Resumption

35 Capitulo 35


Notas iniciais
Oi gente! Mais um capitulo, espero que gostem.

Pov – Carl

Eu já tinha visto a garota quando chegou, mas não tinha falado com ela, meu pai me contou como o grupo os encontrou e pensei que ela era uma garota bonita, meio diferente da Enid, no começo só na aparecia.

Tem os cabelos mais comprido e menos liso, mais claros também, é da minha altura, os olhos são expressivos, menos tristes e mais determinados, quase verdes, meio castanhos, ela é muito bonita.

Agora que a conheci parece muito mais expansiva, não é tão fechada e confusa quanto a Enid, parece que é mais cheia de vida.

─E aí? Não vamos jogar? – Pisco confuso e envergonhado quando me dou conta que estava descaradamente analisando a menina.

─Claro! – Ligo o jogo, ela sorri quando a tela fica colorida e aperto o start.

─Isso é fantástico! Sei lá quando foi a última vez que dei de cara com um vídeo game! – Ela me sorri e tem um sorriso lindo.

─Não faz tanto tempo assim que estou aqui e sei como se sente, mas alguns garotos aqui nem tem ideia do que é estar lá fora.

─Que pena! Porque quando isso acabar eles vão morrer primeiro! – Olho para ela. – Acha que vai durar para sempre?

─Não sei, estou pronto para os dois, se durar para sempre é preciso estar pronto também, depois de tudo que vivemos lá fora.

─Eu sei o que quer dizer, ontem quando tomei banho quente pensei nisso. É difícil não viver com medo. Como chegou aqui?

Ela me pergunta concentrada no jogo, dá para ver que leva jeito e está apenas sem pratica.

─Sei lá, sabe Amber a gente foi só sobrevivendo e então depois de perder um monte de gente chegamos aqui.

─Meu pai morreu na segunda semana, ainda nem tínhamos saído de casa ainda. Ele era médico como minha mãe, foi mordido no hospital, tentaram tratar meu pai, amarraram ele numa cama, então veio a febre, a morte e a transformação, uma faca na têmpora e acabou.

─Sinto muito.

─Quando ele morreu as coisas ficaram mesmo feias, por sorte eu tinha ido vê-lo no hospital e estava com a minha mãe, alguns médicos queriam manter o lugar, mas não deu, é claro, minha mãe pegou medicamentos, alguns enlatados na cozinha, duas armas dos seguranças mortos e fugimos num carro, a cidade um caos, então foi acontecendo tudo.

─Que bom que chegaram aqui. É bom ter uma médica, o que tinha morreu. Pete. – Não conto que foi meu pai que o matou na frente de toda comunidade quando estavam praticamente o condenando a deixar esse lugar.

─Ela vai adorar ser a nova médica, ela é sempre assim, mais médica que mãe. Isso está em primeiro lugar sempre. – Olho para ela, está aí alguém que pode me entender.

─Meu pai as vezes parece mais o xerife que meu pai, eu não entendia muito isso no começo, mas agora faz sentindo, não é sobre mim. Tem muito em volta, pessoas que precisam dele.

─Como minha mãe, mas acho que não consigo ser assim tão compreensiva como você. – Ela responde, me olha rapidamente e volta sua atenção ao jogo, venço a partida e ela faz careta. – Não se gabe, estou só me aquecendo!

─Vamos ver então, eu sou mesmo bom nisso.

─Não tem problema ficarmos aqui na casa da Clarie?

─A gente é como uma família, acho que sabe como é, essa é a primeira vez que temos casas separadas, então a gente nem se acostumou ainda, eu gosto daqui, Daryl é um bom amigo, Clarie me ajuda com a minha irmã.

Olhamos os dois para o sofá onde Judy dormia. Amber sorri, começa outra partida.

─Sua mãe...

─Quando ela nasceu, deu tudo errado no parto. – Aquela história ainda me atormenta e não gosto de lembrar. – Vamos nos concentrar no jogo.

─Já entendi, assunto proibido. Todo mundo tem um. – Eu só me calo, não quero falar sobre nada daquilo, nem a conheço direito.

─Querem biscoitos? – Clarie surge na sala.

─Eu quero, é sério, biscoitos? Como os de antigamente?

─Parecidos. – Digo desligando o vídeo game e seguindo com ela para cozinha. Benjamin fechava seu caderno. Judith choraminga na sala, me viro para ir busca-la, mas Amber corre na frente.

─Eu pego, estou louca por aquelas bochechas. – Outra diferença de Enid, ela parece não ver ninguém, sempre cheia de segredos, nunca gastou mais que uns segundos num sorriso mal-humorado para Judy.

Judith vem de bom grado, esfrega os olhos sonolenta, não se importa de estar com uma completa estranha. Acho que viver de colo em colo a deixou assim.

─Que linda! – Ela beija Judith, entrega um biscoito para ela.

─Ainda bem que eu já acabei minha lição. – Benjamin resmunga e eu já percebi que morre de ciúme de Judith, não sabe ainda como é importante para Daryl e Clarie.

─Você parece com seu pai! – Amber diz olhando de Daryl para Benjamin, os dois trocam um olhar, nenhum dos dois se explica e fico pensando se eles nunca vão dizer para ele que são os pais dele, acho que ele iria parar de ser tão bravo.

─Está gostando daqui Amber? – Clarie pergunta só para acabar com a pequena tensão.

─Ainda parece bom demais para ser realmente verdade, estou esperando algo se manifestar. Sempre acontece afinal.

─Vamos torcer para estar errada. – Daryl diz mastigando um biscoito.

Pego Judith do colo de Amber, é tarde e preciso leva-la para casa, daqui a pouco meu pai vem almoçar e vai querer me ver em casa.

─Tenho que ir.

─Também já vou. – Amber diz com um sorriso tranquilo. – Quero dar uma olhada nas redondezas.

─Você também! – Suspiro e todos me olham, Daryl enxerga longe e seu olhar é uma interrogação. – É só... A Enid, você sabe Daryl, ela andou indo lá fora sozinha e eu a segui e meu pai ficou bem furioso e só.

─Só? Tem certeza Carl? Sabe que se ela estiver saindo precisa nos avisar, sei que gosta dela, mas... – Amber me olha séria, Clarie revira os olhos e Daryl faz cara de não entendi. Fico com o rosto queimando e encaro apenas Benjamin, ele é o único que parece não perceber nada.

─Quer que eu jogo com você um pouco? – Benjamin se oferece e nego.

─Amanhã Benjamin, agora eu tenho que ir. Tchau.

Caminho para a porta. Esqueço o carrinho de Judith e já estava na escada do lado de fora quando lembro, dou meia volta e esbarro em Amber, ela me olha e não está muito mais animada.

─Oi! – Digo parado com Judy nos braços.

─Pensei que era tchau. – Ela passa por mim e desce os degraus apressada, caminha uns metros, depois olha para traz, me encara um segundo, então some e fico ali, meu olhar se expande e Enid está do outro lado da rua, me olha de modo tenso e some também.

─Chega Judy, vamos para casa, é muita confusão para um dia só. – Benjamin me trazia o carrinho.

─Esqueceu o carrinho dela.

─Obrigado Benjamin.

─Pode me chamar de Ben se quiser. – Sorrio para ele, deve ser um sinal de confiança.

─Valeu Bem. Até amanhã.

Desço com Judith e empurro seu carrinho para casa, foi uma manhã estranhamente agitada, meu pai nos esperava na varanda.

─Onde estava?

─No Daryl? Não foi lá que deixou a Judy? – Que pergunta. Ele agora sempre se preocupa, menos um ponto para Enid, isso é por conta dela, meu pai agora sempre acha que posso ter ido lá fora.

─Senta Carl, tem umas coisas que quero te contar e talvez entenda porque não quero você lá fora e nem Enid, precisa impedi-la de sair ou me avisar se ela for, tenho que ter certeza do que ela faz lá fora e se isso não vai acabar atraindo inimigos perigosos.

Eu sabia que era bom demais para ser verdade, mal chegamos e já temos inimigos perigosos, será que nunca vão ser só zumbis nos muros? Meu pai me conta sobre uns tais de lobos e seus métodos, explica que Benjamin vivia com eles, que um dos homens que estiveram aqui disse sobre esse lugar e que em algum momento esses caras podem surgir, escuto tudo com atenção. Não quero ter sempre medo, mas aprendi desde que o apocalipse começou que toda vez que deixamos algo passar isso nos alcança e acabamos feridos, perdemos alguém, foi sempre assim.

─Eles nunca podiam ter apenas mandado gente embora, deviam ter matado.

Meu pai me olha um momento, sei quais são seus dilemas e sinto que tenha que pensar sobre isso, ele quer me dizer que tenho que valorizar a vida, que não podemos apenas sair por aí matando, ao mesmo tempo precisa me ensinar a ficar vivo, e para isso tenho que ser impiedoso.

─Não tem como me ensinar isso pai, eu vou ter que decidir sozinho. – Ele concorda, me encara um longo momento, silencioso, ás vezes acho que é muito para ele, que Rick Grimes não é mais o mesmo. – Se posso confiar ou não, eu vou decidir.

─Isso não existe mais, só pode confiar na nossa família.

─Tem certeza? Quem é nossa família hoje? Quem será da nossa família daqui um ano?

─Eu sei, as coisas mudam.

─Se vir a Enid saindo eu prometo avisar alguém. O que achou desses novos moradores, a médica e a filha?

─Ficou balançado? – Meu pai sorri de modo largo, desvio meus olhos, dou de ombros. ─Vamos ver, por enquanto pareceram decididos a ficar e ajudar.

─Vou ficar com a Judy durante a tarde?

─Não. Tem a tarde livre, Mich vai fazer a ronda e Daryl está por aí, então vou ficar com ela, tirar a tarde para pensar um pouco.

─Então vamos comer.

Pov – Daryl

─Como eu ia saber Clarie? A menina chegou agora e ele já está dividido?

─Eu não sei, só acho que quebrou o clima entre eles e deixou o menino encrencado.

─Bem feito, ele que escolha um lado, as duas não é certo!

─Isso amor eu concordo e serve para todos os casos. – Sinto a indireta.

─Não tem ninguém Clarie, sabe disso. – Ela sorri daquele jeito suave que tem e que sempre me deixa meio encantado.

─Denise bem que olhou para você. – Ciúme é novidade, vi uma vez, uma leve insinuação, é estranho para mim que alguém se importe desse jeito comigo.

─Só pude notar Spencer todo admirado com seus talentos. – Resmungo e Ben se aproxima. Olha de um para o outro.

─Deixei o Carl me chamar de Ben.

─Puxa! Ele deve ter ficado honrado! – Brinco e ele dá de ombros.

─Um montão de gente veio aqui hoje. Acho que tive febre, mas quando a Judith está aqui acho que não reparam.

Isso sim é ciúme, cristalino e muito detectável, Clarie se aproxima de Benjamin, toca seus cabelos num carinho explicito, depois se senta e o faz sentar em seu colo, ele fica imóvel e quase posso me ver completamente sem reação ao receber carinho.

─Acho que está bem, mas dá próxima vez que a Judy vier aqui vamos ficar de olho. Quero só ver se essa febre aparece. – Ben me olha se achando muito importante.

─E não vai prestar atenção nela?

─Um pouquinho só! – Clarie diz e ele parece aceitar.

─Vou fazer a ronda e falar com o Rick. – Aviso pegando a besta, Ben se põe de pé.

─Eu também vou. – Penso em dizer não, mas se não vou lá fora acho que não tem problema. Clarie me olha e sinto que ela quer que eu o leve, então toco seu ombro.

─Vamos lá duende!

─Esqueceu que não sou duende? Sou criança! – Ele se apressa, muito preocupado, agora isso parece ser muito importante, tem medo de ser tratado como adulto do mesmo modo que tinha medo de ser criança.

─Se vai com o Daryl coloca as luvas. – Ele afirma orgulho, deixa o colo de Clarie, isso não o agrada tanto, é estranho como sempre acho Benjamin transparente, entendo cada reação, conheço seus olhares, suas expressões, elas são como um portal para o meu passado.

Não sei se será sempre assim, talvez algum dia ele se torne só um menino e como nunca fui só um menino eu não vou mais me reconhecer em Benjamin e simplesmente quero isso.

Beijo os lábios de Clarie quando caminho em direção a porta com Benjamin a meu lado, está frio e ajeito a jaqueta, olho para o garotinho cheio de si que caminha ao meu lado, ele não parece muito preocupado com o frio.

─Não está com frio?

─Eu aguento sentir frio bem bastante, antes não tinha luva nem touca e ficava tremendo de frio sempre, daí fui acostumando. Agora olha, tenho tudo, e nem rasgo tem na roupa. – Ainda bem que Clarie não está aqui ou seria uma choradeira. Eu mesmo sinto uma certa angustia com suas palavras.

Benjamin não diz isso buscando pena, apenas conta e sei que vai soltar muitas histórias e que teremos que ter estomago para ouvir, e força para não demonstrar muito o quanto isso nos afeta.

─Falta uma bota, tênis não é o bastante.

─Não quero ir lá fora não!

─Eu já disse Ben, você não vai lá fora, sou eu quem vou para você.

─Porque agora cuida de mim como me explicou?

─Isso. – Ele sorri, não são muitos os sorrisos, mas são um começo e sempre gosto de vê-los.

Então caminhamos em silencio até que vejo um pequeno burburinho numa porta, Glenn, Maggie e Rick estão lá, assim como Denise e o tal Spencer.

─O que foi? – Pergunto me juntando a eles.

─Deixamos essa casa para a doutora e tem um barulho no sótão, um possível zumbi preso lá, tentamos entrar, mas é muito apertado e precisamos de alguém pequeno.

─Eu já disse que o Glenn não é mais isca de zumbi! – Maggie anuncia e olho para Glenn ele revira os olhos.

─Se ele subiu e ficou preso deve haver espaço para uma pessoa....

─Daryl, achamos que pode ser uma criança. – Rick me corta e aquilo é duro de ouvir. – Por isso acho que conseguiu se esconder lá e então... – Rick olha para Benjamin ao meu lado. – Você sabe o que quero dizer.

Uma criança ferida e assustada, se esconde e então... Aquilo é angustiante, Benjamin usas as duas mãos para segurar a minha, sinto seu aperto, então sua cabeça se encosta entre meu braço e minha cintura, é como se estivesse se escondendo, pedindo minha proteção.

Me movo para olhar para ele, suas duas mãos apertam mais a minha e seus olhos suplicam, imagino que esteja assustado, sabe que possivelmente uma criança morta está no sótão.

─Eu não quero ir Daryl.

─Onde? – Do que ele está falando?

─Lá achar o zumbi, quando precisa entrar em buracos e tenho que ir...

─Nunca... Ben olha para mim. – Ele me encara, me dobro para ter certeza que ele está me vendo, me ouvindo e compreendendo, faço com que me olhe nos olhos, minhas mãos em seus ombros. – Se lembra que me contou que tem oito anos? – Ele afirma, o rosto assustado. – E que eu disse que gostamos de garotos de oito anos e que se encontrasse um eu cuidaria dele?

─Você disse.

─Eu encontrei você, então agora eu cuido das coisas, você só faz suas lições, brinca, e fica bonzinho com a Clarie.

─Eu não xingo mais ela. – Bagunço seu cabelo, queria que relaxasse, que não tivesse medo.

─Agora vou levar você para casa e voltar para resolver isso. Porque adultos enfrentam zumbis, nunca crianças.

─É melhor, deixamos a Clarie sozinha, ela pode ficar com medo.

Rick me sorri, quando pego a mão de Ben e nem me lembrava que tinha uma pequena plateia. Começamos a caminhar de volta para casa, passamos próximos a entrada, Abraham e outros pareciam revistar um homem com uma mochila nas costas.

─Ben consegue ir para casa sozinho? – Ele afirma. – Ótimo, eu vou num minuto.

─Aviso a Clarie que já vem. – Ele caminha para casa, me volto em direção ao portão, o homem estava com os braços abertos, tinha sua mochila sendo vasculhada, mas ele olhava Ben se afastar, depois me encara. Parece calmo.

─O que está acontecendo Abe? – Me junto ao grupo.

─Ele bateu no portão, disse que estava caminhando e nos encontrou. Quer ficar. – Olho aquele homem sujo, com roupas rasgadas, uma touca na cabeça, luvas rasgadas e olhos frios. Uma vez Aaron me disse que conheço pessoas. Eu conheço, a vida me ensinou a reconhecer o mal a distância. Aí está ele, só de olhar eu sei, esse não é um homem bom.

Notas finais
Beijosssss