Ressonância: Uma Nova Aventura Killjoy.

6 Capítulo 5 - Chega de palhaçada!


Capítulo 5 – Chega de palhaçada!

- Venha pequena, lavar essa caca que você fez. — insinuou Ghoul como se dissesse a um bebê, ao que a menina apenas franziu o cenho denotando seu aborrecimento.

De qualquer maneira, Sunshine estava mais preocupada em saber o paradeiro da moça, do que com as provocações de Fun Ghoul. Seus olhos corriam por toda parte e nada, encontrando penas várias portas fechadas.

- Pronto pequena. — completou Ghoul após lavar as mãozinhas da menina e as suas próprias, uma vez que tenha as sujado para ter um pretexto.

O Interessante é que ele o fizera devidamente, com sabonete e tudo. Parecia até que fazia propositalmente, adquirindo um pouco que fosse de tempo.

Um plano maquiavélico? Bem possível.

- Ela não está aqui. — Sunshine resmungou de si pra si, dando uma última olhada no ambiente enquanto esfregava as mãozinhas nas próprias roupas, umedecendo as vestes.

Ghoul fitou-a reflexivo e, preferindo secar as próprias mãos em uma toalha de papel, adquiriu-as ao lado do lavatório.

- Uh? O que disse? — indagou confuso.

- Nada. – mentiu.

O pequeno homem deu de ombros e seguiu com o que tinha em mente. Visualizou o mais rápido possível o pequeno ambiente à procura de alguma grande janela. A tinha visto do lado de fora ao que se lembrava.

Como as portas dos sanitários estavam todas fechadas, Ghoul não titubeou muito e se pôs a chutar uma por uma, no intuito de abri-las para verificar onde estaria a tal janela.

Um ato impulsivo e pouco refletido. Óbvio que as consequências seguiriam de mesma forma. Tanto é que, na última porta, uma surpresa. Não somente encontrou a janela como:

- Então ela estava aí! — constatou a pequena Sunshine assim que viu a moça que tanto procurou.

Ela, a mulher desolada, estava sentada com o corpo escorado na parede, quase desmaiada. O sangue fluía violento a partir do corte na fronte. Com a coagulação tanto irregular o abatimento não poderia ser menor. Ghoul fitou-a tanto perplexo, talvez pela morbidez da cena ou então por ter invadido um momento que não lhe pertencia. No entanto a moça não pareceu se constranger, a enfermidade não a permitiu a tal. Tinha os olhos confusos e cansados:

- Desculpe, eu pensei que isto fosse parar. Mas eu estava errada. Resolvi dar um tempo aqui, antes de ter de encarar aqueles olhos predadores novamente. – revelou-se humildemente, com a voz rouca e fraca.

Ghoul se sentiu péssimo. Sabia que quem estava errado era ele por não ter ocorrido à mente que poderia haver alguma pessoa ali. Contudo era ela quem pedia desculpas, como se fosse ofensivo estar definhando aos olhos deles. Era isso ou ele havia entendido errado? Todavia o pequeno homem deixou de lado os pensamentos passageiros e estendeu a mão em direção à moça, oferecendo suporte. Ela o aceitou. Segurando com firmeza as mãos gélidas dentre a sua, num gesto rápido e certeiro, a tirou daquele cubículo.

- Mantenha a cabeça levantada. Fixe os olhos no teto e pressione bem assim, okay? – a instruiu após arrastá-la pra perto de Sunshine e, forçando-lhe a erguer a cabeça, a ajudou ao estancar, parcialmente, o ferimento com um lenço que colocou dentre seus dedos. — Fique bem aqui com ela, pequena. – ordenou já as deixando próximas ao lavatório e partindo em direção ao cubículo aonde encontrara a moça.

A criança apenas balançou, concordando pra depois fixar seus grandes olhos na jovem enferma.

O pequeno homem pôde ver agora, sem distrações, a janela que tanto desejara. Era grande e estava bem ao alto. Ele sabia que seria complicado estourar as vidraças, mas não impossível. E como ele não era de desistir, escalou as divisórias do sanitário e logo ficou à altura dos vidros. Bastando-lhe alguns ponta pés para que as vidraças fossem completamente estilhaçados, ocupando assim, grande parte do piso.

Ainda no alto, Ghoul pôde ver claramente os estranhos mascarados rumando em direção à entrada.

- Merda! Não temos outra escolha. – Fun praguejou o destino. Num salto, retornou ao piso. Cauteloso, rapidamente trancou a porta do banheiro e voltou-se à Sunshine — É hora de ir, pequena. Vamos brincar de pique — esconde okay?

A criança desviou os olhos do pequeno homem até a moça. Esta era sua maneira de fazer um pedido silencioso. Ghoul nada argumentou, porém sabia do que se tratava.

Sunshine, segurando firme a mão da mulher que a assistiu confusamente, fizera um pedido mudo. Embora não fosse um ato esperado e explicativo, a moça logo o compreendeu assim que fitou àqueles olhinhos pidões e a expressão gentil do sujeito que ainda não conhecia:

- Não, não. Agradeço a gentileza, mas não. Eu não posso. – manifestou-se apressada.

- Não vou sem ela. – a pequenina rebateu, olhando seriamente nos olhos âmbares de Ghoul.

- Óh, Merda! Devo ter grudado chiclete na cruz. – o pequeno homem não aquietou a boca suja, praguejando o destino mais uma vez. Bagunçando os longos fios escuros da própria cabeça, demonstrou sua escassa paciência. — Escute aqui, mocinha, você não decide nada. A gente tem de ir agora. E se ela não quer ir, não posso fazer nada. — argumentou rude, ainda assim, sincero.

- Pode pedir à ela. — a criança choramingou decidida.

A expressão de Ghoul partiu para um misto de raiva e encabulação, no entanto logo foi detida pela voz cansada da moça, em questão:

- Tudo bem, eu brinco com vocês. — tentou um sorriso, mas o abatimento era mais persuasivo.

Sunshine apenas a abraçou vitoriosa.

- Então vamos nessa. – resolvido, Ghoul usando de velocidade escalou as divisórias novamente. Inclinando o corpo, estendeu os braços para que Sunshine se agarrasse à ele, mas a menina titubeou.

- Vamos. Eu te ajudo. – a mulher tentou, num sorriso, convencer a criança.

Sunshine assentiu com a cabeça.

Com poucas alternativas, a moça levantou-a um pouco, o tanto que conseguiu. Contudo logo sentiu sua consciência vacilar mediante à seu estado físico.

Por sorte o pequeno impulso fora o suficiente para Ghoul perceber que teria de resgatar a menina o mais rápido possível. E fora o que fez com exatidão num gesto rápido, alcançou Sunshine e a recolheu, trazendo-a para cima junto à si.

Estando sozinha no piso, a moça escorou-se contra a parede, evitando o abatimento e um possível demais, com uma queda qualificada.

Sunshine e Ghoul assistiram à moça e logo voltaram à atenção para a janela, cuja lacuna era o único meio de escape. A criança pareceu exitar, Ghoul percebeu:

- Muito bem pequena. Confie em mim. Vai ser divertido, lhe prometo. — sorrira brincalhão, sentira a necessidade de confortar a menina. Sabia que aquela situação era tensa demais, até parecia que eles estavam na companhia da própria senhora morte, que rondava insistentemente aquela moça. Um mau presságio, diga-se, contudo algo insensato e mórbido demais para avaliar no momento. Fun resolveu apenas levar aquilo como uma brincadeira, seria importante garantir conforto às duas que tinha sob sua guarda — No três, okay? – alertou a criança que apenas meneou a cabeça, em resposta. — Um, dois... — antes do término da contagem, soltou a pequena no vão das vidraças, que daquela altura não poderia se machucar. Ghoul verificou e, comprovando a integridade física da criança, retornou a atenção àquela que parecia precisar mais — Consegue ao menos segurar a minha mão? – a moça, agasalhada pela enfermidade, negou com a cabeça — Prometeu à criança que brincaria, ao menos tente. — sem muitas opções, o pequeno homem partiu para a persuasão. E conseguiu! Não demorou muito e ela agarrou a mão de Ghoul que, em prontidão, a resgatou num solavanco — Será que consegue...

- Cair? É o que faço de melhor. — tentou um sorriso, todavia este não veio. Ao final, sem quaisquer perspectivas, apenas deixando-se levar pela promessa há pouco feita, deslizou para fora da grande janela, sendo seguida pelo pequeno homem.

Uma vez que eles estivessem fora, possivelmente estariam longe de encrenca. Possivelmente!

Notas finais
reviews?(: