Resumption

6 Capitulo 6


Notas iniciais
Oi pessoas!!!! Eu nem acredito que já recebi mais uma recomendaçao, voces tem ideia do quanto são lindos e lindas comigo? Alice Dixon Ludwig muito obrigada!!!!!!!!!!!!!!! AMEI!!! Estou muito feliz, adoro recomendação e mais ainda quando é de uma pessoa assim querida. Sempre presente em todas as fics, carinhosa comigo e com meus mil Daryls! OBRIGADA!!!!!!!!!

Pov – Daryl

Maldita hora que fui inventar de fazer Clarie tirar aquele pijama estúpido, não esperava que a mudança fosse tão radical. Claro que ela era bonita mesmo com aquela coisa azul cobrindo seu corpo, mas eu não tinha ideia do quão diferente ela podia ficar apenas por mudar as roupas.

Fiquei sem fala quando ela saiu do quarto e estou me sentindo assim até agora. Ela não fala com ninguém, os olhos ficam sempre perdidos a sua volta, o tempo todo tem medo e fico pensando de onde ela vem.

O carro falha, mais uma vez o combustível está no fim. Felizmente estamos próximos ao ponto de encontro com Rick. Descemos e seguimos a pé.

Maggie está tão muda quando eu, sinto o quanto está difícil para ela, mas ela tem o Glenn e ele faz qualquer coisa por ela.

─Quanto até encontrar o grupo? – Sasha questiona.

─Uma ou duas horas de caminhada. – Abraham avisa, e apenas vamos caminhando um ao lado do outro no meio da estrada, vez por outra um zumbi surge, mas logo é contido ou ignorado, sempre noto a angustia e o medo nos olhos de Clarie.

Rick está encostado no carro, os olhos baixos, a expressão cansada, algo não parece bem, assim que nos vê troca um olhar com Glenn que parece tão abatido quanto ele, vejo Michonne e Noah, apenas Tyreese não está ali.

Sasha paralisa quando percebe Rick caminhando para ela, não é preciso dizer qualquer coisa, apenas o silencio é suficiente, Maggie se aproxima dela para dar apoio.

─Foi uma mordida no braço, tiramos o braço, tentamos o que foi possível, ele ficou forte por um tempo, mas não resistiu.

─Onde ele está? – Ela pergunta com o costumeiro nó na garganta de quem não tem mais lágrimas. Rick caminha com ela.

Abrimos mais uma cova, me sinto cansado de repetir o mesmo maldito processo, então levamos o corpo, Gabriel diz algumas palavras de conforto, como se isso fosse de alguma valia, todos nós nos despedimos.

Aquilo é desumano, ninguém pode aguentar muito tempo, não, se não resta esperança, Ty era o último a acreditar, agora acabou, só os duros sobraram, suspiro me afastando do local, deixamos Sasha sozinha, ela precisava de um momento de despedida.

Clarie está ao longe, olhando o grupo como se não fizesse parte dele, talvez não faça mesmo, ela passa uma mecha de cabelo para trás da orelha, morde o lábio, procura pelo perigo a sua volta, depois seu olhar encontra o meu.

Meus pés me levam até ela, minha mente não quer fazer isso, mas meu corpo desobedece e quando dou por mim estou diante de Clarie e seus olhos assustados.

─Sinto muito pelo seu amigo.

─Era um bom homem, por isso está morto.

─Acha mesmo isso? – Ela pergunta com a voz suave, estranho como até o tom de voz dela tem efeito sobre mim. – Se for assim porque continuar?

─Costume talvez. – Digo a ela sem conseguir esconder a pouca fé que tenho em minhas palavras. – Decidimos ir para DC, concorda? – Se ela dissesse não eu realmente não sei o que faria, mas porque ela diria não? Que escolha ela tem?

─Vamos andar até lá?

─Se for preciso sim, vamos andar até lá. Você vem?

─Eu não tenho nenhum outro lugar para ir Daryl.

Fico aliviado embora ela nunca vá ouvir isso de mim, depois apenas me afasto e seguimos andando para longe do funeral de Tyreese.

Volto a pensar em Beth, nas escolhas erradas que fiz e que levaram a sua morte, no quanto é sem sentido esse nosso caminhar sem fim. Clarie é como Beth, sensível e inadequada para este mundo, por isso preciso ficar longe, não tem como ela sobreviver, tentei manter Beth viva e não funcionou, com Clarie não será diferente, por isso ficar longe é o melhor.

Encontramos uma pequena casa para passar a noite, Judy precisa de algum descanso, ela fica de colo em colo de baixo de sol, suada e abatida.

─Vamos ficar todos aqui nesse ambiente, é apenas uma noite.

Rick está cada dia mais fechado e cuidadoso, mas sabemos que nenhum cuidado é o bastante, nos espalhamos pela sala, dois guardas vigiando as janelas, uma na frente, outra nos fundos.

Clarie se encolhe num canto encostada em uma parede. A casa não passa de uma cabana de dois cômodos, uma cozinha e uma sala com lareira, uma cama e uma poltrona, é apertado para todos, mas é melhor que lá fora.

Judy fica na cama com Carl, eu me sento num canto e pego minha besta, é bom ter certeza de que ela está em perfeitas condições, essa arma me trouxe até aqui, é parte de mim.

Carol sorri se sentando ao meu lado, fico calado, não quero falar sobre tudo que aconteceu, só quero esquecer.

─Você está bem?

─Tenho que estar não é assim. Vou fazer a guarda do perímetro. – Fico de pé.

─Estamos bem. Não precisa ir lá fora.

─Não demoro Carol.

Deixo o ambiente e caminho pelo perímetro, tudo parece limpo, um zumbi está preso sob um galho de arvore, não me importo, nunca mais vou me importar, ele que fique ali testando sua eternidade. A noite chega pesada e entro de volta no abrigo.

Recebo alguns olhares apenas, ninguém se dá ao trabalho de dizer qualquer coisa, Glenn faz a guarda nos fundos, Abe na frente e volto para um canto longe de todos.

Clarie me olhava e quando olho para ela desvia os olhos rápido, depois se mantem de olhos fechados, as costas na parede o ar abatido e mesmo assim linda.

Desvio os olhos já que não consigo desviar os pensamentos.

Não consigo dormir, a mente não para de trabalhar em busca de respostas. Eu não entendo bem o que se passa dentro de mim, porque essa coisa confusa não para de me apertar o peito num misto de tristeza e alguma esperança.

Glenn caminha em direção a Clarie, toca seu ombro e ela pula assustada, olha para ele e mesmo se dando conta que é ele continua encolhida, os olhos tão assustados que mais uma vez sinto pena.

─Calma, é só para pedir que faça a próxima vigia com o...

─Eu faço! – Me ponho de pé, a garota mal consegue tomar conta de si, além disso é tarde e ela caminhou muito, deve estar esgotada.

─Certo, o Noah está lá! – Glenn me aponta a janela dos fundos e sigo ao encontro dele, Clarie não diz uma palavra, só continua encolhida.

─Escuro demais para perceber qualquer coisa que não esteja um metro de nós. – Ele me diz sem animo.

─Melhor que a porta sendo arrombada no meio da noite.

Ficamos em silencio olhando o breu do lado de fora, quero saber sobre Clarie, mas ao mesmo tempo não quero proximidade.

─Como era a vida no hospital?

─Ruim, regime de escravidão, cada movimento era monitorado, o jeito que eles tinham para nos manter era por meio violência, os castigos de Dawn e dos policiais. Mas claro que isso era porque eu era homem, ser mulher naquele lugar era muito pior.

Meu coração para por um segundo, depois volta fora do ritmo, acho que não tem nada no mundo que me dê mais nojo.

Não consigo olhar para Noah, não consigo pedir que continue, foco a visão na noite escura e silenciosa, a mente trabalhando a mil, criando imagens que não quero ver.

─A Clarie vive lá desde que o mundo acabou, sabe melhor que ninguém como é, mas claro que ela não vai dizer. – Ele parece notar minha expressão de horror. – Mas não aconteceu com a Beth, não pense isso, ela conseguiu evitar.

Isso não diminui em nada minha angustia, me viro em direção a sala, Clarie estava ainda no mesmo lugar de olhos fechados e braços cruzados no peito, me volto para Noah.

─Você disse que ela sempre esteve no hospital?

─Sim, estava lá com a mãe dela quando o mundo acabou, não conseguiu sair e as coisas aconteceram, nunca achei que ela teria coragem de deixar o Grady, Clarie tinha muito medo deles.

─Você e Beth fugiram, porque ela não foi?

─Ela ia, mas deve... Não sei, talvez tenha sido medo, ou outra coisa, mas no fim deu certo, ela está aqui.

Fico calado, agora estava explicado porque ela não sabia nada sobre zumbis, estrada e a vida do lado de fora dos muros do Grady. Também explicava porque tanta falta de confiança nos homens, só queria poder voltar aquele lugar e matar um por um.

Noah me deixa ali no meio da noite, Maggie o substitui, tenta sorrir quando para ao meu lado, não consegue.

─Ela está muito assustada, mas acho que logo se acostuma. A Clarie eu digo. – Ela me diz tentando puxar assunto.

─Entendi. – Maggie volta sua atenção a noite. – Estou sem sono, vai dormir um pouco, eu fico.

Aceito com um movimento de cabeça, quando passo por Clarie ela me olha, de novo sinto qualquer coisa dentro de mim corresponder, me sento perto dela.

─Pode dormir Clarie, não corre risco.

─E se tiver que partir as pressas?

─Acha que vamos deixa-la para traz se estiver dormindo?

─Acho, mas não estou pensando que são pessoas más, apenas...

─Confie em mim, não vai acontecer.

Ela me olha nos olhos, sempre faz isso, olha dentro de mim.

─O bebê... Eu posso carregar o bebê, já que não sei matar os zumbis, posso carregar o bebê.

─Não. Ela tem o pai e o irmão, você vai aprender a se defender.

O tom é mais ríspido do que pretendia e sinto que ela se encolhe um pouco, fecho os olhos e tento descansar, quando abro já era dia, as mãos tateiam a minha volta em busca da besta, pego e fico de pé, todos pareciam prontos para retomar a caminhada.

Clarie estava com Judy no colo, a pequena tinha as duas mãos no rosto de Clarie e sorria tranquila, as duas sorriam e nunca tinha visto como era o sorriso dela, os olhos ficam brilhantes, ela parece mais bonita.

O sorriso se desfaz quando me vê, fica de pé com a menina ainda nos braços.

─Foi só um pouquinho, já vou devolver ela para o irmão.

─Melhor.

Me afasto, ela não pode tomar para si a responsabilidade de um bebê, sei como isso acaba.

Partimos uns minutos depois, vamos direto para a estrada, logo Clarie está mais para traz, a cabeça baixa, o ar esgotado. Diminuo para espera-la, mais uma vez com raiva de mim e de não resistir.

─Cansada?

─Não, estou bem, eu aguento. – Ela diz tão apressada que só pode achar que é uma critica. – Não queria ficar muito em cima de vocês, não gosto muito de atrapalhar.

─Bobagem, se misture, é mais seguro.

O grupo para, precisamos descansar um pouco, tentar achar comida, água, falta tanto até DC que nem sei se vamos ter forças para chegar.

─Vamos nos dividir, um grupo fica na estrada com Judy, se dividam e deem uma volta, precisamos de água e comida.

Rick faz sinal para Abe e depois para mim, pega Judy do colo do irmão e senta com ela ao lado de Carol.

Abe faz sinal para Rosita, Glenn e Clarie o acompanharem, ela se assusta na mesma hora, aperta a faca presa a cintura, não se nega, caminha em direção a ele, mas está tão assustada, os olhos, o andar, tudo deixa claro que se sente assustada, contenho o ímpeto de impedi-la de ir, preciso ficar longe, não sou responsável por ela, não quero ser.

Saio para o lado oposto, a besta em punho caçando qualquer coisa que se mova e possa alimentar Judith, ouvindo os sons da mata em busca de água, sem isso nunca vamos chegar a lugar nenhum.

O tempo todo penso em Clarie, sei que Abraham é forte para protege-la, que Rosita é sempre muito gentil, mas parece que ninguém é capaz de protege-la de verdade e mesmo sem querer vou caminhando na direção que eles tomaram.

Consigo dois coelhos no caminho, um é bem grande, o outro não passa de um filhote, mas é o bastante para manter Judy alimentada e o resto de nós sobrevive, sempre fazemos isso.

Escuto passos quebrando os galhos secos das árvores, fico alerta, ergo a besta, caminho por entre as arvores e então eu vejo Clarie caída no chão presa a galhos secos a faca em punho, um zumbi caminhando para ela enquanto ela luta para se soltar dos galhos.

Corro o máximo que posso, aceto o zumbi com o cabo da besta, ele cai ainda se movendo, piso em seu cérebro por pura vingança, ele explode espalhando massa e sangue, depois corro para ela.

─Calma, já liberto você. – Com as mãos eu solto os galhos e ela se arrasta para longe, fica de pé, está toda suja de barro os olhos assustados.

─Me perdi dos outros.

─Se feriu? – Ela nega, passa a mão pelo rosto e deixa um rastro de terra molhada na pele, se apoia em uma arvore tentando se recuperar do susto. Me aproximo de Clarie, ela fecha os olhos assustada.

─Por favor, não. – Paro no mesmo instante, um metro dela e com o lenço erguido. O que ela acha que eu faria? Ela abre os olhos lentamente, eles me encaram, depois ao lenço.

─Limpe o rosto. – Clarie fica corada, usa meu lenço para limpar um pouco a terra do rosto, depois me devolve, os dois calados. – Vamos, já devem estar a nossa espera.

Clarie caminha obediente ao meu lado, salta por entre galhos, desvia de árvores e eu apenas a guio de volta ao grupo, eles podiam ter se preocupado em encontra-la, mas apenas seguiram em frente, não sabem que ela não é desse mundo.

Entrego a caça a Sasha, Rosita caminha para Clarie.

─Se afastou demais, da próxima vez fica junto do grupo, não sabíamos se tinha partido ou se perdido.

─Daryl me ajudou, me perdi de vocês. Desculpe.

Rosita volta para perto de Abraham e Eugene, acho que até mesmo o cientista maluco é mais preparado que ela.

─Gosto de te ver cuidando dela. – Me viro e Carol está de pé, ao meu lado.

─Não estou cuidando de ninguém, foi uma coincidência, ela estava no meu caminho.

─As roupas que encontraram por coincidência ficaram boas nela.

─Ela estava nos atrasando e colocando o grupo em risco, não me importa com ela, não ligo a mínima para o que acontece com ela! – Aviso Carol que não parece acreditar em uma palavra, mas então me viro e Clarie está de pé, muito próxima, os olhos marejados me dizendo que ela sim ouviu e acreditou em tudo que disse.

Clarie se afasta, vai sentar com Noah e fico no mesmo lugar, de pé, olhando para canto nenhum, me sentindo um monstro, arrependido e culpado, como se não carregasse o bastante de culpa.

Fico querendo me desculpar, desmentir minhas palavras, mas ao mesmo tempo sei que é melhor que me veja como um monstro, que fique longe o máximo possível.

Recomeçamos a caminhada uma hora depois, no meio da estrada encontramos carros, depois de verificar se havia algo de útil testamos o funcionamento, um deles parece em bom estado, o outro não liga, Eugene e Glenn mexem no motor.

Procuro por Clarie, ela está mais uma vez sozinha, olhando para o grupo sem saber o que fazer.

Dou dois passos em direção a ela, decidido a me explicar, mas então escuto o ronco do motor, me viro e as pessoas comemoravam. É hora de partir, deliberadamente ela escolhe um carro diferente do meu para entrar, é tão claro que Carol me olha reprovadora.

A viagem dura metade da noite, ganhamos bastante distancia, mas quando o carro da frente perde a potência e simplesmente para só nos resta descer, recolher nossos pertences e seguir a pé.

Apresso o passo para me juntar a Clarie, não devia fazer isso, o certo era aproveitar que ela me odeia agora e seguir minha vida, mas ando maluco então sigo para ela.

Ela caminha apressada, os olhos encontram os meus quando acerto meus passos com os dela.

─O que eu disse mais cedo...

─Eu já disse que não me importo comigo, porque você deveria?

─Por que não para de caminhar? – Ela me olha, agora as pessoas já nos ultrapassaram e estão mais a frente, não sei se de propósito ou sem querer, mas ficamos para trás. – Exato, não se importa, fique ai parada e espere a morte.

Os olhos dela se arregalam.

─Eu... é isso que quer? Que deixe seu grupo? Atrapalho tanto assim?

─Não, é o que quer acreditar, diz que não se importa, mas estava desesperada para se libertar daqueles galhos quando te encontrei.

─Reflexo.

─Só quero me desculpar, o que eu disse não é verdade, eu luto por todo o grupo, não quero que mais ninguém morra.

─Está me pedindo desculpas? – Ela parece tão espantada que apenas dou de ombros sem saber o que responder, desvio meus olhos.

─Vamos, eles já estão muito na frente.

Ela dá um meio sorriso e mesmo na escuridão acho aquilo estranho, me causa um desconforto ou qualquer coisa assim. Apressamos o passo, nos juntamos ao grupo e assistimos o dia amanhecer no meio da estrada, caminhando como se apenas isso nos restasse.

Notas finais
Beijos!!! Logo eles vao encontrar abrigo, e será mais fácil desenrolar a relaçao dos dois. Beijos