Resumption
63 Capítulo 63
Notas iniciais
Pov – Carl
Acordo com a luz do dia incomodando meus olhos, gosto de dormir com a janela aberta. Da a sensação de segurança que sinto quando não preciso ter medo. A verdade é que se não estivesse no segundo andar isso não seria possível.
Depois que fico pronto e coloco meu velho chapéu sigo para o quarto de Judy. O quarto está escuro. Ela dorme tranquila no berço. Abro a janela para entrar luz. Decidimos que ela precisa aprender a dormir toda a noite e ficar acordada de dia.
Nunca se sabe quando vamos acabar de novo na estrada e sabemos como é difícil. Da última vez ela dormia de dia e chorava a noite, tivemos que levantar acampamento um monte de vezes no meio da noite por conta do seu choro.
Decido ir buscar sua mamadeira enquanto deixo que vá acordando naturalmente com a luz.
Paro na escada quando escuto meu pai conversando com Mich na cozinha. Tenho torcido muito pelos dois e não quero atrapalhar nenhuma conversa importante que pode leva-los a outro lugar além da amizade.
─Talvez a gente tenha que sair um dia desses. Precisamos dar uma olhada por aí e quero fortalecer um pouco mais os muros. – Meu pai diz a ela. Me dobro um pouco no corrimão e o vejo preparando a mamadeira de Judith enquanto ela observa encostada no balcão.
─Quando quiser. Glenn e Daryl ficam. Os futuros papais têm que dar um tempo nisso. – Mich diz a ele e os dois sorriem.
─Glenn e Daryl, quem diria? – Meu pai comenta sorridente. Ele sempre sorri para Mich. Os dois são tão bons juntos, porque não deixam acontecer de uma vez?
─Glenn era uma questão de tempo, já o Daryl. Clarie operou milagres.
─Com certeza. Ele merece. Talvez sinta falta dele lá fora com você. Eu sei que prefere estar com ele lá fora, ou o Glenn. – Meu pai está com ciúme?
─É mais fácil com eles. Não gosto de suas ordens. – Acabo rindo. Mich é durona e meu pai mandão.
─Não mando em você. – Ele diz parando o que está fazendo para olhar para ela. – Até você? Morgan está me pressionando e preciso de aliados.
─Sabe que sempre estou do seu lado, não importa se é a escolha certa ou não. A gente nunca sabe de qualquer modo.
─Eu sei Mich. – Eles ficam se olhando, a conversa sempre parece pela metade, alguém devia avisar esses dois.
─Como você está? Sobre Jessie eu digo.
─Jessie? – Meu pai pergunta. – Fala dela com o Spencer?
─Sim. Não sabia de nada até hoje cedo quando eu o vi saindo da casa dela. Está bem com isso? – Droga, até a Mich sentiu que tinha algo entre eles. É uma boa hora para meu pai se explicar.
─Eles estão juntos faz tempo. Uns meses eu diria. Não é da minha conta. Nunca tive nada com ela. A menos que conte o fato de ter matado o marido dela na frente dela.
─Se tivesse uma chance de não fazer, preferia? Quer dizer, se não fosse isso...
─Tudo seria do mesmo jeito. Jessie é uma boa mulher, mas não para mim. Fiz o que tinha que fazer. É como as coisas são agora. Admito que fiquei confuso um tempo. Sobre como me sentia sobre ela, acho que tínhamos acabado de chegar e a sensação de segurança...
─Não precisa me explicar nada Rick.
─Não? – Ele pergunta e se aproxima dela. É agora. Tudo depende de Mich se ela confirmar que ele não precisa se explicar meu pai vai entender que ela não quer saber dele. Fico feliz quando Michonne apenas mantem o silencio.
Os dois ficam se olhando e fico em dúvida se devo subir ou posso assistir o que vem a seguir. Prendo o ar quando meu pai dá mais um passo em sua direção. Quero que os dois fiquem juntos. Principalmente agora que Jessie e ele se distanciaram. Meu pai precisa e merece isso.
Tenho vontade de manda-los se beijarem de uma vez. Não digo nada. Fico apenas esperando e para minha surpresa meu pai beija Mich. Sorrio assistindo os dois se beijarem. É um beijão. Com os dois abraçados e tudo. Amber vai gostar de saber. Estávamos pensando em dar um jeito naquilo, mas não foi preciso.
O bule maldito começa a apitar no fogão e os dois se separam. Meu pai retira ele do fogo. Mich pega a mamadeira de Judy.
─Eu levo a mamadeira para ela.
─Sobre isso... – Meu pai começa.
─Sem pressa. Tem muito envolvido. Carl e Judy são a coisa mais importante para mim. Então isso vem em primeiro lugar Rick.
─Isso só torna as coisas mais certas. – Ele rebate.
─Não foi um não. Foi um vamos com calma. Ninguém precisa saber por enquanto.
─Certo. Você tem razão. Te espero para o café. – Meu pai diz quando Mich começa a se afastar, subo a escada correndo e entro no meu quarto. Me sinto bem idiota ao mesmo tempo é divertido.
Acalmo a respiração e depois deixo o quarto. Michonne saída do quarto de Judy com ela no colo e mamando.
─Mich. Bom dia. – Sorrio.
─Bom dia. Adoro como a Amber te faz bem. Um bom dia cheio de sorrisos é novidade. – Mal sabe ela que não é Amber a responsável pela minha breve alegria.
─Ela é mesmo ótima.
─Coisa estranha para se dizer da namorada. – Não é fácil enganar Mich. Ela me conhece bem e o jeito é fugir dela.
─Eu sei. Tenho que ir. Vou encontra-la agora cedo.
─Aproveite. Fico com a Judy.
─Obrigado. – Desço correndo. – Oi pai! – Digo quando passo correndo pela porta da cozinha. Os dois juntos vão acabar percebendo que vi tudo. Saio apressado.
Enid está sentada nos degraus de minha porta assim que saio. De vez em quando faz isso, não bate. Só senta na minha porta e me espera. Me sento a seu lado. Ela sorri, acho que sou a pessoa mais próxima que ela tem.
─Bom te ver. – Cumprimento e ela sorri em resposta. – Tudo bem?
─Sim. Só vim saber de você. Não te vejo tem um tempo.
─É você anda sumida.
─Quadrinhos, estou relendo. – Ela diz com os braços abraçando os joelhos. – Não tem mais o que fazer.
─Não acha que podia se envolver mais com as pessoas? – Pergunto e ela dá de ombros.
─Para vê-las morrendo? Sabe que vão morrer?
─Sei, mas morreriam mesmo sem o apocalipse, sabe disso? – Ela ri de modo amargo.
─Não devoradas diante dos seus olhos.
─Foi assim com sua mãe?
─Estávamos fugindo. Meu pai e minha mãe comigo. Primeiro foi ele. Ouvia seus gritos enquanto minha mãe me arrastava para longe e me lembro de sentir raiva dela. Pensava, como ela pode deixa-lo para trás? – É a primeira vez que ela fala sobre isso comigo. – Não demorou e foi minha vez de deixa-la. O carro quebrou no meio do caminho. Estávamos indo de lugar nenhum para nenhum lugar. Mesmo assim ela disse que estávamos no meio do caminho e desceu para consertar o carro.
─Ela sabia mexer nisso? – Pergunto e Enid nega. Os olhos estão perdidos no passado.
─Eles andam lentos e começaram a surgir. Eu ficava gritando para entrar no carro, mas ela continuava mexendo no motor. Só mais um segundo ela dizia. Minha mãe sabia que sem o carro não iriamos longe. Que se ela entrasse de volta eles nos cercariam e morreríamos ali. Então eles a alcançaram. Não deu tempo de nada. Ela ficou gritando para eu correr. Eu batia no vidro pelo lado de dentro e meus olhos cruzaram os dela e tinha tanto desespero.
─Já vi esse olhar. Na minha mãe nos últimos momentos.
─Eu a deixei para traz. Peguei a mochila abri a porta do carro e corri. Corri até não suportar mais. Até meus pulmões arderem. Fiquei uns dias perdida na floresta. Aquilo foi um terror. Me escondia aqui e ali, cada folha de arvore que caia fazia meu coração saltar. Já viu como a floresta é barulhenta?
─Sim. Já estive muito tempo por aí. Não sozinho, mas sei como é.
─Um dia cheguei aqui. O portão se abriu. Era seguro, mas uma parte de mim ficou lá fora. Perdida na floresta.
─Precisa superar. Eu sei que ainda vai lá.
─Quem sabe eu encontro essa parte perdida? Não tenho ido longe. Não vou colocar ninguém em risco.
─Obrigado por me contar.
─Obrigado por seu meu amigo. Eu e Amber não conseguimos nos entender, mesmo assim você ficou do meu lado.
─Somos amigos. Amigos são assim.
─É. Pode ser. Desculpe te prender aqui. Estava de saída?
─Nada demais. – Dou de ombros. Não quero magoar Enid dizendo que estou indo a casa de Amber.
─Tudo bem. Eu tenho que ir. Agora ajudo no cuidado com os animais. Tem sido legal.
─Estou aqui quando precisar. – Digo quando nós dois ficamos de pé. Ela me abraça e me dá calafrios. Não quero que Amber veja isso. Depois ela corre para seu trabalho e eu caminho para casa de Amber sem deixar de notar que nem meu pai, nem Mich saíram de dentro de casa ainda.
Bato na porta e escuto o grito de Amber me convidando a entrar. Abro a porta e vou caminhando na casa até acha-la na cozinha tomando café com a doutora.
─Bom dia. – Tento ser gentil. A doutora acena e me sorri.
─Senta Carl. Toma café com a Amber. Eu tenho que ir para a enfermaria. Não quero ficar muito tempo fora de lá com essas gravidas na cidade.
─Bom trabalho mãe. – Amber sorri e me sento a seu lado. Quando escuto a porta bater encaro Amber. – Pronto Carl, ela já foi, pode me dar um beijo de bom dia.
Beijo Amber de leve. Não gosto mesmo de fazer isso na frente da mãe dela.
─Onde estava?
─Agora eu estava conversando com a Enid na porta de casa. – Ela faz careta, mas não reclama. Amber sabe como cumprir uma promessa. Ela prometeu não ficar no meio dessa amizade e vem cumprindo. – Mas isso não importa. O que vai gostar de saber é o que vi antes.
─O que foi?
─Meu pai e Mich se beijaram. Eu vi escondido.
─Droga. Queria ter visto isso. Me conta. – Ela me puxa pela mão e vamos para sala. Me sento com ela ao meu lado. Passo meu braço por seu ombro. Denise confia muito em nossa responsabilidade e respeitamos isso. Nunca passamos de beijos. Não sei até quando será assim, mas por enquanto tenho conseguido me conter. Beijo Amber antes de começar a contar. Ela se encosta em mim e conto a ela tudo que vi. Vez por outra ela faz perguntas confusas. Sobre olhos brilhantes e onde estavam as mãos. As palavras usas. Coisas que só fazem sentido na cabeça de garotas.
─Acha que eles vão ficar juntos agora? – Pergunto esperançoso.
─Acho que pelo menos seu pai tirou Jessie do caminho. Agora Michonne fica mais segura.
─Isso é bom?
─Muito. Vai dar certo. Depois falamos com Maggie e Glenn. Eles podem ajudar. Maggie e Mich se dão bem.
─Sim. Vamos ver se ela consegue descobrir como Mich se sente.
─Como está seu dia? – Ela me pergunta quando me arrumo para olhar para os olhos sempre vivos e ansiosos.
─Manhã livre. A tarde devo ter que ficar com Judy.
─Eu vou estar livre o dia todo. Então fico com você e a Judy, só quero ver se a Maggie não precisa de nada. Ela quase não está saindo. Todo cuidado é pouco nesse momento.
─Duas loucas. Ela e a Clarie. Nossa eu não sei se quero estar perto.
─Carl...
─Acho que a Maggie também não vai me querer do lado dela nessa hora. Eu trago péssimas lembranças.
Fico triste de lembrar. Ela me abraça. Amber sempre sabe como se comportar. As vezes me faz rir, outras apenas fica ao meu lado. Seu silencio sempre me ajuda.
─Vamos ver ela agora? Assim depois a gente passa na sua casa.
Acho que é boa ideia. Se Maggie precisar de alguma ajuda é melhor não demorarmos. Glenn está trabalhando com os outros nos muros.
─Vamos.
Ela tenta se levantar, mas antes disso eu a puxo. Beijo Amber. Fomos aprendendo juntos e agora beijar é tão bom que podia ficar o dia todo fazendo isso.
─Vem. Daqui a pouco o Spencer chega e já sabe. Ele não perde a chance de fazer piada.
─Ele bem que podia se mudar logo para casa da Jessie. – Eu reclamo ficando de pé e acompanhando Amber para a saída.
─Acho que isso não demora.
Quando isso acontecer eu nem sei se será uma boa ideia. Sem o medo dele chegar a qualquer momento vamos acabar fazendo bobagem. Preciso tomar coragem para falar com meu pai sobre isso.
Pov – Maggie.
─Tem certeza? – Glenn me pergunta quando me ajeito no sofá da sala.
─Pode ir Glenn. Não vou sair daqui até você voltar. Estou bem e vou ler um pouco. Logo alguém chega para me fazer companhia.
─Tudo bem. Não demoro. Volto em duas horas. Só vou ajudar um pouco.
Ele me beija e depois sai deixando a porta encostada. Suspiro quando me vejo sozinha.
─Quietinho aí bebê. Vamos ler um pouco. – Acaricio a barriga e abro o livro. A primeira meia hora é bem tranquila. Depois começo a sentir um incomodo estranho.
Uma leve dor que vai e vem e penso se não são as temidas e esperadas contrações. Lori me vem à mente. A cada vez que sinto qualquer coisa penso nela e naquele momento. Não tem como evitar. Respiro fundo. Quem sabe não é boa ideia procurar Denise?
Quando Glenn chegar vou com ele até a enfermaria. Fecho o livro quando o incomodo fica mais evidente. Glenn vai ficar uma fera se souber que não me senti bem e fiquei aqui parada.
Fico de pé decidida a ir até a cozinha tomar um copo de agua e caminhar um pouco para ver o que acontece.
Dou dois passos e um liquido escorre por minhas pernas. O coração bate descompassado. A bolsa estourou. Logo depois vem uma dor forte que me faz estremecer enquanto me apoio em um móvel com medo de cair e piorar tudo.
Me sinto na prisão. Correndo com Lori pelos corredores escuros com Carl tão pequeno ao meu lado carregando uma arma e desviando de zumbis. Meus olhos marejam e a ideia me tira um pouco a concentração.
Fico pálida e sem direção. Não sei o que fazer. A dor melhora e acho que devo ir lá fora e pedir ajuda. Andar é bem complicado. Uns passos e a dor volta.
─Bebê me ajuda. Não vamos fazer isso sozinhos. Aguenta ai um pouco. – Ele me escuta porque a dor some mais uma vez. Aproveito para caminhar. Chegava na porta quando ela vem mais forte que tudo e solto um grito de pavor.
A porta se abre e Carl e Amber entram correndo e se atropelando.
─Maggie! – Carl corre para me apoiar.
─Me ajuda Carl. Não vamos deixar acontecer de novo.
─Não. Vai ficar tudo bem. Amber corre e busca alguém para carregar a Maggie para a enfermaria e depois vai avisar o Glenn.
Ela obedece, no mesmo momento some pela porta feito um raio. Carl me olha com os olhos azuis tão assustados como naquela manhã. Lagrimas começam a rolar.
─É diferente Maggie. Agora tudo é diferente. Não vamos pensar nisso.
─Eu sei. Quando chegar na enfermaria vai buscar a Clarie. Quero que ela fique por perto. Se for um menino o nome é Hershel. Não esquece. Hershel.
─Não fala assim Maggie. –Os olhos dele se enchem de lágrimas. – Consegue andar?
─Melhor não arriscar se cair tudo piora, só me ampara até alguém chegar.
Escuto um motor de carro na porta. Sinto alivio e então Rick entra correndo. Ele me ergue nos braços e corre comigo. O motor está ligado e Daryl ao volante. Assim que me coloca no carro Rick bate à porta e Daryl acelera, dirige desesperado por duas ruas.
─Calma Daryl. – Eu digo para o desesperado homem ao meu lado.
─Vai ficar tudo bem.
Ele diz e sei que não acredita nisso. Ele para na porta e felizmente Glenn vinha vindo. Quando ele abre a porta uma dor insuportável me domina. Aperto sua mão gemendo e o desesperando.
─Aguenta a doutora está esperando. – Ele me ergue, me leva para dentro do consultório da doutora. Uma maca me esperava e ainda consigo notar Amber esbaforida ao lado da mãe. A garota correu feito um raio acionando todos.
─Agora fica só quem tem que ficar o resto pode ir. – Olho em volta e tem meia dúzia de pares assustados de olhos. Glenn é o único a ficar além da doutora e a filha.
─Fica comigo amor. Não esquece tá bom. O nome é Hershel se for menino, se for uma menina pode escolher. – Ele chora enquanto segura minha mão. – Clarie prometeu, ela te ajuda. Se tudo der errado ela vai ajudar e precisa ser forte e aceitar nosso bebê.
─Para com isso Maggie. Nada vai dar errado! – Ele diz bravo, mas sei que tem tanto medo quanto eu. Sinto a doutora me despir e começar os procedimentos.
─Eu te amo. Amo desde sempre. Sem você nunca teria sido forte para chegar aqui.
─Também te amo. Não fica nervosa. Estou aqui segurando sua mão. É filha do velho Hershel. O cara mais corajoso que já cruzou nosso caminho. Irmã da Beth. A garota mais cheia de esperança que esse mundo já viu. Não pode envergonha-los agora fraquejando. – As palavras dele me dão força.
Uma vida passa por meus olhos. Todos os bons momentos e as dificuldades, tudo que os Greene me ensinaram e ele está certo. Mesmo com as lagrimas rolando eu encaro os olhos puxados do meu coreano e sorrio.
─Eu sou forte. Tudo vai ficar bem.
─Vai sim. – Ele me beija. Sua testa de encontro a minha e a dor é forte e me domina.
─Está quase Maggie. Logo vou pedir que empurre e então será simples, está tudo indo bem. A dilatação está ótima.
─Tudo bem Denise. Eu estou bem.
─Isso é só um parto gente. E estamos bem. – Ela me acalma. A mão de Glenn presa a minha. Meus olhos e os dele grudados. A porta se abre. Escuto pelo som, então Clarie surge com um sorriso suave. Aperta minha outra mão e é um pouco como ter Beth por perto. Ela tem o coração dos Greene e isso é mais do que ter o sangue Greene nas veias.
─Estou aqui. Agora fica firme irmãzinha.
Clarie beija minha mão e a dor volta. Aperto as mãos dos dois. Glenn está tenso. Clarie vai secando minha testa.
─Está tudo pronto para o meu bebê?
─Sim. A amber sabe o que fazer.
─Não esqueçam das promessas. – Eu peço e os dois afirmam.
─Pronto Maggie. Agora você empurra assim que a dor vier.
A dor não demora. Cinco minutos e ela vem me rasgando a alma. Atendo o pedido da doutora e empurro com toda coragem. Tenho pressa em ver o rosto do meu bebê.
Vou repetindo o processo e uns minutos depois sinto meu bebê deixando meu corpo e é incrível. Então escuto um choro forte e começo a chorar.
─Um menino meu amor. – Glenn diz chorando tanto quanto eu. Denise o coloca em meus braços.
─Hershel. Meu bebê. – Beijo a cabeça suja de sangue e o choro agora é de puro alivio, emoção. – Ele é lindo.
─Lindo Maggie. Hershel é perfeito.
Clarie diz emocionada. Me faz um carinho nos cabelos. Glenn e eu grudados no nosso bebê os dois chorando.
─Bem-vindo Hershel. Eu sou o papai. — -Glenn beija seus dedos pequenos.
─Vou banha-lo e vesti-lo. Já devolvo. – Amber diz pegando nosso bebê. – Me ajuda Clarie.
As duas se afastam levando meu anjinho.
─Amo você Glenn. Obrigada.
─Também te amo. Conseguimos. Está tudo bem. – A doutora se aproxima. Segura minha mão.
─Obrigada doutora.
─Você foi muito bem. Está ótima. Só precisa de repouso. Vamos te ajudar a tirar essa roupa. Trocar os lençóis. Vai amamentar o bebê.
─Hershel. O nome dele é Hershel. Como o avô.
─Vai amamentar Hershel e depois dormir. Vou ficar o tempo todo aqui e o Glenn também.
Escuto os gemidos de Hershel se banhando.
─Ele está sentindo minha falta amor.
─Ele já vem. Descansa. – Glenn beija meus lábios mais uma vez e então eu relaxo.
Demoro uns minutos até tudo estar pronto e eu poder ter Hershel em meus braços mais uma vez. Coloco ele no seio e ele suga voraz.
─Sempre soube que era um menino. Eu disse, não disse?
Glenn e Clarie trocam um olhar divertido.
─Você disse. – Glenn confirma. Ele não tem coragem de me contrariar num momento como esse. Além disso está encantado demais olhando para os negros e puxados olhos do filho.
─Ele parece o papai. – Clarie brinca e concordo. Eu sabia que seria assim. Meu filho. Um lindo e saudável garoto com a cara do pai.
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