Resumption
18 Capitulo 18
Notas iniciais
Pov – Clarie
O que mais posso achar que ele sente se não pena? É o que todo mundo sente, eu vejo nos olhos deles, Maggie, Rick, Carol, todos eles. Olham para mim e sentem pena.
Pena da garota incapaz de se defender, pena da mulher abusada por um monte de policiais sujos meses a fio sem se defender porque é covarde, pena de ter acabado nas mãos de Aiden.
Eu sei que sou estúpida, que me enrolo nos problemas e erro o tempo todo. Olho para Daryl parado diante de mim me desafiando com seu olhar, o que ele espera que eu responda? O que quer de mim? Não sei lidar com ele, com o que eu sinto por ele.
Nunca vi homem mais forte, corajoso, com um coração mais generoso, assisti todo esse tempo na estrada e mesmo aqui ele cuidar das pessoas, proteger, alimentar, ficar sempre em segundo plano, nunca reclamar de nada, ele é demais para mim, eu sei disso, sei que não posso me apaixonar por ele, que um homem como ele merece uma mulher como a Maggie ou a Carol, eu sei disso, mas não posso evitar, não posso evitar de sentir meu coração fora do ritmo quando ele me beija.
Não devia querer, mas quero sempre mais, quero que ele me toque, que fique perto, que olhe para mim, quero me sentir bonita e corajosa para ele. Me consome pensar que ele deve desejar se livrar de mim, que me olha como uma coitada indefesa.
─Vai ficar ai parada? Muda?
─O que quer que eu diga? É isso mesmo que acho, acho que sente pena de mim, assim como todo mundo, não consigo ver as coisas de outro jeito porque elas não são de outro jeito.
─Eu sinto muitas coisas por você Clarie, mas pena não é uma delas, no momento por exemplo eu sinto raiva.
─Claro que sente. Me deixou sozinha três diz e olhe o que encontrou? Duas pessoas mortas eu toda machucada, só faço tolices.
─Sim e o apocalipse é culpa sua também, aposto que foi você a espalhar esse vírus.
─Não! – Me apresso, será que ele pensa mesmo algo assim de mim? – Não fiz isso. Nem sei como isso começou eu estava com a minha mãe e...
─Eu sei. Foi uma ironia apenas. – Claro que foi, fico corada, ele me confunde, minha cabeça não funciona bem perto dele porque sempre fico pensando se ele vai me beijar, mas não acho que vá fazer isso de novo, está com raiva.
─Eu vou ver o Eric.
─Assim? No meio da conversa decide que vai ver o seu amiguinho? – Aquilo também foi ironia? Fico sem entender o que ele está fazendo, onde ele quer chegar.
─Você me mandou ir ficar com o Eric, eu nem queria ir porque ele e o Aaron devem estar... Matando a saudade. – Fico corada de dizer essas coisas a ele, Daryl ergue uma sobrancelha, depois abre e fecha a boca, anda de um lado para outro, mordo o lábio, meio tensa.
─Para de fazer isso.
─O que?
─Morder a boca, isso é... eu... Quero beijar você quando faz isso e definitivamente não é por pena.
─É porque me acha bonita. – Penso em Dawn, nas palavras dela para se desculpar pelo que me acontecia e ela fingia não ver. – Dawn me disse uma vez, disse que eu era bonita e por isso os homens... – Deixo morrer as palavras, ele não é como aqueles homens, não quero que pense que acho isso.
─Vá para onde quiser Clarie, faça o que quiser, tenho o que fazer, não vou mais me aproximar, não sinto pena de você, não cuido de você porque é bonita, mas se é o que pensa então não terá dificuldade de achar alguém que me substitua.
Daryl me dá as costas, ele tinha conseguido, meu coração estava finalmente partido ao meio, eu estava ferida, estava dolorida, mas estava viva, agora ele conseguiu, não estou mais.
Não saio do lugar, fico ali, no mesmo lugar, de pé, olhando para lugar nenhum, não quero fazer nada, não quero ir a nenhum lugar, só quero ficar onde estou, criar raízes ali, me misturar com a paisagem e ser esquecida.
─Clarie! – A voz de Maggie me desperta, ergo o olhar, ela está ao meu lado, um braço sobre meu ombro num meio abraço de preocupação e pena, a velha pena de sempre. – Meu Deus, o que aconteceu com você? Parece transtornada.
─Ele não vai mais se aproximar, eu o ofendi, não queria, mas não me expressei direito, ou sim, talvez eu pense mesmo aquilo, não sei, eu só... Se fosse apenas isso não me importava, porque era ele e eu podia...
─Garota não estou entendendo uma palavra. – Ergo meu olhar, só então percebo as lágrimas. – Vem, estou indo até a enfermaria, levar umas roupas para o Glenn.
─Glenn? – Pergunto preocupada.
─Vem, te conto no caminho. – Aceito, quero ao menos ouvir um pouco Maggie, retribuir a gentileza. – Nicholas, aquele idiota, ele causou a morte do Noah, ele... Glenn disse que ele não iria mais lá fora, o cara saiu ontem, Glenn foi atrás dele.
─Por isso não estava na reunião?
─Sim, lutaram o maldito atirou no Glenn, nossa quando o vi chegar...
─Maggie!
─Está tudo bem, foi no ombro, Glenn não se rende fácil, deu uma lição nele, trouxe de volta, acho que as coisas ficaram melhores agora, obrigou ele a contar a verdade a Deanna e todo mundo.
─Que bom. – Seco minhas lágrimas quando chegamos a frente da enfermaria.
─Passei a noite aqui com ele, agora ele está ótimo, fui buscar uma muda de roupa, joguei a que ele estava no lixo, chega de vivermos impregnados se sangue seco.
Aquilo tinha muitos significados, era sobre encontrarmos um lugar, confiar nele e recomeçar, era o oposto de como me sentia. Maggie tinha alguém porque quem lutar, por quem ficar de pé e sobreviver, eu não.
Para meu completo desespero quando abrimos a porta damos de cara com Rick e Daryl, fico pálida, Rick acena para mim, Daryl faz o que prometeu e me ignora.
─Pronto! Trouxe roupas, agora já pode ir para casa. – Maggie diz sorrindo, da um beijo leve em Glenn que está visivelmente irritado de estar ali naquela cama.
─Nós vamos indo, passamos para saber do Glenn. Carol foi ver Deanna, Jessie está lá com elas.
─Quando deixar o Glenn em casa vou dar um pulo lá, acho que Deanna pode ficar mais a vontade comigo. – Maggie promete a Rick, fico olhando para Daryl, mas ele faz questão de manter os olhos bem longe de mim.
─Vamos Rick, ainda quero ir colocar aquelas armadilhas lá fora. – Meu coração descompassa, ele vai lá fora, disse que não ia sem mim, mas isso foi antes.
Tomando todo cuidado para não me olhar ele deixa a enfermaria, Rick sorri quando passa por mim, acho que não sabe o que está acontecendo.
─Vou ficar na outra sala com a Clarie enquanto se veste, tem certeza que não precisa de ajuda.
─Já disse que estou bem, nem sei porque me obrigou a passar a noite aqui.
Maggie o beija mais uma vez e depois caminhamos para outra sala, ela fecha a porta quando passa, o rosto de Glenn estava bem ferido, deve ter sido uma grande luta. Sempre me impressiona o quanto todos eles são fortes.
─Agora me conte. Já entendi que é sobre Daryl, vocês brigaram, mas porquê?
Conto a ela nossa conversa, o que disse, ou quase disse e sua reação, ela escuta atenta, me assiste secar lágrimas enquanto falo, depois me olha com um meio sorriso tranquilo.
─Uma briga de amor. – Olho espantada. – Sabe que gosta dele assim?
─Sei, nos beijamos as vezes. Eu me apaixonei por ele faz muito tempo.
─Ele também, o que é mesmo estranho para mim. Achava que o Daryl nunca... Mas fisgou ele.
─Ele disse que não vai mais se aproximar, acabou para mim.
─Daryl está magoado, acho que com razão, meio que disse a ele que ele estava se aproveitando de você, te protegendo em troca de beijos e coisas que viriam depois porque é bonita.
─Eu não queria dizer nada disso Maggie.
─Mas é o que pensa.
─Não é. – Ela sorri, mas agora seu sorriso é triste, acho que ela gosta muito dele e está chateada porque eu o magoei.
─Porque acha que ele beija você e cuida de você mais do que de qualquer outra pessoa?
─Tem razão, eu estava mesmo achando que era só por causa da minha aparência.
─Mas agora sabe que não é?
─Ele não teria ficado magoado se fosse verdade, estraguei tudo.
─Estragou. – Fico decepcionada, eu esperava que ela fosse dizer que não, mas Maggie apenas concorda comigo. A porta se abre, Glenn passa por ela meio torto, com cara de dor e Maggie corre para ampara-lo. – Eu devia ter ido te ajudar, quando ficou tão teimoso? – Glenn mal respira e por isso decide não responder, então fico de pé também, sem saber o que fazer agora que estou realmente sozinha e é para sempre.
─Vou indo Maggie, obrigada por me ouvir.
─Espera. – Ela pede quando dou uns passos para a porta, ela e Glenn caminhando lentamente enquanto ela o apoia. – Pode escolher, pode deixar como está e seguir sozinha, ou pode consertar as coisas, acho que um pedido de desculpas seria o bastante.
Assisto os dois deixarem a enfermaria enquanto fico pensativa, será que um pedido de desculpas seria suficiente? Eu podia fazer aquilo, podia fazer qualquer coisa para Daryl me desculpar, para e envolver em seus braços mais uma vez, ele é especial.
─O que você quer Clarie? – Me pergunto antes de me mover, é preciso ter certeza, não posso mais correr o risco de magoar o homem que... As coisas se encaixam todas.
Tudo que ele provoca em mim, toda a admiração que sinto por ele, toda essa necessidade que tenho de sua presença, eu amo Daryl Dixon, não é físico, não é proteção, é tudo isso e nada disso, eu o amo.
A verdade me atordoa por um momento, não sei se mereço, não sei se consigo faze-lo sentir o mesmo por mim, mas não posso simplesmente ignorar isso, não posso desistir sem tentar, não vai mais acontecer de novo, ninguém nunca mais vai me fazer sentir essas coisas.
O mundo acabou, não resta nada, é só essa brincadeira de reconstruir, o que tenho a perder? Nada, não tenho nada a perder, eu já perdi tudo, perdi quando ele me deu as costas e caminhou para longe.
Guardo meu medo em algum lugar escondido dentro de mim e caminho pelas ruas de Alexandria em busca de perdão, Daryl está sozinho, perto do portão, abaixado mexendo em fios e uns outros objetos, enfiando tudo em um saco, deve ser a tal armadilha de que falou.
O medo está devidamente escondido, agora preciso encontrar alguma coragem, paro atrás dele, na mesma hora ele sente, para o que está fazendo, mas decide por me ignorar e continua seu trabalho.
─Posso falar com você?
─Não. – Ele diz sem me encarar, termina seu trabalho e se põe de pé.
─É rápido.
─Estou ocupado, não temos nada para falar Clarie.
─Eu tenho, por favor. – Ele me olha, seus olhos estão frios, mas percebo sua magoa e me dói o coração.
─Já disse que não.
Eu não quero desistir dele, eu quero que me abrace, que me beije, quero que me tome para ele, quero que me ame. Mordo o lábio, me lembro de sua frase e paro. Ele arruma as coisas, arma a besta, ele vai ter que me dar uma chance, nem que para isso eu precise apelar.
Pego minha lança, ajeito na mão, só isso já o incomoda e ele me olha, dou as costas a ele e sigo para o portão rezando para ser impedida.
─Abra por favor. – Digo ao vigia, ele não contesta, começa o processo de abrir o portão, dou um passo para o lado de fora e sinto os dedos de Daryl em torno do meu braço, me viro.
─O que está fazendo? Eu disse que não ia te deixar vir aqui fora.
─Disse, mas isso foi antes de dizer que não se importa mais, que eu podia ir onde quisesse.
─Estava me referindo a qualquer lugar pelo lado de dentro do portão. Entra Clarie. Agora.
─Me desculpa, não queria dizer aquilo, não era como pensava ou sentia, era... Mesmo que fosse verdade eu não me importaria, se fosse só minha aparência tudo bem, por que era você. Me desculpa, nunca quis te magoar.
─Entra. Tenho coisas a fazer aqui fora.
─Não faz isso, me diz qualquer coisa, vai me desculpar?
─Se te faz sentir melhor está desculpada. – Ele me empurra para dentro, puxa o portão e aquele monte de aço fica entre nós, meu coração dói.
─Não quero me sentir melhor. Quero que você se sinta melhor. – Ele me dá as costas mais uma vez, minhas lagrimas escorrem enquanto assisto ele se afastar.
─Então fica ai dentro! – Ele grita por sobre o ombro e obedeço. O que mais posso fazer? O homem do portão me encara em dúvida, eu apenas dou as costas para ele e caminho para casa.
Carl estava alimentando Judith que resmungava rejeitando a comida, ele me sorri.
─Antes ela mastigava qualquer coisa que dávamos a ela, mas agora já se acha em posição de escolher.
Sorrio para Carl, não sinto vontade nenhuma de conversar, olho para a escada, suspiro. Antes eu também aceitava qualquer coisa, mas agora não preciso mais, agora eu também posso escolher e escolho não desistir.
Abro a porta do quarto, uma hora ele terá que vir aqui, não importa quanto demore eu vou esperar. Maggie disse que um pedido de desculpas bastaria, não bastou, não sei bem o que preciso fazer, mas talvez se pedir mais uma vez, se ele sentir que estou mesmo arrependida. Quem sabe?
Se ainda assim ele disser não, se me mandar embora... Um calafrio percorre meu corpo, não gosto nem de pensar sobre isso, me dá medo, acho que não sei mais continuar se ele não estiver por perto.
Pov – Daryl
Falo com Rick, mas a verdade é que mal o escuto, nem vejo Morgan, mas Rick diz que ele está com Aaron, que vão conversar mais tarde, depois vamos ver Glenn, larguei todo mundo em apuros como nunca fiz antes e para que? Para ela insinuar que sou um aproveitador.
Claramente me comparou com aqueles malditos policias do Grady, foi isso que fez. É claro que eu a acho bonita, mais do que isso, a mulher é linda, mas isso muito mais atrapalha que ajuda. Não foi por isso que fiz tudo que fiz.
Eu nem sei porque me preocupo tanto com ela, porque cuido tanto dela.
Tinha que dar de cara com ela, e ela tinha que estar de novo com o rosto borrado de lágrimas, com as marcas do que aconteceu quando eu não estava por perto a vista. Me lembrando como é frágil, delicada, indefesa.
Evito olhar para ela, não beijei Clarie porque é bonita, não estava cobrando pela proteção como ela achou e só quero deixa-la livre, que se dane, o que não falta a minha volta é gente para olhar por ela.
─Brigaram? – Rick me pergunta assim que deixamos a enfermaria.
Dou de ombros, nem quero falar sobre nada daquilo com quem quer que seja, ele aceita. Não insiste.
─Certo, te espero lá fora naquela cabana, enquanto junta as coisas dou uma volta lá fora para ver se está seguro.
─Tudo bem.
Recolho o que preciso, me abaixo para arrumar na mochila, sinto sua presença atrás de mim, conheço a delicadeza do seu andar, sinto o perfume suave que vem dela, eu pressinto Clarie, está além de tudo que é físico. Ela não podia pensar o contrário.
Não quero suas desculpas, não quero falar com ela, só quero me enfiar um pouco na floresta e ficar sozinho, ela insiste, só está culpada, que se dane sua culpa, não ligo a mínima.
Clarie segue para o portão, não pode ficar me ameaçando com aquilo toda vez que algo der errado, eu a seguro pelo braço, de novo sentindo mais raiva do que... Do que sei lá o que sinto quando não estou bravo com ela.
Obrigo Clarie a ficar dentro de Alexandria, depois fecho o portão, caminho para longe de suas desculpas, de suas lágrimas.
“Mesmo se fosse verdade eu não me importaria, porque era você”
Até quando se desculpa se diminui, não se importaria se eu a estivesse usando, devia se importar, não pode permitir que as pessoas façam isso, que ideia... Alguém precisa dizer a ela que isso é absurdo.
Não eu, não vou dizer nada a ela, se porque eu a protejo ela se deixa... Droga odeio aquilo tudo.
Rick me aguardava e vamos caminhando pela floresta em silencio, montamos duas armadilhas sem que eu diga uma palavra, preciso contar a ele como foi lá fora, sobre aquele W em quase todos os zumbis que estiveram em meu caminho, mas não agora, nesse momento aquilo tudo não me importa.
─Ela me procurou para pedir ajuda.
─Eu sei. Mas já tinha apanhado do infeliz.
─Sim. Sabe o que ele queria? Porque ela me procurou?
─Acho que ele achou que não tinha batido o bastante. – Digo depois de montar a terceira armadilha e ficar de pé. Rick não usava mais a roupa de policial e isso era muito melhor, me lembrava mais o Rick de sempre.
─Aiden queria um encontro, ele queria abusar dela. – Olho para Rick, a raiva volta com tudo, eu devia ter matado aquele desgraçado com minhas próprias mãos, nunca ia me conformar de não ter feito isso. – A Clarie... Acho que se ele tivesse marcado uma surra ela teria ido, só para não criar problemas para todos nós, mas ele queria outra coisa.
Rick não gosta daquela conversa tanto quanto eu, mas de algum modo ele quer me fazer ver qualquer coisa que não estou enxergando, seguimos caminhando lado a lado, de volta a Alexandria.
─Ele queria dela o que os policiais já tinham conseguido muitas vezes. Mas dessa vez ela disse não, acho que isso tem a ver com você, com ela gostar de você. Acho que ela não sabe que gosta dela. – Olho para ele, é tolice achar que justo ele que me conhece tanto não perceberia. – Mas acho que ela pensa que gosta o bastante pelos dois.
A frase dita por ela uma hora atrás muda de sentido, não me importo porque é você, será que Rick tem razão? Ela gosta de mim tanto que não se importa mesmo que seja...
─Está confuso, eu sei, acho que o grupo todo vai concordar que se tem alguém que merece um pouco disso é você, não devia pensar muito no que os outros dizem, pensam, acho que não devia pensar muito sobre nada, devia só ir em frente.
─Eu... Clarie é... – linda, delicada, especial e perfeita, sinto falta dela, de ficar perto dela.
─Achei que podia ter algo assim depois de todo esse tempo, mas matei o Pete na frente da Jessie, eu meio que estraguei as coisas.
Concordo, estou na verdade um pouco longe dali, minha mente está no rosto sempre assustado de Clarie, nos olhos brilhando toda vez que me afasto um pouco depois de beija-la, o que ela é para mim, o que eu sinto?
Nesse segundo sinto saudade, do cheiro, do beijo, do sorriso, fui muito duro com ela, Clarie não tem motivo nenhum para se sentir diferente, nunca deixei claro o que queria, como me sentia.
Ela ocupa todos os meus pensamentos mesmo quando estou perto dela, me faz sentir melhor, me faz sentir importante, não quero desistir dela, não quero ficar longe dela, nem consigo, eu... tudo faz sentido, o quebra-cabeça se monta como que por mágica.
─Eu estou apaixonado pela Clarie.
─Sei disso. – Olho para Rick, disse isso alto? O que ela está fazendo comigo? – Vai logo, conserta as coisas com ela. Não se preocupe, não vou dizer a ninguém, vou deletar o que me disse, será como se nunca tivesse dito.
Agradeço com um balançar de cabeça, me sinto bem ridículo naquele momento, não fico por ai falando essas coisas com ninguém, dou as costas a Rick e caminho de volta a Alexandria.
Agora com um novo problema, como me desculpar. Como mostrar que está tudo bem sem ficar feito um babaca falando dessas coisas de amor. Não sei falar sobre isso e ela vai correr apavorada se sair falando de amor, faz muito pouco tempo que estamos juntos.
Estamos juntos? É isso, como namorados? Feito Maggie e Glenn ou Abe e Rosita? Sim, estamos, é preciso começar de algum lugar, vou começar esclarecendo isso, é um bom começo, isso depois de convence-la a me desculpar.
Passo pelo portão e vou direto para casa, Carl está lá, Carol também. Os dois me olham.
─Lá em cima, tomara que se entendam. – Carol me diz e aquilo está cada hora mais constrangedor, não nego, nem precisava, ninguém acreditaria mesmo.
Subo as escadas, abro a porta e Sasha estava deitada. Ela me olha.
─Achei que a Clarie estava aqui.
─Nunca nem nos cruzamos nesse quarto, achei que ela dormia com você agora.
Não respondo, será que só eu não tinha me dado conta ainda de como as coisas estavam avançadas? Abro a porta do meu quarto, ela está lá, de pé, diante da janela, abraçava a si mesma enquanto observava a rua pela vidraça fechada.
Clarie estava ali, não desistiu, mesmo depois de tudo ela não desistiu, é tímida, mas venceu tudo e está ali, com toda suavidade que amo, se vira de modo lento, um pouco em dúvida, me olha, transborda insegurança e delicadeza.
Fale com o autor