Resumption

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Olá pessoas, sejam bem-vindos a mais uma aventura.
Essa fic tem o principal objetivo de ser romantica, aos que gostam de muita ação e sangue sinto decepciona-los, não é esse meu objetivo.
Espero que se apaixonem por Clarie e Daryl, esse foi um primeiro capitulo que serviu apenas como apresentação.
Deixem comentários, quero muito saber o que estão achando.

Pov – Clarie

Apresso o passo quando a noite cai. Do trabalho em casa são normalmente vinte minutos, mas isso era antes, agora Atlanta ferve por conta dessa história de infecção.

As pessoas estão com medo, o exército começa a se espalhar pelas ruas, sirenes tocam dia e noite. Parece loucura demais para mim, como pode haver um vírus ou qualquer coisa que faça com que os mortos se ergam mais uma vez e que num ataque de fúria ataquem outros humanos?

Meu ônibus se aproxima, faço sinal e subo apressada, as pessoas parecem todas assustadas, com medo umas das outras, me sento nos fundos do ônibus, no último banco e fico assistindo a pressa comum em ir para casa.

Só o que tenho na vida é minha mãe, por ela tenho me esforçado dia e noite. Depois que ela ficou doente as coisas só fazem se complicar e como se não bastasse tudo que passamos acabo de perder o emprego.

Não pretendo contar a ela ainda, vou esperar a cirurgia e sua recuperação, então falamos sobre isso.

Pelo vidro vejo uma mulher correr pela calçada gritando, um homem um tanto trôpego parecia segui-la muito distante, pisco e o ônibus já tinha ganho distancia, um arrepio percorre meu corpo.

Desço uma quadra antes de casa, pessoas caminhavam indo e vindo e me sinto segura, no bairro não haviam tantos policiais como no centro de Atlanta, nem qualquer sinal do exército, era um bairro pobre onde as pessoas eram um tanto ignoradas.

Minha mãe estava na sala, assistia ao noticiário com olhos perplexos e ao me ver se ergue me abraçando.

─Que bom que chegou! – Ela diz com o rosto colado ao meu. – Os noticiários têm me apavorado.

─Acho que isso é só sensacionalismo. Como se sente? – Ela sorri, o rosto um tanto pálido. Os cabelos caíram há meses, mas ela continua com o mesmo rosto suave e corajoso de sempre.

─Estou bem, e você? Como foi no trabalho? Conseguiu as folgas?

─Sim, está tudo certo. – Minto para não preocupa-la. – Amanhã vamos cedo para o Grady, então é melhor a senhora ir para cama. Jantou?

─Sim, comi a sopa que deixou pronta, mas sabe como a quimioterapia me tira o apetite.

─Vou tomar um banho, arrumar suas coisas, comer qualquer coisa e dormir, então vá descansar.

Depois de mais um beijo Susan Farrington vai para cama, ela não se dobra, sua fora e coragem são visíveis, é seu segundo tratamento contra o câncer, o primeiro eu tinha dez anos, foi quando meu pai não aguentou o peso da doença e nos deixou.

As visitas dele foram diminuindo, até que com doze anos ele apenas sumiu, minha mãe voltou a trabalhar, se recuperou e me criou com todo esforço, há seis meses a doença voltou. Esperou quinze anos, até eu ter idade o bastante para cuidar dela, ou ao menos tentar.

Uma imagem na TV me chama a atenção, um homem mordia outro em plena luz do dia, alguém filmava pelo celular, pessoas tentavam conte-lo e outro é mordido, aquilo assusta, parece um filme de terror.

Desligo a TV e vou fazer o que é preciso. O despertador me acorda as seis e trinta, me levanto com o coração um tanto apertado, a cirurgia seria na manhã seguinte, as seções de quimioterapia tinham diminuído o tumor e agora era o momento de operar.

Encontro minha mãe na sala, já vestida e com um lenço verde escuro na cabeça, quando estamos prontas ligo para o taxi e tranco a casa, seguimos para o Grady, no caminho o taxista vai contando as coisas que viu nos últimos dias.

Era tão aterrorizante que só posso acreditar que ele estava exagerando, o homem nos garante que era sua última corrida, estava decidido a partir assim que voltasse para casa.

Descemos diante do hospital e meu coração se aperta, ajudo minha mãe a entrar e nos dirigimos a recepção. Depois de instalar minha mãe em um quarto no quinto andar, desço em busca do médico.

─A cirurgia está marcada para a primeira hora, mas Clarie, eu não sei se podemos fazer muito, talvez ela não resista.

─Não vou desistir doutor, ela vai se recuperar.

Minha mãe olhava pela janela quando volto para o quarto, paro a seu lado encarando a paisagem confusa de edifícios e carros indo e vindo sem saber o que se passa aqui, num quarto qualquer do Memorial Grady Hospital.

─Fiz o que pude, mas não te deixei viver não é? – Minha mãe me diz sem desgrudar os olhos da janela.

─Bobagem, me deu tudo.

─Esse tudo é tão pouco querida, nunca pôde estudar, nunca teve um namorado, tem vinte e cinco anos e só o que faz é trabalhar e cuidar de mim.

─É o bastante.

─Não é. Merece mais, se algo acontecer...

─Mãe, eu não quero falar de morte.

─Mas precisa prometer que vai tentar ser feliz sozinha se eu me for, que vai deixar as pessoas se aproximarem mais de você, quem sabe um namorado?

─Ainda não penso nisso, não ligo a mínima que me achem uma tola velha demais para não ter nem mesmo um namorado.

─Sabe Clarie, seu pai foi um canalha, mas não quer dizer que todos os homens são.

─Não tenho tanta certeza.

Ela me abraça, depois ficamos passando o tempo conversando, quando ela dorme eu aproveito para ler um pouco.

Quando a noite cai as coisas ficam agitadas, Atlanta parece ferver, minha mãe dormia e eu observava pela janela a agitação, o hospital também não parecia nada tranquilo para aquela hora da noite, não prego os olhos e pela manhã quando minha mãe se despede para seguir em direção ao centro cirúrgico eu sinto a tenção nos rostos dos médicos.

Volto para meu posto de observação e o que vejo é a confusão ainda maior. Fico rezando por minha mãe e por todos que nesse momento estão passando por apuros.

Quando o médico se aproxima meu coração dispara.

─Sinto muito Clarie, está tudo tomado, abrimos e fechamos, ela não tem muito tempo, alguns meses apenas.

Meus olhos arregalam, a boca abre e fecha sem que consiga pronunciar qualquer palavra.

─Ela está dormindo agora, sinto muito.

Minhas mãos suavam, as lagrimas corriam quando vou a seu encontro, ela ainda dormia profundamente e beijo sua mão. Adormeço numa cadeira ao lado da cama e quando acordo vejo a confusão instalada no hospital, uma enfermeira me avisa que o hospital seria evacuado.

Helicópteros sobrevoavam a cidade, soldados corriam de um lado para outro, o mundo parecia estar acabando. Deixo minha mãe dormindo caminho pelos corredores do hospital em busca de alguma resposta para o que estava acontecendo, só encontro correria e pânico.

Antes do dia terminar e sem saber porque minha mãe ainda continuava ali, dormindo profundamente e sem ser transferida, as bombas começam. Os estrondos me apavoram, pela janela e sem acreditar no que via assisto Atlanta sucumbir.

Edifícios queimavam, aviões continuavam a soltar bombas, minha mãe mão acordava e fico sem saber como reagir, não podia deixa-la e quando os gritos começam a reverberar pelo hospital eu me fecho no quarto.

O ataque parece durar toda noite, quando amanhece e tomo coragem para olhar pela janela nada mais tinha restado, Atlanta era apenas escombro, forço a visão e vejo pessoas caminhando, mas um olhar mais atento deixa claro que aqueles eram os mortos que caminhavam como tínhamos ouvido falar.

Junto coragem para deixar o quarto, antes verifico minha mãe, ela tinha a pulsação fraca, estava pálida e num sono tão profundo que me assusta, preciso de um médico.

O corredor estava silencioso, caminho a passos apressados, ninguém parecia estar ali, meu coração dispara. Não podem ter nos esquecido, outros devem ainda estar por ai, médicos, enfermeiros.

Quando viro o corredor um homem com roupas de paciente vem em minha direção, os olhos mortos, a boca produzindo um som que mais lembrava gruídos de um animal que qualquer outra coisa.

O corpo em movimento arrastava consigo o soro com a agulha ainda presa em seus braços. Mais por reflexo que compreensão caminho para longe, aperto o passo quando me vejo sozinha.

Dois braços me seguram quando pretendia correr, grito assustada e então sinto um alivio sem fim quando me dou conta que é um policial.

─Calma! – Ele me pede, o morto se aproxima, o policial me solta e caminha para ele, tira uma faca do cinto e acerta a testa do homem que cai no mesmo instante.

─Você matou...

─Ele já estava morto. O que faz aqui?

─Minha mãe, ela... ela está no quarto e eu... estão evacuando o hospital, fiquei com ela a espera, mas ainda...

─Não tem mais evacuação, quem saiu, saiu, o restante não tem para onde ir.

─O que? Não... Minha mãe precisa de cuidados, eu... eu tenho que tira-la daqui, onde estão os médicos, os outros doentes, enfermeiros?

─Calma moça, vamos ver sua mãe, ainda temos um médico e recursos, estamos isolando alguns andares, temos policiais e logo alguém vem nos resgatar.

Ele caminha ao meu lado em direção ao quarto onde minha mãe dormia, meu coração doendo de preocupação e medo.

─O que aconteceu? Porque as bombas?

─Os mortos dominaram Atlanta, dominaram tudo, estamos sem comunicação, sem ordens, nada mais funciona, todos deixaram a cidade, acabou, agora é tentar sobreviver.

Olho para ele sem acreditar, é claro que ele está exagerando, isso não pode ser verdade.

Minha mãe não pode ficar sem o tratamento.

─Ela vai ter cuidados? – Pergunto quando abria a porta do quarto.

─Isso é com o médico. – Ele me diz e então me viro, a palidez de minha mãe agora era muito evidente, o que antes era um rosto apenas pálido agora tinha um tom esverdeado, me aproximo assustada.

─Mãe! Mãe! – Toco sua mão, entrelaço meus dedos aos dela e a chacoalho um pouco, os olhos se abrem e sinto um alivio me invadir, mas então eu me dou conta, aqueles são olhos mortos, não tem brilho nem vida, o som que sai de sua boca me lembra o homem no corredor. – Mãe...

Sinto o aperto em minha mão, ela começa a se erguer em minha direção a boca ávida, fico imóvel, sem forças para reagir quando escuto o disparo e no segundo seguinte ela cai de volta no travesseiro com uma perfuração na testa.

─Não! – O grito sai estrangulado, me abraço a ela chorando sem entender realmente o que está acontecendo. – Mãe? Mãe? Matou minha mãe.

─Ela estava morta, é um zumbi.

─Como pode ser, eu vi nos jornais, a pessoa tinha de ser mordida por outro.

─Está errada, muitos aqui se transformaram.

─Agora o que faço? – Ele me afasta do corpo dela, me puxa pelo braço e tento me desvencilhar, mas o aperto em meu braço é forte.

─Chega! – Sinto o tapa daquela mão pesada fazendo meu pescoço entortar e o rosto arder.

─Gordman! – Com a mão no rosto encaro as pessoas que entravam no quarto, mais policiais.

─Ela estava tendo uma crise. – Ele se defende.

─Levem o corpo para o poço do elevador. – O policial que parecia ser um tipo de líder ordena.

─Não, o que vão fazer com ela? – Corro mais uma vez para perto de minha mãe.

─O mundo acabou, acha que vamos providenciar um enterro?

Sou segurada e assisto me debatendo o corpo de minha mãe ser levado. Uma enfermeira se aproxima de mim depois de receber ordens médicas. Alguém segura meu braço.

─Não! Não! O que estão fazendo? – A agulha penetra a pele e tudo escurece.

Acordo numa cama de hospital, a consciência volta aos poucos, me lembro da morte de minha mãe, do corpo dela sendo tirado de mim, me sento, a cabeça doía, olho para mim e vestia roupas hospitalares, no braço um soro.

Me levanto, a cabeça zonza, era noite e sigo para a porta, está trancada, bato pedindo ajuda.

─Socorro! Socorro! – Sinto a fechadura girar e então uma policial invade o quarto.

─Mais calma? – Ela me pergunta e afirmo. – Como se chama?

─Clarie.

─Acha que pode sair daqui e parar de ter essas crises de loucura?

─Crises?

─Está há quatro dias entre dormir e gritar. Vou chamar uma enfermeira para te ajudar, depois vamos ver onde se encaixa no trabalho, temos que manter esse lugar, temos um grupo de policiais mantendo o hospital.

Decido não dizer nada, não sei muito bem o que está acontecendo e tenho a impressão que se tiver mais uma crise vou acabar morrendo de tanto sedativo.

Uma mulher entra no quarto com roupas iguais as minhas, ela não diz nada, me tira o soro, os olhos baixos, silenciosa.

─Essa coisa toda de zumbis, isso é verdade?

─Sim, não tem nada em Atlanta, os policiais estão saindo e até agora nada de encontrar pessoas, mas acredite, não estamos em melhores condições que os mortos.

─Porque diz isso? – Ela termina seu trabalho.

─Venha, vou te levar ao chefe desse lugar, vai saber em breve, jovem e bonita, logo vai descobrir.

Meu coração dispara, os olhos saltam um pouco, fico tensa. Mais um arrepio percorre meu corpo, do que essa mulher está falando?

Um mês depois de minha entrada no Grady com minha mãe em busca de uma cura para sua doença eu descobria que a morte na maior parte das vezes podia ser uma benção.

Ser um zumbi, a cada dia me parecia uma ideia muito melhor. Haviam poucos ou quase nenhum paciente, meu trabalho era ajudar o doutor Stevens com os doentes, medicando, limpando, alimentando.

Um sistema estava formado, você pagava por proteção e abrigo, pagava com trabalho, mas não parecia ser o bastante para os policiais, Gordman a cada dia ficava mais difícil de controlar.

Suas mãos estavam sempre tentando me tocar, sua voz próxima aos meus ouvidos, todos os dias me atirando no rosto que tinha salvo minha vida, que eu devia a ele.

Me esquivar estava cada vez mais difícil, além dele e suas investidas nojentas eu podia notar claramente uma briga por poder.

Quinze dias depois da queda de Atlanta uma mulher tentara fugir e acabara mordida, sua perna tinha sido amputada, mas dois dias depois ela tinha sido praticamente executada.

A noite a cidade ficava escura, nenhuma iluminação além da pouca luz que vinha dos geradores do hospital. Eu observo a janela ainda que nada pudesse ser visto, só queria deixar aquele lugar. Me lembro do apelo de minha mãe, de seu pedido para que fosse feliz.

Não se pode ser feliz no inferno, aqui só existe dor e invejo os zumbis.

─Oi Clarie! – Me viro e lá está Gordman e seu olhar sujo. – Passei o dia fora e resolvi vir te ver. Sentiu minha falta?

Notas finais
Beijos pessoas lindas!!! Comentem, posto mais um na quinta-feira.