperativo não deixa nenhum espaço para recusa e caminho para a xicara, meus dedos tremem um pouco quando tomo uns goles apenas para não desaponta-lo.

─Desculpe Daryl. – Peço depositando a xicara sobre o móvel mais uma vez. – Por ir lá fora, por criar problemas para você com o Aiden.

─Você criou o problema com o Aiden? Acho que tem uma visão bem destorcida das coisas. Ele criou o problema. Não tem culpa sobre isso.

─Se machucou?

─Não. O cara é um covarde.

Afirmo, quero tentar uma última vez convence-lo, mordo o lábio outra vez, olho para meus pés e depois para ele.

─Posso ir? – Seus olhos passam por mudanças quase divertidas, primeiro irritação, depois preocupação e por fim um traço de humor, junto com ele vem um meio sorriso.

─Isso está se tornando uma obsessão. Eu disse que não.

─Nunca muda de ideia?

─O tempo todo. Mesmo assim minha resposta é definitiva, você não vai.

─O vestido é só até minhas roupas secarem. – Ele franze a testa me mostrando que meu comentário está fora de contexto, o traço de humor retorna a seu rosto. – Pareço frágil com ele, mas... – Mas o que Clarie? É exatamente assim que você é. Frágil. – Eu sei, é assim que me vê, uma tola e frágil garota.

─Sim... Não... Não tola, não acho isso, frágil... Isso eu acho. – Ele é sempre tão confuso quanto eu e nesse momento está muito mais atrapalhado que o normal.

─Eu sei, não tenho jeito, não estou no mundo certo. – Meus olhos baixam, não gosto muito de encara-lo quando a verdade me machuca tanto. –O vestido só...

─Ele não diz nada! – Nos olhamos mais uma vez. – O vestido, ele não diz nada, quer dizer, fica... Eu... Fica bonita.

─Obrigada. – Ele me acha bonita, acho que isso eu já sabia, ele me beija, não pode ser por outro motivo, não sou idiota, sei que os homens gostam da minha aparência, mas bem que eu queria que para ele fosse mais do que isso. – Fico parecendo uma garota.

─Sempre parece uma garota.

─Uma garota frágil.

─Sim. – Ele pisca, respira, passa a mão pelo cabelo, parece se sentir confuso. – Não... Quer dizer, não acho ruim que seja... Frágil como diz.

─Eu não queria ser um problema para você.

─Bom, você não é. Clarie eu vim apenas para dizer que não devia ter ficado tão bravo, foi bem lá fora, entendi porque estava lá.

A frase sai toda de uma vez, mas em seguida vem o silencio, um longo silencio de olhos presos, sempre me sinto perto dele, completamente sem vontade própria, só o que me importa é como ele se sente e quanto tempo tenho para ficar perto dele.

─Entendeu?

─Aiden. Está com medo dele, por isso queria me acompanhar, mas não precisa mais temer isso.

─Sim, mas eu também queria ir porquê... – Já não estamos tão longe um do outro, acho que fui eu que caminhei até ele. Engulo em seco ao me lembrar do quanto é bom quando ele me toma nos braços. – Queria... Quero ir para ficar perto de você.

Daryl fica digerindo minhas palavras, tomando consciência do verdadeiro sentido delas, ainda me olha, depois de um tempo apenas afirma com um movimento de cabeça, parece dizer que tudo bem eu me sentir assim.

Sua mão vem para minha cintura, seus olhos acompanham o movimento, mas então param quando enxergam a marca que Aiden deixou, com a outra mão ele toca o local.

─Devia ter posto um fim naquele idiota. As coisas que aconteceram no Grady, as coisas que algumas pessoas são capazes de fazer... Não deve deixar que se repitam. Eu não vou deixar que se repitam.

Ele me beija, dessa vez as coisas são diferentes, eu sinto, não só as reações físicas de sempre, o desejo pulsando, dessa vez o beijo me domina, mostra sentimentos, os meus e talvez os dele.

Nos afastamos, não muito, ainda estou em seus braços, ele usa a ponta dos dedos para tocar com cuidado meu rosto, fecho os olhos, é tão bom quanto ser beijada, é perfeito que ele não me afasta e finge que não aconteceu como de costume.

─Não vou ficar fora muito tempo. O Rick, ele sabe o que faz, ele cuida de tudo. É só procura-lo.

─Está cuidando de mim. Cuida das pessoas, não consegue viver muito com elas, mas cuida delas.

─Faço o que é preciso fazer, é só isso. – Afirmo, mesmo querendo que ele dissesse qualquer coisa mais especial, no fim não é sobre quem eu sou e sim o que me pareço.

Meus braços que se apoiavam em seus ombros caem ao longo do corpo, acho que não quero ser só isso, desvio meus olhos, talvez seja no fim tudo a mesma coisa. Talvez ele seja como todos os outros, apenas mais sutil.

─Você deve ter mais o que fazer. – Eu digo sem olhar para ele, mesmo com seus braços ainda me envolvendo, acho que só quero que ele vá embora para que eu possa chorar sozinha.

─Vai lá ficar comigo consertando a moto depois? – Ele me pergunta, mas soa como um convite.

─Acho que você não quer mesmo isso.

─Está brava comigo? – Ele me pergunta e aquilo me confunde, olho para ele, parece mesmo preocupado, estou dando a chance que ele precisava para se livrar de mim e ele acha que estou brava com ele?

─Brava?

─Sim. Está brava comigo? Se estiver tem que dizer, eu não sei muito lidar com isso. Com as coisas que não são ditas.

─Mas tem sido assim desde que nos encontramos.

─Está brava comigo ou não? – Aquilo é mesmo muito confuso, sorrio. Como posso ficar brava com ele? Como alguém pode não se render aquele par de olhos azuis cheios de segredos?

─Não Daryl.

─Então vai ficar comigo mais tarde? É meu último dia, devo partir amanhã cedo.

Num impulso eu o abraço, acho que não vou conseguir ficar sem ele, sem saber se está bem e seguro. No começo ele se surpreende um pouco, mas depois corresponde, me envolve, apoio minha cabeça em seu peito, é mais íntimo e próximo que todos os beijos que trocamos.

─Fica! – A voz sai estrangulada pela angustia que a ideia de perde-lo me provoca, não consigo compreender que sentimento é esse que me domina.

─Não quero ir, mas não consigo ficar. Ainda não posso viver como as pessoas vivem por aqui.

─Porque isso tudo é mentira e sabe disso, porque esse mundo que eles fingem viver aqui morreu, eu sei, você sabe.

Daryl se move, com as mãos segura meu rosto, me faz olhar para ele, me beija, um beijo longo, é quase como uma promessa.

─Não consigo ficar hoje, ainda, mas um dia... Aaron disse para tentar, estou tentando.

─Tudo bem. – É o melhor que pode fazer e é o bastante para mim. Vou rezar para que viva, para que volte.

─Vou terminar a moto. Depois...

─Eu vou. – Ele vai pedir de novo para ir ficar com ele e se ele vai mesmo me deixar então quero aproveitar todo tempo que temos.

Ele me beija outra vez e deixa o quarto apressado, me sento na cama olhando para lugar nenhum, revivendo os momentos vividos e tentando entender o que acaba de acontecer.

─Oi. – Me assusto quando escuto a voz de Jessie, ela me olha de braços cruzados, está parada na porta e sorri. – Posso? – Afirmo e então ela entra. Se senta ao meu lado. – Vim saber como está.

─Bem. – Jessie é uma pessoa agradável, sempre preocupada com as pessoas, posso sentir isso desde que chegamos.

─Pode contar comigo para o que precisar Clarie. Imagino que não foi fácil.

Ela desvia os olhos, sei reconhecer a verdade, sei o que é se sentir sozinha e acuada.

─Seu marido? – Minha pergunta a surpreende, ela me encara espantada.

─Não Clarie, entendeu errado, eu...

─Não precisa mentir para mim, Aiden, não foi a primeira vez, na verdade nem foi grande coisa perto de que já me aconteceu.

─Estamos tentando resolver. – Ela admite.

─Isso é mais uma mentira, dentre tantas que se escondem dentro dos muros de Alexandria. Eu sei e você sabe que ele não vai parar, que será cada dia pior.

Seus olhos marejam, ela fica de pé, claramente incomodada com a conversa, anda pelo quarto.

─Acho que devia dar um basta. Não sou boa conselheira eu sei, nem sou corajosa o bastante, mas acho que você é e devia manda-lo embora.

─Manda-lo embora? – Ela sorri de modo amargo. – Para casa ao lado? Estamos presos aqui, seria um escândalo e no fim... Logo ele estaria de volta, isso sim tornaria tudo pior.

─Nunca vai saber se não tentar. Deanna é a líder não? Precisa dizer a ela.

─Deanna sabe. Ela conversou com ele e por um tempo...

─Mas agora tudo voltou a ser como antes. – Aquilo é mesmo triste, as pessoas deviam ter se melhorado com tudo que vivemos, deviam ter se unido para enfrentar o grande inimigo, mas o apocalipse revelou o pior no ser humano. – Rick pode ajudar.

Ela me olha, já vi uma ou duas trocas de olhares, sinto o interesse de um pelo outro, mesmo que eles não queiram lidar com isso.

─Melhor eu ir Clarie, vim oferecer ajuda, mas acho que fica claro que não posso ajudar mesmo ninguém.

Eu fico de pé, seguro sua mão, sou grata, ela veio até mim, tentou.

─Ajudou muito, me fez ver que não estou sozinha, que se preocupa. Obrigada.

Ela me abraça e deixa o quarto, acho que já é mais tarde e decido que posso ir ficar com Daryl como realmente quero. Deixo o quarto, a casa está vazia, todos ocupados em seus trabalhos.

Desço as escadas pensando se conto ou não a Daryl sobre Jessie, se isso seria traição, talvez, mas não dizer é quase como participar.

─Feliz com o que aprontou comigo hoje? – A voz de Aiden me assusta, ele está com o rosto todo machucado, de pé, diante da porta de saída, olho para cozinha pensando numa rota de fuga. – Corra e vai colocar tudo em risco. Não vai sair daqui tão fácil, estou armado agora, é isso que quer? Que um de seus amigos acabe morto no meio de um problema que é nosso?

─Não. – Minha voz quase não sai, cruzo os braços no peito, assustada demais para qualquer outra coisa.

─boa menina. Sabe que tive que ouvir um longo discurso sobre certo e errado, dignidade e muitas tolices, tive que me curvar e fazer promessas e odeio fazer promessas que não vou cumprir.

─Aiden eu... Desculpe. – Só quero acalma-lo, sair dali antes que alguém chegue.

─Ainda vamos ter nossos momentos Clarie, acredite, não hoje, nem aqui, mas vai acontecer. Pode sair daqui e correr para contar para seus amigos selvagens, e começar uma guerra, ou chacina, já que nós temos as armas. A escolha é sua.

─Me deixa ir e prometo não tocar mais nesse assunto. Ninguém vai saber que me procurou.

─Que pressa! – Ele se aproxima, segura firme meu rosto com uma das mãos, a outra está no coldre por baixo da camisa onde esconde uma arma, ergue meu rosto para encara-lo. – Amanhã vou sair para fazer umas coisas lá fora com seus amiguinhos, na volta vamos nos ver.

─Não. – Ele ri.

─Sim. Nem tenho tanto interesse em você mais, confesso que perdeu um pouco a graça depois que minha mãe na tentativa de me fazer sentir pena de você me contou umas coisinhas. Parece que já andaram brincando com você. Ao menos ela desconfia que sim.

Meus olhos se enchem de lágrimas, tremo sem reação, sou mesmo uma idiota incapaz de me defender, sempre vai terminar do mesmo jeito.

─Então ela está certa! – Ele volta a rir, um riso meio demente, assustador. – É, definitivamente não me interesso por mulheres assim, fáceis. Mas depois do que me fez passar não tenho escolha, precisa conhecer seu lugar. Amanhã á noite vai me encontrar nos fundos da minha casa. Vou te levar num lugar especial.

─Não! – Eu o empurro, ele não faz esforço nenhum para me manter perto, se afasta rindo.

─Ah! Você vai, sei que sim porque é covarde e tola, porque não quer começar uma confusão, não quer seus amigos mortos, nem expulsos. Recado dado. Tenha um bom dia.

Aiden deixa a casa apressado, fico imóvel, tremendo sem reação, engulo em seco, me sento na escada, choro convulsivamente.

Como pude dizer a Jessie para lutar? Como pude dizer a ela para tentar se apenas estou aqui, sentada, entregue? Seco o rosto, procuro encontrar algum equilíbrio, Daryl não pode saber, ele não vai ser paciente, não vai conversar.

Aiden está certo, por minha causa o grupo vai acabar na rua mais uma vez, os que restarem se tiver mesmo uma briga. Uma guerra. Lavo o rosto, suportei calada meses e meses no Grady. Vou ao encontro de Daryl, agora mais do que nunca quero ficar o tempo que resta com ele, deixar que parta tranquilo.

Depois que ele partir... Depois que ele partir talvez seja o fim, talvez eu tenha que atravessar mais uma vez os portões de Alexandria, não vou destruir as pessoas que fizeram tanto por mim.

Notas finais
Já disse que amo todo o carinho que me dão aqui? Eu amo. São muito especiais. Adoro os comentarios, recomendações, sem dúvida é a melhor parte de escrever. BEIJOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!