Resumption

62 Capítulo 62


Notas iniciais
Oiiieeee Espero que gostem!

Pov – Clarie

A surpresa de ter as mãos dele sobre minha barriga falando do nosso bebê é tão grande que meu coração dói de um jeito bom. Meu corpo reage e mal consigo conter as lagrimas. Acho que poucas vezes fui tão feliz.

─Daryl... Eu... – Ele sorri com a mão na minha barriga. O bebê se move, não sei se porque estou muito emocionada ou se ele sentiu o pai. Os olhos dele se arregalam. Daryl nunca tinha sentido isso.

─Ele se mexeu ai dentro?

─Sim. – Respondo rindo e chorando. Como se não tivesse me surpreendido o bastante ele beija minha barriga. Toco seus cabelos. Depois ele me beija. – Amo você. Nós dois amamos. Seu bebê está feliz.

─Eu sei. – Ele me beija mais uma vez, as mãos ainda em minha barriga.

Ergo meu olhar e vejo Benjamin na ponta da escada com a folha na mão e olhos tristes. Ele está paralisado com a cena. Toco a mão de Daryl, ele se vira seguindo meu olhar.

Ben se esforça para não chorar. Não sabe se corre de volta para o quarto ou se aproxima.

─Não vai me mostrar o desenho? – Daryl convida. Ele fica indeciso.

─Ainda quer ver? – A voz tem uma nota triste que abala um pouco minha felicidade.

─Claro. – Daryl faz sinal e ele se aproxima, estende a folha. Mas Daryl ignora o papel e o puxa para seu colo. Ele se senta e sinto o quanto gosta de estar no colo do pai. – Vamos ver isso. – Daryl olha o desenho.

Um homem com uma besta. Cabelos longos e jaqueta.

─Sou eu?

─Não pai. Sou eu quando crescer. É que eu pareço você.

─Ah! Entendi. Desenha bem. Gosta de desenhar?

─Não sabia que gostava, mas agora eu gosto. Será que posso ficar desenhando coisas?

─Pode. É bom treinar e desenhar. Tem que me mostrar todos os desenhos.

─Tá bom. – Ele fica orgulhoso. – Minha mãe gostou.

─Adorei e sei que a professora vai ficar muito feliz.

─já viu o seu irmão se mexer na barriga da sua mãe?

Ele me olha. Depois olha para Daryl muito preocupado.

─Dói? – Ele me pergunta.

─Não. Quer tentar sentir? – Ele nega. Se encosta em Daryl. Troco um olhar com Daryl que faz um sinal para que eu tivesse calma.

─Ele vai dormir com vocês dois? Eu deixei ele ficar no meu quarto.

─Foi mesmo. – Eu digo fazendo um carinho em seu cabelo. Não quer o irmão, mas quer menos ainda que ele fique tão perto de nós.

─É só um tempo. Bebê chora toda hora. Vai ser uma chateação. – Daryl diz a ele que começa a gostar. – Vai demorar um pouco para ele ser legal como você.

─Igual a Judith, não sabe fazer nada. – Falar mal do irmão e de Judith o anima um pouco.

─Nada. Estou preocupado com o trabalhão que você vai ter para ensinar tudo para o seu irmão.

─Eu? – Ben fica surpreso.

─Sim. Quem mais vai fazer isso? É como o Carl. Irmão mais velho ensinando o pequeno.

Benjamin fica pensativo. Olha para minha barriga, depois para mim. Não acho que compreende o que tudo isso significa, só sente medo e nada mais. O tempo é seu único remédio. Só quando tiver um irmão de carne e osso e sentir que tem seu lugar é que vai relaxar.

─Quando ele nascer será que pode fazer um desenho bonito para enfeitar o berço? – Eu peço e ele afirma sem vontade de falar. – Obrigada.

─Bom. Agora acho que podemos os dois brincar um pouco com o vídeo game. – Daryl o convida. Eu sei o quanto odeia aquilo. Mas por Benjamin ele se esforça. Ben deixa seu colo para ligar o aparelho. Daryl faz mais um carinho em minha barriga. – Depois falamos mais do berço.

Os dois ficam jogando enquanto eu assisto a brincadeira do sofá, acariciando meu bebê e pensando no mundo de coisas que tenho para falar. Todas as conversas que quis ter com Daryl e guardei por medo.

Deixo os dois brincando e vou preparar o jantar. A comida é leve e rápida. Descobri que sou uma boa cozinheira e cheia de imaginação. Com o passar do tempo fui adaptado receitas e hoje posso fazer quase tudo que fazia antes do fim do mundo.

Os temperos plantados na janela foram copiados por quase todas as casas. As ervas sempre trazem algum sabor a comida. Paro um momento na porta da cozinha antes de convida-los para jantar. Fico admirando aquele momento dos dois.

A brincadeira, mesmo não sendo a preferida de Daryl arranca alguns sorrisos, Ben mudou, mas não foi só ele. Sua chegada mudou a mim e ao Daryl. Trouxe um pouco de esperança a nossas vidas. Coragem para vencer e vontade de ficarmos juntos e fazer dar certo. Daryl teve que aprender a dar carinho e isso foi uma grande novidade para ele. No começo. Quando éramos apenas nós dois, seu carinho de homem era diferente.

Talvez na cabeça daquele Dixon confuso fazer um carinho em sua mulher era natural, mas numa criança, pegar no colo um garotinho que podia andar era estranho. Hoje ele pode ser mais carinho. Ben precisou deixar claro que precisava disso com seu jeito confuso de nos contar as coisas, mas Daryl entendeu e se esforçou.

Talvez essa seja sua melhor qualidade. A vontade que tem de aprender e melhorar, ele está sempre tentando. Se esforçando e isso é ainda mais bonito que as próprias mudanças.

─Tudo bem? – Ele me pergunta ao me notar ali, de pé, observando os dois. Afirmo com um leve sorriso. Venci. É como me sinto. Uma vitoriosa. Cheguei aqui sem nada, nem mesmo sonhos e hoje tenho uma família.

─Só admirando a família linda que tenho. Com fome? – Os dois afirmam movimentando a cabeça e se parecem tanto que sorrio. – Então chega de jogos.

Os dois seguem para cozinha. Benjamin olha para geladeira onde prendi seu desenho.

─Ele vai ficar aí?

─Vai. Por que gostei muito e quero olhar todo dia para ele enquanto cozinho. Assim não fico com muita saudade de você.

─Isso é bom. – Ben diz mais uma vez orgulhoso.

Comemos conversando sobre o que aconteceu lá fora com Daryl enquanto foi buscar suprimentos e claro que não acredito em uma palavra. Nada de zumbis, tudo fácil e a disposição. Um passeio no parque.

Sei que ele não quer me preocupar e finjo acreditar apenas por que gosto de como ele se preocupa com até mesmo isso.

Depois ele vai colocar Benjamin na cama. Antes de subir Ben me olha da escada.

─Boa noite mãe. – Ele fica a espera de um convite para um abraço. Quando vai entender que sou dele e sempre vou ser?

─Não mereço abraço e beijo? – Eu o ajudo, ele esconde o sorriso, mas os olhos entregam a emoção. Caminha para mim decido. Me abraça e beija. Evita o contato com a barriga. – Boa noite. Dorme bastante para crescer muito.

Uns minutos depois Daryl está de volta.

─Agora a senhora. – Ele me ajuda a ficar de pé. – Vamos deitar. Chega de trabalhar por hoje.

─Sim senhor. – Subimos juntos. Me deito encostada em meia dúzia de travesseiros que sempre me lembram sua preocupação comigo quando desloquei o ombro. Não posso imaginar homem mais atencioso e que menos quer parecer isso.

─Como está hoje? Cansaço, enjoo?

─Nada. Só medo mesmo, quando saí eu fico apavorada. Agora está aqui e nada mais me preocupa a não ser Maggie.

─Ela passou mal?

─Não, mas acho que chega muito em breve. Denise disse que não passa dessa semana.

─Nossa! – Ele diz depois de um suspiro.

─Quero estar perto dela. Prometi.

─Acha boa ideia? E se ficar nervosa, se der algo errado?

─Preciso disso. Quero estar ali com ela, me sinto tão próxima a Maggie. É como ter mesmo uma irmã. Uma cuida da outra. Todos esses meses ela foi importante. Me deu coragem.

─Alguém tinha que fazer isso já que eu...

─Está tudo bem Daryl. Sempre esteve, eu entendo tudo que se passa com você.

─Agora estou aqui por inteiro. Eu juro. Não tinha ideia do que estava fazendo com você até te ver com o Glenn e a Maggie. Desculpe.

─O que viu? – Não me lembro de nada especial.

─O modo como o Glenn tratou a Maggie, depois o jeito como pareceu grata quando ele tocou sua barriga. Eu tão distante e você precisado de mim. Vi que estava errado e a Doutora me deu uma bronca também.

─Denise é ótima. – Brinco com ele que se deita ao meu lado. Me arrumo em seus braços.

─Tenho tratado você com muito carinho, mas como se estivesse doente e não é isso. Agora será tudo diferente. Vamos realmente esperar esse bebê. Eu ainda tenho medo e isso não pode mudar.

─Também tenho.

─Depois que o bebê da Maggie nascer vamos os dois relaxar um pouco.

─Acho que sim. Daryl eu quero que o Ben escolha o nome. Acha que ele pode fazer isso?

─No fundo ele vai gostar. Vai se sentir importante. Está preparada para um nome esquisito? Nunca se sabe.

Rimos com a ideia. Quem tem que se preparar é o bebê, para mim só importa ter saúde.

─Quero pedir a ele, mas ele recusa qualquer aproximação.

─Amanhã vou leva-lo comigo para conseguir um berço. Glenn me disse que em algumas das casas vazias tem quartos infantis. Acho que envolve-lo em tudo ajuda. A gente tem que parar de deixa-lo ignorar o bebê.

─Você é o especialista em Benjamin.

─E por isso ele ainda não aceitou, dei força para isso ignorando nosso filho. – Seus olhos entristecem um pouco e suspiro. Tem sempre que ter algo.

─Antes era o medo. Agora a culpa. Não pode só ficar feliz e esquecer todo o resto? – Daryl sorri. Me beija.

─Vai ser assim. Desculpe. – Ele se arruma e toca minha barriga, gosto dele ali. Olhando para minha barriga, um tanto encantado. – Menino ou menina?

─Mudo toda hora. Acho que é menina. As senhoras de Alexandria dizem que pelo jeito da minha barriga é menina. Vou acreditar.

─Pode ser. Eu gostaria muito. O Benjamin adoraria.

─Seria mais fácil para ele. Tenho medo que quando o bebê chegar ele se isole de tanto ciúme.

─Não deixamos. Enfrentamos a ferinha desde que chegou aqui com dezesseis anos e pronto para morar sozinho numa casa grande. Odiando nossa pobreza.

Começo a rir com a lembrança. Foi tão difícil e hoje parece que foi tão simples. Daryl me beija.

─Fica tão linda sorrindo. É toda perfeitinha. Tive sorte de me querer.

─Eu que tive. Te dei muito trabalho no começo. Sempre com tanto medo de tudo, me fez forte.

─Isso não foi nada. E você que me deu um coração?

─Você já tinha um. Um coração enorme, ele estava apenas trancado.

─Claro que estava. A chave estava o tempo todo com você.

─Você diz coisas românticas Daryl. Sempre faz isso. É um matador de zumbis muito romântico. – Ele me beija mais uma vez, vamos nos aconchegando um no outro.

─Matar zumbis é a parte fácil. – Meus dedos correm por seu rosto. Beijo seus lábios.

─Quer dizer que essa aqui é a parte difícil? – Brinco quando seus lábios descem por meu pescoço.

─Não, essa parte parece algum tipo de sonho. Às vezes acho que vou acordar e descobrir que tudo não passou de uma ilusão e me dá medo.

─Isso não é um sonho. Posso te beliscar para provar.

─Não. Vamos experimentar outra coisa. – Ele diz quando suas mãos sobem por minhas pernas e meu corpo reage no mesmo momento. A gravidez ainda não nos criou nenhum problema quando a isso e espero que seja assim até o fim.

Meu corpo todo se acende com o toque. O poder que ele tem sobre mim é quase absoluto, morreria por suas mãos em minha pele. Seus lábios procuram os meus e a conversa e tudo que não seja meu corpo e seu corpo se dissipam. Só tem meu amor por ele. Um amor completo, pertenço a ele e ele me pertence.

Acordo em seus braços e sinto falta do puxão de todas as manhãs. Vamos ver se depois do nascimento ele volta a se espalhar na cama. Volto a fechar os olhos quando ele me abraça mais. Fico ali aproveitando aquele momento de carinho.

─Bom dia. – Ele diz no meu pescoço. Levantar é sempre tarefa difícil com Daryl Dixon na cama ao meu lado.

─Bom dia. O que vai fazer hoje?

─Ficar com você o dia todo. Não, quando Ben sair da escola vamos atrás de um berço. Antes quero ver tudo que nosso bebê já tem.

─Quer olhar as roupinhas? – Me viro para poder olhar para ele. Daryl afirma. – Tem sapatinhos. Nem tudo é usado. As senhoras conseguiram lã e fizeram roupinhas.

─Quero ver como você e Maggie vão se acostumar a viver sem os mimos que andam recebendo.

─Não vamos. Está bom demais. – Me encosto nele e ele me envolve. – Sinto vergonha quando penso que já quis morrer.

─Passou. – Ele beija minha testa e me faz sorrir. Escuto uma leve batida na porta. Ben acordou. Acho que fica ensaiando a batida na porta toda vez que quer entrar, é sempre tão leve. – Entra.

A porta se abre e ele surge no quarto com cara de sono e cabelos nos olhos, esses dois vão ficar cegos, mas não vão nunca me deixar cortar esses cabelos.

─Já é de manhã. – Ele comunica.

─Está muito frio Ben. Vem deitar aqui um pouquinho.

Ele obedece. Se ajeita ao meu lado sob as cobertas. Me arrumo nos travesseiros no meio dos dois. A barriga alta agora com meu pequeno milagre crescendo dentro dela.

─Vou na escola?

─Mais tarde. Agora vamos ficar os quatro aqui. – Brinco tocando a barriga. Daryl faz o mesmo. Benjamin fica apenas ali.

Tomo coragem para pegar sua mão de menino. Beijo a palma. Olho para ele um pouco assustado. Depois encosto sua mão na barriga. Ele não afasta, o irmãozinho ajuda se movendo e seus olhos arregalam.

─Acho que ele sabe que é você e ficou feliz. – Ben não diz nada. Minha mão ainda segura a dele sobre a barriga, a hora que soltar ele corre para longe. Eu sei disso.

─De novo. – Daryl avisa quando mais uma vez sinto o bebê se mover. Benjamin olha para o pai e depois para mim. – Seu irmão gosta de você.

─Pode escolher um nome para ele Ben? – Peço para seus olhos assustados e com medo.

─Eu?

─O Carl que escolheu o nome da Bravinha. Eu queria Bravinha, mas ele era meio apaixonado por uma professora e ficou Judith. – Daryl conta a Ben.

─Ele que escolheu o nome?

─Foi.

─Qualquer nome? Até se for bem feio? – Eu e Daryl trocamos um olhar.

─Pode ser. Até se for bem feio. – Aviso e ele olha para a mão em minha barriga. – Mas acho que não vai querer que ninguém ria do nome feio do seu irmão. Então acho que vai escolher um nome bonito.

─É ruim quando riem da gente. – Ele se afasta de mim, tira a mão de minha barriga e não insisto, teve lembranças doloridas e entendo isso. Foi tão humilhado que não é fácil esquecer.

─Mas ainda demora, pode ir pensando em nomes e se quiser contar conta, se não esperamos até se decidir.

─Vou tomar banho. – Benjamin avisa deixando a cama, olho para Daryl quando ele sai fechando a porta.

─Vamos continuar assim e ele se acostuma. – Ele garante, não quero que se acostume. Quero que ame o irmão, mas isso deve vir com o tempo como Maggie falou.

Vou para o banho com a ajuda de Daryl e todo aquele medo que ele tem de um desmaio que até hoje não aconteceu. Umas tonturas e enjoos foi tudo que tive.

Fico pronta. Ele me sorri pelo espelho.

─Vou buscar o Ben enquanto arruma os cabelos.

Ele entra no quarto de Benjamin e me lembro das luvas que Benjamin nunca lembra de usar. Caminho para lembra-los.

─Não vou escolher nome enquanto estiver na barriga dela, por que ele pode morrer e matar minha mãe. – Benjamin conta a Daryl. Sinto meu corpo enfraquecer com a ideia. É como se pudesse ver a cena. Penso em mim e penso em Maggie.

A ideia me assusta mais que todas as tolices que já fui capaz de pensar. É pior que qualquer pesadelo que já tenha tido e me sinto fraquejar, tudo escurecer e então abro os olhos e estou na cama.

─Tudo bem? – Daryl segurava minha mão. Benjamin chorava ao meu lado. – Vou buscar a doutora.

─Não precisa, estou bem, acho que me movimentei muito rápido.

─Tem certeza? – Daryl pergunta. Afirmo, depois pego a mão de Benjamin.

─Não foi nada Ben. Estou bem. Por que não pega uma água para sua mãe?

─Eu vou mãe. – Ele desce correndo.

─Sei que ouviu o que ele disse. Não fica nervosa. Ele está com medo é só isso, vou ter uma conversa com ele. Tudo vai passar.

─É que foi uma visão tão... – Suspiro. Afasto a lembrança. – Deve ter acontecido algumas vezes.

─Mas não vai acontecer com você e nem com a Maggie. E ele não vai mais dizer essas coisas.

─Não me importo que ele diga Daryl. O que não quero é que ele pense essas coisas. Não quero que tenha medo.

─Ele não vai ter. Vou leva-lo para falar com a doutora. Ela vai saber dizer as coisas certas a ele.

─Pode dar certo. – Me sento e Benjamin surge com a água. – Obrigada filho.

Tomo uns goles de água e depois fico de pé. Os dois me seguram um de cada lado.

─Sabiam que amo quando ficam assim cuidando de mim.

─Vou escolher um nome bonito mãe. Não vou escolher nome feio não.

─Sei que vai. Agora vamos tomar nosso leite.

Agora que tenho Daryl realmente ao meu lado eu sei que Benjamin vai superar e eu vou ser forte, uma boa conversa vai ajudar muito. Quem sabe ele não viu coisas assim acontecerem? O pequeno viu muitas coisas na vida. Mesmo com tão pouca idade.

Notas finais
No próximo vamos dar uma olhada no namoro do Carl e da Amber e ter o nascimento do bebê da Maggie. BEIJOSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS